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Alaerte Martins: A morte materna invisível das mulheres negras

publicado em 23 de fevereiro de 2012 às 14:23

Alyne  e Marina,  retratos emblemáticos de uma tragédia brasileira: Morreram não por falta de acesso ao pré-natal, mas devido à falta de acesso a um pré-natal de qualidade,  nosso calcanhar-de-aquiles

por Conceição Lemes

Começou dia 13 de fevereiro e vai até 2 de março, em Genebra, Suíça, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para o Brasil, especificamente, sexta-feira passada, 17, foi chave. A ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), apresentou um relatório sobre as medidas adotadas pelo Estado brasileiro para promover a igualdade de gênero. O enfrentamento da mortalidade materna foi um dos temas abordados.

Primeiro, porque anualmente cerca de 1.800 brasileiras morrem antes, durante ou poucos dias após o parto. Em 2009, foram 1.872 óbitos maternos declarados, segundo o DATASUS. O que significa 65 mortes para cada 100 mil bebês nascidos vivos.

Segundo, porque, em 2011, o Estado brasileiro foi condenado pela Cedaw devido à morte de Alyne da Silva Pimentel, ocorrida em 2002.

Os casos de Alyne, em Berlfort Roxo, na Baixada Fluminense, e de Marina Carneiro, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, são emblemáticos dessa tragédia brasileira.

Alyne, então com 28 anos de idade e 27 semanas de gestação, procurou uma casa de saúde particular, pois estava vomitando e com fortes dores abdominais. Saiu de lá com prescrição de remédios para náuseas, vitamina B12 e uma medicação tópica para infecção vaginal.

Após dois dias piorou. Voltou à casa de saúde e uma ultra-sonografia mostrou que o feto estava morto. O parto foi induzido. Mas os médicos só fizeram a cirurgia para retirar a placenta 14 horas depois. Em seguida, Alyne teve hemorragia, vomitou sangue e sua pressão arterial caiu. Decidiram transferi-la para um hospital público da região.

O único que a aceitou foi o Hospital Geral de Nova Iguaçu. Alyne esperou oito horas por ambulância. Como a casa de saúde não encaminhou junto qualquer documento que indicasse o seu estado clínico, ela ficou horas no hall da emergência, pois não havia leito disponível. Aí, entrou em coma e morreu no dia seguinte. Entre o mal-estar inicial e o óbito se passaram cinco dias.

Marina Carneiro tinha 25 anos, residia em Porto Alegre, havia morado nos Estados Unidos, cursava o último ano de Engenharia do Meio Ambiente. Fez pré-natal com o médico do seu convênio. Ele solicitou cinco ultra-sonografias, mas nenhum exame de urina durante o pré-natal, como determina o protocolo básico de atendimento às gestantes.

À 0h30 do dia 7 de março de 2005, na 34ª. semana de gestação, Marina deu à luz a Manuela. Não sobreviveu para conhecê-la.  Sete horas depois morreu. Causa: doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG).

“Se o médico da Marina tivesse recomendado exame de urina e demais medidas indicadas no protocolo de atendimento de gestantes, descobriria que ela tinha proteína na urina, a DHEG seria diagnosticada e ela salva”, atenta a enfermeira obstétrica e doutora em Saúde Pública Alaerte Leandro Martins. “Alyne morreu por falta de cuidados médicos adequados desde o instante em que procurou a casa de saúde pela primeira vez com fortes dores abdominais. A partir dali, os equívocos foram se acumulando, chegando ao absurdo de ela ser transferida de hospital, já em estado grave, sem um relatório com dados do seu prontuário médico.”

“Alyne e Marina morreram não por falta dos R$ 50, propostos pela MP 557, mas por falta de acesso a um pré-natal de qualidade, o nosso calcanhar-de-aquiles”, avisa Alaerte. “A alta taxa de mortalidade materna no Brasil se deve principalmente à má qualidade do atendimento e à falta de organização das redes de serviços e não à falta de acesso ao pré-natal, como muitos propagandeiam.”

“A mortalidade materna é maior entre as mulheres negras, sendo que metade dos óbitos devido a aborto é por aborto espontâneo”, adverte Alaerte. “Em situação de abortamento, as mulheres são discriminadas. E se são negras são mais discriminadas do que as brancas. Serão as últimas das últimas a serem atendidas, correndo maior risco de morte.”

Já nos anos 1970 o movimento negro alertava sobre fortes indícios de que a mortalidade materna das negras no Brasil era, expressivamente, maior que do que a das brancas.  O setor saúde e os governos nunca deram crédito à hipótese. Até que uma enfermeira obstétrica negra, Alaerte Leandro Martins, resolveu estudar o assunto.

Alaerte Martins:  Dificilmente os R$ 50 vão ajudar a reduzir a mortalidade materna no Brasil

Na tese de mestrado “Mulheres negras e mortalidade materna no estado do Paraná, de 1993 a 1998”, analisou 956 óbitos maternos, na faixa etária de 10 a 49 anos, ocorridos nesse período. Concluiu que, quando comparada à das brancas, a mortalidade das negras era 6 vezes maior. A tese de doutorado, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), foi sobre gestantes negras que não foram a óbito, mas que ficaram com graves sequelas: “Near miss e mulheres negras em três municípios da Região Metropolitana do Paraná”.

Alaerte trabalha há 22 anos com saúde da mulher. Integra o Comitê de Prevenção de Mortalidade Materna do Paraná, tendo sido sua presidenta. Integra a Comissão de Prevenção da Morte Materna do Ministério da Saúde. É coordenadora executiva da Rede de Mulheres Negras do Paraná.

Eis a íntegra da entrevista que ela nos concedeu.

Viomundo – Quando se diz que x ou y é um problema grave de saúde pública, muitos imaginam milhares e milhares de mortes. Qual o significado da alta taxa de mortalidade materna?

Alaerte Martins – Para se compreender melhor a magnitude do problema, a gente tem de falar do cálculo da mortalidade materna. É um dos raros indicadores calculados por 100 mil nascidos vivos.  Significa que cada mulher que morre é única em 100 mil bebês nascidos vivos. E quando essa mulher morre, não é apenas ela que vai, a família toda “morre”. E o que é mais cruel: são mortes evitáveis.

Para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), se a mortalidade materna de uma região é muito alta, é porque ela é subdesenvolvida. A morte materna evidencia que se não há assistência digna à mulher no pré-natal e no parto – em 85% a 90% dos casos deveriam ser normal –, não há assistência para mais nada.

É absurdo que em pleno século XXI, quando se faz transplante de todo tipo de órgão, a mulher ainda morra por estar grávida. Quanto menos desenvolvido o país ou a região, maior a mortalidade materna.

Viomundo – Quantos casos ocorrem por ano no Brasil?

Alaerte Martins – Em 2009, foram 1.872 óbitos declarados, segundo o DATASUS. O que dá 65 mortes maternas para 100 mil bebês nascidos vivos.

Viomundo – Como se distribuem pelo Brasil?

Alaerte Martins – Numa mesma região, há índices totalmente opostos. Eu trabalho numa regional de saúde que engloba 29 municípios, inclusive Curitiba. Nela, além da capital, está Araucária, o município com melhor IDH do Paraná, e Doutor Ulysses.

Araucária tem mortalidade materna comparável aos países de Primeiro Mundo, como Estados Unidos, Japão, Dinamarca, França, Alemanha, Inglaterra, onde ocorrem menos 10 mortes maternas para cada 100 mil nascimentos.

