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Ato ecumênico em memória dos mortos e desaparecidos


31/10/2012 - 12h18

 por Antonio Carlos Fon

O Conic – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, principal entidade ecumênica brasileira, que reúne a Igreja Católica e as principais igrejas protestantes do país, e o Clai – Conselho Latino Americano de Igrejas estão recomendando às igrejas associadas que promovam atos ecumênicos em 2 de novembro, Dia de Finados, em memória dos mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira. A decisão foi tomada no final de setembro e em São Paulo o ato ecumênico está sendo organizado pelo Grupo Ecumênico da Zona Leste, que reúne não apenas as igrejas cristãs, mas inclui religiões orientais e de origem africana.

“Mas em São Paulo nós resolvemos fazer o ato também em memória dos jovens assassinados pela Polícia Militar na periferia das grandes cidades, por considerarmos que esse massacre promovido pelos governadores José Serra e Geraldo Alckmin são uma consequência direta da impunidade dos crimes da ditadura”, explica o teólogo Anivaldo Padilha, ele mesmo preso, torturado e exilado pelos militares.

O ato ecumênico em memória dos mortos e desaparecidos, convocado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, o Grupo Ecumênico da Zona Leste e as Mães de Maio – que reúne familiares dos jovens assassinados pela PM na Baixada Santista – será celebrado às 10h30 de 2 de novembro, Dia de Finados, na quadra 047 do Cemitério de Vila Formosa. A quadra 047 é onde fica a vala comum em que foi enterrado um número ainda desconhecido de opositores políticos assassinados pelos militares e muitos dos jovens, em sua maioria negros, mortos pela PM paulista nos últimos anos.

Com o DNA do Doi-Codi

“Execuções a sangue frio justificadas por falsos autos de resistência à prisão, sequestros e desaparecimentos de corpos utilizados pela Polícia Militar paulista têm o DNA da ditadura. Foram desenvolvidos pelas forças armadas brasileiras com o auxílio de americanos, israelenses, ingleses e franceses e hoje são usados pela PM para encobrir as chacinas de jovens pobres, e em sua maioria negros, da periferia”, afirma Marcio Sotelo Felippe, ex-procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo e membro do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.

Antonio Carlos Fon é jornalista e membro do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.

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5 comentários

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FrancoAtirador

02 de novembro de 2012 às 12h19

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O PIOR DE TODOS OS VÍRUS

É aquele que mata o Ânimo;
É aquele que mata a Impaciência;
É aquele que mata a Insubmissão;
É aquele que mata a Revolta;
É aquele que mata a Razão;
É aquele que mata a Ciência;
É aquele que mata a Arte;
É aquele que mata a Infância;
É aquele que mata a Criatividade;
É aquele que mata o Sonho;
É aquele que mata a Utopia;
É aquele que mata a Liberdade;
É aquele que mata a Justiça;
É aquele que mata o Amor;
É aquele que mata a Verdade;

É aquele que mata o Espírito…
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A NOITE QUE NÃO TERMINOU*

Sessenta e quatro… abril… noite fria…
Cidade do interior, nem telefone havia…
O Zé na lavoura, plantando trigo…
Maria grávida de um ser que não seria…

Bate na porta um fiel amigo:
-‘Denunciaram’ o Zé por ‘subversão’,
um político da UDN fascista
disse que ele guarda aqui
a maior biblioteca comunista.
Some com os livros do Zé,
que os ‘Brucutu’ vêm aí!

Então Maria, por um instante
desespera, e mira a estante:
Os livros de capa escarlate!
E ao desespero rebate:
-Não vão prender o Zé, não!

Pega as caixas de papelão
e as enche de livro encarnado.
Corre ao pátio e pega a pá.
O grande buraco é escavado
e foram os livros enterrados lá…

O tempo passou… amanhecia…
Desenterraram os livros do Zé
Que os havia enterrado Maria.
Uma pergunta só permanecia:
Onde foi que enterraram o Zé
E onde foi que enterraram Maria?

Essa pergunta ninguém respondia.
O assassino responder poderia,
mas, calado, sadicamente sorria,
pois pensava que com Zé e Maria
o Ideal também se enterraria.

O que o fascista cruel não sabia
é que o Ideal do Zé não se enterra
como não se enterra o Ideal de Maria,
pois enquanto houver Gente e Terra
será a fonte da nossa Energia.

TORTURA NUNCA MAIS!
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.
*Poema inspirado em fato
ocorrido no interior do RS,
após o Golpe Militar de 1964.
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“Nada há encoberto que não seja descoberto;
nem oculto, que não seja revelado.
Porque tudo o que em trevas disseram,
à luz será ouvido;
e o que falaram ao ouvido no gabinete,
sobre os telhados será apregoado.
E digo-vos, amigos meus:
Não temais os que matam o corpo
e, depois, não têm mais que fazer.”
(Lucas 12:2-4)
.
.

Responder

FrancoAtirador

02 de novembro de 2012 às 00h25

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.
O “Esquadrão da Morte” continua vivinho da Costa e Silva.

Mas é chegada a hora de colocar os exterminadores na cadeia.
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.

Responder

Mardones Ferreira

31 de outubro de 2012 às 15h09

Todo apoio.

Responder

Flávio Prieto

31 de outubro de 2012 às 14h16

Mais uma charge sem noção no meu bloguinho:

Responder

Flávio Prieto

31 de outubro de 2012 às 14h15

Crimes cometidos por agentes públicos ou em nome do Estado têm que ser apurados, não podem ser ‘jogados no saco’ do esquecimento. Quem teve a coragem de fazer, agora tem que ter a de assumir o que fez, ou é covarde mesmo. Eles, que torturavam e matavam mulheres, jovens e idosos sob sua custódia, agora expliquem quais as ‘razões de estado’ que os obrigaram a fazer aquilo e quem deu as ordens. Mais uma decisão errada do STF: recusar-se a rever a Lei da (auto)-Anistia. Pressão, galera. O réu é o Estado Brasileiro e os agentes que atuaram por ele naquela época, não se confunda Estado com Governo. Quem pode julgar é o Judiciário – ele tem que ser pressionado. O Executivo montou a Comissão da Verdade, a qual só detém poderes investigativos – vamos ajudar no que pudermos, então! Se alguém tem dados relevantes, leve-os ao conhecimento desse grupo. Caso sejam apurados mais fatos e reunidas mais provas, o Judiciário não poderá se recusar a analisá-los, ainda mais depois da decisão da CIDH. Essa decisão do STF tem que ser derrubada!

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