VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

“Os Marinho preconizam para a Petrobras e Brasil o que Sabesp fez em SP”


17/05/2014 - 14h24

O volume morto e o dinheiro vivo 

Como não intuir o peso da riqueza de US$ 22,8 bilhões da família Marinho na esférica oposição da Globo a uma reforma fiscal que taxe as grandes fortunas?

por Saul Leblon, em Carta Maior

A família mais rica do Brasil – os Marinho e seu oceânico pecúlio de US$ 22,8 bilhões, conforme noticia a revista Forbes – é também a proprietária do maior conglomerado midiático do país.

A supremacia das Organizações Globo é conhecida.

Mas o fato de que essa casamata  dispare diuturnamente  contra qualquer variável que afronte  a lógica argentária,  da qual seus donos são os maiores expoentes e beneficiários, presta-se a algumas considerações.

Olhada  dessa ótica, a fortuna  dos Marinhos  figura como uma questão política, talvez uma das mais sensíveis da política brasileira.

Ou será que  quando  interesses marmorizados em uma riqueza da ordem de R$ 50 bilhões – seis vezes o custo dos estádios da Copa —  se entrelaçam ao poder de fogo de um dos maiores impérios midiáticos do mundo,  seu poder de vigiar e punir  em causa própria  não  assume proporções de uma ameaça  à democracia?

O conjunto remete à metáfora de uma sociedade panóptica.

Nela a presença de um poder  ubíquo exerce  sobre os cidadãos uma vigilância equivalente à do sentinela da torre no controle diuturno dos encarcerados.

A onipresença asfixiante do vigia que tudo enxerga e avalia deu ao francês Michel Foucault (1926-1984), autor de “Vigiar e Punir”, a inspiradora metáfora  para abordar  a exasperação do controle social no século XX.

A torre do panóptico não assegura apenas a disciplina do sistema.

Sua perversidade consiste em aprisionar a subjetividade social tornando-a  carcereira de suas próprias vontades.

Parece devaneio?

Quantas agendas o sistema político brasileiro  não rebaixou ou protelou e protela (caso da regulação da mídia), para não se indispor  com o poder de fogo da oceânica fortuna armada de irrespondível dispositivo emissor?

Essa invasiva capacidade  de inocular agendas e interditar debates lubrificou,  entre outras coisas,  a imposição da cosmologia neoliberal no imaginário  brasileiro nos anos 80/90.

Como não intuir o peso dos US$ 22,8 bilhões, por exemplo, na esférica oposição das Organizações Globo a uma reforma fiscal que  taxe adicionalmente  as grandes fortunas?

Ou na peroração incansável dos seus editoriais, a desafiar o Estado brasileiro ‘a fazer mais com menos’ – evocação à austeridade emitida do alto de uma montanha de dólares equivalente a 10% do PIB de Portugal?

Ou duas vezes o orçamento total do Bolsa Família que beneficia 50 milhões de brasileiros pobres.

Ainda: como elidir o interesse argentário  da maratona vitoriosa dos seus veículos e disciplinados colunistas contra o imposto do cheque, em 2007?

A CPMF, recorde-se, de baixíssima alíquota, funcionava  como um incômodo sensor  de movimentações financeiras graúdas, nem sempre alinhadas à legalidade.

Foi decepada do orçamento brasileiro em 2007.

Um comparativo da OMS mostra o quanto há de perversidade na fotografia que imortalizou aquele  ato, cometido na madrugada de 13 de dezembro, depois de  encorajadora campanha sistemática das Organizações Globo & assemelhados.

A imagem estampada no jornal dos Marinhos  no dia seguinte ao sacrifício, mostra a nata do retrocesso político, em festa obscena pela subtração de R$ 40 bilhões por ano à saúde pública.

A indecência, se panfletada nas filas do SUS,  ainda guarda um teor de nitroglicerina para sublevar o país.

Mais com menos?

Segundo a OMS, o gasto público mundial per capita com a saúde  chegou a US$ 571 por ano em 2010. Inclua-se  nessa média os US$ 6 mil da Noruega e os US$ 4 per capita do Congo.

O valor brasileiro é de US$ 466/ano ( US$ 107 per capita ao final do governo FHC).

