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Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais; virar a mesa
Política

Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais; virar a mesa


06/12/2012 - 02h31

 Do Brasil de Fato

por João Alexandre P eschanski e Taís Peyneau, do Rio de Janeiro (RJ)

Leia abaixo entrevista exclusiva de 2005 que Oscar Niemeyer, à época com 97 anos, deu ao Brasil de Fato.

Sentado, em seu escritório em Copacabana, no Rio de Janeiro, Oscar Niemeyer balança a cabeça. “Cansamos de esperar as reformas que Lula prometia”, diz, comentando a crise do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o arquiteto revela que nunca teve ilusões em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, chegou ao poder “cheio de ânimo”, mas sem um projeto para mudar radicalmente o Brasil.

Esboça um sorriso. Mantém-se otimista, pois “Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem”. Segundo ele, Lula ainda pode “virar a mesa” e implementar ações efetivas contra a pobreza. Para tanto, sugere, deve tomar exemplo nos presidentes cubano e venezuelano, Fidel Castro e Hugo Chávez.

Segundo Niemeyer, mais do que nunca é preciso voltar-se à luta por mudanças radicais. Diante da possibilidade de transformar o mundo, outras atividades – até mesmo a arquitetura – perdem importância. Diz isso e caminha para a sala. Nas paredes, frases que escreveu. “Revolução”, “Terra para todos”, “Por um mundo melhor”. Ao lado, nas mesmas paredes, rascunhos e desenhos de suas obras.

Brasil de Fato – Apesar da queda do muro de Berlim, da dissolução da União Soviética e, agora, da crise do PT, o senhor continua a ser comunista. De onde encontra motivação?

Oscar Niemeyer – Deste mundo de pobres que nos cerca e até hoje espera por uma vida melhor.

O comunismo é a solução?

O comunismo resolve o problema da vida. Faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.

Como se constrói, no ideário popular, uma visão positiva do comunismo – termo que parece estar bastante desgastado desde a derrocada da União Soviética?

A Revolução Russa de 1917 fez de um país de mujiques a segunda potência mundial. Foi fantástico. Setenta anos de glória e a vitória definitiva contra o nazismo. Não podemos esquecê-la. Sabemos que é o caminho a seguir.

No Brasil, a crise que afeta o PT e Lula enfraquece a luta pelo comunismo?

Não, ao contrário. A situação se faz tão difícil e degradada que um dia só a revolução resolverá os nossos problemas. Quando houve a eleição do Lula, declarei que meus candidatos seriam ou João Pedro Stedile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ou Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro. Esses homens são de luta. Lula é um ex-operário, cheio de ânimo, mas nunca foi comunista. Seu projeto era melhorar o capitalismo, o que é um objetivo impossível, a meu ver. Minha posição é que precisamos de um presidente que tenha a força de virar a mesa e realizar mudanças radicais, como Castro e Chávez.

Qual o impacto da crise na esquerda?

Cansamos de esperar as reformas que Lula prometia. Para nós ele deveria se ligar à esquerda do PT e cumprir as promessas que fez ao povo. Seria a sua última oportunidade.

Lula tem força e, principalmente, vontade para uma mudança radical?

Tinha. Mas para mantê-la ele teria que se ligar ao povo, apoiar com maior vigor a reforma agrária, o MST, o movimento mais importante que existe em nosso país. Deveria ser menos gentil com os donos do dinheiro, inclusive com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, um cretino que não devia existir.

O que deu errado no PT?

Um partido de esquerda que se enfraquece esquecendo as suas origens… Até o MST, um movimento que Stedile lidera tão bem, não teve do governo atual o apoio que deveria ter. Sobre tudo isso escrevi num artigo comentando como é difícil mudar este mundo coberto de miséria e discriminação.

Nesse artigo, o senhor disse que era preciso ser otimista. Continua com essa opinião?

Sim. Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem.

O senhor concilia arquitetura e comunismo, que parecem distantes…

A vida é mais importante do que a arquitetura. A arquitetura não muda nada, mas a vida pode mudar a arquitetura.

O que é uma arquitetura mais igualitária?

Aquela que a todos atende sem discriminação. Vou  esclarecer a vocês meu ponto de vista. Quando o governo decide fazer uma escola perto das favelas, a ideia é sempre fazer algo mais pobre. Isto é errado. Recentemente, projetei uma biblioteca e um teatro em Caxias. Fiz como se fosse para Copacabana, o projeto mais audacioso possível. Não pode haver discriminação. Quando Brizola fez os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), vimos que os meninos entravam nos prédios com orgulho, imaginando, na sua inocência, que os tempos iam mudar e eles poderiam começar a usufruir o que antes só às crianças mais ricas era permitido.

