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Marcelo Justo: Economist não pediu cabeça de Osborne


10/12/2012 - 08h45

Economia| 09/12/2012 | Copyleft

A receita da The Economist para o Brasil: liberar o “espírito animal do setor privado”

A revista The Economist reserva os pedidos de mudança de ministérios da Fazenda para os ministros “intervencionistas” da América Latina. No início do ano, a previsão era de um crescimento de 0,7% para a Inglaterra em 2010. Agora, a constatação é de que a economia vai se contrar 0,12% este ano. Por ocaso a arevista pediu a cabeça do ministro da Fazenda britânico, George Osborne? Para o Brasil, a receita é “deixar de se meter na economia, desregulamentar o mercado de trabalho e deixar que o espírito animal do setor privado possa expressar-se livremente”. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.

Marcelo Justo – Londres, na Carta Maior

Em seu último número, a revista The Economist disse que o ministro da fazenda Guido Mantega deveria sair, porque todas as suas previsões de recuperação econômica não tinham se confirmado. “O governo tinha convencido os economistas independentes de que, com uma moeda mais competitiva, com taxas de juros mais baixas e uma redução de impostos da indústria automobilística, a economia iria se recuperar”. As estatísticas foram – segundo a Economist – “decepcionantes”, um “choque”.

O editorial e o texto sobre o Brasil foram publicados dois dias depois de o ministro da Fazenda do Reino Unido, o conservador George Osborne, reconhecer que o plano de consolidação fiscal que anunciou que o período 2010-2015 terá de estender a austeridade até 2018, para cumprir com o seu objetivo, sempre e quando se puder acreditar nas projeções quem os governos se baseam.

Não há nenhuma garantia. O Escritório para Responsabilidade Orçamentária, uma organização criada pela Coalizão Conservadora-liberal democrata para medir a marcha da economia, previu no começo do ano um crescimento de 0,7% para 2012. Agora disse que, na realidade, a economia vai se contrarir 0,1% este ano. O rombo fiscal é o dobro do projetado há uns dias.

Como se vê, nesse terreno minado das previsões econômicas, não há mais precisão no Reino Unido do que no Brasil. Por acaso a “Economist” pediu a cabeça de Osborne?

Não é de surpreender. O semanário apoiou os conservadores nas eleições de 2010 e o programa de Austeridade da Coalizão. Em maio deste ano, mês das eleições, a economia estava se recuperando do estouro financeiro de 2008. Crescimento era anêmico — 1,7% –, mas começava lentamente a recuperar o alento, graças a um massivo programa de investimento público do governo trabalhista.

A austeridade da coalizão afogou este impulso. O programa previa cortes de 80 bilhões de libras (em torno de 140 bilhões de dólares) para o período 2010-2015, por meio de uma forte redução da estrutura estatal, com mais de meio milhão de desempregados. A esse golpe, o governo agregou outro: um aumento massivo de impostos.

Os despedidos começaram a engrossar as filas de desempregados que cobram o seguro-desemprego e que não contribuem, aumentando o gasto do Estado e diminuindo a arrecadação. Os consumidores em geral, mesmo os que conservam seus empregos, adotaram uma atitude mais cautelosa para diminuir o seu endividamento pessoal e se preservar, caso a enfermidade econômica acabasse os afetando.

O resultado macroeconômico está à vista. Em 2011, a economia foi se desacelerando trimestre após trimestre (de 0,4% entre julho e outubro, a 0,3% no último trimestre). Nos dois primeiros trimestres deste ano o crescimento foi diretamente negativo, uma medida convencional que os economistas usam para definir uma recessão (dois semestres consecutivos). É a segunda queda que o Reino Unido experimenta em 3 anos.

As Olimpíadas de Londres deram um impulso econômico transitório que permitiu ao Reino Unido sair do crescimento negativo, mas a essas alturas o plano da Coalizão já estava em marcha. A queda na arrecadação devido à falta de crescimento é hoje tão pronunciada que, segundo as previsões que o governo anunciou na Câmara dos Comuns na última quarta-feira, será necessário mais três anos de ajustes para se alcançar o equilíbrio fiscal que se havia prometido para 2015.

