VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Movimentos sociais e acadêmicos avisam Haddad: o PP de Maluf na Secretaria da Habitação, não!


26/11/2012 - 16h32

Movimentos sociais e acadêmicos avisam Haddad:  não querem o PP de Maluf na Habitação

por Conceição Lemes

Historicamente, o Partido Progressista, o PP de Paulo Maluf, e os movimentos sociais pela moradia digna e reforma urbana na cidade de São Paulo são arqui-inimigos. A relação sempre foi de enfrentamento.

“O tempo inteiro o PP e o Maluf perseguiram e criminalizaram os movimentos sociais”, acusa Luiz Gonzaga da Silva Gegê, dirigente  da Central de Movimentos Populares e militante do setorial de moradia do PT. “Não há possibilidade de conversa entre nós.”

“Levei muita borrachada da polícia do Maluf”, diz outro importante dirigente do movimento pró-moradia que pediu para o anonimato. “Em 1993, quando assumiu a prefeitura após a gestão Erundina [Luiza Erundina foi prefeita de São Paulo de 1º janeiro de 1989 a 1º de janeiro de 1993], Maluf paralisou 106 mutirões em andamento. Em conluio com o Tribunal de Contas de Município, disse que havia problemas de corrupção nas nossas prestações de conta. ”

“Foram quatro anos sem mexer no setor, depois o Pitta [Celso Pitta] fez o mesmo”, acrescenta. “Portanto, o PP e o Maluf na Habitação, NÃO!!!”

O grito tem um motivo. Nas últimas semanas cresceram os boatos de que o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pode entregar a Secretaria da Habitação (Sehab) e a Companhia de Habitação (Cohab) ao PP de Paulo Maluf, que já comanda o Ministério das Cidades.

Não é à toa que na semana passada, dia 19, as principais lideranças dos movimentos populares reuniram-se com o vereador Antonio Donato (PT), que comanda a transição e será o secretário de Governo de Haddad, para manifestar a preocupação.  No encontro, entregaram a Donato o documento PP e Maluf na Secretaria de Habitação e na Cohab, NÃO!

Assinam-no: Central de Movimentos Populares (CMP); União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo e Interior (UMMSP); Frente de Luta pela Moradia (FLM); Grupo de Articulação de Moradia do Idoso (GARMIC); e Movimento de Moradia da Região Centro (MMRC).

O documento é contundente:

Nós, lideranças dos Movimentos de Moradia, entidades populares e comunitárias de várias regiões da Cidade de São Paulo, preocupadas com os encaminhamentos dados ao processo de transição e discussão em relação à Secretaria de Habitação e COHAB do Município de São Paulo, viemos manifestar o nosso veemente repúdio a qualquer possibilidade do Partido Progressista e Paulo Maluf interferirem ou indicarem representantes deste nefasto partido para Secretaria de Habitação e COHAB do Município de São Paulo.

 A história do PP e de Paulo Maluf é conhecida em São Paulo, com perseguição e criminalização aos movimentos sociais e populares, agressões aos trabalhadores informais e população em situação de rua, agenda de despejos e remoções, paralisação dos programas de mutirões e habitação popular, corrupção, abandono e falta de políticas para as áreas centrais, além do trágico projeto Cingapura.

 Além disso, o Ministério das Cidades, ocupado pelo PP, na verdade, funciona como balcão de negócios. Toda política do PAC e do Programa Minha Casa, Minha Vida é feita de forma direta entre o Ministério do Planejamento e a Secretaria Nacional de Habitação. No Estado de São Paulo, o PP comanda a CDHU e todas suas ações na área de habitação são pífias ou medíocres. Foram os representantes do PP que enrolaram os movimentos e privatizaram a CDHU durante a gestão do PSDB no Estado São Paulo.

 O Prefeito eleito Haddad disse que iria ouvir os movimentos sociais e a hora é esta, para que possamos manifestar nossa indignação com esta possibilidade.

