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MST solidariza-se com estudantes da USP


11/11/2011 - 15h30

A carta abaixo foi enviada por e-mail aos estudantes da USP. É assinada pelo Coletivo da Juventude do MST.

Da Página do MST

“A terra, assim como a educação, são latifúndios que historicamente sempre estiveram nas mãos da elite brasileira, fazendo com que servissem somente aos seus interesses. Mas ao mesmo tempo, a classe trabalhadora se organizou para lutar contra esses latifúndios. O MST e o Movimento Estudantil são provas dessa organização da classe trabalhadora.

O que se viu na ação da Polícia Militar do último dia 8/11 foi mais uma demonstração da truculência e arbitrariedade com que o governo do estado de São Paulo tem tratado os movimentos sociais nos últimos anos, com a clara intenção de reprimir e criminalizar as lutas e os lutadores sociais que sonham em construir um mundo mais justo.

Porém, essa não é uma ação isolada. Faz parte da estratégia que o capital tem para com o nosso continente: transformar todos os bens em mercadoria. A educação e a terra, para eles, são somente mais uma dessas mercadorias. Da mesma forma acontece em outros países, como por exemplo no Chile e na Colômbia, onde leis de reforma da educação propostas pelos governos tem o claro objetivo de transformar a educação em mercadoria.

Mesmo com os avanços desses processos de privatização da educação, os estudantes seguem se organizando e se mobilizando, como demonstram os estudantes chilenos que estão em luta desde o inicio desse ano e os estudantes colombianos, que há cinco semanas estão em greve e hoje fazem uma grande marcha em defesa da educação pública. Para os estudantes chilenos e colombianos, todo nosso apoio e solidariedade.

É nosso dever e nossa tarefa defender uma educação pública, gratuita e de qualidade para o campo e à cidade. Não podemos permitir mais que fechem escolas no meio rural como vem acontecendo nos últimos 10 anos, onde mais de 37.776 escolas do campo foram fechadas. Temos que defender a autonomia e a democracia dentro das universidades e escolas, com eleição direta para reitores e diretores.

Lutaremos por mais verbas para a educação, tendo na bandeira dos 10% do PIB para educação o nosso instrumento de luta para melhores salários aos professores, aumentar a verba para assistência estudantil, expandir o ensino público com contratação de professores e técnicos administrativos e a melhoria da infraestrutura das escolas e universidades no campo e na cidade.

Repudiamos a ação truculenta e antidemocrática da polícia de São Paulo sob o comando do governador Geraldo Alkmin e do Reitor João Grandinho Rodas. Basta de repressão e criminalização das lutas sociais!

Por esse compromisso histórico do MST com a Educação Brasileira, viemos por meio desta carta demonstrar toda a nossa solidariedade e apoio aos estudantes da Universidade de São Paulo, que lutam por autonomia e democracia nos rumos dessa importante universidade do nosso país para que ela represente de fato os anseios do povo brasileiro”.

Coletivo da Juventude do MST

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24 comentários

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Relatório da Secretaria de Direitos Humanos confirma: Reitor da USP votou contra vítimas da ditadura « Mundo de Oz

21 de dezembro de 2011 às 21h42

[…] MST solidariza-se com estudantes da USP […]

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USP-FEA

19 de novembro de 2011 às 10h38

se alguem ainda tinha dúvidas do objetivo politico-partidário desse "movimento estudantil", agora não tem mais…

um grupo de 500 "alunos" numa universidade com mais de 50 mil estudantes, grita e recebe apoio do MST e dos partidos de esquerda!

tá montado o circo!

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Marcos

14 de novembro de 2011 às 10h08

É ta, só faltou mostrarem a cara! Por que se escondem atrás do cartaz de provocação ao Geraldo Alckmin? Só mostram que não o respeitam, e o que fariam se este se apresentasse para ministrar aula de democracia? Para ensinar que não é depredando patrimônio público que se luta por dias melhores. Os que são favoráveis à presença da polícia nas dependências da universidade, mostraram a cara, sem capuzes! De forma ordeira e pacífica. A sociedade brasileira já cansou de ver gente metido a revolucionário, que adora culpar a sociedade pelos seus problemas, querendo "direito" de fumar "unzinho" nas dependências das universidades. Fora! O aparelhamento das universidades para influência sindical e partidária. E agora mais esta, o apoio do MST. É um absurdo o que vem ocorrendo com a educação neste país. Quem é que dá valor ao estudo? Aquele que quebra a cadeira onde senta para estudar, ou aquele que é grato por ter a oportunidade de sentar em uma?

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EVANDRO

13 de novembro de 2011 às 18h00

INFELIZMENTE AS FACULDADES PÚBLICAS DE NOSSO PAÍS ESTÃO REPLETAS DE ALUNOS ORIUNDOS DA ELITE BRASILEIRA, DISTORCENDO O PRINCÍPIO DE SE TER ENSINO PÚBLICO NO PAÍS. AGORA O MST VEM DEFENDER OS FILHOS DA ELITE???!!! DE QUE LADO O MST ESTÁ???