Mas também faz parte da minha regional a cidade de Doutor Ulisses, com índices comparáveis a algumas regiões da África.  Doutor Ulisses, no Vale da Ribeira, município com menor IDH do Paraná, tem 500 óbitos maternos para 100 mil bebês nascidos vivos.

Em 2009, segundo o DATASUS, a taxa de mortalidade materna foi de 67/100 mil nascidos vivos na região Norte; 73, na Nordeste; 62, na Sudeste; 55, na Sul; e 62/100 mil nascidos vivos, na região Centro-Oeste.

Detalhe: as regiões Norte e Nordeste são as que apresentam maior percentual de população negra. E as mulheres negras morrem mais por causa da gravidez do que as brancas.

Viomundo – Qual o número de óbitos maternos segundo o quesito cor?

Alaerte Martins – A relação mortalidade materna/nascidos é maior entre as mulheres indígenas, seguidas das mulheres negras. Porém, morrem mais mulheres negras.

Explico. Em 2009, segundo o DATASUS, houve 1.872 óbitos declarados, sendo 25 de mulheres indígenas. Mas, como a população indígena é pequena, a relação morte materna/nascidos vivos, é a mais alta: 157óbitos para cada 100 mil nascidos vivos.

Já entre as mulheres negras (soma de pardas e pretas, segundo o IBGE) a relação é menor: 75 para cada 100 mil. Porém, em números absolutos é, em disparada, maior:  1.076 óbitos.  Portanto, 57% do total de um total de 1.872 óbitos em 2009.

Em 2009, segundo o DATASUS, tivemos 2 óbitos em amarelas, 638, em brancas e 131 em que a cor da pele não foi registrada, apesar de ser obrigatório desde 1996.

Viomundo – A mortalidade materna decorre de falta absoluta de estrutura?

Alaerte Martins – Não necessariamente.

Viomundo – Quais as causas então?

Alaerte Martins – Há causas diretas e indiretas. Nos países de Primeiro Mundo, a grande maioria dos óbitos maternos é por causa indireta, ou seja, doença previamente existente. Por exemplo, a gestante já tem hipertensão arterial ou diabetes antes da gravidez. Algumas vezes, apesar de acompanhamento diferenciado, essas doenças podem se exacerbar na gestação e ela morrer. A mulher morre não por causa da gravidez propriamente dita, mas devido a uma doença pré-existente.

Viomundo – E as causas diretas?

Alaerte Martins – É o grande absurdo: a mulher morrer exclusivamente porque está grávida. São quatro as principais: doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG), hemorragia, infecção puerperal e aborto.

Viomundo – No Brasil, qual a mais freqüente?

Alaerte Martins – Na maioria das vezes, a DHEG é a primeira causa. Há anos em que a hemorragia a supera. Quando isso acontece, é a segunda.

A DHEG é o distúrbio mais comum, acontece em geral na primeira gestação. Gestantes perfeitamente saudáveis podem tê-la. O organismo passa a tratar a placenta como inimiga. Por volta da 20ª semana, provoca aumento da pressão arterial, edema (inchaço por retenção de líquidos) e proteinúria (aparecimento de proteínas na urina).

A terceira causa é a infecção puerperal. Está mais do que comprovado que ela é decorrente de imprudência e negligência dos profissionais de saúde. São médicos que se acham deuses e não lavam as mãos antes dos procedimentos. E enfermeiras, que é a minha categoria profissional, que não sabem esterilizar direito os materiais. Resultado: a gestante acaba morrendo de infecção. Ela pode contrair infecção numa cesariana descuidada e até num parto normal se for deixado no útero resto placentário.

Viomundo – Como prevenir a doença hipertensiva específica da gravidez?

Alaerte Martins – Fazendo pré-natal bem feito. Numa gravidez normal, dá, em torno, de 12 consultas. Mas existe um protocolo básico que tem de ser seguido, seja a paciente SUS, de convênio ou particular. Isso implica fazer, no mínimo, seis consultas, se a paciente não for de risco. É o mínimo mesmo! Em cada uma, é preciso verificar a pressão arterial e o peso – 1kg a 1,5kg é o máximo que se deve ganhar por mês. E fazer duas baterias de exames de urina. Com isso, previne-se a maior causa de mortalidade materna, que é a DHEG.

Viomundo – Mais leitos em UTI previnem a DHEG?

Alaerte Martins – Não adianta só fazer UTI. O leito da UTI é para a mulher que já está morrendo.  Se a DHEG não for prevenida no pré-natal, através do acompanhamento adequado, a doença avançará tanto que a gestante entrará em coma. Aí, claro, vai precisar de UTI.

Muitas vezes a mulher com DHEG não morre por causa da DHEG propriamente dita, mas devido à imprudência do médico. Na ansiedade de fazer logo o parto, ele realiza uma cesariana no sufoco. A paciente descompensa de vez e morre.

Viomundo – Cesariana aumenta o risco da gestante com DHEG?

Alaerte Martins – Se não estiver sulfatada, sim.

Viomundo – O que significa sulfatar?

Alaerte Martins –  Equilibrar a pressão arterial da gestante, dando-lhe sulfato de magnésio. Suponhamos que a pressão foi a para 20 por 15. Cesárea feita com esse nível pressório, a gestante “empacota”.

Por isso, primeiro, tem de sulfatá-la, para reduzir a pressão arterial. Estabilizada, escolhe-se a via do parto: cesariana ou normal, se ela tiver condições de fazê-lo.

O tratamento da DHEG em si consiste em retirar a placenta que envolve a criança. É essa membrana que, em algumas mulheres, eleva muito a pressão arterial, causando pré-eclampsia e eclampsia, que é quando já está em coma e pode morrer.  Porém, se a placenta for retirada sem a paciente estar sulfatada, ela vai morrer do mesmo jeito.

Viomundo – Quais são as causas de hemorragia?

Alaerte Martins – Por exemplo, placenta fora do lugar. Essa mulher pode ter hemorragia durante a gravidez e já passar a ser gestante de risco, o que exigirá mais consultas.

A hemorragia pode ser pós-parto simplesmente porque o útero não se contraiu. Por isso, quando ocorre essa hemorragia, a mãe tem de ser levada logo para o hospital. É fundamental que tenha profissional habilitado a fazer massagem uterina, para o útero contrair. E se não resolver, tem de se recorrer até à histerectomia (cirurgia para retirar o útero), para garantir a vida dessa mulher. Às vezes a simples administração de sangue numa mulher que está com hemorragia pode provocar um choque. Aí, ela morre não pela falta, mas pelo sangue mal administrado.

Viomundo – O aborto seria a quarta causa principal?

Alaerte Martins – Sim, em alguns lugares, a terceira. Às vezes até a primeira causa, como aconteceu em Salvador há 3 ou 4 anos. Detalhe: ¼ dos abortos são espontâneos. Entre as mulheres negras, metade dos óbitos devido a aborto é por aborto espontâneo.

A propósito, quando uma mulher chega a um hospital em processo de abortamento, ela é vista e tratada pela equipe de saúde como criminosa. Então, tanto o aborto quanto o tratamento são, em geral, cruéis e desumanos.

Viomundo – Por que acham que o aborto foi provocado?

Alaerte Martins – Com certeza. A discriminação é tão grande que só o fato de ela chegar com sangramento, eles já ficam em cima pressionando.

Por um acaso eu sou doutora, mas a minha irmã é balconista de loja, mal fez o primeiro grau. No ano passado, ela teve de fazer uma cirurgia de emergência por conta de um mioma. Ela passou o dia inteiro para ser atendida, todo mundo chegava de cara feia perguntando o que ela havia feito.