 Nunca aceitamos e não aceitaremos esta aliança. O que esperar de uma situação desta? Que o PP dê conta desta grave situação da habitação em São Paulo? Este partido nem de longe está ao alcance das responsabilidades assumidas na campanha de Haddad à prefeitura de São Paulo, nem está à altura do plano de governo na área de habitação, construído de forma ampla e participativa com os movimentos de moradia e os setoriais do PT, propiciando um grande envolvimento na campanha de Haddad à prefeitura de São Paulo.

 Os Movimentos Populares não engoliram de forma alguma esta aliança com o PP de Paulo Maluf que, durante a campanha, gerou grande constrangimento ao Partido dos Trabalhadores, à sua Militância, aos Movimentos Sociais e ao próprio candidato Haddad. Em nossa opinião, os únicos que ficaram felizes com esta aliança foi o PP e o próprio Maluf,  que condenado por corrupção, com toda cara de pau,  se promoveram e beneficiaram às nossas custas.

Ansiamos que o próximo Secretário, bem como o próximo Diretor-Presidente da COHAB-SP, empresa operadora da política habitacional do município, atendam às mesmas expectativas de mudança que nos incentivaram a participar ativamente em sua campanha e da montagem de seu Plano de Governo. Por este envolvimento, acreditamos termos legítimo papel na qualificação do conteúdo da Política Habitacional do município, nos próximos 4 anos. A SEHAB e a COHAB dirigidas por partidos distintos dificultaria a implementação da política municipal de habitação.

 Dias antes, 14 de novembro, com a mesma preocupação, foi entregue  à equipe de transição, Carta a Fernando Haddad sobre a futura Secretaria da Habitação. Com mais de 90 signatários, é encabeçada por nomes históricos da política habitacional e urbana da cidade e do país, petistas e não petistas. São membros da Academia, dos movimentos de moradia, arquitetos e urbanistas, e do Grupo Técnico que elaborou o programa de Haddad nesse setor.

Caro Fernando, nosso Prefeito eleito,

Nós abaixo-assinados, militantes há décadas comprometidos com a luta pela Reforma Urbana e por cidades mais democráticas e socialmente justas, junto ao Partido dos Trabalhadores, expressamos aqui nossa grande preocupação quanto à direção de sua futura Secretaria de Habitação (SEHAB) e Companhia Metropolitana de Habitação (COHAB-SP). Estamos cientes do intenso debate sobre a composição do futuro governo, e que vem sendo noticiado na mídia, apontando a possibilidade de que a secretaria seja ocupada por quadro do Partido Progressista – PP.

Historicamente, a luta do PT na cidade de São Paulo funde-se à luta dos movimentos de moradia e da sociedade civil e os avanços que tivemos na política urbana e habitacional em São Paulo nas gestões petistas precedentes, são fruto do reconhecimento por parte dos Secretários (Ermínia Maricato, durante a gestão Erundina, Paulo Teixeira, na gestão Marta) -, e respectivas equipes, da importância destes atores na condução dessas políticas. A riqueza dos movimentos sociais, do quadro técnico e intelectual na área da habitação e do urbanismo é um patrimônio deste Partido que merece ser valorizado.

Nesse sentido, estamos certos da importância de que a pasta seja concedida a alguém alinhado com a história do partido que encabeça a coligação. Negamos enfaticamente a condução das duas últimas gestões municipais, uma fachada, maquiagem pouco melhor do que a feita por Maluf e Pitta com seus Cingapuras. De fato, famílias foram atendidas, mas inúmeras outras foram expulsas de suas casas sem atendimento adequado. Para elas, a qualidade de vida obtida com o crescimento da economia no país transformou-se em entulho e desespero.

