Jeferson Miola: Folha assumiu direção da reação patronal-escravocrata contra o fim da jornada 6×1

Tempo de leitura: 3 min

Por Jeferson Miola, em seu blog

Na vanguarda do atraso, a Folha de São Paulo assumiu a direção da campanha patronal-escravocrata contra o fim da jornada 6×1.

Nas edições online de 21/2 e impressa de 22/2, o jornal divulgou reportagem sobre estudo do economista-pesquisador da FGV Ibre Daniel Duque com um título que soa como uma imputação de vadiagem ao povo trabalhador do Brasil: “Brasileiro trabalha menos que a média mundial”.

E já no primeiro parágrafo da matéria faz uma ofensa nos moldes do general Mourão: “Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado”!

Fica evidente o objetivo da matéria –recheada de preconceitos e argumentos falsos– de inventar um simulacro de “base científica” sob o manto de uma instituição acadêmica conhecida, para defender a manutenção da jornada 6×1.

“O brasileiro trabalha menos do que seria esperado. Para Duque, o que provavelmente explica o desvio brasileiro é uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer”, afirma a Folha.

Ainda que pareça piada, a reportagem cita sem fazer nenhuma ressalva que “Duque descobriu que os trabalhadores brasileiros escolheram trabalhar menos antes de ficarem ricos. No Brasil, segundo o levantamento, trabalha-se 1 hora e 12 minutos a menos por semana do que seria esperado dado o seu nível de produtividade e o seu perfil demográfico”.

Assim como o pesquisador da aranha, que chega à conclusão disparatada de que a aranha com todas as patas arrancadas não caminha porque não escuta o comando de voz do pesquisador, Daniel Duque conclui que a culpa pela baixa renda per capita no Brasil é dos próprios trabalhadores.

O pesquisador da FGV compara a produtividade brasileira com a coreana, e conclui que “os brasileiros homens trabalham meia hora a menos. Uma diferença de quase 6 horas por semana. No caso das mulheres, a diferença é de 11 horas semanais”.

Samuel Pessôa, colega de Duque e interlocutor dele sobre o estudo, diz que “se a gente trabalha 25% a menos, mesmo que a produtividade por hora seja a mesma, nosso PIB per capita vai ser 25% menor”.

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E ele insinua, por isso, que o debate sobre a redução da jornada de trabalho seria inapropriado. Afinal, “agora [com este “estudo científico”], a gente está vendo que, na média, a gente não trabalha tanto.”!

Sim, é isso mesmo que ele disse, que o povo que se lasca em jornadas extenuantes e se sujeita a ficar mais de três horas em deslocamento sofrível não trabalha tanto!

Até o momento de conclusão deste artigo, o estudo do pesquisador da FVG Ibre não estava disponível no site da instituição, o que seria proveitoso para diferenciar as opiniões do autor da matéria das conclusões do pesquisador, se é que elas existam.

De todo modo, a comparação da realidade do Brasil com a de outros 160 países, como fez o estudo, até pode servir para um exercício de distração estatística.

No entanto, um recorte deste tipo é inútil para se analisar a realidade do Brasil enquanto uma das dez maiores economias do mundo que, a despeito da enorme riqueza do país e do tamanho do PIB, ostenta indicadores sociais arcaicos, que o situam como uma das nações mais desiguais do planeta, e na qual quase 80% das famílias sobrevivem com até dois salários-mínimos.

A duração média da jornada de trabalho nos países europeus da OCDE é de cerca de 36 horas semanais, com tendência à redução com os avanços científicos e tecnológicos. No G20, “clube” das maiores economias integrado pelo Brasil, os países economicamente mais poderosos têm jornadas que variam entre 34 e 40 horas semanais.

As oligarquias dominantes, colonizadas e aspirantes a eternas satélites culturais da Europa e dos Estados Unidos, deveriam se espelhar nas suas metrópoles e aderir à redução da jornada de trabalho como uma medida modernizadora do Brasil.

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Zé Maria

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A Falta de Escrúpulo como Método da Direita
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Zé Maria

Os Bárbaros Neoliberais Escravocratas,
se encontram no Instituto Millenium (Imil)*.

[*] O Instituto Millenium (Imil) foi fundado em 2005 como “Instituto de Estudos da Realidade Nacional ”
[para combater ideologicamente o Governo Lula].

Em 2009, o Imil tornou-se uma Organização da
Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP),
equivalente a uma organização sem fins lucrativos
501 c dos EUA .
Ao se tornar uma OSCIP, o Imil tornou-se elegível
para “receber doações dedutíveis do imposto de
renda de pessoas jurídicas até 2%”.
O instituto também aceita doações de pessoas físicas.

Vinculação Ideológica
O Imil alinha-se com organizações políticas e econômicas
ultra ou neoliberais, inclusive internacionais,
entre elas:
o Instituto Liberal;
o Instituto Liberdade;
o Instituto Ling;
o Instituto de Estudos Empresariais;
a rede chilena Latinoamerica Libre;
o Instituto Ludwig von Mises; e
a Atlas Economic Research Foundation.

Dentre os patrocinadores e parceiros notórios,
o Imil conta com as seguintes personalidades
do cenário financeiro, jornalístico e empresarial
braZileiro, entre outras:

– Judith Brito (Presidente e Diretora-Superintendente
do Grupo Folha, liderando sua Equipe Editorial,
além de Membro do Conselho de Administração
do UOL e Vice-Presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais);

– João Roberto Marinho (Presidente de Organizações Globo);

– Nelson Sirotsky (presidente do Grupo RBS);

– Armínio Fraga (ex-Presidente do Banco Central do BraZil [Governo FHC]);

– Gustavo Franco (ex-Presidente do Banco Central do BraZil [Governo FHC]);

– Jorge Gerdau Johannpeter (Presidente do Grupo Gerdau
e Fundador da ONG ‘Todos Pela Educação’);

– Ives Gandra (ex-Jurista e Advogado Tributarista); e

– Ricardo Diniz (Vice-Presidente do Bank of America Merrill Lynch Brazil).

O falecido Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, que publica a Revista Veja, também foi
um dos Conselheiros do Instituto Millenium.

Economistas e Articulistas identificados com a Direita Política Neoliberal também estão entre os
Fundadores do Imil, incluindo Rodrigo Constantino,
Denis Rosenfield, Patrícia de Andrade e o ex- Ministro
da Economia do Governo Jair Bolsonaro (2019-2022)
Paulo Guedes.

O Imil tem sido apontado como um sucessor do IPES,
um dos ‘think tanks’ organizadores do Golpe Civil-Militar de 1964.

https://en.wikipedia.org/wiki/Instituto_Millenium
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Millenium#cite_ref-10
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Millenium#cite_note-11
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Millenium#cite_ref-13
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Millenium#cite_ref-14
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