Eu já conhecia isso do relato de outras mulheres. Mas quando a minha irmã de sangue me contou o quanto foi maltratada, pude sentir que a discriminação é muito maior. As mulheres com suspeita de aborto são as últimas a serem atendidas, são tratadas como criminosas, inclusive aquelas que sequer o provocaram. Esse atendimento certamente contribui para que algumas morram.

Viomundo – Por que a mortalidade materna é maior entre as mulheres negras?

Alaerte Martins – Sem dúvida alguma devido à condição genética. Existem quatro doenças que são mais comuns na população afro-brasileira: hipertensão arterial, diabetes, anemia falciforme (ou doença falciforme) e deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (anemia mais rara e mais fácil de tratar). Pois essas doenças que são mais prevalentes na população negra são causas indiretas de óbito materno. Assim como as mulheres descendentes de italianos têm mais talassemia (outro tipo de anemia), que também é causa indireta de morte materna.

Viomundo – O racismo pesa na morte materna?

Alaerte Martins – Eu fiz uma pesquisa sobre morte materna no Brasil. Em cima dela, te digo: se um dia eu for parir, vou parir em Salvador. Aqui, no Paraná, a gestante negra tem 7,3 vezes mais risco de ir a óbito. Em Salvador, 3,7.

Explica-se. Aqui, no Paraná a nossa população negra é só 24%. Você chega num hospital, numa escola, a maioria das pessoas é branca. A nossa mente é seletiva. Vai atender o pacote, que é a maioria. E vai deixar para depois a minoria. Em Salvador, onde a maioria é negra, acontece o contrário. Primeiro, é atendida a maioria que é negra.

Isso não significa que o risco para as brancas seja maior em Salvador. O risco para as negras é que é menor.

O racismo e o preconceito estão tão incrustados em nós que as pessoas aprenderam a tratar as outras no pacote. E isso se reflete na mortalidade materna, na assistência à saúde, enfim. Primeiro, são atendidos os que são iguais, depois os diferentes.

Imagine na hora do aborto.  As mulheres negras já são discriminadas. Em situação de abortamento, elas são mais discriminadas do que as brancas. Serão as últimas das últimas a serem atendidas, correndo maior risco de morte.

Viomundo – Influencia mais racismo ou a pobreza?

Alaerte Martins – Os dois caminham quase sempre juntos. Você pode ter condição genética para hipertensão arterial e não chegar a desenvolvê-la ou mantê-la bem controlada, se tiver diagnóstico e tratamento precoces aliados a acesso a serviços de saúde, alimentação adequada, etc. Por outro lado, se tiver baixa renda (menor acesso aos serviços, menos alimentação adequada), ela se somará à baixa escolaridade (menor nível de compreensão sobre si e sua saúde), contribuindo para o rápido desenvolvimento da doença, até a morte.

Viomundo – Como deve ser o pré-natal?

Alaerte Martins – É preciso que todas as mulheres grávidas brasileiras tenham acesso ao pré-natal.  Isso se chama universalidade. É o primeiro pilar do SUS (Sistema Único de Saúde). O segundo é a integralidade, para não acontecer o que ocorreu em Curitiba há 3 anos. Tivemos cinco óbitos por infecção urinária, um atrás do outro.

Levamos um susto. Será que a mãe não estava fazendo exame de urina? Estava. Será que não havia antibiótico para tratar a infecção? Havia.

Nós fomos estudar. As cinco mulheres que morreram eram pobres e ninguém as encaminhou para fazer uma higiene dentária. E elas tinham infecções na gengiva. De que adianta dar antibiótico para o útero e esquecer que pode haver infecção na boca? Isso é integralidade da atenção à saúde. Quem trouxe esse conceito para o SUS foi o movimento de mulheres.

As mulheres são únicas e um todo, não apenas útero. E os governantes insistem em não entender isso.  Daí uma das razões pelas quais sou contra a Rede Cegonha. Todo mundo esperava que a presidenta Dilma fosse melhorar –  e muito – a saúde da mulher como um todo. Em vez disso, veio um pacote com a Rede Cegonha, inclusive com esse nome horrível.

Para salvar todas as negras e as descendentes de italianos é indispensável que façam no pré-natal a eletroforese da hemoglobina, que é o exame para saber se têm anemia falciforme ou talassemia.

Não adianta fazer um pré-natal completo para elas só pensando na universalidade.  Tem de se pensar na especificidade que essas duas mulheres têm. Ou seja, a possibilidade de terem essas doenças genéticas.

Equidade é tratar os desiguais de modo diferente. É saber que todas as mulheres não são iguais para serem colocadas num pacote. Tem de ter o pré-natal para todas. Mas tem de ter integralidade, mas principalmente especificidade, de acordo inclusive com o tipo de atividade profissional de cada mulher.

Viomundo – O que acha dos R$ 50 previstos na Medida Provisória 557 como auxílio-transporte às gestantes?

Alaerte Martins – Quando soube que a MP 557 previa R$ 50, fiquei saltitante. Tinha certeza de que era o retorno do pagamento do SisPreNatal (Sistema de Acompanhamento do Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento) às Secretarias Municipais de Saúde, que são as responsáveis pela atenção à saúde das gestantes, inclusive pelo transporte quando necessário. Seria uma forma de retomar o financiamento e monitoramento do pré-natal como um todo, principalmente das gestantes de alto risco.

Caí do cavalinho, quando vi o absurdo que é dar esses R$ 50 para a mulher, responsabilizando-a por algo que já é direito dela.  Desde a Constituição Federal de 1988 e a consequente implantação do SUS, a responsabilidade de transportar a gestante no pré-natal é do gestor municipal.

Viomundo – Por favor, explique melhor essa história do SisPreNatal e dos R$ 50 que eram pagos às secretarias municipais de saúde.

Alaerte Martins – O SisPreNatal é um sistema informatizado de monitoramento da qualidade do pré-natal. Possibilita acompanhar cada gestante cadastrada até a consulta do puerpério, preservando o sigilo dos dados.

Até 2009, o governo pagava às secretarias municipais de Saúde gestante R$50 por gestante, sendo R$ 10 para cadastrá-la no primeiro trimestre de gravidez. E os R$ 40 restantes, para realizar seis consultas de pré-natal (no mínimo), uma consulta até 42 dias de pós-parto, vacina antitetânica e solicitar todos os exames básicos preconizados: tipagem sanguínea, hemoglobina e duas baterias de VDRL (teste para sífilis), urina e glicemia.

Em 2009, houve mudança na forma desse pagamento, que foi transferido para o Piso da Atenção Básica (PAB). O valor do PAB foi aumentado na época. Mas perdeu-se ao  não possibilitar a visualização dos R$ 50 do SisPreNatal. Muitas secretarias municipais de saúde deixaram então de alimentar o SisPreNatal. E principalmente desvalorizou o SisPreNatal.

Eu pensei que estávamos tendo esse recurso de volta para tratar melhor todas as gestantes e identificar as de alto de risco. Mas não foi o que aconteceu. Infelizmente, o auxílio-transporte é uma grande decepção. Perdemos em 2009. E na portaria 1459, de junho de 2011, que institui a Rede Cegonha, só temos garantido o retorno do pagamento de R$ 10 do cadastro, e ainda fundo a fundo, o que dificulta o monitoramento e consequentemente o interesse do gestor. Cadastrar e não acompanhar — monitorar, fazer busca ativa ou o nome que quiser neste país continental –, não reduzirá a morte materna, pois a gestante é que terá de se cuidar.

Viomundo – Por que considera os R$ 50 reais um absurdo?

