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O saco de gatos partidário e o futuro da política


04/12/2012 - 11h10

por Luiz Carlos Azenha

Um colega me procura para se dizer impressionado com o crescente saco de gatos da política brasileira que, registre-se, não é de hoje. Fala da possível indicação de Guilherme Afif Domingos para um ministério do governo Dilma, selando a adesão do PSD de Gilberto Kassab à coalizão liderada pelo PT.

O colega é eleitor petista. Provavelmente frustrado com o fato de que está cada vez mais difícil traduzir seu voto ideológico em políticas que o representem, observa: “A oposição está morta. Tá na hora de fundar um novo partido ou de derrotar a atual coalizão federal para mudar um pouco as coisas”. Confesso que nunca vi um eleitor torcendo contra o partido no qual costuma votar, mas entendo a frustração. Ele vota num dos gatos, mas acaba representado por outro.

Em outras palavras, o poder do PT se diluiu dentro da coalizão comandada pelo partido, de tal forma que a administração de um condomínio tão vasto de interesses fica no mero gerenciamento de vontades. E tome “gestores”, “técnicos” e “facilitadores”, que funcionam como meras correias de transmissão das lideranças da coalizão. É preciso executar apenas os projetos que atendam ao conjunto de acordos negociados nos bastidores de Brasília.

Elimine-se, portanto, os eleitores, consultados apenas em período eleitoral para decidir qual é a melhor das superproduções de marketing.

Dá para entender perfeitamente a lógica do PT ao buscar a adesão do PSD: fortalecer a possibilidade de reeleição de Dilma Rousseff e enfraquecer Geraldo Alckmin na disputa pelo governo estadual paulista, em 2014. Só então, controlando a maior parte do orçamento nacional, o partido poderia de fato governar com maior independência dos parceiros de coalizão. O risco é de, até lá, o PT se tornar indistinguível dos parceiros, gestor do mesmo neoliberalismo light que afundou, por exemplo, o PSOE espanhol.

Há quem garanta que isso já aconteceu.

PS do Viomundo: Quando falo em “facilitadores” me refiro às Rosemaries, aos que colocam graxa nas engrenagens para permitir que o privado tire proveito do público, ainda que em tese cumpram funções justamente para evitar isso.

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30 comentários

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Lafaiete de Souza Spínola

18 de dezembro de 2012 às 00h07

ISSO ESTÁ SE TORNANDO UM REGRA GERAL!

POR ISSO E OUTROS MOTIVOS, COMENTEI: PRECISAMOS DE UM NOVO PARTIDO; PAÍS UNITÁRIO ETC.

Prefeito de Caruaru é agora um dos mais bem pagos do Brasil
Câmara de Vereadores aprovou aumento para José Queiroz (PDT) de R$ 16 mil para R$ 25 mil
Publicado em 11/12/2012, às 22h53 JORNAL DO COMÉRCIO
Pedro Romero

CARUARU – Mesmo sob pressão popular, a Câmara de Vereadores de Caruaru aprovou na noite desta terça (11), por dez votos a cinco, projeto que aumenta em mais de 50% o salário do prefeito José Queiroz (PDT), cujos vencimentos passam de R$ 16 mil para R$ 25 mil. O projeto também reajustou os salários dos vereadores, que passaram de R$ 9 mil para R$ 12 mil, dos secretários municipais (R$ 9 para R$ 11 mil) e do vice-prefeito Jorge Gomes (PSB), que passa a ganhar R$ 12,5 mil ao invés de R$ 8 mil. Uma emenda ao projeto também instituiu o 13° salário para os vereadores. Com o novo salário, Queiroz passa a ser um dos prefeitos mais bem pagos do País.

A votação do reajuste do Executivo e do Legislativo agitou a sessão da Câmara. O plenário estava lotado, principalmente por estudantes, professores e outros profissionais que protestavam, com faixas e cartazes, contra o índice de reajuste.

