VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Coronel da PM dá aula na USP no ciclo Ética e Universidade


06/11/2012 - 13h39

A USP demonstra quem dá as cartas no campus e – exatamente um ano após a Tropa de Choque invadir a universidade – oferecerá a um coronel da PM o espaço privilegiado de uma sala de aula para que ele possa ensinar aos estudantes os motivos pelos quais eles devem se submeter a uma vida vigiada.

Sob o pretexto de discutir o tema “Segurança e Privacidade”, a Comissão de Ética da USP e o Instituto de Estudos Avançados (IEA) realizarão no dia 8 de novembro, às 15 horas, na sala de eventos do IEA, a primeira mesa-redonda do ciclo Ética e Universidade, que contará com a exposição do coronel Glauco Carvalho, da Polícia Militar.

Glauco dirige desde junho o Comando de Policiamento de Área Metropolitana-7, responsável pela “polícia ostensiva e pela preservação da ordem pública” nos municípios de Guarulhos, Arujá, Santa Isabel, Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Cajamar e Mairiporã [região que entre junho e setembro registrou mais de 75 homicídios].

Mas as credenciais da figura são mais graúdas. O coronel atuou por cinco anos no comando geral da PM e Casa Militar, responsável pela segurança direta do palácio do governo do estado, nas gestões Claudio Lembo e Geraldo Alckmin.

Cabe lembrar que foi durante o governo de Claudio Lembo, em 2006, que ocorreram os extensos conflitos e assassinatos em série entre o PCC e a polícia, conflitos que agora voltam à tona. Ao final de 2006, o dedicado ajudante de ordens do governador teceu elogios ao chefe pelo apoio dado à corporação: “queremos agradecer em nome da sociedade paulista a forma com que o senhor conduziu o Estado e pelas virtudes demonstradas neste tempo todo”.

Glauco Carvalho foi também assessor do núcleo de estudos políticos da Fecomercio, presidido pelo ex-governador.Além dele, a mesa terá como debatedores o recém-eleito diretor da FFLCH, Sérgio Adorno, que apoia a divisão da faculdade e a presença da PM no campus, e Leandro Carneiro, do Instituto de Relações Internacionais da USP, defensor da política de segurança do governo do estado de São Paulo e adepto da política do punir mais é punir melhor.

Essa é a ética que nos quer ensinar João Grandino Rodas!

É a mesma ética das câmeras escondidas no bandejão, a mesma do código de ética que serviu para dar verniz democrático às expulsões de estudantes não apenas baseadas no regimento ditatorial de 1972, e que agora a burocracia nos quer empurrar garganta abaixo.

Precisamos dizer não a essas regras de conduta que nada mais querem do que naturalizar a presença da PM no campus, não apenas reprimindo e vigiando, mas ditando os rumos da universidade.

Não aos coronéis nas salas de aula!





34 comentários

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nina rita de cássia

24 de novembro de 2012 às 22h08

Surge um ANTI-FOUCAULT na USP

Responder

Zezinho

07 de novembro de 2012 às 12h58

Puts, se tivessem convidado o Marcola estariam a ovacioná-lo…

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Matheus

07 de novembro de 2012 às 10h59

O que me deixou mais chocado foi dizerem que um sociólogo da estatura de Sérgio Adorno, que produziu tantos textos relevantes sobre a questão da criminalidade e segurança, ter sido acusado de apoiar essa política repressiva do interventor Rodas (que nem aqui, nem na China, representa uma “comunidade universitária” que não o escolheu, trata-se de um violador da autonomia universitária, com um bom número de investigações por abuso de poder e corrupção, pelo que consta). Será que isso é verdade ou é uma acusação leviana? Fico preocupado com essa possível colaboração de intelectuais universitários com essas práticas autoritárias.

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    nina rita de cássia

    24 de novembro de 2012 às 22h14

    Nunca me enganou. Mas, não é só esse não. Renato Janine publicou um artigo, dizendo ter estado com FHC, num evento por ele promovido para dizer qe não tinha nada a dizer, que estava EM BUSCA DE UMA UTOPIA !

Roberto Locatelli

06 de novembro de 2012 às 20h05

Existem os PMs honestos ou corruptos, e exista A PM, ou seja a corporação militar herdada da ditadura.

Esse coronel é representante dA PM, não é um palestrante qualquer. Ele representa a ideologia repressiva tucana, que perpetrou, por exemplo, a barbárie de Pinheirinho.

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    Matheus

    07 de novembro de 2012 às 11h02

    Bem lembrado. Da mesma forma que as Forças Armadas deveriam pedir desculpas ao povo brasileiro pelo Terrorismo de Estado, a Polícia Militar de São Paulo deveria pedir desculpas pelas operações em Pinheiro e na Cracolândia, além do acobertamento de grupos de extermínio.

    Existem ótimos profissionais nas polícias brasileiras, quem pode negar? No entanto, a instituição precisa fazer a devida autocrítica por ter servido aos vergonhosos governos demotucanos.

