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Reitor da UFPR cancela parceria com Santander


20/02/2012 - 04h02

18 sábado fev 2012

Do Blog MobilizaUFPR.org, sugestão do Fernando César Oliveira

Dois dias depois de o Ministério Público Federal (MPF) ter sido acionado para investigar a ‘parceria’ entre a UFPR e o Santander,  o reitor Zaki Akel Sobrinho divulgou, através de nota publicada na noite desta sexta (17) no portal da universidade, a revogação do processo.

O texto publicado no portal da UFPR contém parágrafos contraditórios entre si. Um deles afirma o seguinte: “De acordo com as pró-reitorias de Planejamento e de Administração, a legislação não permite [sic] que as instituições públicas tenham conta em instituições bancárias privadas, mesmo que seja uma conta de transferência de dados”.

Já o parágrafo posterior alega que a UFPR teria seguido “todas as normas” da Lei de Licitações, e que, “apesar de cancelado”, o processo “foi considerado dentro da legalidade  e transparente”.

Ora, se o processo fosse ‘transparente,’ ao menos esse novo ‘parecer’ das duas pró-reitorias seria publicado na íntegra. Será mesmo que só descobriram agora –mais de um ano e meio depois de terem iniciado o processo – que estavam fazendo algo que ‘a lei não permite’?

Aos fatos. O reitor Zaki Akel Sobrinho estava acuado. Em 31 de janeiro, por unanimidade, os servidores técnico-administrativos da UFPR haviam aprovado uma moção de repúdio na qual defendiam o cancelamento imediato do contrato.

Ao longo das semanas seguintes, o blog Mobiliza UFPR.org tornou públicos os dois principais documentos do processo –o edital e o contrato assinado entre a universidade e o banco.

Com algum atraso, na manhã de ontem (17) a Apufpr também se posicionou contra a medida. “A administração da UFPR flerta com o ilegal ao agarrar-se ao privado antidemocraticamente e afronta os princípios da universidade pública, democrática e socialmente referenciada, tão cara ao coletivo dos docentes da UFPR”, diz trecho inicial de nota publicada no site da associação.

Curioso notar que até mesmo o DCE, que inicialmente havia aprovado o negócio com o Santander, mudou de posição e passou a criticá-lo.

Ainda conforme o portal da UFPR, a decisão pelo cancelamento da parceria teria sido tomada na segunda-feira (13). Ou seja, a ‘reavaliação’ do processo pelo DCE ocorreu depois de o processo já ter sido revogado. É algo mesmo curioso, pra dizer o mínimo.

Os bastidores que cercam todo esse episódio ainda estão por ser revelados. O blog Mobiliza UFPR apurou que, na última semana, Zaki Akel Sobrinho recebeu emissários do banco espanhol em seu gabinete, a portas fechadas.

A agenda do reitor, aliás, não é mais divulgada nem mesmo para os trabalhadores da Asssessoria de Comunicação Social (ACS) desde meados de novembro de 2011, quando vazou para a comunidade universitária a informação de que Zaki havia tido um encontro particular com Antônio Néris, candidato derrotado à presidência do Sinditest-PR.

O mandato de Zaki termina no próximo mês de dezembro. As eleições para a Reitoria da UFPR devem acontecer em junho ou em agosto.

Desgastado pelas críticas e com o seu desejo de reeleição seriamente ameaçado, o reitor optou por um recuo estratégico.

Não há como negar que esse recuo é uma vitória da mobilização das centenas de técnicos, professores e alunos que, mesmo nas férias, se manifestaram contra a parceria entre a UFPR e o Santander nas redes sociais, em espaços como o Facebook e o Twitter.

Nós, do blog Mobiliza UFPR, vamos cobrar do MPF que, independentemente do cancelamento do negócio, o órgão emita o seu parecer a respeito da possível transação, a fim de sepultar qualquer nova tentativa similar no futuro.

Leia também:

Amir Khair: Juro cobrado pelos bancos, um assalto ao consumidor



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15 comentários

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Janes Rodriguez

22 de fevereiro de 2012 às 23h00

Vixi! Tem gente que agora vai ficar sem assunto… A campanha pra reitoria terá que arrumar outro tema pra polemizar.

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Eunice

21 de fevereiro de 2012 às 12h46

Se a Sociedade aperta eles reagem. (Agora, por si? Isso não espere!) Então apertemos o cinto deles. Democracia é suada a sangue. O marketing desses bancos ladrões é esperto e cada pessoa tem que analisar muito bem antes de se aliar a esses bandidos. Já ficou claro que a sociedade baniu a privataria e aliados.