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    Conceição Lemes

    13 de novembro de 2011 às 18h02

    Evandro, letras minúsculas nos próximos comentários, por favor. abs

Mariano

12 de novembro de 2011 às 13h17

Que beleza, agora sói falta o abaixo-assinado encabeçado pelo Antonio Candico, marilena Chauí e Chico buarque.

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JVICTOR

12 de novembro de 2011 às 10h31

A revolta dos playboy!!

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    angelo

    12 de novembro de 2011 às 16h21

    Ainda que fosse, antes revolta de 'play' que pérfida lambeção de botas por escravos.

Lu_Witovisk

12 de novembro de 2011 às 08h30

Tá certo, mais que certo!! Ninguém entende mais do peso da botina que o MST. Parabéns a todos os acordados, a todos que se mobilizam. A luta continua…

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Polengo

12 de novembro de 2011 às 01h45

Inevitável comparar a juventude do MST com aquela juventude do partidinho cujo líder espinafrou Lula por sua doença.

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assalariado.

11 de novembro de 2011 às 23h02

Este sujeito fala em aula de democracia, respeito ao dinheiro publico, depredação de bem publico, ordem judicial, enfim,… O que ele tem a falar das dezenas de CPIs, bloqueadas/ arquivadas no legislativo estadual de SP. Quando os professores e funcionários do estado de SP, vão a luta por melhores salarios, ensino publico de qualidade, melhores condições de trabalho, ai sim, ele mostra ser um "grande" professor de demagogia democratica, e tome porrada nos seus funcionários. É isso ai, para manter a ordem e o dominio da burguesa capitalista sobre a sociedade, o legislativo burgues faz as leis, o judiciário burgues julga e o Estado capitalista, burgues executa, digo, reprime todos os movimentos sociais não importa qual.

Agora, podemos redefinir o Estado como sendo uma instituição politica, juridica, administrativa e militar que tem por objetivo dirigir o conjunto da sociedade, de acordo aos interesses da parcela economicamente dominante.

Da uma olhada na cara de pau democratica deste sujeito:
[youtube KdFw0AaraWA http://www.youtube.com/watch?v=KdFw0AaraWA youtube]

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    Fabio_Passos

    12 de novembro de 2011 às 00h09

    O fascista mente assim porque sabe que a mídia-corrupta – globo / veja / estadão / fsp – apóia a repressão covarde da polícia política da pior "elite" do mundo.

    Só que os estudantes estão pagando pra ver:

    <img src=http://i0.ig.com/bancodeimagens/8q/in/lj/8qinlje7nk63u5xe65lhh4xwe.jpg>

    Imagina se o covardão vai aceitar o convite?

    O covardão vai mandar os brucutus da polícia bater ou os cães de guarda da mídia-lixo-corporativa difamar professores, funcionários e estudantes da USP.

    cronopio

    13 de novembro de 2011 às 21h08

    Vamos ver se ele tem coragem de dar essa aula ou é só mais uma promessa não cumprida.

    Fabio_Passos

    13 de novembro de 2011 às 21h17

    Alckmin pode dar aula sobre como fazer acordos com o crime organizado e proteger grupos de extermínio…

    Democracia não é o forte da nossa "elite" branca, rica… e corrupta!

FrancoAtirador

11 de novembro de 2011 às 22h50

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McScrav's

Audiência pública em São Paulo denuncia rede McDonald's por uso de trabalho análogo à escravidão 11/11/2011

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo promoveu dia 9 uma audiência pública para analisar as denúncias do uso de trabalho análogo à escravidão pela multinacional estadunidense McDonald’s. O evento foi aberto com a apresentação de um vídeo com depoimentos de jovens trabalhadores vítimas de exploração.

No vídeo, que gerou comoção e revolta entre deputados e sindicalistas presentes à audiência, os funcionários relatam como são arregimentados pela rede de fast-food, que se apresenta como “campeã na oferta do primeiro emprego”. Eles também dão detalhes sobre as péssimas condições de trabalho, os salários aviltantes e a jornadas extenuantes.

Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares, Restaurantes, Lanchonetes e Similares, a multinacional usa a jornada móvel e flexível como mecanismo para explorar os jovens. Essa jornada, adotada desde 1995, obriga o trabalhador a ficar totalmente disponível no interior das lojas do McDonald’s, sem que receba pelas horas não trabalhadas.

“Esta situação faz com que muitos dos trabalhadores recebam ao final de um mês valores em torno de R$ 230,00”, relata a assessoria do PT na Assembleia Legislativa. Questionado sobre o desrespeito à Constituição, que fixa o salário mínimo em R$ 545,00, o diretor da empresa, Pedro Parisi, “teve uma postura evasiva e afirmou que iria apurar as denúncias apresentadas”.

Humilhação
Além do vídeo, vários adolescentes denunciaram a situação degradante na McDonald’s. “Ângela Carla, que trabalhou na empresa de 2007 a 2011, falou com a voz embargada sobre seu primeiro dia de trabalho que, segundo ela, foi o mais humilhante de sua vida. ‘Fui chamada de burra e de pobre porque nunca havia comido um lanche do McDonald’s’”.

