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Relatório Leveson propõe órgão independente para monitorar jornais


30/11/2012 - 00h53

Relatório Leveson: Um pesadelo — mas só para a velha guarda da Fleet Street*

Cobertura sobre ‘impor uma coleira governamental aos jornais’ provou ser apenas espuma nos lábios de propagandistas

[*Fleet Street é a rua de Londres onde ficavam as sedes de várias empresas jornalísticas]

por Nick Davies

No jornal britânico Guardian, Thursday 29 November 2012 18.45 GMT

Olhemos primeiro os pesadelos que não se concretizaram.

O governo não está sendo convidado a assumir o controle da imprensa. Todos aqueles anúncios de página inteira comparando o juiz Leveson [encarregado de investigar a imprensa britânica] a Robert Mugabe e Bashar Assad, toda aquela cobertura de alta octanagem no Sun e no Mail sobre o relatório de Leveson “impor uma coleira governamental sobre os jornais” e ameaçar “regulamentação estatal da imprensa livre britânica” provou ser não mais que espuma nos lábios de propagandistas, simplesmente outra onda das distorções que tanto fizeram para dar origem à própria investigação.

O relatório Leveson também não aceita que a Fleet Street seja recompensada pelos seus repetidos abusos de poder com ainda mais poder, não apenas para agir como seu próprio regulamentador como para investigar jornalistas e impor multas àqueles que quiser.

Este era o plano urdido pelo lado conservador da Fleet Street, ainda maliciosa e cegamente confidente de que o resto de nós aceitaria dar ao dono do Express, Richard Desmond (“Ético? Não entendo muito bem o que a palavra significa”) o direito de policiar a ética da imprensa; ou dar a Paul Dacre (que disse originalmente à Comissão de Reclamações contra a Imprensa que a cobertura do Guardian sobre o escândalo da violação telefônica foi “altamente exagerada e imaginativa”) algum papel em multar o Guardian; ou dar a executivos da News International, de Rupert Murdoch, que enganaram a imprensa, o público e o parlamento, algum tipo de papel na investigação da verdade no conteúdo de reportagens. Leveson rejeitou este plano com uma frase boa: “Seria a indústria jornalística dando a nota em seu próprio exame”.

Não se trata de nenhuma catástofre para o jornalismo britânico. Do ponto de vista de um repórter, não há qualquer problema com a tese central do relatório Leveson, o sistema de “auto-regulamentação independente”.

Isso teria três funções. Primeiro, lidaria com as reclamações, mas faria isso através de uma organização que não seria escolhida nem responderia à Fleet Street. O lado escuro da indústria pode reclamar que isso é uma ameaça terrível à liberdade de imprensa, ecoando o estuprador que alega que a polícia é uma ameaça ao amor livre. Por que deveriamos temer um juiz independente? Por que não deveríamos nos envergonhar da Press Complaints Comission a qual, como diz o relatório, “fracassou… não é um regulador… não tem independência… provou estar alinhada aos interesses da imprensa”? É duro pensar sobre qualquer outra resposta decente às provas apresentadas por Kate e Gerry McCann, acusados falsamente [pela mídia] de assassinar o próprio filho; ou a Christopher Jefferies, atacado perversamente como matador; ou a qualquer uma das testemunhas que depuseram na investigação de Leveson.

Segundo, o novo regulamentador investigaria as ofensas sistêmicas. Parece fraco. Mas não se trata de investigar crimes. Não há, nem deveria haver, qualquer sugestão de que o regulador deva ter qualquer poder para forçar jornalistas a entregar documentos ou fazer busca na mesa de repórteres. Trata-se de investigar violações sistêmicas do código de conduta — tirar fotos violando a privacidade de pessoas, por exemplo, ou entrevistar crianças sem o consentimento dos pais. Sem poder de polícia, o regulador teria de se apoiar na cooperação de jornalistas. A história sugere que or jornalistas vão relutar por temerem prejudicar suas carreiras. Vários ex-empregados do [diário] News of the World ajudaram o Guardian a desvendar o escândalo da violação telefônica mas apenas dois deles se sentiram à vontade para falar abertamente. Fraco, mas não uma ameaça.

Finalmente — e o mais importante — o regulador governaria um novo sistema de arbitragem, uma alternativa mais barata e rápida que os tribunais civis.