Elmar Bones: Uma reportagem, duas sentenças « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de novembro de 2012 às 19h03

[…] Coronel da PM dá aula na USP no ciclo Ética e Universidade […]

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Edno Lima

06 de novembro de 2012 às 18h27

A tela do Word aceita qualquer bobagem. O texto sugerido pelo professor Caio Toledo é uma delas!Puros preconceito e ignorância. Perguntem aos pais do rapaz morto em 2011 no Campus da USP se eles compartilham das aleivosidades presentes no texto. A ojeriza à PM no campus parte dos maconheiros da FFLCH, que querem tragar o baseado em paz.

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    rodrigo

    06 de novembro de 2012 às 20h39

    Pergunta pra minha mulher se ela gostou de ser chamada de vagabunda e maconheira quando os alunos saíram à rua ano passado. Pergunta pra minha mulher se ela gosta do clima que tá na USP. Pergunta pra minha mulher se ela se droga. Pergunta pra minha mulher se ela votou no Alckmin na última eleição pra governador. Pergunta pra minha mulher se ela gosta do pessoal da FFLCH. Pergunta pra minha mulher o que ela sentiu quando demonizaram TODOS os alunos da USP na televisão.

    Edno Lima

    08 de novembro de 2012 às 17h54

    Talvez tenha gostado de ser chamada de vagabunda, Rodrigo.

Rodrigo Leme

06 de novembro de 2012 às 16h35

Eu acho impressionante: não conhece o palestrante, não viu a palestra. Mas é PM, então pau nele!!!!

Depois os alunos profissionais (aqueles de 40 anos de idade, multijubilados que ocupam espaço no CRUSP sem produzir nada além de panfletagem) falam que brigam por uma universidade “democrática”. Democrática, mas com censura prévia, certo?

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    Molina

    07 de novembro de 2012 às 10h19

    Comentário bastante pertinente. Para alguns, na universidade pública só pode se manifestar quem segue a cartilha ideológica do Viomundo.

Brunno Alves

06 de novembro de 2012 às 15h07

A rejeição sem, ao menos, ouvir. Isso que não tem cara de universidade. Sim ao debate. Que o Coronel venha e faça sua explanação. E que seja boa, pois, senão, vai ouvir.

Responder

FrancoAtirador

06 de novembro de 2012 às 14h31

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É um risco para o governo federal

dar apoio ao governo de São Paulo,

onde quem comanda as Polícias

é o Esquadrão de Extermínio.

No fim, quem vai pagar a conta

são os pobres e o ‘lulopetismo’.
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Responder

    FrancoAtirador

    06 de novembro de 2012 às 14h36

    .
    .
    A Extrema Direita

    e a Mídia Mafiosa

    querem ver sangue.
    .
    .

    FrancoAtirador

    06 de novembro de 2012 às 16h36

    .
    .
    O Ministério da Justiça faria muito melhor

    se oferecesse proteção aos policiais honestos

    que denunciassem os exterminadores de pobres

    infiltrados dentro das Polícias de São Paulo.
    .
    .

xacal

06 de novembro de 2012 às 14h30

O texto, se me permitem, é de uma obtusidade ímpar, que eu resumiria assim:”se o burro te der um coice, abaixe e escoiceie o burro de volta”.

Carregado de preconceitos sobre policiais, o que per si, é um disparate em uma casa dedicada a ciência.

Talvez por este desentendimento histórico da academia sobre Estado, violência, polícia e criminalidade, refletido neste estranhamento perpétuo, é que tenhamos chegado aonde estamos em SP.

Afinal, a direita sempre soube tratar muito melhor a polícia, a quem recompensava pelo “trabalho sujo”. A esquerda espera o mesmo trabalho sujo, mas no fim cospe na cara dos seus “cães de guerra”. Polícia na USP só para não deixar que roubem o carro novo da Patty, mas reprimir conduta antissocial, NUNCA!

Onde está a curiosidade acadêmica, afinal?

Eu sempre imaginei ser o papel da academia receber um “inimigo ideológico”, ainda mais quando este não está ali para distribuir bordoadas, mas para se submeter (e quem sabe perder “o ranço”) aos ditames rituais do “novo campo de batalha”.
Esta situação não pode ser considerada um retrocesso, mas sim um avanço.

Pela postura do professor-militante, periga o coronel sair de lá muito mais violento, intelectualmente falando, o que associado a seu propalado curriculum já revelado pelo professor, seria a criação de um verdadeiro monstro.

Um brucutu com o cacoete discursivo da academia uspiana…aiaiaia!

Ou o professor-militante fazer concurso para Academia de Oficiais…vai ver que este é o medo dele, quem sabe?

Estou preocupado com uma Universidade que se assombre com a presença de um policial em uma mesa de debates possa lhe atingir os “ditames” e sua razão de existir…

Pensando bem, menos professores na USP!

Responder

    Um ser social

    06 de novembro de 2012 às 16h26

    Xacal? Você passou a adolescência inteira tomando batida policial? Depois disso na idade adulta você foi atrás dos porquês do comportamento da polícia militar? Então não me venha falar em pré-conceitos. Conceitos formados demandam anos de estudo, mas sobretudo e principalmente vivência.
    A propósito, a academia é só mais um compêndio da sociedade CIVIL, com todas as mazelas inerentes a ela. O estado social límbico da instituição policial militar não tem nada de ciência a não ser pro militarismo do WHINSEC (você conhece a doutrina de segurança nacional???) e seus congêneres nacionais espalhados américa latina afora.

    xacal

    06 de novembro de 2012 às 18h13

    Caro ser (anti)social,

    Não preciso comer cocô para saber que é ruim, muito menos ser pobre para falar de pobreza, e por aí vai…aliás, este é o barato da ciência, lembra?