Em sua nota sobre a situação econômica do Reino Unido, a “Economist” faz uma análise fática, com números e gráficos, mas em momento algum fala da necessidade de mudança de estratégia.

À diferença do editorial e da matéria sobre o Brasil, que deslizam rapidamente para o campo da opinião (“o que o governo Dilma Rousseff teria de fazer é deixar de se meter na economia, liberalizar o mercado de trabalho e deixar que o espírito animal do setor privado possa expressar-se livremente, para gerar o crescimento de que o Brasil precisa”), o artigo sobre a economia britânica se atém aos fatos, que termina usando como uma justificação do erro de cálculo de Osborne.

Sem explicitá-lo, o final da nota da revista sugere que não é necessária uma mudança de estratégia, no Reino Unido, porque a origem da crise não é o programa governamental, mas a situação econômica do mundo. “A miséria da zona do euro não vai terminar tão cedo, mas tampouco piorará.

A desaceleração chinesa parece próxima do fim. Os Estados Unidos podem voltar a crescer com vigor na primavera e evitar o abismo fiscal. Um panorama global mais otimista pode evitar as más notícias para Osborne”. 

Há que se aguardar para ver.

Por ora, as notícias sobre a produção industrial, anunciadas na sexta-feira – a revista é publicada pela manhã – falam de uma queda de 1,3%, o nível mais baixo em duas décadas. “Esta queda aumenta as possibilidades de uma nova recessão, a terceira queda que a nossa economia experimentaria”, assinalou ao “Guardian” Samuel Tombs, da consultoria Capital Economics.

Caso esse prognóstico se cumpra, haverá uma mudança de perspectiva da “Economist”? Calculo que não. Os pedidos de mudança de ministérios da Fazenda o semanário reserva para os ministros “intervencionistas” da América Latina.

Tradução: Katarina Peixoto

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35 comentários

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italo

11 de dezembro de 2012 às 11h54

Não se pode culpar os brasileiros por não entender o raciocínio do economist, que pode ter se resumido ao estudo de números de uma unica fonte. Quando a opinião vem da Imprensa, imediatamente somos remetidos ao nosso modelo de Imprensa livre, onde todo cuidado é pouco. Onde a Imprensa tem legislação e continua mais livre, é possível admitir opiniões divergentes, é saudável para as discussões, onde não tem, a opinião vira denuncia sistemática e entra em operação a afirmação de um enredo que permite ao denunciante, derrubar, nomear o próximo, contar com as decisões deste para futuras licitações, quando descobertos pela PF, inicia-se operação abafa, nomes de criminosos são preservados por serem oposição partidária, inimigo dos amigos, empresário do ramo de jogos(vulgo bicheiro-antes do Lula proibir jogos de azar no Brasil)e no máximo mau-jornalista. O PIG internacional, não tem o poder que tem o brasileiro para conquistar até 90% de toda verba federal para comunicações e colocar vc para defender as liberdades deles.

Responder

anac

11 de dezembro de 2012 às 11h28

Querem que nosso destino seja o da Grecia.
Com a grande diferença que o Brasil tem riquezas e potencialidades que a Grecia não tem. Controlando o Brasil, os USA controla a america do sul.

Responder

acmsouza

11 de dezembro de 2012 às 08h25

Alo viomundo! Nada sobre a notam fiscal informando o preço dos produtos e o preço do tributo ( BEM MAIOR DA HUMANIDADE )? Que jornalismo é este que sonega a mais importante noticia do momento?

Responder

Francisco

10 de dezembro de 2012 às 19h42

“Deixar o espirito animal dos empresários agir” quer dizer, na prática, sentar e esperar a “mão invisivel”, as “leis de mercado” fazerem o serviço. Quer dizer, portanto, que a autoridade econômica não faz nada, deixa “acontecer”.

Prefiro ministros que intervêem. Pelo menos, justificam o salário…

Responder

FrancoAtirador

10 de dezembro de 2012 às 18h20

.
.
Se “liberar o espírito animal do setor privado”,

ele estupra a Democracia, o Estado e o ZéPovinho.
.
.

Responder

    Julio Siveira

    10 de dezembro de 2012 às 20h29

    Taí uma verdade.

    anac

    11 de dezembro de 2012 às 11h33

    É soltar a matilha de lobos no galinheiro.