Alheios à pressão do público, a maioria dos parlamentares votou pelo projeto de reajuste salarial, que previa R$ 24 mil para o prefeito, mas recebeu uma emenda do vereador Leonardo Chaves (PSD) e passou para R$ 25 mil. Através de mais duas emendas, Leonardo também conseguiu a aprovação do 13° salário para os parlamentares municipais.

“Já era para estarmos recebendo R$ 12 mil desde o ano passado, quando os deputados estaduais, que servem de base para o salário dos vereadores, tiveram reajuste. E o 13° salários é direito dos vereadores em várias cidades”, argumentou Leonardo Chaves. Outro parlamentar que votou a favor do projeto foi Zé Ailton (PDT). “Votei porque a favor porque acho legal e justo. Não voto contra aumento de ninguém”.

A emenda que dá direito ao décimo aos parlamentares foi apresentada pelo vereador Alecrim (PSD). “É um direito de todos os funcionários. Este benefício já existe no Senado, na Câmara Federal e para os deputados estaduais”, pontuou.

O projeto de reajuste foi aprovado em detrimento de outro apresentado pelo presidente da Casa, Lícius Cavalcanti (PC do B). A iniciativa previa a manutenção dos atuais salários do prefeito e secretários, reajustando apenas os vencimentos dos vereadores que passariam de R$ 9 mil para R$ 12 mil. “Apresentamos essa proposta por causa da crise que a prefeitura está passando, coma a seca e demissões na prefeitura. Mas como a Câmara está em situação melhor, os vereadores teriam reajuste”.

PROTESTO – A sessão que aprovou o reajuste salarial no Executivo e Legislativo Caruaruense foi tumultuada e marcada por vaias e protestos. O plenário lotado vaiava toda vez que as propostas salariais eram lidas pelos membros da Mesa Diretora. Com faixas e cartazes, estudantes universitários mostraram a sua revolta contra o índice de reajuste aprovado pelos parlamentares. Após a votação, houve tumulto. Um estudante e um assessor do vereador Leonardo Chaves foram detidos.

“Esse aumento pode ser legal, mas é imoral. Não é justo, é abusivo. Vamos buscar outras formas de lutar contra essa iniciativa”, disse a estudante Joana Figueiredo. Como membro do Parlamento Jovem de Caruaru, ela acompanhou a discussão desde o começo e se mostrava indignada.
O estudante Rick Daniel, 23, disse que não era o momento de acontecer esse reajuste, que, segundo ele, deveria ter sido discutido antes das eleições. “Estamos aqui para mostrar que não aceitamos isso”.

Outro que estava revoltado com a aprovação do projeto foi o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Caruaru (Cismou), Eduardo Mendonça. “Esse reajuste é no mínimo imoral, deviam ter vergonha na cara. Esse mesmo legislativo cortou gratificações dos professores, não valoriza a educação”, disparou.

Responder

prova de bala

05 de dezembro de 2012 às 23h06

duas soluções,

1- parlamentarismo,

2-ou clausula de barreiras de %5 de votos a nivel nacional para o partido ter representatividade no congresso.

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

05 de dezembro de 2012 às 11h31

PRECISAMOS DE UM NOVO PARTIDO? III

Faz algumas semanas, no programa RODA VIVA, foi discutida a segurança. O tema principal foi o brusco aumento da criminalidade no Brasil e principalmente em São Paulo. Tudo girou em torno da polícia militar, polícia civil e presídios. Durante uma hora não se encontrou tempo para que se discutisse a origem de toda essa violência: A injustiça social que impera em nosso país. A nossa classe média não consegue desvendar o caminho da maior prioridade que se chama EDUCAÇÃO.

Os partidos que chegam ao poder prometem mudar o Brasil, porém terminam adotando soluções paliativas, como o bolsa família. Faltam convicção, coragem e determinação para um salto de qualidade. Resolvem governar com e para o sistema financeiro e, agora, talvez, estão se dando conta, tardiamente, do grande erro cometido. Sinceramente, não sei se é um erro ou pura opção.

Votei no Lula sabendo que não se tratava, nem havia condições, de qualquer mudança mais radical. Votei pelo segundo mandato, pois era a melhor opção. Votei na Dilma, no segundo turno. Mas estou totalmente insatisfeito com o tratamento dado à educação que, no Brasil, sofre de doença grave, portanto não pode continuar recebendo, apenas curativos. Toda nação está sendo corroída, principalmente, por essa doença.

