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Dr. Rosinha: Retirada do nome do relatório da CPI não absolve Gurgel


01/12/2012 - 13h44

Saída de Gurgel do relatório não absolve o procurador-geral

por Dr. Rosinha, especial para o Viomundo

Em setembro de 2009,o inquérito policial da Operação Vegas já havia detectado o envolvimento de parlamentares e outras autoridades com prerrogativa de foro com o esquema de exploração de jogos ilegais comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Detectada a presença de autoridades com foto privilegiado, os autos foram encaminhados para a Procuradoria Geral da República, sob o comando de Roberto Gurgel, que tinha três alternativas: oferecer a denúncia e iniciar a ação penal, requisitar mais diligências ou arquivar o processo. Gurgel decidiu-se por uma quarta: não fez absolutamente nada e, como se diz vulgarmente, “sentou” sobre a denúncia.

Com a remessa dos autos à Procuradoria Geral, a Operação Vegas e as investigações sobre a quadrilha de Carlinhos Cachoeira foram totalmente interrompidas, aguardando uma decisão de Gurgel. Assim, Cachoeira poderia estar até hoje agindo livremente, não fosse a Operação Monte Carlo que, de forma independente, mas também investigando os jogos de azar no Estado de Goiás, acabou por identificar como responsáveis as mesmas autoridades que a Operação Vegas. Quando o pedido de inquérito face ao ex-senador Demóstenes Torres chegou, via Operação Monte Carlo, Gurgel ficou sem alternativas e não conseguiu mais segurar o desbaratamento da quadrilha.

As desculpas de Gurgel para, por simples inércia, atravancar as investigações sobre Cachoeira e permitir que ele ficasse ainda por mais de dois anos em atividade não convencem. Primeiro, o procurador-geral disse que não identificou “fato penalmente relevante” que pudesse justificar a abertura de processo no STF. Porém dos 12 fatos indicados por ele quando instaurou o inquérito contra o senador Demóstenes Torres, mais de dois anos depois, sete foram descortinados pela Operação Vegas e apenas cinco pela Monte Carlo. A questão que precisa ser colocada é: por que, em dois anos, esses fatos passaram a contar? O que aconteceu?

Fora isso, é preciso dizer, por ocasião da ação penal 470, que se convencionou chamar de “mensalão”, Gurgel se mostrou bem pouco ortodoxo quando se trata de acatar provas. O que diferenciaria os dois casos?

Mas, apesar de não encontrar “fato penalmente relevante”, o procurador tampouco quis arquivar o processo, para, segundo alegou, não interferir nas investigações da Operação Monte Carlo. Ora, não havia como o andamento do processo contra autoridades citadas pela Operação Vegas atrapalhar as investigações da Operação Monte Carlo. Isso porque a Operação Monte Carlo sequer existia quando os autos da Vegas chegaram às mãos de Gurgel. Isso aconteceu em setembro de 2009, enquanto o inquérito da Operação Monte Carlo só foi aberto em janeiro de 2011. Teria, Roberto Gurgel, o dom da clarividência?

Diante das questionáveis atitudes do procurador-geral, nada mais razoável do que pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público que investigasse sua conduta, o que foi feito pela primeira versão do relatório final da CPI do Cachoeira. Mas, por questões políticas (necessidade de aprovar o relatório), foi necessário retirar as menções a Gurgel, entre outros, do documento. O relator entendeu que ele é secundário e que o texto tem outras prioridades (a constar, o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB). No que estou plenamente de acordo.

Dr. Rosinha é médico e deputado federal (PT-PR)

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39 comentários

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wilson

04 de dezembro de 2012 às 11h37

A atuação do Gurgel é secubdária???
Então um procurador atuando em favor do crime organizado é fato secundário?
Ah!Ah!Ah!Ah!Ah!Ah!!!!
Me conte outra Dr. Rosinha…..

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Eduardo Oliveira

04 de dezembro de 2012 às 10h59

Gurgel estar com o prazo de validade vencendo em assim como o marcani.O primeiro tem a palavra o Conselho Nacional do Ministério Público, CNMP, CONAMP, para que investiguem essa união nefasta desse membro “insignificante” com o ex senador Demostenes / cachoeira.O segundo o povo de Goiás já o considera um corpo insepulto.
Eduardo Oliveira

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Julio Silveira

04 de dezembro de 2012 às 09h00

Mas incrimina todo o PT.

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Jorge

04 de dezembro de 2012 às 00h47

O que nos resta? Garantir a ordem constitucional? ou quebrá-la? O jogo é muito duro e estou com o relator. A CPI para ser aprovada, precisa dos votos dos parlamentares. Estes, fazem o jogo: aprovam se seus preferidos ficarem de fora. É simples assim. A culpa é do povo que vota em pessoas desqualificadas, em todos os partidos.

