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Diário da Resistência


Política

Piero Locatelli: PSOL dialogará com Sarney, cogita elo com parte do DEM e apoio ao PT


02/11/2012 - 13h24

O senador Randolfe Rodrigues. A articulação feita pelo senador Randolfe Rodrigues  no Amapá provocou insatisfação dentro do PSOL. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

por Piero Locatelli, em CartaCapital

No último domingo, o PSOL ganhou a sua primeira prefeitura em uma capital. Venceu por uma estreita margem de 2,3 mil votos no segundo turno em Macapá. Para conseguir o cargo, o prefeito eleito Clécio Luís subiu ao palanque com parte do DEM. Também declarou apoio a Marcus Alexandre, candidato petista à prefeitura de Rio Branco. Depois, disse querer o diálogo com José Sarney (PMDB), senador pelo Amapá. Todas foram atitudes inesperadas para um partido cuja atuação parlamentar como oposição sempre foi marcada pelas críticas a práticas corriqueiras da política brasileira e também ao PT, partido do qual o PSOL se originou.

A postura de Clécio gerou críticas dentro do PSOL. Diante disso, o prefeito eleito e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) divulgaram uma carta nesta quinta-feira 1º endereçada à militância do PSOL. Eles justificam os apoios recebidos pela necessidade de “uma engenharia política que (…) neutralizasse e fracionasse uma provável coalizão conservadora em torno do atual prefeito [Roberto Góes (PDT)]”.

A carta traz desculpas à direção do partido, que não foi consultada sobre os apoios, mas lamenta parte das críticas recebidas. “Admitimos que a nossa engenharia política pudesse ter sido mais bem construída internamente ao partido, dialogando com nossas instâncias nacionais e ouvindo ponderações, fato que gerou dúvidas sinceras e também ataques desleais, alguns dos quais foram ostensivamente utilizados pelo nosso adversário”.

Os dois líderes do partido ainda justificam o apoio ao PT na capital do Acre. “Aproveitamos para esclarecer que consideramos um erro ter declarado apoio ao candidato do PT em Rio Branco sem ter antes conversado com nossa direção local. Esta postura foi motivada pela necessidade de vencer o crime organizado naquele estado e pela repercussão positiva que este gesto teria nos possíveis apoios do PT em Macapá e em Belém”.

Sarney não é citado na carta. Segundo Randolfe, o apoio dele nunca seria buscado. Tudo, disse o senador a CartaCapital, não passou de um “exercício de manchete do criativo jornalismo brasileiro”. Clécio vai à Brasília na próxima semana e deve ser recebido pelo presidente do Senado. “Não vamos procurar Sarney para mudarmos de credo, mas precisamos dialogar com o governo”, diz o senador.

PSOL discute o assunto na próxima semana

A direção nacional do PSOL deve se reunir e discutir esses assuntos na próxima semana, quando será feito um balanço das eleições municipais. A expectativa é de que seja feita uma crítica às alianças no Amapá, mas sem nenhuma punição aos integrantes.

Para a ex-deputada federal Luciana Genro (RS), o partido deve, agora, olhar para frente e ter certeza que alianças com partidos de direita não sejam feitas em seu governo. “Nós temos que ser um aprimoramento, e não uma repetição farsesca das administrações do PT”, disse a deputada. “Uma coisa é receber um apoio e falar: ‘muito obrigada, agora nós vamos governar’. Outra é apresentar aliados de ocasião como estratégicos, que é o que aconteceu em Macapá”, diz Genro. “Um governo do PSOL não pode ficar refém dessa lógica que nós sempre criticamos em relação ao governo petista. Muitas vezes eles não se apoiavam na mobilização popular e tinham propostas contrárias ao povo, como no caso da reforma da previdência, quando fomos expulsos do PT.”

O senador Randolfe diz que Clécio não deve fazer nenhuma concessão programática na prefeitura, mas aceitaria o apoio de quem estiver disposto a se adequar aos seus princípios. “Se alguém apoia um governo de esquerda é porque se converteu ao nosso programa. Não há luta de classes quando a burguesia apoia as reivindicações do proletariado. Aí a burguesia deixa de ser burguesia.”

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15 comentários

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Alexandre Tambelli

03 de novembro de 2012 às 09h48

Seria bom saber se o pessoal do PSOl enfrenta esta situação todo dia?

http://www.youtube.com/watch?v=rPZaeCJwoCk&feature=related

Ou sai para trabalhar, de carro é lógico, às 11 horas e volta às 21 horas (fugindo do trânsito) e passa o dia numa sala com ar condicionado, teorizando o mundo que não existe. E tranquilamente chega em casa e a casa está toda limpa, a roupa lavada e passada, a cama esticada e o prato de comida no microondas?

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Alexandre Tambelli

03 de novembro de 2012 às 09h17

O PSOL elegeu 2 vereadores dos 23 eleitos.