O deserto real é ainda mais árido:  apenas 42% daquilo que o país gasta com saúde tem origem e destino público. Sai do governo e chega na fila do SUS, que atende mais de 75% da população.

Outros 58% só circulam entre os 25% que tem plano de saúde.

A festa no Congresso: De ACM a Heloisa

Os mesmos que gargalhavam na madrugada de 13 de dezembro de 2007 fuzilariam o ‘Mais Médicos’ seis anos depois, com igual despudor e patrocínio da mesma emissora & veículos da família mais rica do país.

É só uma ilustração do ardil que encurrala a sociedade em um labirinto de impasses e protelações angustiantes.

Cinicamente, o desespero é acolhido pelo dispositivo dos Marinhos & assemelhados como uma evidência do malogro progressista na condução do desenvolvimento brasileiro.

Seria apenas um escárnio.

Não fosse, sobretudo, a moldura de uma campanha sucessória.

Através dela pretende-se incensar candidatos e agendas que preconizam adicionar  ao desespero uma renúncia disfarçada de audácia.

Em nome de desobstruir canais que impedem o crescimento, preconiza-se recuar ainda mais o papel coordenador do Estado sobre a economia.

Um exemplo da ardilosa cicuta oferecida em favos de mel.

É sabido que o portfólio de investimentos dos Marinhos inclui uma bilionária carteira de ações da Petrobrás.

A república dos acionistas tem nos donos da Globo  o porta-voz incansável de um sonho reprimido.

Qual?

‘Realizar’ depressa o valor potencial das maiores reservas de petróleo descobertas no planeta nos últimos 30 anos: o pré-sal, que Lula regulamentou e fundiu ao destino da sociedade pelo regime da partilha.

O nome do atalho cobiçado é petroleiras internacionais.

O método: remeter in bruto o óleo, sem refino.

E gerar caixa.

Uma dinheirama como nunca o mercado viu, nem verá.

A república dos dividendos saliva.

Ganharia duplamente se a Petrobrás deixasse de gastar como investidora universal da exploração, com pelo menos 30% em cada poço, como manda a lei.

A economia numa ponta engordaria as carteiras dos acionistas na outra.

A pilha de US$ 22,8 bilhões dos Marinhos subiria mais depressa.

Incharia, ademais, se o petróleo fosse bombeado direto para fora do país.

Sem alimentar impulsos industrializantes, sem investir em quatro refinarias ao mesmo tempo; sem expandir polos tecnológicos; sem engatar cadeias de equipamentos com elevados índices de nacionalização e prazos mais largos de exploração.

Tudo isso, afinal, que  só gera corrupção e desperdício…

Nove em cada dez  referências das Organizações Globo à Petrobrás são desse teor, muito embora a estatal tenha dado um lucro de R$ 23 bilhões em 2013.

Eles querem mais.

A república dos acionistas gostaria de ficar com o equivalente projetado para o fundo soberano, formado de royalties do pré-sal, que permitirá elevar a 10% do PIB o orçamento da educação pública, ademais de suprir  lacunas da saúde brasileira.

Transitamos, como se vê, no campo da injeção de interesses direto na veia do noticiário.

A Sabesp, em São Paulo, conforme mostram reportagens do Viomundo e de Carta Maior,  fez exatamente o que os Marinhos preconizam para a Petrobrás e para o Brasil.

Afastou o interesse público do comando estratégico da gestão.

Em vez de investir, tucanos distribuíram nos últimos anos cerca de R$ 500 milhões, em média, aos acionistas da empresa.

Sobrou para a sociedade o volume morto da Cantareira.

A partir deste domingo, as torneiras de milhões de residências estarão gotejando neoliberalismo líquido.

A sociedade que emergiu das conquistas sociais e econômicas acumuladas a partir de 2002 não cabe nos limites estreitos que essa lógica oferece.

Dito de outra forma.

A coexistência de um Brasil urgente, disposto a comandar seu próprio destino, é imiscível com a estrutura de riqueza e comunicação simbolicamente condensada no caricato papel que a família Marinho e seus negócios protagonizam no país.