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Bonifa

03 de dezembro de 2012 às 12h36

O relator fez o máximo possível. Mas a pressão para retirar do relatório os nomes de Gurgel e Policarpo foi avassaladora. Agora, quem mais está interessado em desmoralizar o relator é justamente que fez pressão pela retirado dos nomes. O relator merece ser defendido contra quem deseja acabar com todo o relatório da CPMI para tentar salvar também o outro, o terceiro deles, o Perillo. Antes ter alguma coisa(no caso, ainda muita coisa) que coisa alguma. Mas isso obviamente não encerra o caso do Gurgel. Todos sabem o que aconteceu, e o Miro Teixeira não vai conseguir desfazer a história com essa sua vitória de Pirro sobre a Justiça. Gurgel não apenas prevaricou, foi mais grave que isso, Gurgel mentiu. Contra ele e seu companheiro de relatório, Policarpo, temos um Senador: Collor de Mello.

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ricardo silveira

02 de dezembro de 2012 às 15h29

Dr. Rosinha, por favor, o senhor é um homem honrado, não diga que a covardia do Relator e do PT se deu por necessidade de aprovar o relatório porque as pessoas não são idiotas. O que o relator fez em nome do PT foi trair o eleitor sendo conivente com bandidos.

Responder

Luiz Moreira

02 de dezembro de 2012 às 14h42

Este é um governo de ESQUERDA ACOCHAMBRADA, tendendo para uma DIREITA POPULISTA. Agora, nos julgamentos da ANISTIA POLITICA, se pautam pela VEJA.
Nada de pagar o que diz a LEI, somente uns restolhos para fazer de conta.
O GURGEL, dentro de breve, descobrem uma tremenda sujeira da figura, e estes PTISTAS PANACAS vão ser responsabilizados. Ainda bem que não preciso mais votar. Mas o BRASIL não merece estas canalhices. O melhor é ir puxar o saco do OBRAMA. (prefiro SKOL.)

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Cláudio

01 de dezembro de 2012 às 22h57

Por que o Perigo é tão importante assim ? Explica mas não justifica. Uma vez questionado o prevaricador geral da República, as outras peças cairiam em seguida. como efeito dominó.

Eu também, Hélio Filho, faço minhas as suas palavras, neste ponto: “Infelizmente, caro deputado, eu terei que continuar votando no PT com cada vez mais amargura. Por necessidade, pura necessidade.”, falta de melhor opção.

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Francisco

01 de dezembro de 2012 às 21h53

O problema é que, do jeito que a coisa vai, só vai restar pedir justiça ao Papa!

O STF é deles!
O Congresso é deles (o PMDB é!)!
O MP é deles (dele, Gurgel, em particular…)!
A mídia SÃO eles!
Resta…

Resta o Papa!!!

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    RFFSA

    02 de dezembro de 2012 às 11h06

    Pior é que o Papa é deles tb…

Mino Carta: O PT não é o que prometia ser, demoliu seu passado honrado « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de dezembro de 2012 às 15h26

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Helio Filho

01 de dezembro de 2012 às 15h17

De necessidade politica em necessidade politica, o PT transforma-se em um partido de centro-direita que limita-se a provar que pode gerir o capitalismo melhor que a direita dura (PSDB,PFL) ou oportunista (PV, PPS e, quem sabe futuramente, o PSOL). Fez em menos de 10 anos o que os partidos social-democratas europeus – os da II Internacional – levaram quase um seculo para fazer.

Nâo tenho duvida que ficarâo no poder por mais 6 anos, no minimo, provavelmente aliados a partidos proteiformes, tais como o PMDB e o PSB. Nada ouvimos da esquerda, a não ser vozes isoladas.

Infelizmente, caro deputado, eu terei que continuar votando no PT com cada vez mais amargura. Por necessidade, pura necessidade.

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Caros Amigos: Um outro caso que a mídia “desconheceu” « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de dezembro de 2012 às 15h16

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Ilha de Gilberto Miranda: O que impede Adams de rever decisão? « Viomundo – O que você não vê na mídia

01 de dezembro de 2012 às 14h59

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paulo roberto

01 de dezembro de 2012 às 14h36

Já não existe um procedimento aberto no Conselho Nacional do Ministério Público em que o Senador F. Collor requer a investigação da conduta do prevaricador geral?

A quantas anda este caso? Alguém sabe?

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    francisco niterói

    01 de dezembro de 2012 às 17h34

    Senao me engano, parada por liminar do STF.


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