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Morre no Rio de Janeiro o arquiteto Oscar Niemeyer
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Morre no Rio de Janeiro o arquiteto Oscar Niemeyer


05/12/2012 - 23h35

Brasília é apenas uma das suas inúmeras obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo: Foto: Agência Brasil

por Renata Giraldi, da Agência Brasil

Morreu na noite desta quarta-feira 5, vítima de complicações renais e desidratação, o arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos. Ele estava internado desde o dia 2 de novembro  no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio.

O quadro de saúde de Niemeyer piorou nas últimas horas, e o boletim médico assinado à tarde pelo médico intensivista Fernando Gjorup indicava piora “no estado clínico do arquiteto”.

Por causa de uma infecção respiratória, o arquiteto, que estava na unidade intermediária do hospital, apresentou um quadro de infecção respiratória, ficou sedado e respirando com auxílio de aparelhos.

Niemeyer morreu às 21h55. Ele completaria 105 anos no próximo dias 15.

Espírito inquieto

Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho, de 104 anos, é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial.

Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura. A capital Brasília é apenas uma das suas inúmeras obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.

Dono de um espírito inquieto e permanentemente em alerta, Niemeyer lançou frases que ficaram na memória nacional. Ao perder mais um amigo, ele desabafou: “Estou cansado de dizer adeus”. Em meio a um episódio de mais violência no Rio de Janeiro, perguntaram para Niemeyer se ele ainda se indignava, a resposta foi rápida e objetiva. “O dia em que eu não mais me indignar é porque morri.”

Em 1934, Niemeyer se formou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. De princípios marxistas, ele resistia ao que chamava de arquitetura comercial. Até 2009, ele costumava ir todos os dias ao escritório, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A frequência caiu depois de duas cirurgias – uma para a retirada de um tumor no cólon e outra na vesícula. Em 2010, foi internado devido a um quadro de infecção urinária.

Ao longo da sua vida, Niemeyer associou seu trabalho à ideologia. Amigo de Luís Carlos Prestes, ele se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e emprestou o escritório para organizar o comitê da legenda. Durante a ditadura (1964-985), ele se autoexilou na França. Nesse período foi à então União Soviética.

Em 2007, Niemeyer presenteou Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, com uma escultura na qual há uma imagem monstruosa que ameaça um homem que se defende com a bandeira de Cuba. No mesmo ano, foi alvo de críticas pelo preço cobrado, no valor de R$ 7 milhões, pelo projeto de construção da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Independentemente das polêmicas, Niemeyer se transformou em sinônimo de ousadia com a construção de Brasília. Os cartões-postais da cidade foram feitos por ele, como a Igrejinha da 307/308 Sul, construída no formato de um chapéu de freira cuja obra durou apenas 100 dias.

O Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da República, foi o primeiro edifício público inaugurado na capital, em junho de 1958. Na obra, Niemeyer colocou os pilares na fachada do prédio para simbolizar o emblema de Brasília.

A sede do governo federal, o Palácio do Planalto, compõe o conjunto de edifícios da Praça dos Três Poderes onde estão os prédios do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional – formado por duas semiesferas simbolizando a Câmara dos Deputados (voltada para cima) e o Senado (voltada para baixo).

Porém, um dos símbolos mais visitados da capital é a Catedral Metropolitana. Construída como uma nave, o acesso ao prédio é possível por meio de uma passagem subterrânea. No teto da igreja, há anjos dependurados.

Em janeiro deste ano (2012), Niemeyer enterrou a filha Anna Maria, de 82 anos, que morreu em consequência de um enfisema pulmonar, no Rio. Desde então, segundo amigos, o arquiteto passou a sair menos de casa e ficou mais fechado.

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29 comentários

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Boff: Oscar Niemeyer, Veja online, o escaravelho e o idiota consumado « Viomundo – O que você não vê na mídia

09 de dezembro de 2012 às 16h10

[…] Morre no Rio de Janeiro o arquiteto Oscar Niemeyer […]

Responder

Nilva Duarte

07 de dezembro de 2012 às 07h46

Requião e a luz no fim do túnel

Por Miguel Barbosa, no Cafezinho

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) considera Ley dos Medios, aprovada na Argentina, e que permitirá a criação de um ambiente midiático um pouco mais civilizado e democrático, uma lei muito boa. Mas acha difícil que seja aprovada no Brasil, no curto prazo, em virtude das características do nosso Congresso.