Alaerte Martins – Se a mulher mora em município qualquer Região Metropolitana de  São Paulo, Curitiba ou Belo Horizonte, por exemplo, ela é atendida na Unidade Básica de Saúde (UBS), perto de onde mora. E quando precisa de transporte para chegar até um centro de referência é a UBS que vai trazê-la.

Já em Doutor Ulisses a situação é bem diferente. Lá não tem transporte coletivo. Portanto, os R$ 50 reais não vão ajudar a pagar o transporte para consultas normais. Lá, o parto é feito por parteira em domicílio. Se a mulher precisa ir a um centro de referência, a cidade mais próxima é Cerro Azul, onde vai ser atendida por uma parteira hospitalar, que é uma auxiliar de enfermagem. Óbvio que lá não tem obstetra 24 horas por dia. Depois, ela tem de andar mais 100 quilômetros para chegar em Campina Grande do Sul, que é onde tem maternidade.  E não se consegue táxi com menos R$ 200 para ir de Doutor Ulisses a Campina Grande do Sul.

O que a mulher de Doutor Ulisses vai fazer com esses 50 reais? Nada! Se é difícil para a mulher de Doutor Ulisses arrumar um táxi, como vai ser para arrumar uma canoa aquela que mora lá no meio da Amazônia?

Ou seja, para algumas mulheres esse dinheiro não serve, para outras é totalmente insuficiente. E o governo ainda transfere para essa mulher a responsabilidade pelo transporte, que é do município.

Para que servem então os R$ 50? Não consigo pensar em outra finalidade, que não fins eleitoreiros. Não é possível que um técnico que entenda minimamente de saúde pública tenha falado para presidenta Dilma dar esse dinheiro a essa mulher, pois não há o que fazer com ele. É um retrocesso.

Viomundo – Os R$ 50 empoderariam essa mulher?

Alaerte Martins – Em hipótese alguma. Isso é para comprar votos das mulheres mais pobres que acabarão pegando esse dinheiro. Acho isso indigno, até humilhante. A mulher não precisa dos R$ 50, ela precisa que o serviço público realmente funcione. E o serviço é que tem de ir atrás dela. Até porque tudo o que foi proposto até hoje pelo próprio Ministério da Saúde, é exatamente o contrário do que faz a MP 557.

Viomundo – Esses R$ 50 vão ajudar a reduzir a mortalidade materna no Brasil?

Alaerte Martins – Dificilmente. Pelo contrário. É inadmissível uma gestante minha lá de Doutor Ulisses ter de ficar responsável para chegar em Campina Grande do Sul ou Curitiba. É preciso alguém lembrar ao ministro Padilha e à presidenta Dilma que as que morrem são as pobres, as negras, as que não têm acesso. E com R$ 50 nenhuma grávida de Doutor Ulisses vai conseguir táxi para chegar a uma dessas cidades de referência, que têm a responsabilidade de cuidar dessa mulher e quando ela precisar, transportá-la; ignorar isso é querer que muitas mais morram de morte materna.

Depois da conquista desse direito humano à saúde e dentro dele, o pré-natal, a gente conseguiu a duras penas que as secretarias municipais se responsabilizassem pelo transporte, agora, com a MP 557, estamos retrocedendo.

Viomundo – Com os R$ 50 a MP 557 joga nas costas da gestante a responsabilidade pelo transporte até a maternidade. Não é arriscado?

Alaerte Martins – Esse é o meu temor. Meu medo inclusive é que possa acontecer alguma morte e, aí, sim, além do caso Alyne, tenhamos mais processos internacionais.  Alyne não morreu por causa dos R$ 50. Não foi por falta de chegar. Pelo contrário. Ela peregrinou por vários lugares. O atendimento é que foi ruim. Se não melhorarmos, portanto, a qualidade do atendimento no pré-natal e principalmente a organização dos serviços, a mortalidade materna continuará sendo uma tragédia brasileira.

PS do Viomundo: Ontem, 23 de fevereiro, o Ministério da Saúde divulgou novos dados sobre mortalidade materna no Brasil. Por isso, nessa sexta-feira (24),  voltamos a conversar com a doutora Alaerte Martins.

Segundo a nossa entrevistada, os últimos dados fechados de morte materna no Brasil são de 2009, quando ocorreram 1872. Um crescimento de quase 12% (1681) em relação ao ano anterior. Esse aumento se deveu à entrada em vigor, em 2008, da portaria MS/GM 1119, de 05/06/2008. A notificação de óbitos maternos, que já era obrigatória, ficou mais rigorosa. Os hospitais tem 48 horas para informar o óbito e as Secretarias Municipais de Saúde passaram a ter 120 dias para concluir a investigação e comunicar o DATASUS. Em 2010, segundo dados preliminares, houve 1.614 mortes maternas. O número voltou aos patamares de 2000-2008, quando oscilaram entre 1584 (em 2003) e 1681 (2008). Mas as mulheres negras continuam a morrer muito mais do que as brancas. Dados preliminares do primeiro semestre de 2011 indicam uma diminuição em relação a 2010. Informações sobre o quesito cor não foram divulgadas.

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90 Comentários para “Alaerte Martins: A morte materna invisível das mulheres negras”

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    • qua, 15/08/2012 - 19:39
      alaerte

      oi
      então, as entidades, as ONGS, ou a alcunha que tenham se pronunciaram,

      todos que temos “penso” somos responsáveis, para além do Governo Dilma, Área Técnica de Saúde da Mulher do MS em especial(e certeamente todo mundo espera que se pronunciem para além de Rede Cegonha!!!!, o que querem e o que pensam??????, quem deve se pronunciar, sem melindres, estamos, todos nós, na mira, direta e indiretamente tenho dito, sou enfermeira e compreendo, quase tudo, quando falam de ato médico, a resolução do COFEN sobre consultas, etc, mas: CFM, COFEN, ABEn, ABENFO………., o que dizem sobre isso???????
      alaerte

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  25. seg, 27/02/2012 - 21:11
    Alberto

    Chegamos ao fundo do poço. A Federação Brasileira das Asssociações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo, a autoridade máxima da categoria e da especialidade, mandou parar a orquestra da Festa do ministro Padilha no ancúncio da queda da mortalidade materna em 19% em apenas um semestre de 2012.
    Importante ler a matéria toda:
    É cedo para comemorar queda de mortalidade materna, diz entidade
    Integrante da federação de obstetrícia critica otimismo do Ministério e diz que qualidade do pré-natal precisa melhorar
    ….
    “O mais importante para combater a mortalidade materna é reduzir os índices de mortes por causas diretas, porque significam melhor atendimento pré-natal. Mas não podemos nos esquecer de que falta orientação sobre risco reprodutivo, o que reduziria as mortes por causas indiretas”, diz Soares.

    http://delas.ig.com.br/saudedamulher/e-cedo-para-

  26. seg, 27/02/2012 - 14:45
    Tetê

    Aliás, quero fazer um pedido à Fátima Oliveira, que ela disponibilize aqui no posta da Alaerte, como comentários, as tuitadas dela com o Padilha sobre morte materna. Acho que vale a pena porque nem todo mundo está no twitter. Que tal?

  27. seg, 27/02/2012 - 14:43
    Tetê

    Gente, andei sabendo (tenho as minhas fontes) que "os povo" lá do Ministério da Saúde está uma fera com o Vi o Mundo por causa dessa entrevista que melou a festona deles – aquela com os dados de morte materna não apenas incompletos, mas também sem QUESITO COR (tem que ter, meu Deus, há quesito cor no atestado de óbito, qual é a dificuldade de fazer a conta? Morreu TEM COR, não há jeito, podem até não preencher, mas que há, há?).
    O ministro pensou que iria deitar e rolar no twitter, mas quá, quá… teve gente que não deixou, pegou pelo chifre, cobrando. E ele, o ministro, pegou a primeira tangente e foi o jeito dizer que quesito cor vai ter depois, mas vai. Eita ferro do cão!!!!

