VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Taxa de pobres paulistanos cadastrados no Bolsa Família é de 44%


05/11/2012 - 17h15

SP é capital com menos pobres no Bolsa Família

05 de novembro de 2012 | 9h 09

ROLDÃO ARRUDA – Agência Estado

Na cidade de São Paulo, onde vivem 11,3 milhões de pessoas, existem 500,6 mil famílias pobres, segundo o Censo de 2010. Com renda de até R$ 140 per capita, todas elas poderiam estar inscritas no Bolsa Família. O número de famílias cadastradas no programa, porém, é de apenas 226,6 mil — o equivalente a 44% do total, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social.

Isso significa que mais da metade dos pobres paulistanos identificados pelo Censo ainda não foi alcançada pelo programa de transferência de renda federal criado nove anos atrás.

Na comparação com as outras capitais, a taxa de cadastramento de São Paulo é a pior do País e a única abaixo da linha de 50%.

Florianópolis, que alcança 61% das famílias, Goiânia, com taxa de 65%, e Rio, com 74%, são as três capitais com índices mais próximos dos registrados em São Paulo. Em todas as outras capitais o benefício do Bolsa Família atinge mais de 88%. Ele chega a 100% em Teresina, Maceió, Fortaleza, São Luís, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Recife, Porto Velho, Boa Vista, Aracaju, Palmas, Natal Manaus e Distrito Federal.

É possível ter uma estimativa dos recursos que São Paulo não recebe, utilizando como base do cálculo o repasse que o governo federal já faz. Em outubro foram transferidos para as contas das 226,6 mil famílias o total de R$ 24,6 milhões, o que representa R$ 108 por família, na média. Multiplicando esse número pelas 273.987 famílias que poderiam estar sendo beneficiadas, chega-se à quantia de R$ 29,5 milhões. Por esse mesmo raciocínio é possível concluir que os pobres de São Paulo deixam de receber R$ 354 milhões ao ano.

A tarefa de cadastrar os pobres cabe às prefeituras. São os serviços sociais municipais que, depois de identificar, localizar e inscrever as famílias, enviam os dados para o cadastro único do Desenvolvimento Social. Depois que o pedido é aceito, o pagamento começa a ser feito diretamente à família, por meio de conta bancária.

Indagada pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre o cadastro paulistano, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, evitou criticar de maneira direta os prefeitos paulistanos. Falou de maneira genérica sobre as responsabilidades dos chefes de municípios.

“A qualidade do cadastro varia de um lugar para o outro de acordo com a disposição do prefeito para trabalhar e mobilizar equipes, independentemente de sua posição partidária. No Piauí, que foi apontado pelo Banco Mundial como o Estado que possui a melhor focalização dos trabalhos, com 100% das famílias pobres cadastradas, houve um enorme esforço para que tudo funcionasse bem.”

O serviço de cadastramento em São Paulo nunca figurou entre os melhores. Em 2005, quando José Serra (PSDB) se tornou prefeito, 58% das famílias pobres identificadas pelo Censo de 2000 recebiam o benefício federal. Em 2006, quando entregou o cargo a Gilberto Kassab, então no DEM, para disputar o governo estadual, o índice havia subido para 78%.

Leia também:

JC: Flertando com uma teoria da conspiração

Altamiro Borges: Mídia prepara bote contra Lula

Carlos Lopes: Passadas as eleições, pressa do STF “sumiu”

Lincoln Secco: PSDB e Eduardo Campos só têm chance em 2014 se houver ”crise catastrófica”

Marcos Valério, o jogo político e a investigação do ex-presidente Lula

Vereador que fez campanha por Serra antecipa proposta de Haddad

Corrigindo o diagnóstico de Aécio Neves sobre o resultado eleitoral

Breno Altman: Quem tem domínio de fato, na democracia, é o povo

Fernando Ferro: Verba publicitária e sadomasoquismo





6 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Dr. Rosinha: “Rua Delegado Fleury, torturador e matador” « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de novembro de 2012 às 16h54

[…] Taxa de pobres paulistanos cadastrados no Bolsa Família é de 44% […]

Responder

maura

06 de novembro de 2012 às 10h15

Sou paulistana, faço mestrado e não recebo bolsa-familia. Voto no PT. Ontem tive que atravessar a calçada pela rua, algo comum em Sampa, porque o motorista não estava com vontade de estacionar direito o carro. Fui lá, ele tava sentado dentro do carro e não perdi a oportunidade única, e pedi educadamente para ele estacionar na garagem e deixar a calçada livre para os pedestres, disse que tive que atravessar na rua por causa do carro na calçada. Acreditem ou não ele deu puxadinha para frente no carrão e ficou com cara de bocó esoerando alguém sair do banco na região da Berrini. Deixou uns centímetros mínimos de calçada livre. è assim que eu reconheço um tucano, adora um privilégio e acha que pobre tem que se explodir! ;)

Responder

José Roberto-Sp

06 de novembro de 2012 às 00h45

Uma das exigências para receber o Bolsa Família é que os filhos estejam matriculados e frequentando às aulas do Ensino Fundamental. Dos 56% não cadastrados os filhos estão frequentando às aulas ? Se positivo por que não estão recebendo ? E os que não estão frequentando se vierem a se cadastrar terá escola todos ?

Responder

Jakson

05 de novembro de 2012 às 23h57

e na Chuíça tem gente que presição do bolsa família? aqui os padrões de vida são da Suíssa e a pujança econômica é chinesa.

Responder

FrancoAtirador

05 de novembro de 2012 às 20h38

.
.
LIVRO

“A obra vislumbra as origens da corrupção no ‘eu’ que busca poder ou fortuna, insensível ao clamor do outro que sofre, e iludido na crença de que a felicidade reside em ter, e não em ser, quando o ‘eu’ não se abre para acolher o outro com generosidade, respondendo com bonomia ao seu padecimento, mas vendo o outro apenas como oportunidade de ganho ou lucro.

O prolongamento desse agir, inerente ao individualismo, vai marcar muitas instituições, como o capitalismo, de modo que os prósperos convivem com naturalidade com a miséria dos famintos, com a devastação da natureza, da vida e do planeta, com as guerras e genocídios, tudo movido pelo intento de apropriação de alguns, cuja fortuna é racionalizada alardeando-se seus méritos ou talento para gozar de privilégios.

Todavia, a evolução da espécie humana e a salvação da vida e do planeta carecem de uma refundação ética em que o ‘eu’ sinta primacialmente o ‘outro’.”

(Des. José Fernando Ehlers de Moura; ‘Ensaio Sobre a Corrupção’, 2012)

Responder

FrancoAtirador

05 de novembro de 2012 às 20h01

.
.
E há quem diga que o PSDemB não é partido de ricos.
.
.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding