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CUT repudia firmemente a MP do Nascituro

24 de janeiro de 2012 às 20h55

Nota de Repúdio

da CUT Nacional

No dia 26 de dezembro de 2011 fomos surpreendidos com a publicação, pelo Ministério da Saúde, da Medida Provisória 557/2011, que institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna. Essa MP prevê um cadastro universal de gestantes e puérperas buscando identificar aquelas com gestação de risco.

É fato que os índices de mortalidade materna no Brasil são muito altos, especialmente, entre as mulheres pobres e as negras. Isso demonstra que há urgência na implementação de uma Política Integral de Atenção à Saúde da Mulher, porém, salientamos que a Medida Provisória, da forma como foi apresentada, não dá conta de superar a gravidade real desta situação.

Por que repudiamos a MP 557/2011?

1. Porque altera a lei geral que organiza o sistema de saúde (Lei 8080 de 1990) para introduzir na legislação a questão dos direitos do nascituro. Uma iniciativa que se contrapõe ao movimento de mulheres e a todos os setores progressistas, entre eles a CUT, que reconhecem a importância de se resguardar e reafirmar o direito das mulheres frente às tentativas constantes de introduzir esta contraposição na lei.

2. Nossa principal referência legal é a Constituição Federal Brasileira que estabelece o direito à vida desde o nascimento e os direitos das mulheres enquanto gestantes. Ao introduzir a figura do nascituro, que não existe fora do corpo da gestante, como portador de direitos, a MP 557/2011 abre precedente, principalmente, para influência de algumas correntes religiosas e de setores conservadores.

3. É inaceitável que o Ministério da Saúde de forma unilateral assuma-se como portador de uma proposta conservadora sobre um tema tão importante como a redução da mortalidade materna. Ao fazer isso fortalece setores reacionários e retrocede no processo de acúmulo que o SUS representa em termos de uma concepção de saúde vinculada ao pleno exercício de direitos.

4. É estranho e incompreensível a necessidade de um cadastro específico de gestantes, mesmo considerando a problemática da mortalidade materna. Isso torna evidente o caráter persecutório da MP especialmente quando consideramos que no Brasil as mulheres são criminalizadas pela realização do aborto e que, nos últimos anos, houve uma ofensiva conservadora e aumento da perseguição a estas mulheres, inclusive com a interdição policial de clínicas e a utilização de prontuários e registros das usuárias. Os argumentos do Ministério da Saúde de que “universal” não se confunde com “compulsório” só faz sentido se isso corresponder a uma sugestão do Ministério para que as mulheres não procurem pelos serviços de saúde! Aliás, esperamos e queremos um atendimento integral à saúde das mulheres e que todas possam estar inscritas no Sistema Único de Saúde.

5. A MP é uma continuidade da rede cegonha e de uma visão redutora do papel das mulheres como mães e reprodutoras. Tem prevalecido nas ações do Ministério da Saúde uma perspectiva conservadora que não leva em consideração a saúde integral das mulheres e está centrada fundamentalmente no aspecto materno infantil.

6. A proposta de criação de um Comitê Gestor Nacional, sem qualquer participação da sociedade civil e, principalmente, de Comissões de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento de Gestantes e Puérpuras de Risco, desconsidera a existência no sistema de saúde dos Comitês de Morbi-Mortalidade – que tem a participação dos movimentos e da sociedade civil, fruto da luta dos movimentos sociais por um sistema de saúde público e com controle social. A proposta não segue o acúmulo do SUS, pois prevê em sua composição apenas a participação de profissionais e gestores, desconhecendo o papel do movimento organizado nesses instrumentos.

7. O benefício proposto de R$50,00 terá um papel importante para o deslocamento daquelas que têm dificuldade financeira, mas sua eficácia dependerá da existência de outras políticas sociais associadas, portanto, o auxílio não justifica a publicação da Medida Provisória.

A terceira causa de mortalidade materna é o abortamento inseguro.

Combater a mortalidade materna exige enfrentar sua terceira causa, que é o abortamento inseguro. Isso só será possível se for respeitada a autonomia das mulheres e se o aborto diante de uma gravidez indesejada for parte da política de saúde pública.