SÓ VEJO UMA SOLUÇÃO PARA AS MAZELAS DESTE PAÍS: UM PARTIDO NOVO, DIFERENTE EM TUDO, QUE DÊ ALTA PRIORIDADE À EDUCAÇÃO.

DISCUTIR UM PROJETO DESSE PARTIDO É A GRANDE LACUNA DENTRO DO NOSSO PAÍS.
NADA DO PODER SÓ PELO PODER QUE É A NASCENTE DO PARTIDO SÓ PELO PARTIDO.
EXISTE, HOJE, UM PARTIDO QUE QUE LUTE PARA A APLICAÇÃO DE 15% DO PIB NA EDUCAÇÃO? CURATIVOS NÃO RESOLVEM! DIZEM LOGO: É MUITO, É UTÓPICO, O PAÍS VAI QUEBRAR ETC.ETC. DEVEMOS DISCUTIR AS FONTES DESSES RECURSOS!

Pertenço ao conjunto daqueles que desejam ver o ideal, a atuação, de todos que almejam um mundo melhor sendo a popa dessa nau, onde se encontram a hélice que possibilita singrar por esse mar de injustiças e o leme que conduz esse PARTIDO (a nau).

Esse périplo, com destino ao porto dessa viagem, não necessariamente deve ter uma data rígida, mas é urgente. A tripulação dessa nau deve estar atenta à carta de navegação, para evitar um naufrágio ou encalhe. Essa carta é o estatuto com regras de navegação rígidas e claras, com instrumental participativo.

O comandante não poderá, ao seu belprazer, alterar essa rota sem o aval da tripulação. No destino desse porto estarão esperando, de braços abertos: a EDUCAÇÃO, logo na frente, clamando por 15% do PIB para que as crianças tenham escolas descentes, em tempo integral, com café da manhã, com almoço, com esporte, com janta e com transporte. A SAÚDE vem em seguida dizendo que apoia, integralmente, esse pleito; pois ela está ciente dos benefícios que terá com tantas crianças bem nutridas e com a certeza que os pais, também, menos estressados e melhor alimentados serão beneficiados, dispensando, inclusive o bolsa família que passa a ser um aporte a esse programa de salvação nacional.

O pequeno agricultor, com todo suporte da Embrapa, passando a ser o principal fornecedor dessas escolas, sentirá as grandes melhorias proporcionadas pela chegada dessa nau (PARTIDO). Tanto essa gente do campo como os marginalizados das cidades, acostumados aos efeitos devastadores das naus piratas ou assemelhadas, ficarão, por certo tempo, reticentes, descrentes, crendo ser, apenas, mais uma.

Como nesse longo périplo estão previstas tempestades; causadas por corruptos, por grandes traficantes, pelos lavadores de fortunas recebidas desses piratas e todos aqueles que vivem desse estado de coisas ou são coniventes ou, simplesmente, indiferentes; então, essa grande embarcação (O PARTIDO) deve ter projeto e estrutura para atravessar esse mar revolto.

A passividade facilita a atuação desses psicopatas. Já dizia Luter King: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Ele, aqui, possivelmente, engloba os omissos!

Nessa nau todos estarão imbuídos pelo ideal do bem comum. A rigidez do projeto e montagem da sua estrutura não devem sofrer avarias de grande porte ao singrar mar com nuvens negras. O estatuto não permitirá desvios da rota traçada. Tudo deve ser elaborado de tal modo que não haja disputa de poder, só pelo poder; por mais ardilosa que seja.

Outras naus existirão e possivelmente os tripulantes com ideais parecidos desejarão mudar de nau democraticamente, pacificamente, ou procurarão meios para adotar estrutura, montagem e estatuto dessas tripulações de modo semelhante. Os honestos, com certeza, notarão que não poderão continuar numa nau que, mesmo com disfarce, esteja sendo usada para a pilhagem. Muitos políticos, do baixo clero, descobrirão que se tornaram reféns do sistema.