    Claro, há experiências empíricas para descobrir o “gosto, textura, cheiro e consistência” da merda, mas eu confio no seu relato.

    Filho, o fato da polícia militar brasileira ser um problema de TODA sociedade brasileira, e não só dos policiais, não exime uma instituição acadêmica (a USP) de tratá-la com muito mais racionalidade que a PM trata a academia.

    Estranho se fosse diferente, e isto não acontece nem em Estocolmo.

    Polícia, meu filho, é polícia em qualquer lugar: Seja descendo a porrada em Wall Street, seja espancando Rodney King em L.A, seja metendo a borracha no “berço grego da Democracia”, ou nas ruas de Madrid.

    A diferença é que em determinados países, os conflitos sociais se expressam de formas diferentes, e a polícia, claro, reage de forma distinta. Contextos, processo histórico distintos, estruturas normativas estatais diferentes, enfim, noção de Estado e cidadania específicas.

    Sei que você me entende, ainda que embaixo deste ódio todo(cuidado com a síndrome de Estocolmo, hein?).

    A PM paulista, eu vou r-e-p-e-t-i-r bem devagar, pois já falei isto aqui por várias vezes, não é nem mais, nem menos violenta que a sociedade onde está inserida.

    Claro, isto não a exime dos abusos, mas também não nos dá o direito de nos imaginar muito diferente deles, porque não somos.

    Em tempo: na sua idade mental(seja lá qual for a cronológica) enfrentei, xinguei e apanhei bastante da polícia nas greves gerais de 87 em diante. Transgredi outras leis também, mas não é o caso, rsrsr.

    Tinha até foto minha na seção (S2) do batalhão de infantaria local, o 56º BI do Exército Brasileiro, isto em plena abertura democrática!

    Estão aí minhas credenciais se te satisfazem…junto com o fato que me tornei inspetor de polícia da PC do RJ.

    Para encerrar, destaco do seu lamento:

    “(…)O estado social límbico da instituição policial militar não tem nada de ciência a não ser pro militarismo do WHINSEC (você conhece a doutrina de segurança nacional???) e seus congêneres nacionais espalhados América latina afora.(…)”

    Isto é um diagnóstico? Ok…e o prognóstico? Vamos nos deter nos “conceitos” e continuar a olhar a sociedade pelo retrovisor?

    Realmente, o pessoa das periferias var adorar esperar a desconstrução ideológica da “segurança nacional” enquanto vai lotando as gavetas do IML.

    É só isto que a USP nos oferece? Neste caso, prefiro confiar nos conceitos da polícia. São mais honestos, embora doloridos!

    Em tempo, o “que tem haver com ciência”? Sua noção semi-religiosa dela?

    Um abraço.

    Ser social, civil e antimilitarista

    06 de novembro de 2012 às 19h22

    Caro tira. Como Sherloque você vai morrer de fome. Ficamos assim, você não sabe quem eu sou, vai continuar sem usar sua imaginação, seu pensamento, sua tolerância e sua compaixão e eu vou continuar achando que a repressão IRRACIONAL herdada do Brasil colônia vai continuar bem, obrigado e mandando lembranças à família. Enquanto isso o SUBSTANTIVO JUSTIÇA, fator fundamental para qualquer grupamento humano com pendores civilizatórias vai continuar sendo apenas mais uma palavra solta e inerte no vocabulário tupiniquim, largamente usada por partidos políticos antes de eleições. E se nós mesmos não temos coragem de mudar alguma coisa, ninguém mais terá.
    Não te mando abraço porque não sou hipócrita.

    xacal

    06 de novembro de 2012 às 22h11

    (Anti) social, e blá, blá.

    Eu não meço o debate pela qualidade do interlocutor e sim pelas ideias dele.
    Logo, quem começou fazendo questão de credenciais foi você, só atendi a sua curiosidade.

    Então, posso morrer de fome, só não posso morrer de burrice. Ops, favor não confundir obtusidade(como sempre fazem os arrogantes)com escolaridade formal, isto diz pouco. E no seu caso diz muito.

    Eu não sei qual curso você fez(e nem me interessa, veja bem) mas a repressão, filho, NUNCA é IRRACIONAL, ela tem método e propósito. E deu certo contigo, porque você está próximo a se tornar pior do que os algozes que você diz te perseguir.

    “(…)qualquer grupamento com pendores civilizatórios(…)”

    Ora, isto é um tratado etnocentrista de qual grupo, do seu?

    Aonde está este SUBSTANTIVO JUSTIÇA?

    Em Guantánamo? Na USP? Na China?

    Afinal, o que catzo é “civilização”?

    O discurso anti-partidos políticos é um primor!

