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Daniel Dantas Lemos: Onde Judas encontrou um Sinal Fechado


01/04/2012 - 10h45

por Daniel Dantas Lemos, blog  De Olho no Discurso

Era dia 9 de fevereiro de 2011.  O governo do RN anunciaria, em poucas horas, o cancelamento do contrato de insperação veicular com o Consórcio Inspar – cancelamento que somente foi efetivado em maio.  Mas antes disso, os envolvidos no esquema fraudulento já tinham recebido a informação.

As informações estão presentes nos documentos públicos da petição do Ministério Público e denúncia contra os 32 investigados.  Desses, 27 viraram reús, incluindo dois ex-governadores, Wilma de Faria (PSB) e Iberê Ferreira (PSB), dois ex-diretores do DETRAN, empresários.  O Ministério Público apontou como líder da quadrilha o advogado George Olímpio.

O que aconteceu naquele dia 9 de fevereiro?

Pela manhã, os membros da organização são informados de que o contrato do governo com o Consórcio montado para faturar dinheiro com a fraude será cancelado.  George Olímpio é convocado para ir a Brasília.  Em telefonema a Gilmar da Montana, George diz:

“Eu estou chegando no aeroporto.  Eu tô indo para Brasília agora… vou falar com o Ministro [José Delgado] e com José Agripino...  eles mandaram me chamar lá, tô pegando o vôo agora” (negrito é nosso).

Abaixo, o trecho da transcrição na petição da Operação Sinal Fechado:

Perceba que não foi George que pediu o encontro com o senador José Agripino, atualmente presidente do DEM, e José Delgado: “eles mandaram me chamar lá”.  O interesse em conversar com George no dia do anúncio do cancelamento do contrato era  de  Agripino.

Em conversa subsequente, George conversa com o ex-cunhado, Eduardo Patrício, antigo dono da Delphi Engenharia e um dos réus da Operação Sinal Fechado. E Eduardo dá a senha: a solução possível é “seguir com José [Agripino]”.

O que trouxe, finalmente, os holofotes sobre José Agripino nesta semana foi o vazamento do depoimento justamente do réu Gilmar da Montana.  Gilmar informa ter sabido por George que foi repassado R$ 1 milhão para as campanhas de José Agripino e Rosalba Ciarlini por parte da quadrilha.

Note o trecho seguinte do depoimento de Gilmar:


Gilmar diz que pediu ajuda, para salvar o negócio, a alguns desembargadores.  Entre  eles, Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro,  denunciados por Carla Ubarana e George Leal como beneficiários dos desvios investigados na Operação Judas.

Não é por acaso, então, que na conversa acima entre George e Gilmar da Montana, um outro nome aparece convocando os membros da quadrilha.  Diz Gilmar: “… Osvaldo queria falar com a gente… eu não sei, você que sabe, se você não quiser ir não vá”.

Além de José Agripino, agora é o desembargador Osvaldo Cruz que deseja conversar?  O conteúdo da ligação combina perfeitamente com o que foi dito por Gilmar no depoimento — que agora José Agripino diz que foi dado sob efeito de medicamentos.

Enfim, no TJ parece que se cruzam Judas e Sinais Fechados.

Saiba mais sobre a Operação Judas

Uma investigação do Tribunal de Justiça apontou, em janeiro, indícios de desvios no pagamento de precatórios.  A suspeita caiu sobre a chefe do setor, Carla Ubarana.  Em 31 de janeiro, o MP e a Polícia Civil deflagraram a Operação Judas – com a prisão de suspeitos e apreensão de documentos que poderiam comprovar o desvio de pelo menos R$ 30 milhões desde 2008.

Na semana passada, a principal suspeita, Ubarana, e seu marido, George Leal, assinaram um termo de colaboração premiada com o MP.  Já ali, afirmavam que teriam ficado com cerca de 20% dos recursos desviados – ou R$ 6 milhões.

Nessa sexta-feira, 30, diante do juiz, devolveram em bens e dinheiro o equivalente a cerca de R$ 5 milhões aos cofres públicos e denunciaram a participação dos dois últimos presidentes do TJ-RN, os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro.  Os mesmos que Gilmar da Montana citou em seu depoimento.

