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Rodrigo Vianna e a tese do fatiamento do PT


04/12/2012 - 11h36

Balanço de 2012
Lula, Dilma e o PT: fatiados

publicada terça-feira, 04/12/2012 às 10:14 e atualizada terça-feira, 04/12/2012 às 10:14

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

Ainda em 2011, recém-iniciado o governo Dilma, ficaram claras as estratégias do governo vitorioso e da oposição derrotada pela terceira vez. Do lado petista, Dilma caminhou (ainda mais) para o centro, numa tentativa de conquistar setores urbanos (da nova e da velha classes médias) que se haviam afastado do PT durante os dois mandatos de Lula. Dilma aceitou a pauta da “faxina moral”, investiu na imagem da “gerente”, e evitou qualquer conflito com a mídia conservadora que é a verdadeira comandante da oposição no Brasil.

A presidente emitiu sinais de que concentraria toda sua energia na mudança de paradigma econômico: reduzir os juros, e abrir espaço para uma nova fase de desenvolvimento sem a hegemonia ostensiva do setor financeiro (o que inclui também as tentativas de reduzir os custos de produção, como no caso da energia). O arranjo adotado durante os dois mandatos de Lula, com juros altos e programas sociais massivos (Bolsa-Família, crediário popular, recuperação do salário mínimo, Pro-Uni), serviu para manter os rentistas e grandes empresarios calmos – ao mesmo tempo em que trouxe para o PT imensas massas “descamisadas” que, no passado, não votavam no partido de Lula.

Escrevi, em 2011, que a escolha parecia inteligente: o PT ja tinha os setores de trabalhadores organizados (que votam na aliança de esquerda desde os anos 80) e as grandes massas que o governo Lula tirou da miséria. Dilma conquistaria a classe média, reduzindo ainda mais a margem de manobra da oposição.

O risco, no entanto, era evidente: tudo ficar igual. Se Dilma assume o discurso tucano do “gerenciamento”, afastando-se de qualquer confronto, evitando a “politização”, qual seria a diferença – no fim das contas – de votar num tucano ou num(a) candidato(a) do PT, em 2014?

Fragilizada pela terceira vitória lulista, a oposição midiática e o consórcio PSDB/DEM/PPS aceitaram o jogo, mas com uma nuance matreira: passaram a dividir PT,Lula e Dilma em 3 fatias. Lula seria o “atraso” populista, o PT seria quase uma ”quadrilha”, e Dilma seria a única aceitável nesse tripé – a gerente confiável. Se Dilma tomara a decisão de caminhar para o centro (abandonando a  Reforma Agraria, engavetando a “Ley de Medios” que Franklin deixou pronta no fim do governo Lula, jogando no lixo avanços na Cultura da era Gil/Juca, entre outros pontos), a oposição tratou de atraí-la cada vez mais: “venha com a gente, longe de Lula e do PT você será bem tratada…”

A sedução, em parte, parece ter funcionado.

Assim, terminamos 2012 com a estratégia do “fatiamento” em pleno vapor: o PT recebe o carimbo de “quadrilha” no STF (o que nao impediu que o partido conquistasse mais Prefeituras, incluindo a gigantesca Sao Paulo; mas foi suficiente para evitar uma vitória ainda mais consagradora para a sigla de Lula, que teve recuos inesperados em Salvador e Fortaleza, e resultados apenas razoáveis em cidades médias de todo o país), Lula vira o alvo no caso Rosemary (que, por outro lado, mostra o mergulho de parte do petismo na inaceitável tradição de velhacarias e patrimonialismo brasileiros).

E Dilma? Os geniais condutores da estratégia de comunicação da presidenta acham que ela se salvará sozinha dos ataques. Acreditam – ou fingem acreditar – no canto de sereia da velha mídia conservadora… Gostam de ver Dilma apontada como a condutora de um “novo PT”.

Nao é preciso ser muito esperto para perceber que não ha “novo” ou “velho” PT. O que existe é o PT – com sua história de erros e acertos. O velho e o novo ganham juntos, ou naufragam juntos. A arena da oposição é o “gerenciamento” e o “moralismo” udenista. A arena da centro-esquerda é a política, a defesa do Estado, das reformas democráticas e dos programas sociais. Dilma parece ter-se esquecido disso. Ou achou que seria possível manter isso tudo em banho-maria, enquanto se concentrava no rearranjo da economia?

Agora, em 2013, veremos iniciar-se a terceira etapa do “fatiamento” – que nao foi concebido por Joaquim Barbosa, mas por Mervais e outros quetais. Enfraquecida a imagem de Lula e do PT (atenção, não estou dizendo que a imagem esteja irremediavelmente abalada; as pesquisas mostram que tanto Lula como o PT seguem como referência de defesa dos interesses populares, mas o partido está claramente na defensiva nos últimos meses), veremos se Dilma terá força para reagir aos ataques.

E eles ja começaram. ”Mequetrefe”, diz um colunista sobre a presidenta. Outro comemora o “ano perdido” (2012) na economia. Inicia-se, no noticiário, um giro cuidadoso para incluir Dilma – ao lado de Lula e do PT – na mira dos ataques.
PT/Lula/Dilma juntos são fortíssimos. Quase imbatíveis. Sozinha, Dilma ainda é forte. Mas o jogo fica embolado. O povo teria que escolher entre uma “gerente” petista ou um “gerente” tucano. O PSDB já percebeu que há espaçoo pra avançar agora. FHC lancou Aécio. Nas pesquisas, ele está muito atrás de Dilma. Mas pesquisa a essa altura não diz muito. O que importa é o arranjo politico.

Se o PSDB abandona o discurso raivoso da era Serra, e adota um tom mais centrista, a massa de eleitores pode se perguntar: vamos eleger pela quarta vez um(a) presidente(a) petista? Mesmo com tantos escândalos? Se PSDB e PT ficam parecidos, sera que não é melhor apostar dessa vez naquele partido que – na mídia – não está carimbado como “quadrilha”? A avenida por onde os tucanos podem avançar é essa: ganhar dos eleitores o benefício da dúvida, o mesmo que o STF deixou de lado em 2012…

Ah, mas os tucanos tem outro carimbo – governam para os ricos, são privatistas e só pensam em agradar os empresários. Lula e o PT, não – esses governam para o povo. Mas quem está falando de Lula e do PT? Dilma não se afastou dos dois, ao traçar sua estratégia inicial há 2 anos?

Isso tudo, e mais o crescimento medíocre da economia pelo segundo ano seguido (a “gerente” não gerenciou?) permitem que a oposição – que respirava por aparelhos – ganhe ao menos o benefício de deixar o eleitor em duvida. PT de novo? Será que não vale a pena mudar?

Se a eleição de 2014 for acirrada — como imagino que será — Dilma vai enfim perceber o erro que foi ter-se afastado das bases e das bandeiras  históricas de Lula e do PT. Sacar na última hora o discurso de que “tucano é privatista” pode não colar – tantos anos depois de FHC ter saído do poder.

A oposição conseguiu fatiar PT, Dilma e Lula.Eles conseguirão se reagrupar — no imaginário popular — em 2014? Tempo para isso existe, de sobra. Mas o lulismo precisa sair da defensiva. Trocar “gerenciamento” por politica.

Os tucanos querem Aécio para ganhar, apostando num “pós-Lula”. Mas não existe “pós-Lula”. O que esta em curso é uma tentativa de derrotar o lulismo. No presente e na história. A ideia é afogar Lula e o PT num “mar de lama” tão intenso quanto aquele que levou Vargas ao suicídio em 1954 . Dilma acha mesmo que pode sair “limpinha” dessa batalha? Nao vai funcionar…

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71 comentários

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Vladimir Safatle: Os impasses do lulismo « Viomundo – O que você não vê na mídia

07 de janeiro de 2013 às 17h02

[…] Rodrigo Vianna e a tese do fatiamento do PT […]

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MST: Perdemos Niemeyer, nosso grande amigo e exemplo de vida « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 09h26

[…] Rodrigo Vianna e a tese do fatiamento do PT […]

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

05 de dezembro de 2012 às 21h41

XACAL

Jamais pensei que a polícia “é lugar de tapados”. Isso seria me conceder um atestado de “tapado”. Pelo contrário,sei perfeitamente que foram os agentes da inteligência policial,muito bem preparados, cheios de cultura política, conhecedores das diferenças de pontos de vista entre as diversas correntes da esquerda, e que dominavam o marxismo, o marxismo-leninismo,o maoismo, a história,alguns mais até que muitos militantes, agentes policiais tão inteligentes quanto você demonstra ser,portanto, e que sabiam fazer brilhantes análises de conjuntura , tanto nacional como internacional, que demonstravam “camaradagem” com os “companheiros” etc, foram precisamente esses policias filhos da puta e aparentemente não truculentos,amáveis, sorridentes, que conseguriam, no passado,durante a ditadura militar, ganhar a confiança de algum militante incauto, se infiltrando, assim, nos partidos clandestinos e levando à dissolução de diversas estruturas clandestinas de resistência, com a prisão, desaparecimento e morte de centenas de pessoas.

Não ,Xacal, você distorce as minhas palavras para tentar me queimar. Mas a matriz desse tipo de queimação é minha velha conhecida.Em geral ela se faz acompanhar de um pequeno coro. O que eu disse e reafirmo é que , era bom saber da existência de um comentarista, que aqui comenta como apoiador de um governo progressista,e não como um agente da direita, em uma polícia conhecida e reconhecida por ser excessivamente truculenta em todo o nosso país,relativamente ao povo e aos trabalhadores, tanto a civil quanto a militar. Uma polícia que certamente pode e deve ser convertida em polícia cidadã, sobretudo, a partir de sua unificação, melhoria das suas condições de trabalho e de seus vencimentos, etc. Mas isso não me fez esquecer que andei sempre com o pé atrás em relação a ela. Que entre as pessoas que mais odeio, uma porcentagem considerável é formada por policiais, responsáveis pelas mais odiosas manifestações de covardia contra o povo. Você não conheceu nenhum desaparecido e assassinado por esses caras. Eu conheci! O fato de serem inteligentes não lhes impediu de serem covardes e truculentos. Felizmente conheci também alguns policiais decentes. Dois deles se tornaram meus amigos e certamente vão rir desse seu comentário tentando me jogar contra a polícia.
Com essa queimação suas, encerro a minha participação como comentarista do “Viomundo”. O “boboca” do “lulipe”, a quem devo ter ofendido também injustamente, pelo que você e outro comentarista disseram ( tadinho!) pode voltar e comentar livremente com os dois companheiros, sem a minha interferência.

ADEUS!!!

Responder

    xacal

    06 de dezembro de 2012 às 08h23

    Boas mesmas devem ser as memórias dos que conviveram com a polícia de Stálin.

    Uma polícia dedicada ao “povo”.

    darcy(agora com letras minúsculas, porque sua choramingação diminuiu sua estatura), se você tomar o cuidado de ler todo o extenso corolário de críticas que teceu a meu respeito(e não só as minhas ideias), verás que a tentativa de “queimar” é quase uma extensão natural do debate, ainda mais quando estas pessoas não se veem.

    Faz parte da tentativa de “situar” o outro para saber se é “merecedor” da interlocução mais ou menos agressiva.

    Esta perspectiva não cumpre só uma tarefa política, mas um auto-reconhecimento pessoal, é como se você dissesse, quando diz o que você disse sobre polícia e policiais que você inspira mais confiança do que estes que você desconfia.

    Fique tranqüilo, para onde você for, não tenho pé atrás com marxistas ou marxistas-leninistas, embora seu legado de violência e truculência em nome do “povo”(ou seja lá em nome do quê seja)não seja muito diferente que o dos mais covardes capitalistas que usam a polícia burguesa e a justiça burguesa para trucidar e criminalizar adversários.

    Deve ser o resultado daquela máxima reproduzida por você: A ideologia das classes é a ideologia da classe dominante.

    A polícia só se adapta. É claro, depositária do sadismo não só de seus integrantes, mas de toda sociedade.

    xacal

    06 de dezembro de 2012 às 08h33

    PS: veja, darcy, que “torcer” palavras não é “qualidade” só minha:

    “(…)Mas isso não me fez esquecer que andei sempre com o pé atrás em relação a ela. Que entre as pessoas que mais odeio, uma porcentagem considerável é formada por policiais, (…)”

    O nome deste sentimento, meu caro, é preconceito.

    Eu não dou uma conotação pejorativa ao preconceito, e você se ofendeu! Mordeu a isca! É assim, fácil, assim? Não me admira que tantos tenham sucumbido, são “bipolares”:

    Ou é uma “entrega total” acreditando no que vê e ouve apenas, ou é o preconceito segregador que afasta antes de conhecer, ou porque é contrariado?

    O preconceito é sim uma possibilidade de “reconhecimento” do outro, e eu destaquei no seu comentário que até você, o suprassumo da análise marxista-leninista é capaz de ser traído por aquilo que vocês consideram um sentimento típico da pequena burguesia.

    Ou será que só ouve gente infiltrada na polícia(aliás, considerando sua função naquele contexto seria normal, embora condenável)?

    Os estragos maiores, meu caro, foi feito por X9 ou alcagoetes dentro das academias científicas, das hostes de esquerda, nos sindicatos, etc…gente acima de qualquer suspeita, ao contrário de nós, policiais…rs

Magda Mª Magalhães

05 de dezembro de 2012 às 21h02

Uai, Rodrigo, o STF não vai julgar o “mensalão mineiro” em agosto de 2014? E não vai carimbar outra “quadrilha”? Não me diga que o julgamento do STF foi político.

O Pt tem realmente se afastado das bases, não só a Dilma. Se continuarem com esta política, os chefões escolhendo os candidatos para os cargos, não se esforçam para aprovar o financiamento público de campanha (talvez misto, só cortando as empresas como financiadoras), se insistem em votação em lista (mais uma vez os caciques dando as cartas), se não apresentam projeto com uma pena pesada para os que incorrem em caixa 2, com cassação de mandatos de todos os beneficiados, o que restará do PT?
Sem consulta às bases não há PT que resista.

Responder

pina

05 de dezembro de 2012 às 19h20

aparentemente a criação do Psd foi o tiro de misericórdia politica na oposição

que atualmente tem 80 deputados heróis que ainda não se entregaram ao governo,, provavelmente devido a fidelidade partidária

do ponto de vista politico a oposição “atualmente esta morta”

mas, eu concordo com o autor do texto, o jogo politico pode mudar rapidamente, e hoje aliados podem ser inimigos no piscar dos olhos…

pois são verdadeiros mercenários da nação, tirando o PT e o PSDB o resto dos partidos não possuem nenhuma linha ideológica.

a DILMA queiram ou não, é muito parecida com o jeito TUCANO de ser,
com um ministério pífio, com exceção de GUIDO MANTEGA, e o CELSO AMORIM,

é claramente um governo que tenta ” despolitizar” a politica, um governo formado por não “políticos”

por quadros gerenciais, técnicos e outras bobeiras mais.

media de crescimento pífio nesses dois anos.

governo sem rumo, não sabe se é de direita, de centro ou de esquerda, acaba sendo um governo sem nada, sem direção.

solução:::::

para que não tenhamos os males de outro governo do PSDB, mesmo que remota a possibilidade existe.

e para que tenhamos um governo de centro -esquerda, desenvolvimentista…..

em minha opinião só mudando o ator principal da novela,,, sai DILMA e volta LULA…. politica é coisa de políticos e não de gerentes.

Responder

Leonardo Câmara

05 de dezembro de 2012 às 14h18

Rodrigo, o Aécio é muito fraquinho, como esses eles não ganham, não. Os demotucanos estão sem discurso e sem candidatos, i.e., estão perdidos.

Responder

giovani montagner

05 de dezembro de 2012 às 11h16

governo refém da popularidade no ibope dá nisso.

Responder

Mário SF Alves

05 de dezembro de 2012 às 10h24

Xacal,

Aprendi a respeitar e sou grato à contribuição de muitos aqui. Assim, devo ao Darcy Brasil Rodrigues da Silva o reconhecimento pela dedicação ao semear entre nós, publicamente, as sementes da generosidade, do desprendimento, da polidez e da perspicácia na compreeensão do enfrentamento POLÍTICO; e a você, a determinação em não permitir que o vandalismo “político” apague as luzes acesas pelo PT.

___________________________________
No mais, diante da discussão (inclusive, de viés filosófico) travada por vocês, parece que está explicada a origem das tendências no PT.

Responder

xacal

05 de dezembro de 2012 às 10h23

Caros amigos,

Eu vou pedir que me aguentem só mais um pouquinho. Vou tecer considerações sobre este post, que é um texto de alguém que nem está aqui para se defender, o Rodrigo Vianna.

Portanto, vou tentar colocar aqui, pela última vez neste post, minhas opiniões não sobre o texto do Rodrigo Vianna, porque depois de todo debate percebi o quando indelicado é falar de alguém ausente, e pior, o quanto ineficaz também.

Todas as preocupações daqui são minhas também, e não sou um governista inveterado, mas sou sim, um anti-demotucanopata, anti-globo e PIG radical e extremado, e toda vez que enxergar que aliados nossos nesta luta fornecem a estes os argumentos para nos enfraquecer, creio que ultrapasso os limites do razoável.

Todas nossas frustrações e expectativas parecem convergir neste momento da história, e falo não no campo hipotético, mas da vida do dia a dia, afinal, eu mesmo sou um exemplo acabado do que a mobilidade social traz de conforto, de tranquilidade.

E engraçado: não há nada no horizonte que aponte esta cataclisma, então a pergunta: não enxergo, ou querem que eu enxergue mais do que existe?

É a minha história pessoal de sofrimento, que não interessa aqui detalhar, que serve a mim de referência para entender boa parte que me cerca, quando posso dar a minha família coisas que nunca imaginei, e não falo só dos bens de consumo e uma pizza no domingo no shopping.

Falo de coisas de segurança em não ter que procurar casa para alugar todo ano, de poder ir e vir sem contar as moedas para comprar um ou dois litros de combustível, de contar com educação pública e gratuita para minha filha em um dos melhores IFF do Brasil, de poder comprar 100 ou 150 reais de livros todo mês para a minha filha, de escolher comprar a Carta Capital, de ter acesso a este blog, e não estar condenado a TV aberta, etc.

Então, eu vou começar pela fala do texto que parece ser a preocupação de todos: Que nosso governo se desfigure tanto que em algum tempo não seja mais possível dizer a diferença, e eles, com o apoio da mídia, ganhem na guerra da informação.

Acho que este é o tema chave, central.

Esta consideração, este medo, tem coerência, mas traz também uma enorme carga de conceitos equivocados sobre o ethos político e o senso das classes populares.

O próprio status de tema central da teoria política e da ciência econômica, que ocupa vários setores da academia, desde o Nordeste com o Dr Jessé de Souza(e sua tese da nova classe trabalhadoras e a ralé estrutural, muito criticada inclusive)até o sul com os trabalhos recentes do IPEA no embate Néri e Pochmann, revelam uma ansiedade (necessária)em entender o suposto “novo”.

Eu tenho uma intuição, uma noção empírica baseada em minha própria vivência:

Não há risco de “mudança” ou de absorção destes “novos” contingentes pela agenda conservadora pelo simples motivo que as classes populares alçadas a novo patamar sócio-econômico já estão mergulhadas neste conservadorismo atávico, e que se revela, não raro de forma hipócrita e violenta para onde quer que olhemos.

Sequer o foco está no lugar correto: Não é uma nova classe, mas pessoas estranhas(novas) a velha classe que já estava lá.

Estas pessoas trazem, via de regra: seus conceitos e preconceitos antigos, dos quais não abrem mão, pois são a sua identidade e foi com estes valores que “subiram”(trabalho duro, disciplina, capacidade de improviso, etc), a necessidade de pertencimento, ou de parecer ou de mimetizar aqueles que já estão lá, e disputar espaço com estes que ora os assimilam, ora os refutam, impondo a estes últimos que lá estavam novos hábitos dos emergentes.

A questão é que nós, da esquerda, a academia, e nenhum outro setor, nunca nos ocupamos em determinar esta senso ideológico porque estas classes não contavam politicamente, ou pelo menos, só entravam nos nossos esquemas como “vítimas” da manipulação midiática e do cabresto eleitoral tocado a fisiologismo e clientelismo.

Nós éramos a luz, a vanguarda que guiaríamos o povo pelas estepes da revolução. Pelo jeito não abandonamos este cacoete. E pior, nos descobrimos (alguns ainda não) os guardiães de uma moral improvável, de valores de pureza ideológica que não resistem a 40 minutos de engarrafamento, ou no aumento de nossa faixa de IRPF para aumentar os investimentos em saúde, ou melhor, nem em 0.00000000001% de CPMF.

Como se as aspirações patrimonialistas históricas de classe média e elites que permeiam as relações públicas deste país deste sua invenção não fossem, per si, o mesmo fisiologismo e clientelismo dos mais pobres em comer, que por uma questão de classe, recebiam e recebem nomes chiques: incentivos a cultura, fomento a indústria, fundos de incentivo, compensação fiscal, dedução de IRPF, e por aí vai…

Na verdade, nosso pavor é que o moralismo primário das novas classes médias se juntem ao moralismo orgânico nosso, da velha classe média.

E isto não pode ser colocado na conta do governo por desejar que o país amplie seu contingente de pessoas com maior conforto econômico.

O Estado e o governo não são as únicas, embora sejam a de peso considerável, a produzir ideologia ou conservadorismo.