    Vamos ao baile no seu mundo de fantasia, caro amigo, eu de Sherlock e você de Batman, o herói de alma torturada…

    abolicionista

    06 de novembro de 2012 às 20h41

    Caro Xacal, dessa vez vou ter que discordar de seu comentário. Em primeiro lugar, você não leva em conta o histórico da relação entre a USP e a PM. Vale lembrar que a polícia não entrava na universidade desde a ditadura (que o atual chama de Revolução, mas “passons”) e possui um histórico de professores mortos, torturados e presos durante esse período. Além disso, em relação ao policiamento do campus, a USP possui uma guarda universitária própria (que foi deixada às moscas pelo atual reitor, e não por falta de verbas, Rodas administra praticamente sozinho um orçamento de cerca de 4 bilhões de reais), ou seja, em vez de patrulhar as ruas, onde sua presença seria mais importante, a PM é obrigada a vigiar “atividades suspeitas” no campus, prendendo estudantes usuários de maconha e ocupantes de moradias provisórias.
    Finalmente, para quem está de fora da USP, isso pode passar por um debate, mas para quem conhece os nomes envolvidos, sabe que isso é apenas uma provocação frontal ao movimento estudantil. Será uma exposição unilateral e sem direito à réplica, como sempre acontece nas “aulas” organizadas pelo reitor. Rodas está utilizando a questão da segurança no campus (com a qual nunca se preocupou realmente, como demonstram as péssimas condições da iluminação) para interferir politicamente na vida da universidade. Isso só ocorre porque a estrutura de poder na USP é completamente centralizada na figura do reitor, que aprova o que bem entender e pune arbitrariamente seus adversários. Rodas é assumidamente a favor das políticas de privatização e o movimento estudantil tem sido uma pedra em seu sapato, denunciando a presença das fundações, o fechamento dos Centros Acadêmicos e o sucateamento dos cursos gratuitos.
    É claro que policiais devem participar do debate democrático acerca da segurança na cidade, mas, nesse caso específico, eles estão sendo astutamente utilizados pelo reitor para fazer política de repressão dentro da USP. Enfim, eu poderia escrever muito mais a respeito (há inclusive denúncias de desvios de verba por parte do reitor que aprovou o orçamento do ano passado sem passar pelo Conselho Universitário). Não espero convencê-lo, mas apenas mostrar que há muitos mais fatores envolvidos nessa questão do que um simples “debate” sobre a violência. Procure informar-se a respeito. Grato.

    xacal

    06 de novembro de 2012 às 22h00

    Caro abolicionista,

    Enfim temos com quem conversar.

    Veja, o histórico de uma instituição que se proclama Universidade, ainda que eu reconheça que exista uma série de recalques e problemas mal resolvidos em relação a repressão(está aí a lei de anistia que não me deixa mentir), não nos autoriza a cristalizar estes ranços históricos.

    As responsabilidades e tarefas da USP e da PM são diametralmente diferentes, e não se espera de pessoas expostas ao debate acadêmico outra postura que não seja o permanente pendor para o debate, com quem quer que seja, provocadores ou não.

    Até porque, esta luta pela hegemonia política dentro do campus não pode soterrar a vocação científica desta instituição.

    Veja, eu não conheço a realidade da USP, nem sou paulista como você sabe, mas sei também que é prova de maturidade de qualquer estudante ou professor não rejeitar disputar ideologicamente em qualquer campo proposto pelo adversário, ainda mais quando não há consenso, e pelo que vi, infelizmente, o apelo “militar” seduz uma parcela significativa do campus.

    Será então que a reação a presença do PM como “debatedor” é para refutar uma discussão? Será ele um usurpador de uma agenda que alguns acham que podem monopolizar?

    Ora, se o reitor age fora da lei, processo nele.

    Se ele tenta impor um debate a partir de premissas que lhe são caras(ainda que estranhas a Universidade), desmascarem-no, POLITICAMENTE, não aos gritos, como pretendeu o ser (anti) social, civil e antimilitarista.

    Enfim, caro abolicionista, não sei sei você sabe, mas guarda universitária é só um eufemismo para uma guarda patrimonial, que não tem poder de polícia.
    A Universidade, nestes tempos de criminalidade em alta, ainda mais se considerarmos que os jovens abastados que lá estudam detêm os bens que chamam a atenção dos assaltantes, não pode prescindir de policiamento.

    A questão de costumes(uso de drogas) é outro debate, mas com certeza a condição de estudante universitário não reveste ninguém de impunidade.

    Cada coisa em seu lugar.

    Em tempo ninguém é só “usado”. Esta sua visão “paternal” dos policiais, que estariam sob um plano nefasto do reitor é desconsiderar que muitos policiais são capazes, sim, de elabora e debater em pé de igualdade na academia, e se não forem, como eu disse, resta aos acadêmicos duas posturas:

    1- Achincalhá-los publicamente a alimentar o círculo de ódio recíproco;
    2- Ou compartilhar conhecimento e praticar o convencimento, tarefa aliás, primordial para quem constrói o saber com dinheiro públicpo.

    abolicionista

    07 de novembro de 2012 às 08h19

    Caro Xacal, antes de mais nada, obrigado pela resposta. Esse debate dá pano para manga, e já gastei algum tempo com ele, mas aí vão algumas objeções:

    1. É justamento por prejudicar a vocação científica da USP que Rodas merece ser severamente criticado. Rodas não foi legitimamente escolhido pela comunidade universitária, ele foi imposto por Serra, que, numa decisão inédita, interferiu diretamente na escolha para reitor (algo previsto por lei, mas que nunca tinha acontecido antes). Por que isso aconteceu? Porque há interesses econômicos poderosos por trás dessa “escolha”. Rodas trouxe o Santander para a USP, é o grande defensor da presença das fundações privadas dentro do campus e é assumidamente a favor das políticas de privatização.