A defesa do senador

O jornal Tribuna do Norte publicou hoje uma entrevista com o advogado de Gilmar de Montana, José Luiz  C. de Lima.  A Tribuna é de propriedade do deputado federal Henrique Alves (PMDB), aliado local da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e do senador José Agripino (DEM). Abaixo imagem da da versão impressa e um trecho da on-line:

O conteúdo da entrevista publicada hoje na Tribuna do Norte é praticamente o mesmo da  nota distribuída à imprensa pela assessoria do senador José Agripino (DEM) na quinta-feira.

Uma frase me chamou muita atenção, atribuída ao advogado:

Antes de mais nada, é bom deixar claro que eu não era advogado de Gilmar Lopes quando ele prestou aquele primeiro depoimento. Depoimento, aliás, que foi prestado, pelo que ele me disse, em condições de absoluto estresse emocional e debilidade física. Ele foi retirado do hospital às sete da manhã, sem saber nem para onde ia, sem assistência de advogado credenciado e sob efeito de remédios tranquilizantes.

A discussão sobre qual medicamento e que efeito teria, já travei em outro lugar.  Aqui o que eu quero destacar é a informação de que Gilmar teria sido retirado do hospital às sete da manhã, sem assistência de advogado credenciado.

Gilmar foi interrogado duas vezes pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público estadual. Na primeira, logo após ser preso – deu o famoso depoimento, com a presenca de sua advogada.  Ele saiu de sua casa preso e foi direto para o Ministério Público.

No dia 28, quatro dias depois da prisão e do primeiro depoimento, todos os presos foram levados para a promotoria para serem interrogados novamente. Dessa vez, Gilmar não quis falar nada.

O primeiro depoimento de Gilmar foi acompanhado por um advogado, segundo consta no termo: Cláudia Cappi.

Gilmar foi preso em casa.  Passou mal no fim do dia 24, dia da prisão, após prestar depoimento. Depois de uma dor epigástrica forte e pico hipertensivo, Gilmar foi internado no Hospital do Coração.

Após ser preso, Gilmar divulgou nota à imprensa no dia 26 de novembro,  – dois dias depois. Nesta nota, Gilmar esclarece, sem sombra de dúvidas:

Tive a minha casa e escritório devassados, fui preso e hospitalizado, me vejo condenado sem julgamento, com o meu nome negativamente exposto perante a sociedade, envolto em um ‘mar de lama’.

Ou seja, Gilmar foi hospitalizado após a prisão – e o depoimento em que envolve o senador José Agripino.

Atribuir a responsabilidade ao que foi dito é afirmar que os remédios o fizeram fantasiar a história do depoimento?  Ou, é fazer crer que ele falou mais que devia por estar sob efeito de remédios?

Desacreditar o depoimento de Gilmar é bom para vários réus, inclusive os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira.

E quando Gilmar falou a outros interlocutores, confirmando o teor de seu depoimento ao MP, ele ainda estava sob efeito dos remédios?

Leia também:

Colunista do Globo dá dica a advogado de Demóstenes: Basta alegar que ele é doido. Do blog do Antonio Mello

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14 comentários

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Daniel Dantas Lemos: Gravações indicam caixa 2 do DEM no RN « Viomundo – O que você não vê na mídia

07 de junho de 2012 às 18h23

[…] Daniel Dantas Lemos: Onde Judas encontrou um Sinal Fechado […]

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Editorial: Sótão, segundo o Wikipédia, lugar propício para ratos e baratas |blogdobarbosa.jor.br

09 de maio de 2012 às 22h08

[…] Em seguida, o jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu blog Viomundo, no dia 1º de abril reproduziu texto do jornalista potiguar Daniel Dantas Lemos escrito no blog De Olho no Discurso, cujo título era “Onde Judas encontrou um Sinal Fechado”. O que chamou a atenção na época foi o fato de que o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia (RN), que teve o seu nome citado nas transcrições, começava a despertar a atenção da mídia nacional em face de que teria recebido R$ 1 milhão do esquema montado no Detran/RN, embora ele negue. Confira clicando aqui. […]

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Editorial |blogdobarbosa.jor.br