É obrigação do Ministério da Saúde ter políticas de atenção à maternidade que busquem reduzir a morbi-mortalidade materna. Para isso é necessário qualificar a assistência e garantir o acesso e acolhimento nas unidades e hospitais, tanto na regulamentação para o atendimento privado como nos serviços sob responsabilidade da rede SUS, comações articuladas voltadas para a redução da mortalidade materna e em acordo com mecanismos e as diretrizes já previstas no Sistema Único de Saúde e nas Conferências Nacionais de Saúde.

É preciso que o Ministério, em conjunto com a sociedade civil, enfrente o debate do aborto inseguro e a necessidade de políticas de atendimento às mulheres que decidem interromper uma gravidez indesejada e, portanto, que o aborto seja descriminalizado e legalizado.

São Paulo, 23 de janeiro de 2012.

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62 Comentários escrever comentário »

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Movimento feminista se mobiliza contra a MP 557 « Viomundo – O que você não vê na mídia

13/05/2012 - 12h51

[…] Depois, foi a vez de a  Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e do Centro de Estudos Brasileiros em Saúde (Cebes) se posicionarem contra a MP 557. A CUT também repudiou-a. […]

Responder

Nascituro: Ninguém assume a sua paternidade nem maternidade na MP 557 | Viomundo - O que você não vê na mídia

28/01/2012 - 18h39

[…] A CUT (Central Única dos Trabalhadores) foi fundo: […]

Responder

Luciana

27/01/2012 - 08h39

Interessante esse posicionamento. Sou livre, faço sexo quando quero, com quem eu quero, engravido e o gover no mata meu filho, repouso por alguns dias e retomo minha vida sexual como se nada tivesse acontecido.E a responsabilidade, onde fica? Como fazer filho ninguém precisa ensinar, elas já nascem sabendo e fazem com maestria. Aborto não é questão de saúde, é de vida. Ataque contra o corpo das mulheres??? Elas que se respeitem, se cuidam, se previnam, façam sexo seguro (tb existe as DSTs). Tudo na vida tem consequências, nós apendemos desde cedo, que todas as decisões que tomamos vão refletir na nossa vida de alguma forma, e na questão do sexo é a mesma coisa. Eu não pago impostos para o governo sair matando outros seres humanos com o meu dinheiro.

Responder

Wildner Arcanjo

26/01/2012 - 09h03

O código civil diz que, em seu Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal. Além do mais, o próprio código civil cita também na Seção II (Da Curatela do Nascituro e do Enfermo ou Portador de Deficiência Física) Art. 1.779. Dar-se-á curador ao nascituro, se o pai falecer estando grávida a mulher, e não tendo o poder familiar. Parágrafo único. Se a mulher estiver interdita, seu curador será o do nascituro. Aí pergunto? Quais são os direitos do nascituro?

Responder

Wildner Arcanjo

25/01/2012 - 14h32

Alem do mais o que a CUT (entidade representante e de luta pelos direitos dos trabalhadores) tem a repudirar, argumentar ou falar em relação a algo que só pode ser discutida por mulheres e suas representações diretas (como dizem as feministas)?

Responder

    Dani

    25/01/2012 - 22h04

    Também sinto naúseas. Uma pessoa que dá naúseas deveria repensar sua postura no mundo

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 23h55

    Tome um remédio. Resolve o problema.

Wildner Arcanjo

25/01/2012 - 14h29

Será que o Governo vai alterar a medida provisória? Ainda não entendí porque tanta celeuma com relação ao termo nascituro da MP?

Responder

    Kadu

    25/01/2012 - 15h52

    Carinha, mete a viola no saco e respeita a laicidade do Estado brasileiro e deixa de ser papa-hóstia para consumo público. Ai que nojo, teus comentários dão naúseas

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 08h47

    E em que o seu comentário contribui para a discussão?

Alexandre Bitencourt

25/01/2012 - 14h22

"…2. Nossa principal referência legal é a Constituição Federal Brasileira que estabelece o direito à vida desde o nascimento e os direitos das mulheres enquanto gestantes …". Essa discussão parece a discussão dos conservadores quando tratam do negro, do homosexual, do pobre, etc. Da mesmo forma que a lei foi usada de forma injusta para desocupar os moradores do Pinheirinho, também alguns progressistas procuram usar essa mesma lei injusta contra o nascituro. Ora, só tem direito depois do nascimento, mas ainda assim é uma vida, é um incapaz, que ainda está desprotegido pela lei, mais que a criança e o adolescente. A mulher tem direito sobre o corpo dela, mas existem inúmeros métodos contraceptivos, e se expor a uma gravidez indesejada é quase tão igual a se expor a doenças venéreas. O direito de um termina onde começa o do outro, este outro entenda-se o "nascituro", este que muitos "progressistas (?)" lutam para que continue sem direito.