    2. Os policiais entendem muito de segurança pública, provavelmente muito mais do que a maior parte dos acadêmicos, mas não conhecem os meandros da política institucional da USP. Não estou chamando os policiais de ignorantes, se é isso que você sugere, apenas ressaltando o fato de que muitos policiais não percebem que estão atuando politicamente no campus. Muitos acham que estão simplesmente fazendo segurança, como a fariam em qualquer outro lugar da cidade (se bem que todos sabemos que não existe nenhum lugar neutro em São Paulo, pois cada região da cidade recebe um tipo de policiamento específico, mas enfim…). É claro, esse não é o caso de nosso ilustre palestrante. Não, esse sabe muito bem o que está fazendo ali, ou seja, proselitismo político. Ora, um debate acadêmico verdadeiro que se preze deve colocar frente a frente oposições diametralmente opostas, não pode ter medo de nenhum argumento, pois o princípio que norteia a discussão é a busca pela verdade e pelo consenso. Não é isso o que vemos nesse caso, pois a “mesa redonda” convocada por Rodas escolhe a dedo os únicos professores da FFLCH que atuam como braço direito do reitor. Isso não é debate, é propaganda. Quer um exemplo de debate? O lançamento do livro de André Singer, “Sentidos do lulismo”, contou com a participação dos professores Brasílio Sallum Jr. e Francisco de Oliveira, do departamento de Sociologia, Bernardo Ricupero (ou seja, vulgarmente falando, um Psolista e um tucano, ambos críticos ferrenhos do governo Lula), houve uma discussão de alto nível, sem ofensas, acadêmica, franca. Não é esse o caso na mesa redonda do Rodas em que o Sr. Glauco irá tomar parte. Nem de longe… Ora, se o policial em questão tem capacidade de discutir em pé de igualdade com acadêmicos, por que não aceita vozes discordantes?

    3. A PM já fazia ronda no campus há muito tempo, justamente porque a guarda universitária é apenas patrimonial. No dia em que o estudante da FEA foi assassinado, inclusive, a PM efetuava um bloqueio no Portão 1 e havia uma viatura fazendo ronda no campus. É notório que Rodas nunca se preocupou de fato com a segurança no campus, tanto que até hoje a iluminação ali(sabidamente uma das medidas de segurança mais simples e eficientes do mundo) continua em péssimas condições, e isso justamente nos locais mais perigosos, como a saída da Vila Indiana, onde há assaltos e sequestros-relâmpago cotidianos. A novidade é a PM mobilizar grupamentos numerosos, cavalaria e até helicópteros para reprimir um grupo de pouco mais de dez estudantes que ocupou a reitoria, num desperdício inacreditável de dinheiro público. Quando estive na Alemanha, no final do ano retrasado, muitas das reitorias das universidades estavam ocupadas, em nenhuma delas a polícia chamada para resolver a situação, simplesmente porque essa não é uma questão de segurança pública. Os estudantes da USP reivindicam eleições participativas para reitor e o fim dos processos institucionais contra estudantes (estribados em um regimento redigido por ninguém menos do que Gama e Silva, o reitor da USP em 72 e futuro arquiteto do AI-5), que estão sendo expulsos da USP por “atentarem contra a moral e os bons costumes”. A ocupação da reitoria foi um ato meramente política, até porque a administração efetiva da USP não é feita lá, mas em diversos prédios espalhados pela cidade, por meio de um sistema informatizado. A questão da segurança do Campus, e esse é o cerne de minha argumentação, está sendo sim utilizada pelo reitor (um reitor que, vale lembrar não foi eleito pela comunidade científica, mas imposto pelo governador) com finalidade política (e mais do que política, eu diria, econômica: foi Rodas, por exemplo, quem tornou o banco espanhol Santander o grande “parceiro” da USP, tirando o Bando do Brasil da jogada). Ora a autonomia acadêmica é chamada de corporativismo, ora defendida, conforme os interesses do grupo político dominante na universidade. A despeito desses ventos, o que temos é uma estrutura de poder autoritária e envelhecida, só ela permite a alguém academicamente nulo como Rodas atingir o posto máximo de poder dentro da universidade.

    4. A processos contra Rodas, muitos, inclusive por desvio de verbas, processos que partem de dentro da própria USP, elaborados quase sempre por docentes inconformados com a situação. Mas Rodas é blindado juridicamente em São Paulo, um processo contra ele não tem a menor chance de sair da gaveta (seria mais fácil processar o próprio Alckmin!). Por que não há auditoria nas contas da USP? Por que o orçamento do ano passado, de quase 4 bilhões, não passou pelo Conselho Universitário (aliás, mesmo que passasse, o conselho nunca contraria o reitor, basta conferir as atas das reuniões)? Simplesmente porque a USP exerce papel fundamental como caixa dois de campanhas tucanas, como já foi diversas vezes denunciado, inclusivo por gente de dentro da USP. Enfim, essa é a verdadeira disputa, a mais acirrada, a disputa pelo poder na USP, e só por causa dela a questão da segurança no campus (que poderia ser tratada de modo técnico) ganhou tamanho destaque. Se os policiais sabem disso, isso os torna colaboradores da política de privatizações que vem sendo sistematicamente aplicada por Rodas, mas não creio que seja o caso dos policiais que fazem a ronda no campus (até porque se trata de funcionários públicos), o senhor discorda?