    • seg, 27/02/2012 - 17:46
      beattrice

      O Torquemada não aprende que o "reinado" dele no twitter acabou, claro que ainda tem aquele cordãozinho básico de bajuladores, mas noves fora estes, era uma vez.

  28. [...] A morte materna invisível das mulheres negras [...]

  29. dom, 26/02/2012 - 6:56
    Mari

    ACERTANDO OS PONTEIROS. O ministro Alexandre Padilha (Saúde), na foto, convidou a ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) a participar do monitoramento dos programas de saúde da mulher. O objetivo é evitar problemas como o da medida provisória que criou um cadastro compulsório de gestantes. A MP acabou sendo alterada depois da reação de movimentos de mulheres, que acusavam o governo de querer monitorar gestantes que interrompam a gravidez.

    http://oglobo.globo.com/blogs/ilimar/posts/2012/0

  30. dom, 26/02/2012 - 6:28
    Mari

    Relendo a entrevista da Dra. Alaerte Martins fiquei impressionada com o foco que ela faz, até porque foi perguntada quatro vezes, sobre o auxílio trasnporte das gestantes. Suas respostas são também impressionantes porque falam de uma realidade bem desconhecida para mim. Após ler suas resposats fui obrigada a concordar que os argumentos dela são fortes o bastante para que façamos uma discussão sobre iisso a fim de dizer ao Ministério da saúde que aintenção do auxílio transporte precisa ser compatível com a realidade.
    Viomundo – Por favor, explique melhor essa história do SisPreNatal e dos R$ 50 que eram pagos às secretarias municipais de saúde.
    Viomundo – Por que considera os R$ 50 reais um absurdo?
    Viomundo – Os R$ 50 empoderariam essa mulher?
    Viomundo – Com os R$ 50 a MP 557 joga nas costas da gestante a responsabilidade pelo transporte até a maternidade. Não é arriscado?
    Pergunto à Conceição Lemes qual foi a motivação básca dela para focalizar tanto nos R$ 50i

    • dom, 26/02/2012 - 10:03
      beattrice

      A motivação parece clara, já que os tais cinquentinhas são a alegação única afinal para o Torquemada e sua turma terem editado a MP 557 estabelecendo o cadastro nacional e obrigatório.

  31. sáb, 25/02/2012 - 10:29
    Miguel Assis

    Ministro Padilha, pavonice tem hora meu senhor. Eu o desafio a provar que a redução de 19% na morte materna em 2011, no primeiro semestre, foi devido à Rede Cegonha, que ainda nem é realidade tal como vocês prometeram. Você fez umuegras, as maiores vítimas da morte materna no Brasil. Sua assessoria também é fraca, com ela o senhor se enrola cada vez mais.
    Use da honestidade intelectual necessária a uma alta autoridade da Repúlica e mostre suas bases de dados, tenham a humildade de dizer que os DADOS de 2011 ainda não estão todos computados e que portanto podem sofrer REVISÃO! Use da honestidade intelectual necessária a uma alta autoridade da Repúlica e torne pública a base de dados de 2011 porque há muito mais gente que sabe fazer conta meu caro ministro. Use da honestidade intelectual necessária a uma alta autoridade da Repúlica e diga porque não estavam lá as ministras Eleonora Menecucci e Luiza bairros, dus altas autoridade diretamente interessafdas no assunto. Ou elas não fazem parte do mesmo governo que o senhor?

  32. sáb, 25/02/2012 - 1:15
    Rodrigo Falcon

    Azenha e Conceição Lemes,
    se o que escreveu o PH é racismo, essa nojeira do Sr. MOACIR JAPIASSU aqui embaixo é o que?

    ISSO SIM PODEMOS CONSIDERAR RACISMO!

    Um "artigo" infeliz e racista, passível de processo penal pela lei nº 7716 que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

    Nos meus inocentes anos de estudante de jornalismo assinava uma revista que achava, funcionava como uma informal corregedoria de imprensa, era a "REVISTA IMPRENSA". Uma das seções que eu e meus colegas mais liam era a "Perdão Leitores", onde o jornalista Moacir Japiassu descorria, com sagaz humor sobre os infinitos "assassinatos" diários de nossa língua portuguesa que jornais espalhados pelo país cometiam. Pura inocência a minha achar que este senhor, paraibano de ficha extensa e respeitada nos meios de comunicação, fosse imune ao vírus da imbecilidade humana. Não é que hoje, no portal "COMUNIQUE-SE" – auto-intitulado "a maior rede social de jornalistas e profissionais de comunicação" – me deparo com um artigo prá lá de racista deste mesmo senhor, que outrora foi respeitado pelo aqui, inocente estudante de jornalismo.
    Agradeço aos céus ter de nadar contra a corrente! "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!"

    ABAIXO O LAMENTÁVEL EXERCÍCIO DE JORNALISMO DE ESGOTO…

    LINKS (se ainda não tiraram do ar…)

    .http://portal.comunique-se.com.br/index.php/editorias/41-jornal-imprenca-por-japiassu/68047-nota-zero-para-a-carnavalesca-transmissao-de-boxe.html
    .http://portal.comunique-se.com.br/index.php

    O TEXTO E O EMAIL DE SEU LAMENTÁVEL EXECUTOR:
    ______________________________________________________

    Nota zero para a carnavalesca transmissão de boxe

    Moacir Japiassu (*)

    Como era sábado de carnaval, a ESPN resolveu transmitir uma fantasiosa noitada de boxe promovida em Munique, Alemanha. Tratava-se do encontro entre um campeão mundial de verdade e um negão do Zimbábue travestido de pugilista, apresentado como "britânico", certamente para deleite de Sua Majestade Elizabeth II; atrás das câmeras, um supositício (não confundir com supositório) "comentarista" que conhecemos de outros carnavais, chamado Eduardo Ohata.
    O folguedo durou intermináveis 12 assaltos de uma "luta" horrorosa, já amundiçada pelo gorilão, que em gestos tribais agrediu com tapa e cusparada o campeão Vitali Klitschko e o irmão deste, o também campeão Wladimir Klitschko. Não apareceu ninguém para, em contrapartida, lhe chutar a bunda, infelizmente.
    Vitali Klitschko é um senhor campeão de 40 anos; lutou 44 vezes, ganhou 42; o gorilão, de 28 anos, saiu da jaula para entrar nos ringues por 18 vezes; foi surrado em três. Na acareação do sábado de carnaval, o campeão manteve uma atitude altiva e dominou aquele lixo à sua frente com a claridade que ofusca muitos, como ofuscou novamente o contumaz Eduardo Ohata.
    Ohata achou maravilhosos aqueles 12 penosos assaltos, encontrou qualidades jamais observadas no gorilaço e temeu pela sorte do campeão, pois este, na opinião do "comentarista", poderia cair de cansaço ou entrar em depressão sob os poderosos golpes do outro…
    Ao final, o "comentarista" concedeu um pontinho de vantagem a Klitschko, porém achou que o empate seria mais justo. Todavia, o campeão lutava "em casa" e poderia ser favorecido pelos jurados. Estes, que conhecem boxe e não conhecem Ohata, deram vitória unânime ao ucraniano: 118 a 110, 118 a 110, e 119 a 111. Quem gosta e entende de boxe adorou.