Como governar sem apoios dos que ele considera direita ou traidores do povo?
Será possível construir um projeto de governo com apoio do DEM, por exemplo, na Câmara de Vereadores?
Se desse 21 a 2 todos os projetos do PSOL enviados à Câmara dos Vereadores? O que fazem?
Instalam a ditadura do proletariado em Macapá?
Como é bom ser oposição! Como a situação resolve um problema desses?
Claro que torcemos pelo PSOL. Mas, um banho de realidade fará muito bem ao partido!
Por que a luta ferrenha em desqualificar o PT, chamá-lo de mensaleiro, propor ADIN para anulação da Reforma da Previdência, ao invés de junto com o PT e as esquerdas lutar pelo financiamento público de campanha nas eleições? Para diminuir estas distorções; É possível o partido do Prefeito eleito eleger menos de 10% da Câmara dos Vereadores?

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Pedro

02 de novembro de 2012 às 21h44

Confundir PSOL com reinvidicações do proletariado – “Se alguém apoia um governo de esquerda é porque se converteu ao nosso programa. Não há luta de classes quando a burguesia apoia as reivindicações do proletariado. Aí a burguesia deixa de ser burguesia”, esta afirmação não passa de pedantismo de princípios políticos mal digeridos. E o proletariado não deixa, também, de ser proletariado? Aliás, essas duas classes têm tudo para só desejar conservar o capitalismo. A história do proletariado revolucionário também caducou. E um lembrete, que é bom que não se esqueça, só é revolucionário quem fez uma revolução. Autodenominar-se revolucionário é, no mínimo, não saber do que está falando. No mínimo!

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    Márcia Reis

    03 de novembro de 2012 às 00h41

    Cria-se uma nova classe: proletariado burguês, ou burguesia proletária. kkkk

Eduardo Raio X

02 de novembro de 2012 às 21h24

O Plínio já disse que é amigo do peito do Zé Cegueta e apoiava toda investida contra o PT?!?! O que querem esse aloprados do PSOL??? Este é um partido de verdadeiras Por.. Loucas!!! A Heloísa Helena pulou fora desse carro desgovernado! Em sua fala de despedida disse, que em todo partido tem malandros! Vai saber!

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Fernando

02 de novembro de 2012 às 21h22

Mas vocês estão criticando os membros que fizeram alianças ou os que condenaram as alianças?

Ou os dois?

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Lucas Costa

02 de novembro de 2012 às 18h46

“Eles justificam os apoios recebidos pela necessidade de “uma engenharia política que (…) neutralizasse e fracionasse uma provável coalizão conservadora em torno do atual prefeito [Roberto Góes (PDT)]”.”

Quer dizer que o PSOL pode fazer isso. Quem não pode é o PT. Se for o PSOL, está tudo bem.

É esse tipo de coisa que mata as pretensões de quem quer posar de xerife da manutenção da moral política.

Tô fora, PSOL. Nesta eleição recebeu meu voto para o parlamento pela última vez. Apenas por ainda não ter aprontado essa aí. O segundo turno mostrou a face real desse partido. Excessivamente pragmático.

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Lucas Costa

02 de novembro de 2012 às 18h44

“Eles justificam os apoios recebidos pela necessidade de “uma engenharia política que (…) neutralizasse e fracionasse uma provável coalizão conservadora em torno do atual prefeito [Roberto Góes (PDT)]”.”

Fico com o PT mesmo, depois dessa. Ainda votei na legenda do PSOL para vereador neste ano, mas foi a última vez. Ainda não tinha sido informado sobre essa novidade. O PSOL está, rápido indo rápido demais nessa direção. Ainda mais rápido do que foi o PT. Bem mais rápido.

Não me surpreenderei se, de repente, estiverem aliados no plano nacional, ainda mais escancaradamente, ao que há de mais atrasado na política brasileira: coronéis, lideranças religiosas… quem sabe sobre espaço até mesmo para conversar com JOSÉ SERRA!

É como já comentaram por aqui. A classe média, com a barriguinha cheia, é bastante suscetível a ataques de radicalismo. Aquele radicalismo seguro, claro, que na verdade não arrisca nada, que não responde por consequência nenhuma. O PSOL parece ser, tão somente, um PSDB para consumo desse segmento social, do pessoal que quer posar de esquerda para ficar “in”.

Tô fora.

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Jair de Souza

02 de novembro de 2012 às 17h20

Quando leio as opiniões dos neo-babacas que costumam aparecer por aqui, me sinto um pouco aliviado. Entendo que esses neo-babacas não conseguirão manter o controle nem mesmo do PSOL, a menos que o próprio PSOL estipule por objetivo permanecer eternamente como um partido insignificante, sem nenhuma condição de intervir objetivamente na vida política do país.

O PT também já foi assim numa certa época. Era a época em que ele era adorado pelos radicais de classe média, que se acham os “guias naturais” do povo. Para esses “guias naturais”, não há problemas em pregar purismos ideológicos, eles não se incomodam se, por isso, nenhuma transformação favorável ao povo venha a ocorrer dentro de 100 anos. Para que se preocupar se eles todos vão estar com as barriguinhas cheias? O povo que aprenda a ter paciência e espere até o dia em que todas as condições estejam dadas para que nossos “revolucionários puros” estejam aptos a tomar o poder sem fazer nenhum tipo de concessão.

