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Fátima Oliveira: Bete, a manicure que se ufana de ser uma preta racista


05/12/2012 - 10h25

A “SORORIDADE” ENTRE NEGROS E DE GÊNERO SÃO FALÁCIAS

Bete, a manicure que se ufana de ser uma preta racista

por Fátima Oliveira, no Jornal OTEMPO

Não gosto de fazer unha de preto. Saí de um salão no Rio porque, lá, só fazia unha de preto”. Cochilava. Despertei ao ouvir a frase da manicure Bete (Elizabete da Conceição Vaz Soares) num salão de beleza da avenida Prudente de Morais, bairro Cidade Jardim, do qual sou cliente há cerca de 12 anos. Era 29.11, por volta das 15h. Um susto, pois Bete é preta! Eis trechos do embate.Sentada ao lado dela, que fazia unhas de uma cliente branca, tive de ouvir das “nojeiras” das unhas de preto, dos pés casquentos, rachados, da sujeira, numa generalização odiosa e falsa. Um protótipo de negação da negritude, a exibição do ódio racial. Sinalizei que a conversa, no mínimo, incomodava: “Bete, você não mora numa terra sem leis; no Brasil, há leis, e o racismo é crime inafiançável. Alguém pode denunciá-la”.Ela tripudiou, desfiando seus ascos das unhas encravadas, das cutículas e dos cascos duros de
preto! Pensei em sair. Fiquei. Não permitiria ao racismo levar a melhor. Adverti, mais uma vez, que ela poderia ser presa e processada e que eu não era obrigada a ouvir aquilo, pois meu dinheiro vale tanto quanto o de branco, talvez seja mais valioso do que o de muita gente, preta ou branca, porque é ganho honestamente.

Irritadíssima, disse que não falava comigo, logo, eu não tinha de me meter. “Não sou surda; aqui é um lugar público, onde há muita gente sendo obrigada a ouvir impropérios racistas”. Indaguei se ela se assumia como uma preta racista. Respondeu: “Sim, sou mesmo uma preta racista. Sou mesmo!”.

“Então, nunca mais vai fazer minhas unhas”. Disse que tudo bem. E, irada, lançou o desafio-ameaça: “Quero é ver quem vai me denunciar!”

“Eu! Vou denunciá-la por racismo! Todo mundo aqui é testemunha. Não aceito ser vítima do seu ódio racial”.

Ao sair, de pé, diante dela: “Pra não dizer que sou intransigente, dou a chance de se desculpar, pois, para ofensas públicas, só valem desculpas públicas”. Vociferou que não pediria, que não falara comigo, pois eu não era negra, mas morena.

“Oh, eu sou tão preta quanto você, que já comeu muito às custas do meu dinheiro, e eu me beneficiei do seu bom trabalho. Nunca mais vai comer, pois vai fazer unhas agora, se não me pedir desculpas, lá na Nelson Hungria” (não lembrei o nome da penitenciária feminina).

“Vou chamar a polícia, e você sairá algemada daqui”. Ela repisava que não pediria desculpas. A turma do deixa-disso: “Pede desculpas, Bete, ela ficou ofendida”. Retruquei: “Não é que fiquei ofendida; fui ofendida gratuitamente, e estou sendo caridosíssima, dando-lhe oportunidade de se desculpar!”.

De modo meia-boca, pediu desculpas: “Eu estava brincando!”. Diante dela, por telefone, relatei o ocorrido ao dono do salão, frisando que o salão dele iria fechar, pois, pela segunda vez, eu era vítima de práticas racistas ali: a primeira, há mais de dois anos. Outra manicure, a despeito de eu ter horário marcado e ela ter sido avisada três vezes, pelo caixa do salão, de que o horário era meu, fez ouvidos de mercador: atendeu uma cliente, branca, marcada depois de mim! Foi uma prática racista, mas ela, que não é branca, agiu silenciosamente. Não é possível provar!

A “sororidade” entre negros e de gênero são falácias. Agirei para que se cumpra a lei e comuniquei à Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Belo Horizonte, que tem em mãos fatos suficientes para bancar ações de “tolerância zero contra o racismo” nos salões de beleza belo-horizontinos. Era pra ontem. O racismo é uma abominável fé bandida! E quem cala consente!