Para que o Arco do Futuro concretize-se também como um Arco de Justiça Social Urbana, e para que a reforma urbana se consolide como a garantia do direito à cidade a todos, conforme está apresentado no seu Programa de Governo e que conquistou setores não tradicionalmente ligados ao PT, acreditamos que a política habitacional da cidade deva retomar as diretrizes que há anos vêm sendo construídas pelos movimentos pela Reforma Urbana, e que não condizem com o histórico político representado pelo PP, a saber:

1. Compromisso de construção da política habitacional junto aos movimentos populares;

2. Comprometimento com uma construção participativa da política, fortalecendo o Conselho Municipal de Habitação e os fóruns de moradia, inclusive no acompanhamento da implementação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em São Paulo;

3. Sensibilidade para priorizar o atendimento às famílias mais vulneráveis que vivem com renda familiar inferior a 3 salários mínimos;

4. Firmeza na efetivação das ações sistêmicas e intersetoriais necessárias para a Moradia Digna, incluindo-se a relação com as políticas de uso e ocupação do solo em áreas urbanas consolidadas da cidade (e não só as periferias), de mobilidade urbana e transporte público, de saneamento, etc.;

5. Conhecimento da articulação da política habitacional com política fundiária, garantindo a produção de moradia social no centro e em áreas bem servidas de infraestrutura e serviços urbanos;

6. Compromisso de construção de uma política habitacional de fato abrangente a toda a cidade e ao conjunto das regiões mais pobres, em conjunto com os movimentos populares;

7. Diversidade de modalidades de política habitacional, como forma de se adequar às diferentes demandas e situações de seus cidadãos;

8. Atenção às situações de risco, incluindo-se também uma atuação preventiva em favelas sob alto risco de incêndios;

9. Visão de que o desafio da política habitacional não se resume a metas quantitativas, à produção de 55 mil moradias, mas que estas sejam feitas através de projetos includentes integrados à cidade.

Estamos muito felizes com sua eleição, caro Fernando. Sua vitória representa a vitória da esperança, do novo. O futuro venceu, como dizia o próprio mote da campanha durante a festa da vitória. Mas para que o novo seja aplicado nessa cidade, acreditamos que projetos e parcerias históricas devam ser mantidos. Continuemos juntos, trabalhando por uma São Paulo melhor para todos.

Certos de sua compreensão, agradecemos, companheiro.

Abaixo, assinados:

Angela Amaral, arquiteta, GT Desenvolvimento Urbano, Plano de Governo Haddad

Benedito Barbosa (Dito), advogado, Central de Movimentos Populares

Chico Cesar, compositor e cantor

Ermínia Maricato, urbanista, ex-secretária de Habitação de São Paulo (1989-1992); Secretária Executiva e Ministra Adjunta do Ministério das Cidades, professora FAU USP

Kazuo Nakano, urbanista, Instituto Polis, ex-Conselheiro Municipal de Habitação

Flávio Villaça, Arquiteto Urbanista, Professor Emérito FAU-USP

João Whitaker Ferreira, urbanista, Professor FAU USP e Mackenzie

Luiz Gonzaga da Silva Gegê, CMP e Movimento de Moradia da Região Centro – MMRC

Maria Lucia Refinetti Martins, arquiteta, professora FAU USP, ex-Conselheira Municipal de Habitação

Osmar Silva Borges, coordenador da Frente de Luta por Moradia – FLM

Raquel Rolnik, urbanista, professora FAU USP, ex-Secretaria Nacional de Programas Urbanos Ministério das Cidades (2003-07) e atualmente Relatora Especial da ONU para o direito à moradia adequada

Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares

Sarah Feldman, Arquiteta Urbanista, professora do Instituto de Arquitetura e Urbanismo-USP

Adilson Guaiati, Geográfo

Alex Rosa – Arquiteto e Urbanista – Mestranda FAU USP

Almir Nascimento Costa, estudante de Arquitetura e militante da área de moradia.

Ana Frieda Ávila Nossack, Arquiteta e urbanista, mestranda FAU-USP

Ana Lucia Ancona, Arquiteta e urbanista

Andrea Quintanilha de Castro, arquiteta e urbanista da Peabiru Assessoria Técnica.