Seu poder desmedido para manipular conflitos, desqualificar projetos e usufruir privilégios distorce e constrange as vozes que precisam ser ouvidas nesse Rubicão da nossa história.

A travessia só se completará de forma emancipadora se o campo progressista souber erguer linhas de passagem feitas de reformas, prazos e metas críveis aos olhos da população.

Trata-se de estender o horizonte da sociedade para além do volume morto, ao qual os campeões da Forbes gostariam de circunscrevê-la.

E começar por dizê-lo, claramente, nesta campanha eleitoral.

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22 comentários

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Fabio Passos

18 de maio de 2014 às 23h13

Está chegando a eleição e a perspectiva para a “elite” branca e rica é desesperadora.

PiG-psdb serão varridos do mapa.
Vamos implodir a casa-grande!

Responder

mello

18 de maio de 2014 às 12h50

Muito bom o artigo. Mas chamou atenção também, na foto, a Heloísa Helena muito à vontade , eufórica, no meio dos abutres ….

Responder

Fabio Passos

18 de maio de 2014 às 09h42

PiG-psdb é terra arrasada.
Destruíram o Brasil durante fhc e agora querem voltar para entregar tudo o que sobrou.
aécio never é um fhc piorado.

Em SP o caos privata gera lucros nababescos aos acionistas da Sabesp… enquanto o povo bebe volume morto!

Em 2014 o PiG-psdb será varrido do mapa.
Eles merecem… e o Brasil vai ficar mais feliz.

Responder

Mário SF Alves

18 de maio de 2014 às 00h34

Pois então, Franco, esse cancro, herança maldita da ditadura, insiste em não nos abandonar. Radioterapia certamente não resolve. Blog-sujo-terapia, talvez. Lula, com certeza.

E só não nos transformaram em robôs porque o poder que têm é incapaz de chegar “à flor da pele”.

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que será
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá

Obrigado, Chico Buarque.

Responder

    FrancoAtirador

    18 de maio de 2014 às 16h10

    .
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    Mestre Mário.

    Esse Câncer já tem Definição Científica.

    Aqui no Brasil, esse tipo de Tumor Maligno

    foi diagnosticado pelo Dr. Venício Lima,

    pesquisador de Oncologia na Comunicação.

    Chama-se Carcinoma de “Propriedade Cruzada”,

    e só é eliminado por Procedimento Cirúrgico

    ou com a utilização de uma Técnica Alternativa

    denominada “Extirpação por Radiofreqüência”.

    Em recente Trabalho de Pesquisa publicado

    na literatura especializada da Argentina,

    a célebre médica-cirurgiã C.F. Kirschner,

    anunciou que obteve sucesso, naquele País,

    utilizado-se dessa nova técnica alternativa,

    para eliminar o Tumor Cancerígeno El Clarin,

    uma variante do Cancro Organizações Globo,

    conforme postou ontem (17/5), na internet,

    a famosa revista médica Viomundo Saúde,

    da conceituada pesquisadora Dra. C. Lemes,

    dedicada à divulgação de novos tratamentos

    para Moléstias Onco-Comunicacionais Graves,

    de altíssima incidência em todo o Planeta,

    como esse Carcinoma de “Propriedade Cruzada”

    que infelizmente ainda assola @s [email protected]

    de Norte a Sul e de Leste a Oeste do País.

    (https://www.viomundo.com.br/politica/venicio-lima-na-argentina-lei-da-midia-poe-no-ar-53-emissoras-de-radio-e-tres-canais-de-tv-de-povos-originarios.html)
    (https://www.viomundo.com.br/denuncias/como-e-a-ley-de-medios-que-apavora-o-baronato-da-midia.html)
    (http://migre.me/jev6z)
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    Mário SF Alves

    18 de maio de 2014 às 20h07

    Prezado FrancoAtirador,

    Obrigado pela sábia e bem humorada anamnésia e respectiva indicação de tratamento.

    Democracia, sempre! Pelo bem da Humanidade, mediante a extirpação do cancro do totalitarismo oligárquico.

Mário SF Alves

18 de maio de 2014 às 00h16

E por falar nos Marinho, acabei de assistir, 23:55h, 17/05, alguns trechos esparsos, salteados, do Globo News.