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Paulo Adolfo

20 de fevereiro de 2012 às 19h03

O governador tucano Alckmin tem ligações com a "santa máfia" Opus Dei. O reitor da UFPR tem ótimas relações políticas e pessoais com o tucanato que comanda Curitiba (via um prefeito testa-de-ferro do PSB) e também governa o Paraná (Beto Richa, do PSDB). O reitor pretende reeleger-se para o cargo este ano. O reitor faz esse acordo por baixo dos panos com o Santander, que, por sua vez. é unha e carne com a Opus Dei, a qual vive tentando recrutar apoiadores nas universidades brasileiras (e os tem na UFPR). Algum sentido nessa teia de "ligações perigosas" ?

Leiam também:

"ACERTO REITORIA-SANTANDER MIXOU. MESMO?" no link abaixo: http://avancarnaluta2007.blogspot.com/2012/02/ace

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xena

20 de fevereiro de 2012 às 16h06

infelizmente a minha UFPR está rodeada de denuncias de desvio de verba, isto é fato…existe uma fundação FUNPAR, pela qual o dinheiro publico que é enviado para universidade "passa" para ser "devidamente relocado" , os ex professores que estão no comando na reitoria, dentre eles o atual reitor, pertencem a uma máfia, que da qual poucas pessoas conseguem ter acesso as informações concretas sobre os gastos, é uma vergonha, ja ouvimos relatos de professores que tentaram questionar a aplicação dos recursos desta universidade, da qual fui aluno, e foram ameaçados de morte!!!!, isto é um absurdo!!!, acreditem é a mafia do ensino superior público, ainda existe muita verba federal, no entanto muitas vezes a estrutura é sucateada, o problema não é o governo federal, e sim a administração destas universidades que fazem a "repartição" do bolo de acordo com suas conveniências…

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    Felipe

    20 de fevereiro de 2012 às 19h09

    Não pense que a sua federal é a única a estar na mão de mafiosos. Aqui na UNIFESP existe a nossa FUNPAR, mas aqui chamam de FAP e pra piorar tem a SPDM, são as duas caixas pretas da nossa federal. A UNIFESP é ótima frequentadora nas investigações do CGU e TCU. Além é claro do antigo reitor com a suspeita de desvio de verbas, por volta de 200 milhões, diversos campus funcionando sem a menor estrutura e vivendo de prédios emprestados, movimento estudantil criminalizado assim como a USP, greves discentes e de funcionários devido a deplorável falta de condição material e de trabalho, política de assistência estudantil capenga, falta de professores. Meus caros, já estudei em universidade estadual aqui de São Paulo e agora numa federal, e sabe qual a impressão depois da comparação? Na briga entre militantes e políticas de PT-PSDB quem sai perdendo é a educação pública que sofre ataque constante da ganância dos conglomerados privados, onde a técnica é o único tipo de educação necessário. Formar intelectuais, pensadores críticos pra que? Federal, estadual ou municipal são alvos do sucateamento programado.

    H. Back

    22 de fevereiro de 2012 às 00h01

    Será que esse pessoal não entende que o neoliberalsimo não vingou nem no país onde foi criado? Vide crise imobiliária americana!

FrancoAtirador

20 de fevereiro de 2012 às 15h14

.
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A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) TAMBÉM PRESTA UMA ENORME COLABORAÇÃO

PARA A IMEDIATA RECUPERAÇÃO DA MATRIZ DO BANCO SANTANDER NA ESPANHA.

ALIÁS, ESTA RELAÇÃO DO SANTANDER COM OS TUCANOS PAULISTAS JÁ É ANTIGA.

ALGUÉM AINDA SE LEMBRA DO BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO (BANESPA)?

O BANESPA foi "federalizado" no governo Covas/Alckmin (PSDB-SP), no início de 1995, mediante intervenção do Banco Central (BACEN), tendo sido saneado com recursos do Tesouro Nacional e, em novembro de 2000, foi privatizado pelo governo FHC (PSDB/PFL), que o vendeu em leilão público ao Banco Santander, multinacional de origem espanhola, por US$ 7 bilhões.
A partir da compra o banco passou a se denominar Banco Santander Banespa.
Posteriormente, a marca Banespa foi extinta, passando-se a grafar apenas Banco Santander
.
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28/10/2011 às 00h00
MAIOR RISCO PARA SANTANDER É ESPANHA, DIZ J.P. MORGAN

Por Carolina Oms e Carolina Mandl | De São Paulo | Valor Econômico

O banco espanhol Santander disse ontem que planeja exceder as exigências de capital dos líderes da região em um ponto percentual até junho de 2012, mas não detalhou como o fará. Pela regra de Basileia 3, o capital de nível 1 está em 8,12%, sendo que precisará alcançar 9%. O banco quer atingir isso com geração interna de capital.

Teste de estresse feito pelo J.P. Morgan, mais rigoroso que o oficial, concluiu que a matriz do Santander terá um déficit de capital de € 3 bilhões em um cenário que inclui uma perda de 33% nos empréstimos, um corte de 10% nos títulos da dívida espanhola e o impacto de Basileia 3. O relatório chama-se “Santander e BBVA: não apenas espanhóis, mas sofrendo por isso”.