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36 comentários

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Fátima Oliveira: Brasil tem compromisso muito baixo em dar fim ao racismo - Viomundo - O que você não vê na mídia

26 de fevereiro de 2014 às 21h26

[…] fui aos meus guardados. Escrevi “Bete, a manicure que se ufana de ser uma preta racista” (O TEMPO, 4.12.2012). Mais de um ano depois, a delegacia nem sequer convocou a manicure Elizabete […]

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Kabengele Munanga: “A educação colabora para a perpetuação do racismo” « Viomundo – O que você não vê na mídia

30 de dezembro de 2012 às 18h45

[…] Fátima Oliveira: Bete, a manicure que se ufana de ser uma preta racista […]

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MST: Perdemos Niemeyer, nosso grande amigo e exemplo de vida « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 23h07

[…] Fátima Oliveira: Bete, a manicure que se ufana de ser uma preta racista Gilberto Maringoni e Verena Glass: A regulação da mídia na América Latina […]

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Fátima Oliveira

06 de dezembro de 2012 às 13h39

Estou ouvindo com carinho e cuidado, também pesando, todas as considerações a respeito do episódio racista no qual fui envolvida e sou vítima. Quem decidirá sobre os destinos de Bete será o juiz. Vamos aguardar, não é?
[email protected] comentaristas, agradeço a solidariedade. Estou agindo conforme manda a Lei e dita a minha consciência racial. Espero que ela, a Lei, seja aplicada justamente. Não calei porque continuo acreditando que o racismo é uma abominável fé bandida, não importa a cor de quem o pratica.

Responder

mucio

06 de dezembro de 2012 às 12h40

Coitadinha.

Responder

    Fátima Oliveira

    06 de dezembro de 2012 às 13h40

    Qual a coitadinha? A racista ou a vítima?

    mucio

    06 de dezembro de 2012 às 18h30

    A racista que acredita em raças humanas e não em raça humana, óbvio.
    Viva a raça humana e a mestiçagem brasileira.

Maria Libia

06 de dezembro de 2012 às 12h08

Só quem sofreu ou sofre racismo ,sabe a grandiosidade desse delito a si próprio N a época da ditadura participei de uma passeata contra a violência da polícia para com os negros. Trabalhava na esquina da Consolação com a São Luiz, e todos os dias, TODOS OS DIAS, ia almoçar com um colega de trabalho negro e TODOS OS DIAS, ele era parado por policiais para averiguações. Cheguei a perguntar a ele como conseguia aguentar tal ignominia. Ele levantou os ombros e não disse nada. Ele, um ser humano da melhor qualidade, tinha que engolir essas e outras barbaridades. Se eu fosse a repórter, teria chamado a polícia. Chega de paliativos com quem não aprende que pé rachado só tem quem trabalha muito.

Responder

Eduardo Guimarães

06 de dezembro de 2012 às 11h29

Se eu tivesse que resumir em uma palavra os meus sentimentos diante desse relato, a palavra seria “dor”.

Responder

    Alberto

    06 de dezembro de 2012 às 13h19

    Eduardo, eu também sinto DOR, mas DÓ jamais. O racista não merece dó.
    Fátima Oliveira agiu corretamente.Foi racista, não importa a cor, tem de ser denunciado, pois no Brasil racismo é crime, venha de onde vier. E do que conheço da Dra. Fátima Oliveira ela percorrerá todos os caminhos: policiais, judiciais e educativos. E com uma inovação, tem como carro-chefe as medidas pedagógicas antirracistas: já soclicitou à Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Belo Horizonte, que tome as medidas pedagógica. Deve ter dado um prazo. Escreveu não leu, o pau comeu, porque cabe à prefeitura de Belo Horizonte adotar medidas para garantir á sua população o direito de ir, vir e de estar sem ser vítina de racismo.

adriana m carvalho

06 de dezembro de 2012 às 11h09

Eu entendo a manicure, não aprovo, mais sei o quanto é difícil superar os ADJETIVOS RACISTAS!. Sou nordestina e moro em São Paulo há mais de 30 anos, na minha vida toda sempre ouvi coisas pejorativas contra o nordeste e nordestino. Tem que ter muita ALTA ESTIMA pra não absorve o racismo,e a maneira mais fácil de fuga,é concordar e alimentar,mesmo sendo o alvo.Quando se têm pais que nos colocam sempre pra cima, esses adjetivos passam e não deixam marcas.

Responder

adriana m carvalho

06 de dezembro de 2012 às 10h02

Infelizmente a primeira vítima do racismo É A ESTIMA POR SI MESMO, estava em uma lojinha de bairro quando 3 crianças negras – elas tinham no máximo 11 anos de idade – entraram e começaram a se ofender mutuamente de MACACAS!.