Recomendo. A temática? A de sempre: atemorizar o eleitorado e desmerecer o governo, especialmente em relação à política econômica. Uma verdadeira caixa de surpresas:

1- Admitiram que, na questão do salário mínimo, o discurso eleitoral da oposição deixou-se pegar por uma armadilha;
2- Um dos três economistas convidados e coordenados pelo suposto agente da CIA, WW, anacronicamente, usou uma expressão típica dos idos de março, “corrente pra frente”;
3- Não demonstraram nenhum pudor ao pronunciar a palavra verdade.

——————
Peço desculpas pela parco referenciamento e precariedade na grande e sublime arte de realmente informar.

Responder

    FrancoAtirador

    18 de maio de 2014 às 16h49

    .
    .
    Mestre Mario.

    Em geral, a Globo News é uma Sucursal da CNN.

    Mas esse programa Painel, do W.W. Bush,

    é ainda pior, pois só tem similar na Fox,

    da News Corporation de Rupert Murdoch.

    Seria mais apropriado chamá-lo, então,

    de Fantastic Four for Neoliberalism

    by Marvel Comics of Milton Friedmann

    and House of Ideas Washington Consensus.

    .
    .

    Mário SF Alves

    18 de maio de 2014 às 20h15

    Kkkkkkkk…

    E não é que é. Exatamente. Os caras têm doutorado em cara de pau, sadismo, fantasia e sacanagem. Simples exemplo de até onde podem ir certos humanos quando investidos (ainda que na condição de meros prepostos) de um poder absolutamente desregrado.

FrancoAtirador

17 de maio de 2014 às 22h41

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NO CENTRO DO ORGANISMO SOCIAL, A REDE GLOBO É UM CÂNCRO

QUE ESPALHA METÁSTASES NO ESTADO, NO GOVERNO E NA SOCIEDADE.
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A SOCIEDADE ESPECTADORA.
O “PANÓPTICO” DE MICHEL FOUCAULT REVISITADO

Por Thomas Mathiesen

“É hoje totalmente possível, do ponto de vista tecnológico, ter um grande número de consumidores assistindo televisão sinopticamente, pedindo e pagando pelos artigos anunciados, como também empreendendo várias outras transações econômicas, enquanto os produtores de mercadorias pesquisam em todo o mundo panopticamente, controlando a capacidade dos consumidores de pagar e assegurando a efetivação do pagamento, ou mesmo interrompendo a transação, em caso de possibilidade de insolvência.
[…]
No espaço sinóptico, os [Empresários de Mídia, Diretores de Jornalismo, Editores, Redatores e] os repórteres, âncoras, especialistas, comentaristas, colunistas e celebridades, mais ou menos brilhantes, continuamente em evidência, possuem importância particular.

Entendê-los como figuras ornamentais é subestimá-los… Eles filtram e moldam ativamente a informação; … produzem notícias; acrescentam temas em sua agenda, assim como evitam colocá-los.

Para ter certeza, tudo é executado dentro do contexto de uma agenda de interesses econômicos e políticos, como quem fala, por assim dizer, nos bastidores da mídia.

Não apenas o Panoptismo, também o Sinoptismo (em grego, ‘Syn’=’junto’,
‘simultâneo’; ‘Optikon’=“Visual”) caracterizou nossa sociedade e a transformação para a modernidade.

[Nessa situação, muitos se focam simultaneamente em] algo comum que se encontra condensado.
São as estruturas de ambos os sistemas que desempenham funções de controle na nossa sociedade moderna”
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Panóptico: O Meio Ambiente Artificial usado como Instrumento de Poder

Por Mateus de Oliveira Fornasier

Resumo
O meio ambiente artificial tem sido, desde sua gênese, manipulado de acordo com os interesses dos dominantes, a fim de manter seu poderio frente às sociedades.

Dessa maneira, o Estado passou a organizar o espaço de acordo com seus parâmetros: primeiramente, a fim de exibir espetacularmente seu poder (o que pode ser denominado método “Sinóptico”) e, principalmente após o advento da modernidade, de maneira a dissimular seu controle, disciplinando assim as condutas individuais (o que é denominado Panoptismo).

