Gilberto Maringoni: ‘Temos, sim, um projeto nacional a pleno vapor’

Tempo de leitura: < 1 min

Por Gilberto Maringoni*, em perfil de rede social

Leio em vários lugares uma espécie de postulado-padrão de certa parte do progressismo: “O que falta ao Brasil é um projeto nacional”.

Sofisma puro. Nós temos um projeto nacional a pleno vapor. Chama-se arcabouço fiscal.

Trata-se da enésima aplicação dos mantras “O Estado não tem dinheiro”, “É preciso conter o gasto” ou “Só se gasta o que se arrecada”.

É a nova encarnação do famigerado “teto de gastos”, em sua variante barroca.

Através do arcabouço, criminaliza-se o investimento público, corrói-se a capacidade de planejamento e indução ao desenvolvimento do Estado e tudo o que foge ao estreito figurino liberal é acusado de “populismo”.

Todos os serviços e bens públicos são afetados, numa diretriz que nos condena perenemente à periferia e à reprimarização econômica.

Sim, temos um projeto nacional. É um projeto nacional desnacionalizante (!) e socialmente desagregador.

Mas tem sólida lógica interna e firme apoio do agro e do capital financeiro.

*Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC).

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Nelson

2ª parte

Temos um exemplo claro dessa adesão gozosa pela esquerda no caso das ferrovias. É anunciado pelo governo Lula III, ufanisticamente, com enorme gáudio, uma grande expansão da malha ferroviária do país.

Essa expansão se dará por meio de investimentos públicos e sob estrito controle do Estado brasileiro, para que seu resultado traga os maiores benefícios possíveis para o conjunto do povo brasileiro?

Sim, o investimento será bancado por um banco público, banco de um Estado que estaria “falido”, dizem e repetem, à exaustão, os liberais.

Para transformar a grande mentira do “Estado falido” numa verdade inquestionável, os liberais contam com a sua “livre imprensa”; os órgãos da mídia hegemônica seguem à risca a recomendação feita por Goebbels e assim convencem milhões e milhões de que tudo é pelo bem de todos.

Mas, na real, se houver algum controle do Estado, esse será mínimo, tão insignificante que não haverá como garantir o maior retorno possível para toda a nação. Isto porque, o objetivo real, por detrás da propaganda, é abrir mais espaços para negócios e a obtenção de lucros ainda maiores, lucros sempre crescentes, para grandes empresários privados.

E, se os lucros têm que ser sempre maiores, sempre crescentes, para uns poucos, é claro que é a grande maioria do povo que terá que bancar a farra. Então, aquilo que, na propaganda, será feito pelo bem de todos, vai acabar se materializando à custa da grande maioria.

Nelson Fazenda

Gostaria muito de poder contestar a afirmação do Maringoni. Porém, não é possível, pois a coisa é escancarada. O arcabouço fiscal, antigo “teto dos gastos” remasterizado, digamos assim.

Trata-se de apenas mais um dos tantos freios que os países ricos impuseram aos países pobres ao longo de séculos para evitar que estes últimos seguissem seus passos: utilizar-se do Estado e seu aparato público/estatal para catapulta-los a estágio mais elevado de desenvolvimento de suas forças produtivas.

Isto fica claro, evidente por demais; é o “óbvio ululante” de Nelson Rodrigues.

É por conta disso, para convencer meio mundo ou quase o mundo inteiro do contrário, totalmente absurdo, sempre foi necessário apelar para uma intensiva e sufocante propaganda de demonização do Estado e de incensação do tal liberalismo econômico.

Liberalismo econômico que, se analisarmos a coisa com o rigor devido, nunca existiu realmente.

Dos entreguistas/liberais não se espera coisa diferente. O que desanima mesmo é vermos gente que se diz de esquerda a defender as abominações liberais e a aderir, gozosamente, a privatizações, PPPs. A aderir a artifícios criados pelos liberais para pilharem o Estado, para rapinarem o patrimônio e a riquezas de todos, em benefício dos lucros do grande capital.

Continua.

marcio gaúcho

Calar a boca dessa gente é fácil: somente não financiar com dinheiro público o agronegócio e os industriais. Que vão pedir arrego na banca financeira privada. Aí quero ver qual a música vão dançar! Lá não tem juro subsidiado e nem moleza para inadimplentes. Quero ver essa gente privatista falando bem do liberalismo…

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