A arquitetura está muito vinculada ao urbano. É possível pensá-la para os camponeses?

A arquitetura obedece sempre a um programa e, no caso, seria diferente, voltada para a vida dos homens do campo.

Se pudesse voltar no tempo, o senhor participaria, de novo, da construção de Brasília?

Não sei. Brasília foi uma aventura, parecia o fim do mundo. E não eram poucos os problemas que ocorriam naquela época. Lembro que, logo nos inícios de Brasília, fui chamado à polícia política. Avisei o presidente, que, homem de centro que era, me advertiu: “Você não pode ir. Tiram o seu retrato, e eu não poderei mais recebê-lo no Palácio”. Mas o meu amigo logo se recuperou, telefonando para o general Amaury Kruel: “O Niemeyer não pode ir. É meu elemento-chave em Brasília”.

O senhor foi à polícia política?

Niemeyer – Mais duas vezes. Numa delas, só para ser “escrachado”, como se diz, isto é, ir de mesa em mesa, apresentando-se aos policiais de plantão. Na outra vez, quando voltei ao Brasil, lembro que fui levado para uma sala acolchoada, onde um policial me fazia as perguntas que um crioulinho batia à máquina. Recordo a última pergunta: “O que vocês comunistas pretendem?” “Mudar a sociedade”, respondi. E o policial disse ao rapaz: “Escreve aí: mudar a sociedade”. E o crioulinho riu, dizendo para mim: “Vai ser difícil”.

Muitas vezes, o senhor foi criticado porque Brasília é muito vazia. No entanto, sempre que desenhou a cidade, enchia-a de gente. A cidade saiu como o senhor queria?

Ao contrário, hoje Brasília tem gente demais. Até o tráfego começa a ficar difícil.

Setores da direita e esquerda discutem o impeachment do Lula. No geral, rejeitam a hipótese. O que o senhor acha disso?

É péssimo. Os que são contra o Lula são muito piores.

Se o presidente realmente estivesse ameaçado de ser derrubado, o senhor acha que as pessoas sairiam às ruas para defendê-lo?

Depende dele. Depende dele.

O que isso quer dizer?

Que ele tem que agir, apelar para as bases. Ele prometeu muita coisa e, para acabar seu governo como um homem digno, de pé, precisa cumprir as promessas.

O que aprendemos com a tomada do poder por Lula e com a crise que o assola?

Um aprendizado muito duro… É que infelizmente falta conhecimento político ao nosso povo para decidir coisas dessa natureza. Sempre reclamamos não serem levados à juventude os problemas da vida e do ser humano, cuja compreensão deve fazer parte de sua formação. Cada um sai da escola apenas interessado nos problemas de sua profissão.

O que quer a direita?

Manter este clima de poder, de injustiça social e de subserviência ao império norte-americano.

Dizem geralmente que quem controla o mundo é o Bush.

O Bush, no fundo, é um idiota que tem as armas na mão e delas se serve para levar o terror às áreas mais desprotegidas. Representa o capitalismo, que, decadente, tudo faz para subsistir.

Na arquitetura, o senhor está trabalhando em algum projeto que traduza sua visão atual do Brasil e do mundo?

Se eu fosse jovem, em vez de fazer arquitetura, gostaria de estar na rua protestando contra este mundo de merda em que vivemos. Mas, se isso não é possível, limito-me a reclamar o mundo mais justo que desejamos, com os homens iguais, de mãos dadas, vivendo dignamente esta vida curta e sem perspectivas que o destino lhes impõe.

A arquitetura não tem função social?

Deveria ter. Mas, quando ela é bonita e diferente, proporciona pelo menos aos pobres e ricos um momento de surpresa e admiração. Mas quanto lero-lero! Na verdade, o que nós queremos é a revolução.

Quem é – Nascido em 1907, Oscar Niemeyer Soares Filho é arquiteto e militante comunista. Formou-se em 1934 na Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Onze anos depois, ingressou no Partido Comunista Brasileiro. Manteve a militância durante toda a vida. Entre seus principais projetos estão o desenho da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o Parque do Ibirapuera em São Paulo (SP) e, principalmente, a construção de Brasília, onde foi responsável pelos projetos do Palácio da Alvorada, do Congresso Nacional e da Catedral.