Mas não apenas o Estado: também outras forças, ligadas à indústria e aos sistemas carcerário e hospitalar, fizeram uso de tais técnicas.

Objetiva-se demonstrar quais são as transformações no âmbito dos sistemas de controle e disciplina realizadas após o fenômeno da Globalização e da revolução tecnológica.

Para fins de concretização do presente trabalho foi realizada pesquisa bibliográfica.

Resultando desses fatores, tem-se que os paradigmas Panoptismo e Sinoptismo desenvolveram-se de maneira conjunta e complementar.

Também nota-se que com o advento das revoluções tecnológicas, sérias transformações ocorreram em relação a tais modelos, como a influência dos bancos de dados computadorizados – o que fez surgir o Superpanóptico, bem como a transferência do sinóptico aos Meios de Comunicação de Massa (jornais, cinema, rádio, televisão e, hodiernamente, internet), além do uso do panóptico em sistemas de vigilância de alta tecnologia, como circuitos internos de televisão.

Compreender que não apenas sob a visão de Foucault (direta e unicamente ligada ao Panoptismo) desenvolveu-se as sociedades moderna e pós moderna.

O Sinoptismo é relevante meio de influência ao massificar comportamentos e posturas, somando-se a outras técnicas a fim de alienar e controlar a população.

Íntegra em: (http://www.diritto.it/archivio/1/28028.pdf)
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Responder

Ulisses

17 de maio de 2014 às 20h52

Para quem entende é um ótimo jornalista. Mas para a maioria dos brasileiros que mal interpretam textos, ler e entender o que o Saul Leblon escreve é impossível. Ele é muito prolixo, pretensioso e retira substantivos e adjetivos do fundo do bau. Você é bom Saul mas seja mais simples. O povo brasileiro agradeceria.

Responder

silvinho

17 de maio de 2014 às 19h53

Essa violência toda contra a Copa, patrocinada justamente por quem mais vai lucrar com ela (Globo), é só porque foi o Lula quem a trouxe.

Nunca vi ninguém criticar nossa estrutura durante a virada do ano e o carnaval do Rio de Janeiro. Não me recordo da grande imprensa criticar a roubalheira que foram os jogos Pan-americanos, também realizados no Rio.

Por que um país que respira futebol e é o unico pentacampeão do mundo convive com os amantes do futebol criticando a realização da copa?

É porque foi o Lula que a trouxe. Só isso. Essa conversa mole de gastos desnessários, que o governo não consegue fazer a copa não passa de conversa mole a capiciosa da grande mídia, sobretudo, da emissora que está faturanos milhões com ela.

É muita inocência!

Responder

    olivires

    18 de maio de 2014 às 07h36

    q a globo está ganhando muito dinheiro com a copa e q ela vai continuar detonando o evento para beneficiar seus candidatos neoliberais, todo mundo sabe.

    mas a copa é um campeonato particular da fifa, q tb está ganhando muito dinheiro e fez o q quis na legislação nacional para garantir seus dividendos estratosféricos.

    é uma pena q para fazer grandes obras (q geram empregos) o governo tenha q se sujeitar à lógica dos grandes lucros, para garantir q não haverá um golpe como os ocorridos em honduras, na venezuela, no paraguai, no haiti e tantos outros patrocinados pelos eua.

FrancoAtirador

17 de maio de 2014 às 19h09

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Panóptico ou Pan-óptico (Grafia em Portugal: Pan-ótico)

Classe Gramatical Variável: Adjetivo.

Etmologia: Do Grego ‘Panoptés’=’o que permite ver tudo’;
de ‘Pan’=’tudo’+’Optikon’=’referente ao olho ou à visão’.

Definição: Que permite ver todos os elementos ou todas as partes.

Evolução do Significado: A partir do final do Século XVIII, o termo Panóptico passou a ser utilizado para designar um centro penitenciário ideal desenhado originalmente em 1785 pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham.

O CENTRO PENITENCIÁRIO PANÓPTICO DE BENTHAM

O projeto arquitetônico de prisão criado por Jeremy Bentham tinha por finalidade vigiar e observar os prisioneiros dentro de uma penitenciária, em que um único observador central poderia visualizar todos os espaços onde os presos estivessem situados, sem que a maioria dos detentos pudessem perceber que estavam sendo vigiados.