    [email protected].
    (*) Paraibano, 69 anos de idade e 49 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.
    ________________________________________________________

  33. sex, 24/02/2012 - 23:48
    Ana Giulia Zortea

    Nossa fiquei chocada com o que li. É difícil ver que uma mãe foi impedida de conhecer e criar seu filho por pura falta de profissionalismo e interesse do médico. Percebi também pela entrevista que é preciso ser feito um trabalho de qualidade para dar melhor assistência as mulheres gravidas, todas em geral. E quanto a mortalidade ser maior entre as mulheres negras, sinceramente é triste admitir, mas ja não é mais surpresa. A mulher negra morre mais pelo fato de serem mais mulheres negras pobres, sem um plano privado de saúde , sim. Mas também porque muitas vezes encontra profissionais com uma mente racista que não lhe da a atenção devida como faria com uma mulher branca, isto é um fato, triste vergonhoso, mas verdadeiro!!

    • sáb, 25/02/2012 - 9:24
      Dani

      Oi Ana Júlia, emociona os eu depoimenteo, sobretudo por ser uma menina, mas uma menina que enxerga a vida tal como ela é e que na entrevista viu mais da dura realidade da vida da metade das brasileiras, as mulheres negras.
      Apenas um reforço: as negras morrem mais que as brancas de parto e por aborto, sejam elas miseráveis, pobres, classe média ou ricas (que há, embora pouquíssimas). O mesmo acontece com as crianças negras. Há estudos que mostram a mior mortalidade das crianças negras em todas as classes sociais. Há um que diz que mesmo a mortalidade infantil no Brasil, que vem caindo nos últimos trinta anos, de modo importante, não depois da REDE CEGONHA, na década de 1990 a mortalidade das crianças negras DOBROU!
      Relembro a você que plano de saúde não garante a vida das mulheres gestante, pois Marina Carneiro tinha um considerado EXCELENTE plano de saúde, fezx pré-natal por ele e MORREU logo após o parto e ficou compriovado que o pré-natald ela foid e péssima qualidade: nem exame de urina foi solicitado em tida a gravidez!

    • sáb, 25/02/2012 - 10:21
      Miguel Assis

      Ana Giula, sou seu admirador. Já li uma entrevista sua aqui no Azenha, que apreciei muito. Como você eu também fiquei chocado. Vivemos num mundo racista, de herança escravocrata também. O racismo na saúde campeia nos serviços públicos e privados. Sobre os planos de saúde, sugiro que leia um pouco mais. Claro tem uma vida toda pela frente, mas já demonstrou o quanto é esperta e consciente por aqui. Mas o racismo chamado institucional é fato. Dói e mata, como você se deu conta na entrevista da Dra. Alaerte Martins. Toda morte ates do tempo não deveria ter acontecido e é indigna. Mas morrer de parto tem todos os componentes da crueldade. Devemos nos rebelar contra isso e exigir do ministério da saúde urgentemente os dados novos da morte materna recortados por COR. É uma absurdo que o ministério da saúde não tenha vergonha de não ter feito isso logo. E por que não fez? Só posso pensar que por ranço racista. Aproveito para pedir ao ministro Padilha que não se demore e ainda peça desculpas pelo disparate. Taxas de morte materna no Brasil sem a cor das mortas é molecagem racista intolerável.

  34. sex, 24/02/2012 - 20:53
    Delacroix

    Quanta bobagem. Elas morrem mais porque resolvem ter filhos sem ter condições econômicas e técnicas para isso. Se elas se preparassem não seriam vítimas e nem colocariam no mundo crianças com poucas perspectivas de disputa com aquelas em que seus pais(pais e mães) se prepararam para ter filhos. Fazer filhos e querer colocar as contas pros outros pagar é fácil. NÃO TENHA FILHOS!

  35. sex, 24/02/2012 - 20:33
    Maiara

    São realidades que chocam porque a gente que não é uma mulher negra sequer imagina que existam. Aprendi muito e agora tenho elementos que me estimulam a prestar mais atenção. Uma entrevista que a gente sente que tem fôlego e é verdadeira

  36. sex, 24/02/2012 - 17:46
    Laura Antunes

    Uma entrevista na qual não temos dúvida da competência técnica da enterevistada e da tarimba da entrevistadora. A morte materna das mulheres negras bem maior do que das brancas é algo assustador e que merece uma atenção especial dos serviços de saúde, do governo.
    Gostaria de sugerir a Conceição Lemes uma matéria sobre as "Near miss", pois conheço algumas mulheres de minhas relações de amizades, duas delas ficaram em vida vegetativa após o parto. E parece ser uma situação que não é tão incomum. Tais mulheres são cuidadas pelas suas famílias, como der. Gostaria de saber se não há uma política do governo para cuidar delas.

    • sex, 24/02/2012 - 20:48
      alaerte

      olá Laura
      infelizmente as "near miss" não são poucas, muitas acabam morrendo bem depois de 1 ano, portanto nem são contadas na Razão de Mortalidade Materna, mais ou menos isso é a magnitude da mortalidade materna e bem por isso precisamos previni-la ao máximo,
      alaerte

    • sáb, 25/02/2012 - 17:39
      beattrice

      O Brasil vive uma condição de pre-historia em termos de cuidados paliativos, seja qual for a patologia que conduziu a isso.

  37. [...] por Conceição Lemes, do Viomundo. [...]

  38. sex, 24/02/2012 - 10:58
    Luci

    Parabéns a Alaerte Masrtins pela triste constatação. São dois Brasis. A morte como herança no país rico para a minoria privilegiada.

  39. sex, 24/02/2012 - 10:00
    Romanelli

    nossa senhora ..a manchete me remete ao Noticias Populares, coisa do tipo "violada no palco"

    veja este trecho:

    Por que a mortalidade materna é maior entre as mulheres negras?

    Alaerte Martins – Sem dúvida alguma devido à condição genética

    pronto ..esclarecido ..fora que 1800 mortes não é caso de descaso nem de alarme como tantas outras DEZENAS de MILHARES de descasos (tipo os esquecidos de TODOS OS MATIZES, desde que pobres, vítimas de câncer por exemplo que ficam até sem o BÁSICO)

    No mais, gostaria de saber se a insistência em se fazer PARTO NATURAL na rede pública, como forma de contenção de custo, se isso pesa na questão

    fora da condição social e de escolaridade entre estas mulheres ..elas versos a segmentação da POPULAÇÃO carente de suas próprias regiões (vistos que os números de SC me parece, diferem bem com os da BH)

    abrá

  40. sex, 24/02/2012 - 9:39
    virginia langley

    nada me espanta mais que o "espanto" de sacripantas, fariseus e polyanas em geral, o pessoal "esclarecido" e "bem pensante" que dá pitaco adoidado em blogs diversos…ecaaaaaaaaaaa

  41. sex, 24/02/2012 - 9:38
    Tetê

    Primeiramente digo ao Vi o Mundo que a presente entrevista é mais uma prova do compromisso dos jornalistas Azenha e Conceição Lemes para com a saúde da mulher brasileira. A prof. Dra. Alaerte Martins é uma profissional que nos dá orgulho, pela competência e compromisso.
    Quero dizer ao mundo que estou feliz com a redução da mortalidade materna de 19% no primeiro semestre de 2011 em relação ao primeiro 2010. Quem não está? Acho que não há quem não esteja.
    Mas fiquei estarrecida com as justificativas dadas pelo ministro Padilha para a queda da taxa. Acho que ele não se deu conta de que falou bobagem ao dizer que foi a Rede Cegonha, lançado em meados de março, que provocou a queda. Isso foi muito feio. Como foi triste ele não incluir as especidades da mulher negra na hipertensão arterial. Claro que o ministro não precisa ser especialista em morte materna, mas a assessoria dele sim. Faltou senso quando não mostrou os dados recortado por cor.