    De todo modo, agradeço pela sua disposição para o debate.

    abolicionista

    07 de novembro de 2012 às 08h28

    Caro Xacal, antes de mais nada, obrigado pela resposta. Esse debate dá pano para manga, e já gastei algum tempo com ele, mas aí vão algumas objeções:

    1. É justamento por prejudicar a vocação científica da USP que Rodas merece ser severamente criticado. Rodas não foi legitimamente escolhido pela comunidade universitária, ele foi imposto por Serra, que, numa decisão inédita, interferiu diretamente na escolha para reitor (algo previsto por lei, mas que nunca tinha acontecido antes). Por que isso aconteceu? Porque há interesses econômicos poderosos por trás dessa “escolha”. Rodas trouxe o Santander para a USP, Rodas é o grande defensor da presença das fundações privadas dentro do campus e assumidamente a favor das políticas de privatização.

    2. Os policiais entendem muito de segurança pública, provavelmente muito mais do que a maior parte dos acadêmicos, mas não conhecem os meandros da política institucional da USP. Não estou chamando os policiais de ignorantes, se é isso que você sugere, apenas ressaltando o fato de que muitos policiais não percebem que estão atuando politicamente no campus. Muitos acham que estão simplesmente fazendo segurança, como a fariam em qualquer outro lugar da cidade (se bem que todos sabemos que não existe nenhum lugar neutro em São Paulo, pois cada região da cidade recebe um tipo de policiamento específico, mas enfim…). É claro, esse não é o caso de nosso ilustre palestrante. Não, esse sabe muito bem o que está fazendo ali, ou seja, proselitismo político. Explico-me. Um debate acadêmico que se preze deve colocar frente a frente oposições diametralmente opostas, não pode ter medo de nenhum argumento nem esconder opiniões divergentes, pois o princípio que norteia a discussão é a busca pela verdade e pelo consenso. Não é isso o que vemos nesse caso, pois a “mesa redonda” convocada por Rodas escolhe a dedo os únicos professores da FFLCH que atuam como braço direito do reitor. Sinto muito, mas isso não é debate, é propaganda. Quer um exemplo de debate? O lançamento do livro de André Singer, “Sentidos do lulismo”, contou com a participação dos professores Brasílio Sallum Jr. e Francisco de Oliveira, do departamento de Sociologia (ou seja, vulgarmente falando, um tucano, um psolista, ambos de molho, mas ambos críticos ferrenhos do governo Lula), houve uma discussão de alto nível, sem ofensas, acadêmica, franca. Não é esse o caso na mesa redonda do Rodas em que o Sr. Glauco irá tomar parte. Nem de longe… Ora, se o policial em questão tem capacidade de discutir em pé de igualdade com acadêmicos, por que não aceita vozes discordantes?

    3. A PM já fazia ronda no campus há muito tempo, justamente porque a guarda universitária é apenas patrimonial. No dia em que o estudante da FEA foi assassinado, inclusive, a PM efetuava um bloqueio no Portão 1 e havia uma viatura fazendo ronda no campus. É notório que Rodas nunca se preocupou de fato com a segurança no campus, tanto que até hoje a iluminação ali(sabidamente uma das medidas de segurança mais simples e eficientes do mundo) continua em péssimas condições, e isso justamente nos locais mais perigosos, como a saída da Vila Indiana, onde há assaltos e sequestros-relâmpago cotidianos. A novidade é a PM mobilizar grupamentos numerosos, cavalaria e até helicópteros para reprimir um grupo de pouco mais de dez estudantes que ocupou a reitoria, num desperdício inacreditável de dinheiro público. Quando estive na Alemanha, no final do ano retrasado, muitas das reitorias das universidades estavam ocupadas, em nenhuma delas a polícia chamada para resolver a situação, simplesmente porque essa não é uma questão de segurança pública. Os estudantes da USP reivindicam eleições participativas para reitor e o fim dos processos institucionais contra estudantes (estribados em um regimento redigido por ninguém menos do que Gama e Silva, o reitor da USP em 72 e futuro arquiteto do AI-5), que estão sendo expulsos da USP por “atentarem contra a moral e os bons costumes”. A ocupação da reitoria foi um ato meramente político, até porque a administração efetiva da USP não é feita lá, mas em diversos prédios espalhados pela cidade, por meio de um sistema informatizado. A questão da segurança do Campus, e esse é o cerne de minha argumentação, está sendo sim utilizada pelo reitor (um reitor que, vale lembrar não foi eleito pela comunidade científica, mas imposto pelo governador) com finalidade política (e mais do que política, eu diria, econômica: foi Rodas, por exemplo, quem tornou o banco espanhol Santander o grande “parceiro” da USP, tirando o Bando do Brasil da jogada). Ora a autonomia acadêmica é chamada de corporativismo, ora defendida, ao sabor dos interesses do grupo político que sequestrou o poder na universidade. A despeito de quem seja esse grupo, o que temos é uma estrutura de poder autoritária e envelhecida, só ela permite a alguém academicamente nulo como Rodas atingir o posto máximo de poder dentro da universidade.