Responder

Mardones Ferreira

06 de dezembro de 2012 às 09h50

Infelizmente nem todos têm coragem de enfrentar a situação como você. E em alguns ambientes não é possível – por questão de sobrevivência – denunciar os casos de racismo.
No entanto, sempre defendo que em ambientes minimamente civilizados – como um salão de beleza – é imperioso reclamar a obediência às leis.

Responder

Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais; virar a mesa « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 09h25

[…] Fátima Oliveira: Bete, a manicure que se ufana de ser uma preta racista Gilberto Maringoni e Verena Glass: A regulação da mídia na América Latina […]

Responder

Mario

06 de dezembro de 2012 às 04h36

Ter preconceito é uma coisa repudiante, ter preconceito com pessoas da própria etnia é “bizarro”, esta senhora é digna de dó – tamanha a sua ignorância.

Responder

    Rose di San Bernardo

    06 de dezembro de 2012 às 08h52

    Ponha-se no lugar dela.
    Experimente trabalhar em dobro e receber a mesma coisa.
    O problema é que uma parcela da significativa da polpulação – muitos são negros – não tiveram acesso à educação e na hora de expor suas ideias e justas reivindicações extrapolam.
    Ela deveria ter tentado negociar para receber pela hora trabalhada: se demorar mais com um determinado cliente, seja negro ou branco, vai receber o valor justo.
    Ou não é assim que deve ser?

    Josilda Brandão

    06 de dezembro de 2012 às 11h09

    Em qual lugar? Da Fátima Ou da Bete? Senhora ter vergonha na cara não ficou pra todo mundo. Os racistas e seus defensores de certeza são abusivos, desavergonhados, desumanos. Como já disse Fátima Oliveira: são bandidos, pois “O racismo é uma abominável fé bandida”. Trabalho por trabalho, a senhora sabe quantas horas semanais Fátima Oliveira trabalha desde que se formou em medicina? Pois dá pra fazer uma continha simples. Acho que ela é médica há uns 35 anos. E como trabalha! Ainda hoje dá plantão. Tá certa, o dinheiro suado dela não é pra dar de comer a racista nenhum.

Leonardo Câmara

06 de dezembro de 2012 às 01h19

Corretíssima!

Responder

Alberto Nasiasene

06 de dezembro de 2012 às 00h48

Parabéns Fátima Oliveira, não é porque um indivíduo seja pobre, negro, mulher, praticante de alguma religião afro-brasileira etc. que necessariamente irá empunhar a defesa das melhores causas sociais inclusivas, respeitadoras das diferenças e do pluralismo democrático (e da justiça social) e não terá preconceitos contra seu próprio grupo de origem.

Não importa aqui se, no fundo, em última instância, estes valores são introjetados pela socialização dominante de uma sociedade classista, machista e racista de quinhentos e trinta e dois anos como a nossa. Se não tivermos a coragem, neste mundo em que cotas estão sendo criadas, de enfrentar este tipo de problema sem panos quentes, daqui a pouco estaremos com uma burguesia brasileira elitista negra e racista (com diploma universitário, alto padrão aquisitivo, refinada cultura europeia etc.), como a burguesia brasileira branca (e não é só pelo detalhe de que eles tenham a cor da pela negra que este tipo de burguesia será uma burguesia mais “bondosa” e esclarecida do que a burguesia branca) que irá oprimir seus próprios semelhantes.

Sei que é um problema complexo, mas é bom não esquecer que não lutamos apenas pelas questões étnicas, de gênero e de classe, isoladamente; mas por todos estes elementos ao mesmo tempo, de modo que um deles, descontextualizado dos demais, é um equívoco que não elimina as distorções e injustiças dentro de uma sociedade como a nossa.

Houve muitos negros, nos anos 1930, que aderiram ao integralismo (o fascismo brasileiro racista de Plínio Salgado), além de muitos, ao longo de todo o século XX, que se tornaram “ricos” (nas profissões permitidas aos negros, tais como a de jogador de futebol etc.) logo se casando com uma loira qualquer, nunca com uma mulata ou negra. Não que um negro não possa casar com uma loira (e tenha que obrigatoriamente que se casar com uma outra negra para demonstrar sua “consciência negra”), mas sempre com uma loira e não com uma mulata ou negra é algo estranho mesmo que não consegue esconder a negação da própria raça; que é tipicamente o racismo à brasileira (na ideologia da democracia racial brasileira a única estratégia estabelecida, pelas classes dominantes portuguesas coloniais e pela classe dominante branca independente, para os negros, era o “embranquecimento” para que, de geração em geração, a “mancha negra” da população fosse, aos poucos, sendo apagada, pela miscigenação, mas sempre em direção ao predomínio do fenótipo branco, considerado superior).