Isso é uma notícia ótima para repórteres que hoje trabalham sob as leis de difamação, privacidade e confidencialidade que realmente inibem a liberdade de imprensa, com ameaças de indenizações e custos legais em tal escala que encorajam a supressão da verdade. Gente como Jimmy Savile se dá bem sob estas condições. O sistema de arbitragem de Leveson reduziria o peso. E, além disso, incentivaria as empresas jornalísticas a voluntariamente aderirem ao novo marco regulatório: Leveson sugere que isso as livraria de custos com indenizações que poderiam enfrentar caso acabassem sendo condenadas em tribunais civis. Seria necessário aprovar uma nova lei para assegurar o reconhecimento pelos tribunais do novo órgão regulador, garantindo benefícios às empresas que se submetessem a ele.

Existe um pesadelo aqui, mas é para a velha guarda de Fleet Street. Perder o controle do órgão regulador é perder a licença para fazer o que bem entender.

Embora a atenção política se volte para os planos de Leveson para o futuro, o verdadeiro poder do relatório está nas provas detalhadas e incriminadoras sobre o que a licença dada à mídia permitiu que acontecesse. “Setores da imprensa agiram como seu próprio código de conduta não existisse… houve negligência ao priorizar as notícias sensacionalistas, sem considerar os danos que pudessem causar… uma determinação em usar vigilância clandestina contra ou apesar do interesse público… desprezo significativo e negligente em relação à verdade factual… alguns jornais usaram ataques extremamente pessoais contra aqueles que os desafiaram”.

O relatório enfrenta o Daily Mail e seu editor, Paul Dacre, por acusarem Hugh Grant [o ator] de usar “insinuações mentirosas” ao depor na comissão, concluindo que o jornal “foi longe demais” e que Dacre “agiu precipitadamente” e que sua explicação para suas ações “não justificam a linha agressiva que adotou”. Enfrenta o Sun pela decisão do jornal de expor que o filho de Gordon Brown [o líder trabalhista] tinha sido diagnosticado como fibrose cística, alegando que “não havia interesse público na notícia que justificasse a publicação sem o consentimento do casal Brown”, reconhecendo a possibilidade de que a informação tenha sido obtida “por meios ilegais e antiéticos” e contestando as alegações da então editora Rebekah Brooks de que os Browns “tinham o compromisso de tornar a informação pública”.  O relatório detalha o comportamento do Mail, Sun e Telegraph que, quando Leveson estava investigando, optaram por publicar material sobre a morte de um estudante de 12 anos, Sebastian Bowles, na Suiça, que “levanta questões sob o código de ética dos editores”.

Isso não significa que o relatório não representa problemas para o jornalismo em geral.

Nos detalhes, parece sugerir que policiais não deveriam mais realizar briefings em off com os repórteres. Se esta regra estivesse valendo nos últimos anos, é justo dizer que o Guardian talvez não tivesse tido condições de expor o escândalo da violação telefônica. Existe uma seção que deixa implícito que repórteres só poderiam esconder a identidade de suas fontes confidenciais se tivessem alguma prova da existência delas, como um acordo por escrito com a fonte — o que é difícil, especialmente se a fonte for um criminoso profissional descrevendo corrupção policial ou uma criança prostituída depondo sobre o cafetão.

Mas o problema real, naturalmente, é  sobre o poder da besta. Este debate não será resolvido com fatos e argumentos razoáveis. Será conduzido sobre as mesmas velhas regras — falsificações, distorções e ameaças. Haverá governo capaz de enfrentá-lo? É aí que mora o pesadelo.

Para a íntegra do relatório Leveson, em inglês, aqui.

Leia também:

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28 comentários

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Denis

30 de novembro de 2012 às 22h07

Vale a pena a leitura do artigo de Alex Andreou no New Statesman. Texto bom pra refletir sobre pontos-chave na reacao negativa dos proprietarios da midia impressa e jornalistas ao Relatorio Leveson.
Texto (em ingles) aqui

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30 de novembro de 2012 às 20h43

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LUIS NASSIF – euclidessantana86

30 de novembro de 2012 às 19h32

[…] Relatório Leveson propõe órgão independente para monitorar jornais britânicos […]

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francisco niterói

30 de novembro de 2012 às 13h36

Ao josemonobloco

O OFCOM regulamenta a midia concedida, ou seja, basicamente radio e tv. Como se trata de concessao, estas midias obviamente têm que atender certas carcteristicas de interesse publico. Alias, chega a ser hilario a midia se bater contra a regulacao pois no caso de concesso seria o mesmo que termos empresas de onibus fazendo o que quer, sem precisar de cumprir horarios, roteiros, etc.