    4. Há processos contra Rodas, muitos, inclusive por desvio de verbas, processos que partem de dentro da própria USP, elaborados quase sempre por docentes inconformados com a situação. Mas Rodas é blindado juridicamente em São Paulo, um processo contra ele não tem a menor chance de sair da gaveta (seria mais fácil processar o próprio Alckmin!). Por que não há auditoria nas contas da USP? Por que o orçamento do ano passado, de quase 4 bilhões, não passou pelo Conselho Universitário (aliás, mesmo que passasse, o conselho nunca contraria o reitor, basta conferir as atas das reuniões) e foi aprovado por uma canetada do reitor? Simplesmente porque a USP exerce papel fundamental como caixa dois de campanhas tucanas, como já foi diversas vezes denunciado, inclusivo por gente de dentro da USP. Enfim, essa é a verdadeira disputa, a mais acirrada, a disputa pelo poder na USP, e só por causa dela a questão da segurança no campus (que poderia ser tratada de modo técnico) ganhou tamanho destaque. Sem ser paternalista, concluo que se os policiais sabem disso, isso os torna colaboradores da política de privatizações que vem sendo sistematicamente aplicada por Rodas, mas não creio que seja o caso dos policiais que fazem patrulhas no campus e monitoram “atividades suspeitas”(até porque se trata de funcionários públicos), o senhor discorda?

    De todo modo, agradeço pela sua disposição para o debate.

    xacal

    07 de novembro de 2012 às 09h55

    Caro abolicionista,

    Obrigado a você por ter paciência para me explicar.

    Nosso debate tem pontos de inflexão que gostaria que você considerasse:

    01- Desconheço boa parte dos processos, mas de toda forma procuro “tatear” na base de conceitos gerais(já que desconheço a especifidade, como disse);

    02- Boa parte do que disse se dirigia a outros interlocutores, e me desculpe por isto.

    Vamos ao debate:

    Há, de forma geral, em toda Academia um debate permanente (e desejado) que mistura vários aspectos, mas que podemos destacara alguns:

    a- a gestão administrativa propriamente dita;
    b- a orientação “política” destes gestores como representantes simbólicos de capital político de um ou mais grupos de interesse(partidos, sindicatos, etc);
    c- e por fim, mas não por último, a questão da preponderância acadêmica, haja vista que a ciência não é neutra, muito menos em se tratando de uma atividade que tem que se legitimar(e conseguir recursos para tanto, sempre escassos ou mal aplicados)todo o tempo.

    Eu sou capaz de hipotecar todo apoio ao que você diz sobre o reitor, até porque, pelo que parece estamos em espectros ideológicos parecidos.

    No entanto, ainda que reconheça que a atual gestão acadêmica tende a manipular os debates para auferir ganhos “ideológicos”, eu tenho que considerar certos aspectos:

    Ele (o reitor), gostemos ou não, presenta a instituição e tem o “direito” de vocalizar os movimentos que deseja, embora você possa contra-argumentar que não deveria priorizar alguns em detrimento de outros.

    Infelizmente(ou felizmente) esta agenda é de inciativa de quem detém o poder. Isto é democracia, ainda que transitoriamente nos desfavoreça.

    Por isto, não podemos desconhecer que há “público” para o que ele faz, e nada é ilegítimo tentar expandir estes “domínios” (algo como luta por hegemonia).

    Não se espera deles, que representam o espectro conservador que ajam dentro da visão de mundo que nós entendemos como certa ou que nos favoreça nesta “luta”.

    A questão é que a interface(aqui neste evento representada pela PM) com o “mundo de fora” não pode ser monopolizada por este setor (conservador), pois afinal é o que eles querem: o domínio completo desta agenda para decidir em nome de todos, principalmente pelo que a PM representa, para o bem e muito mais para o mal, para a USP e qualquer universidade: Um objeto permanente de estudo que, às vezes se expressa como ensaio(de forma dolorida e arbitrária)que contamina o julgamento científico, pelo que lemos aqui, e o seu “equilíbrio”(atenção, não confundir com neutralidade, que sabemos, não existe).

    Eu não desconheço a tentativa de “manipular” o debate, só chamei a atenção que fazer “birra” ou mostrar “as credenciais-brucutu” do coronel não lhe causarão espécie, ao contrário, é assim que eles gostam , até porque, é por isto que foram chamados lá pelo REITOR, que mais uma vez, gostemos ou não, FALA POR TODA A UNIVERSIDADE.

    Então, ao invés de fragmentar ainda mais este tecido, onde os intolerantes e anti-democratas como o coronel e o reitor reinam na divisão, é preciso “desmascará-los” CIENTIFICAMENTE, no debate, mas para isto é preciso antes legitimá-los como interlocutores, isto é: desconstruir a imagem que fazem de si, e com a qual imaginam coagir os cientistas até em seu próprio campo de batalha(o debate).

