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Diário da Resistência


Política

Saul Leblon: ‘É tempo de Murici, cada um cuide de si’


31/03/2012 - 11h10

por Saul Leblon, em Carta Maior

O site do jornal O Globo alterna manchetes garrafais que antecipam o funeral político de Demóstenes Torres, até há bem pouco tempo um parceiro, digamos assim, do jornalismo imparcial chancelado pelos Marinhos.

A revista Veja, cuja afinidade de propósitos com Demóstenes, segundo consta, poderá ser aferida pela intensa troca de telefonemas entre a alta direção de sua sucursal, em Brasília, e o senador dublê de bicheiro,trata agora o amigo como um defunto contagioso, cujo enterro não pode tardar

O Estadão, para arrematar, refere-se a 1964 –que ajudou a eclodir– como ‘o golpe’ de 64. Sintomático, a renovação do vocabulário se dá justamente na cobertura do cerco promovido por estudantes a integrantes da ditadura que comemoravam o golpe no Clube Militar, no Rio.

Tempos interessantes. Se vivo, possivelmente o coronel Tamarindo, protagonista da Guerra dos Canudos (1896-1897), repetiria aqui a frase famosa: ‘É tempo de murici (*uma fruta da caatinga), que cada um cuide de si’. O bordão símbolo da debandada teria sido proferido pelo coronel Pedro Nunes Tamarindo ao constatar a desarticulação total das tropas no ataque a Canudos, após a morte do comandante Moreira César.

Decorridos 48 anos do golpe militar de 1964, o conservadorismo brasileiro vive, sem dúvida, uma deriva decorrente da implosão da ordem neoliberal no plano externo e de três derrotas presidenciais sucessivas para o PT. Não tem projeto, não tem lideranças –Demóstenes pretendia ser o candidato em 2014; Serra é contestado entre seus próprios pares, como se viu na prévia do PSDB, em SP. É tempo de murici.

De volta, e afiado, Lula sintetizou bem esse período, personificando-o no declínio do eterno candidato tucano: ‘Serra é o político de ontem; com idéias de anteontem’. Mas as safras passam. Cabe ao governo, e às forças progressistas, ocupar o vazio com respostas que não sejam apenas a mitigação daquilo que os derrotados fariam, se não estivessem cada qual cuidando de si.





7 comentários

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Marcio H Silva

31 de março de 2012 às 23h39

Demóstenes queria ser candidato em 2014?
Pela primeira vez o Brasil seria comandado por um banqueiro do jogo do bicho, agora chamado pela grande mídia de "empresário de jogo".

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Mateus_Beatle

31 de março de 2012 às 19h15

Também tenho pensado nisto. O que o PIG está pretendendo com esta cobertura ostensiva do caso Demóstenes?
Afinal, a própria globo adorava o Demóstenes e agora, praticamente, está o jogando ao mar com bloco de concreto amarrado aos pés…ontem, se não me engano, houve um bloco inteiro do jn espinafrando o senador do DEMo.

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    Cristiana Castro

    08 de abril de 2012 às 01h20

    Jogar o Demóstenes e o Cachoeira as feras e livrar a própria cara. Não podemos esquecer que a Veja fabricava os escândalos mas era tarefa das emissoras veiculá-los, sem questionamento, a exaustão! A Veja não está sozinha nesse barco, não. Cada um tinha uma função.

Lucas Costa

31 de março de 2012 às 18h54

Interessantes mesmo são as novas prioridades da imprensa tradicional. Dilma em entrevista bem amena na Veja, Demóstenes Torres transformado em leproso, etc.

Os blogs progressistas que seu cuidem, pois parece que a grande imprensa está querendo entrar de vez no barco do governo…

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    Mariano Bonfin

    01 de abril de 2012 às 18h10

    As Ratazanas estão pressentindo que o navio está afundando e todos querem se salvar pendurando nas verbas do Governo. Observem se não é isto.!

Luiz Paes

31 de março de 2012 às 18h07

Concordo com você Leo. O Governo do PT é igual ao filme "O Leopardo" de Visconti baseando no livro do Lampedusa. Mudar para ficar tudo como está.

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Leo V

31 de março de 2012 às 13h51

Implosão da ordem neoliberal? Onde que eu não vi isso? Na Europa é que não é. No Brasil? Com o PT privatizando aeroportos, privatizando aposentadorias, com projetos que passaram sem oposição alguma, já que a "esquerda é governo" e a oposição de direita adorou esses projetos?

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