Os tripulantes devem ter o conhecimento necessário; para não serem pegos de surpresa pelo discurso de eventuais corruptos, mafiosos e os lavadores de dinheiro proveniente dessa classe de psicopatas; pois há estudos que comprovam a existência dessa praga no meio da sociedade, numa percentagem de aproximadamente 3 a 5%. Eles passam a ter menos influência, quando as leis são devidamente aplicadas e começam a ser identificados.

Essa percentagem faz parte de pesquisas internacionais, bem fundamentadas.
Num país de 190 milhões, esses 3% são 5.7 milhões atuando em todas as esferas da sociedade. Pense no efeito multiplicador, devido à enorme influência que esses bandidos exercem sobre aqueles menos informados. Eles, em geral, têm um nível de inteligência acima da média, são dissimulados e bastante ativos no meio em que convivem. Não medem esforços para alcançar o que desejam.

Só um partido, como descrito, chegando ao poder, poderá colocar limites a essa escória, onde se encontram os corruptos, os traficantes e aqueles que lavam todo esse dinheiro. Essa gente convive melhor num ambiente de injustiça social. São contrários a um investimento maciço na educação. Eles e aqueles que são influenciados sempre irão dizer, procurar convencer, que investir 15% do PIB na EDUCAÇÃO é uma meta ambiciosa, porém inviável, que o país não tem recursos etc. Na verdade, em médio prazo, isso será prejudicial a todos esses mafiosos. Não interessa a eles um povo esclarecido.

Quem pode achar que pessoas com mentes sadias cometeriam: crimes tão horrendos como a corrupção deslavada, atividades mafiosas e a execrável lavagem de dinheiro? É tudo isso que denigre, embrutece, empobrece uma nação. Quando um país se torna rico através da espoliação de outros povos, pode-se identificar o perfil de seus dirigentes que não titubeiam em fomentar guerras, enganando e manipulando seus compatriotas mal informados.

O mesmo comportamento, ou similar, verifica-se, também, dentro do próprio país, quando tudo é feito para manter o status quo que privilegia grupos em detrimento de todo o povo, sonegando-lhe a educação, a saúde e tudo que represente bem estar social. O psicopata, como já disse, é inteligente, é dissimulado, não sente culpa, é um mentiroso, é manipulador, está sempre à procura de estímulos, adora ser líder. Como exímio chantagista, consegue manter os políticos corruptos no bolso.

Esse partido deve prever, em seu estatuto: mandato único em todos os níveis; fim do alto clero que tudo pode, tudo decide; país unitário; lei única; câmara única; deputados estaduais e vereadores só para fiscalização, recebendo, apenas, ajuda de custo; financiamento público exclusivo, evitando que os eleitos se tornem reféns do poder econômico; revezamento constante em todos os níveis desse partido, desde os menores núcleos à toda direção; não haverá coligações; fim da profissão “político”, o deputado estadual, o vereador continuarão sendo o torneiro, o professor, o médico, o taxista, o comerciante etc.etc.

Deputados estaduais e vereadores, como fiscais, devem ter todos os meios para denunciar os malfeitos; o número poderá triplicar para que haja revezamento.

Esse partido, até que essas mudanças não sejam alcançadas, levará ao povo essas mensagens de mudanças. Pouco a pouco irá conseguir a adesão da maioria de nossa população. Esse é o caminho para, pacificamente, transformar esse nosso Brasil.

Não será um partido tirado da manga de um ou meia dúzia de figurões. Será um partido criado e fiscalizado pelo povo para que não seja usurpado! É difícil, mas só assim teremos uma nação forte, em busca de justiça social.

SUGESTÃO para leitura sobre o crime organizado:
1. Gomorra: livro do Roberto Saviano.
2. Combate à lavagem de dinheiro: livro do Juiz Fausto De Sanctis.
3. As entrevistas de ambos, na internet.
4. Outras fontes.

Responder

    José Ruiz

    05 de dezembro de 2012 às 12h41

    é preciso usar a internet para um novo tipo de política, o modelo atual apodreceu..