Glossário

Mujique – Nome dado aos camponeses russos que viviam em regime feudal. O governo revolucionário, instaurado em 1917, após a Revolução de Outubro, implementou diversas políticas para melhorar as condições dos trabalhadores, especialmente os rurais.

Cieps (Centros Integrados de Educação Pública) – Idealizados por Brizola, em 1983, e projetados por Niemeyer, são escolas de período integral. Atendem em média 1.000 crianças por dia, oferecendo, além de aulas, atividades culturais, esportivas e lazer. Há 500 unidades em funcionamento, geralmente instaladas em áreas pobres do Estado.

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34 comentários

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Boff: Oscar Niemeyer, Veja online, o escaravelho e o idiota consumado « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de dezembro de 2012 às 16h09

[…] Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais; virar a mesa […]

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Gilberto Gil: Um pé em Ouro Preto e outro em Brasília « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 23h34

[…] Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais […]

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Eduardo Subirats: Depois do colapso europeu, sonho, fantasia e curvas « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 23h24

[…] Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais […]

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lia vinhas

06 de dezembro de 2012 às 20h05

Gente, este espaço deveria ser para homenagear o nosso genial arquiteto e grande comunista. Criticar o Lula neste espaço é algo descabido. Em todas as entrevistas posteriores, é só procurar na Internet ou em jornais, ele cansou de elogiar o nosso ex-presidente. O Chavez e o Fidel, além de governarem paíuses infinitamente menores tiveram eo apoio massivo da população em cada época revolucionária. Aqui, um país continente, com uma população e com regiões absolutamente heterogêneas, com uma direita e uma mídia fortemente apoiadas pelas forças mais reacionárias do exterior, com uma frágil democracia, saída de um longo período de trevas, não tinha como quem quer que estivesse no poder, nem mesmo um grande lider sindical, “virasse a mesa” que estava de pernas para o ar há seis séculos. As Forças armadas estavam ao seu lado, como na Venezuela do Chavez? Aqui muitos militares são de origem humilde mas tamnbém esquecvem disso. Aqui o Lula tinha e a Dilma tem a Justgiça ao seu lado? Quiseram ser republicanos demais e levaram belas facadas nas costas de ministros, cotista, ex-petista e por aí vai. Mesmo na base do governo, todos pensam igual? Os intere$$e$ estão acima do bem comum, da justiça social. (Aliás, os cubanos têm um qualificativo interessante para os contrarrevolucionários:gusanos ou vermes. Essa Rose e tantos outros trolls, são os “gussanos brasileiros”.)
Lembremos, então, a grandiosa obra e o profundo espírito humanista que marcaram a trajetória desse arquiteto genial e verdadeiro comunista.
Oscar Niemeyer, PRESENTE!

Responder

anac

06 de dezembro de 2012 às 17h29

Brizola tentou. A Globo impediu.
Criou factoides contra Brizola, descontruiu Brizola, chamando-o de dinossauro. Muitos repetiram o mantra da Glbo, que sabia o perigo que era Brizola. Hoje sabemos o imenso poder de manipulação do PiG. Ficou mais claro, para alguns. Para Brizola foi sempre claro que a sauva era o PiG. Não era por acaso que dizi que como presidente a sua primeira ação seria revogar a concessão da Globo. Isto, antes da privataria, que Brizola tachou de crime de lesa patria.
Se tivessemos um povo mais aguerrido e uma classe media menos ignorantes e egoista, Lula teria feito mais.
Se fazendo o que fez(pouco pois manteve os juros extorsivo que sangrava o país, não criou a lei dos medios, tributaria com o imposto sobre as grandes fortunas, etc) a direita por pouco o defenestrou do poder, avaliem se tivesse feito mais…

Responder

    anac

    06 de dezembro de 2012 às 17h35

    Brizola sabia, sempre soube.
    Viveu Getulio, viveu Juscelino, Viveu Jango, Viveu Collor, Viveu FHC com sua traiçã, Viveu Lula. E o PiG sempre contra o Brasil.
    Viveu e viu o que muita gente ainda se nega a ver.
    Os joaquins silverios dos reis ainda pululam no Brasil, conspirando contra.

João Vargas

06 de dezembro de 2012 às 16h36

Se eu tivesse um apartamento em Copacabana também seria comunista.

Responder

    renato

    06 de dezembro de 2012 às 19h04

    O que você é hoje!
    João Vargas!Para nós descobrirmos onde moras!