Precisamos enfrentar o fato de que as mães dos machistas que irão bater em suas Marias da Penhas criam seus filhinhos para serem machistas, com todo o carinho (até os impedindo de arrumar a cama, porque isto é serviço de mulher). Além disso, há muitos dos piores patrões que foram aqueles que vieram de baixo e tiram o couro de seus empregados porque sabem das manhas deles, já que vieram de lá mesmo de onde vem seus empregados (seja geográfico este espaço, ou seja o espaço social e de mentalidade). Portanto, você foi corajosa em enfrentar o problema, sem se deixar intimidar porque a pessoa que estava proferindo opiniões racistas fosse, ela mesma, uma negra.

A reprodução do preconceito e das discriminações sociais não se dá num vazio. Ao contrário, faz parte das estruturas sociais e dos fenômenos sócio-econômicos e políticos da cultura. Não é porque estão sendo criadas normas jurídicas de inclusão e contra a discriminação racista, por exemplo, que o racismo desaparecerá automaticamente, por si mesmo. Além disso, o fenômeno racista é muito mais complexo do que a simples dicotomia entre os que estão por cima, brancos, e os que estão por baixo, negros. Como todo fenômeno social e cultural, pressupõe duas faces (o dominador atua também dentro do dominado, com o consentimento deste último, mesmo que seja meramente inconsciente).

Os terreiros de Salvador não são necessariamente mais progressistas e menos discriminadores do que os valores da classe dominante baiana (tanto que havia e ainda há uma simbiose política entre o carlismo do ACM avô e as baianas que gostavam de apoiá-lo nas trocas de favores). Além disso, é bom não esquecer dos governos ditatoriais de um Mobuto, por exemplo, do Zaire, que substituiu um Lumumba (não é porque os dois governantes foram congoleses que, necessariamente, empunharam as bandeiras mais progressistas).

Precisamos avançar mais sim, se quisermos uma sociedade mais pluralista, respeitosa (sem hipocrisias), mais justa socialmente e mais aberta.

Responder

Comentário de Flávia, postado por Fátima Oliveira

05 de dezembro de 2012 às 23h16

De: Flávia Pereira Cordeiro
Data: 4 de dezembro de 2012 18:00
Assunto: Apoio
Para: [email protected]

Olá Fátima ,
Meu nome é Flávia e acabei de ler sua matéria no jornal O TEMPO , fiquei indignada com o que a senhora passou e mais ainda triste por ainda ver negros e negras que ao invés de nos ajudar expõe cada vez mais seu ódio pela sua própria raça . Sou negra é também já vivi muito preconceito racial nos salões de beleza , teve uma vez que fui a um que me disseram se eu não queria fazer uma “escova inteligente” para alisar meu cabelo eu respondi que não que preferia ficar com a burra mesmo , que era mais real e mais bonita . Estou junto com você e acredito que seria necessário uma campanha legitimada contra o racismo nos salões de beleza de belo horizonte . Ás vezes acho que as coisas estão melhorando em outros momentos acho que não.
Abraços
Flávia

Responder

Comentário de Artur T Bettencourt , postado por Fátima Oliveira

05 de dezembro de 2012 às 23h14

De: Artur T Bettencourt
Data: 4 de dezembro de 2012 13:41
Assunto: Racismo
Para: [email protected]

Cara Fátima.
Não sou negro mas tenho-lhes o maior apreço, como de resto por todos os demais serem humanos. A propósito, tenho dois filhos negros, legalmente adotados, Luan com 14 anos e Luana com 12. Luan veio pra minha casa com um ano de idade. Luana, irmã biológica dele por parte de mãe, já nasceu aqui.
Execro, como você, qualquer tipo de discriminação. Dou-lhe, portanto, os parabéns pela atitude corajosa relatada na seção O.PINIÃO do O Tempo de hoje. Na qualidade de juiz de direito aposentado e atualmente advogado militante, ponho-me ao seu dispor aqui em Pouso Alegre para qualquer auxílio que puder lhe prestar na sua gloriosa cruzada.