Como também é verdade que a mídia tem papel determinante nesta produção ideológica, mas é certo também que não foi a mídia que inventou o nosso conservadorismo, nosso patrimonialismo, e nossa inclinação a sublimar conflitos que resultam em violência latente muito maior.

Por isto que eu não creio ser a mídia o palco da disputa ideológica por excelência, não nos moldes clássicos aqui propostos. Mas isto, é crença minha, e só!

O governo tem que lidar com a necessidade de satisfação de várias expectativas, sua necessidade de ser reconhecido como apto a continuar a gerir estas expectativas, e com outro fato incômodo: O governo é o governo da maioria, dos partidos vencedores, etc(nós), mas administra o Estado que é um ente de toda sociedade, aí incluídos nossos inimigos, as minorias políticas encasteladas nas corporações de mídia.

Eu não vejo no governo, no PT, nem aqui na blogosfera, nenhuma intenção e, ou capacidade de esticar a corda para um conflito aberto e seus prováveis efeitos.

Acredito que Dilma e Lula também, e especificamente no caso de Dilma (e por que não, de Lula também?)a vivência pessoal, literalmente física, da política(ela como sobrevivente da violência política da tortura, e ele como sobrevivente da violência econômica da fome, da exclusão, etc)há esta noção meio humanista de não espremer o adversário até um ponto que ele não tenha mais nada a perder…porque este é um ponto perigoso!

A mídia é o último pirulito da oposição que de tanto definhar, periga ficar devendo “votos” na próxima eleição. Tomamos este pirulito e fazemos o quê? Empurramos a “criança” para que ela deixe de chorar e passe a brincar com fogo e outras ideias incendiárias?

Eu não sei a resposta, mas tenho outra ingênua intuição de que Democracia(será esta outra mão invisível?)é proteger o direito do adversário mesmo que ele utilize tal premissa para te atacar, e quem sabe, mantê-lo à vista, na “luz do dia”, no campo aberto.

Não consigo deixar de me incomodar, mesmo que entenda que são conjunturas muito diferentes, que a tentativa de um governo com ampla base popular(Vargas) em operar a mídia “por dentro”, com Samuel Wainer, precipitou uma crise que matou o presidente, e de certo, precipitou ou acelerou aquilo que aconteceu em 64.

Não tenho dúvidas que todos os governos convergem para o centro, como ponto de equilíbrio(nem sempre efetivo)das forças em disputa, tentando funcionar como um cimento, uma costura do frágil tecido social.

Os governos que abdicaram desta vocação não terminaram bem, e não é só aqui, e nem sempre para impor conquistas das classes mais pobres. Kennedy é um exemplo.

Contextualizando esta assertiva em nossa História é impossível deixar de perceber que este governo brasileiro, e creio, nenhum outro no futuro próximo, será capaz de colocar o conflito na mesa, porque esta incapacidade de externar posições, expor diferenças, determinar regras nítidas para luta, equiparar as armas, é nossa, somos nós, em qualquer classe social, em qualquer partido, do Oiapoque ao Chuí, com tintas regionais, mas um fenômeno recorrente.

Encerro por aqui, e prometo que não publico mais comentários com este tamanho. Foi só um desabafo.

Grato a quem leu.

Responder

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    06 de dezembro de 2012 às 02h38

    Xacal,

    A “esquerda” tornou-se realmente surpreendentemente diversa. Lá no portal “Carta Maior” há pelo menos 7 artigos , entre matérias e opiniões, falando sobre a luta contra o monopólio da mídia em vários países da América Latina e também na votação de uma “Lei de Mídias” em curso na Inglaterra. Em todos os sites e blogs da esquerda não se fala em outra coisa: o nosso calcanhar de Aquiles é o monopólio dos meios de comunicação de massas por parte de 5 grandes famílias. Porém, eis que surge uma voz no seio da esquerda que reprova esse movimento de pressão sobre o governo Dilma que visa a levar esse governo a tomar as mesmas providências que foram adotadas pelos governos do Equador, da Venezuela, da Argentina, da Bolívia, da Nicarágua e , agora, também pelo Parlamento da Inglaterra ( nesse país europeu, o governo de viés neoliberal, se opõe à regulamentação, cuja iniciativa foi tomada pelo Parlamento na esteira dos escândalos de Rupert Murdoch).
    Bem, Xacal, é bonito ver alguém que se fez por si mesmo como você. Parece que nós dois seguimos caminhos inversos. Enquanto você nasceu em um berço humilde e depois conheceu o sucesso, podendo dar todo o conforto para a sua família, eu nasci em uma família de classe média e depois, deliberei volutariamente “descer” na escala social, pedindo demissão de um bom emprego, com aposentaria integral, estabilidade,plano de saúde até a morte, um clube social fantástico a preço de banana. Chutei o balde.Aluguei o meu apartamento modesto e fui viver em uma favela. O meu propósito : ficar longe da classe média e conviver com o povo, conhecê-lo melhor no lugar onde vive a sua vida e as suas dificuldades. Jamais voltei a ganhar o que ganhava ao me demitir.Nunca mais retornei a viver em meio à classe média. Não conseguiria dar a boa vida que você dá aos seus. Por isso, vivo sozinho. Minha renda é suficiente apenas para me manter . Meus livros, os adquiro a todos nos sebos ou nas ruas e feiras de livros nas praças do Rio de Janeiro. Adquiri recentemente a “Ideologia Alemã” dos “deterministas” ( segundo a sua opinião) Marx e Engels, em bom estado, por , pasmem!, 5 reais, comprada de um morador de rua em uma calçada. Talvez um desencantado com Marx que tenha finalmente descoberto ser o mesmo um farsante “determinista” tenha resolvido doá-lo ao morador de rua, convertido em vendedor de livros por pessoas que deliberaram colaborar para lhe conceder alguma dignidade. Minha navegação na Internet custa a fortuna de 29,90 reais, limitando-se a acessar a sites e blogs como esse. Não posso ouvir rádio , baixar vídeos, etc, por conta da baixíssima velocidade. Mas para mim me basta. Conseguindo ler em 3 línguas diferentes,além do português, sem entretanto falar nenhuma delas ( aprendi-as somente lendo-as sozinho) acho fantástico poder acessar os sites de esquerda em vários países diferentes. Meu plano de saúde é o SUS. Minha aposentadoria não será mais a integral, tal como se previa se eu permanecesse trabalhando onde trabalhava. É lógico que eu ainda posso mudar essa situação. Talvez pudesse retornar ao curso de Medicina abandonado há 20 anos , ainda há tempo de concluí-lo e fazer algo que me agradaria. Mas ,honestamente, tudo indica que continuarei a viver assim enquanto puder. Não quero nada desse governo para mim. Exijo tudo desse governo para o meu povo. Estava ainda agora comentando com um amigo de BH ao telefone ( operadora TIM, 25 centavos a ligação, condição inegociável em meu caso) sobre o fato de que a prefeita de Contagem do PT,a quem conheço desde 1990, cederá o seu lugar ao prefeito eleito ,do PCdoB, a quem também conheço desde 1990. Isso me fez e faz sentir um estranho orgulho alheio ( gente como o José Serra me faz sentir vergonha alheia). Mas , para resumir, levo uma vida infinitamente pior a que eu levava antes de Lula e o PT terem chegado ao governo. A minha renda atual equivale ao que eu gastaria para manter o meu carro por um mês ( considerando que não tivesse nenhum defeito mecânico grave).
    Fiz essa pequena apresentação só para marcar a minha posição social em relação a sua. Você é um vencedor! Eu sou o que me disse certa vez a minha ex-cunhada ao descobrir que eu joguei tudo o que tinha fora, ou seja, digamos aqui com as palavras dela , saindo de uma boca cheia de ódio e rancor ( vá entender!, afinal, ela era apenas uma ex-cunhada! ): “Você é um fracassado!”. Pois é ,eu sou um fracassado. Talvez, por isso, defenda a democratização dos meios de comunicação sociais. Aliás, você sequer leu essa parte. Já estou até vendo você selecionando em meu texto aquilo que serviria para me lançar a pecha, numa distorção total do que eu disse. Doravante, terei que me disfarçar para não ser reconhecido pelos policiais irados por tê-los considerados “tapados”, como você “honestamente” demonstrou.
    Mas regressemos ao que importa. Vamos procurar demarcar as nossas diferenças. Afinal eu também, como você, “e toda vez que enxergar que aliados nossos nesta luta fornecem a estes ( aos nossos inimigos) os argumentos para nos enfraquecer, creio que ultrapasso os limites do razoável”. E os seus argumentos, para mim, fortalecem os meus inimigos ( não estou convicto que estes sejam também os seus inimigos).
    Primeira diferença, para você é a sua ” história pessoal de sofrimento, que não interessa aqui detalhar, que serve de referência para entender boa parte que lhe cerca”. Para mim , a minha história pessoal pouco conta quando comparada com a história das lutas sociais , travadas há séculos por milhões de homens. O meu conhecimento empírico ,intuitivo , jamais poderá substituir o conhecimento social acumulado por esses movimentos ao longo de todos esses mais de dois séculos ( só para nos fixarmos no período em que o modo de produção capitalista inicia a sua afirmação como sistema dominante). Prossigamos.Você faze a referência a preocupação central no texto de Rodrigo, ou seja, “que nosso governo se desfigure tanto que em algum tempo não seja mais possível dizer a diferença, e eles, com o apoio da mídia, ganhem na guerra da informação”. Creio que posso aceitar como sendo precisamente essa a preocupação do texto. Em seguida , você faz referência a visões sobre essa realidade vertidas das academias. Pulemos essa parte já que, na prática, você também saltou ( parece que sua visão não é tão intuitiva assim e o auto-declarado “semi-analfabeto” vai se tornando cada vez mais ilustrado , num crescendo que gera ansiedade e expectativa de clímax) . Em seguida , você, a par de se recusar a comentar os pontos de vistas dos acadêmicos sobre o “novo” ( sem dúvida você é um cara bastante inteligente , Xacal) , revela que tem “uma intuição, uma noção empírica baseada (na sua) própria vivência”. O resumo de seu conhecimento empírico é que a “nova classe média” não se tornará conservadora porque seus elementos já eram conservadores antes de se tornarem classe média. E como é que sua visão empírica descreve “estas pessoas”?Para você, “estas pessoas trazem, via de regra: seus conceitos e preconceitos antigos, dos quais não abrem mão, pois são a sua identidade e foi com estes valores que “subiram”(trabalho duro, disciplina, capacidade de improviso, etc), a necessidade de pertencimento, ou de parecer ou de mimetizar aqueles que já estão lá, e disputar espaço com estes que ora os assimilam, ora os refutam, impondo a estes últimos que lá estavam novos hábitos dos emergentes”. Você está quase totalmente certo a esse respeito. Lembra a frase de Lênin que escrevi em meu primeiro comentário? ” A ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. A ideologia em que estamos mergulhados até o pescoço é a ideologia da burguesia. Nela, são precisamente esses os valores que você arrola, a tal concepção do homem que se fez por si mesmo . Nada mais neopentecostal do que isso ( por incrível que possa parecer, `às vezes me disponho a ficar assistindo horas a fio programas neopentecostais na TV). Para serem valores caros aos neopentecostais, faltou apenas acrescentar “com a benção de Deus”. Disse que você está quase totalmente certo. O primeiro erro, é acreditar que tais valores são inerentes a essa classe. Não o são. Todos eles foram cuidadosamente inculcados nas pessoas desde o berço pelos instrumentos de dominação e reprodução ideológica das classes dominantes ( escrevi isso também em meu primeiro comentário). O segundo erro, é acreditar que essas pessoas “não abrem mão” desses valores”. Essa é uma visão metafísica. Não é preciso ir muito longe para conhecer pessoas que abriram mão desses valores. Muitas delas leem esse blog ( talvez a maioria dos leitores tenha conhecido essa mudança interior.E é precisamente isso que nos faz acreditar que podemos transformar o mundo. Nós mesmos fomos um dia transformados. Os homens não correm apenas o risco de serem evangelizados, como creem os cristãos, eles também correm o risco de deixarem de ter uma visão individualista para passarem a assumir uma concepção solidária, coletivista. Mas esse processo não se dará espontaneamente. Por essa via , sem disputa ideológica dos corações e mentes, a ideologia dominante continuará sendo a ideologia da classe dominante que os meios de comunicação de massa divulgam e reforçam todos os dias. No programa da Ana Maria Braga, passando pelo jornal Hoje, Novelas, JN e até mesmo na Fórmula 1. Prossigamos.
    Quem disse para você, Xacal, que a esquerda não se ocupou de conhecer essa ideologia? Não há nenhum mistério nisso para nós, Xacal. Como disse, estudos desses setores desde o século XIX até os nossos dias confirmam que essa ideologia não surgiu espontaneamente no seio desse grupo social. Ela é imposta como uma forma , a mais sutil e demolidora de todas, de dominação da sociedade inteira pela burguesia que lhe impõe os seus valores, que se legitima em cada trabalhador que sonha em um dia “ter o seu próprio negócio”, deixando , assim, de ter patrão.
    O que que a esquerda era , segundo a sua avaliação (empírica?) , no passado? Para você, “nós éramos ( na verdade , o sentido correto seria ” pensávamos que éramos”) a luz, a vanguarda que guiaríamos o povo pelas estepes da revolução “( tenho que reconhecer que você é um “semianalfabeto” que fala bonito) . “Pelo jeito não abandonamos este cacoete. E pior, nos descobrimos (alguns ainda não) os guardiães de uma moral improvável, de valores de pureza ideológica que não resistem a 40 minutos de engarrafamento”. Aqui eu faço uma pausa para indagar. Vem cá! Essa visão pessimista do homem, essa concepção de que o homem não pode ser transformado, não pode deixar de ser um individualista incorrigível, me diga quando foi que essa visão ultra- conservadora, quase reacionária, foi incorporada pela “esquerda”? Me diga também aonde é que essa “esquerda” se referencia organicamente? Mas prossigamos. Pularei o que você diz sobre o “nosso pavor”, o “moralismo primário” e o “moralismo orgânico”. Na verdade, a nossa preocupação é que a burguesia vença a luta ideológica que trava contra nós. Mas parece que não há nenhum futuro para nós, não é mesmo , Xacal, afinal, “todos já estão mergulhadas neste conservadorismo atávico, e que se revela, não raro de forma hipócrita e violenta para onde quer que olhemos”. O que é pior, Xacal, é que você constata com bastante argúcia um fato verdadeiro que é o seguinte : ” as aspirações patrimonialistas históricas de classe média e elites” ” permeiam as relações públicas” e este “fisiologismo e clientelismo” também contamina “os mais pobres”. Mais uma vez , lembro ” a ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. O seu problema é que para você isso será eterno! Você desconhece a produção de outra ideologia subjacente a esta ideologia dominante. Você não consegue reconhecer que , a par do individualismo pequeno-burguês, os homens, a depender sobretudo das posições sociais que ocupam, desenvolvem formas solidárias de relacionamento. Estas representam germes de uma nova ideologia que necessitamos irrigar, estimular ,com todas as nossas forças. Mas para isso, precisamos contar com instrumentos adequados para travarmos a luta ideológica.
    Lógico que não se pode responsabilizar o governo por incluir novos grandes contingentes no mercado de consumo. Porém , essa inclusão precisa conhecer um limite. O consumismo irresponsável fomentado pela mídia burguesa precisa ceder lutar a um consumismo responsável. Essa consciência de um novo relacionamento com um planeta que possui recursos limitados, que não comportarão a sua exploração nos atuais níveis por muitos anos, só poderá ser alcançada através da educação ( reeducação) ideológica do povo). Para tanto , precisamos tomar o monopólio dos meios de comunicação de massas das mãos das elites.
    O Estado ampliado, o que inclui o monopólio dos meios de comunicação, é o principal reprodutor da ideologia burguesa, Xacal, mas como dizer isso a você se os milhares de estudos sobre as formas de reprodução da ideologia são solenemente ignorados pelo seu método de conhecer o mundo (palavras suas, lembra-se? O seu texto é fruto de seu conhecimento empírico)? E , em seguida, faço minhas as suas palavras escritas com absoluta honestidade, ou seja, conclusão: ” Por isto (você) não crer ser a mídia o palco da disputa ideológica por excelência, não nos moldes clássicos aqui propostos. Mas isto, é crença (sua), e só!”
    Prosseguindo: ” O governo é o governo da maioria, dos partidos vencedores, etc(nós), mas administra o Estado que é um ente de toda sociedade, aí incluídos nossos inimigos, as minorias políticas encasteladas nas corporações de mídia”. Bem esse é outro ponto de divergência, mas acredito que posso fingir total concordância sem prejuízo do contraditório.Só para dar um pequeno pitaco nessa divergência,para nós , marxistas ( com uma pequena retificação de Gramsci ) o governo pode até ser do PT, mas o Estado continua pertencendo, em suas linhas gerais, às classes dominantes.Ninguém jamais viu a PM reprimindo uma manifestação da burguesia. O BC transfere, através dos títulos da dívida, recursos da maioria do povo para as mãos do capital financeiro.Os recursos do Orçamento destinado ao pagamento da dívida pública são superiores aos aportados na saúde e educação.Por aí se vai. Mas pulemos essa parte, porém, lembrando antes que os agentes das elites estão encastelados também em posições estratégicas dentro do Estado. O sistema jurídico , bem como as forças armadas e as policias, um dos pontos delicados dessa dominação por parte das elites.
    Em seguida, você avança com uma estranha ideia sobre democracia. A ideia é correta e cara a teoria liberal sobre o Estado de Direito Democrático ( que como disse, é algo que aceito como um pacto , porém que não confio que não possa ser quebrado). O estranhamento é que você inverte a relação de poder na sociedade, transformando a oposição em minoria. Xacal, a oposição só está sendo minoritária no governo. Na sociedade, ela controla não apenas a mídia , mas o capital financeiro e os principais meios de produção. Tem grande facilidade de relacionamento com o agronegócio, que apenas por enquanto concede apoio ao governo petista, em detrimento de reformas como a agrária.Tem igualmente notória vinculação com o capital transnacional estadunidense e europeu, que se preocupa com o avanço de nossas relações com a China. Minoria? Até quando, se esse governo continuar por não se diferenciar destes setores, definindo quais são os aliados estratégicos dos trabalhadores?
    Os governos Vargas e de Jango, se foram populares, jamais se assentaram nos movimentos populares. Foi o fato de serem governos populistas, sem apoio expressivo em movimentos organizados que possibilitou o golpe de 64. Isso nada teve a ver com a tentativa de enfrentar o monopólio midiático, a não ser por poder ter sido essa tentativa uma iniciativa tardia.
    Para concluir, me abstenho de comentar a sua conclusão, reconhecendo apenas que ela é coerente com o seu texto.

    xacal

    06 de dezembro de 2012 às 15h42

    Darcy(agora sim, voltou a ter letras maiúsculas, afinal, se refez do momento “birra de criança”),

    Vou ter que fazer igual ao pessoal do STF, fatiar seu comentário. Um tipo de autópsia, ou melhor, esquarteja, porque seu comentário não está morto(ainda),mas também porque, dentre outras coisas, a caixa de resposta fica distante, então vamos:

    “A “esquerda” tornou-se realmente surpreendentemente diversa.(…)

    Darcy, “esquerda” entre aspas é para dar uma conotação de “verdadeira esquerda”(você) e falsa esquerda(todos os outros que de ti discordam)?

    “(…)
    Lá no portal “Carta Maior” há pelo menos 7 artigos , entre matérias e opiniões, falando sobre a luta contra o monopólio da mídia em vários países da América Latina e também na votação de uma “Lei de Mídias” em curso na Inglaterra. Em todos os sites e blogs da esquerda não se fala em outra coisa: o nosso calcanhar de Aquiles é o monopólio dos meios de comunicação de massas por parte de 5 grandes famílias. Porém, eis que surge uma voz no seio da esquerda que reprova esse movimento de pressão sobre o governo Dilma que visa a levar esse governo a tomar as mesmas providências que foram adotadas pelos governos do Equador, da Venezuela, da Argentina, da Bolívia, da Nicarágua e , agora, também pelo Parlamento da Inglaterra ( nesse país europeu, o governo de viés neoliberal, se opõe à regulamentação, cuja iniciativa foi tomada pelo Parlamento na esteira dos escândalos de Rupert Murdoch).
    (…)”

    Darcy, a manipulação é para quem tem talento. Você como um cara teoricamente resolvido não precisa disto. Deixe este vício para prestidigitadores como eu, repito, de pouquíssima leitura.
    Seu questionamento sobre isto(minha pouca leitura)se reveste de mais e mais preconceito:
    Assim como polícia é um lugar onde raramente haverá alguém de esquerda, muito menos com alguma argumentação.
    O que dirá se esta argumentação for auto-didata e meramente intuitiva…?

    Então, eu compreendo sua dúvida. Mas saiba, não faço isto para me gabar. Na verdade é quase um mea culpa(talvez culpa burguesa) de não ter me “dado” a chance de estudar, pois estava ocupado em sobreviver.
    Darcy, eu não disse, em momento algum que o “controle” da mídia, ou o ataque aos monopólios corporativos deste setor é menos importante.

    Eu disse, e vou repetir, é que o discurso do Rodrigo(e do Kostcho)colocados da forma como foram, embasados pelo mesma vertente moralóide dos seus patrões, e mais, com a indignidade de que pessoas do calibre deles poderiam intervir de dentro para fora, e não arrombando a porta, parece muito mais uma disposição de encurralar o governo para impor visões de mundo que um debate sincero pela quebra do poder das corporações, das quais, não à toa, eles façam parte!