Responder

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 09h09

    "Progressistas"? São mais conservadores virados à esquerda, que esqueceram o povo e lutam em causa própria. Afinal de contas, qual é a posição, com relação a este tema, do resto do povo?

Eugênia Loureiro

25/01/2012 - 13h45

A nota da CUT está muito bem escrita. Embora inicialmente não tenha visto maiores problemas no cadastro e concorde com todas as iniciativas públicas que visem combater a mortalidade materna, não gostei da introdução da questão do nascituro. A introdução dessa questão na MP que visa um cadastro para ampliar o monitoramento dos resultados e fornecer subsídios para a orientação de políticas públicas sobre o tema, além de uma ajuda financeira, acaba por tratar de contrabando uma definição muito séria sobre a questão do aborto que a sociedade brasileira deve enfrentar democraticamente.

Responder

Angela Liuti

25/01/2012 - 13h05

Parabéns à CUT, este é o papel de movimento social, fazer o debate e posicionar-se. Apoiado.O resto são firulas de carolas que vendem o pensamento às suas igrejas,sejam quais forem; não tem autonomia de pensamento, não são livres na ascepção da palavra, assim querem as religiões, manter os homens e mulheres sob seus jugos dogmáticos , forjados a ferro e fogo para a manutenção de seus status quo, suas contas bancarias, luxos ,celebatos e muita pedofilia.

Responder

    Varela

    25/01/2012 - 14h16

    Vocês passam a vida papagaiando a mesma ladainha e o mesmo argumento, e os outros é que vendem a sua autonomia intelectual?

Léo

25/01/2012 - 12h10

Esther diz que o objetivo é estimular as grávidas a realizarem o pré-natal. Segundo ela, a dificuldade de deslocamento é o argumento mais usado pelas gestantes para justificar não-continuidade ao pré-natal.

Para Mônica Teixeira de Souza, 28 anos, o dinheiro ajudaria muito. Grávida de cinco meses, ela esteve em sua segunda consulta no Hospital Universitário de Brasília (HUB) na semana passada. Ainda precisou levar o filho mais velho com ela.

“Não tinha com quem deixar. Fica caro o transporte da minha casa para cá. Acho que esse dinheiro ajudaria muito”, garante.

REtirado da reportagem do IG

Então, têm como convencer a Mônica que o melhor mesmo é ir contra a MP? Quantas Mônicas vc acha que prejudicará sem a MP 557? Alguém tem idéia? Seria legal mandarmos mail pro legislativo em nome de todas essas mulheres valentes que passam enorme dificuldades para poder ter filhos (sim, elas querem ter filhos e são maioria esmagadora no nosso Brasil, graçasa Deus (sim, a maioria também é religiosas). Olha, eu acho que é mais fácil os abortistas tentarem eleger a Mônica 'No Chile pode' Serra e aí cobrar uma posição pró-aborto do que pedir isso da Dilma que é pró-vida… Como é bom estar num governo que olha para as pessoas necessitadas antes de qualquer coisa, que sabe oq as pessoas precisam, que os excluídos necessitam…

Responder

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 09h24

    Mas a cegueira elitista (que se manifesta na esquerda também, não se engane) não consegue ver isso. No final das contas, são todos iguais. Uns a direita, outros a esquerda.

Léo

25/01/2012 - 11h57

Cadastro nacional e ajuda de custo geram expectativa entre gestantes
Kelly Campos da Silva, de 36 anos, está em sua quinta gravidez. Dos quatro filhos nascidos vivos, dois foram prematuros. Em um dos casos, ela sequer conseguiu fazer o pré-natal.

Kelly passou seis meses tentando “convencer” os atendentes do posto de saúde próximo à sua casa de que estava grávida e precisava de acompanhamento. Os exames de urina utilizados no local para identificar a gravidez davam sempre negativo, “sem explicação”, ela conta.