Caio Boucinhas, GT Desenvolvimento Urbano e GT Meio Ambiente, Programa de Governo Haddad.

Caio Santo Amore, arquiteto e urbanista, Peabiru Assessoria Técnica, ex-Conselheiro Municipal de Habitação

Camila de Oliveira, jornalista, Movimento Apropriação da Luz.

Camila D´Ottaviano, Arquiteta Urbanista, professora FAU-USP

Carlos Adriano Constantino, Engenheiro Civil, professor UNIP e GT Desenvolvimento Urbano

Carlos Henrique A. Oliveira, arquiteto.

Cecília Levy, Arquiteta e urbanista, ex-Diretora Comercial e Social da Cohab-SP.

Cecília Maria de Morais Machado, Doutora FAU-USP, Pesquisadora UFABC

Claudio Amaral, arquiteto, professor universitário

Cyra Malta Olegário da Costa, servidora pública, engenheira agrônoma, Fórum Suprapartidário pro uma São Paulo Saudável e Sustentável

Daniela Motisuke, Arquiteta e urbanista, mestre FAU USP.

Daniela Zilio, arquiteta, GT Desenvolvimento Urbano, Plano de Governo Haddad.

Danielle Cavalcanti Klintowitz, Arquiteta e urbanista – Instituto Pólis

Denise Invamoto, Arquiteta Urbanista

Deise Tomoco Oda, arquiteta, GT Desenv. Urbano do Plano de Governo Haddad.

Danielle Klimtowitz, arquiteta urbanista, professora universitária, Instituto Polis.

Edilson Henrique Mineiro, advogado, União dos Movimentos de Moradia – UMM-SP.

Eduardo Nobre, Arquiteto Urbanista, professor FAU-USP

Ermenegyldo Munhoz Jr., arquiteto urbanista.

Euler Sandeville Júnior, Arquiteto Urbanista, professor FAU-USP e Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental PROCAM-USP, coordenador do LabCidade.

Fabiana Luz, mestranda UFABC

Frente de Luta por Moradia,FLM

Giselle Megumi Tanaka, Arquiteta e urbanista, mestre FAU USP

Heloisa Diniz de Rezende, arquiteta, GT Desenv. Urbano, Plano de Governo Haddad, Conselheira de Habitação pelas Assessorias Técnicas biênio 2007-2009.

Higor Carvalho, urbanista, GT Desenvolvimento Urbano do Plano de Governo Haddad.

Inês Bertão, assistente social e militante na área de habitação.

Isabel Cabral, Arquiteta, Ambiente Assessoria Técnica

João Carlos Santos Takeda, Arquiteto Urbanista

João Marcus Pires Dias, Cientista Social

Jorge Kayano, Instituto Pólis.

Jorge Paulino, Arquiteto Urbanista

Joyce Reis Ferreira da Silva, Mestranda FAUUSP

Juliana Avanci, advogada, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

Juliana Iramaia Rezende Vaz, cientista sócia, Peabiru Assessoria Técnica.

Jupira Cauhy, educadora, Movimento de Moradores da Água Branca

Karina Gaspar Uzzo, advogada Instituo Polis

Karina O. Leitão, arquiteta urbanista, Professora FAU USP.

Leandro de Oliveira Coelho, engenheiro civil, Peabiru Assessoria Técnica.

Leslie Loreto, arquiteta urbanista, mestranda FAU-USP

Letícia Sigolo, arquiteta urbanista, LabHAB FAU USP.

Liliana Emília Jalsem, assistente social, Secretaria de Patrimônio da União.