De acordo com o conceito de Bentham, o design circular, com apenas um guarda posicionado em local estratégico, seria uma forma mais econômica de vigilância, já que as prisões daquela época requeriam um número muito maior de empregados para executar tal tarefa.

O jurista inglês então observou que essa mesma arquitetura poderia ser aplicada nas escolas e em muitos locais de trabalho, em que havia grande freqüência de pessoas, com a justificativa de torná-los mais ‘eficientes’ nos aspectos de administração e de funcionamento.

Assim surgiram as torres de observação localizadas nos pátios centrais de prisões, manicômios, escolas, hospitais e fábricas, de onde um vigia ali posicionado e, em muitos casos, armado poderia observar os presos, ‘loucos’, estudantes, doentes ou funcionários, tendo-os todos sob controle visual.

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Pan-%C3%B3ptico)
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Pan%C3%B3ptico)
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Responder

    FrancoAtirador

    17 de maio de 2014 às 20h28

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    PANOPTISMO, O CONTROLE ABSOLUTO:

    A VIGILÂNCIA TOTAL E PERMANENTE.

    Panoptismo corresponde à observação total imposta por um poder dominador sobre a vida de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

    Por meio de uma análise histórica inovadora, baseado nas aplicações práticas decorrentes dos estudos teóricos do inglês Jeremy Benthamn, o fenômeno pan-óptico foi inicialmente proposto pelo filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) e conceituado, em contexto social mais amplo e abrangente, como sendo o promotor de uma “Sociedade Disciplinar”, consistindo essencialmente de um modelo de controle exercido por meio da execução conjunta de várias técnicas (de vigilância e monitoramento, de separação e isolamento, de disciplina e punição) que socialmente se ramificam e se disseminam a partir de uma cadeia hierárquica advinda de um centro político, econômico e ideológico disciplinador.

    FrancoAtirador

    17 de maio de 2014 às 20h36

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    Livro

    Íntegra em: (http://migre.me/jdUnW)
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    FrancoAtirador

    17 de maio de 2014 às 21h58

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    O Panóptico: Foucault confirma Orwell

    Por Paulo Roberto Giardullo Pinto, no duplipensar.net

    Ao ler Admirável Mundo Novo de Huxley e “1984” de George Orwell, fiquei com a impressão de que aquele aparato estatal de vigilância com a Grande Tela e o Grande Irmão, as torturas, a tensão constante num ambiente de delação, fazia referência mais especificamente aos regimes totalitários de esquerda ou de direita, enquanto os modos pseudo-democráticos de condução e massificação de Admirável Mundo Novo [AMN] se identificavam categoricamente com a sociedade tecnológica, consumista e capitalista em que vivemos.

    As brilhantes comparações de Aldous Huxley no prefácio do seu ensaio de 1958, Regresso ao Admirável Mundo Novo reforçaram esta idéia de que os elementos coercitivos de “1984” caracterizavam as ditaduras, inclusive a brasileira dos militares pós 64 e os elementos de manipulação, de condução sutil “como um gado” de AMN seriam características das “democracias” capitalistas ocidentais, portanto com analogia mais acentuada com a nossa realidade atual.

    Porém, ao ler sobre o pensamento e a obra de Michel Foucault, principalmente Vigiar e Punir (1975), percebi que o “1984” de Orwell está muito mais presente em nossa vida atual do que eu pensava. Senão superando a presença indiscutível de Admirável Mundo Novo, pelo menos participando em pé de igualdade no que diz respeito ao controle social em nosso tempo.

    Em Vigiar e Punir, Foucault trata com muita propriedade do tema da “Sociedade Disciplinar”, implantada a partir dos séculos XVII e XVIII, consistindo basicamente num sistema de controle social através da conjugação de várias técnicas de classificação, de seleção, de vigilância, de controle, que se ramificam pelas sociedades a partir de uma cadeia hierárquica vindo do poder central e se multiplicando numa rede de poderes interligados e capilares.