Só no dia em que pediu a uma enfermeira para tentar ouvir o coração do bebê com o estetoscópio é que ela conseguiu marcar uma consulta de pré-natal.

“Só assim ela acreditou em mim e marcou. Mas não deu tempo. O bebê nasceu antes”, conta.
Para Kelly, se as informações fossem integradas entre os postos de saúde, os médicos poderiam saber de seu histórico e ter evitado um novo parto prematuro. A primeira filha havia nascido de sete meses.

Kelly, que perdeu um bebê em 2010, aprovou a criação do Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna, anunciado no final do ano passado pelo Ministério da Saúde. Na opinião da operadora de caixa, informações centralizadas sobre seu histórico de saúde teriam poupado sofrimento.

“Tudo teria sido mais fácil para mim se esse cadastro já existisse”, lamenta.

O sistema não é exclusividade do Brasil. Na Índia, por exemplo, as 27 milhões de gestantes anuais também são cadastradas em um registro nacional. Os recém-nascidos também são registrados no sistema. A Grã-Bretanha também tem um sistema semelhante ao do Brasil.

Fonte :http://delas.ig.com.br/saudedamulher/cadastro-nacional-e-ajuda-de-custo-geram-expectativa-entre-gesta/n1597584656604.html

Gostaria de saber pq. o Vi o Mundo pinça posições contrárias e faz estardalhaço, mas em nenhum momento procura pessoas como a Kelly, que será beneficiada, pra saber oq acha (ou quem sabe convencer a abortar o 'fardo' que traz consigo, afinal mulher que é mulher, feminista neoliberal eugenista repudia essa coisa machista de ser 'mãe', em especial com esse pessoal de baixa renda, que vai ver até acredita em Deus)

Responder

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 09h11

    É o tal Outro Lado que tanto cobravam os "Progressistas" dos sites e blogs Conservadores. Interessante como o Mundo dá voltas e a história se repete, com atores diferentes.

Roberto Leão

25/01/2012 - 10h45

Ai, ai, ai.

Mais um agora a favor do aborto? E a favor da vida? A CUT não vai entrar nessa luta?

Descriminalizar o aborto não precisa. Todos sabem que relação sexual gera filho. Então… é só se prevenir. Vai em um postinho de saúde, qualquer um e pega a porcaria da camisinha de graça.
Todos também sabem como se prevenir. E todos tem acesso a prevenção.

Então… viva a MP 557!!!!

E que a saúde no Brasil continue melhorando cada vez mais.

Parabéns ao Governo Dilma e ao Alexandre Padilha pelos avanços da saúde.

Responder

    Angela Liuti

    25/01/2012 - 12h59

    A discussão não é o aborto, é direito civil, mas se a discussão vai para este lado que tal instituir uma MP para criar Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da paternidade ,tim , tim , por tim tim,, ora, privacidade já era mesmo? concordas?

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 09h21

    A discussão é sobre a legalização do aborto mesmo. Não venha distorcer o que já foi distorcido. A MP fala sobre direitos e benefícios para Mulheres que querem ter filho. Contrabandearam o direito de discutir o aborto sobre a alegação de terem contrabandeado o termo nascituro dentro da MP (que ainda não ví um único post que me faça entender o porquê de tanta celeuma). No final das contas pegaram a MP e levaram ela, de forma vil e rasteira, para um lado da discussão que não cabia. Por fim, e no fim das contas meia dúzia de estéricas, e estéricos, vão tentar (in vain) azedar algo que não os beneficiam (e a meia dúzia de pessoas que se acham inteligentes ao ponto de decidir pelo resto do país), mas que beneficiam muitas mulheres e muitas furutas mulheres que vem por aí. Eu dou uma dica para eles, sejam mais ativos dentro do Congresso (a casa das leis), mudem a Constituição e o Código Civil, o Executivo não pode e (por razões políticas e democráticas) não vão fazer o que vocês querem.

Andre Carneiro

25/01/2012 - 09h02

Impressionante os comentários. A MP 557 é boa para as gestantes. Traz uma série de proteções a quem decide levar uma gestação a termo. Toda crítica a ela é por conter o termo "nascituro" , que em tese pode ser usado como argumento para brecar avanços nas lutas a favor da liberdade reprodutiva das mulheres. Esse governo já disse que não vai propor alterações na legislação que trata da descriminalização do aborto. Se quiserem elejam outro governo. O que não dá é pra detonar uma medida provisória que atende uma parte das mulheres, em função de uma estratégia de lutas futuras.