    Então, muito me estranha que meu jeito de pensar seja considerado uma “alta traição aos valores da esquerda”, enquanto os jornalistas sejam incensados por você como heróis da resistência midiática.

    Também disse e repito, porque acredito nisto, que hoje, dentro do governo a questão mídia seja uma preocupação, mas não é a preocupação central, ou melhor, a preocupação do governo não se expressa como eles querem. Talvez aí esteja o motivo do esperneio dos jornalistas. A Dilma tem o mandato para decidir, o PT tem a ação política para escolher, e eles não! Não como integrantes de corporações de mídia. Não misturando sua “persona publicae”, emprestada da relevância conferida pela mídia burguesa para influir pessoalmente no campo do governo e do PT.

    “(…)
    Bem, Xacal, é bonito ver alguém que se fez por si mesmo como você. Parece que nós dois seguimos caminhos inversos. Enquanto você nasceu em um berço humilde e depois conheceu o sucesso, podendo dar todo o conforto para a sua família, eu nasci em uma família de classe média e depois, deliberei volutariamente “descer” na escala social, pedindo demissão de um bom emprego, com aposentaria integral, estabilidade,plano de saúde até a morte, um clube social fantástico a preço de banana. Chutei o balde.Aluguei o meu apartamento modesto e fui viver em uma favela. O meu propósito : ficar longe da classe média e conviver com o povo, conhecê-lo melhor no lugar onde vive a sua vida e as suas dificuldades. Jamais voltei a ganhar o que ganhava ao me demitir.Nunca mais retornei a viver em meio à classe média. Não conseguiria dar a boa vida que você dá aos seus. Por isso, vivo sozinho. Minha renda é suficiente apenas para me manter . Meus livros, os adquiro a todos nos sebos ou nas ruas e feiras de livros nas praças do Rio de Janeiro. Adquiri recentemente a “Ideologia Alemã” dos “deterministas” ( segundo a sua opinião) Marx e Engels, em bom estado, por , pasmem!, 5 reais, comprada de um morador de rua em uma calçada. Talvez um desencantado com Marx que tenha finalmente descoberto ser o mesmo um farsante “determinista” tenha resolvido doá-lo ao morador de rua, convertido em vendedor de livros por pessoas que deliberaram colaborar para lhe conceder alguma dignidade. Minha navegação na Internet custa a fortuna de 29,90 reais, limitando-se a acessar a sites e blogs como esse. Não posso ouvir rádio , baixar vídeos, etc, por conta da baixíssima velocidade. Mas para mim me basta. Conseguindo ler em 3 línguas diferentes,além do português, sem entretanto falar nenhuma delas ( aprendi-as somente lendo-as sozinho) acho fantástico poder acessar os sites de esquerda em vários países diferentes. Meu plano de saúde é o SUS. Minha aposentadoria não será mais a integral, tal como se previa se eu permanecesse trabalhando onde trabalhava. É lógico que eu ainda posso mudar essa situação. Talvez pudesse retornar ao curso de Medicina abandonado há 20 anos , ainda há tempo de concluí-lo e fazer algo que me agradaria. Mas ,honestamente, tudo indica que continuarei a viver assim enquanto puder. Não quero nada desse governo para mim. Exijo tudo desse governo para o meu povo. Estava ainda agora comentando com um amigo de BH ao telefone ( operadora TIM, 25 centavos a ligação, condição inegociável em meu caso) sobre o fato de que a prefeita de Contagem do PT,a quem conheço desde 1990, cederá o seu lugar ao prefeito eleito ,do PCdoB, a quem também conheço desde 1990. Isso me fez e faz sentir um estranho orgulho alheio ( gente como o José Serra me faz sentir vergonha alheia). Mas , para resumir, levo uma vida infinitamente pior a que eu levava antes de Lula e o PT terem chegado ao governo. A minha renda atual equivale ao que eu gastaria para manter o meu carro por um mês ( considerando que não tivesse nenhum defeito mecânico grave).
    (…)”

    Bom que o futuro da “revolução” esteja marcado no estoicismo quase religioso.

    Respeito sua opção, mas não acredito que no contexto político esta opção mereça hierarquia em relação a qualquer trabalhador que, à duras penas, e não por escolha, vai construindo pouco a pouco seu conteúdo teórico e sua práxis, com todas as contradições que a dialética traz.

    Como disse, respeito sua opção, mas não vejo muito praticidade em pretender ser quem eu não sou, ou seja, o que me traz aqui é o que eu vivi. Não dá para “brincar” de pobreza apenas para construir uma aura de superioridade e dedicação “a causa”.

    Desculpe, mas isto é mais caso de psicanálise(rs, esta modalidade burguesa de tratamento)que compromisso como que quer que seja.

    Os processos históricos são feitos por gente comum, em atos ordinários do dia a dia.
    Enfim, só quer “brincar” de pobre quem já nasceu com algum.

    “(…)
    Fiz essa pequena apresentação só para marcar a minha posição social em relação a sua. Você é um vencedor! Eu sou o que me disse certa vez a minha ex-cunhada ao descobrir que eu joguei tudo o que tinha fora, ou seja, digamos aqui com as palavras dela , saindo de uma boca cheia de ódio e rancor ( vá entender!, afinal, ela era apenas uma ex-cunhada! ): “Você é um fracassado!”. Pois é ,eu sou um fracassado. Talvez, por isso, defenda a democratização dos meios de comunicação sociais. Aliás, você sequer leu essa parte. Já estou até vendo você selecionando em meu texto aquilo que serviria para me lançar a pecha, numa distorção total do que eu disse. Doravante, terei que me disfarçar para não ser reconhecido pelos policiais irados por tê-los considerados “tapados”, como você “honestamente” demonstrou.
    (…)

    Darcy,
    Novamente aqui você coloca seus recalques como premissa para sua análise teórica.
    Não meu amigo, não sou vencedor, e nem divido o mundo em vencedores e perdedores, mas em interesses, uns mais outros menos legítimos. O grande desafio da Humanidade é determinar o que é legítimo, e tornar estes interesses cada vez mais prevalentes sobre os interesses menos ou ilegítimos.

    (…)
    “Mas regressemos ao que importa. Vamos procurar demarcar as nossas diferenças. Afinal eu também, como você, “e toda vez que enxergar que aliados nossos nesta luta fornecem a estes ( aos nossos inimigos) os argumentos para nos enfraquecer, creio que ultrapasso os limites do razoável”. E os seus argumentos, para mim, fortalecem os meus inimigos ( não estou convicto que estes sejam também os seus inimigos).
    Primeira diferença, para você é a sua ” história pessoal de sofrimento, que não interessa aqui detalhar, que serve de referência para entender boa parte que lhe cerca”. Para mim , a minha história pessoal pouco conta quando comparada com a história das lutas sociais , travadas há séculos por milhões de homens. O meu conhecimento empírico ,intuitivo , jamais poderá substituir o conhecimento social acumulado por esses movimentos ao longo de todos esses mais de dois séculos ( só para nos fixarmos no período em que o modo de produção capitalista inicia a sua afirmação como sistema dominante).

    (…)

    Darcy, meu filho, novamente você coloca, como Cecília Meirelles: ou isto ou aquilo, eu digo, isto E aquilo. Meu conhecimento pessoal não substitui a experiência coletiva da humanidade. Ela se soma a ela, como um conjunto de zilhões de experiências pessoais, devotadas a lutar pelo bem coletivo, mas rejeitando que o coletivo esmague este filtro que eu tenho para me relacionar com o coletivo, que justamente sou eu: pessoa.

    (…)
    Prossigamos.Você faze a referência a preocupação central no texto de Rodrigo, ou seja, “que nosso governo se desfigure tanto que em algum tempo não seja mais possível dizer a diferença, e eles, com o apoio da mídia, ganhem na guerra da informação”. Creio que posso aceitar como sendo precisamente essa a preocupação do texto. Em seguida , você faz referência a visões sobre essa realidade vertidas das academias. Pulemos essa parte já que, na prática, você também saltou ( parece que sua visão não é tão intuitiva assim e o auto-declarado “semi-analfabeto” vai se tornando cada vez mais ilustrado , num crescendo que gera ansiedade e expectativa de clímax) . Em seguida , você, a par de se recusar a comentar os pontos de vistas dos acadêmicos sobre o “novo” ( sem dúvida você é um cara bastante inteligente , Xacal) , revela que tem “uma intuição, uma noção empírica baseada (na sua) própria vivência”. O resumo de seu conhecimento empírico é que a “nova classe média” não se tornará conservadora porque seus elementos já eram conservadores antes de se tornarem classe média. E como é que sua visão empírica descreve “estas pessoas”?Para você, “estas pessoas trazem, via de regra: seus conceitos e preconceitos antigos, dos quais não abrem mão, pois são a sua identidade e foi com estes valores que “subiram”(trabalho duro, disciplina, capacidade de improviso, etc), a necessidade de pertencimento, ou de parecer ou de mimetizar aqueles que já estão lá, e disputar espaço com estes que ora os assimilam, ora os refutam, impondo a estes últimos que lá estavam novos hábitos dos emergentes”. Você está quase totalmente certo a esse respeito. Lembra a frase de Lênin que escrevi em meu primeiro comentário? ” A ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. A ideologia em que estamos mergulhados até o pescoço é a ideologia da burguesia. Nela, são precisamente esses os valores que você arrola, a tal concepção do homem que se fez por si mesmo . Nada mais neopentecostal do que isso ( por incrível que possa parecer, `às vezes me disponho a ficar assistindo horas a fio programas neopentecostais na TV). Para serem valores caros aos neopentecostais, faltou apenas acrescentar “com a benção de Deus”. Disse que você está quase totalmente certo. O primeiro erro, é acreditar que tais valores são inerentes a essa classe. Não o são. Todos eles foram cuidadosamente inculcados nas pessoas desde o berço pelos instrumentos de dominação e reprodução ideológica das classes dominantes ( escrevi isso também em meu primeiro comentário). O segundo erro, é acreditar que essas pessoas “não abrem mão” desses valores”. Essa é uma visão metafísica. Não é preciso ir muito longe para conhecer pessoas que abriram mão desses valores. Muitas delas leem esse blog ( talvez a maioria dos leitores tenha conhecido essa mudança interior.E é precisamente isso que nos faz acreditar que podemos transformar o mundo. Nós mesmos fomos um dia transformados. Os homens não correm apenas o risco de serem evangelizados, como creem os cristãos, eles também correm o risco de deixarem de ter uma visão individualista para passarem a assumir uma concepção solidária, coletivista. Mas esse processo não se dará espontaneamente. Por essa via , sem disputa ideológica dos corações e mentes, a ideologia dominante continuará sendo a ideologia da classe dominante que os meios de comunicação de massa divulgam e reforçam todos os dias. No programa da Ana Maria Braga, passando pelo jornal Hoje, Novelas, JN e até mesmo na Fórmula 1. Prossigamos.
    Quem disse para você, Xacal, que a esquerda não se ocupou de conhecer essa ideologia? Não há nenhum mistério nisso para nós, Xacal. Como disse, estudos desses setores desde o século XIX até os nossos dias confirmam que essa ideologia não surgiu espontaneamente no seio desse grupo social. Ela é imposta como uma forma , a mais sutil e demolidora de todas, de dominação da sociedade inteira pela burguesia que lhe impõe os seus valores, que se legitima em cada trabalhador que sonha em um dia “ter o seu próprio negócio”, deixando , assim, de ter patrão.
    O que que a esquerda era , segundo a sua avaliação (empírica?) , no passado? Para você, “nós éramos ( na verdade , o sentido correto seria ” pensávamos que éramos”) a luz, a vanguarda que guiaríamos o povo pelas estepes da revolução “( tenho que reconhecer que você é um “semianalfabeto” que fala bonito) . “Pelo jeito não abandonamos este cacoete. E pior, nos descobrimos (alguns ainda não) os guardiães de uma moral improvável, de valores de pureza ideológica que não resistem a 40 minutos de engarrafamento”. Aqui eu faço uma pausa para indagar. Vem cá! Essa visão pessimista do homem, essa concepção de que o homem não pode ser transformado, não pode deixar de ser um individualista incorrigível, me diga quando foi que essa visão ultra- conservadora, quase reacionária, foi incorporada pela “esquerda”? Me diga também aonde é que essa “esquerda” se referencia organicamente? Mas prossigamos. Pularei o que você diz sobre o “nosso pavor”, o “moralismo primário” e o “moralismo orgânico”. Na verdade, a nossa preocupação é que a burguesia vença a luta ideológica que trava contra nós. Mas parece que não há nenhum futuro para nós, não é mesmo , Xacal, afinal, “todos já estão mergulhadas neste conservadorismo atávico, e que se revela, não raro de forma hipócrita e violenta para onde quer que olhemos”. O que é pior, Xacal, é que você constata com bastante argúcia um fato verdadeiro que é o seguinte : ” as aspirações patrimonialistas históricas de classe média e elites” ” permeiam as relações públicas” e este “fisiologismo e clientelismo” também contamina “os mais pobres”. Mais uma vez , lembro ” a ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. O seu problema é que para você isso será eterno! Você desconhece a produção de outra ideologia subjacente a esta ideologia dominante. Você não consegue reconhecer que , a par do individualismo pequeno-burguês, os homens, a depender sobretudo das posições sociais que ocupam, desenvolvem formas solidárias de relacionamento. Estas representam germes de uma nova ideologia que necessitamos irrigar, estimular ,com todas as nossas forças. Mas para isso, precisamos contar com instrumentos adequados para travarmos a luta ideológica.
    (…)

    Darcy,
    Eu poderia dizer, correndo o risco de ser deselegante, que a sua proposta se baseia no conceito de que é possível, pelo que foi produzido teoricamente, construir uma base de solidariedade e coletividade que transforme o homem submetido a ideologia burguesa em um “novo homem”.
    Meu amigo, a História nos mostra que este “novo homem” é fruto da mais brutal imposição autoritária, que varreu culturas, matou milhões e cerceou o mais leve traço de dissenso, fazendo a noção que você tem sobre polícia burguesa quase um elogio a nós policiais.
    Sobre isto Marx e Engels não deram conta, e não é por culpa deles.
    Neste capítulo sobre Marx e Engels, você desce para a vala comum, o que me entristece.
    Compreendo e admiro sua devoção ao método científico criado por eles, ou seja, seu sistema filosófico, a economia e economia política, e os rudimentos de ciência política. Eu não aceito, e nem Marx nem Engels é a ideologização de métodos analíticos da realidade, engessados como manuais de tática e práxis partidária.
    Esta é a morte de Marx, justamente pelos que mais o admiram.
    Mais uma vez, a manipulação não é ferramenta útil para pessoas como você. Soa grosseiro.
    A nova esquerda, velha esquerda, a esquerda-esquerda, a esquerda-direita, pouco importa. Eu não preciso(e nem quero)discutir antes o nome do movimento que a História faz, eu quero é fazer parte deste movimento e transformar dentro do possível e mais: dentro do consenso ou como resultado do conflito das forças que estão em movimento comigo.

    Onde a nova esquerda se situa organicamente? Na necessidade imperiosa de construir novas bases teóricas para que os legítimos de esquerda fracassaram em todos os níveis: Na cultura, porque a dizimaram ou aprisionaram. Na liberdade, porque sufocaram em nome dela. No bem estar, porque não conseguiram substituir as expectativas e criar perspectivas de futuro. E principalmente: Porque perderam toda a confiança que a classe trabalhadora depositou neles, e foram mais elitistas e truculentos que a pior das burguesias.
    Não têm voto, não têm qualquer possibilidade de estabelecer um diálogo honesto, respeitando as diferenças, talvez por isto você tenha ido brincar de pobres, para quem sabe, fingir que é um deles.

    “(…)
    Lógico que não se pode responsabilizar o governo por incluir novos grandes contingentes no mercado de consumo. Porém , essa inclusão precisa conhecer um limite.
    (…)”

    Darcy, eu tenho que perguntar: Limite? Quem tem legitimidade para dar “este limite”? O conselho teórico da liga da justiça para revolução proletária?
    Bom, eu creio, afastando a ironia que este limite só pode ser dado dentro do debate com estas pessoas que se quer limitar(o que é difícil, mas não impossível), e pior, dentro das regras e sistemas ideológicos que, justamente, promovem o consumo ilimitado!

    Você dirá: Bingo! Por isto precisamos do controle da mídia.

    Bobagem, digo eu, na ex-URSS e outros países, onde o controle da mídia era do “povo”, o apelo de consumo e a vontade de deixar para trás todos os valores da revolução(saúde, educação, segurança, emprego, igualitarismo, etc)para satisfazer este apelo fizeram, junto com a resposta ao autoritarismo e as contradições daquele sistema, a sua derrocada.
    E aí, como explicar o desejo humano pelo consumo mesmo naqueles países cujas gerações já haviam sido “livradas” do apelo consumista da mídia burguesa?
    Eu não tenho a resposta, e você também não, mas você acredita que tem. Esta é a nossa diferença. Eu não creio, como você disse, no fatalismo capitalista, no “fim da História”, que o homem está condenado. Eu só não creio que as soluções estejam naquilo que você acredita. Simples.

    “(…)
    O consumismo irresponsável fomentado pela mídia burguesa precisa ceder lutar a um consumismo responsável.(…)”

    Darcy, aqui eu não resisto a brincadeira: Sua noção de “consumismo responsável é em si um paradoxo engraçado. Não há consumismo responsável(ismo é sufixo de exagero ou patologia), sequer consumo responsável.

    Romântica sua visão que faz a alegria dos marqueteiros que colam selos de responsabilidade social, crédito com responsabilidade(o Itaú adora esta), ambientalmente correto. Engraçado ver um marxista-leninista comprando estes slogans ambientais.

    “(…)
    Essa consciência de um novo relacionamento com um planeta que possui recursos limitados, que não comportarão a sua exploração nos atuais níveis por muitos anos, só poderá ser alcançada através da educação ( reeducação) ideológica do povo). Para tanto , precisamos tomar o monopólio dos meios de comunicação de massas das mãos das elites.
    (…)

    Darcy: reeducação ideológica? Como? Nos moldes de Goebbels, Stálin ou Mao, misturados com ambientalismo: Uau, chama a marina Silva que ela ganhou um coordenador de campanha?

    “(…)
    O Estado ampliado, o que inclui o monopólio dos meios de comunicação, é o principal reprodutor da ideologia burguesa, Xacal, mas como dizer isso a você se os milhares de estudos sobre as formas de reprodução da ideologia são solenemente ignorados pelo seu método de conhecer o mundo (palavras suas, lembra-se? O seu texto é fruto de seu conhecimento empírico)? E , em seguida, faço minhas as suas palavras escritas com absoluta honestidade, ou seja, conclusão: ” Por isto (você) não crer ser a mídia o palco da disputa ideológica por excelência, não nos moldes clássicos aqui propostos. Mas isto, é crença (sua), e só!”
    (…)”

    Darcy, quanta deselegância. Outra vez a manipulação. Eu não reduzi e desprezei TODOS os estudos sobre reprodução da ideologia para privilegiar o meu conhecimento empírico. Eu disse que, na ausência de arcabouço teórico apriorístico, me valho do que tenho. Se você despreza este método, paciência, mas eu não tenho como rivalizar como você porque não tenho outro. E talvez, também, boa parte dos que você pretende salvar e reeducar não tenha. Aí o perigo que vocês representam. Como não entendemos, vocês impõem, como já tentaram. É aqui que o Millenium pega vocês pelo pé, e pior, usa ESTE ARGUMENTO CONTRA O GOVERNO E O CONTROLE DA MÍDIA!!!!

    “(…)
    Prosseguindo: ” O governo é o governo da maioria, dos partidos vencedores, etc(nós), mas administra o Estado que é um ente de toda sociedade, aí incluídos nossos inimigos, as minorias políticas encasteladas nas corporações de mídia”. Bem esse é outro ponto de divergência, mas acredito que posso fingir total concordância sem prejuízo do contraditório.Só para dar um pequeno pitaco nessa divergência,para nós , marxistas ( com uma pequena retificação de Gramsci ) o governo pode até ser do PT, mas o Estado continua pertencendo, em suas linhas gerais, às classes dominantes.
    (…)”

    Bom, eu costumo utilizar outro método empírico, eliminar as hipóteses para ver o que me sobra: Ora, se tudo é tão claro e cartesiano, se o poder, de fato não é nosso, e só gerenciamos o Estado burguês(e parece que com mais competência que eles), como imaginar que haja tanta gritaria para nos destituir pela mídia e pelo judiciário(o que sobrou para eles)o mandato popular?
    Se estamos tão mal assim, por que se incomodam tanto conosco.
    Eu tenho um palpite ingênuo, mas um palpite: É que, talvez, este governo, esta mistura improvável, com todos os seus defeitos, esteja ganhando a “tal luta” ideológica sem precisar substituir os burgueses onde ele se julgam melhores, e pelo jeito, você também: Se a máquina burguesa de comunicar serve para induzir a massa ignara refutar governos progressistas, e esta massa continua a votar neste governo mais e mais, alguma coisa está fora da ordem na sua lógica e na do Rodrigo.
    Como eu não acredito como você e o Rodrigo que tenhamos nos tornado mais parecidos com o tucanos para ganhar eleições, e acredito da sabedoria (e na burrice)popular e não a desprezo, porque faço parte dela, genuinamente, e não para “brincar de pobre”, creio que estamos ganhando também a guerra da comunicação, e mais, sem que déssemos os argumentos necessários a eles: que somos autoritários.