“Se aprovarem a Lei do Direito de Resposta, já é um bom começo”, afirmou o senador, em entrevista exclusiva para o blog O Cafezinho.

Requião alertou, porém, para a emenda do senador Pedro Tacques (PDT-MT), que exige, ao cidadão que se sentir ofendido, prova conclusiva do erro cometido pela mídia.

A emenda, segundo ele, destrói o espírito da lei, que é permitir o contraditório e facilitar e desburocratizar os trâmites necessários para que o cidadão obtenha reparação pelo dano cometido contra sua honra.

O senador também mencionou o lobby de grupos de mídia contra a tramitação da sua lei, que foi aprovada com unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e agora precisa ir à plenário.

Ele alertou ainda que a blogosfera “pode ser liquidada” se não houver proteção contra a mídia.

Minha conversa com Requião se deu pouco antes de um seminário na Firjan sobre a relação Brasil X Portugal. Ele comentou a sua relação tempestuosa com a mídia local, no tempo em que foi governador:

– Eles tentaram me achacar para receber mais verba publicitária, então eu fui e cortei tudo. Não receberam um tostão.

Aproveitando que Requião é o presidente do Parlamento do Mercosul, falamos ainda de uma triste conjunção na história na América Latina: todos esses grandes grupos de mídia, que hoje se dedicam a atacar governos democráticos, são crias da sinistra era de ditaduras que viveu o continente.

Requião, todavia, está bem atento à armadilha retórica que o conservadorismo produziu para transformar qualquer debate sobre uma regulamentação mais democrática da mídia como uma “tentativa de censura”. O seu projeto de lei sobre o direito de resposta é uma maneira inteligente de abordar o tema de maneira mais objetiva e racional, fugindo da armadilha. Por isso mesmo foi aprovado com unanimidade, inclusive por senadores tradicionalmente alinhados às posições dos barões midiáticos, como Álvaro Dias (PSDB-PR) e Pedro Taques.

Entretanto, a emenda de Tacques, e a postura dúbia de outros parlamentares, negando urgência ao projeto, mostra que há quem não queira ver aprovada algo tão básico como uma lei que aprimore o direito de resposta.

A luta de Requião agora é para remover a emenda de Tacques e aprovar o projeto. Ele tem esperança de que pode fazê-lo ainda este ano.

Os militantes pela causa da democratização da mídia deveriam olhar para este projeto com um carinho especial, pois ele é um passo concreto, um avanço possível, na direção de um ambiente mais progressista nos meios de comunicação. Afinal, dentre as armas midiáticas, aquela que mais assusta o cidadão comum, que se sente muitas vezes, mesmo que indiretamente, chantageado por um jornalismo mau caráter, venal e reacionário, é a impunidade deste após destruir – injustamente – a reputação de uma pessoa.

O projeto de Requião é bem escrito e inteligente, por isso foi aprovado por unanimidade. Ele exclui, por exemplo, comentários em blogs do escopo da lei; e delimita, de maneira bem clara, o que é uma denúncia séria, lastreada numa investigação criminal autêntica, por exemplo, de um atentado gratuito e vil à honra de um cidadão.

Esta lei, se estivesse vigente, permitiria, por exemplo, que o presidente Lula pudesse se defender de várias ofensas inomináveis que vem sofrendo na grande mídia, obrigando que esta lhe desse um espaço de resposta equivalente, em tamanho e destaque, à mentira publicada.

Importante ressaltar que o direito de resposta já existe no Brasil, mas está desregulamentado, além de ter sido enfraquecido pelo fim da lei de imprensa. Jornais, rádios e tvs conseguem postergar a publicação de uma resposta por um tempo indefinido, e quando o fazem, não dão o mesmo destaque que teve a acusação. O projeto de Requião prevê assegurar agilidade e qualidade ao processo, definindo prazos e monitorando a proporção da resposta.

Na política, como na vida, muitas vezes as soluções mais inteligentes e mais objetivas para um problema angustiante, estão diante de nós e não as vemos. Olhamos alto demais, longe demais, e deixamos de enxergar o que está ao nosso alcance. Requião nos oferece uma luz no fim do túnel. Os amantes da democracia tem o dever de seguir na sua direção.

Leia neste link a Lei do Direito de Resposta.

*

Observação: a entrevista foi feita com ajuda dos amigos do Portal Desenvolvimentistas.com.br, sobre o qual ainda falarei muito aqui no blog.

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Marco Antônio Leite da Costa

06 de dezembro de 2012 às 13h21

MESTRE 1

A beleza esta na forma de como se forma o diferente
do comum.
O MIDAS na forma de formar o contorno da sua obra,
fazia com simplicidade e com beleza sua criação.
O Mestre se foi para o sem fim, mas deixou aquilo que
inventava com toda facilidade deste mundo. ADEUS!

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Vinicius Vergueiro

06 de dezembro de 2012 às 12h50

Vá com Deus Oscar. E que você viva intensamente sua nova vida como viveu a que se encerrou ontem.

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Jose Mario HRP

06 de dezembro de 2012 às 09h36

A primeira vez que entrei na Catedral de Brasília estava junto a minha mãe.
Quando entramos ela meio que suspirou e disse que gostaria que após a morte as colônias do outro plano poderiam ser assim (como a catedral) tão lin das!
Os Espiritas por crer em Deus, em Jesus e nos espiritos superiores, entram em qualquer caso do Senhor com a mesma fé e o mesmo respeito, mas a Catedral de Brasilia faz voce levitar, e meditar como Deus pode ter dado tanto talento a um homem só, um comunistas!, fez a casa do Senhor mais linda que eu já vi!

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Mardones Ferreira

06 de dezembro de 2012 às 09h27

Um gênio!

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MST: Perdemos Niemeyer, nosso grande amigo e exemplo de vida « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 09h24

[…] Morre no Rio de Janeiro o arquiteto Oscar Niemeyer […]

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Jose Mario HRP

06 de dezembro de 2012 às 09h21

“A visa é um sopro”
Dele também:
“Gosto de pensar que , olhando para trás, faria muitas coisas diferente!”
Humildade, uma entre tantas das suas qualidades…….

Responder

    Jose Mario HRP

    06 de dezembro de 2012 às 09h21

    Sorry….A vida é um sopro.

sebastiao

06 de dezembro de 2012 às 08h51

Camarada Oscar Niemayer,presente!!!

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Romanelli

06 de dezembro de 2012 às 08h29

o cara era bom mesmo ..embora por meu gosto penso que a maioria dos seus projetos não encontram, sob o ponto de vista atual, de sustentabilidade, muita graduação (excesso de vidro, vedação/manutenção, concreto, consumo de energia e falta de verde por exemplo)

Das suas obras maravilhosas pra época nem vou falar, falarei sim das que penso que deveriam ser DEMOLIDAS como a do hotel e praça de atividades modernistas em Diamantina, obras estas que destoam e desconstroem ou ajudam a deformar o lindo parque arquitetônico que ainda tem no lugar ..e mais, o tal do hotel de Ouro Preto que dizem que era dele tb, este que mais do que a personagem Vera Verão, parece que só queria aparecer aos olhos da multidão

Por estes 2 exemplos, embora fossem OUTROS TEMPOS de outros valores, penso que a inserção das obras que citei foram uma violência ao que já existia, seria meio que hoje eu querer construir um bairro de estilo barroco no meio do gramado da praça dos 3 poderes, não?

Responder

    Bonifa

    06 de dezembro de 2012 às 09h57

    Você está falando de obras de Lúcio Costa, que também foi arquiteto. O hotel de Ouro Preto é símbolo e paradigma da harmonia e do respeito mútuo entre o velho e o novo.

Julio Silveira

06 de dezembro de 2012 às 07h58

A grandeza do Niemayer pode ser medida no tamanho da admiração que esse comunista inspirava nos conservadores brasileiros. Foi um genio Brasileiro em todas as escalas.