Responder

    beattrice

    25/01/2012 - 10h38

    Não, definitivamente não.
    a MP 557 não é boa
    nem para as gestantes, das quais ela pretende violar o sigilo médico,
    nem para as mulheres, as quais ela reduz à condição de guardiãs do nascituro,
    nem para a sociedade brasileira, a qual ela reduz à condição de "fiel" do papa e dos evangélicos.

Fátima Oliveira

25/01/2012 - 07h55

A presença da CUT na luta contra a MP do Nascituro nos engrandece e fortalece.
…….
JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Responder

    beattrice

    25/01/2012 - 10h39

    Com licença Fátima,
    troque-se o José por Alexandre e cabe perguntar, e agora?

elton

25/01/2012 - 07h46

Certamente todos que apoiam o aborto não tiveram mãe. É preciso aprender a conviver com os diversos pensamentos. Ao inves de criticar a emenda provisória, porque não lutamos para conscientizar a população, porque não amparamos o filho que foi gerado indesejadamente. Penso que se a mulher não quer ser mãe que tenha a descencia de ao menos gerar a criança e depois que a entregue ao estado, é preferivel mais um orfão do que um abortado. Depois os progressistas criticam indios que deixam para morrer seus entes que tem doenças graves, os brancos matam seus entes saudaveis. Quem são os barbaros? Quanto avanço senhores progressistas…Nesse ritmo de progresso não fiquem tristes quando a elite clonar a si mesmo e não permitir mais a reprodução natural, tudo em nome do progresso.

Responder

    beattrice

    25/01/2012 - 10h42

    "Penso que se a mulher não quer ser mãe
    que tenha a descencia de ao menos gerar a criança e depois que a entregue ao estado"
    O caráter nazifascista dos e das padilhetes torna-se a cada momento mais gritante.
    Com este pensamento acima definitivamente passaram a endossar a política materna do estado romeno durante o regime Ceausescu, reduzindo as mulheres ao papel de "incubadeiras do estado".

    Dico Cruz

    25/01/2012 - 12h34

    Neura pura.

    Varela

    25/01/2012 - 13h10

    Beattrice, favor se informar sobre o que é o fasciscmo e o nazifascismo.

    elton

    25/01/2012 - 14h24

    O machismo é lastimavel, a sociedade patriarcal é lastimavel. Mas penso que mais lastimavel é abrir mão da liberdade, é não dar valor a vida. Não estou aqui defendendo nenhuma religião, se enganam os que pensam assim. Tambem se enganam os que pensam que sou ingênuo, erro comum dos que acreditam possuir conhecimento, talvez esses nem se atentaram a lógica do que expus acima. "Quis dizer enfaticamente que estou vivo e tudo isso graças a minha mãe, como posso ser a favor do aborto".
    Não sou autoritário ao ponto de decidir quem deve ou não ter vida em favor do progresso, portanto creio que o naciturno tem sim direito a vida. Finalizo dizendo que é triste sua interpretação, pois não reduzo as mulheres, as admiro, venero (Talvez admire menos as feministas, pois muitas estão cheia de ódio, mas quem pode culpa las).

Janete Almeida

25/01/2012 - 07h40

Ô gente e cadê as Mulheres do PT muito prazer? Vão bater fofo? Não creio

Responder

Janete Almeida

25/01/2012 - 07h39

A CUT ainda chegou a tempo de ajudar muito à resistência à cabeça dura do ministro Padilha. Ai que homem de cabeça dura! Será que ele não vê que está errado?

Responder

    Fabio_Passos

    26/01/2012 - 00h10

    Pois é.
    Inexplicável sob a ótica da razão

    Quem sabe ele teve uma "visagem" em que Josemaría Escrivá lhe ameaçava com um chicotinho para não abrir debate democrático.