    “(…)
    Ninguém jamais viu a PM reprimindo uma manifestação da burguesia. O BC transfere, através dos títulos da dívida, recursos da maioria do povo para as mãos do capital financeiro.Os recursos do Orçamento destinado ao pagamento da dívida pública são superiores aos aportados na saúde e educação.Por aí se vai. Mas pulemos essa parte, porém, lembrando antes que os agentes das elites estão encastelados também em posições estratégicas dentro do Estado. O sistema jurídico , bem como as forças armadas e as policias, um dos pontos delicados dessa dominação por parte das elites.
    (…)”

    Darcy,
    Pode não parecer, mas eu conheço e reconheço o domínio do Estado pela classe dominante. Nossa discussão não é sobre isto, nosso debate é se a mídia ou o controle da mídia, não, não, se este controle é o centro da ação tática do governo neste momento.
    É isto. Nada mais.

    “(…)
    Em seguida, você avança com uma estranha ideia sobre democracia. A ideia é correta e cara a teoria liberal sobre o Estado de Direito Democrático ( que como disse, é algo que aceito como um pacto , porém que não confio que não possa ser quebrado). O estranhamento é que você inverte a relação de poder na sociedade, transformando a oposição em minoria. Xacal, a oposição só está sendo minoritária no governo. Na sociedade, ela controla não apenas a mídia , mas o capital financeiro e os principais meios de produção. Tem grande facilidade de relacionamento com o agronegócio, que apenas por enquanto concede apoio ao governo petista, em detrimento de reformas como a agrária.Tem igualmente notória vinculação com o capital transnacional estadunidense e europeu, que se preocupa com o avanço de nossas relações com a China. Minoria? Até quando, se esse governo continuar por não se diferenciar destes setores, definindo quais são os aliados estratégicos dos trabalhadores?
    (…)”

    Darcy, eu não creio que o poder econômico determine o controle do poder político a todo tempo. Este esquema de infraestrutura e superestrutura não pode ser assim ser levado a ferro e fogo. Nem em 1917, muito menos em 2012.
    Os movimentos de ataque que os governos do PT têm sofrido são para mim a declaração de que o poder econômico não quer que o rumo siga por onde temos traçado.
    Caso contrário, salvo pela questão de classe de Lula(o ódio de classe), se somos assim tão parecidos e dóceis, por que não deixar a Dilma em paz, logo ela, mesmo que com fama de guerrilheira, uma super técnica, gerentona, filha da classe média, branca, e até com sobrenome estrangeiro?
    Se tudo fosse como você e o Rodrigo dizem, por que tanto barulho. Era só fazer o acordão, ou pacto social, domar as contradições e ressaltos e seguir para o centro.

    “(…)
    Os governos Vargas e de Jango, se foram populares, jamais se assentaram nos movimentos populares. Foi o fato de serem governos populistas, sem apoio expressivo em movimentos organizados que possibilitou o golpe de 64. Isso nada teve a ver com a tentativa de enfrentar o monopólio midiático, a não ser por poder ter sido essa tentativa uma iniciativa tardia.
    Para concluir, me abstenho de comentar a sua conclusão, reconhecendo apenas que ela é coerente com o seu texto.”

    Darcy,

    Primeiro é preciso que você reconheça o contexto totalmente distinto de 1930/1945, 1950/54 até 1961/1964 e os dias de hoje. As relações capital X trabalho, campo X cidade, guerra fria, militares, os próprios movimentos populares, em boa parte nascidos da costela do “pai dos pobres”, e a própria mídia, onde a questão tecnológica neste caso(a internet)faz uma brutal diferença para que criemos parâmetros analíticos.

    Vargas controlou quase TODA a mídia com o Estado Novo, e depois, em tempos democráticos, tentou rivalizar com ela.

    De todo jeito, nosso debate, como já disse, está centrado na oportunidade e necessidade(urgência)deste enfrentamento tomando como premissa que se não for feito, o governo, Dilma, Lula e o PT serão abduzidos pela nave demotucanopata para serem devolvidos ao povo como autômatos clones neoliberais.

    Que bom que você desistiu de abandonar o debate. Mas de quando em vez é bom fazer um “charme”…

Julio Silveira

05 de dezembro de 2012 às 10h19

Excelente visão. Porém o PT que não se engane, ele não tem aliados sinceros dentro da maioria do espectro politico de suas alianças de hoje. A grande parte de seus aliados estão lá por puro oportunismo e não terão qualquer pudor em lhes dar as costas, e até lhes afundar, pelo Aécio, ou qualquer outro, com que possuam uma identificação ideologica mais estreita.
O pior é perceber que o PT vem ganhando as eleições desde o presidente Lula, mas parecem entender que até agora essas vitorias são atribuidas mais a sorte, ou a um bom marqueting, que a ideologia. Aparentam, não sei por que forças, desconsiderar a fato de que cresceram num nicho em que grande parte de cidadãos não encontravam coerência, ou seja nas chamadas esquerdas tradicionais. Que tinham, e ainda tem, de tudo, de pedantes patrimonialistas, a oportunistas, mas principalmente carência de uma sinceridade convincente como esquerdistas, onde a ideologia fosse marca pragmatica. Cresceram quando conseguiram associar a classe de onde emergiram com a identificação por esse pragmatismo ideologica até então ausente. O presidente Lula, como o grande timoneiro petista, no momento de sua guinada preferencial para a centro direita, quando buscou uma sua nova imagem, quando preferiu expurgar a esquerda purista para o momento de sua apoteose, pode ter cometido um erro estratégico. Ter esquecido que a esquerda não discrimina pessoas, mas tendências politicas. E vota, preferencialmente, naqueles em que a tendência à esquerda, mesmo sob alinhamentos diferentes, pode possibilitar um caminho semelhante na gestão se suas expectativas politicas. Ele que se cuide, pois boa parte dos eleitores de seus aliados estão acostumados a baixa politica praticada pelos partidos preferenciais que lhes atendem, mas em beneficios mais privados que comunitários. Sentem-se muito mais confortáveis com aqueles que lhes possibilitam mais no individual, que deixam de lhes cobrar auto criticas, que lhes tragam qualquer minima gramatura de peso em suas consciências.

Responder

Geraldo

05 de dezembro de 2012 às 10h11

Não dou conta de acompanhar toda esta calorosa e importante discussão. Apenas concordo com aqueles que disseram que falta ao Rodrigo uma visão mais próxima das ações do Governo Dilma. Porém, temos que ficar alertas e quanto mais pudermos alertar pessoas do que vem ocorrendo melhor, é que a verdadeira oposição no Brasil não se deu por vencida, mesmo tomando uma porretada como a se São Paulo: está em curso um processo midiático para desmoralizar e acabar com o Presidente Lula. Fiquemos atentos !!!

Responder

Mário SF Alves

05 de dezembro de 2012 às 09h33

Xacal,

Aproveito para ressaltar aquilo que pode ser a síntese-proposta contida na resposta:

“Um amplo e demorado debate nacional dentro e fora do PT, sem hipocrisias, sem medos e sem recalques.”

Só acrescentaria que o medo, conforme referido, deve ser inversamente proporcional ao grau de confiança que o bom senso recomenda depositar na população. Confiança esta diretamente proporcional à ação política de compromisso público que se desenvolve no País. Saiu daí, só há duas condições possíveis: o odioso regime inconstitucional de força ou a eterna, porém, menos repulsiva, manipulação ideológica midiática que condiciona povos inteiros à não menos odiosa miséria material e/ou cultural.

Obrigado.

MSFA

Responder

luiz mattos

05 de dezembro de 2012 às 01h29

Este governo é tudo o que a oposição midiática queria.Lutei por Dilma acreditando que sua coragem não teria sido esquecida no presidio Tiradentes e me iludi completamente a mídia é quem impulsiona todos os seus atos e uma de nossas HISTÓRICAS BANDEIRAS sempre foi a CORAGEM.{critique}

Responder

    Mário SF Alves

    05 de dezembro de 2012 às 09h46

    Seria profundamente contraditório não reconhecer que, por viés diametralmente oposto ao desejado, a mídia corporativa, versão tupiniquim, anda contribuindo na “faxina ética” da política brasileira, ou não? Tá certo, concordo, ela é totalmente caolha, só vê um lado do processo, só enxerga o PT, é bem verdade. Mas, ainda assim… É a dialética do processo, meu caro. O que, óbvio, não justifica os desmandos, os abusos, as calúnias e difamações, bem como a trajetória antidemocrática desta mesma mídia. Quer saber, Petralhas é a … PQP!

Messias Franca de Macedo

05 de dezembro de 2012 às 01h08

Lula tem o dever de processar Garotinho
04/12/2012 | Publicado por Renato Rovai em Geral
http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2012/12/04/lula-tem-o-dever-de-processar-garotinho/

No último domingo, o ex-presidente Lula foi acusado pelo deputado federal Garotinho (PR-RJ) de ter utilizado Rosemary Noronha, no popular, como mula para transportar 25 milhões de euros do Brasil para um banco em Portugal. O parlamentar deu o nome do banco e garantiu que haveria um registro no aeroporto de Lisboa com o registro da operação.
A reportagem da Agência Brasil procurou o banco Espírito Santo, citado pelo parlamentar, e a resposta foi clara: “O BES não tem registo de qualquer depósito realizado pela senhora mencionada na sua pergunta. Aliás, a referida senhora não é cliente do BES. O BES dispõe de um sistema de prevenção e detecção de branqueamento de capitais, equipado de ferramentas informáticas de última geração, que responde integral e eficazmente a todas as exigências da legislação em vigor em Portugal e dos normativos de referência internacional. Por maioria de razão, um depósito em numerário do montante referido, seria necessariamente detectado pelos sistemas de controlo instalados no BES”.
(…)

##################################

Parabéns, competente, independente e intrépido jornalista Renato Rovai! É preciso ‘chamar o PT às falas’!…
O verdadeiro povo trabalhador brasileiro lhe agradece, penhoradamente!
Felicidades!

Aproveitando “a mula do Garotinho”!: eu não tenho a menor dúvida de que o presidente Lula sequer pensou uma ínfima vez em realizar uma safadeza desta natureza!… No entanto, o que me impressiona sobremaneira é a capacidade deste escroque se superar em termos de produção de factóides delinquentes!…

Voltando ao texto do Renato Rovai: o presidente Lula não tem alternativa: ingressar, imediatamente, com uma ação judicial! Cadeia no ‘malandrinho’! Perdão, ato falho -, ‘Garotinho’!…

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao ínclito jornalista Renato Rovai
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    Mário SF Alves

    05 de dezembro de 2012 às 09h51

    Pois é. É hora de chamar o PT às falas:

    http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=1142

    ________________________
    “Toda e qualquer ação autoritária que determine insegurança, que ameace ou dificulte a manutenção da ordem constitucional vigente deve ser entendida como ação criminosa; assim, todo aquele que voluntariamente ou não incorra em tal ação é, a meu ver, despreparado, irresponsável ou criminoso. Dependendo da instância onde se der a referida ação constitucionalmente danosa, considero despreparado todo aquele que comprovadamente tenha agido sob pressão das circunstâncias, e, criminoso, quando por vontade própria.”
    ___________________________________________
    Não seria esse o caso dum certo Garotinho?

xacal

05 de dezembro de 2012 às 00h47

Darci, e Bonifa, vou inverter a ordem não pela importância que dedico a resposta, mas pelo tamanho necessário:

Bonifa, eu não me irritei com Rodrigo Vianna, aliás nem com o Kotscho, muito menos com quem imagina ser a Dilma uma “gerente” ou que estamos num mar de lama.

Ela(Dilma) pode ser tudo, inclusive “gerente”, se esta concepção validar a noção de que faz as coisas funcionarem.

Só que nós sabemos que esta rotulação não serve a isto, e não é honesta porque equipara grandezas distintas: Não há como fazer comparações com os tucanos que nunca “gerenciaram” nada, a não ser que entendamos o caos econômico no qual nos entregaram o país como resultado de “gerência” no sentido que eles pretendem (ou pretendiam) explorar.

O contexto da eleição de Fortaleza que você toma como exemplo nada tem a ver, na minha opinião, com o resultado do ataque moralista do STF e mídia pré-eleição, onde as causas você mesmo diagnosticou: grana, máquina, industrialização da campanha.

Aí meu caro, faltou planejar e evitar(ou equiparar) o jogo.

Ao Darcy,

Primeiro, grato pelo tempo perdido(ou investido, sei lá).

Vou tentar retribuir, tentando imitar o tom de solenidade e calma intelectual imprimido por você que, de certa forma, pode ser considerada uma prima rica da minha arrogância intelectual.

Desde já aviso: tens razão! Li pouco, ou quase nada, sou um policial civil semi-analfabeto, e trabalho meus comentários na base da intuição.

Não li Marx, não li Lênin, Gramsci um pouquinho(mas me lembro muito pouco), e outros que nem vale a pena citar. Enfim, sou apenas um bom diluidor de frases e conceitos.

Aliás, nunca fiz qualquer citação que induzisse alguém a imaginar alguma proficiência acadêmica. E mesmo se houvesse alguma, em respeito a todos(mas prinicipalmente a mim mesmo), nunca as citaria em um blog. A não ser que fosse um blog acadêmico.

Logo, o tom uma oitava acima, na maioria das vezes, é uma resposta de quem aprendeu a retribuir na mesma moeda, como resultado de uns 25 anos de militância(hoje ando meio afastado), outros tantos na polícia(tentando equilibrar minhas convicções com este trabalho ideologicamente e organicamente violento).

Blogs não são apenas arenas destinadas a debates(acadêmicos ou não) ou a produzir “informação”, ou democratizar o acesso aos fatos e ao contraditório censurado pela mídia corporativa. São tudo isto, mas são mais:

São ferramentas de embate político, onde sempre estará em disputa a supremacia ideológica em campos delimitados. É só olhar aqui, e veremos estes campos bem delineados.

Isto não quer dizer que não haja milhares de outras posições entre estes campos, claro.

Eu não vou me defender das “acusações” que você me fez, algumas até entendi como elogios(rs), porque seu julgamento(ou de qualquer outro)pouco me interessa, delicadamente falando.

Nem vou questionar o seu apego intenso a figura do jornalista, afinal, suas afinidades ideológicas, suas preferências pelo trabalho dele, e sua crença no caráter dele são pessoais e intocáveis.

Legal foi observar que nem você conseguiu se afastar do “cacoete” que tanto noticiou na minha fala, ou seja, classificou-me, mediu-me, situou-me em algum campo para só, então, desfiar seus argumentos.

Ou seja, tal e qual o Xacal, elogiou, preparou o terreno, estabeleceu uma hierarquia, desfilou alguma erudição e passou ao ataque! Viu? Funciona.

Aliás, já percebi este traço em outros comentários seus com outros comentaristas, alguns até bem agressivos, como o lulipe.

Mas é claro, o Rodrigo Vianna não é o lulipe. O lulipe é um boboca pobre coitado, como você mesmo definiu, um “provocadorzinho barato”.

Por isto que prefiro atacar Rodrigos com o melhor(e pior) que tenho.

Isto posto vamos a sua resposta:

Primeiro: é verdade que tudo o que eu disse são opiniões minhas, carentes de qualquer prova(embora você traçasse um diagnóstico idêntico ao meu em Fortaleza, Salvador e Recife).

E sinceramente, dada a urgência e o tipo de debate que travamos aqui, sabedor de que os fatos tratados aconteceram quase ontem, exigir método científico é quase(eu disse quase)desonestidade intelectual.

Logo, eu prefiro imaginar que foi só um “deslize emocionado”.

Acho que nosso papel aqui, inclusive, é apontar as hipóteses que podem ou não ser colocadas como novas teses.

Mas enfim, o que é dito sem provas, pode ser atacado sem provas. E foi isto que você fez, nada mais: contradisse tudo que falei, sem nenhuma prova.

Então, nossas opiniões encontram-se no mesmo patamar. Nem um centímetro a mais, nem a menos.

Eu vou começar resumindo: O problema do Rodrigo(e eu não sei, e talvez você possa “provar”)não é a sua militância pretérita, seu trabalho correto como jornalista, etc.

Eu avalio o texto dele pelo que ele é:

A fala de um profissional com ampla repercussão, pois ocupa espaço privilegiado em relação a milhões de pessoas(inclusive nós), em uma empresa que também faz parte do aparato ideológico de controle do Estado.

Se o Rodrigo quer disputar espaço no partido ao qual ele se dirige(vide o título), ótimo, mas o faça dentro dos limites institucionais do partido, debatendo em suas instâncias, dando as diversas correntes e a própria direção a chance de revidar com o mesmo peso relativo.

Melhor, faça uma matéria, pergunte a quem deve, e a quem não deve, apresente os dados(ele ganha, tem tempo e uma série histórica para isto) e nos prove que o que fala está certo.

Se for no campo do palpite, eu pergunto: Por que o dele é melhor que o seu, ou o meu?

Ahhhh, você tentará me pegar pelo pé dizendo que não só organicamente que há vida partidária e que as discussões do partido estão aí para todo mundo.

Concordo. Mas quem pretende fazer o que o Rodrigo fez, e faz, deve estar preparado para um ataque que o situe, pois afinal, ele é o jornalista militante ou militante jornalista?

Mas ele está preparado, e acredito que nem vai tomar conhecimento de quem somos. Quem talvez não estivesse preparado fosse o Darcy.

Ele (O Rodrigo)como jornalista quer ajudar o atropelado ou filmar o incidente?

Continuo…pois é difícil combater alguém que defende um texto de outro.

O texto do Rodrigo não nos interessa mais, mas apenas o que entendemos dele, eu e o Darcy.

Continuemos…

Ora, Darcy, se o Rodrigo intenciona questionar os passos do governo pela ausência da chamada sociedade civil, dos movimentos organizados, eu pergunto: Será esta a terceira mão invisível, como a minha segunda acusada por ti, o Estado Democrático de Direito?

Olha só, eu e o Darcy inventamos a teoria das três mãos invisíveis: O mercado, o estado democrático de direito e os movimentos sociais!

Não sei, porque não vi a tal sociedade se mexer um pentelhésimo de centímetro no julgamento do STF. Nenhuma se mexer ou levantar o dedo mínimo que fosse para questionar o descaramento da mídia com o Lula, a Dilma, o PT e todos nossos problemas.

Nem os chamados blogs progressistas que se reúnem anualmente…

Nós do PT os abandonamos? Por certo um partido de 30 anos e que boa parte dos seus militantes até alguns anos atrás dividiam-se entre o trabalho e as reuniões intermináveis, e que boa parte de sua direção nunca teve outra tradição na política a não ser apanhar da polícia, teve muita dificuldade em ocupar o governo e controlar o Estado com tão poucos quadros.

Seria pior em 89, mas em 2002 eu acredito o caos que não foi montar o “governo”.

Natural o esvaziamento de sua vida orgânica(do partido), e nem vou citar o próprio processo de individualização e isolamento promovido pelos tempos neoliberais. Veja só que ironia, reclamávamos tanto de horas de reunião em grupo, mas hoje teclamos horas e horas sozinhos, debatendo. Será que encontramos a forma ideal de fazer política?

Bom, novamente eu pergunto: Se abandonamos a sociedade e os movimentos sociais, porque estes não insistiram e nos forçaram a voltar para o rumo?

Onde estão os sindicatos? As associações de moradores?

Olha Darcy, sem ironias, eu acho que o Lênin foi perfeito em algumas coisas, e sou capaz até de acreditar que ele determinou a necessidade de colocar a luta ideológica no mesmo patamar das demais. Eu acredito nisto. Gramsci também acreditava nesta necessidade da apropriação da cultura e da comunicação no processo de tomada de hegemonia e controle do Estado.

O problema é que Lênin falou, mas na hora de fazer, deu aquela merda toda, porque tem um problema grave na conta de Lênin e sua e que deturpa toda a tese leninista para o processo de difusão da luta ideológica na sociedade (neste caso a russa), ou seja, as condições históricas preconizadas por Marx para o surgimento da Revolução.

A tal luta ideológica necessária tornou-se então a necessidade economicista de fazer o povo acreditar que passar fome era um ato revolucionário, não claro, sem os ideológicos expurgos e supressão de qualquer debate político que ultrapassasse os limites impostos pela “certeza ideológica”.

Talvez isto que eu refute no Rodrigo.

É colocar a mídia como centro da disputa ideológica da política nacional, e mais, pretender que o governo compre uma briga que não é dele, ou pelo menos, não é o centro de suas preocupações, pelo menos não com o mesmo viés seu e do Rodrigo. E aí, companheiro, eu tenho que admitir: É difícil chegar para uma presidenta que saiu do pau de arara e foi para o palácio, ou para um peão que veio para SP de pau de arara(o outro) e se tornou o maior estadista da nossa história, que nós sabemos o que deve ser feito, e eles não!

Aí, não sou eu o arrogante!

O Rodrigo tem o direito de tentar “vender” ao governo sua posição contrária. Mas tem que dizer o que está por trás dela.

Quando o Mino desanca, com razão o governo, sabemos que ele está puto com o resultado da CPMI, afinal, ele apostou suas fichas na degola da veja, que está atravessada desde Daniel Dantas.

Mas e o Rodrigo? Eu não vou acusá-lo sem provas, mas eu posso dizer com uma certeza que você me ensinou em sua longa aula sobre mim mesmo: Não há discurso sem interesse, e por que eu, ou você, renunciaríamos a tentar descobrir o que há por detrás do dele? Só por que ele é um bom jornalista?