Marcelo Ramos

06 de dezembro de 2012 às 14h36

Nunca gostei da arquitetura de Niemeyer, apesar do sucesso nacional e mundial, assim como não vejo nenhuma coerência na maioria das opiniões dele. Com todo o respeito, esse velhinho só é escutado por que entrou em uma categoria imponderável, a de celebridade., Então, o que ele fala vira notícia… o que não significa que reflita a realidade. Se ele tinha pouca razão, a história se incumbiu de tirar a pouca que tinha. Minha visão é a de que Lula podia ter feito melhor em algumas área, mas no quesito de melhoria da vida da população pobre foi exatamente onde ele “virou a mesa”. As evidências estão aí, com a ascensão social de 40 milhões de pessoas. vide IBGE, IPEA e o c….. Aliás, outra área que Lula virou a mesa foi a imagem do Brasil no exterior.

Responder

    abolicionista

    06 de dezembro de 2012 às 16h12

    Peraí, Marcelo, o comentário é de 2005. Muita gente ainda não tinha mensurado bem o efeito dos programas de redução da pobreza nessa época. E depois, Niemeyer era já um homem bastante idoso que tinha dificuldades para acompanhar a vida política nacional. Mesmo assim, trata-se de um grande idealista, não é alguém que possua uma trajetória passível de ser jogado na lata do lixo. Poxa, vamos com calma, né?

Messias Franca de Macedo

06 de dezembro de 2012 às 14h29

… Um ensinamento, em especial, para os que se acham virtuosos: “[ser humano] entregue à sorte que o destino lhe impõe.” Mestre e eminente pensador humanista Oscar Niemeyer!

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao genial arquiteto e eminente pensador humanista Oscar Niemeyer, contemporâneo de todas as horas…!

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

abolicionista

06 de dezembro de 2012 às 12h52

Admiro muito o posicionamento político do Niemeyer, sua coerência, sua integridade, sua esperança utópica irrefreável. Contudo, para falar a verdade, não gosto de sua arquitetura. Acho-a pouco coerente com nosso clima e um pouco monumental, enfim… Não sou especialista no assunto, mas é essa minha opinião. De todo modo, uma figura de importância histórica incontestável e um grande coração.

Responder

Messias Franca de Macedo

06 de dezembro de 2012 às 12h45

DESCULPE A INSOLÊNCIA INTEMPESTIVA

Respeitosa e humildemente: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez tanto em tão pouco tempo – e a partir das terríveis e, portanto, adversas condições históricas… E o fez “sem virar a mesa”!… A despeito disto – e ainda assim -, foi e é constantemente massacrado violenta e covardemente pela DIREITONA [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL! Massacre perpetrado, especial e ostensivamente, pelo PIG!… Considerando o processo democrático – e ausência da Lei dos Meios ou mesmo uma simples observância e/ou certo respeito à Lei das concessões públicas relativas aos meios de comunicação -, imaginemos o que teria acontecido neste país se o Lula tivesse resolvido “virar a mesa”, enquanto parte da população estivesse acompanhando a ‘Avenida Brasil’ e o ‘BBOSTAB’, algumas das escórias miasmáticas “da grobo”!…

Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias e NACIONALISTAS,

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao genial arquiteto e pensador humanista Oscar Niemeyer, contemporâneo de todas as horas!

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

06 de dezembro de 2012 às 12h39

Algumas frases do Oscar Niemeyer:

GENIALIDADE NA ARQUITETURA E SIMPLICIDADE NA VIDA!

SEMPRE PENSOU NUM MUNDO MAIS JUSTO!

1.”A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”.

2.Poema de exilado:

“Estou longe de tudo
de tudo o que gosto
Dessa terra tão linda
que me viu nascer

Um dia me queimo
meto o pé na estrada
É aí no Brasil
que eu quero viver

Cada um no seu canto
Cada um no seu teto
A brincar com os amigos
vendo o tempo correr

Quero olhar as estrelas
Quero sentir a vida
É aí no Brasil
que eu quero viver

Estou puto da vida
essa gripe que não passa
de ouvir tanta besteira
Não posso me conter

Um dia me queimo
e largo isso tudo
É aí no Brasil
que eu quero viver

Isso aqui não me serve
não me serve de nada
A decisão está tomada
ninguém vai me deter

Que se foda o trabalho
Esse mundo de merda
É aí no Brasil
que eu quero viver”.

3.”Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Inclusive a casa em que a gente morava estava hipotecada. Sempre tive a idéia de que o dinheiro não vale nada. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida.”

4.”Vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado”.