Ja jornais, que nao sao concessoes, tem menos regulacao ou possuem auto-regulacao. Vc pode abrir um jornal mas nao pode abrir uma radio sem concessao. Na inglatera o que temos agora é o Ofcom para concessao e uma auto-regulacao para os outros. Tendo em vista o episodio murdoch, os ingleses constataram que a auto-rgulacao falhou e por isso a proposta da comissao leveson.

Em tempo: a nossa midia diz que pode se auto-regular, mesmo para concessoes, o que é uma falacia. Citam, por ex., o CONAR, o que nao tem nada a ver.

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Evandro

30 de novembro de 2012 às 13h26

Prezados amigos

Confio muito na Presidenta e entendo que ela está no caminho certo, pois mais que não pareça. Explico: 1º – Alguém realmente acredita que o governo conseguirá emplacar a regulação da mídia com estes deputados, senadores e ministros do STF que estão por aí? Eu não acredito. 2º – reduzir receita, principalmente da Globo, sem ter critérios técnicos, enfim, somente diminuir porque a Globo é a mão do PIG e fica tentando dar golpe, entendo que é dar tiro no pé. Há necessidade de critérios técnicos e não políticos. 3º – A grande arma que o governo tem é a PF pegar a globo. Ou a PF, ou a Receita Federal. Tipo Al Capone. E isto me parece que não está muito longe de acontecer. 4º – eu confio na Presidenta e la confia em nós. Demostramos isso na eleição para Prefeito em 2012. O PT é partido mais votado. Mas ainda é pouco. Precisamos fortalecê-lo e aí sim, irmos pra cima dessa cambada. Tenho duas doenças que não tem cura: sou corinthiano e petista. Como cantavámos no estádio: Globo, pode esperar, a sua hora vai chegar…

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    Evandro

    30 de novembro de 2012 às 15h51

    Outro motivo para acreditar muito na Dilma. Ela está usando a Globo contra a próprio Globo. Ôpa, cumé qui é? Utilizar a Globo contra si própria? Sim, eu entendo que sim. Vejam bem, há tempos que a Globo tenta um golpe para retirar os trabalhistas do governo e erradicar o PT. E por que ela não está tendo sucesso nessa empreitada? Vamos analisar: um sujeito que teve a sua vida e da sua família melhorada pelo governo Lula/Dilma. Imaginem um sujeito como esse assistindo o JN e vendo o tanto de notícias desmoralizando a Dilma e o seu governo. O sujeito deve criar muitas dúvidas, pois ele está sentindo sua vida melhorar, mas assiste um monte de notícias negativas. Aí entra comercial e artistas de peso da Globo passam a fazer a defesa do governo. Exemplo: Camila Pitanga dizendo que a vida das pessoas melhorou na propaganda da Caixa. Outro: Regina Casé ensinando as pessoas a fazerem controle orçamentário, dizendo que não se pode comprometer mais do que 30% de sua renda com dívidas. Reinaldo Gianecchini também dizendo que a vida melhorou nas propagadas do BB. Posso estar completamente errado, mas até que faz sentido. Isso faz…

francisco niterói

30 de novembro de 2012 às 12h48

Viomundo

A regulacao da midia nao passa por que falta liderança para o dialogo.

A bem da verdade, temos argumentos para o convencimento da populacao.

Vejam aqui no quadro de comentarios. Os que sao contra, obviamente por razoes partidarias, trolls ou nao, tangenciam o assunto. Ou partem pra coisas genericas, como se quem fosse a favor de regulacao nao quisesse aprimoramento tb das praticas republicanas, etc. Enfim, despistamento total. No bom portugues, SEM CORAGEM PRA COMENTAR O ASSUNTO DO POST. É BOA A PROPOSTA INGLESA? A ADAPTACAO PARA O BRASIL, ETC.. Resumo: nao ha argumentos contra.

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    Julio Silveira

    30 de novembro de 2012 às 13h05

    Só para ser afirmativo, quero dizer que sou a favor.

JC Tavares

30 de novembro de 2012 às 12h21

Ah! que inveja desses gringos e da Cristina Kirschnner. Nesse ponto ainda o Brasil está devendo. Por exemplo,a Globo fica buscando “pelo em ovo” pra tentar manchar a biografia de Lula, enquanto nos seus portais coloca o Sr. Carlos Cachoeira e a sua “musa” como personalidades de primeira categoria. É de embrulhar estômago até de avestruz. Affff…

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Julio Silveira

30 de novembro de 2012 às 11h25

A propósito meus caros, um fora de pauta. E motivo de outra de minhas indignações com o que vejo.
O CPERS sindicato dos professores do estado do RS, deu um indicativo de greve. Na pauta o piso nacional da categoria, que o Tarso (petista) Genro (que se arrependimento me matasse, pois ajudei a colocá-lo lá, eu não poderia estar postando aqui) governador, entrou na justiça contra a implantação, da forma preconizada por ele enquanto Ministro da Educação. Agora o mais lacaio nisso tudo foi a entrevista, na TV, de um secretário de seu governo, que alegou estar procedendo conforme outros governantes de outros partidos, citando inclusive o PSDB. Falem sério, dá para levar fé nessa gente? Ou eles acreditam mesmo que toda a população padece de neuronios?