Palmares

25/01/2012 - 02h56

Esse tipo de aborto me parece muito vinculado a eugenia e a um pensamento obtuso de que o ser que ela carrega na barriga é um fardo. Isso me dá a idéia de que esquerda , ou direita, são apenas perspectivas distintas de uma realidade falida.
Entretanto essa frieza da questão abordada por muito esquerdistas é compreensível já que último domingo houve uma passeata em São Paulo contra a violência sofrida pelos animais e pelo consumo de carne pelo homem. Nesse site eu não vi uma matéria a respeito. Assim, pra quem come holocausto e não se importa , encarar o filho como um bicho dentro da barriga a ser sacrificado não é algo tão distante.

Responder

    José Carlos

    25/01/2012 - 10h43

    Na falta de argumentos a tropa padilhante virou vegan?

    Palmares

    26/01/2012 - 01h07

    desconheço o seu neologismo e muito menos sou vegan. Só mostra o quanto a sua mente está repleta de preconceitos contra quem discorda de ti.

Palmares

25/01/2012 - 02h56

Uma coisa que sempre me surpreende é como a esquerda as vezes consegue fazer exatamente o jogo do capital. Não vou discutir a MP do Nascituro e os argumentos a favor ou contra. Só que me causa profundo desgosto é esse bate tecla de setores da esquerda na defesa do Aborto quando a mãe julgar que faz parte de gravidez indesejada. Estupro, Riscos de vida para a mãe, fetos acéfalos acredito que a lei permite. Mas pra que exigir agora que qualquer mulher que não queria ter um filho possa fazer o a aborto? Certamente que a mulher deve ter autonomia do seu corpo, mas no momento que está gerando um filho, concebido através de uma relação sexual por livre e espotânea vontade no qual optou por fazer sexo inseguro, ela não pode ter o direito de matá-lo. Por que é tão difícil entender isso? Isso não é ne uma questão religiosa. Vendo sob uma perspectiva puramente materilalista, o indíviduo já esta formado quando seus genes únicos aparecem. É de conhecimento geral que a criança dentro da barriga apresenta aprendizado cognitivo.

Responder

    Wildner Arcanjo

    26/01/2012 - 09h28

    Para as que discutem aqui, o feto é como uma menstruação que, se não for tratada a tempo, demorará 9 meses para sair.

Silvio I

24/01/2012 - 23h08

E uma medida provisória. Por esta razão o Legislativo pode não aprovar. Vamos a enviar E-Mail, e telefonemas o qualquer outro médio, aos parlamentares todos, para que não aprovem essa MP, e não se transforme em lei.

Responder

    Léo

    25/01/2012 - 12h02

    Que pena que quem será mais beneficiado pela MP, as gestantes de baixa renda não tenham (ainda) acesso a Internet pra mandar sua opinião também, né? Mas podem ir atrás delas, pessoas como a Kell yhttp://delas.ig.com.br/saudedamulher/cadastro-nacional-e-ajuda-de-custo-geram-expectativa-entre-gesta/n1597584656604.html , que perdeu um filho por conta de pré-natal porco, por falta de cadastro e comiunicação entre os hospital… Será que vc , que têm mail, poderia enviar um pro Poder Legislativo, em nome dela, pedindo para que a MP seja transformada em Lei mais rapidamente?

José

24/01/2012 - 22h51

Finalmente o movimento sindical dá as caras em um tema relevante sem enviesar pela visão corporativista limitada. Somos cidadãos e temos que nos manifestar individual e coletivamente contra essa estratégia dissimulada que visa utilizar a estrutura do SUS para reduzir o corpo da mulher a uma mala onde se carrega a futura força de trabalho do país.
Parabéns à CUT. Espero que o movimento sindical também perceba que essa canoa dos planos de saúde é uma furada. Precisamos defender a assistência à saúde como direito de cidadania e não como vantagem salarial para quem tem um bom emprego.

Responder

Nadir

24/01/2012 - 22h00

CUT, seja bem-vinda à resistência contra o ataque fundamentalista aos corpos das mulheres

Responder

Mauro A. Silva

24/01/2012 - 21h53

Certamente este vai ser o século das mulheres.

Responder

    beattrice

    25/01/2012 - 01h07

    Certamente não é o ano do padilha.

Alberto

24/01/2012 - 21h32

O que o ministro Padilha, que induziu a presidenta Dilma a um erro tão grosseiro, tem a dizer sobre o assunto, aém de vir aqui tentar ganhar no grito meio zangadinho dizendo que é discriminação alguém perguntar a religião dele? Também não teve coragem de desmentir a ministra Iriny que o desmentiu aqui no Vi o mundo em entrevista exclusiva, dada por ela, a pedido dela?

