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Alckmin embolsa 50% dos lucros da Sabesp e ainda reduz investimentos

26 de maio de 2014 às 23h38

por Conceição Lemes

A maciça publicidade da Sabesp na mídia insiste: São Pedro é o culpado pela seca do Sistema Cantareira.

A estiagem é um fato. Em dezembro de 2013, o índice pluviométrico na região do Sistema Cantareira foi 72% inferior à média no mês. Em janeiro e fevereiro choveu 65% menos do que normalmente no período.

Períodos de estiagem  acontecem, mesmo. São cíclicos. E podem se tornar mais frequentes devido ao aquecimento global. Daí a necessidade de o sistema ser planejado para dar conta do abastecimento de água, inclusive nas adversidades climáticas.

Porém, na Região Metropolitana de São Paulo, a causa fundamental da crise da água é outra: a decisão política dos sucessivos governos tucanos de não investir em novos mananciais desde 1985, apesar dos estudos e alertas de especialistas.

Não foi por falta de dinheiro em caixa!

Em 2005, o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), por delegação da Agência Nacional de Águas (ANA),outorgou à Sabesp o uso da água reservada no Sistema Cantareira exclusivamente para fins de abastecimento público (veja o PS do Viomundo).

Pois bem, de 2005 a 2013, os lucros da Sabesp, em valores corrigidos, atingem R$ 13,7 bilhões.Seu patrimônio líquido, R$ 12,9 bilhões. O que significa rentabilidade média neste período  (lucro frente ao patrimônio líquido) foi  de 11,86%. Os dados são de balanços da própria empresa.

A Sabesp, portanto, é altamente lucrativa e poderia reaplicar os ganhos na ampliação dos serviços à população.

RENTABILIDADE DA SABESP

Os lucros de 2005 a 2013 dariam para construir seis vezes o Sistema Produtor de Água São Lourenço, cujas obras tiveram início somente em 10 de abril deste ano.

São Lourenço irá ampliar a capacidade de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. A obra ficará pronta apenas em 2019. O investimento total previsto é de R$ 2,21 bilhões.

Ou seja, se desde 2005 a Sabesp tivesse reinvestido parte dos lucros na construção do Sistema Produtor de Água São Lourenço, ele já estaria pronto e evitado a falta de água na Região Metropolitana de São Paulo, mesmo com a forte estiagem.

Mas há outro dado que demonstra que realmente o abastecimento de água não foi prioridade da Sabesp nos últimos anos: a diminuição de investimentos na  tanto na Região Metropolitana quanto no interior paulista. Os dados também de balanços da empresa.

SABESP: INVESTIMENTOS EM ÁGUA NO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Na Região Metropolitana,  os investimentos caíram, em valores corrigidos, de R$ 721 milhões, em 2011, para R$ 652 milhões, em 2013. Queda de mais de 9%.

No interior, a diminuição foi de 21%. Em valores corrigidos, em 2011 foram investido R$ 572 milhões; em 2013, R$ 451 milhões.

Detalhe: dos valores investidos pela Sabesp em água em 2013, 30% foram bancados pelo governo federal, via bancos públicos.

De 2005 a 2013, o total investido em água pela Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo atingiu R$ 5,1 bilhões. Média de R$ 575 milhões em valores corrigidos.

No mesmo período, no interior, a Sabesp investiu R$ 3,2 bilhões no interior. Média por ano de R$ 359 milhões e uma diferença de 60% a menos em relação à Região Metropolitana.

Daí as perguntas que todos devem estar fazendo: por que o governo Alckmin não exigiu que a Sabesp investisse em novos mananciais, já que estudos alertavam para essa necessidade?

Por duas simples razões: insensibilidade política e falta de planejamento a médio e longo prazos.

Para começar, foi Geraldo Alckmin, lá atrás, quem decidiu vender 49,74% das ações da Sabesp ao mercado.

O governo paulista deteve 50,26% do capital da empresa. Consequentemente, ficou com R$ 6,9 bilhões dos R$ 13,7 bilhões lucrados pela empresa 2005 a 2013. Aos acionistas privados couberam  R$ 6,8 bilhões dos lucros.

Alckmin, talvez contando com a ajuda do céu, preferiu embolsar os lucros da Sabesp e engordar os bolsos dos acionistas do mercado a exigir a ampliação da captação de água.  São Pedro resolveu não colaborar, fazendo aflorar o descaso e irresponsabilidade dos tucanos.

[A produção de conteúdo exclusivo do Viomundo é  bancada por nossos assinantes. Torne-se um deles!]

PS do Viomundo:  Em comentário no Facebook do Viomundo, o engenheiro Fernando Antonio Rodrigues Netto, que trabalha no DAEE, corrigiu uma informação equivocada que nos foi passada pela assessoria de imprensa da ANA. O que o DAEE outorga à Sabesp não é o Sistema Cantareira, uma vez que as obras de engenharia e hidráulica já são da Sabesp, que as construiu.