    Daniel

    11 de dezembro de 2012 às 12h41

    Assino embaixo. É o equivalente ao lobo pedindo para o fazendeiro para ficar com as chaves do galinheiro

    Daniel

    11 de dezembro de 2012 às 12h43

    Assino embaixo. É a mesma coisa que o lobo pedindo ao fazendeiro as chaves do galinheiro, alegando que seria “mais capaz” para cuidar do mesmo do que o fazendeiro. Nem crianças acreditam mais nessa.

Julio Siveira

10 de dezembro de 2012 às 17h37

Isso é fruto da costumeira empafia desses países, causada por uma falsa percepção de poder construido pelo papel colonizante que tiveram no passado. Chamo isso de ” Os estertores da arrogância de um agonizante, que teima em não aceitar sua iminente condição de apenas passado histórico”. Lógico que como todo morto sempre haverão viuvas a chorar, mas essas se muito velhas poderão ser enterradas logo na sequencia, se fogosas ainda, acharão um parceiro mais viril e vibrante para cederem a corte.

Responder

    Daniel

    11 de dezembro de 2012 às 12h44

    Não é bem arrogância… É obediência canina ao que os “mandachuvas” mandam dizer.

sandro

10 de dezembro de 2012 às 15h34

Ozzy Osborne para ministro!

Responder

Morais

10 de dezembro de 2012 às 15h32

Muito bom:

Video com Lula falando aos indicalistas alemãs.

Mas aqui a Rose é a grande atração dos grandes jornalões. Por isso que a marioria deles vai em breve acabar, como aconteceu o Jornal do Brasil.

Link: http://www.conversaafiada.com.br/video/2012/12/10/nunca-dantes-recorda-trajetoria-politica-e-greves-do-abc/é

Responder

RicardãoCarioca

10 de dezembro de 2012 às 14h54

Acho que não é só a direita (partidária e midiática) brasileira baterão na Dilma a partir de agora. Acho que será a direita mundial, pois o Brasil é atualmente um oásis frente às situações de Europa e EUA.

Na cabeça deles, acho que a frase mandatória é: Temos de voltar ao poder no Brasil em 2015 de qualquer maneira!!!

Cuidado com o que bebe e come, viu Dilma? A onda de câncer em dirigentes progressistas latinoamericanos não terminou.

E a Helena Chagas, ex-funcionária da Globo no comando da sua Secretaria de Comunicação, heim!? E o Hibernardo? Está pedindo para levar golpe!

Responder

Marcelo

10 de dezembro de 2012 às 10h58

Digam a esse pasquim do PIG que a “era FHC” acabou há 10 anos.

Ah, e sem direito à volta!

Responder

Mardones Ferreira

10 de dezembro de 2012 às 10h42

Cada vez que leio coisas como essas, fico pensando como ainda há muita gente que considera em alta a opinião de setores conservadores e alheios às nossas necessidades e potencialidades.

Esperar que estrangeiros nos vejam como iguais é como esperar encontrar uma floresta no Saara.

Devemos seguir nosso próprio caminho.

Responder

    MariaC

    10 de dezembro de 2012 às 19h26

    Acho sim, que há desespero na Europa. A fila da sopa anda enorme.Isso para um alemão ou inglês é muito chocante. Eles vivem bem demais, após a guerra, para admitir isso.E lendo Caio Prado, principalmente, vejo que a Inglaterra e os “desenvolvidos” sempre encheram as burras com a exploração. E deu muito certo. Quando não conseguem pensar em soluções, basta sacar a velha solução. Por que não? E não faltarão FHC para ajudá-los. Mas Dilma tem meu inteiro apoio para recusar a sugestão de demitir Mantega. Ele é honesto, capaz, seguro, e está tentando. Se errar, paciência. Se ela colocar outro, até que ele tome pé da situação vai ser uma perda de tempo. Vamos de Mantega. Vamos em frente.

Zequinha

10 de dezembro de 2012 às 09h45

Ozzy Osborne?

Responder

    Ana Cruzzeli

    10 de dezembro de 2012 às 11h26

    Só um mera coicidencia ou não? Afinal Ozzi adorava tomar sangue de morcego no palco para divertir a plateia. Pelo visto o ministro da fazenda adora o sangue fresco dos ingleses.


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