5.Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o País.

6.Meu trabalho não tem importância, nem a arquitetura tem importância pra mim. Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar num mundo melhor, o resto é conversa fiada.

7.“As pessoas se espantam pelo fato de, mesmo sendo comunista, me interessar pelas igrejas. E a coisa é tão natural. Eu morava com meus avós, que eram religiosos. Tinha até missa na minha casa. E eu fui criado num clima assim. Esse passado junto da família me deixou com a ideia de que os católicos são bons, que querem melhorar a vida e fazer um mundo melhor”.

8.“Sou pessimista diante da idéia de que o homem, quando nasce, já começa a morrer, como notou Jean Paul Sartre. Mas, na vida, caminhamos rindo e chorando o tempo todo: é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo: o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos. Ultimamente, no entanto, tenho me espantado como a inteligência do homem é fantástica! Tenho conversado sobre astronomia. Como é imprevisível o que ele pode criar!.

Responder

Messias Franca de Macedo

06 de dezembro de 2012 às 12h31

Niemeyer, sem palavras

Por Rodrigo Vianna

Em http://www.rodrigovianna.com.br/
publicada quinta-feira, 06/12/2012 às 09:35 e atualizada quinta-feira, 06/12/2012 às 10:56

O MATUTO E A VIDA REAL!…

Oscar Niemeyer, sem palavras! Desculpe pelo plágio, egrégio e intrépido jornalista brasileiro [BRASIL NAÇÃO] Rodrigo Vianna…
… É verdade: de certo modo, desnecessário se faz acrescentar qualquer coisa a respeito do ‘brasileiro ecumênico Oscar Niemeyer do BRASIL NAÇÃO’! Perdão mais uma vez: agora por ter acrescentado algo acerca da biografia do genial mestre!…

Saudações democráticas, progressistas, civilizatórias e NACIONALISTAS,

BRASIL NAÇÃO – em homenagem ao genial arquiteto e pensador humanista Oscar Niemeyer, contemporâneo de todas as horas!

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

J Souza

06 de dezembro de 2012 às 11h36

É isso ai, Niemeyer!
A esperança para o Brasil está à esquerda do Lula, e não à direita!

Responder

    João de Deus Netto

    06 de dezembro de 2012 às 12h29

    Pessoas, a entrevista aí é de 2005 (porque o interesse?)!!! Muito do que o revolucionário Niemeyer reclama, foi feito sim!… Claro que ainda estão pendentes até agora com Dilma: detonar de vez a arrogância caluniosa do PIG e dos “ruralistas” com a construção de um “paredón” (quem não gostaria?), desviar dinheiro que alimenta a Globo, para a saúde, porque a educação parece que terá o pré-sal, e etecetera e tal…

Mário SF Alves

06 de dezembro de 2012 às 11h35

E ele queria mais; não queria apenas a superação do odioso capitalismo autoritário subdesenvolvimentista brasileiro. Não. Ele queria mais… muito mais do que aquilo que um mundo de nós quer. Nós queremos o que que queremos – a consolidação da democracia no Brasil e no mundo – ou por amor próprio, ou por puro pragmatismo; este, o produto mais acabado da chamada “racionalidade contemporânea”; ele (que não nos renegou em momentos algum) muito mais do que nós, queria o que queria, defendeu o que defendeu, por puro amor à humanidade.
Diferente de mim, Oscar Niemeyer foi um revolucionário; jamais se perdeu ou deixou de viver em razão em cálculos e prazos.
_______________________________________________________
E viva a dignidade da vida vivida por OSCAR Ribeiro de Almeida de NIEMEYER Soares; um entre tantos heróis brasileiros no mundo para o mundo.

Responder

Gerson Carneiro

06 de dezembro de 2012 às 11h29

Essa é pra irritar a Danuza: pobre morando em casa do Niemeyer.

Responder

    Rose di San Bernardo

    06 de dezembro de 2012 às 11h39

    Que é isso cumpanhêro?? É a crace média!

    Mário SF Alves

    06 de dezembro de 2012 às 12h28

    Aí, Gérson, vou querer uma dessa pra mim; duro vai ser equilibrá-la nessa ladeira.

    Valeu,

    Abraços,

    MSFA

Julio Silveira

06 de dezembro de 2012 às 11h04

O Lula foi um sucesso em diversas frentes e um fracasso em outras tantas.
Cada grupo dos que disputam o poder usam as parcelas que melhor lhes convém. Para mim o grande Niemeyer tinha razão, foi bom, mas poderia ter sido ótimo.