Att.
Artur Tavares Bettencourt

Responder

Vixe

05 de dezembro de 2012 às 19h52

Pois é…
O que anos de baixa estima e submissão não fazem com a mente humana.
Não a culpo (a Bete) por que ela na sua ignorância só repete aquilo o que ouviu a vida inteira neste Brasil que se diz multicultural mas que sofre com um racismo oculto e dissimulado.
De qualquer forma, foi bom a atitude de Fátima em não permitir e alerta-la para não cair em crime de racismo, quem sabe desta forma, ela se conscientiza da bobagem que disse e pensa a respeito dos seus irmãos brasileiros.

Responder

Sergio Saraiva

05 de dezembro de 2012 às 18h16

Há neste relato ainda uma relação de poder, de descriminação por classe social. ou seja, a cliente que paga humilhando a trabalhadora a se desculpar em público. Constranger o patrão da trabalhadora é arma certeira. Como diz o mestre Gilberto Gil “eu, tu e todos no mundo tememos por nosso futuro”.

Responder

    francisco niterói

    05 de dezembro de 2012 às 21h47

    Caraca

    COMENTAR UM POST NAO É OBRIGATORIO.

    Sendo assim, vc poderia ter adotado a regra de que “O SILENCIO VALE OURO”.

    Onde ja se viu lutar contra o racismo e tomar providencias contra um crime ” ser humilhar alguem”?

    Sergio Saraiva

    06 de dezembro de 2012 às 08h14

    Olá Francisco, não sabia que a regra era apenas comentar a favor.
    Quer dizer que se eu não puder concordar devo me calar? É isso?
    Críticas e discordâncias devem ser silenciadas?

    Joana Amaral

    05 de dezembro de 2012 às 22h27

    Sr. Sérgio, qual relação de poder? Poderosa é a Bete que se acha e pensa que pode esculhambar os prestos á vontade. Bricadeira amigo! Imagine uma pessoa não ter o direito de ir e vir sem ser achincalhada em sua raça ou etnia! A cliente tem o direito de não ser vítima de práticas racistas. Qual constrangimento? Constrangimento foi o que a cliente ouviu, em público. Ela apenas disse que para ofensas públicas, desculpas públicas. E o senhor acha errado? Me engana que eu gosto!!! Quer dizer então que a gente tem de ouvir qualquer pessoa esculhambar, praticar racismo e ficar caladinha? Que absurdo a sua leitura e incompreensão do problema meu senhor.

    Sergio Saraiva

    06 de dezembro de 2012 às 08h59

    Joana, relações de poder são complicadas. Principalmente em um pais preconceituoso como o nosso.
    Você acredita que homens pretos, que são discriminados como “bandidos”, não discriminem mulheres ou homossexuais?
    Complicado, não?
    A classe média, que eu chamo de burguesa, sempre discriminou a classe pobre que lhe presta serviços. O elevador e entradas de serviço não são uma uma ilustração da senzala? Pouco importando a cor de que entra por elas. A burguesia é sempre muito ciosa da suas prerrogativas de superioridade.
    Nos últimos anos surgiu no Brasil uma outra classe média. Vou chama-la de classe média “morena”, para usar a classificação da Bete. Bete aparentemente enxerga uma divisão entre morenos e pretos.
    Seria essa classe média, menos preocupada com suas prerrogativas de poder? Vejamos o caso em questão a partir do embate entre Fátima e Bete, diz Fátima, a cliente:
    “Oh, eu sou tão preta quanto você, que já comeu muito às custas do meu dinheiro, e eu me beneficiei do seu bom trabalho. Nunca mais vai comer, pois vai fazer unhas agora, se não me pedir desculpas, lá na Nelson Hungria” (não lembrei o nome da penitenciária feminina)”.
    Talvez no início da frase Fátima devesse ter usado “sou tão negra quanto você”, já que Bete não a reconhece como preta e provavelmente ela não o é. Mas isso não vem ao caso. o que discuto aqui são as relações de poder.
    Destaco algumas expressões típicas da subjulgação econômica, “você que já comeu muito às custas do meu dinheiro” e “se não pedir desculpas … [vai para a cadeia, mas poder botar tronco que dá no mesmo].
    Me pergunto, como Fátima não percebeu que Bete é uma vítima? Triplamente vitimada. Vítima primeiramente porque sendo preta sofre todo o preconceito que nossa sociedade reserva ao pretos e aos “morenos” que possam ser pelo biotipo a eles associados. Vítima pela segunda vez por tomar para si como válido o modelo que a vitima. E, finalmente, vítima por ser acusada de praticar o racismo que a vitima.
    Por que Fátima se ofendeu com Bete ao invés de perceber a oportunidade de resgatá-la? Teria lhe faltado “sororidade”?
    Desculpe texto tão longo, mas, principalmente, desculpe terminá-lo com um questionamento:
    Sororidade entre negros, gêneros e classes sociais seriam falácias?

