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Vargas Llosa e a máquina de propaganda contra Chávez


11/10/2012 - 13h59

A hora de Vargas Llosa?

Por Iroel Sánchez

Em La pupila insomne

tradução de Jair de Souza

Depois de proclamar “empate técnico” e publicar uma avalanche de artigos contra Hugo Chávez e a favor de seu opositor Henrique Capriles, o jornal espanhol El País amanheceu neste 7 de outubro com o que supunha ser sua arma estratégica para intervir nas eleições venezuelanas. O prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa assinava no jornal do grupo PRISA um beligerante artigo intitulado “La hora de Capriles“ (A hora de Capriles).

“As últimas pesquisas coincidem que, após haver alcançado o atual mandatário, nos últimos dias e coincidindo com a manifestação de um milhão de pessoas com que fechou sua campanha em Caracas no domingo passado, Capriles obteve sobre Chávez uma vantagem nas intenções de voto de dois a quatro por cento, e que esta tende a se ampliar à medida que o percentual de indecisos vai decidindo sua opção (por volta de 90% deles fazem-no a favor do candidato da oposição)”, escrevia o cidadão espanhol nascido no Peru, para acrescentar no parágrafo seguinte:

“O problema de Capriles é, desde já, que se sua vitória se der por uma margem pequena, as possibilidades de que o oficialismo manipule o resultado a seu favor são muito grandes. Isto só poderia ser conjurado com uma vitória inequívoca, tão ampla que a fraude seria visível e escandalosa demais para que os venezuelanos a admitissem. No entanto, não se pode descartar que o triunfo de Capriles supere amplamente o percentual que as pesquisas prevêem.”

Em seguida, meios de comunicação do mundo todo e especialmente da América Latina reproduziam a tese do grande ficcionista. “Chávez poderia manipular os resultados se Capriles ganhar: Vargas Llosa”, intitulava Televisa, “Mario Vargas Llosa confia que Hugo Chávez vai ser derrotado por Capriles”, dizia El Comercio, no Peru, a agência espanhola EFE encabeçava um despacho com “Vargas Llosa crê que o chavismo tratará de manipular os resultados”, e assim até o infinito. Como era previsível, a indústria midiática converteria as palavras do reconhecido escritor em munição para a desestabilização do processo político venezuelano.

Em nome da democracia e do respeito às instituições que tanto apregoam, o Marquês da Espanha Mario Vargas Llosa e El País atiçavam o fogo para que a direita venezuelana, com os antecedentes de golpismo e violência que eles silenciaram para atribuí-los ao chavismo, não aceitasse uma derrota que qualquer analista minimamente informado sabia que seria certa.

Em seu exercício de inverter a realidade e converter vilões em herois, para o romancista os autores de três intentonas golpistas – petroleira, patronal e militar – são vítimas dos partidários do presidente venezuelano, protagonistas – segundo ele – de “provocações, intimidações e assassinatos”.

Em seu texto, o autor de A casa verde atribuía a Chávez um “delírio messiânico”, mas foi Capriles a quem ele pintou, como o Antônio Conselheiro de sua novela A guerra do fim do mundo, recorrendo povoados e cidades para redimir àqueles que só tiveram oportunidades reais de sair da pobreza desde que o líder bolivariano chegou ao poder.

Dizem que a arte do novelista consiste em contar mentiras incríveis de maneira que pareçam verdades irrefutáveis. Para a ficção, Mario Vargas Llosa é um mestre, mas como análise jornalística “A hora de Capriles” depõe contra seu autor. Poucas horas depois do augúrio do Prêmio Nobel, Henrique Capriles perdeu de modo esmagador, com mais de 10% de vantagem para Chávez, num processo tão limpo que ninguém foi capaz de impugnar.

Obviamente, esta não é “a hora de Capriles”, mas talvez seja o momento de que Vargas Llosa deixe de utilizar seus indiscutíveis dotes literários para defender um neoliberalismo sem retorno na América Latina e que está em crise até mesmo em sua admirada monarquia espanhola, da qual ele parece ser mais um Marquês do que um cidadão.

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17 comentários

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marcirio

22 de outubro de 2012 às 15h37

O cara pirou de vez, a preocupação dele deveria ser a sua “espanha” afundada na lama do obscurantismo neoliberal e ainda bancando caçadas de animais quase extintos a um reizinho de bosta nenhuma e sem utilidade!

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francisco.latorre

12 de outubro de 2012 às 21h35

vargas llosa.

es un hijo de la gran puta.

..