Lizete Maria Rubino, Arqutieta Urbanista, Professora universitária

Lucas Fehr, Arquiteto Urbanista, Professor unviersitário

Luciana Nicolau Ferrara, arquiteta e urbanista, doutoranda na FAUUSP

Luís M. M. Borges, Mestre em Desenvolvimento Econômico, Pesquisador de Política Pública – Instituto Pólis e IPEA

Luiz Kohara, engenheiro civil, pesquisador FAUUSP, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e GT Desenvolvimento Urbano.

Márcia S. Hirata, Arquiteta e Urbanista, LabHab FAU-USP

Margareth Uemura, arquiteta, Instituto Polis.

Maria de Lourdes Zuquim, Arquiteta e urbanista, professor FAU-USP

Maria Lúcia d’Alessandro, engenheira civil, GT Desenvolvimento Urbano, Programa de Governo Haddad, Secretaria de Patrimônio da União

Maria Rita de Sá Brasil Horigoshi – arquiteta e urbanista, Peabiru Assessoria Técnica

Mariana Fix, Arquiteta Urbanista, professora Instituto de Economia – Unicamp

Miriam Hermogenes, membro da coordenação MMC – Movimento de Moradia da Cidade e da Executiva Estadual da Central de Movimentos Populares, Coordenadora Estadual do Setorial de Moradia do PT

Natália Maria Gaspar, Arqutieta urbanista, GT Desenvolvimento Urbano, Plano de Governo Haddad

Nelson da Cruz Souza, coordenador Movimento de Moradia Região Centro – MMRC

Nelson Faoli, coordenador geral do Instituto Pólis.

Nunes Lopes dos Reis, arquiteto e urbanista, Peabiru Assessoria Técnica.

Patrícia R. Samora, Arquiteta e urbanista, LabHab FAU USP

Paulo Emilio Buarque Ferreira, Arquiteto Urbanista, doutorando FAU-USP

Pedro Arantes, Urbanista, professor UNIFESP, ex-Conselheiro Municipal da Habitação.

Pedro Sales, arquiteto, Conselho de Arquitetura e Urbanismo.

Rafael Borges Pereira, arquiteto e urbanista, Peabiru Assessoria Técnica.

Rafael Jesus, Escola da Cidade

Rafael Tatemoto, estudante de Direito USP, Núcleo de Direito à Cidade – USP.

Raphael Bischof, advogado – Instituto Polis

Raul Isidoro

Regina Soares de Oliveira, historiadora e educadora popular.

Rodrigo Vicino, arquiteto, GT Desenvolvimento Urbano Programa de Governo Haddad.

Ros Mari Zenha, geógrafa, Conselheira do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação; membro do Movimento contra a Verticalização e Preservação do Patrimônio da Lapa e Região, pesquisadora Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

Sidnei Pita, membro da coordenação geral da União de Movimentos da Moradia

Simone Gatti, Arquiteta Urbanista, doutoranda FAU-USP

Sylvia Ammar Forato, arquiteta, COHAB-SP, Secretaria de Patrimônio da União, GT Desenvolvimento Urbano – Programa de Governo Haddad.

Tamires Almeida Lima, pesquisadora LabHab

Terezinha de Oliveira Gonzaga, Arquiteta/urbanista – União de Mulheres de São Paulo, TEMA Planejamento e Projetos Urbanos, Arquitetônicos e Sociais.

Ticianne de Sousa, arquiteta e Urbanista – Mestranda FAU USP

Vitor Coelho Nisida, arquiteto e urbanista, LabCidade FAU USP

Yvonne Mautner, Arquiteta e Urbanista, professora FAU-USP.

 A pesquisadora Márcia Hirata, do Laboratório de Habitação da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU/USP), em texto publicado em Carta Maior e que reproduzimos (AQUI), ressalta:

A cidade sofreu nos últimos 8 anos com políticas sociais, urbanas e habitacionais de fachada. Por trás dos projetos que exibiam a São Paulo globalizada (no projeto “Nova Luz”, no SP2040 ou em premiadas urbanizações de favelas), famílias foram pressionadas a sair de suas casas, movimentos sociais foram criminalizados; houve agressões aos trabalhadores informais e população em situação de rua, paralisação dos programas de mutirões e habitação popular, corrupção na aprovação de construções, abandono e falta de políticas para as áreas centrais. Direitos são violados porque são pobres.