Deve ficar claro, então, que nesse dia o poder terá de ser tomado tão somente por eles, os iluminados. O povão só poderá participar como massa de manobras, como executores das genialidades propostas pelos “guias”.

No entanto, com a aproximação das chances de participar efetivamente das transformações, os ultra-esquerdistas vão mudando, caindo na real, ou até mesmo se tornando direitistas, se não houver forças que ponham freio a sua transformação. Basta ver que no PT, boa parte dos quadros mais direitistas da atualidade são oriundos da extrema-esquerda trotskista (Tudo bem, Palocci?).

Em Macapá, o PSOL se deparou com um grande dilema, surgido prematuramente, pois eles não acreditavam que teriam condições de assumir a administração de uma capital de estado (embora das mais modestas numericamente) em tão breve prazo. E agora, o que fazer? Será que o PSOL poderia sonhar em levar adiante um governo puro em Macapá, sem negociação e concessões a nenhuma outra força (não existe negociação sem concessão)?

Aqueles que estão ao mando do PSOL em Macapá já sabem por experiência concreta que isto não será possível. Cabe às demais forças progressistas sair em apoio às medidas positivas que o novo prefeito proponha para a população da cidade e ajudá-lo a fazer uma boa administração, sem que precise ceder mais espaço às forças conservadoras do que o estritamente inevitável.

Os neo-babacas vão ficando cada vez mais sós, até quando eles também decidam lidar com o mundo real.

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    Bertold

    02 de novembro de 2012 às 19h42

    Pois é meu caro. Os acadêmiiiicos do PSOL nos dão a idéia de péssimos historiadores ou de pessoas sem memória. Os bolchviques russos conquistaram o poder revolucioariamente e nos mostraram que a pureza doutrinária é inviável na vida política e econômica real. Mesmo tendo vencido uma guerra civil contra a reação tiveram de se render a flexibilização ideológica na condução da política econômica para conseguir vencer à fome generalizada do povo e o atraso na industrialização. A justificativa do tal de “dois passos à frente por um atrás” foi um boa retórica para acalmar os ânimos dos radicais e, assim, continua até hoje.

Vlad

02 de novembro de 2012 às 15h45

Que absurdo!!
Só para não ficar atrás, o PT devia colocar o Kassab no Ministério, como uma resposta imediata à opinião pública de que nenhum partido é mais transigente e tolerante que o PT (que é uma grande casa de transigência). Muito menos esses desgarrados do PSOL sem pai nem mãe.
Que audácia!

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fernando

02 de novembro de 2012 às 15h11

PSOL é a grande farsa da politica nacional, partido formado por intelectuais da classe média universitaria, que nunca tiveram nenhuma ligação com o trabalho de fato, ou com algum movimento social, ” obvio que existe excessões”

no mais pregam um falso moralismo e puritanismo, que se assemelha a extrema direita. No sistema politico brasileiro, pluripartidario, é impossivel governar sem coalizções, eles vivem no mundo da fantasia, de antes da queda do muro de berlim.

e com certeza se crescerem um pouco o que acho improvavel, teram o apoio da globo e da mida direitista, como uma tentativa de enfraquecer o PT, e dividir os setores da esquerda… mas essa hipótese é extremamente remota.

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Helio Filho

02 de novembro de 2012 às 14h19

Como um velho dinossauro marxista, fiquei surpreso com a formulaçao do ilustre senador de esquerda. Diz o neo-marxista – nao ha luta de classes quando a burguesia apoia o proletariado. E arremata – ai a burguesia deixa de ser burguesia.

Salada Heloisa Helena com molho Marinara, ou indigestao de Plinio Assado, nunca iremos saber. Mas se o PT (de fato) marchou rapidamente para o centro, seria salutar ver algum politico de esquerda que tenha a minima noçao do significa luta de classes, proletariado, burguesia, etc. Que tenha pelo menos lido algo sobre o assunto.

Acrescento que o Senador e otimo parlamentar e me parece uma pessoa honesta e, vejam so, pragmatica ainda que no PSOL.

Desejo-lhe boa sorte como politico, gosto dele, mas sugiro que evite formulaçoes teoricas. As vezes o melhor e nao dizer nada e continuar sorrindo. Ele e jovem, vai aprender…

Responder

francisco niterói

02 de novembro de 2012 às 14h04

Sem querer espezinhar, acredito que a saida será essa:
Aliancas e apoios ao PSOL serao consideradas REPUBLICANAS?
Quano aos outros partidos, mesmo que envolvendo o interesse publico, será sempre MOTIVADA PELA CORRUPÇÃO.

Em tempo: o ultimo paragrafo me fez pensar que o Randolfe “fumou algo estragado”. Que viagem!

Responder

    FrancoAtirador

    02 de novembro de 2012 às 17h12

    .
    .
    ‘Fumou algo estragado’

    ou estava em Síndrome de Abstinência.

    Faz tempo que o senador não lê Marx.
    .
    .


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