    Mário SF Alves

    07 de dezembro de 2012 às 09h32

    Um novo partido?!! Não, prezado Lafaiete. Penso que não nos convém mais enveredar por aí. Essa rota já é por demais manjada; é tecido já por demais esgarçado. Afinal, para os padrões/realidade brasileira, e constitucionalmente falando, construímos ou não o que poderia haver de melhor em termos de organização e força partidária? O PT ainda é o partido, prezado Lafaiete. Qual a dificuldade em reconhecer isso?
    Dentre as muitas reflexões/perguntas que devemos nos fazer, a primeira delas é:
    “Aonde queremos chegar? Que país queremos construir? Que humanidade queremos?”
    Por exemplo, se tivermos claro que o que queremos é um Brasil verdadeiramente democrático, a questão seguinte é saber o que nos falta, quais obstáculos e o que coletivamente podemos fazer para superá-los.
    Agora mesmo estamos vivendo um momento assim. E não estamos fazendo quase nada. Nossa participação política é muito tímida. Hoje, nem tanto quanto ontem, restringimo-nos a votar e daí que se dane o resto. Até quando? Unimo-nos no Movimento Diretas Já; queríamos nada menos que o oposto do autoritarismo ditatorial; queríamos a democracia. Será que o faremos de novo?
    Uma outra questão e um dos maiores problemas do Brasil hoje é a contradição determinada pela exorbitante concentração de poder nas mãos de pouquíssimos empresários que exploram concessões pública de rádio-difusão. De um lado uma população de quase 200 milhões de pessoas (IBGE, Censo de 2010), de outro, os detentores de tais concessões, utilizadas como mídia privada corporativa, abolutamente livres para diuturnamente dizer a essa mesma população o que for mais conveniente, não aos seus interessses enquanto povo, mas, sim, a esse mesmo grupo de empresários privados. Como diziamos esse é um dos nossos maiores problemas. Enquanto perdurar esse “estado de coisas”, esse caos anárquico corporativista, não haverá governo e nem sociedade, e nem democracia que prosperem num cenário desse.
    Aí, na falta de educação política, na falta de substância na condução de um projeto coletivo de País, e num mundo de fantasias ditadas pela mídia corporativa, nada de mal em criar-se uma nova distração, mais uma novela, mais um programa de auditório, e renegar-se a história e a contribuição social do PT. Entendo…

    Lafaiete de Souza Spínola

    08 de dezembro de 2012 às 13h18

    Mário,

    Pertenço àqueles que participaram do Lula lá, votei no Lula para o segundo mandato e para a Dilma contra o Serra, no segundo turno.
    Porém estou imensamente insatisfeito com a atenção dada à EDUCAÇÃO que deveria ser a prioridade das prioridades. Todo esforço deve ser dado para o tratamento dessa doença grave, o analfabetismo e o semianalfabetismo, que assola o nosso país. Doença grave não se trata somente com curativos. O Bolsa família eu aceito como um curativo necessário. Porém, isso não resolve. Só a educação pode minorar as injustiças sociais! E não teremos uma nação forte e respeitada com esse deplorável nível educacional. O que queremos? Só um país lembrado pelo carnaval e pelo futebol? Isso é cultura popular, apesar da manipulação, e deve fazer parte da nossa história. Agora, pergunto: quais os brasileiros têm condições de ir ao estádio, durante a copa, sem tirar parte do pão da sua mesa?
    Essa não é a rota, nem a trilha correta. Não é possível continuar escolhendo personagens só porque não temos outra opção.
    A opção que necessitamos, reafirmo, é a educação. Fora dessa rota, não vejo destino promissor que libere nosso povo dos grilhões da injustiça.

