Militantes de direitos humanos de PE querem investigação ‘séria, profunda e isenta’ sobre espionagem da Polícia Civil

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Palácio das Princesas, Recife: sede do governo de Pernambuco. Foto: Wikipedia

Por Redação

Militantes de direitos humanos, vítimas da ditadura militar e defensores da democracia pernambucanos divulgaram na quarta-feira, 28/01, nota coletiva de repúdio às informações veiculadas pelo Domingo Espetacular, da Rede Record.

Segundo a reportagem, entre agosto e outubro de 2025, a Polícia Civil de Pernambuco teria realizado operações de espionagem e rastreamento de pessoas que eram auxiliares do prefeito do Recife, João Campos (PSB).

”Os fatos ali [na reportagem] denunciados tornam evidente uma grave violação ao regime democrático de direito, com um acintoso desvio das funções da Polícia Civil do Estado de Pernambuco”, diz a nota.

”É inadmissível que servidores da inteligência da Polícia Civil atuem fora do rito da lei e das regras da corporação, espionando e rastreando sem autorização judicial, inquérito e boletim de ocorrência, qualquer cidadão comum, seja ele quem for”, atenta o documento.

Por isso, os signatários querem ”investigação séria, profunda e isenta” sobre o caso.

Leia a íntegra do documento:

Manifesto pela democracia

Pernambuco é um estado com vocação libertária. Desde o começo da história de nosso país, antes mesmo de nos afirmarmos como nação independente, a luta por liberdade já mobilizava o povo pernambucano, que fez da luta sua cultura, transformando a capoeira em frevo, a resistência em esperança.

Há muitas gerações, políticos e pensadores, artistas e estudantes, intelectuais e trabalhadores, suas coragens e todas as nossas esperanças caminham juntas para proteger a democracia de projetos de poder totalitários, que descumprem ritos em nome de um pretenso exercício de controle da ordem pública para satisfazer interesses privados.

Por tudo isso todos nós, cidadãos brasileiros, militantes dos direitos humanos, vítimas do autoritarismo de outrora, antigos e novos defensores da democracia brasileira, estamos juntos e aqui subscritos nesta nota coletiva de repúdio às informações veiculadas nacionalmente pelo Domingo Espetacular, da Rede Record.

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Os fatos ali denunciados tornam evidente uma grave violação ao regime democrático de direito, com um acintoso desvio das funções da Polícia Civil do Estado de Pernambuco. É inadmissível que servidores da inteligência da Polícia Civil atuem fora do rito da lei e das regras da corporação, espionando e rastreando sem autorização judicial, inquérito e boletim de ocorrência, qualquer cidadão comum, seja ele quem for.

A Polícia Civil existe para proteger o cidadão, e não para oprimi-lo. Os fatos narrados na reportagem evidenciam uma atuação às margens da lei, através do uso de uma força de inteligência pública para atuar a serviço de interesses que a sociedade não conhece nem subscreve. Interesses pautados por mandatos e não por mandados.

Esse tipo de atuação remete a tempos obscuros da nossa história. Enquanto o mundo inteiro aplaude o sucesso do cinema brasileiro e pernambucano, muito bem representado pelo filme O Agente Secreto, que denuncia perseguições e abusos policiais e políticos da ditadura brasileira, este episódio, investido de uma gravidade flagrante, nos lembra que o autoritarismo não é um capítulo superado de nossa história.
Este é o tipo de doença que costuma ser ameaça constante à saúde de todas as democracias pelo mundo. É o tipo de mal que precisa ser combatido ainda nos primeiros sintomas, para que práticas obscuras não sejam jamais normalizadas.

Por isso, uma investigação séria, profunda e isenta sobre o caso se torna, além de necessária, urgente.

Fiscalizar, denunciar e combater essa ameaça ao Estado de Direito de forma legal e democrática é nossa obrigação, nosso clamor e nossa luta de todos os dias.

Não há outra forma de preservar o regime democrático em qualquer lugar do mundo, que não seja através de vigilância constante, incansável e coletiva. Convocamos todas as instâncias de fiscalização do exercício do poder público à atuação enérgica e emergencial. A história já nos comprovou, com a subtração de nossas liberdades e até a perda de companheiros e entes queridos, que o autoritarismo é um mal gradativo, uma caminhada rumo a um futuro obscuro, que precisa ser interrompida o quanto antes, no primeiro passo em falso.

Recife, 28 de janeiro de 2026

Amaro Lins
Amparo Araújo
Ana Gusmão
Bruno Ribeiro Paiva
Celso Pinto de Melo
Elisabete Godinho
Eutrópio Édipo
Fernando Araújo
Flávio Brayner
Francisco de Assis Barreto da Rocha Filho (Chico de Assis)
Humberto Vieira de Melo
Irageu Ferreira Fonseca
Izael Nóbrega
Jesualdo de Albuquerque Campos Júnior
Lílian Gondim
Luiz Oscar Cardoso Ferreira
Manoel Severino Moraes de Almeida
Marcelo Mário de Melo
Marcelo Santa Cruz
Márcio Tavares
Marco Mondaini
Maria Luiza Alessio
Miguel Espar
Paulo Tadeu R. de Gusmão
Pedro Pontual
Raoni Chaves Costa
Roberto Franca
Rose Michelle Araújo Rodrigues
Socorro Ferraz
Vera Baroni
Xavier Uytdenbroek

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