Ele explica: “O que o DAEE outorgou à Sabesp foi o uso da água reservada no sistema exclusivamente para fins de abastecimento público e, sendo a água um bem público como estabelecido na Constituição Federal e reafirmado na Estadual, ela não pode ser transferida para a Sabesp, não se constitui patrimônio dela. Insisto: é bem público. Pertence ao povo brasileiro. E como tal, toda outorga é dada a título precário e pode ser cancelada a qualquer momento, desde que o interesse público se faça presente, sem que caiba ao outorgado qualquer direito a indenização”. Conceição Lemes

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18 Comentários escrever comentário »

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Lázaro Antonio da Costa

14/01/2015 - 18h05

Bill Gates investe em máquina capaz de transformar fezes em água limpa

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2015/01/09/bill-gates-investe-em-maquina-capaz-de-transformar-fezes-em-agua-limpa.htm

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jair almansur

12/08/2014 - 19h48

Cuidado com o Skaf.

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Marcela

11/07/2014 - 16h10

Matéria com título tendencioso. Insinua algum tipo de roubo, que não houve, apesar de a matéria tentar encontrar um. Desinformação! Típico da oposição…

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    marcos

    13/01/2015 - 09h53

    Qdo tudo está uma porcaria há v quem se beneficie. Você deve ser um deles. Sou
    funcionario público e uso serviços públicos. Vc não deve utiliza los. Psdb acabou com tudo sim. E fato.

Álvares de Souza

28/05/2014 - 09h10

É a Lei da turma da bunfufa, que não respeita sequer uma empresa semi estatal que gere um recurso vital para o ser humano, a propriedade e o uso da água, assaltando seus cofres com uma ganância que só tem olhos para o lucro, comprometendo toda a capacidade de investimento de uma empresa que deveria ser exclusivamente pública, do estado.

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Vlad

28/05/2014 - 08h24

O tal de “volume morto”, tirado da cartola pelo desgoverno tucano-metralha tirou o script da mão dos petistas. Ficaram pendurados na broxa.
Só pode ter sido criação da mídia, que ocultou desde sempre essas águas burguesas.

Agora resta é comer o prato pelas beiradas, tão sem graça quanto o prato da globalização do campo de Libra e os aportes da Petebrás ao desgoverno central.

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Sagarana

28/05/2014 - 06h49

“Embolsa”? Noosssaaaa, que bolso grande! Vocês estão insinuando na manchete que o dinheiro foi roubado! Mas não é isso que está na matéria.

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Tanabe

27/05/2014 - 15h03

São Paulo “inova” sem parar… É o slogan da propaganda do governo do estado de SP!!!

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João

27/05/2014 - 13h26

Falta água em São Paulo e sobra pó em Minas, esses são os tucanos…

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Luís Carlos

27/05/2014 - 12h51

R$6,8 bilhões de lucro repassado aos acionistas? Muito dinheiro! Seria importante saber quem e quantos são os acionistas que lucram com falta de água em SP.

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    Marcela

    11/07/2014 - 16h08

    Sabesp é de capital aberto, os acionistas podem ser eu, você, seu vizinho…basta comprar um título! Coloca no google o que é antes de falar o que não sabe! Não tem nenhum roubo nesse caso da Sabesp da maneira como insinua o título da tendenciosa matéria.

    professor

    15/07/2014 - 11h57

    Embolsar o lucro significa não reinvesti-lo… não tem nada a ver com roubo. Tem a ver com má gestão e incompetência mesmo.

Haroldo Cantanhede

27/05/2014 - 12h29

É o PSDB “governando” para você! E a SABESP tem acionistas? Devem estar super “felizes”. E o povo que se exploda. Esse é o PSDB.

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Aline C. Pavia

27/05/2014 - 10h21

Já está a venda nos supermercados paulistas a água em pó, em latas de 200 g. Basta adicionar água e misturar até dissolver. Fabricante, “ELEITOR TROUXA PAULISTA S.A.”

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Julio Silveira

27/05/2014 - 09h21

Novidaaade!

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José Giacomo Baccarin

27/05/2014 - 07h02

Alquimia alckmista, transformou a água de todos em ouro para poucos.

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Gerson Carneiro

27/05/2014 - 05h34

Esse inverteu parcialmente a lógica do Paulo Maluf: Rouba e não faz.

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Millena Borges

27/05/2014 - 01h28

A água é um patrimonio tão sensivel e precioso e não deveria ser tratada como ações. Nós cidadãos não temos que pensar somente em soluções para o agora, mas também planejar para as complicações no futuro em relação a água.

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