Para os autores, o principal risco para o banco está na Espanha, principalmente na carteira imobiliária, que tem sido responsável pela maior parte do problema espanhol desde 2007 e que, no caso do Santander, soma € 27 bilhões.

De um total de € 230 bilhões em empréstimos na Espanha, € 30 bilhões são considerados “problemáticos”, o que inclui créditos provisionados, ativos imobiliários recomprados, empréstimos de segunda linha e perdas contábeis. Isso é pouco mais de 10% da carteira total, mas deve aumentar mais em 2013, quando os empréstimos provisionados devem atingir seu pico.
O cenário também considera 100% de default para os créditos imobiliários provisionados.

Para Jaime Becerril, Kian Abouhossein e Axel Finsterbusch, autores do relatório, a falta de reconhecimento das perdas futuras é o principal obstáculo para o banco.
Os analistas afirmam que a limpeza do balanço é “necessária e desejável”, levando as provisões a níveis mais “realistas”.

No Brasil, o receio entre investidores é que a seriedade da situação na Espanha respingue na subsidiária.
O Santander afirma ter um modelo de subsidiárias autônomas.
A preocupação de analistas é que o banco coloque o pé no freio no Brasil, mantendo o nível de capital elevado na subsidiária, o que acabaria ajudando a matriz.

Ceres Prado, analista de bancos da agência de risco Moody’s, acrescenta outros dois motivos para que a carteira do banco esteja crescendo abaixo de seu potencial.
O banco demorou muito para realizar a sinergia com o ABN Amro e perdeu o passo na concessão de crédito.
“O banco trouxe inúmeros executivos da Espanha que ainda não conhecem tão bem o mercado e estão contaminados pelo clima de crise na Europa”.

Um executivo que já saiu do banco relata, por exemplo, que três vezes por semana executivos do Brasil precisam levar ao comitê de crédito na Espanha as operações em andamento para receber aprovação.
“Por causa da crise, os espanhóis estão bem mais cautelosos.
Com isso, o banco pode perder clientes para a concorrência”, diz.

RESPONSÁVEL POR 25% DO LUCRO DO GRUPO, O BRASIL TEM DADO UMA CONTRIBUIÇÃO IMPORTANTE PARA A MATRIZ.

O banco, controlado pelo grupo espanhol, já distribui 50% do lucro aos acionista (em IFRS), mais do que os 35% ou 40% que os brasileiros costumam pagar.

A recente venda de 51% das operações de seguro no Brasil e na Argentina para a Zurich também renderá bons dividendos à matriz.

A operação foi fechada por R$ 2,7 bilhões.

http://bancariostaubate.com.br/site/index.php?opt
http://marcelosouzarn.com.br/blog/maior-risco-par

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glapido

20 de fevereiro de 2012 às 13h12

Pelo menos, com a divulgação deste caso, foi dado tempo a que as outras instituições com parceria semelhante procedam a uma regularização … digamos … "retroativa".
E com isso "corrijam", retroativamente, as não-conformidades ("falha", "erro", são palavras em desuso na moderna gestão empresarial) que o pioneirismo da UFPR revelou.
Passa a ser um … "estudo de caso", uma sessão de "lessons learned".

Responder

Luci

20 de fevereiro de 2012 às 12h53

A OPIS DEI investe em Universidades, Imprensa, Tribunais – http://www.youtube.com/watch?v=-4KuqZcOW5A

Responder

Luci

20 de fevereiro de 2012 às 12h48

Nós não votamos e não elegemos a OPUS DEI, mas supostamente seus métodos estão incrustrados em vários governos. http://www.pranselmomelo.com.br/2012/01/banco-sanhttp://www.youtube.com/watch?v=-4KuqZcOW5A

Responder

beattrice

20 de fevereiro de 2012 às 10h09

Uma pergunta que não quer calar:
o SANTANDER faz doações de campanha ao PSDB?

Responder

    FrancoAtirador

    20 de fevereiro de 2012 às 12h26

    .
    .
    Não só ao PSDB.

    E não só de campanha.
    .
    .

    Luci

    20 de fevereiro de 2012 às 12h40

    ."O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru. A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais".
    Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso.
    Leia o artigo original: http://www.pranselmomelo.com.br/2012/01/banco-san

    Operante Livre

    22 de fevereiro de 2012 às 17h57

    Claro que não fazem. Como poderiam doar a si mesmos?

Operante Livre

20 de fevereiro de 2012 às 08h29

Por mais que cada banco tenha lá seus problemas, de fato, ainda que não contrariasse alguma legislação, seria imoral para uma instituição manter conta num banco privado quando há bancos governamentais. Ainda os há. Este movimento na UFPR só vem fortalecer a importância do Estado e delimitar com clareza qual é o espaço do privado. Parabéns pela vitória. Precisamos de alguns de vocês em São Paulo para nos ajudarem.

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