    Mário SF Alves

    08 de dezembro de 2012 às 15h12

    Lafaiete,
    “Porém estou imensamente insatisfeito com a atenção dada à EDUCAÇÃO que deveria ser a prioridade das prioridades. Todo esforço deve ser dado para o tratamento dessa doença grave, o analfabetismo e o semianalfabetismo, que assola o nosso país.”
    _________________________________________
    Não há dúvida quanto a isso, mas, ainda assim, consideremos o contexto – capitalismo selvagem, pressão neoliberal, dívida pública interna e crise econômica violenta a tingir os países que aderiram mais fortemente aos pressupostos do neoliberalismo; consideremos o que foi feito até aqui; consideremos sinceramente o progresso alcançado nestes últimos doze anos. Enfim, consideremos o quanto de progresso educacional não alcançaríamos se nos fosse franqueado debater em nível nacional os pressupostos da educação política.
    A propósito, você já parou pra pensar no tempo que as concessões públicas de rádio e televisão dispendem com a referida educação política? É nada. Zero. E a gente sabe o porquê disso. Concessões públicas, sim, porém, muito ao contrário, o que fazem é nada mais que uma crítica mordaz diuturnante desferida contra o Governo no campo da educação, da política (interna e externa) e da economia. Posso estar equivocado, mas, para mim, educação política é o motor da educação formal. Sendo assim, o que na prática fazem os meios de comunicação é DESEDUCAÇÃO, no mais amplo dos sentidos.
    Atenciosamente,
    MSFA.

francisco de paula leite

05 de dezembro de 2012 às 09h55

É uma situação complicada. De um lado temos os tucanos e seus apoiadores. Tudo doido para voltar ao poder. De outro lado o PT e os aliados para promover o “exercício da governabilidade”. Na hora H, este povo todo se mistura e não teremos alternativa a não ser começar a fazer o que a classe dominante adora: PERDER A FÉ NOS POLÍTICOS E NOS PARTIDOS!! Aí sim. O ferro esquenta!!

Responder

    Julio Silveira

    05 de dezembro de 2012 às 13h13

    Pior é que a cada tentativa popular de se voltar contra essa premissa, seus escolhidos vem e reforçam a visão conservadora. Acredito que se deve questionar, porque, apesar de serem numericamente tão inferiores, os conservadores da nação conseguem, numa democracia, confirmar perante a opinião publica sua afirmação tão cruel para a cidadania?
    Resposta facil, a meu ver, eles devem ser sedutores, não?

Neotupi

05 de dezembro de 2012 às 09h42

É mais ou menos isso que os udenistas falavam do antigo PTB até 1964, por estar no poder, tendo em seus quadros trabalhistas grandes industriais, e aliados como as oligarquias do PSD da época.
Utópicos sempre acham feio vitórias práticas, conquistadas aos trancos. Bonito é o sonho perfeito das teorias, mas que só servem para emoldurar o quadro feio do prato vazio de comida dos mais pobres.

Responder

xacal

04 de dezembro de 2012 às 21h20

Caro Azenha e demais comentaristas,

Um texto desta importância, escrita neste veículo, e por alguém com tanto calibre, não pode ser jogado na vala comum.

Nós, petistas, temos a tarefa ininterrupta de sempre vigiarmos os destinos do nosso partido, que via de regra, é um dos principais da coalizão governista, embora, em tamanho, o primeiro lugar seja do PMDB.

Por outro lado, é preciso sempre distinguir partidos e governos, embora este limite seja sempre tênue. Porém, para observadores como Azenha não é difícil.

Falemos de PT, um pouco do governo, e por fim do PT no governo:

O PT vive hoje um paradoxo, uma sensação estranha, pois colhe nas urnas os frutos de mais uma vitória, de uma série histórica permanentemente ascendente. Ganhou no quintal dos tucanos. Ganhou do STF. Ganhou da Globo, da Veja & cia.
Trouxe consigo partidos aliados que também colheram suas vitórias. Como alguém já percebeu em outro espaço, se juntarem os eleitores governados por PSDB e DEM(os partidos reconhecidamente de oposição)estes somam um pouco mais, apenas, que os eleitores que o PT, sozinho, governa.

Então será que este enorme mandato popular se deve apenas ao carisma do Lula, os acertos do governo Dilma, ou de outros fatores que não incluam o PT e sua militância como ingredientes determinantes?

De acordo com o Vox Populi, o PT é o partido mais lembrado e mais admirado entre os partidos brasileiros.