Darcy, o que o Rodrigo(e talvez o Kotscho) pretendem é que a briga com a Globo(que seria muito justa)aumente o poder da casa(Record) que os alimenta.

Isto não tem vergonha, não tem melindre. O ruim é tentar passar a visão desinteressada ou interessada na “crítica construtiva”.

Não é. Rodrigo, Azenha, Mino, Kotscho e outros são quadros do jornalismo que têm acesso a interlocutores no governo e no PT para colocarem tais temas para dentro, e se não o fazem é porque força a “porta” por fora.

Se a luta por hegemonia ideológica é tão importante como você prega, é inadmissível que quadros aliados sejam tão ou mais virulentos publicamente quanto os inimigos, ainda mais no momento de fragilidade que vocês dizem que estamos sujeitos.

Ao contrário do que você imagina, não sou o mais governista dos governistas. Se tiveres o cuidado e curiosidade, lerás neste blog, ou em outros que participo, duras críticas ao governo, ao PT, e a necessidade de enfrentamento de temas que estão pendentes.

O que eu não vou entender nunca é como você, Rodrigo, pretendem me convencer que são as acusações que a mídia nos faz(e quem em sua maioria, acabam sempre como começaram, sem provas) que nos fragiliza a ponto de que tenhamos que investir toda energia do governo para enfrentá-los, mas que para nos convencer desta urgência, o Rodrigo use estes mesmos fatos usados pela mídia para nos fragilizar ainda mais.

Um abraço, e vai um conselho, não perde tanto tempo comigo não…tem um monte de demotucanopata aí esperando que você “gaste” tanta erudição enquadrando eles.

Responder

    xacal

    05 de dezembro de 2012 às 01h41

    PS: Faltou só retrucar este pedacinho aqui, só por implicância. Como é texto é longo, e a caixa de comentário não fica logo abaixo, fica maio difícil.

    Eu ia fatiar o seu texto, mas isto é coisa do batbarbosão(rsrs) e ia ficar muito longo.

    Vai só este pedaço, porque como eu criticava um texto do Rodrigo, e não seu, achei meio pesado ser chamado de ridículo por você que o defendia, e não a si mesmo:

    “(…)que o próprio Rodrigo Vianna já arrolou lá em seu blog quando em esforço de mostrar ao seus leitores as realizações do governo Dilma, nos parecendo rídiculo o Xacal informar essas realizações para o mesmo Rodrigo, em muitas oportunidades, que me fez conhecedor, em primeira mão, de muitas delas em seu blog…”

    Darcy, eu não me referia as dados do governo respondendo ao Rodrigo. Rodrigo não está aqui, não é?

    Eu citei estes dados(que pelo que sei estão em qualquer fonte oficial ou não, e não são exclusividade dele, a não ser para fãs como você que acham isto relevante, o “ineditismo, a exclusividade”, ohhh) para os leitores daqui, haja vista que estamos AQUI debatendo um texto dele, e não lá, no blog do Rodrigo, que aliás, nem gosto muito.

    Mas como disse, respeito tanta admiração que você tem por ele que te fez conhecedor de tanta coisa importante que estava ali, no sítio do IBGE, do PNAD ou do IPEA, e pasmem, até do JN ou do G1.

    Um abraço, agora acabei, de verdade!

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    05 de dezembro de 2012 às 13h08

    Xacal,antes de mais nada,folgo em saber que na Políca Civil existem pessoas inteligentes , cultas e íntegras como você. Em seguida, preciso dizer que tenho muito pouco tempo para postar comentários, por isso ,tenho procurado usar o tempo disponível para lê-los. Para piorar as coisas, parte do tempo que posso utilizar, tenho que desperdiçar tentando suportar os efeitos colaterais da medicação que estou a tomar, que me provoca profundo mal-estar, sobretudo nas 3 primeiras horas depois de acordar.
    Tentarei comentar o seu longo texto ( e nisso, rivalizamos , com grande prejuízo na forma para mim) buscando não parecer estar a combater a um inimigo (como busco combater, nesse sentido, o “lulipe”, que não é nenhum ingênuo e “boboca”, mas um um agente das elites, tal como aqueles que povoavam as universidades, os serviço públicos, as fábricas, etc, nos tempos da ditadura), posto que não o considero assim. Porém, além de não ter tempo, como disse, e ciente de que você mesmo afirmou que pouco lhe interessa o que se depreende do que se lê em seus textos, dos “julgamentos”, e das interpretações sobre eles, não vejo , então, necessidade de repetir o já dito. Ainda assim, em respeito a você e a todos que por aqui nos leem ( frisando que muito me importa o que todos pensam do que escrevo, posto que , se assim não fosse, não haveria,pelo menos para mim, porque escrever), tecerei alguns comentários e que certamente tornarão, mesmo assim, a exposição longa. Não há como corrigir um defeito derivado de uma inabilidade inata.
    Quanto à manifestação de “arrogância intelectual” , esta não foi nenhuma crítica ou referência ao seu estilo de produzir a sua escritura. Pelo contrário, seus textos são todos eles límpidos, fáceis de serem percorridos. O fato de eu não escrever os meus textos com a mesma competência que você se deve apenas à minha incapacidade de fazê-lo. Disto decorre o formato prolixo que não consigo evitar, obrigando-me a usar 3 linhas para dizer a mesma coisa que alguém mais eficiente do que eu diria com apenas uma.
    A referência à arrogância limitou-se ao seu texto relacionado ,por sua vez, ao texto de Rodrigo Vianna.Não se tratou ,portanto, de nenhum juízo sobre o seu caráter. Ser arrogante eventualmente é erro que todos os que somos intelectuais pequeno-burgueses estamos acostumados a cometer. Essa manifestação de arrogância,segundo a minha interpretação,e presente naquele texto, pode ser sintetizada em uma única frase, a meu ver, e esta se encontra logo no início, no primeiro parágrafo ( aliás, creio que se você não tivesse dito isto já no primeiro parágrafo, sinalizando qual seria o desenvolvimento da argumentação subsequente, provavelmente eu não teria,ontem, lido o seu texto , devido à citada falta de tempo, e não estaríamos a desperdiçar o nosso.). A frase sua foi a seguinte: “Rodrigo Vianna tem um olhar arguto sobre a nossa conjuntura. É um ótimo repórter e jornalista. Isto já é muita coisa. O problema é que o Rodrigo acha que é mais”.
    Por outro lado, parece que toda a sua fúria contra o Rodrigo Vianna se deve ao fato de crer que ele atue também como agente dos interesses da Record. Discordo completamente de você nesse ponto. Pretender que ele , assim como o Azenha, tenham poder para pautar o jornalismo da Record, equivaleria a dizer que um gerente do Itaú teria poder para ditar a política de juros daquele banco, ou, ainda, que um delegado da polícia federal, como o Protógenes, teria capacidade de fazer com que aquela instituição priorizasse o combate a determinados crimes,ou que um funcionário do Itamaraty poderia, se o quisesse, desenhar a nossa política externa. Julgo a atuação de Rodrigo Vianna, assim como a do Azenha, com base nas matérias que eles produziram para aquela emissora. Em nenhuma das que pude assistir até hoje, observei desvios dos princípios que ambos defendem. Não os vi , em momento algum, fazendo a apologia dos interesses daquela emissora. Da mesma forma, não se poderia julgar a Xacal, pelo fato de ser um membro de uma polícia civil que é seletivamente violenta em relação aos trabalhadores e ao povo. Aliás, é por isso , Xacal, que falar em “Polícia do Estado” para diferenciá-la de “Polícia de Governo” envolve uma limitação conceitual perigosa: refiro-me ao fato de o Estado ser, em última análise, um órgão de exercício de poder das classes dominantes sobre as classes dominadas. Nesse sentido, tanto a ação policial da PF em São Paulo, no caso “Rosemary”, como as decisões tomadas pelo STF na Ação Penal 470 , revelam o verdadeiro caráter de classe do Estado brasileiro. Em função disso, não se pode deixar de usar o máximo da parcela de poder obtida com a conquista do governo para coibir as ações seletivas por parte de instituições estatais que expressam os interesses de classe desse Estado ( muita gente acredita que elementos ligados ao PSDB estariam agindo de forma infiltrada na PF. Na verdade, a PF ao desenvolver essas ações policiais focadas no combate ao PT atua segundo os interesses constitutivos do Estado do qual faz parte. Se o governo deixar a PF operar livremente, acreditando que ela possa agir em conformidade com o conceito liberal, republicano, de “Polícia de Estado”, na prática, prevalecerá a sua atuação como “Polícia de Estado”, agora, segundo a concepção marxista, visando servir a determinada classe e aos seus partidos, e desservir a outras e aos seus partidos. Assim , conheceremos um incremento de ações deflagradas para liquidar o PT e a redução das investigações envolvendo políticos e partidos da direita). Não existe Estado neutro, acima das classes. Também não existe, nesse sentido, um Estado Democrático de Direito. Este último não passa de uma referência conceitual. Assim, se todos afirmam que defendem o tal Estado Democrático de Direito, então, nós fazemos uso desse fato para denunciar tudo aquilo que se afasta dos seus princípios, reclamando o respeito aos termos firmados. Porém,apesar disso, nada impede que, a qualquer momento, uma das partes desrespeite o regramento acordado pela relação mediada pelo referido Estado de Direito para fazer valer os seus interesses de classe .Isto costuma ocorrer, de fato,por exemplo, nos golpes de estado,sejam eles brancos ou não.Enquanto a sociedade estiver divida em classes sociais antagônicas, o Estado terá necessariamente a marca das classes dominantes, não podendo jamais mediar os interesses antagônicos destas classes, a não ser em determinados períodos em que vige um certo equilíbrio de forças, que poderá ser rompido , entretanto, no futuro.
    Outro problema ( ou solução, a depender dos pontos de vistas) em seu texto: a compreensão de que Rodrigo, em vez de defender o governo , optou por atacá-lo virulentamente. Xacal, me perdoe, mas não enxerguei essa suposta virulência no texto do Rodrigo. Rodrigo fez uma análise política, como eu , você, ou qualquer outro poderia também tentar fazê-la. Considerou,corretamente, que a mídia golpista substituiu os partidos de oposição e , num primeiro momento, tentou colocar uma cunha entre Dilma e Lula. Nesse ponto eu, Darcy, divirjo do Rodrigo ( o que , na prática , também significa dizer que a tentativa da mídia de separar Lula e Dilma não terá nenhum resultado) quando tenta explicar as decisões do governo Dilma como opções tomadas pela própria Dilma. É claro que eu não tenho acesso ao que se passa na intimidade da cabeça de Dilma, mas considerando todo a sua vida pregressa, o fato de ser ela uma democrata, inabituada a tomar decisões solitárias, recomenda que, ela, Dilma , toma decisões políticas com base no mesmo núcleo que comandou o governo Lula e que hegemoniza a direção partidária do PT. Dilma ,quando toma decisões, o faz com base em avaliações desse núcleo, no qual participa com grande autoridade política o ex-presidente Lula. Em seguida, Rodrigo, no que eu concordo plenamente e você,por sua vez, discorda, denunciou a paralisia do governo em relação ao enfrentamento desses ataques. Subjacentemente, Rodrigo Vianna, assim como eu, está reclamando da falta de vontade política do governo para encaminhar ao Congresso Nacional o projeto de regulamentação dos meios de comunicação social deixado pronto pelo jornalista Franklin Martins. Observe, Xacal, que,provavelmente, o interesse profissional , enquanto jornalista,de Rodrigo Vianna, por esse projeto de regulamentação, não coincide com os da Record. A rede Record não tem interesse na regulamentação dos meios de comunicação nos termos do projeto de Franklim Martins defendido por Rodrigo Vianna ( e também por quase todos que comentam por aqui). O objetivo da Record é ocupar o lugar da Globo, inclusive , como representante confiável das elites e do imperialismo sionista-estadunidense ( não é ,por acaso, que a Record namora com Aécio Neves aqui em Minas Gerais). O projeto de Franklim Martins fala da democratização dos meios de comunicação social, aí incluídos os chamados meios de comunicação tradicionais,como o rádio, os jornais e as TVs. Para Rodrigo e Azenha,por exemplo, isto poderia representar a possibilidade de sair da Record para se dedicar a seguir as linhas editorias de seus respectivos blogs em outras mídias , ou seja, em novas emissoras de rádio e TVs e em novos jornais dirigidos pelas forças políticas com que Rodrigo e Azenha se identificam ( e que são as mesmas que , no momento, eu e você também apoiamos). Se Rodrigo estivesse militando a serviço dos interesses da Record, não estaria defendendo a necessidade de uma “Lei de Mídias”. Apenas do ponto-de-vista da redução imediata do poder da Globo , principal vertente do pensamento único neoliberal, vanguarda da defesa dos interesses reacionários da oposição conservadora, o aumento da audiência da Record pode ter alguma importância e Rodrigo, assim como o Azenha, creio, sabem disso. Porém, isso não significa estar a serviço dos interesses dessa emissora.
    Quanto à luta pela hegemonia ideológica,que eu sei que você reconhece ser importante, recomendo que leia o texto “Que Fazer”, de Lênin. Aliás, sobre a importância de se ler esse e outros textos, para nós que somos marxistas, isso se deve ao fato de nos poupar de estar a todo momento “redescobrindo a pólvora”, cometendo erros que foram cometidos pelos movimentos políticos dos trabalhadores no passado, o que nos permite evitá-los sem ter que “aprender sempre com a própria experiência”. “Que Fazer” é um texto de fácil leitura. Muita coisa dita nele, não nos interessa , no momento, por referir-se às condições de luta em um regime discricionário, como era o czarismo lá pelos idos de 1902. Porém, a referência à luta ideológica é de absoluta atualidade. Uma frase , se é que me lembro tal como foi escrita por Lênin, e que sintetiza esse aspecto da luta é ” a ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. Assim , se não travarmos diariamente a luta contra essa ideologia, dentro de nós e fora de nós mesmos, prevalecerá a concepção do mundo a que somos espontaneamente conduzidos por uma ideologia em que estamos,literalmente, mergulhados e pela qual somos cotidianamente assediados. Nossos pais, sem o saber, nos ensinam valores caros a ideologia burguesa. A escola, a vizinhança, os amigos, os colegas de trabalho, as Igrejas,os meios de comunicação de massas nos “educam” e bombardeiam desde o berço com valores que, em verdade, correspondem aos interesses de classe da burguesia. O respeito aos mais velhos que encontramos em todas as sociedades , burguesas ou não, e que , nas comunas primitivas, como o são ainda algumas tribos indígenas, significa reconhecimento do valor da experiência e conhecimentos acumulados com os anos, na sociedade burguesa é apropriado para que sirva de instrumento de formalização e aprendizado do respeito pelos “superiores”, dos trabalhadores pelos patrões. E por aí se iria muito longe.
    Não me importam as polêmicas travadas no campo amigo. Ideias devem ser defendidas com ardor. Previnamo-nos apenas para que elas não se configurem centelhas para acender os fogos de nossas vaidades. Muito pouca coisa do que falo constitui originalidade. Representa apenas uma tentativa de aplicação de determinadas concepções que ,por sua vez ,fazem parte do chamado marxismo ( ou daquilo que acredito ter apreendido deste) à realidade. Outra coisa que é cara ao marxismo, são as opiniões dos outros. Por isso , prefiro ler e ouvir a escrever e falar. Quando abro um blog como o “Viomundo” procuro ler a matéria e todos os comentários (embora nesses tempos anda difícil fazê-lo). Muitas opiniões que defendi há dois meses atrás foram alteradas pelo convencimento por parte de alguns comentários que li. Não sou dono da verdade, embora defenderei o que acredito sempre com ardor, como se fosse a última palavra sobre cada assunto. Porém sei que a coisa não é assim. Alguém sempre acaba por identificar defeitos , equívocos presentes em nossos argumentos. Que bom que seja assim! Com isso , retificuo-os e passo a ter uma compreensão mais refinada da realidade. Creio que foi graças a esse movimento dialético de afirmação,negação e negação da negação, e assim por diante, que o homem soube acumular o conhecimento que domina em nossos dias. Sem essa disposição, tornamo-nos dogmáticos.Uma teoria como o marxismo, por exemplo, não é um conjunto de receitas. Seu papel é o mesmo de qualquer outra teoria, como as que devem observar um médico em seu consultório. O seu conhecimento de Medicina não anula o seu desconhecimento do paciente. Será na interação entre o conhecimento teórico e o desconhecimento inicial, interação esta a que se dá o nome de práxis, que o médico poderá, talvez, identificar a doença e curar o seu paciente. Desta interação poderá ,inclusive, decorrer a negação da teoria , do conhecimento médico aprendido, por parte da prática. O que demandará uma reavaliação e retificação da própria teoria, revelando que os sintomas apurados também não eram suficientes para caracterizar uma determinada doença, podendo estar associado a outra moléstia. O médico ,assim, pôde descobrir um novo traço diferenciador ( talvez, quem sabe, presente em um exame que apure o aparecimento de uma determinada enzima no plasma) que sirva para diferenciar uma doença da outra. Essa nova informação se converte então em teoria e poderá auxiliar a um outro médico examinando um outro paciente com os mesmos sintomas a 10 mil quilômetros de distância. Nisto consiste, a grosso modo, o método científico defendido pelo marxismo.

    Um abraço!

    xacal

    05 de dezembro de 2012 às 16h12

    Darcy,

    Apenas alguns reparos:

    01- Veja como o preconceito povoa a mente de todos nós, na sua cabeça, a existência de um policial capaz de argumentar é um dado novo.

    No seu caso, o velho preconceito da incapacidade das profissões consideradas rudimentares (ou no caso da polícia, cães de guarda do Estado burguês) de articularem algo para além de suas necessidades economicistas, sendo estes estratos sempre submissos a vontade e firmeza da ideologia da nova classe dominante: os dirigentes partidários da nova ordem, detentores dos tratados e segredos da pureza ideológica.

    Não consegui entender sua lógica: a polícia então é lugar de tapados? Onde estão os “inteligentes”? Na USP, e suas lutas mesquinhas intestinas pelo poder, com direito até a depredação das suas instalações?

    Na Academia Brasileira de Letras do Merval?

    Entre os marxistas?

    Eu tenho lido aqui coisas que fariam corar o mais brucutu dos policiais.

    02- Talvez eu tenha me expressado mal, e se o fiz, me desculpe, mas o fato é que não disse que não me importo com o julgamento que as pessoas fazem do que escrevo, ou falo, senão, para que interlocução.

    O que disse, e vou repetir é: não submeto minha fala a esta aprovação, ou seja, não envergo o argumento para caber na aceitação do interlocutor, e mais, não me importo com o julgamento “psicanalítico” que os interlocutores tendem a fazer para classificar o outro, como você fez. Suas considerações teóricas sobre o que falo são importantes, desimportantes são as suas ilações sobre o que me leva escrever, ou as minhas idiossincrasias.

    03- Também não disse que o Rodrigo, ou Azenha, ou qualquer outro jornalista do campo progressista mancomunem-se com seus patrões para derrubar o governo ou chantageá-lo a ceder as necessidades corporativas das empresas de mídia, embora em nenhum lugar do mundo isto seja, per si, impossível.

    Como diz o ditado:não é por ser paranoico que não estejam me persguindo.

    O que eu disse que, impregnados pela sua missão, dentro do aspecto da luta ideológica e o papel que desempenham nesta luta, pois simbolicamente são reconhecidos primeiro como jornalistas “que estão na TV”, depois na TV x ou y, e depois, bem depois, com este ou aquele viés ideológico, e para o bem de sua sobrevivência(fisiológica inclusive), eles têm que obedecer esta hierarquia, logo o discurso deles exala todos os conceitos dos seus patrões, ainda que acidentalmente.

    Não podemos, por óbvio, imputar a eles, ou a mim como integrante de uma corporação policial, todos os vícios dos sistemas que nos abrigam, mas é inegável que meu ethos público (e o deles) é pautado por uma constante vigilância para que eu não reproduza os valores majoritários dali, mas de todo modo, chegará um hora que é muito difícil distinguir, pois minha sobrevivência naquele corpo(policial)depende da minha aceitação por este esquema corporativo, e do sobrevivência deste. A deles também, pelos mesmos motivos.

    Coincidência que Mino, Kotscho, Rodrigo declarem publicamente a necessidade de um mea culpa e de um enfrentamento corajoso pelo governo contra a mídia?

    Não sei, você pode acreditar nisto. Eu prefiro sempre me dar o benefício dialético da dúvida, da tese, antítese, síntese, para começar tudo de novo, ainda mais quando os discursos que nos fragilizam ditos por quem diz ser aliado estão dentro de um contexto tão grave como eles nos dizem que estamos passando.

    Perdemos a noção de tática e estratégia?

    Aí, meu caro, vai o meu instinto policial, vício de profissão, que você pode chamar de capitulação ideológica, mas por certo, é o que me trouxe vivo(literal e metaforicamente)até aqui.

    Um fraternal e democrático abraço!