Responder

    Fabio_Passos

    24/01/2012 - 22h18

    Impressionante.
    A ministra Iriny publicamente afirmou que o ministério da saúde mentiu… e o padilha que escreveu um texto todo zangadinho desapareceu.

    Como pode o ministério da saúde editar uma MP sem ampla discussão com especialistas em saúde pública e saúde / direitos da mulher????

    beattrice

    25/01/2012 - 01h07

    Na verdade sumiu, ninguém sabe ninguém viu,
    até no twitter onde nadava de braçada
    depois de tantos embates publicamente perdidos envolvendo a MP 557
    o Torquemada desapareceu.

    Fabio_Passos

    25/01/2012 - 14h21

    Todo mundo já sabe que o min da saúde mentiu.
    Até quando vão se fingir de mortos?

Gerson Carneiro

24/01/2012 - 21h24

… e num adianta as/os padilhetes esperneaream. Esse assunto é como a tocha olímpica: nunca se apagará.

Responder

    Fabio_Passos

    25/01/2012 - 22h50

    Gerson, você reparou no nível de argumentação dos medievais que defendem a MP 557 do vigário padilha?

    Saca só o comentário de um mau-caráter:
    "Certamente todos que apoiam o aborto não tiveram mãe"

    Depois que todo o Brasil soube que o min da saúde mentiu… os devotos do bispo padilha perderam completamente as estribeiras e partiram para a mais vil baixaria.

    Gerson Carneiro

    26/01/2012 - 02h45

    Viiiixe mãinha!!! Então a senhora me enganou esse tempo todo?

    "Certamente todos que apoiam o aborto não tiveram mãe"

    Óóóó céus ! Aonde eu posso assistir os gols de domingo?

    Fabio_Passos, até o Alexandre Padilha está escapando do debate. Repare, ele não voltou aqui para para se explicar quanto ao desmentido da Ministra Iriny Lopes. Então para os/as padilhetes sobra esse apelo raso.

    Fabio_Passos

    26/01/2012 - 10h50

    O ministro padilha é como seus seguidores: Fogem do debate como o diabo foge da cruz!

Gerson Carneiro

24/01/2012 - 21h10

"Feministas", faço um apelo: vamos nos dar as mãos e aderir à esta causa. Esqueçam o BBB.

Numa boa: leiam isso aí e reflitam.

O povo do BBB está com a vida garantida (talvez não o Daniel, que se ferrou).

Responder

    Mauro A. Silva

    25/01/2012 - 18h36

    mais uma vez querendo pautr as mulheres e as feminstas(sem aspas, por favor).

    Gerson Carneiro

    25/01/2012 - 19h06

    Certamente o sr. não leu meu post sobre esse tema.

    Não fossem as razões que eu expus lá, iria pedir para o sr. passar o endereço de e-mail para eu submeter meus comentários a vossa. excelência antes de postar ao viomundo.

    Sugiro que leia o post "Gerson Carneiro: O avesso do avesso do avesso do avesso". Lá estão meus fundamentos para o uso das aspas.

    Mauro A. Silva

    28/01/2012 - 18h56

    Explique o motivo do uso de aspas toda vez que se refere às feministas…
    a última vez uqe eu viisto foi em um blog machista que até cunhou o termo "feministas de bom nível" (sic)

Fabio_Passos

24/01/2012 - 21h03

Belíssimo exemplo da CUT.
É isto o que se espera de quem representa os interesses das trabalhadoras brasileiras.

E o governo? Representa que interesses com este desastre que é a MP 557?

Responder

    beattrice

    25/01/2012 - 01h09

    Diante da omissão grotesca e ensudercedora no episódio do Pinheirinho
    que se somou ao caso da MP 557
    este governo deixou claro que não é trabalhista, não é democrático e não é progressista.
    Faz tempo que é taxado de ambidestro pela América Latina afora,
    hj chama-lo de ambidestro já é elogio.

    Fabio_Passos

    26/01/2012 - 00h13

    O governo vai pagar caro por fazer tantos acertos com o diabo.
    O diabo entrega algumas vantagens… mas leva definitivamente a alma.

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