Responder

Luís Carlos

06 de dezembro de 2012 às 07h18

Parabéns Niemeyer, por sua trajetória. Obrigado por sua vida e obra.

Responder

Gerson Carneiro

06 de dezembro de 2012 às 07h11

Agora é concreto: Oscar Niemeyer assumiu outra forma de vida.

“Patriarca da arquitetura moderna”(Jerusalem Post)

“Poeta das curvas” (El Pais)

“Estrela da arquitetura”(Der Spiegel)

“metade idiota” (Veja, by Reinaldo Azevedo)

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    Jose Mario HRP

    06 de dezembro de 2012 às 09h53

    Reinaldo Azevedo?
    Quem é esse cara?
    Estamos falando de gente e não de bicho!

    Willian

    06 de dezembro de 2012 às 10h16

    Você suprimiu o “metade gênio” do Reinaldo Azevedo para que sua crítica a ele ficasse mais forte. Não me surpreende sua atitude, Gérson. Mas lembre-se que uma meia verdade não deixa de ser uma mentira.

    Jose Mario HRP

    06 de dezembro de 2012 às 19h10

    A inteira verdade é que Reinaldo Aze….é o que é, um vômito ambulante!
    E se ficou incomodado , emigre!

Francisco

06 de dezembro de 2012 às 04h51

Existem vários lugres no Brasil chamados “Niemeiyer”, acho que uns três ou quatro, no exterior tem mais: uns cinco ou seis. Todos projetados por ele mesmo.

É bom. Mas não consigo esquecer que tem mais lugares chamados “Costa e Silva” do que lugares chamados “Niemeyer”. Talvez eu seja um cara chato.

Responder

Jose Mario HRP

06 de dezembro de 2012 às 04h32 Responder

    Willian

    06 de dezembro de 2012 às 10h22

    Normal. O difícil é o contrário.

    Mário SF Alves

    06 de dezembro de 2012 às 12h20

    Sim, normal vírgula, em se tratando dele, Oscar Niemeyer, outra postura (dos capitalistas) seria impossível. Vê lá se eles elogiam a genialidade de um Lula, por exemplo?

Jose Mario HRP

06 de dezembro de 2012 às 03h58

Nosso grande irmão se foi para o outro lado, era ateu, mas logo será recebido por todos os outros nossos irmão da nossa fase. Fica com Deus nobre brasileiro!

Responder

Avelino

06 de dezembro de 2012 às 03h58

Caro Azenha
O mundo ficou um pouco menor,assim como Brasília, ele é um patrimônio da humanidade.
Condolências ao mundo.
Saudações tristonhas

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Niemeyer ao Brasil de Fato, em 2005: Lula podia ter feito mais; virar a mesa « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 02h52

[…] Morre no Rio de Janeiro o arquiteto Oscar Niemeyer […]

Responder

Jbarreto

06 de dezembro de 2012 às 00h56

Se mais tempo ainda houvesse a ser vivido, mais tempo devia viver o insubstituível Niemeyer, a quem só cansava ter de dizer adeus aos que com ele sonharam com a utopia de Brasília, lugar que nunca foi pensado para ser pisado pelas botas da ditadura. Em nossa memória Niemeyer viverá como o artesão do amanhã.

Responder

Cláudio

06 de dezembro de 2012 às 00h12

Os bons também se vão e, no caso de Niemeyer, apesar de tão longos 104 anos parece que foi pouco porque o quereríamos pelo maior tempo possível, ainda um pouco mais, para também servir como referência a mais e mais gerações que hão de lutar pelo bem da vida no mundo. Valeu, Niemeyer.

Responder

Marcio H Silva

06 de dezembro de 2012 às 00h06

Grande sujeito……e morreu sem ver o seu querido mengão ser rebaixado…..

Responder

Bonifa

05 de dezembro de 2012 às 23h54

É um desastre de dimensões tremendas. O Brasil ficou humanamente pobre, pequeno e roto, e assim ficará por um largo tempo.

Responder

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