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Nelson

12 de outubro de 2012 às 19h24

A vitória de Chávez representa mais desespero para o Sistema de Poder que domina a maior parte do planeta e que tem seu quartel-general nos Estados Unidos.
A vitória de Chávez representa mais desespero para os bajuladores, puxa-sacos, lambe-cus, e outros quetais, desse sistema.
E o desespero estava estampado na palavras de Llosa já antes de que ele soubesse do resultado da eleição; é de imaginarmos a cabeça dele depois de ver Chávez discursando como vencedor.

Vida longa a Hugo Chávez. Viva o povo venezuelano. Viva a Venezuela. Viva a América Latina, a “Pátria Grande”, de Simon Bolívar.

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Ildefonso Murillo Seul Batista

12 de outubro de 2012 às 07h11

Lá, como cá, eles, “os mais preparados”, querem tutelar o “povo que não sabe votar”!!!

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Tiago Tobias

11 de outubro de 2012 às 20h11

Tenho aqui na minha prateleira oito livros do dito cujo. Como escritor, ele é irretocável, mas como ideólogo político, é um desastre. Parafraseando Romário, Vargas Llosa calado, é um poeta.

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jairo

11 de outubro de 2012 às 19h36

Gato gordo não caça.

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Fabio Passos

11 de outubro de 2012 às 19h32

Que tolo.
mario vargas llosa merece o ignobel. rsrs

A debacle do neoliberalismo deixou-o completamente desorientado.

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    Horridus Bendegó

    11 de outubro de 2012 às 19h47

    “Cem Anos de Solidão” nele…

Julio Silveira

11 de outubro de 2012 às 19h20

Para Chaves enquanto os cães ladram a caravana passa.
Me lembra um poema do Quintana:
POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

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Antônio

11 de outubro de 2012 às 19h15

Mas como diz besteira esse Vargas Llosa! É a fina flor da direita idiotizada da América Latina. Golpista!

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José Ricardo Romero

11 de outubro de 2012 às 19h14

A gente aqui reclama, e com razão, da vilania do PIG e sua promoção do atrazo e da desfaçatez. Mas estamos em casa e resolvemos nós mesmos os nossos problemas. Pobre Venezuela… Não basta estar virada para o norte, para os EEUU, como também sofre influência deletéria da Espanha. Da Espanha! Esse atrazo europeu, um país catolicíssimo que boia na gordura rançosa de seu orgulho patológico! De um escritor fascista, peruano /espanhol, como o LLosa! Francamente, que azar!

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jefff

11 de outubro de 2012 às 16h07

Que a monarquia espanhola tem a ver com o artigo de Lhosa? Não misture as coisas por puro preconceito.

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    Luiz Moreira

    11 de outubro de 2012 às 17h09

    Vou responder, mesmo que fora de questão, à pergunta do JEFF!
    “PORQUE NÃO TE CALLAS, palavras do reizinho de MIERDA ao CHAVES. O Chaves devia ter respondido ao reizinho caçador de elefantes e admirador do FRANCO. “PORQUE AQUI FAZ MUITO TEMPO QUE NÃO EXISTE GARROTE VIL”
    Leia um pouco antes de defender NULIDADES.

    jefff

    15 de outubro de 2012 às 16h34

    O que eu deveria ler na sua modesta opinião? O manuel de chavões que vc parece ter decorado tão bem? Não obrigado!

    J Souza

    11 de outubro de 2012 às 17h55

    “Marquês (no feminino: marquesa) é um título nobiliárquico da nobreza europeia, que foi utilizado em outras monarquias originárias do mundo ocidental, como o Reino de Portugal e o Império do Brasil. O título, de origem germânica (Markgraf), possui variantes em diversas culturas da Europa.”
    Fonte: Wikipedia

augusto2

11 de outubro de 2012 às 15h48

Ja vi escritores de pensar mais amplo. E objetivo.
Ja vi ate o mesmo vargas llosa mais perto do povo latino americano.
E mesmo que tivesse dito o que pensava, deveria a seguir ao sentir-se usado pela midia corporativa CONTRA o povo da rua latino americano, retratar-se ou por os pingos nos ii.
Tem nome e independencia financeira pra isso.
Nao o fez.
Cooptado? nao creio.
aceitou a pecha, o papel e a carapuça.
Triste.

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Márcio Oliveira

11 de outubro de 2012 às 15h15

De Eduardo Galeano sobre Vargas Llosa: “A esse senhor não se deve vaiar ou atirar ovos, porque certamente é o que mais lhe convém”.

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