Responder

    Julio Silveira

    30 de novembro de 2012 às 11h31

    Quis dizer: Padece “de falta” de neurônios.

LEANDRO

30 de novembro de 2012 às 10h56

Sei que não tem a ver com o tópico, mas….não podia passar em branco

Rosemary Noronha ….” Ele tá parecendo um velho caquético”

Responder

Julio Silveira

30 de novembro de 2012 às 10h50

Entendo como constrangedor perceber que a parceria politica, aqueles em quem se deposita fé, para fazer as coisas necessárias, fiquem se deleitando com as oportunidades ostentatórias que o poder lhes confere. Mas sem mexer uma palha no vacuo juridico decorrente de um ostracismo intencional causado por uma surdez premeditada.
A proposito, volto a questionar, parece que as investigações na policia federal são sempre abertas a midia corporiva, ou existe algum acordo politico para expor nas midias o que acontece por lá? A propósito aqueles que se revoltam primeiro contra a midia corporativa, deveriam se indignar antes com a facilidade com essa tem acesso a processos de investigação ainda em andamento, portanto inconclusos.
Quer dizer, se há uma central de difamação, tem gente interna fazendo parte. Minha dica para os que se sentem injustiçados, eles deveriam buscar suas reparações a partir dai. Quem sabe esse tipo de procedimento não deixaria de parecer tão institucional.

Responder

Mardones Ferreira

30 de novembro de 2012 às 09h23

Por aqui, o PIG não precisa se preocupar, pois, por ordem da presidenta, é o controle remoto que regula a mídia. Esquecendo-se de tudo que a Veja, a Folha de São Paulo, o Estadão e cia ltda fazem diariamente para passar a impressão de que o Brasil virou um antro depois da eleição do Lula.

Responder

Carla

30 de novembro de 2012 às 09h19

Por que ninguém bateu no Serra por ser amigão do Arruda, do Paulo Preto ou do Saab? Por exemplo.

Responder

francisco niterói

30 de novembro de 2012 às 09h16

Muito bom o texto abaixo do Paulo Nogueira ( diario do centro do mundo):