13 de abril de 2012 às 20h55

[…] O leitor atento do blog deve está lembrado que no dia 1º de abril – não, não foi mentira não! – publiquei aqui neste espaço um post retirado do blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, onde ele reproduzia um texto do jornalista potiguar Daniel Dantas Lemos, publicado em seu blog De Olho no Discurso. O texto falava sobre as ligações entre as operações Sinal Fechado – fraude em licitações cometidas no Detran/RN para beneficiar a empresa Inspar, que iria “cuidar” da inspeção veicular no estado -, e a Judas, desvio de dinheiro de precatórios ocorridas no TJRN. Ou melhor, ligações entre alguns protagonistas das duas operações. Só pra refrescar a memória dos menos atentos, quem quiser ver o texto de Daniel Dantas é só clicar Aqui […]

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Mariano Bonfin

04 de abril de 2012 às 17h34

Se não for feita uma assépsia agora, podemos entregar o País´para oPCC.
Não vai ter mais jeito.
Parece que um honesto neste País é um Juiz Federal de Anápolis que não teve medo e encanou todos estes safardanas.

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Julio Silveira

01 de abril de 2012 às 22h08

Sempre haverá um plantonista 24hs para as necessidades de fornecimento de HCs sob medida, para atender as "vitimas" dessa espetacularização investigativa.

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souza

01 de abril de 2012 às 22h07

agripino maia, muito bom, cabeças vão rolar.
avante brasil.

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pperez

01 de abril de 2012 às 20h08

Agora a mascara de Agripinoi caiu, como a cor dos seus cabelos!

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José X.

01 de abril de 2012 às 19h36

Enquanto o judiciário for essa bos… os bandidos graúdos estarão rindo da nossa cara!

Exatamente o que eu acho. Enquanto o judiciário for essa me… a situação não muda. Demóstenes logo logo dá a volta por cima. Podem escrever aí. Veja e Cachoeira, esses aí podem dar uma pequena (bem pequena) pausa em suas atividades, mas logo logo voltam a todo vapor, com a Veja demitindo ministros a torto e a direito. E esse PGR então hein, que sabia das coisas do Demóstenes e não fez nada (por que ????) mas foi rapidinho pra crucificar o Orlando Silva…tá tudo dominado, dá desgosto ver tudo isso que acontece…

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DJ David

01 de abril de 2012 às 19h22

Os Demos já estavam a muito tempo no "limbo" (que é o Primeiro Círculo no Inferno de Dante). Agora, sob o comando seguro dos (ainda) senadores Agripino e Demóstenes, queimam etapas e apressam o passo diretamente rumo ao Oitavo Círculo, onde há valas especialmente reservadas aos corruptos, trapaceiros, hipócritas, falsários e toda a sorte de embusteiros. Enfim, parece que estão sendo aguardados pelo dono da casa diretamente na antessala do Inferno. E eu acho que ainda cabe mais gente nesse bonde. Vão com Deus!!! hehehe….

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mfs

01 de abril de 2012 às 19h05

Quando os animais começarem a agonizar, vão rosnar e morder quem chegar perto. Ainda veremos reportagens de protesto contra a ação da PF contra a nobre oposição do DEM…

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Outro Antonio

01 de abril de 2012 às 15h17

A máfia está caindo no Brasil todo. Os ratos estão acuados, pois seus esquemas de corrupção vêm à tona como toco seco. Só em São Paulo o esquema de corrupção não explode, pois deve estar todo mundo envolvido. Kassab e Se-erra ainda estão numa boa.

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Antônio

01 de abril de 2012 às 13h54

O problema é que o Gilmar tomou um medicamento genérico fabricado por Carlinhos Cachoeira.

A propósito, como é o nome do laboratório de medicamentos genéricos do Carlinhos Cachoeira?

Eu não estou a fim de tomar genérico falsificado. Eu tenho o direito de saber o nome deste laboratório.

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ricardo silveira

01 de abril de 2012 às 13h05

Será que o coronel do RGN vai se safar? Tomara que as coisas comecem a mudar.

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Alexandre

01 de abril de 2012 às 12h55

Enquanto o judiciário for essa bos… os bandidos graúdos estarão rindo da nossa cara!

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