Messias Franca de Macedo

05 de dezembro de 2012 às 00h00

FRANK DE LA RUE, RELATOR PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO DA ONU DEBATERÁ “LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CONCENTRAÇÃO DA MÍDIA”

em http://mariafro.com/2012/12/04/frank-de-la-rue-relator-pela-liberdade-de-expressao-da-onu-debatera-liberdade-de-expressao-e-concentracao-da-midia/comment-page-1/#comment-55732
Texto publicado em 04/04/12

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LIBERDADE DE IMPRENSA: ‘A veja’ EXPLICA (SIC)! ENTENDA

Rafinha Bastos pede desculpas a Luciano Huck
Agora, entenda por que *Rafinha Bastos declarou que se equivocou: No ano passado, Rafinha travou batalha judicial com a cantora Wanessa, depois de dizer que “comeria” ela e o bebê na bancada do programa CQC, ao vivo, quando a artista estava grávida. Ele foi condenado a pagar indenização por danos morais de 150 mil reais a Wanessa e seu marido, Marcus Buaiz. E, por fazer piada com a Apae, teve um DVD recolhido do mercado.
O humorista está desempregado desde o fim de outubro, quando anunciou no Twitter quedeixava a RedeTV!, emissora que o contratou em março para capitanear a versão brasileira do humorístico americano Saturday Night Live.
*tratamento vip, hein!..

NOTA FÚNEBRE!: a matéria foi publicada na página eletrônica da ‘veja’ “da ‘MARGINAL’ Tietê” na, pasme, Seção Humor! Tema: gente
Lá isto é jornalismo, sô?!…

… República Destes Bananas da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascista, aloprada, alienada, histriônica, impunemente terrorista, MENTEcapta, néscia, golpista de meia-tigela, antinacionalista, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’ (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Apolônio

04 de dezembro de 2012 às 23h52

Se a economia tiver bem, com taxa de desemprego baixo, país crescendo, distribuindo renda, grandes projetos sendo tocados, dificilmente Dilma e Lula perdem a eleição. Falta à oposição um cadidato viável, bom de voto. Não vejo Serra, nem Aécio, com essas credenciais. Povo brasileiro, não é bobo, nem será bobo para experimentar tal troca. Aquela velha história que todo povo brasileiro tem como lema, ” Não se mexe em time que está ganhando.” Lula não é burro, muito pelo contrário, com Dilma também, acho muito difícil um cisão entre os dois. Agora mesmo, os dois estarão em París num encontro com o Presidente Francês. Lula´viajará para Europa para palestras e para receber um prêmio na Catalunha. Encontrará com Dilma em Paris.

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CarmenLya

04 de dezembro de 2012 às 23h02

Ufa! parece que os blogueiros progressistas estão retomando a lucidez. Em janeiro postei o comentário abaixo e durante 2012 a nossa Dilma “tachter” Roussef só aprofundou a distância com os movimentos sociais e a base que a levou à presidência. Professores, funcionários públicos, bancários conheceram a severidade da “gerentona” com salários defasados e sofrendo o linchamento do PIG, que ajudou e muito Da. Dilma, demonizando os trabalhadores. Algumas pessoas aqui no blog ficam tão embevecidas com suas teses que esquecem da realidade ou não convivem com a classe média. Está cada vez mais difícil defender Lula, Dilma ou PT. Confiar na patuléia é perigoso…enquanto alguns bilhões em renúncia fiscal vão para a Fifa e outros bilhões somem no ralo da corrupção de governos com empreiteiras e banqueiros para obras da Copa e Olimpíada não se constrói uma só escola. E patuléia sem educação é como areia movediça…pode engolir os desatentos. Sem contar que podemos ter a desagradável surprêsa de ver publicado por algum jornalista investigativo “A privataria petista”…

seg, 16/01/2012 – 0:25

Carmen

Senti um certo alento ao ler essa matéria. Não consigo acreditar que, tantos anos de luta para colocar o PT no governo, tenho sido para tamanha decepção. A renda que está sendo transferida para os mais humildes é a dos assalariados de 8 ou 10 salários. Não existe nenhum planejamento de melhorar aposentadorias dos trabalhadores das empresas privadas, mas sim trazer os funcionários públicos para o mesmo patamar de miséria e a entrega de bandeja aos banqueiros com a tal previdência privada. Eu não serei atingida, mas me revolta assistir a presidenta, risonha e “republicana” ao lado daqueles que protagonizaram a campanha mais sórdida que já vimos neste país, enquanto é extremamente severa com aqueles que lutaram por ela. Sinceramente, me sinto traída pelo partido dos “trabalhadores” …e o que é pior…sem perspectivas de sair da selvageria que sempre tivemos neste país.

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    Bonifa

    05 de dezembro de 2012 às 11h00

    Não consideramos coisa de quem é de esquerda, ou progressista, dizer que se sente traído pelo Partido dos Trabalhadores. Embora não sejamos petista, temos plena convicção de que o PT é um partido em constante processo de construção e reconstrução, impulsionado pela crítica e pela autocrítica. Portanto, a crítica mesmo severa, será benvinda. Mas a veiculação de constatação categórica é uma arma de destruição contra o Partido. E em saber de quanta matreirice é capaz esta turma de trolls a serviço de tucanos e aliados, que não é seu caso, certamente, é bom que saiba que o desabafo inconsequente pode ser um tiro de canhão contra nossas próprias posições.

Jairo Falcucci Beraldo

04 de dezembro de 2012 às 22h52

“… sigla de Lula, que teve recuos inesperados em Salvador…”

Nao considero assim. Acho que, apesar dos piadistas, soteropolitano não tem preguiça de pensar. Simplesmente deram um recado ao PT e a Da. Dilma… acordem, revejam o que querem, fiquem de olho no Zé “mor” da Manú (que tomou uma surra nas urnas de POA), pois em 2014 pode acontecer isto no ambito nacional!

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Arthur Schieck

04 de dezembro de 2012 às 21h25

Subestimas a inteligência dessa senhora.
Pra tudo existe um preço. Dilma engaveta alguns projetos para viabilizar outros que, pra mim, são estruturais, já deveriam ter saído do papel.
Este é o momento de reverter a privataria, momento em que os contratos estão caducando.
Acho que ela não dá ponto sem nó.

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    Bonifa

    05 de dezembro de 2012 às 11h21

    Sobre a infraestrutura, aqui neste blog se alertou para o fato de que a seca dde 2012 poderia ser terrível no Nordeste e que a cobrança do povo recairia sobre os canais de transposição de águas, que no quadro do flagelo poderiam ter uma importancia vital. Nada de providências para agilizar a obra, tanto que de todas as providências do Governo Federal em relação à seca, nenhuma se refere às obras dos canais. O Governo emudece sobre o assunto. E a oposição está guardando o tema para explorar no momento adequado. Até parece que o Governno entende que tais obras não passam de um desimportante capricho do Lula. Pois que saiba o Governo que a seca não vai parar. No ano de 2013 também não haverá época chuvosa no Nordeste. E talvez não haja inverno também em 2014. Foram oito anos de bonança, com o Lula e dois com a Dilma. Isto é clássico no Nordeste. Uma grande seca depois de muitos anos de bonança. O Nordeste cresceu como nunca, construiu coisas fantásticas, uma imensa e excelente bacia leiteira em Pernambuco, na Paraíba e em Alagoas. Criações domésticas de bovinos, ovvinos e caprinos dentro de planejamento incentivado. Tudo está se acabando. E quando não tiverem mais nada para que apelar, os nordestinos vão lembrar em primeiro lugar dos canais de água prometidos por Lula, e hoje semiparalisados.

Bonifa

04 de dezembro de 2012 às 20h54

Excelente análise a do Rodrigo Viana. O alerta está dado, e deve ser levado com toda a seriedade pelo Partido dos TTrabalhadores, pelo Lula e pela Dilma. Política exige pensar à frente dos adversários.

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Roberto Ribeiro

04 de dezembro de 2012 às 20h33

A Esperança venceu o medo, e o medo venceu o PT.

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Roberto Ribeiro

04 de dezembro de 2012 às 20h32

Antes Regina Duarte é quem tinha medo, agora é o PT.

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Claudio Machado

04 de dezembro de 2012 às 19h40

Acho que Rodrigo Vianna se esqueceu do dia 12/12/2012. Perdeu tempo escrevendo esse “diagnóstico do fim” e errou a data.

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ricardo silveira

04 de dezembro de 2012 às 19h19

Pensando bem, com redução do custo da produção, não reforma agrária, não democratização do espaço público, a questão óbvia é o que há de novo no governo petista de Lula/Dilma? O que a oposição, se voltasse ao governo, iria mudar? Nada! Alguém acha que iriam cortar as políticas de redução da pobreza? Que impacto tais políticas provocam nos interesses do capital? Nenhum impacto negativo! O PT já não significa mudança, pois mudar, daqui para frente, implicará alterar a estrutura do poder dominante, que ainda é da elite anacrônica e ela não é burra, sabe que o que está feito, está feito. Então, o PT não faz falta. Melhor que faça oposição, pelo menos haveria perspectiva de mudança. O único retrocesso com a atual oposição no poder seria em relação a América Latina. Mas, essa nova “classe média”, sem opinião pública crítica, está se lixando para tudo que vá além do curto prazo e foge ao entorno do umbigo.

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PedroAurelioZabaleta

04 de dezembro de 2012 às 19h02

Caro Rodrigo Vianna,
Creio que tiveste um surto agudo de crença na “opinião publicada”.
Talvez tenhas passado perto de uma igreja do Malafaia, e as vibrações te atingiram…
Tudo bem. Tens crédito + do que suficiente para compensar dias/textos ruins.
Te sugiro: uma manhã de descanso, uma boa caminhada à tarde e à noite um cineminha com a patroa.
Isto passa.
Desejo-te pronto restabelecimento.
Abraço

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    Mário SF Alves

    04 de dezembro de 2012 às 22h44

    Isso sim é uma crítica feita com respeito. Mas… resta saber, com a Operação Porto Seguro fazendo supor que o navio fez água e que o PT anda com ela batendo nas narinas, não seria igualmente “caótico” deixar-se mover pela fé malafaica?

Alexandro Rodrigues

04 de dezembro de 2012 às 18h53

Perfeito! Pelo menos um sinal de lucidez nos tais “blogs progressistas”! Será que Rodrigo Vianna vai ser acusado de “tucano”, “psolista”, “…fazer o jogo da direita” e todos os outros adjetivos dados àqueles que ousam criticar os rumos do PT?

E a presidenta, hein? Eu digo com toda sinceridade. Sou eleitor do PT desde 2000, quando tinha 16 anos e votei na Marta pra prefeitura. De lá pra cá votei algumas vezes no PSOL, principalmente para cargos parlamentares. Mas na essência, sempre PT. Emergi socialmente com o PT. Eu sou da classe C do PT. Mas não sou vaquinha de presépio, sou politizado e tenho minha própria opinião…

A classe C do Lula elegeu Dilma, mas essa classe pode em breve não se sentir segura e representada pela tal presidenta. O crescimento pífio da economia é preocupante. O momento econômico que vivemos é gravíssimo, pior que 2008, e despeito de outras conjunturas que ajudarão ao Brasil atravessar a “marolinha de 2008” sem maiores problemas, esta nova crise (nova?) não poderá ser enfrentada da mesma forma. Ficará a classe C, ameaçada de perder o status consumista que ganhou com Lula, ao lado de Dilma em 2014?

Infelizmente a oposição à esquerda do PT é fraca! NUNCA votei e NUNCA votarei no PSDB. Eduardo Campos é só um mequetrefe que está sendo pré-fabricado pela mídia caso a opção Aécio Neves não dê certo. E claro há ELE! Aquele que sempre fica na espreita de tudo, preparando-se para dar o bote. Serra não está morto na minha opinião. Poderia muito bem ajudar Alckmin a apunhalar Aécio e conseguir a vaga para este vir a ser o candidato tucano em 2014, em troca da vaga para disputar o Governo de São Paulo.

O que temos? Provavelmente e infelizmente terei que votar nesta presidenta fraca de novo… Esquerda do Brasil acorde, nunca antes na história desse país ouve tanto espaço para o surgimento de uma nova e corajosa opção que faça frente a essa esquerda envergonhada protagonizada pelo PT!

Responder

Mário Silva

04 de dezembro de 2012 às 18h40

amigo, Dilma/Lula/PT estão juntos. Eles sabem que no momento não é hora de rebater nada … ou vocês querem dá munição aos inimigos. Amigos, o povão cada vez mais está com os três. Vocês duvidam disso?. Eu não. Vejam as armadilhas que Dilma está armando com os seus inimigos: a) a bancada do PT fechou com a educação … caso da repartição dos royaltes do pré-sal; b) código florestal; c) diminuição da tarifa elétrica, o PSDB é contra e o PT é totalmente a favor. Aqui, poderia dá outros exemplos, creio que não é necessário. Nunca esqueçam estamos eles vão que explicar muito bem ao povão. Estamos no Poder … temos bilhões para investir neste Brasil a fora. São dois longos anos … temos que armazenar munição principalmente para o último ano. Ah! quem falou que a economia está mal?. Novamente eu discordo … a economia nunca esteve tão fortalecida … sabe o porquê?. O trabalhador está com emprego, este tem dinheiro para manter a nossa economia funcionando … por sinal são mais 40 milhões de consumidores potenciais. Tenho 50 anos, nunca vi um futuro tão promissor para o nosso querido Brasil. Com exposto, não quero dizer que devemos ficar silente … com certeza que não. No entanto, temos que ir ao combate sim … devemos defender o nosso governo com todas as forças se possível for. Por fim, a bala de prata (PSTF) já está sendo gasta … O Supremo foi o grande perdedor desse julgamento, veremos no futuro. Infelizmente, para um exército ganhar a guerra muitos terão que morrer inocentemente na mão dos inimigos da Pátria Amada … aqui estou falando dos nossos combatentes José Dirceu, Genoíno e os demais. Abraço a todos.

Responder

Messias Franca de Macedo

04 de dezembro de 2012 às 17h27

Governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB pediu tratamento de respeito igual ao que é dado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
(…)
“Ele, como um líder popular, viveu momentos difíceis na história, na ocasião em que faltava democracia no país. Depois, chegou à Presidência da República e teve o equilíbrio de garantir um rumo seguro para a economia brasileira, ganhou prestígio, inclusive no exterior. Além disso, legou independência à Polícia Federal, como se vê até hoje, nomeou oito ministros para o Supremo Tribunal Federal, que decidiram com isenção sobre um episódio que, no passado, jamais seria objeto de julgamento no Supremo. E estamos vendo um Ministério Público que não engaveta mais e que denuncia. Este é o legado que eu vejo do governo Lula”.
Eduardo Campos – na mais veemente defesa feita até agora do ex-presidente Lula, que vem sendo atacado por setores da oposição e da mídia após a Operação Porto Seguro, na esteira das investigações sobre tráfico de influência de altos funcionários nomeados no governo anterior.
Eduardo Campos deu estas declarações na segunda-feira, após o seminário “Novos Ventos na Política Brasileira”, promovido pelo jornal “Valor Econômico, do qual também participaram o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, e Eduardo Paes, do PMDB, reeleito no Rio de Janeiro.
Em http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/12/lula-merece-respeito-diz-campos.html#more

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Rosamaria L. da Costa

04 de dezembro de 2012 às 17h15

No final, vamos voltar a IDADE DA PEDRA, em maio de 2013, como prevê a NASA, por uma enorme tempestade solar – magnetica.

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sandro

04 de dezembro de 2012 às 17h03

Novamente.
Que o governo tem que rever situações ,aprimorar-se etc… todos nós
sabemos, mas quando se lê artigos como esse beirando o subjetivismo,
dá uma certa “moleza”. Todo mundo quer dar o seu “pítáco” e tem todo
direito. As vezes sinceramente naõ sei quem está perdido.

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RicardãoCarioca

04 de dezembro de 2012 às 16h50

O PiG pode influir no crescimento do PIB? Sim.

Fazendo campanha pelo aumento da gasolina, aterrorizando a população com tentativa de importação da crise externa, campanhas midiáticas paralisantes de grandes obras como as das novas hidrelétricas, tentativas de inibir o consumo, insuflando inflação no setor de serviços que é mais fácil de se obter e que depois contamina em parte a inflação de produtos, temorizando empresários para que eles não invistam ou invistam menos, etc.

E o Planalto mantêm a população informada? Não. Para ter assessores de imprensa inúteis assim, a presidência poderia entregar o seu marketing para o PSDB. Nem esses tunganos seriam mais incompetentes!

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Fabio

04 de dezembro de 2012 às 16h43

Excelente texto do Rodrigo e isso me leva a ter a certeza que a Dilma nunca foi esquerda e nem petista.
Ela demonstra claramente seu lado de centro e apartidário, onde seu governo abandonou completamente as organizações sociais, a massa popular e se curvou diante da midia golpista e de seus holofotes.
Quando a Dilma acordar poderá ser tarde demais a ela e ao PT.
O governo Dilma e o PT estão ressuscitando os malditos tucanos novamente.

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Urbano

04 de dezembro de 2012 às 15h57

Um tiro certeiro no próprio pé, que se não fosse o Estado pujante que recebeu e as atitudes econômicas de correção de rota tomadas durante o seu Governo, como a diminuição de juros, a gangrena seria inevitável. Deve-se respeitar todo e qualquer inimigo (adversário é para competições esportivas e olhem lá…), agora tratá-lo a pão-de-ló nunca.

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Bernardino

04 de dezembro de 2012 às 15h29

O COMENTARIO do Rogrigo é prova cabal da sua inteligencia. A gerentona precisa ler esse artigo,pois esta assessorada pelos bajuladores ao seu redor e como D Dilma nao tem um pingo de sagacidade pollitca seguira ouvindo seus bajuladores.Uma coisa é ser gerentona outra vocaçao para estadista que a mesma nao tem um pingo!!Alias este pais se peneirar nao ha um so estadista nesses partidos aleijados nossos desde a direitona ate os pseudoesquerdistas sao todos corretores do CAPITAL e das Corporaçoes!!

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Tiago Aguiar

04 de dezembro de 2012 às 15h29

Quando assassinaram o Edinaldo deram 13 tiros nele (número do PT), sendo que o último foi em seu anus por ele ser homossexual. Agora querem dar um golpe pela (in)justiça e tirar a vitória que o povo deu nos votos ao PT, entregar o poder aos assassinos do PSDB. Peço ajuda na divulgação deste caso.

http://blogdadilma.com/index.php/politica/1488-sos-serra-do-mel-rn

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Marcelo de Matos

04 de dezembro de 2012 às 14h58

Cada eleição é uma história. Ainda é cedo para saber qual o time da Dilma: estará sendo montado mais adiante, como o novo Palmeiras de Kleina. Nem se sabe se contaremos com o socialista Eduardo Campos. Quanto às campanhas midiáticas, ou piguianas, temos de absorver os golpes e contra atacar. Não adianta mostrarmos bravura ou coragem ao tentar desconstruir factoides. É preciso ir adiante e mira o calcanhar de Aquiles dos adversários. O do Alckmin é a segurança pública, cada vez mais caótica. O do Aécio faz de conta que não sei. É preciso dar uma olhada lá em Minas para ver o que ele andou aprontando.

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xacal

04 de dezembro de 2012 às 14h25

Rodrigo Vianna tem um olhar arguto sobre a nossa conjuntura. é um ótimo repórter e jornalista! Isto já muiiiiiita coisa. O problema é que o Rodrigo acha que é mais!

Sua análise serve aos incautos. Parece coisa de aliado preocupado com o futuro do governo. E eu creio nisto. Acho que ele é sincero.

Só não resiste a submeter este olhar a sua necessidade de demarcar um campo político no tema que é sua razão de existir: A comunicação de massa.

Nada demais nisto, e ninguém ousaria pedir a ele uma coisa que não existe, a não ser na cabeça dos “midiotas”, a tal da imparcialidade.

Mas o problema do Rodrigo não é ter posição política no trabalho que exerce, jornalismo, mas imaginar que o jornalismo seja o epicentro de toda luta política nacional, vindo daí todas as venturas ou desventuras dos governos do PT.

Claro, comunicação social é uma parte fundamental das ferramentas que um governo necessita para sua luta por hegemonia, e permanência no poder.

Porém, comunicação social não se resume às empresas do setor, e nem como o governo se porta em relação a estas.

Se assim fosse, o governo Lula seria um fracasso, e Dilma sequer estaria em discussão, pois não o sucederia.

Rodrigo segue dizendo que TODAS as conquistas do governo se resumem a “acordos” que o governo fez para que as mesmas fossem implementadas, desprezando a ação política, partidos, instituições e interesses, uns mais outros menos legítimos, sabemos.

Ou pior: que todo o consenso na esmagadora maioria da sociedade só foi assim percebido porque o governo “deixou” de incomodar “grandes grupos” de mídia, ou de outros setores.

Pode ser. Mas não passa(será que não?)na cabeça do Rodrigo que talvez o governo tenha feito o que devia, e que por isto não se incomodou a “gastar” capital político em disputas com quem já estava morto, como a mídia, ou capturado como os empresários?

E o que nos importa(ao PT) se william bonner nos odeie, ou este ou aquele empresário nos deteste?

Olhem a pérola:
“(…)O risco, no entanto, era evidente: tudo ficar igual. Se Dilma assume o discurso tucano do “gerenciamento”, afastando-se de qualquer confronto, evitando a “politização”, qual seria a diferença – no fim das contas – de votar num tucano ou num(a) candidato(a) do PT, em 2014?(…)”

A diferença Rodrigo é que nós fazemos bem feito, e os governos tucanos foram um completo e amargo desastre, que frustraram toda e qualquer expectativa criada no plano Real(aliás, do governo Itamar), desembocando em uma crise(2001/2002)que quase lançou o país em convulsão social:

Inflação alta, salário de menos de U$ 100, desemprego de mais de 10%,fuga de capitais, desastre cambial (dólar a 3,97) ameaça de corrida aos bancos, baixas reservas, nenhuma ativo(empresa) e nenhuma capacidade do Estado em intervir, e um vergonhoso acordo com o FMI, para receber a esmola de 40 bi.