    O ser humano é selecionado e catalogado individualmente, não no sentido de valorizar suas particularidades que o fazem um ser único, “um mamífero com um grande cérebro”, como disse Huxley, mas para melhor controlá-lo. O sentido é dissecar o corpo social, transformar esta massa amorfa em micro seções individuais, para conhecer e controlar. O Poder nesse sentido é exercido de forma celular.

    Pois como diz Foucault, “toda forma de saber produz poder”.
    Dividir, classificar, conhecer cada célula social para governar.

    O poder é então baseado na “Microfísica do Poder”, outra obra de Foucault.

    O filósofo aponta que a motivação de toda esta rede de controle se justifica pela necessidade que a burguesia teve de efetivar um controle mais determinado sobre as massas, que poderiam representar um perigo explosivo, se fossem levados a sério os ideais da Revolução Francesa e do Iluminismo.

    Seria como se fossem abertas as comportas de uma imensa represa, cujas águas foram mantidas estancadas a milênios desde a Antigüidade remota, através dos mais variados mecanismos de poder, cuja argamassa da ignorância popular foi um dos elementos mais eficazes da sustentação desta barragem.
    Se deixassem essa imensa quantidade de água descer rio abaixo, livre com o conhecimento do Iluminismo, ela certamente inundaria e destruiria as luxuosas instalações do poder e sua corte finíssima, que hoje se traduz por burguesia.

    Era preciso consertar a velha barragem e parar essa força descomunal das massas ou então construir uma outra barragem e reservar o trinômio Liberdade, Igualdade e Fraternidade para os sócios do seleto clube burguês.
    Assim foi feito com a implantação da “Tecnologia das Disciplinas”.

    E o que é mais interessante para nós, admiradores de Orwell: este “Poder das Sociedades Disciplinares”, se baseou, segundo Foucault, no modelo do Panóptico de Jeremy Bentham (1748-1832), o filósofo utilitarista inglês que idealizou o sistema de prisão com disposição circular das celas individuais, dividas por paredes e com a parte frontal exposta à observação do Diretor por uma torre do alto, no centro, de forma que o Diretor “veria sem ser visto”.

    Isto permitiria um acompanhamento minucioso da conduta do detento, aluno, militar, doente ou louco, pelo Diretor, mantendo os observados num ambiente de incerteza sobre a presença concreta daquele.

    Essa incerteza resultaria em eficiência e economia no controle dos subalternos, pois tendo invadida a sua privacidade de modo alternado, furtivo, incerto, ele mesmo se vigiaria.

    Esse sistema permitiria também um controle externo do funcionamento do Panóptico, pois uma simples observação a partir da torre, permitiria a avaliação da qualidade da administração do Diretor, sendo ele também vigiado.
    Esta vigilância se espalhou de modo similar por toda a sociedade em uma rede ramificada além da estrutura física das instituições.

    Essa distribuição capilar do Poder é um dos pólos fundamentais de controle das massas, potencialmente perigosas à “Ordem”.

    Ora, aí, no Panóptico estão explícitos os elementos essenciais de “1984”: a vigilância, o suspense de ser visto sem ver, as inspeções alternadas e incertas:
    “a qualquer momento a Polícia do Pensamento pode entrar e dar voz de prisão”,
    a qualquer momento o cidadão pode cometer o Crimidéia, qualquer um pode ser o delator, desde as próprias crianças até o amigo do boliche.

    A Grande Tela vigia, filma, invade a privacidade, ela é o próprio Panóptico elevado ao cubo, espalhado, inflado.

    Foucault fala da impessoalidade do Diretor, ele pode estar na torre, pode não estar, é vedado ao observado saber se ele está ou não na torre, se o Diretor está ou não o observando.

    O observador não precisa necessariamente ser o Diretor, pode ser um amigo, seus familiares, um simples funcionário subalterno, pode nem haver ninguém. O Grande Irmão também não é impessoal?
    Na verdade uma abstração, uma personificação do Estado, ele pode ou não existir como pessoa física.
    Quantos boatos já se fizeram sobre a morte não divulgada de um líder poderoso e a suspeita de que o seu Império continuava de pé?
    Também há correspondência em relação à asfixia do drama vivido por Winston.