Será que o eleitor, que confere cada vez mais espaço e voz institucional ao PT, em todos os níveis de governos e parlamentos, em todas as regiões do país, homogeneamente, o faz porque considera que o PT seja um mingau diluído entre a sopa de letrinhas dos partidos brasileiros?

Eu queria que alguém, como o olhar arguto do Azenha, me ensinasse ou me mostrasse como fazer para manter um governo dentro do presidencialismo de coalizão dentro deste estamento normativo brasileiro, com respeito ao equilíbrio às instituições e poderes, acomodando interesses seculares, patrimonialismos, uma mídia(SEM EXCEÇÕES) acostumada a se portar como partido político, e mais, com a urgência de reverter um dos maiores e mais longevos processos de desigualdade do planeta, que sempre foram pontuados por episódios de autoritarismo e violência política.

Saímos há 27 anos de um período devastador da nossa História, e nem sequer conseguimos encontrar e enterrar os restos mortais de todas as vítimas.

Covardia do PT, do governo? Pode ser.

Mas quantos deputados foram eleitos desde 85 com o compromisso e plataforma de revelar e punir, ou melhor, de revogar a lei de anistia?

Eu não tenho dúvidas que muito tem que ser feito.

No entanto, não há como enfrentar esta questão sem afastarmos qualquer traço de hipocrisia.

Temos campanhas eleitorais dentre as mais caras do planeta, e de onde vem o dinheiro? Alguém em sã consciência pode imaginar que o assédio ao poder político pelos interesses financeiros cessará quando as campanhas acabarem?

E aí, como impedir que os grupos de interesse façam valer o seu maior poder de financiamento?

Quem tem mais chances de aprovar uma lei, os bancários ou os banqueiros?

Eu olho para os resultados do governo, do PT e não consigo enxergar esta “diluição incorporada”(como canta Fred Zero04, do Mundo Livre S/A na música Renegados Batedores).

De todo modo, temos o amplo direito de esperar muito mais do governo e do PT, claro.

Mas o que esperamos mesmo? O que temos feito para construir as condições políticas para que o PT e o governo satisfaçam nossas expectativas?

Ou vamos esperar que façam?

No blog? No bate-papo no happy hour? Na vernissage(é assim que se escreve?) ou nos editoriais na mídia?

Afinal, quem vai fazer política para gente?

Responder

    francisco pereira neto

    04 de dezembro de 2012 às 22h03

    Eu disse a um ilustre leitor e comentarista do blog, sr. Willian, num dos meus comentários, exatamente pelos motivos que voce expõe no seu comentario, que prefiro mil vezes o PT do que os demotucanos.
    Resumindo : Ninguém faz democracia, sem quebrar os ovos.
    E está claro que esse alguém, não é ninguém da oposição e muito menos a grande mídia.

    Cibele

    04 de dezembro de 2012 às 22h18

    Xacal, não é todo dia que alguém se lembra de uma música do Mundo Livre S/A. Conhece esta?

    http://www.youtube.com/watch?v=ki0QLHoQ-UM

    Julio Silveira

    05 de dezembro de 2012 às 09h22

    Sua exposição deixa bem clara a diferença entre o eleitor, esse que o Azenha fala, eu, por exemplo, e o militante.

Entidades criticam Alckmin: É boicote à redução da tarifa de luz « Viomundo – O que você não vê na mídia

04 de dezembro de 2012 às 20h21

[…] O saco de gatos partidário e o futuro da política […]

Responder

Julio Silveira

04 de dezembro de 2012 às 18h54

Desalento de dois eleitores, o segundo sou eu.

Responder

    carmen

    04 de dezembro de 2012 às 21h13

    Lamento, Julio, mas já fui eleitora do PT, por muitos anos e acordei mais cedo que vc. Ainda bem que nunca é tarde para acordar. Mas será que não? As coisas andam muito difíceis neste país e não sei como vamos endireitá-las. E agora José?

    xacal

    04 de dezembro de 2012 às 21h21

    Carmen,

    Endireitar…parece ser a palavra chave no seu caso…endireitar.