Hoje temos 10 vezes mais em reserva. Nem vou citar as outras comparações.

Depois:

“(…)Assim, terminamos 2012 com a estratégia do “fatiamento” em pleno vapor: o PT recebe o carimbo de “quadrilha” no STF (o que nao impediu que o partido conquistasse mais Prefeituras, incluindo a gigantesca Sao Paulo; mas foi suficiente para evitar uma vitória ainda mais consagradora para a sigla de Lula, que teve recuos inesperados em Salvador e Fortaleza, e resultados apenas razoáveis em cidades médias de todo o país), Lula vira o alvo no caso Rosemary (que, por outro lado, mostra o mergulho de parte do petismo na inaceitável tradição de velhacarias e patrimonialismo brasileiros).(…)”

A análise do Rodrigo dá um enorme soluço, porque ele tem que dizer o que sabe ser verdade, torcendo os fatos para criar a versão que deseja que acreditemos.

Ora, qualquer pessoa de mínimo bom senso sabe dizer que as derrotas do PT, tanto em Fortaleza, Salvador e até em Recife, se deveram a disputas e rachas do PT nestas cidades e estados, caso emblemático as dificuldades e desgastes do governador Jacques Wagner, e o embate de Luizianne Lins com o clã aliado dos irmãos Gomes no CE.

Rodrigo não diz, mas sabe que, justamente, onde o “carimbo de quadrilha” mais foi mostrado, em SP, foi onde o PT deu a chinelada mais forte e desmoralizadora na oposição demotucanopata.

Ou seja, a tese do Rodrigo não resiste a uma leve brisa de bom senso.

“O mergulho na velhacaria” é ótimo! Nem Ali Kamel conseguiria bolar algo assim.

O que espera o Rodrigo, o exercício do poder entre santos? O Rodrigo trabalha para quem mesmo? (desculpe Azenha).

Sei…sei…sei.

No mundo do Rodrigo, e também no meu, no nosso mundo, não podem patrimonialismo, eu concordo.

Mas e mistura de religião, concessão de TV, política-partidária? Pode?

O resto da análise do Rodrigo eu nem vou dar muita bola.

O catastrofismo econômico, por exemplo, é de doer. Será que ele sabe como anda o mundo aí fora?

Alguém apresenta a ele o Nouriel Roubini, aquele que falava que a crise de 2008/2009 teria um formato de W, e que talvez estejamos na parte baixa da segunda perna do W.

Alguém diz a ele que em 12 anos não conseguiríamos, ainda que Lula fosse deus, mudar toda a vocação histórica na nossa economia, que sequer alcançou o estágio intermediário de industrialização, e que os setores que existem, assim como a agricultura, dependem dos humores dos países centrais do capitalismo, e que foi, graças ao PT e a sua política(achincalhada pela pela elite itamaratyana”)de diversificação das relações multilaterais que conseguimos sobreviver a esta tsunami que nos varreu desde 2008?

Ou será que ele não tem enxergado a enorme dificuldade que temos para ajustar o setor produtivo, desamarrar nós, e equilibrar os esforços de investimento no longo prazo em um país que os empresários querem lucro para ontem? Olha o caso das elétricas!

Tudo isto no meio da maior CRISE ECONÔMICA CÍCLICA PLANETÁRIA DESDE 1929!!!!

O que espera o Rodrigo?

“Gerentona”? Meu deus, a mulher criou a comissão da verdade(meia-verdade, é verdade), enfrentou a questão dos royalties e colocou o financiamento da educação na pauta, atacou os juros mais altos do planeta, enfim, é, ela mesma, outro personagem que simboliza a supremacia de democracia política contra o autoritarismo, sendo ela quem é, e o Rodrigo quer mais?

Eu acho que a rede Record tá precisando colocar o Rodrigo na escala de correspondentes internacionais para que ele comece a enxergar nosso mundo com outros olhos…proximidade demais as vezes cega!

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    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    04 de dezembro de 2012 às 20h18

    Ando sem tempo e principalmente sem disposição para fazer comentários, por conta de um profundo mal estar que sinto provocado por um maldito ( e caro) medicamento conhecido por oxsaralen( quem tiver curiosidade, poderá ler a propósito de seus efeitos colaterais e, principalmente, nos que se ligam aos seus reflexos nas emoções) . Mas tentarei enfrentar a arrogância gentil do companheiro Xakal, por aqui ( sim , Xakal é um arrogante extremamente gentil. Antes de atacar, ele sempre se faz preceder de um elogio , de um galanteio. Assim, o Rodrigo Vianna é um grande jornalista. O problema é que o Rodrigo acha que é Xacal ( ato falho, como diz o meu querido Messias Franca, que o Rodrigo “acha que é mais”). Assim nosso querido Xakal revela a vocação para uma concepção elitista da ciência política . Quem não nascer com os atributos xakalianos, que se recolham às suas insignificâncias e ouçam o “mestre”. ( “Mestre!”. Sim, gafanhoto!). Aliás, esta tem sido a linha frequente de argumentação de Xakal, além , é claro , de tentar parecer o mais governista dos governistas em seus comentários (“mais realista do que o rei”, dir-se-ia.Se alguém desconhece a defesa do governo Dilma face às crítcas da base , mesmo que esse alguém seja o próprio governo Dilma, então, proceda às leituras dos comentários de Xakal). Para ele, sempre deveria-se considerar o nosso desconhecimento de causa.Alguém afirmou que os deputados petistas amarelaram na votação da CPI do Cachoeira? Lógico que não, nos recomenda Xakal. A nossa percepção, na verdade, revela a nossa ignorância dos fatos, das complexas tramas que contingenciam as decisões políticas nos mais elevados escalões. Estaríamos todos , sem exceção, incorrendo nos erros de Rodrigo Vinna, nos “achando mais” ( do que somos). Como se vê, Xakal não frequenta esse portal com a humildade dos que sabem ouvir,dos que estão abertos da outras interpretações dos fatos, mas como um paciente expositor das verdades universais. Se alguém referir-se a Marx para socorrer e reforçar a sua argumentação, Xakal, sempre de forma educada, vaticinará: “em matéria política, o marxismo nada produziu de confiável e importante” ( apesar de todas as grandes transformações sociais do século XX terem sido inspiradas e dirigidas por partidos comunistas e marxistas e de que a hecatombe dos princípios liberais tanto no plano econômico, quanto no plano político, que assistimos no “mundo civilizado” nos confirmar pela enézima vez o verdadeiro significado do Estado Democrático de Direitos ).Mas Xakal provavelmente jamais leu as obras de Marx e dos marxistas. O discurso anti-marxista despejados sobre a cabeça dele por “gente mais” como ele, gente “alpha”, com ph e d, provavelmente conhecida em um curso superior de Ciências Sociais e/ou afins, (e isso que estou falando é pura especulação de quem quer também ser generoso com Xakal, concedendo ao seu modo de conceber as coisas alguma influência externa, descartando a possibilidade de ser Xakal um auto-suficiente que a todos os conhecimentos alcança por conta própria), lhe tornou convicto de que ler uma obra como “O Capital” ou como “A Ideologia Alemã” é pura perda de tempo. Mais perda de tempo seria ler o asqueroso Lênin, que desconhece a diferença fundamental entre Estado e Governo ( uma referência a outro comentário de Xacal, que revelo que costumo dar atenção ao que ele escreve, tendo evitado até hoje polemizar com ele). Xacal, ao que tudo indica, dever ser um admirador dos textos sempre doutos de Tarso Genro. Para ambos , o Estado de Direito Democrático é algo que pré-existia ao desconhecimento das Ciências Políticas, tal como o átomo pré-existia ao desconhecimento da Físca. Assim, a creça em uma segunda mão invisível ,esta agora atribuída ao tal Estado Democrático de Direito é a toda hora evocada. O STF equivocou-se, porque os seres humanos são falíveis, porém, o Estado Democrático de Direito saberá , ao se desenvolver, repor as coisas nos seus devidos lugares, no futuro.
    Mas votemos ao texto propriamente dito de Xakal. Para este, Rodrigo escreveu o seu artigo condicionado por um impulso corporativista: ” a sua necessidade de demarcar uma posição política …na comunicação de massa”(s). Por esse motivo, Rodrigo Vianna estaria sendo legitimamente parcial ( parcialidade aqui entendida não como alguém que defende o socialismo contra outrem que advoga pelo capitalismo, mas como um jornalista defendendo os interesses corporativos dos jornalistas). Mas qual seria o problema do Rodrigo? Xacal nos responde: “imaginar que o jornalismo seja o epicentro de toda a luta política nacional”. Xacal, ao afirmar tal coisa, não apresenta nenhuma prova de que o Rodrigo realmente imagina que o jornalismo seja tal coisa. E que ninguém queira conhecer tais provas, posto que, como sabemos, reservam-se apenas aos “alpha”. Qualquer possibilidade de Rodrigo Vianna ter escolhido ser jornalista por que percebeu ser os meios de comunicação de massas os veículos da luta política e ideológica que ele ,Rodrigo, já travava antes de se tornar jornalista, está totalmente descartado pela xacaliana revelação.
    Depois, Xacal confunde a reivindicação de democratização dos meios de comunicação sociais com as comunicações sociais do governo, que delas necessita “para a sua luta por hegemonia e permanência no poder” ( é impressionante como, 110 anos depois ,Xacal reproduz, com outras palavras ,os mesmos argumentos refutados por Lênin no texto “Que Fazer”, argumentos que constituíam o modo economicista de conceber a política . O termo economicismo refere-se, nesse caso , a uma corrente e sua visão da política. Par ela , a luta ideológica era de pouca importância e relevância para a maioria dos trabalhadores e do povo, devendo ser travada pelos partidos liberais no âmbito da Duna. Lênin, ao contrário, situava a luta ideológica ao lado da luta econômica e da luta política, colocando a luta ideológica em plano superior, defendendo, naquela época, a necessidade de um jornal para toda a Rússia, que veiculasse essa luta no plano das ideias. Teria Lenin agido assim por que era , na prática, um jornalista do Iskra? Quem quiser conhecer a resposta, recomendo que leia em pdf o texto de Lenin).
    Desculpe-me , Xacal, mas Rodrigo não disse que as instituições , partidos, interesses, “legítimos” não estiveram por trás dos” acordos” que orientaram as “conquistas” do governo. Ele apenas chamou a atenção para a falta de participação dos movimentos sociais nessas decisões, para a falta de consulta às bases. Porém, nós aqui já conhecemos a sua opinião sobre isso : “as bases não dispõem de elementos, de dados ( e , claro,visão política para além de suas áreas profissionais recíprocas), para opinar”.
    De que trecho do artigo do jornalista podemos intuir que ele afirmou que “o consenso da esmagadora maioria da sociedade só foi assim percebido por que o governo deixou de incomodar grandes grupos de mídia? Rodrigo pelo que li, se aproximou da ideia de que os governos Lula e Dilma fizeram acordos com o centro. Nesses acordos ocorreram concessões, como as altíssimas e escorchantes taxas de juros praticadas pelo governo Lula , que satisfizeram a interesses rentistas ( que se releia a “Carta aos Brasileiros”, a propósito dessas concessões), ao mesmo tempo que possibilitaram que houvesse governabildade para que políticas sociais inclusivas fossem adotadas.
    O que importa se fulano ou ciclano nos odeie? Bem , colocando a pergunta assim dessa maneira, Xacal, muito pouco. Mas tem que ser muito ingênuo , muito pretencioso, para desconhecer o plano superior reservado à luta ideológica.A luta nesse plano é a que decide o desfecho de todo o processo. Quando todo o esforço por se combater a pobreza tiver cumprido os seus efeitos, chegará o momento em que muitos elementos do povo se perguntarão: e aí, não temos mais fome! Temos geladeira, fogão…, alguns de nós, até mesmo automóvel. Agora, queremos saber o que mais teremos! E o que você considera que eles desejaram ter se os meios de comunicações de massas estão nas mãos da oposição, dos defensores do liberalismo e da sociedade de consumo capitalista? Se cresce, dia a dia, o contingente de pessoas influenciadas pelas ideias neopentecostais, de realização pessoal como fruto de esforço individual abençoado por Deus? A pecha da imoralidade é colada todos os dias mas mentes submetidas aos bombardeios ideológicos midiáticos. O país avança e chegará o momento de conhecermos uma encruzilhada que dividirá a base aliada de forma irreversível. Teremos que decidir se construiremos uma sociedade fundada em justiça social com base em consumo racional, sem desperdícios,auto-sustentável, em que vários bens de consumo, hoje considerados essenciais pelo individualismo pequeno-burguês , como o automóvel, serão descartados, ou se seguirá o país o desenvolvimento capitalista tradicional, fundado no consumo e nos desperdícios como motores do crescimento da economia. Se seremos uma sociedade “de classe média”, formada por milhões de empreendedores individuais ( ilusão se sonho de realização pequeno-burguesa difundida pelas igrejas neopentecostais e pela mídia conservadora, que desconhece viver o capitalismo uma fase monopolista, sendo impossível reproduzir o percurso conhecido pelo desenvolvimento do capitalismo nos EUA, que conheceu efetivamente uma era de grande número de empreendedores individuais, durante a fase concorrencial). Assim , se o moralismo da mídia e sua campanha denuncista neo-udenista ainda não fizeram estragos é porque o contingente correspondente à base social sensível a esse discurso moralista ainda não é suficientemente grande. Porém, o seu número tem aumentado por conta do crescimento das faixas de rendimento médio, e pela ausência de contraponto a esse discurso nas mídias tradicionais.

    “Nós fazemos bem feito”. A partir daqui, a par de ser Xacal mais do que um apoiador de Dilma, como eu, mas um verdaeiro representante das políticas do governo Dilma, seguem-se exemplos de medidas que o próprio Rodrigo Vianna já arrolou lá em seu blog quando em esforço de mostrar ao seus leitores as realizações do governo Dilma, nos parecendo rídiculo o Xacal informar essas realizações para o mesmo Rodrigo, em muitas oportunidades, que me fez conhecedor, em primeira mão, de muitas delas em seu blog…Prosseguindo, leremos “qualquer pessoa de mínimo bom senso sabe”…? Não, Xacal! Você não sabe , não tem e nem pode ter, como todos nós, dados objetivos para descrever as causas das derrotas do PT em várias cidades. Nesse caso, você está se valendo do mesmo subjetivismo que afirmou querer combater em Rodrigo Vianna. Mas vale aqui uma ressalva: nesse ponto, eu divirjo tanto de você, como de Rodrigo ,este último, por tratar a Dilma como um ser que decide sozinho , distante de seu partido. Não é verdade, Rodrigo. Dilma segue adotando decisões políticas que partem do mesmo núcleo petista que chegou ao poder com Lula. A esse grupo político, agora falndo também com Xacal, pertence o governador Jacques Wagner, que, de forma absolutamente inexplicável, resolveu confrontar sem negociar tanto os movimentos dos professores , como o dos policiais militares. Nesse último caso,tivemos também a intervenção negativa e intempestiva do governo Dilma ficou mais do que evidente, quando o ministro da Justiça é enviado a Salvador para colocar todas as forças militares a serviço da repressão ao movimento, como faria um bom governo tucano. No caso de Fortaleza, assim como de Recife e de Porto Alegre, a direção petista, a mesma que instrui as decisões políticas do governo Dilma, desconsiderou a legitimidade de outras candidaturas, abrindo espaço para o confronto com candidaturas do campo governista. O quanto que a influência da campanha midiática contra o PT determinou o voto em outros partidos da esquerda não foi mensurado por nenhuma pesquisa científica de campo séria. Porém, a participação dessa campanha na decisão do eleitor não pode ser desconsiderada de forma tão simplista e anti-científica como faz Xacal. Para mim, não seria incorreto admitir que muitos eleitores de classe média , zelosos das questões ditas morais, sabedores igualmente que o governo petista tem sido melhor que o governo tucano, decidiram-se ,então,por votar no PSB,por exemplo, que é um partido que não estava sendo atacado pela mídia, acusado de envolvimento com a corrupção,mas que apoiava e se beneficiava das políticas do governo Dilma. Essa pode não ter sido a causa do grande crescimento do PSB. Mas pode ter sido uma das causas.
    Por último, Xacal, jamais vi Rodrigo Vianna fazendo proselitismo da Igreja Universal. Pelo contrário, tanto Rodrigo, como o Azenha, revelam trabalhar naquela emissora por poderem contar com mínimo de liberdade editorial e, obviamente, porque precisam trabalhar para viver em algum lugar. As suas acusações finais contra Rodrigo Vianna foram absolutamente levianas.
    Por último, Xacal, preferiria estar combatendo os argumentos de alguém da direita. De qualquer forma, não tome as minhas palavras como um ataque pessoal.Creio que combato apenas um traço da pequena-burguesia que me irrita bastante: a arrogância intelectual. A crença subjacente de que existem homens que pensam e outros que nem tanto. Rodrigo Vianna escreveu um texto .Eu tinha uma crítica a fazer a esse texto por discordar da tendência de Rodrigo em acreditar que Dilma deliberou fazer coisas divergentes do grupo político que hegemoniza a direção do PT e que governou o país desde os tempos de Lula (aliás, Lula jamais deixou de fazer parte decisiva desse grupo). Para mim, Dilma é alguém que se reconhece pertencente a esse grupo político. Suas decisões respeitam sempre a opinião desse seleto grupo que controla a direção do PT e que negocia com os demais aliados. Ocorre que antes de escrever a minha crítica, parei para ler o seu texto, como de outras vezes. Dessa vez, entretanto, não pude deixar de responder por que você levou as discordâncias que fui reconhecendo durante a minha leitura a um nível muito alto para não me obrigar a explicitá-las

    Bonifa

    04 de dezembro de 2012 às 20h39

    Você se aborreceu e se sentiu tocado pessoalmente, Xacal. Quando o Rodrigo diz “se ambos são gerentes, qual a diferença entre votar no PT ou no PSDB?” ele não está expondo suas próprias convicções, mas sim as da população, que está a ser levada, pela mídia, a crer que não haveria diferença fundamental entre dois tipos de gerenciamento, num cenário onde a Dilma pode até ser acusada de mau gerenciamento. Esta percepção pode ser tida como de classe média, mas ela se estende ao povão, sem dúvida que corre o risco de se estender. Na paz ou na marra, como aconteceu em Fortaleza, onde a coligação conservadora reverteu a situação em cinco dias, transformando uma eleição perdida em vitória, através de uma operação que contou com enormes arrastões de gente remunerada em favelas da capital, e com uma profusão avassaladora de dinheiro na última hora para uma gigantesca movimentação onde toda a cidade se transformou em uma única e descomunal boca de urna, tudo sem a menor possibilidade de punição por uma justiça incapaz ou dominada. Rodrigo está a alertar e por isso merece ser bem ouvido.

    Darcy Brasil Rodrigues da Silva

    05 de dezembro de 2012 às 20h44

    XACAL

    Jamais pensei que a polícia “é lugar de tapados”. Isso seria me conceder um atestado de “tapado”. Pelo contrário,sei perfeitamente que foram os agentes da inteligência policial,muito bem preparados, cheios de cultura política, conhecedores das diferenças de pontos de vista entre as diversas correntes da esquerda, e que dominavam o marxismo, o marxismo-leninismo,o maoismo, a história,alguns mais até que muitos militantes, agentes policiais tão inteligentes quanto você demonstra ser,portanto, e que sabiam fazer brilhantes análises de conjuntura , tanto nacional como internacional, que demonstravam “camaradagem” com os “companheiros” etc, foram precisamente esses policias filhos da puta e aparentemente não truculentos,amáveis, sorridentes, que conseguriam, no passado,durante a ditadura militar, ganhar a confiança de algum militante incauto, se infiltrando, assim, nos partidos clandestinos e levando à dissolução de diversas estruturas clandestinas de resistência, com a prisão, desaparecimento e morte de centenas de pessoas.

    Não ,Xacal, você distorce as minhas palavras para tentar me queimar. Mas a matriz desse tipo de queimação é minha velha conhecida.Em geral ela se faz acompanhar de um pequeno coro. O que eu disse e reafirmo é que , era bom saber da existência de um comentarista, que aqui comenta como apoiador de um governo progressista,e não como um agente da direita, em uma polícia conhecida e reconhecida por ser excessivamente truculenta em todo o nosso país,relativamente ao povo e aos trabalhadores, tanto a civil quanto a militar. Uma polícia que certamente pode e deve ser convertida em polícia cidadã, sobretudo, a partir de sua unificação, melhoria das suas condições de trabalho e de seus vencimentos, etc. Mas isso não me fez esquecer que andei sempre com o pé atrás em relação a ela. Que entre as pessoas que mais odeio, uma porcentagem considerável é formada por policiais, responsáveis pelas mais odiosas manifestações de covardia contra o povo. Você não conheceu nenhum desaparecido e assassinado por esses caras. Eu conheci! O fato de serem inteligentes não lhes impediu de serem covardes e truculentos. Felizmente conheci também alguns policiais decentes. Dois deles se tornaram meus amigos e certamente vão rir desse seu comentário tentando me jogar contra a polícia.
    Com essa queimação suas, encerro a minha participação como comentarista do “Viomundo”. O “boboca” do “lulipe”, a quem devo ter ofendido também injustamente, pelo que você e outro comentarista disseram ( tadinho!) pode voltar e comentar livremente com os dois companheiros, sem a minha interferência.

    ADEUS!!!

Messias Franca de Macedo

04 de dezembro de 2012 às 14h02

[DA SÉRIE ‘PIADAS NO SALÃO’!]