    O texto de Foucault é igualmente sufocante, tem-se uma primeira impressão de que não há saída possível.

    Dizem que há até uma discussão sobre a validade do caráter marxista-libertário da obra de Foucault, tamanha a desesperança inicial quando se toma conhecimento da malha tão intrinsecamente montada do poder.
    Mas é claro que tem que se buscar uma saída, o que Foucault aponta no decorrer de outras obras. Mas o certo é que Foucault é uma confirmação do escritor de “1984”.

    Aquilo que George Orwell anteviu em 1948, em forma literária-alegórica, Foucault detalhou, décadas depois, de forma teórico-filosófica.

    Isto nos traz uma correspondência maior ainda entre Aldous Huxley e Orwell.

    Por este prisma, há quase uma fusão entre “1984” e Admirável Mundo Novo.

    A vigilância coercitiva, sufocante, explícita e implícita da Grande Tela e do Grande Irmão com a massificação terrivelmente uniforme da “felicidade tecnológica” e do condicionamento Skenneriano de Brave New Word.

    Ora, em AMN também não havia um rígido controle de classificação, de catalogação dos fetos, das pessoas?
    Claro, apesar da alienação pelo condicionamento, imbecilização, drogas e tudo o mais, era necessário um rígido controle dos indivíduos (se é que podemos chamá-los assim) para se assegurar a homogeneidade.

    Por outro lado em “1984” havia a coerção e a intimidação, mas havia também a propaganda e a sugestão estatais exercidas pela Grande Tela.

    “Lá fora faz um tempo confortável e a vigilância cuida do normal” (Zé Ramalho, Admirável Gado Novo).

    É a normalidade que buscam, tanto Mustaf Mond, o Coordenador Mundial de AMN, quanto o Grande Irmão.

    (http://www.duplipensar.net/lit/g_orwell/2003-08-panoptico.html)

    BIBLIOGRAFIA:

    BENTHAM, Jeremy. O Panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. (Organização e tradução de Tomaz Tadeu da Silva).
    FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979, 17ª Edição.
    __________. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
    HUXLEY, Aldous. Admirável Mundo Novo. Rio de Janeiro: Cia. Brasileira de Divulgação do Livro, 1969. (11ª Edição)
    __________. Regresso ao Admirável Mundo Novo. São Paulo: Círculo do Livro, 1959.
    ORWELL, George. 1984. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1978, 11ª Edição.

    (http://www.duplipensar.net/artigos/index.html)
    .
    .

Mário SF Alves

17 de maio de 2014 às 16h03

Análise e crítica contundentes.

Saul Leblon demonstra o quanto de poder esse Cavalo de Troia, verdadeiro presente de grego, chamado Organizações Globo, tem em fazer o Brasil sair do rumo e chafurdar na lama.

—————-

Fico pensando… não fosse pelas circunstâncias nas quais o País foi “agraciado” com tal presente, ou seja, não fosse pela relação de compromisso e subalternidade com os SPYstates, diria que o Saul anda subestimando o potencial de ambição e dano dos Marinho.

Responder

Urbano

17 de maio de 2014 às 15h13

Eu teria vergonha de ser Ministro das Comunicações e ficar de braços cruzados diante do fascismo do pig.

Responder

    Julio Silveira

    17 de maio de 2014 às 18h02

    Para mim, infelizmente, temos um ministro sem vergonha. E o acho um acréscimo ao peso que a cidadania tem que carregar para levar a frente esse governo, pelo fato da Dilma dar demonstrações de que não acredita.

    Urbano

    18 de maio de 2014 às 13h18

    Bem, esse é o seu modo de ver. A minha ideia é a de que, tanto no público quanto no privado, há os que aceitem espaço tão somente pelo status e pela vantagem financeira, mesmo que seja para atropelar seus próprios princípios mais elementares, como, por exemplo, justiça no seu sentido mais amplo.

    Julio Silveira

    18 de maio de 2014 às 16h32

    Meu caro Urbano, concordo com o que você quis dizer, mas essa sua interpretação rebuscada no fundo se revela a mesma coisa que eu falei a grosso modo. Abraço.


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