    José Ruiz

    05 de dezembro de 2012 às 08h35

    enquanto não criarem um partido à esquerda do PT (que seja eleitoralmente viável) eu voto no PT..

Bernardino

04 de dezembro de 2012 às 17h28

Sinto muito D. CIBELE esse teu raciocinio nao funciona com uma imprensa corrupta como temos,fazendo a cabeça das pessoas.A unica maneira de politizar é educaçao em massa,mas isso só em processos politicos revolucionario como houve na França,Russia e CHINA entre outros
NA Cultura Portuguesa desista minha filha,já esta carimbada com a Corrupçao e COVARDIA há SECULOS!!!!!

Responder

Cibele

04 de dezembro de 2012 às 15h10

Só tem um jeito de governar com maior independência dos partidos de coalizão: ter maioria ideológica no legislativo. E, para isso, devemos educar o povo informalmente, atuando como se fôssemos todos professores em nosso dia a dia. Chato ou não, é o único jeito.

Responder

    Willian

    04 de dezembro de 2012 às 16h22

    Eu faço isto todos os dias.

    Cibele

    04 de dezembro de 2012 às 16h57

    Estão vendo? rsrs.

    José Ruiz

    05 de dezembro de 2012 às 08h37

    ou seja, o caminho chama-se mobilização.. só que o PT se afastou disso.. é preciso fundar um novo partido e criar mobilização na internet.. rede social para política..

Mário SF Alves

04 de dezembro de 2012 às 13h46

Vale ressaltar:

I- “Dá para entender perfeitamente a lógica do PT ao buscar a adesão do PSD: fortalecer a possibilidade de reeleição de Dilma Rousseff e enfraquecer Geraldo Alckmin na disputa pelo governo estadual paulista, em 2014. Só então, controlando a maior parte do orçamento nacional, o partido poderia de fato governar com maior independência dos parceiros de coalizão.”
II- “O risco é de, até lá, o PT se tornar indistinguível dos parceiros, gestor do mesmo neoliberalismo light que afundou, por exemplo, o PSOE espanhol.”

No I, tudo bem, em termos. Resta saber:
I.1) Até que ponto o PT estaria predisposto e demandaria ação coletiva visando fortalecê-lo frente ao furor dos ataques da oposição encastelada no Congresso e na mídia corporativa?

I.2) Como justificar tal ataque se o PT estivesse realmente fadado a capitular/sucumbir frente à lógica do capitalismo subdesenvolvimentista brasileiro (convencional, financeiro, especulativo, fundiário e/ou outro)?

I.3) Qual o grau de reversibilidade do atual estágio de contaminação ideológica do PT?

No II) Já não haveria mais tempo pra nada. Seria a consolidação, não da democracia que tanto sonhamos, mas, sim, da privatização do PT. Seria o poder pelo poder. Estaríamos frente a algo/uma deformidade chamada PT S.A. Nesse caso, mudança, só comprando ações (se é que elas estariam à venda).

Responder

    maria olimpia

    04 de dezembro de 2012 às 17h25

    Mário,
    Concordo!

Willian

04 de dezembro de 2012 às 11h55

O Objetivo de qualquer partido é ficar no poder, mais nada. Se der para ajudar alguém neste período, tudo bem, se não, ficar no poder já é o suficiente.

Espero que a Kátia Abreu não seja a escolhida para o ministério de Dilma. Periga eu morrer ao receber a notícia. Morrer de rir!

Responder

    francisco pereira neto

    04 de dezembro de 2012 às 13h00

    É o que dá elogiar um comentário seu Willian.
    Voltou a ser o mesmo com um discurso repetitivo.
    Ahrrrrrr…..

    Willian

    04 de dezembro de 2012 às 16h23

    Mudo o discurso quando o mundo mudar.

    xacal

    04 de dezembro de 2012 às 20h42

    No caso dos demotucanopatas, não deu.

    Agora a pérola: “Mudo o discurso quando o mundo mudar.”

    E depois quer criticar o oportunismo alheio. É, o diabo são sempre os outros.


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