    • sex, 24/02/2012 - 11:13
      beattrice

      O ministrinho é especialista em infectologia, por isso ele vetou ou concordou com o veto da dona Dilma quanto ás medidas educativas visando conter o ascenso da curva de incidencia do HIV? Sei.

  42. "A propósito, quando uma mulher chega a um hospital em processo de abortamento, ela é vista e tratada pela equipe de saúde como criminosa. Então, tanto o aborto quanto o tratamento são, em geral, cruéis e desumanos."

    Lembro que em 1998, na Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, eu sugeri que estescassos fossem identificdos como "tortura", principalmente os casos em que a curetagem é feita sem anestesia, pois as próprias enfermeiras diziam que era uma forma de punir a mulher e para que não provocasseoutro aborto…
    Mas houve uma grita geral das mulheres presentes contra a proposta… seriam mulheres vítimas de mulheres (a maioria dos profissionais de enfermagem eram e são mulheres)…

  43. sex, 24/02/2012 - 6:59
    Eudes

    Cai mortalidade materna em 2011, segundo governo
    Agência Estado- Por Lígia Formenti | Agência Estado

    A redução da mortalidade materna em 2011 pode ser uma das maiores dos últimos dez anos, de acordo com informações apresentadas hoje pelo Ministério da Saúde. Dados preliminares indicam que, no primeiro semestre do ano passado foram contabilizados 705 óbitos por causas obstétricas. Isso representa 19% a menos do que o registrado no mesmo período de 2010, quando foram notificadas 870 mortes.

  44. sex, 24/02/2012 - 0:07
    Dani

    Para quems e interessar pela tese de doutorado da Dra. Alaete: teNear miss e mulheres negras em três municípios da região metropolitana de Curitiba
    RESUMO

    Introdução – A mortalidade materna apresenta grande diferença entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento e espelha a qualidade da assistência prestada à saúde da mulher. Para evidenciar melhor essa assistência novos métodos de estudo vêm sendo utilizados, dentre eles a investigação das morbidades materna graves – near misses (…) Resultados – Foram identificados 68 casos de near miss, dentre eles um óbito materno direto, um indireto tardio e um direto tardio, sendo relação de 1 óbito para cada 23 casos de near miss ou 4,41%. (…) A variável cor não foi identificada como sendo fator de risco para near miss (…)
    http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6136/

  45. qui, 23/02/2012 - 21:35
    Thiago M Silva

    Video documentário
    http://www.youtube.com/watch?v=NpL-WGY33Pg&co

  46. qui, 23/02/2012 - 20:31
    Eduardo

    Excelente entrevista.
    A maioria das histórias que ouço do atendimento pelo SUS a mulheres grávidas ou em trabalho de parto são péssimas.
    Na maioria das grandes cidades existem muito poucos hospitais públicos e na quase maioria das cidades do interior simplesmente não existem hospitais públicos. Há convênios entre o SUS e hospitais particulares,os quais atendem pessimamente os pacientes que entram pelo SUS. Ou seja, se o paciente vem por um plano de saúde ou particularmente, pagando, tem um tipo razoavel de atendimento. Se vem pelo SUS é tratado de forma desumana e muitas vezes dizem que o paciente precisaria de tal ou qual medicamento, exames, radiografias etc mas como vem pelo SUS não poderá ter essa necessidade atendida.
    Tudo é feito no sentido de forçar o paciente a se endividar para ter condições de procurar um atendimento na rede privada de saúde.Como muitas vezes o paciente não tem como pedir empréstimos, simplesmente morre ou sofre graves consequências do não atendimento..
    O atendimento pelo SUS é via de regra precário, deficiente, um verdadeiro faz de conta. E isso sempre foi assim.Não é nada típico desse Governo ou de outro qualquer.
    Enquanto toda a população não se unir em protesto veemente contra esse quadro caótico, estará fazendo o jogo da medicina privada e deixando de exigir o que é direito de todos os brasileiros e brasileiras: um atendimento de saúde, público e de boa de qualidade.
    Note-se que em todos os países capitalistas do mundo a situação não é muito diferente da encontrada no Brasil. Parece que é característica dos países capitalistas o descuido com saúde e educação pública. Mas quem se anima a querer transformar esse sistema bandido pra valer?

    • qui, 23/02/2012 - 22:20
      Alberto

      Eduardo, o seu desabafo, muito justo por sina,l é que me dá ânimo para não me acomodar diante das injustiças, mesmo quando acontece como hoje, que o ministro Padilha faz uma coletiva de Imprensa para se promover em cima da desgraça que é a mortalidade materna no Brasil e "esquece" de dizer as que mais morrem e por que.
      Aindabem que houve a feliz coincidência de o Vi o Mundo ter publicado a entrevista com a profa. Dra. Alaerte Martins. que pela grandiosidade e profundidade dela não foi uma entrevista feita em cima da hora. Não fosse isso ele, o ministro, estaria por aí coberto de glórias porque disse que a Rede Cegonha diminuiu em 19% o número de óbitos maternos em 2011, comparativamente a 2010. Esquece o ministro que desde que Lula se tornou presidente as políticas contra a morte materna foram em muito melhoradas, pois já existiam, mas aí Lula entrou com o pacto contra a Morte Materna, e então as taxas estão caindo ano a ano. Como Rede Cegonha que ainda nem completou um ano? Ele mesmo disse que apenas cerca de MIL municípios aderiram ao Rede Cegonha. Há um problema aí.

  47. qui, 23/02/2012 - 20:16
    ted tarantula

    deixe indicar um material esclarecedor: Arquitetura da Destruição é um magistral documentario sueco sobre o nazismo,…ali, entre outras coisas, se aprende que de todas as profissões do membros dos Nazismo, do partido nacional socialista dos trabalhadores alemães, médicos ganhavam disparado…

  48. qui, 23/02/2012 - 20:13
    simão, o simio

    racismo de médico: dos pobre em geral nao se sabe nem a causa mortis…

  49. qui, 23/02/2012 - 19:18
    jose miguel rasia

    Excelente entrevista Alaerte. Parabéns por sua clareza e para Conceição Lemes que conduziu essa entrevista muito importante para todos nós, não só para as mulheres. Compartilhei na rede social (facebook) para que pessoas que não acessam o Blog tenha a chance de lê-la. Obrigado a vocês duas e ao Azenha. Discutir sem panfletarismo com tranqulidade, explorando de forma clara os dados é uma grande ajuda para combater essa tragédia da morte materna.
    Prof. Dr. José Miguel Rasia

  50. qui, 23/02/2012 - 17:41
    Fátima Oliveira

    No lançamento dos tais NOVOS DADOS SOBRE MORTE MATERNA, nem o ministro e nem a coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher abriram a boca para dizer a palavra NEGRA. Há um significado prático: nós as mulheres negras não existimos para eles; se não existimos, não morremos.
    Tuitei duas mensagens para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha:
    @padilhandoSe os novos dados morte materna estão com quesito cor, favor divulgá-los, pois são vitais p/ negras http://bit.ly/y46Kc3
    @padilhando 1 favor mande a turma trabalhar: Dados morte materna no Brasil hoje sem quesito cor é desaforo inaceitável http://bit.ly/y46Kc3

    • qui, 23/02/2012 - 23:17
      beattrice

      Não vou nem perguntar se houve resposta porque já sei que não houve, no twitter ele só responde para agradecer às bajulações de costume.