    Até porque, no campo da violência física propriamente dito já está claro que “corajosos seres sociais”, como o que suscitou este debate entre nós, não poderão fazer muito…jogar um volume de Bordieu ou Habermas não vai resolver…

    É mal comparando o que acontece com os demotucanopatas na política nacional e o PIG tea-party: quanto mais nos agridem, mais se isolam.

    Não podemos correr este risco aí, pois o reitor não é um extra-terrestre que “abduziu” cérebros da USP e os controla como autômatos. Há por aí um caldo de cultura que lhe apoia, e não se ganha politicamente estas pessoa a não ser pela política.

    Um abraço.

    Rodrigo Arriagada

    06 de novembro de 2012 às 22h44

    Taí meu nome Xacal, não uso nenhuma profissão pra me apresentar. E a propósito da tua pergunta, a JUSTIÇA a gente leva dentro da gente.

    xacal

    07 de novembro de 2012 às 08h33

    Cedeu a primeira pressão, hein? tsk, tsk, tsk. Como diz Bezerra da Silva:

    “(…)na hora da dura,/
    você abre o cadeado,/
    e dá de bandeja/
    os irmãozinhos pr’o delegado,/
    na hora da dura/
    você abre o bico e sai cagoetando,
    eis a diferença, mané,/
    do otário pr’o malandro(…)”

    O que me interessa teu nome, filho? Isto aqui não é um Inquérito Policial ou interrogatório.

    Me interessa esta intolerância que você professa em nome de um senso de “justiça” distorcido.

    Para que tanto “estudo e tanta vivência”, nas suas palavras para “descobrir o porquê do comportamento do outro(policial militar)” se você nem consegue entender o que fazer com o que descobre.

    Antes é melhor você descobrir o fato de que suas referências estão todas de cabeça para baixo?

    Companheiro orelhudo do Shrek

    07 de novembro de 2012 às 13h31

    Tá vendo o resultado de duas décadas de regime militar? A falta completa de entendimento do que seja a praxis intelectual dentro da sociedade…
    Aliás, a falta completa do entendimento do que seja a sociedade civilizada.

    xacal

    07 de novembro de 2012 às 15h26

    Tem razão companheiro orelhudo do Shrek,

    Este é um legado do obscurantismo do regime militar. E ao que parece, faz mais diferença aonde deveria haver mais “luz”, ou seja, na academia.

    Que a polícia aja como ogros, eu sou capaz de entender, já entre “intelectuais”, eu fico mais desiludido…rs

    Eu fico a imaginar: qual sociedade terá mais dificuldade em determinar seu “marco civilizatório”?

    A que usa a violência física como arma de intervenção política e pública, ou a que “se tortura mentalmente”, em surtos paranoico-esquizóides ao enxergar qualquer representação de autoridade como um algoz?

    É, de fato, um problemão…

    rodrigo

    11 de novembro de 2012 às 18h41

    Se a gente não enxerga a própria brutalidade a gente não é nada. Ou você acha que o Olavo de Carvalho faz tanto sucesso porque?
    Se você quer palavras intelectuais suaves e harmônicas, te aconselho o Pequeno Príncipe do Saint-Exupéry…
    O problema em questão não é a brutalidade policial, o problema em questão é o que se está fazendo com essa brutalidade. Quem se aproveita e quem se dá bem com o controle social.
    Você é livre o suficiente pra falar pro teu secretino de segurança “Chefe, que cagada que a gente tá fazendo”? Acho que não.
    Quer saber um pouco mais a respeito de São Paulo? Lê a respeito da Colômbia do Uribe. Ele é da mesma seita do Alckmin. O Rio ainda é diferente.

    xacal

    11 de novembro de 2012 às 22h21

    Rodrigo,

    Afinal, isto aqui é uma discussão sobre referências para travarmos um debate sobre violência, repressão, crime e suas representações simbólicas, ou uma “comissão das meias-verdades” para a gente expiar recalques de traumas (personalíssimos) passados?

    Por certo, a figura do coronel tem seu emblema de “brutalidade”, concordo, mas daí a a repeli-lo em uma esfera pública de debates, onde inclusive, pela sua condição intrínseca ele está muito mais para caça do que para caçador, vai uma distância enorme, talvez a distância entre a sanidade mental e um tratamento psicanalítico.

    Fio, não traga o debate para este nível de subjetividade para se colocar como “vítima”. Comigo isto não cola, nenê.

    Quem veio me dizer o que eu sei(ou não sei) sobre “batida policial”, teoria da segurança nacional, etc, etc, e blá, blá, blá, foi você.

    Veio buscar lã e saiu tosquiado.

    Agora vem com este papo mole de enxergar a brutalidade e saber para o que ela serve.

    Eu tenho absoluta certeza para o que serve a minha brutalidade e a serviço de quem ela está.

    Você é que parece meio fora de sintonia…se cuida, fio, cê tá do-dói…

    rodrigo

    15 de novembro de 2012 às 20h17

    Tá vendo HOMEM, minhas palavras te ferem. Te deixam indignado e você continua vindo aqui para ler e me chamar de louco…
    Da hora mano! Mas tenta trocar o dó-dói por insano, fica mais culto.
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Agora sim eu te mando um abraço! Sem hipocrisia.


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