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Política

Associação dos Geógrafos Brasileiros-SP repudia expulsão de estudantes da USP


18/12/2011 - 18h20

Nota da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB (seção São Paulo)

Nós, direção da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB (seção São Paulo), repudiamos a decisão do reitor João Grandino Rodas e dos dirigentes e conselheiros membros participantes do Conselho Universitário da Universidade de São Paulo e da Comissão Processante favoráveis à expulsão dos 6 estudantes desta Universidade, decisão publicada no Diário Oficial da União no dia 16 de dezembro de 2011.

Estes estudantes, todos alunos de graduação, de diferentes cursos e Unidades, foram eliminados de todas as suas atividades acadêmicas, não podendo mais reingressar na Universidade de São Paulo de forma nenhuma, seja por seleção de pós-graduação, concurso público ou vestibular. Esses estudantes estavam sofrendo um processo administrativo na Universidade desde 2010, quando ocorreu a ocupação de um andar de um dos blocos do Conjunto Residencial da USP, o CRUSP, em um movimento legítimo de retomada desse prédio para a residência universitária, na época utilizado pela seção administrativa Coseas, que controla e determina todos os recursos, bolsas e projetos de permanência estudantil.

Acreditamos que essas expulsões estão contidas em uma estrutura de poder dentro da Universidade que se constitui de maneira autoritária, em um Conselho Universitário no qual os seus membros não são eleitos de forma direta pelo conjunto da comunidade universitária, em que os representantes discentes e dos funcionários são sempre minoria e voto vencido. É essa estrutura que criou um convênio entre a Universidade e a Policia Militar, permitindo uma ação policial truculenta de desocupação do prédio da reitoria no mês de novembro de 2011, quando a tropa de choque, com cerca de 400 homens, sitiou o CRUSP, com semelhança aos acontecidos na residência universitária em 17 de dezembro de 1968.

Relembramos que hoje completam-se 43 anos da desocupação do mesmo conjunto residencial, ação realizada durante a Ditadura Militar, 4 dias após o AI-5, quando o CRUSP foi invadido pelo exército com tropas e tanques de guerra, e cerca de 800 estudantes moradores foram presos.

Dois estudantes desse grupo de alunos que ontem foram expulsos são geógrafos, e a AGB SP recoloca aqui o repúdio à essa expulsão e o apoio institucional e administrativo a todos os estudantes processados. A AGB SP apóia o movimento pela redemocratização da Universidade, movimento do qual esses estudantes fazem parte.

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5 comentários

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Cesar Ferreira

19 de dezembro de 2011 às 20h16

Se pelo meu ato de protestar contra o governo, mesmo alegando-se agir contra lei, estaria sujeito a ser expulso do meu país?!… Se for alegado dano ou crime que os responsáveis paguem na forma da lei. Mas ninguém pode ser proibido de estudar na USP. Tal proibição é exílio político, um absurdo total numa democracia.
Pelo meu entendimento caberia uma intervenção federal pra preservar os diretos políticos desses estudantes ou se candidatar a estudar onde se bem entende não é mais um direito constitucional de cada cidadão?!

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Edno Lima

19 de dezembro de 2011 às 09h43

Mas que discurso mais antiquado na nota da Associação, "Acreditamos que essas expulsões estão contidas em uma estrutura de poder dentro da Universidade que se constitui de maneira autoritária". Por que autoritária? A estrutura de poder está contrariando alguma legislação produzida durante o periodo democrático em que vivemos? As prisões cautelares, as expulsões, as demissões a bem do serviço público, os inquéritos policiais, os processos judiciais e administrativos, tudo isso faz parte da democracia, gostem ou não. Os arruaceiros da USP estão levando outra chinelada, 60 alunos da disciplina História da Filosofia Contemporânea 2 foram reprovados em razão das diversas paralizações que realizaram durante o ano de 2011, não atingindo o mínimo da frequência exigida. Dá-lhes democracia!!!!!

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Mateus_Beatle

19 de dezembro de 2011 às 01h39

Mais uma aula de DEMOCRACIA , né Geraldo?! (lembrando que o regimento da Universidade de São Paulo, o qual possibilitou tais "medidas disciplinares" do interventor Grandino Rodas, data de 1972)

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simas

18 de dezembro de 2011 às 23h24

Incrível!… Como lidar com nossos filhos, estudantes, dessa forma? De q vale o Estado manter uma Universidade, pública, se trata nossos filhos, estudantes, dessa forma, como se eles fossem marginais? Qdo da ocupação da Reitoria, agora, ao dia marcado por nossa conhecida Justiça, eu me apressei em assistir as atividades policiais… Assustador o aparato policial-militar. Semelhante à invasão militar dos EEUU, no Oriente Médio…. E eram nossos filhos, estudantes, assim tratados. Eu. se meus filhos estivessem matriculados em alguma faculdade daquela Universidade, providenciaria trancamento de matrícula, até q a administração universitária fosse trocada… Eu jamais deixaria um filho ou filha, estudando em um ambiente, daqueles. Seria como tê-los matriculados, estudando, em um ambiente dominado por perigosos marginais, traficantes de drogas… Só não ouve troca de tiros, pq envolvia filhos e filhas, como se foram nossos, próprios, estudantes… Por acaso a administração universitária pensa estar lidando com perigosos facínoras? E, agora, não satisfeitos e pensando viverem, ainda, nos anos tenebrosos da ditadura, expulsam seis garotos envolvidos em outros desses conflitos estudantis; como se nosso País não precisasse de qualificações, à nível universitário, ou não despendesse esforços financeiros pra isso… Acho q a administração dessa Universidade deveria ser trocada, imediatamente, por falta de competência em lidar com jovens; antes q cause outras consequências, negativas.

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Luiza Helena

18 de dezembro de 2011 às 19h17

Isso no "fechar das cortinas" do final do semestre para não haver alarde e protestos!

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