    Artur

    06 de dezembro de 2012 às 09h28

    Caro Sérgio. Nenhuma pessoa, seja trabalhadora ou o que quer que for, tem direito a distilar preconceitos em lugares públicos. Fazê-lo perante destinatários da discriminação é mais censurável ainda. Portanto, manifestar indignação ante agressão injusta não pode ser considerado humilhação. No caso, na pior das hipóteses, a Fátima usou seu direito de legítima defesa. Humilhação teria havido se ela, sem qualquer chance de reconsideração por parte da Bete, tivesse chamado a polícia para lavrar ocorrência, o que representaria inevitavelmente prisão em flagrante da manicure. Qualificar a atitude da ofendida como abuso de poder social é pretender tansformarnos a todos em cordeiros, submissos, pusilânimes…

Urbano

05 de dezembro de 2012 às 17h49

Vez por outra eu digo que o capataz ou o capitão-do-mato da casa grande normalmente era afrodescendente…

Responder

    Joana Amaral

    05 de dezembro de 2012 às 22h32

    Mas quem é o capataz? Deixe de dizer asneiras amigo! Uma mulher negra que pode ir a qualquer salão e pagar pelo que faz, tem de aguentar o que Fátima Oliveira aguentou só porque a criminosa é negra? De certeza ela não se importa com isso porque foi muito trasnparante ao dizer que não acredita em sororidade raciale e nem de gêenero. No que concordo. Quando chegar a sua vez aguente calado, mas não julgue quem tem coragem de não fiar calado. Calar seria covardia.

Narr

05 de dezembro de 2012 às 17h48

O caso dessa senhora é certamente uma exceção. Ele parece tomada de algum problema psiquiátrico. Ou vítima de trabalho em terreiro de sem-mãe.

Responder

ZePovinho

05 de dezembro de 2012 às 17h26 Responder

    Josilda Brandão

    06 de dezembro de 2012 às 00h32

    Negro nazista é um caso que não se pode duvidar do mais completo ódio racial de si próprio. A pessoa se odeia tanto que vai cultuar… sei lá o que é. Deu um treco em minha cabeça. E deu porque eu imagino que negro nazista é um suicida em potencial.Quanto a senhora Bete eu imagino que ela também sente nojo dela, já que preto pra ela é um ser humano nojento. E a Fátima disse que ela é preta e odeia preto.

Cezarley

05 de dezembro de 2012 às 12h01

Brincadeira ouvir um relato desse!!! Os próprios negros (alguns é claro) são sujeitos de discriminações. Devem pensar que são brancos, ou então, falam para agradar a clientela branca, no intuito de ganhar preferências. Pura tolice, creio eu!!!

Responder

ROSI SOUSA

05 de dezembro de 2012 às 11h38

Dou-lhe os parabéns pela atitude.

Infelizmente, temos que lidar com o racismo mais vezes do imaginamos.

Outro dia, eu, uma negra de pele clara, sentei-me ao lado de um senhor em uma loja da minha cidade.

O homem puxou conversa e, quando dei por mim, ele já estava falando que
tinha apenas TRÊS FILHOS e que ” a culpa pelos problemas sociais é dos negros, que fazem muitos filhos”.

Era um senhor na casa dos seus 75, 80 anos. Então, resolvi não discutir. Falei para ele que tinha um filho e que queria que ele conhecesse a minha família.

Quando chamei meu marido e meu filho, ele perdeu a voz, porque viu diante de si um jovem negro e um homem negro.

O homem ficou sem jeito e depois tentou remediar, falando que não era exatamente aquilo que queria dizer.

Apertamos sua mão e fomos embora. Pensei comigo: um racista pai de três filhos; espero que eles tenham mais sabedoria que o pai.

Responder

Julio Silveira

05 de dezembro de 2012 às 10h53

Parabéns pela ousadia de enfrentar o acovardamento geral diante de uma ignorância de quem se pretende haver cumplicidades. Eu acredito que nosso povo seja bom. Mas foi e continua sendo doutrinado para ser do mal e nem todos tem consciência disso.

Responder

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