      • sex, 24/02/2012 - 8:58
        Fátima Oliveira

        Querida Beattrice, não posso ser injusta. O ministro Padilha sempre responde as minhas justas "provocações".
        Veja: "Nao divulgamos hje nenhuma estratificação:raça,estado,etc.Faremos isso nas videos mensais c/os estados RT @oliveirafatima_:"
        Ou seja, segundo o ministro há QUESITO COR nos dados de morte materna que ele apresentou. Só não entendi porque não apresentaram logo. Esperamos que sejam divulgados em breve, pois, como já disse, nessa altura do campeonato é desaforo no Brasil dado de morte materna sem quesito cor.

      • sex, 24/02/2012 - 10:16
        beattrice

        Às minhas não Fátima, quando o questionei ainda em dezembro diante da divulgação já àquela época de que haveria o veto à Campanha contra a AIDS ele nunca respondeu.
        Pelo que acompanho no twitter, tem a mesma atitude com outras pessoas que o questionam, ele não bloqueia como o Paulo Bernardo, mas ignora.

      • dom, 26/02/2012 - 18:19
        beattrice

        Às minhas questões ou provocações nunca respondeu Fátima, a nenhuma delas.
        Sequer quando simplesmente pedimos versão dele de fatos anunciados na imprensa, mas claro a imprensa e ele andam de mãos dadas, portanto a versão da imprensa é a DELE.

      • dom, 26/02/2012 - 21:21
        Alberto

        Beatricce,"formiga sabe o pau que rói". Fátima Oliveira é colega de profissão dele e tem voz na grande imprensa, além de que nas questões de saúde da mulher e de população negra é uma especialista pioneira. O ministro não pode fazer de conta que ela não é ninguém

  51. qui, 23/02/2012 - 18:38
    Beth

    No lançamento dos tais NOVOS DADOS SOBRE MORTE MATERNA, nem o ministro e nem a coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher abriram a boca para dizer a palavra NEGRA. Há um significado prático: nós as mulheres negras não existimos para eles; se não existimos, não morremos.
    Tuitei duas mensagens para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha:
    @padilhandoSe os novos dados morte materna estão com quesito cor, favor divulgá-los, pois são vitais p/ negras http://bit.ly/y46Kc3
    @padilhando 1 favor mande a turma trabalhar: Dados morte materna no Brasil hoje sem quesito cor é desaforo inaceitável http://bit.ly/y46Kc3

  52. qui, 23/02/2012 - 18:38
    Fátima Oliveira

    Ainda em que temos Alaerte, é o que costumo dizer sempre que a mortalidade materna de mulheres negras precisa ser discutida, pois é um assunto difícil, realidade invisibilizada pelo racismo.
    E hoje foi um dia em que só não entoeei um bendito para Alaerte porque não sei nenhum. Mas antes, um abraço afetuoso pela sua entrevista sem reparos. Falou quem dedicou a vida a estudar o recorte racial/étnico na morte materna. São suas pesquisas, praticamente pioneiras na área de saúde da população negra, nos devolvem a confiança de que um dia venceremos o racismo na atenção à saúde. Mas parece ainda muito longe.
    Hoje foi um dia particularmente triste por constatar que quase duas décadas de trabalhos
    Suados junto ao ministério da saúde alfabetizando gestores em saúde da população negra foram pelo ralo.

  53. qui, 23/02/2012 - 16:43
    beattrice

    Mais uma contribuição relevante do VIOMUNDO,
    obrigada Conceição Lemes e obrigada Azenha
    em nome da cidadania e das mulheres brasileiras.
    Quanto á entrevista,
    parece de bom alvitre o ministrinho voltar aos bancos escolares da faculdade,
    uma questão tão óbvia como a maior prevalência de determinadas condições
    até por conta das dificuldades socio-economicas das mulheres negras e o MS nem aí?

  54. qui, 23/02/2012 - 17:36
    Porco Rosso

    Mas o Brasil tem problemas na área de saúde?

    Então por que o governo cortou verbas da saúde para este ano?

  55. qui, 23/02/2012 - 16:31
    Beth

    Estou chocada porque eu não sabia NADA do que a Dra. Alaerte falou. Será que os médicos sabem disso? Parece, pelos comentários que li aqui, nem o povo do Ministério da Saúde sabe. E agora?

    • sex, 24/02/2012 - 9:34
      ted tarantula

      será que os médicos sabem????? será que os chefões do apartheid na africa do sul sabiam do racismo? será que o governo de SP sabia de Pinheirinhos??? será que Hitler sabia dos fornos crematorios??
      será que Pinochet sabia das tortura no Chile?? será Fidel Castro sabe na censura e repressão em Cuba?
      Será que George W Bush sabia da invasão do Iraque? Será que al Capone sabia de onde vinha o dinheiro que os capangas traziam?? é cada uma que parece duas…

  56. qui, 23/02/2012 - 16:27
    Luana da Suilva

    O Ministro Padilha também não recortou os dados da morte materna por quesito cor. Deve haver um motivo porque no Brasil é proibido pesquisa em saúde sem o quesito cor. Ele deve saber disso, não é? Mas enfim. O ministro também nem falou em mulher negra, nem quando havia uma pergunta perfeita para o assunto que foi feita por uma reporter sore hipertensão arterial. Mesmo assimna resposta não saiu nada da realidade: a de que quem mais morre por pressão alta são as negras.

  57. qui, 23/02/2012 - 15:25
    Luana da Suilva

    Rádio do Ministério da Saúde: http://webradio.saude.gov.br/radio/
    Gente, não creio! O Padilha está discursando e dizendo que a REDE CEGONHA já reduziu a morte materna MUITO, a maior redução dos últimos VINTE ANOS (disse el que 19%) Falta óleo de peroba ao moço.
    Conceição e Alaerte, precisam fazer uma nova matéria sobre esses dados e discurso dele.
    Nominaram as autoridades presentes, mas a ministra da mulher, Eleonora Menicucci, e a da Igualdade Racial, as interessadas mais diretas no governos sobre o assunrto, não estão presentes. Será que foram convidadas?

  58. qui, 23/02/2012 - 15:16
    Luana da Suilva

    Estou ouvindo pela rádio do Ministério da Saúde os NOVOS NÚMEROS DA MORTE MATERNA NO BRASIL. A Dra. Esther Vilela, coordenadora da Saúde da Mulher do Ministério, apresentou os dados e não pronunciou nenhuma vez as palavras MULHER NEGRA ! Vai falar agora o ministro Alexandre Padilha, vamos ouvir pra vermos se para o ministro Padilha no Brasl não há MULHER NEGRA, pois para a Dra. Esther Vivela, aqui não há mulher negra. Um vexame total, sobretudo porque as mulehres negras morrem mais que as brancas, como disse a Dra. Alaerte Martins. Quer dizer que para o Ministério da Saúde isso não importa, não é?

  59. qui, 23/02/2012 - 14:50
    Viviane Lucena

    Conceição e Alaerte, meus parabéns. Acredito que com esses dados da morte materna em mulheres negras as ministras Eleonora e Luiza Bairros precisam colar no Padilha. Alaerte Martins destroçou os farrapos de argumentos dele sobre a MP557.

  60. qui, 23/02/2012 - 14:38
    Mari

    A Alaerte com seus estudos arranca o véu da invisibilidade da morte materna de mulheres negras, até desmistificando a morte materna por aborto quando afrima que
    "“A mortalidade materna é maior entre as mulheres negras, sendo que metade dos óbitos devido a aborto é por aborto espontâneo”, adverte Alaerte. “Em situação de abortamento, as mulheres são discriminadas. E se são negras são mais discriminadas do que as brancas. Serão as últimas das últimas a serem atendidas, correndo maior risco de morte.”

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