Responder

    Rose di San Bernardo

    06 de dezembro de 2012 às 11h38

    Conheceremos os “frutos” da era da mediocridade.

    Julio Silveira

    06 de dezembro de 2012 às 13h54

    O frutos da era da mediocridade o Brasil viveu e ainda vive mas, sejamos honestos, o Lula fez o possivel para melhorar. O desafio era e continua grande, afinal se até dentro de suas linhas existe uma mediocridade que desnorteia, que trai principios, imagina os que estão fora, esse que vem construindo a tempos, pode se dizer seculos, essa nossa historia de mediocridade, onde só mediocres podem acreditar que antes havia sucesso.

    Julio Silveira

    06 de dezembro de 2012 às 14h31

    Complemento, a titulo de lapidar o raciocinio.
    onde se lê: onde só mediocres podem acreditar que antes havia sucesso. Leia-se: onde só mediocres podem acreditar que antes é que havia sucesso.

    renato

    06 de dezembro de 2012 às 19h11

    A título delapidar o raciocínio.
    Gostei! da colocação!

MST: Perdemos Niemeyer, nosso grande amigo e exemplo de vida « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 09h26

[…] Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais; virar a mesa […]

Responder

Bonifa

06 de dezembro de 2012 às 09h19

Mentalidades que pupulam na nossa mídia cotidiana, cevadas no condicionamento anti–educacional do capitalismo desumano e desenfreado, jamais poderão entender um homem como Niemeyer. Ele pensam sinceramente que todos os seres humanos são movidos por egoísmo, darwinismo social e pelo impulso mercadista de tentar levar vantagem pessoal em tudo. E a juventude, de quem Niemeyer fala com lucidez que deveria ser educada políticamente e cívicamente nas escolas, para entender o funcionamento do Estado e realizar a crítica e a ação transformadora, não sabe quem é ou foi e talvez jamais vá saber de quem se trata. Ví um comentário de jovem que está super bem informado sobre tudo o que é lixo: “Ah, morreu? É aquele cara que já tinha cento e tantos anos? Demorou, hein?”

Responder

sebastiao

06 de dezembro de 2012 às 08h49

Camarada Oscar Niemayer,presente!!!

Responder

Darcy Brasil Rodrigues da Silva

06 de dezembro de 2012 às 05h48

É engraçado não se conformar com a morte de um homem de 105 anos menos 10 dias. Mas é assim que estou me sentindo agora. Nunca mais ver e ouvir um comentário lúcido , combativo, otimista e exemplar desse gênio que talvez tenha vivido tanto porque sempre fez o que gostava ( o trabalho como fruição do prazer,como realização do desejo de realizar com originalidade) e porque jamais o fez por interesses materiais mesquinhos. A burguesia separa arbitrariamente o arquiteto e o comunista. Ela não percebe que a motivação de ambos em Niemeyer é a mesma, a beleza estética se realiza tanto na obra arquitetônica, quanto na sociedade humana igualitarizada, a única sociedade que pode , de certa forma, ser planejada,projetada, antes de ser efetivada. Ambas igualmente pensadas para todos, sem exceção. Sobre Niemeyer o que mais se pode dizer? Digo apenas que eu o amava profunda e honestamente.

Responder

Francisco

06 de dezembro de 2012 às 04h59

“Se eu fosse jovem, em vez de fazer arquitetura, gostaria de estar na rua protestando contra este mundo de merda em que vivemos”.

Dizer mais o quê?

Responder

    Luana

    06 de dezembro de 2012 às 12h16

    “Se eu fosse jovem, em vez de fazer arquitetura, gostaria de estar na rua protestando contra este mundo de merda em que vivemos”.
    Bravo, Niemayer!!!!

    Rose di San Bernardo

    06 de dezembro de 2012 às 12h16

    Diz assim:
    Lula, você é um cego.
    PT, vocês são um bando de ladrões.
    Che Guevara, tú és um assassino.

    Luiz Moreira

    06 de dezembro de 2012 às 12h44

    Rose di San Bernardi!
    Qualquer vira lata pensa mais que tu. Tu não fala, ladra. A guerra do Vietname foi culpa do camponeses e lutadores vietnamitas. Ele jogavam NAPALM nos YANKES. Eles ocuparam, com um bando de ASSASSINOS (DIEM E OUTROS LADROES) os ESTADOS UNIDOS! Vai para MIAMI, te juntar aos traficantes cubanos que foram para lá.


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