Procurador [Brindeiro Gurgel] afronta o STF, o Congresso Nacional e o Estado ‘Subdemocrático’ e de Direito… E, diz, textualmente:”…É ‘perfeitamente admissível’ prisão imediata de condenados…”

… Bom, então, o senador Fernando Collor de Mello poderá ver o prevaricador-geral da República e a esposa encarcerados logo em seguida ao indiciamento e outras mediadas jurídicas e administrativas!…
(… Este procurador destila ódio pelas ventas que é um horror! Uma lástima, “seu ‘dotô’”!… Sob outra ótica é uma mistura caricata do Sargento Garcia, do Jô Soares e do Rei Momo do carnaval da Bahia! O que é aquilo televisionado, sô?!… Já não bastavam ‘os beiços autoassoprados’ pelo “grão-supremo” Gilmar Mendes, o que (a)quilo televisionado, “seu menino”?!…)

NO BANCO DE RESERVA DO MERVAL “DA GLOBO”! O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, saiu em defesa nesta segunda-feira (3) do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux e disse que não houve “nada irregular” nos contados dele com réus do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, quando articulava sua indicação para o tribunal.
Gurgel ligou a informação ao que chamou de campanha de desmoralização do Supremo e do Ministério Público patrocinada por “inconformados com o resultado do julgamento”, que teria ainda tentado incluir o nome dele no relatório da CPI do Cachoeira do Congresso Nacional.
(…)
CACHOEIRA – perdão, ato falho -, FONTE: grande ‘MÉRDIA’ nativa!

O Gurgel “matou no peito”! É isso, aí, meu peixe, diria o Fux!…

Que país é este, sô?!…

República da DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascista eterna, MENTEcapta, aloprada, alienada, histriônica, impunemente terrorista, antinacionalista, golpista de meia-tigela, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo’!… (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    Messias Franca de Macedo

    04 de dezembro de 2012 às 14h25

    Ajustando o título do texto:

    [DA SÉRIE ‘PIADAS NO SALÃO (DO JÚRI)’!]

    Saudações democráticas, progressistas, nacionalistas, civilizatórias e anti-golpistas,

    BRASIL NAÇÃO
    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

    Messias Franca de Macedo

    04 de dezembro de 2012 às 14h34

    Perdão por outro ajuste, necessário no contexto!…

    República de ‘Nois’ Bananas
    Bahia, Feira de Santana
    Messias Franca de Macedo

ruy marcondes garcia

04 de dezembro de 2012 às 13h53

Parece que a responsabilidade pelo “fatiamento” é toda de Dilma. Mas quem é que se afastou “das bases e bandeiras históricas de Lula e do PT”? Por acaso não foram eles mesmos?
Como explicar e aceitar abraço em Maluf, Rosemary, covardia na CPMI, dócil submissão à pauta e interesses da mídia, silêncio constrangedor sobre malfeitos, alianças espúrias e por aí vai?

Responder

    xacal

    04 de dezembro de 2012 às 15h52

    Ruy,

    Explica uma coisa, o que são, nas suas palavras, “(…)bases e bandeiras históricas de Lula e do PT”?(…)”?

    Engraçado, eu sempre imaginei que a História fosse um processo, construído por nós, que influenciamos a realidade, na mesma medida que ela nos influencia, caminhando, tropeçando e recuando, dialeticamente, algumas vezes, a passos largos, outras correndo, e por fim, às vezes, até sentado, como se olhássemos a História “passar”.

    Então, o que são estas “bandeiras históricas”? É algum novo-velho slogan?

    Algum tratado e compromisso feito com sangue dos envolvidos, onde todos se comprometiam a permanecer fiéis a tais “bandeiras” mesmo que todo o contexto exigisse novas bandeiras?

    Bem, eu não defendo o cinismo pragmático como única forma de fazer política.

    Mas eu procuro um meio termo entre este cinismo, às vezes, só ás vezes, tão real quanto útil, e a ingenuidade moralista, que também, às vezes é útil, embora seja menos real.

    Cruel ironia: o cinismo é mais verdadeiro que o moralismo, porque este último é hipócrita.

    E cínicos e hipócritas fazem as mesmas coisas, embora os últimos queiram fazer todos crerem que são diferentes.

    É horrível que em SP um dos aliados de nossa enorme conquista seja Maluf.
    ]
    Seria ótimo se fossem piçol, o pstu e toda a linha vanguarda-ultra-mega-hiper-super-esquerda da liga da justiça, honestidade, pureza teórica e intelectual, mas eu pergunto, onde estão? Dão suporte e governabilidade?

    Opa, uma parte dela, o piçol, estava em Macapá, disputando e ganhando a prefeitura com o apoio do DEMO???????

    Não resistiu a dois segundos segurando as próprias bandeiras históricas.

    Como você, eu tenho uma enorme dificuldade de aceitar que Lula e Dilma, o governo e o PT tenham que se misturar a tanta gente tão não-programática, tão não-socialista, tão não-pura no Congresso, que aliás foi eleito por um povo não-programático, não-puro, não-socialista que veio lá de Marte…

    Ei, ei, ei…este povo não veio de Marte…este povo somos nós!

    Eu também me fico indignado com Rosemerys, Fux, covardia na CPMI, adoraria chutar o pau da barraca, empastelar a “óia”, guilhotinar todos os que traírem nossos líderes, fundando o novo terror jacobino mulato iê-iê-iê.

    O problema, fiote, é que depois de “véio” a gente aprende que entre a vontade e o gesto há um abismo enorme de possibilidades.

    Em suma, alguém já disse, algum pesquisador ou outro estudioso do assunto, que o PT, em 2002, com uma forte inflexão em 2006, abandonou as suas bandeiras mais marcantes e sua aliança histórica com setores que lhe conferiam a marca de UDN de macacão(o Brizola era f..da), ou seja: Igreja progressista, as CEB, elite sindical metalúrgica e de outros setores, como bancários, e corporações de funcionalismo público.

    Esta aliança lhe permitia, no máximo, governar grandes cidades(mais de 500 mil habitantes)mas colocava um teto de 30 a 35% do eleitorado para Lula em nível nacional, dado que a maior parte(o povão)morria de medo das “nossas bandeiras históricas).

    O Zé Dirceu e outros enxergaram junto com o sapo barbudo(eita Brizola)e criaram a reengenharia política tratada na carta aos brasileiros, nossa certidão de nascimento ao povo brasileiro(todo ele)onde dizíamos: NÃO COMEMOS CRIANCINHAS!

    Agora, cedemos o eleitorado (30 a 35%) para os perdedores, e o povão veio conosco para que fizéssemos o melhor governo da História deste país, por onde quer que se olhe.

    Será que o povão tinha razão. Será que nossas bases e bandeiras eram, na verdade, só um sarcófago?

    Mário SF Alves

    04 de dezembro de 2012 às 22h13

    Essa vai pros favoritos.
    Xacal, se houver como, faça uma análise crítica do comentário a seguir (o original tá no link: https://www.viomundo.com.br/humor/nem-parece-que-o-fux-foi-indicado-por-governo-petista.html/comment-page-1#comment-400851). Talvez seja útil a outros. Grato.

    Vale destacar:
    “Sugestivo dessa versatilidade é o fato de ter se oferecido à Folha para contar um pedaço do que fez, acenou e moveu até ser indicado à vaga que ocupa hoje no STF.”
    __________________________________
    Sugestivo até demais pro meu gosto. Resta saber o que está por trás de tanta sugestibilidade.
    Que o jogo é pesado e que essas antas não dão ponto sem nó, disso a gente já sabe faz tempo. Por antas, entenda-se oposição neoconservadora ou não representada ou não na mídia corporativa. Aliás, o PT tem a obrigação de saber disso desde o início daquela estória do MENSALÃO. Ou será que a diluição ideológica pela governança chegou ao ponto de diluir também os próprios neurônios? Aqui, assino embaixo de quase tudo aquilo que disseram o Mino e Kotscho. Se se acredita que vivemos numa Nação; se se acredita na própria história; se se acredita que a causa não está perdida, é hora de explicações. Temos medo do quê? A operação Porto Seguro não pode esperar. E, antes que seja tarde demais, assumamos publicamente os erros PT. De novo, medo do quê? Daquilo que fizeram ao Dirceu e ao Genoíno? Definitivamente não; não pode ser. Mesmo porque, aquilo ali não terá nada de definitivo se o povo assim entender.
    Eis o dilema, o nosso dilema: Ou o PT faz isso, ou a emenda certamente será pior do que o soneto. Imagine-se um PT “sequestrado/domesticado” pela direita; imagine-se o desserviço à causa democrática que tal movimento resultaria.
    ________________________________
    PT, um partido do poder pelo poder, não. PT, um partido igualmente corrupto e da conivência ad aeternum, igualmente não. Cadê o “doa a quem doer”? É hora de praticá-lo. E, em face de hipótese tão dramática, melhor seria re-conceituar o PT, pois, neste caso, preferível tê-lo na conta de perda total, do que de Partido dos Trabalhadores. Pois é isso o que será se prevalecer a hipótese de vir a ser refém da direita testa-de-ferro ou não que sempre dominou e envergonhou este País.
    _________________________________________

    É hora de um strep-tease do lado de cá, também.
    _____________________________________________________
    Mas… voltando à carga, o que está por trás de tamanha “expontaneidade/sugestibilidade”? Seria essa uma estratégia ou tática, sei lá, visando mostrar publicamente um PT bobão? Um PT fracote e, portanto, facilmente golpeável? Um PT sem opção, conivente, sem critério e igualmente corrupto? E se estratégia for desLular o PT para em seguida fascistizá-lo como instrumento da direita mais retrógrada do planeta, cumprindo exatamente aquilo que o PSDB se revelou incompetente em cumprir?

    xacal

    05 de dezembro de 2012 às 01h01

    Mário,

    Um dos aspectos da luta política é dar a dimensão exata, ou tentar se aproximar desta dimensão, quando conduzimos o processo.

    Primeiro: quem detém a agenda da política e dos debates necessários é o governo, é quem controla o Estado, e em suma, quem está em condição mais privilegiada em relação aos demais oponentes e aliados.

    Então, eu pergunto:

    Por que cargas d’água o governo faria um mea culpa, ou um “striptease”, como você disse?

    01-Há interesse do governo (e nosso) que a agenda moralista seja a principal preocupação da sociedade, haja vista a forma como o tema tem sido colocado pela mídia, e pelo próprio judiciário, ou seja, de forma a só escolher um lado para o linchamento? Eu penso que não!

    02-Como pode o governo dar mais explicações se é a Polícia Federal deste governo(não interessa aqui a briga com os tucanos dentro da PF, ou pelo meno, não é o principal neste fato)que tem desbaratado os crimes, e que este governo não tem mexido uma palha sequer para impedir este processo? Não pode, e não deve, e não porque está melindrado ou com medo, mas sim porque as respostas estão subordinadas a instâncias corretas, ou será a mídia o tribunal ou a arena política onde resolveremos nossos problemas jurídicos e políticos?

    Discordo frontalmente do Kotscho(meu comentário sobre isto está no post que ele diz que está na hora do PT se explicar, aqui neste blog).

    Entendo as razões pessoais do Mino com a CPMI.

    E finalmente lhe digo: Este debate sobre o assédio do capital sobre a política(que gera tantas distorções e crimes), o financiamento da política, etc, não podem ser submetidos a esta pauta moralóide.

    Um amplo e demorado debate nacional dentro e fora do PT, sem hipocrisias, sem medos e sem recalques.

    É disto que precisamos e não autos de fé na inquisição da mídia.

Matheus

04 de dezembro de 2012 às 13h23

Os demotucanalhas podem adotar um discurso “centrista”, o que o próprio neopetismo estimula, com essa mania histérica de acusar todo mundo que os critica pela esquerda de “radicais” (como se fosse uma ofensa!), mas tenho minhas dúvidas se eles enganam alguém. Mas tem um aliado poderoso: os seus adversários petistas. No final das contas, a Dilma trabalhou para congelar de uma vez por todas a reforma agrária e está realizando um plano massivo de privatizações, que só perdem para a privataria tucano em volume de capital estatal transferido para os oligopólios privados. A dívida pública continua sendo religiosamente paga, as empresas privatizadas por FHC no maior esquema de corrupção da história brasileira continuam nas mãos dos beneficiários da máfia neoliberal. E uma das sequelas da privataria, a entrega parcial ou total de riquezas naturais valiosas (petróleo e mineração) para o capital multinacional explorar de forma predatória e irresponsável. A educação e a saúde públicas continuam à míngua, e a previdência pública vai se convertendo em um fundo de pensão estatal para financiar os negócios privados dos aliados do governo. Qual é mesmo a diferença? Será um conjunto de programas assistencialistas que se limitam a atirar aos mais pobres as migalhas da superexploração do trabalhador brasileiro e das riquezas naturais brasileiras, com a espectativa que esses miseráveis mostrem gratidão no dia das eleições? Até mesmo a CPI da Privataria, que os petistas defenderam (com toda a razão) nas redes sociais, foi abandonada assim que o Palácio do Planalto se aliou aos demotucanos para bloqueá-la. Afinal, o PT também está fazendo a sua privataria! A sorte dos petistas é que Aécinho do Pó é um tremendo babaca ficha-suja, sem propostas outras que o retorno do neoliberalismo duro (em contraste com o neoliberalismo light do neopetismo). Mas existe sempre a cartada do fundamentalismo religioso, para agradar às massas supersticiosas. Mesmo assim, Brasil não se resume a Tucanalhas versus Petralhas, é possível que surja uma alternativa à esquerda neste cenário lamentável de predomínio conservador capitaneano pelo transformismo. O que eu não acredito é que surja qualquer projeto alternativo dentro do triângulo amoroso PT/PSDB/”Base Aliada”.

Responder

Jorge

04 de dezembro de 2012 às 12h37

Carta enviada a Presidenta Dilma:
“Exmª. Sr.ª Presidenta da República.
Na qualidade de cidadão da República, fico oprimido com a situação venal que encontra a nossa mídia e o aparente descaso que o Governo de V.Ex.ª parece tratar o assunto. Neste link https://www.viomundo.com.br/politica/rodrigo-vianna-e-a-tese-do-fatiamento-do-pt.html, Rodrigo Viana consegue me aterrorizar, pois, militante que sou do Partido desde sua fundação, não quero e não desejo em nenhuma hipótese a volta desses mercenários ao poder. Indago, então, com todo o respeito possível a figura de V.Ex.ª, se não está sendo conduzida de forma leviana e irresponsável a política com essas organizações midiáticas, que pautam de tudo, e, infelizmente, parece, até o governo de V.Ex.ª. Já ví na Internet perguntas doloridas sobre o que fazer, pois parece a nós, cidadãos, que essas pessoas contrárias ao pais, farão de tudo para nos alijar do poder que conquistamos a duras penas, mesmo que para isso rasgem a normalidade democrática, com por exemplo, o que vimos nas tristes figuras dos “ministros” do STF, alguns indicados por V.EX.ª, em particular o tal do FUX, que, com toda a sinceridade, só me causa escândalo. Será que também temos que considerar que em algum momento teremos que rasgar a normalidade democrática para garantir as nossas conquistas? Conclamo a Sr.ª pensar sobre isso e não passar a história como alguém que favoreceu atitudes de justiceiros para membros de nossa sociedade, indignados com a atual situação, considerando que o que existe hoje no Pais em termos de órgãos de comunicação social, há muito tempo já, como se diz no popular, “encheu a paciência”. Regulamentação da MÍDIA JÁ. É desnecessário lembrar a V.Ex.ª que tais veículos (Folha, Estadão, O Globo, VEja e outros ) são inimigos do Estado, e assim devem ser tratados. Sr.ª Presidenta, a senhora ainda tem o nosso apoio necessário. Não tenha medo e nem dúvidas: regulamentação JÁ! “

Responder

Eduardo Guimarães

04 de dezembro de 2012 às 12h31

Escrevam aí: enquanto o povo continuar sentindo melhora em sua vida financeira, ninguém quererá mexer no time que está ganhando. Não subestimem o que o brasileiro sofreu até o início deste milênio. Pancada deixa marcas. O PSDB só volta ao governo se a vida do povo piorar. Enquanto continuar melhorando, enquanto a distribuição de renda prosseguir, a sensação de virada de página em um país eternamente concentrador de renda persistirá. Não há uma mísera razão lógica para o povo voltar a um grupo político sob o qual sofreu tanto. Essa crença em que o povo vota sem saber por que é uma crença da direita. Quem melhorou de vida sabe por que e quando foi.

Responder

    Ricardo JC

    04 de dezembro de 2012 às 19h28

    Edu

    Comentário perfeito. Achar que a eleição de 2014 (ou qualquer outra) vai se decidir no campo da política é bobagem. Se a economia ruir, Dilma vai ser enterrada (acho que, mesmo neste cenário, ainda há espaço para a volta de Lula…) e novos favoritos surgirão. Se não…fica tudo como está. Vale lembrar que, apesar do PIB fraco (que não enche barriga de ninguém…), estamos em situação de pleno emprego.

    xacal

    04 de dezembro de 2012 às 20h28

    Então, caro amigo, como você explica o fenômeno Marina Silva, a Joana D’arc da floresta, que junto com Zé Çerra levaram a eleição para o 2º turno,º e provocaram uma inflexão tremenda no discurso da favoritíssima Dilma(eu já comemorava a vitória no 1º turno), que só faltou beijar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, e jurar de pés juntos que era contra o aborto?

    Em 2010 colhíamos o melhor momento da expansão do consumo, e se não me engano, apesar da crise, Lula surfou a “marolinha”.

    Se é tudo economia, por que não liquidamos a oposição em 2010?

    Bonifa

    04 de dezembro de 2012 às 20h51

    A este respeito, temos que mídia não cansa de tentar faturar em cima de comparações estúpidas, buscando agora tentar fixar a imagem de mau gerente ao governo. Delfim Neto tem um ótimo artigo sobre isso, onde ele pede à mídia “Honestidade nas Comparações”:

    http://www.cartacapital.com.br/economia/honestidade-nas-comparacoes/

baader

04 de dezembro de 2012 às 12h22

é uma análise, traz alguns dados. mas, como afirmar com certeza de que os que ascenderam socialmente nos últimos anos votam no PT? sociedade despolitizada, onde o ‘imaginário popular’ é forjado pela midia-anestesia: o que importa é consumir. jornalismo/investigação e informação se tornaram secundários. o pouco que este grupo conquistou elevou sua auto-estima e jogou-o no conservadorismo: ‘lutarão’ para não perder um palmo e para tanto não importa qual partido estará no poder. carisma e promessas de campanha parecem mais fortes (ou não existiriam marqueteiros). e nós que ‘amávamos o PT’? talvez estejamos nós anestesiados…

Responder

augusto2

04 de dezembro de 2012 às 12h20

mto bom rodrigo. Depois q voce nos mostrou a floresta com essa nitidez vou ver mais de perto as arvores.

Responder

Willian

04 de dezembro de 2012 às 11h50

Bem, canso de dizer aqui que esta briga com a mídia não é da Dilma, é de vocês. Mas vale tentar atrair a presidente para suas trincheiras. A eleição de Dilma em 2014, ou de outro candidato do PT, depende apenas da economia. Como sempre, “é a economia, estúpido!”.

Responder

    Wladimir

    04 de dezembro de 2012 às 12h59

    Prezado Willian (Bonner ou Waack, quem sabe?!), Vc como político ou economista tem o mesmo nível como jornalista que é (seja um ou seja o outro)! É evidente que a briga com a mídia oligárquica golpista é da Presidenta Dilma, do PT e de todo o povo brasileiro; porque esta mídia corporativa é quem efetivamente assumiu o papel da oposição política no Brasil, agindo não somente contra o atual governo e o anterior, mas contra todo o povo brasileiro. A questão é a economia, sim; mas o principal “é a política, estúpido!”

    xacal

    04 de dezembro de 2012 às 13h48

    William, William, fiote, me surpreende que um macartista conservador como você aceite o “determinismo economicista”, de tradição marxista deste modo.

    Então, é a infraestrutura econômica que determina o caminhar da superestrutura política? Uau, já é um avanço, mas não é tudo.

    Descontextualizar frases é um perigo. Engessar “teorias econômicas” é outro!

    É certo que o acerto econômico que traz conforto, bens de consumo, estabilidade e perspectiva de futuro e possibilidade planejamento, muito importante no processo de tomada de decisões do eleitorado.

    Nisto, ficou claro que o PT é muito mais eficiente que os demotucanopatas nunca imaginaram ser.

    Mas não é só isto, aliás, isto sequer é o determinante.

    Se assim fosse Al Gore teria ganho as eleições no melhor período econômico dos EEUU nestes últimos anos.

    Ou se assim fosse, países que gozam de relativa estabilização econômica permanente, como Noruega, Dinamarca, e tantos outros, não alternariam governos.

    Fiote, a população sabe que o que determina a economia, e mais, a quem a economia servirá(se só aos ricos, ou no caso de Lula e Dilma, aos ricos e aos pobres)são as escolhas políticas.

    É uma intrincada teia de valores, consensos, conflitos, enfim, um grosso caldo de cultura que influencia e é influenciado, como um jogo de causa e efeito, este processo de escolha.

    Eu sei que não é um troço muito fácil de entender, mas se você se esforçar(e você parece ser um bom menino)vai conseguir.

    Aí então, a gente começa um debate mais denso sobre este tema.

    Só nestes slogans e frases de efeito que você decorou, não dá!!!!


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