Caio César relatou que foi humilhado e até mesmo agredido fisicamente pela gerente, que insistia em dizer que ele não era capaz de servir lanches. O rapaz, que ainda sofreu um acidente de trabalho (caiu na chapa) e não foi socorrido, revelou que a rede paga para que os funcionários falem bem da empresa em questionários que são usados para formar o ranking das melhores empresas.

Segundo o saite do PT, “outro grande problema enfrentado pelos jovens é a alimentação. Comem o mesmo lanche todos os dias. Kênia Costa disse que sofreu intoxicação alimentar provocada pela comida oferecida e revelou que o Mc Donald’s comercializa alimento vencido”. Os relatos comprovam a jornada escravizantes e as humilhações constantes da multinacional.

“Uma menina de 14 anos, com o rosto coberto e que se identificou como Mônica, afirmou que os aprendizes cumprem jornada à noite e são responsáveis por todas as tarefas das lojas, o que é ilegal. O estudante de Direito Christian contou que presenciou um gerente chamando um funcionário de “‘preto, gordo e incompetente’ porque este havia derrubado três hambúrgueres no chão”.

CPI
Apesar dos relatos dramáticos e revoltantes, os representantes do Mc Donald’s presentes à audiência não se pronunciaram. Eles se limitaram a dizer que apurariam as denúncias. Um pedido de CPI para investigar o trabalho escravo já foi protocolado, mas atualmente o regimento da Assembleia paulista estabelece que só pode haver cinco CPIs em atividade e o pedido é o 16º da fila. O pedido da sexta CPI está previsto no regimento, em caso de urgência, mas, de acordo com o saite da CTB, os deputados governistas não querem abrir precedente.

Fonte: CTB

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    Lu_Witovisk

    12 de novembro de 2011 às 08h34

    Divulgando já… tava na cara que era escravidão, ainda bem que falaram!!

    cronopio

    13 de novembro de 2011 às 21h07

    Revoltante, isso a Folha não noticia, né? curioso…

Fabio_Passos

11 de novembro de 2011 às 22h33

Dá-lhe MST.
Sempre em apoio aos que resistem.

O MST é vítima desta mesma "elite" que agora atacou os estudantes. E sofre como poucos devido a sórdida campanha de difamação da mídia-corrupta: rede globo, quadrilha veja, estadão e fsp.

"
Moção de repúdio
Escola de Comunicações e Artes
Assembleia Geral dos estudantes da ECA

Nós, estudantes de Comunicações e Artes da ECA/USP, viemos explicitar o nosso repúdio à maneira como a imprensa hegemônica tem exposto os acontecimentos recentes no campus da USP.

(…)

Como estudantes de universidade pública, é também nosso papel questionar a maneira como a mídia trata os movimentos sociais, principalmente como ela tem tratado o movimento estudantil. Buscar entender as raízes do problema exige apuração minuciosa, princípio básico do jornalismo. Posições existem, mas elas não podem ocultar ou distorcer fatos.

O nome do que está sendo praticado é antijornalismo. A sociedade não financia a nossa formação para sermos profissionais como esses.
"

A mídia vende “o espetáculo”, é o “antijornalismo” http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/al

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Tiberio Ribeiro

11 de novembro de 2011 às 21h05

Esse é o espírito!

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Mário SF Aives

11 de novembro de 2011 às 21h01

O Chile é um laboratório de expereiências neoliberias. Pinochet, o matador de Allende, de Victor Jara e da política no Chile, foi assessorado pelo pai do neoliberalismo, o dito economista falecido Milton Friedman. Mas o Chile é muito maior do que isso e é por isso que "me gustan los estudiantes"!

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Gerson Carneiro

11 de novembro de 2011 às 20h50

Tão vendo?! Bem que a madame da Daslu disse que os estudantes estavam mancomunados com o MST.

Vocês que disseram que as madames da Daslu não entendem de política quebraram a cara.

rs

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JoseIvan

11 de novembro de 2011 às 19h55

Endossamos a carta da juventude do MST e apoiamos a luta pela democracia na USP, ao tempo em que reprovamos a cobertura da mídia oligárquica e a falta de compromisso do governo paulista com o povo.

José Ivan Mayer de Aquino
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida

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Cenossaum

11 de novembro de 2011 às 17h05

Emociona ver os companheiros do MST, que são as maiores vítimas da polícia e da imprensa deste país se solidarizando com a gente.

A bandeira dos 10% do PIB pra educação foi adotada pelo movimento de greve, mas foi polêmico, eu inclusive fui convencido pelo argumento de que mais dinheiro pra fazer cartilha racista (como encontramos na escola de aplicação) , para o reitor comprar tapete de R$ 32 mil, pro Kassab repassar pra máfia das merendas, não é bandeira do povo, além de que, a verba para a educação não deve ser definida pelo sabor dos mercados, mas sim um valor determinado pelos conselhos de escola, educadores, comunidades universitárias para atender as necessidades da educação do país. Mas é um ótimo debate. Valeu MST !! Isso é que é aula de democracia!

OCUPAR ! RESISTIR ! PRODUZIR !

Responder

Maria Luiza

11 de novembro de 2011 às 16h42

Bravo!

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