“Milly Dowler, a garota que provocou uma revolução na mídia na Inglaterra, teria 23 anos hoje.Em março de 2002, aos 13 anos, ela saiu de sua escola em Surrey, no sul da Inglaterra, para casa, no começo da tarde.
Por volta de 15 horas, ligou de seu celular para o pai, para avisar que em meia hora chegaria em casa. Nunca chegou. Seis meses depois, em meio a uma intensa comoção entre os ingleses, seu corpo foi encontrado nu e em decomposição num matagal perto de sua casa.
Milly, que os que a conheceram descreveram unanimemente como uma garota linda, vivaz, generosa e sonhadora, como costumam ser as meninas de 13 anos amadas, fora abordada, estuprada e assassinada.O caso foi logo resolvido. Um assassino em série com fixação por jovens colegiais foi acusado, julgado e condenado. Está na prisão, e dificilmente vai recuperar a liberdade, dada a ameaça que representa. O assassino teve dez filhos de cinco mulheres, e algumas delas disseram que ele pedia que se vestissem de colegiais.
O golpe na mídia viria nove anos depois da morte de Milly, quando o jornal The Guardian revelou que o tabloide News of the World, do grupo Murdoch, invadira criminosamente a caixa postal do celular de Milly em busca de novas informações sobre o caso, antes que seu corpo fosse descoberto. A polícia cogitou inicialmente que a própria Milly mexera na caixa postal, e isso deu esperanças à família – os pais e uma irmã um pouco mais velha – de que ela estivesse viva.
Para que se tenha uma ideia da repercussão do furo do Guardian, na mesma semana o NoW foi fechado por Murdoch. Era o jornal em circulação mais velho no Reino Unido, com 168 anos de existência.Numa tentativa de mitigar a revolta da opinião pública, Murdoch publicou em todos os seus jornais um pedido de desculpas histórico, talvez sincero, mas que não comoveu ninguém.Ele deixou a sede de seu império de mídia em Nova York e se deslocou para Londres para administrar a crise. Encontrou-se pessoalmente com os pais de Milly, aos quais autorizou que fosse dada uma indenização extrajudicial de 2 milhões de libras. Entregou, com clara relutância, a cabeça de sua favorita, a ruiva Rebekah Brooks, então a Rainha dos Tabloides, depois de passar por dois deles como editora, o NoW e o Sun. Rebekah dirigia o NoW quando a caixa postal de Milly foi invadida.
Nada do que Murdoch fez aplacou a raiva da opinião pública. Sob frenética pressão, o premiê David Cameron designou um juiz, Brian Leveson, para liderar uma investigação independente sobre a mídia britânica.Passados dezesseis meses, ao longo dos quais Leveson sabatinou sob as câmaras de televisão todos os personagens relevantes para a discussão sobre a mídia, de Cameron a Murdoch, de Rebekah aos pais de Millie, foi divulgado hoje o aguardadíssimo relato com as recomendações do juiz.
Alguns destaques de Leveson, extraídos de um relatório de 2 000 páginas:
1) Ele “rejeitou totalmente” a ideia, defendida pelas empresas de mídia, de que excessos de jornalistas e publicações são “aberrações que não refletem a cultura, a ética e as práticas da imprensa como um todo”.
2) Ele afirmou que parte da imprensa, ao agir como se não houvesse “código nenhum”, teve um efeito “devastador” sobre a vida de pessoas comuns apanhadas por tragédias. O sofrimento dessas pessoas foi “ampliado consideravelmente pelo comportamento da imprensa para o qual, muitas vezes, a melhor definição é ultrajante”.
3) A mídia vem dando, segundo Leveson, “absurda prioridade ao sensacionalismo”, e num regime de “ imprudente desrespeito pela precisão”.
4) Existe na imprensa, de acordo com Leveson, a tendência de “diminuir ou desprezar” as reclamações de quem se considera vítima de tratamento injusto. Algumas vezes, a imprensa parte para “ataques em volume alto, de caráter extremamente pessoal, contra quem ousou desafiá-la”.
A recomendação de Leveson é que seja criado um órgão regulador independente para a mídia – independente da indústria, do governo e dos políticos. É mais ou menos o que acontece na Dinamarca – um exemplo amplamente citado nos últimos tempos, em que uma imprensa livre e aguerrida é acompanhada por um órgão regulador independente cuja missão é defender o interesse público.Apresentado o relatório e feitas as sugestões, começa agora o debate que dará, provavelmente, numa mídia bem melhor do que a que foi objeto de avaliação do juiz Brian Leveson dez anos depois da morte da pequena Milly.”

Responder

francisco niterói

30 de novembro de 2012 às 06h50

Gente, e a liberdade de imprensa? Rsrsrs

Entao a caquetica albion ( vulgo Gra Bretanha ) vai se juntar, na cantilena dos direitosos de um neuronio só ( sim, pois dois ja faz pensar) , aos “diabos perseguidores da imprensa ” que formam uma lista que o dedinho dos reaças já teclam no automatico: argentina, equador e a “rainha” venezuela.

Será que eles vao mudar o discurso? Vamos, gente, voces podem ser mais criativos.

Eu sei que é dificil, mas vcs conseguem. Ficou mais complicado agora ser “cachorrinhos na coleira” dos marinhos e gangsteres assemelhados.

Responder

Gil Rocha

30 de novembro de 2012 às 05h08

Sim, vamos copiar os europeus.
Isto também poderia servir para os políticos e
a justiça.
Por exemplo, o que aconteceria se um mensalão fosse
descoberto na Inglaterra?
O que aconteceria se fosse descoberto que uma
chefe de gabinete de um primeiro ministro, tinha
tanto poder e influência que indicava nomeados?
Será que na Inglaterra membros do governo, tem uma
relação tão próxima de grandes empresas e que estas
mesmas empresas são as que mais faturam com obras neste
governo?
Teríamos punições como na Europa aos políticos com relações
promíscuas com o empresariado?
Bem, me diz com o que concorda, ou é só com a regulação da mídia?

Responder

sergio

30 de novembro de 2012 às 01h18

Enquanto a Justiça da Inglaterra quer regular a mídia, no Brasil o Supremo Tribunal se rende a máfia midiática.

Já que, alguns brasileiros gostam de copiar os europeus, a hora é agora: Regulação da Mídia já!

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