Tais manifestações contra o PP na Sehab não significam o medo da perda de cargos na máquina pública, ou do poder sobre uma fatia do orçamento da cidade. Quando desejam que o Arco do Futuro concretize-se também como um Arco de Justiça Social Urbana , não o dizem como uma frase de efeito de marketing. Fazem uso de uma licença poética de quem acredita e luta pelo Direito à Cidade. Sem isso, a Cidade não vale a pena.

Donato já levou a Fernando Haddad a demanda dos movimentos  sociais, que pediram uma audiência com o prefeito eleito. “Está dependendo de agenda”, informou-me há pouco Donato. “O Haddad  disse que vai ouvi-los antes de tomar qualquer decisão.”

 Leia também:

Márcia Hirata: Sem o direito à cidade, a cidade não vale a pena

Leandro Fortes: Anotações de um escândalo anunciado





34 comentários

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José Dirceu e a “cultura de esquerda”no Brasil « Viomundo – O que você não vê na mídia

23 de dezembro de 2012 às 08h49

[…] recente protesto dos movimentos de moradia paulistanos que ajudaram a eleger Fernando Haddad contra a indicação de um malufista para a Secretaria da […]

Responder

Manoel del Rio: Os imóveis que Haddad poderia requisitar « Viomundo – O que você não vê na mídia

22 de dezembro de 2012 às 15h04

[…] PP de Maluf na Secretaria de Habitação, não! […]

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Maluf no poder | Blog dos Desenvolvimentistas

10 de dezembro de 2012 às 13h07

[…] Nos últimos 20 dias, de formas diferentes, os movimentos sociais pela moradia digna na cidade de São Paulo e nomes históricos da política habitacional e urbana, petistas e não petistas, disseram à equipe do prefeito eleito Fernando Haddad (PT-SP): o PP de Maluf na Secretaria da Habitação, não! […]

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Sérgio Bezerra

07 de dezembro de 2012 às 11h29

SE Habitação é prioridade para o governo Haddad, óbvio que não pode estar em mãos malufistas.

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Audiência com Haddad frusta movimentos sociais: Habitação irá para o PP « Viomundo – O que você não vê na mídia

06 de dezembro de 2012 às 19h48

[…] Nos últimos 20 dias, de formas diferentes, os movimentos sociais pela moradia digna na cidade de São Paulo e nomes históricos da política habitacional e urbana, petistas e não petistas, disseram à equipe do prefeito eleito Fernando Haddad (PT-SP): o PP de Maluf na Secretaria da Habitação, não! […]

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Geraldo Antonio da Silva

29 de novembro de 2012 às 10h31

E agora Haddad, ou fica com os movimentos populares e sociais, históricamente alidos do PT, ou fica com o PP e Maluf históricamente ninimigo do PT e dos Moimentos Soicais e de Habitação…
Que lado estamos?

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Fernando

27 de novembro de 2012 às 20h21

Chega de sectarismo.

Não gostou da aliança com Maluf? Então vá para o PSOL fazer política de buteco.

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Augusto Soares

27 de novembro de 2012 às 17h51

Faz igual o que o PT da Erundina fez com o PCB em 1989, põe o PP na Funerária Municipal, aqui no Viaduto Maria Paula: é habitação e o atendimento é bem amplo.

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Rodrigo Falcon

27 de novembro de 2012 às 13h01

Tudo pela tal da “governabilidade” que acaricia seus mandatários e maltrata a democracia, sociedade e qualquer tentativa de desenvolvimento social, cultural e educacional. Se não bastasse esse escárnio, Andrés Sanches, ex-presidente do Corinthians ligado a bicheiros, donos de bingo e a máfia russa no Brasil, como Secretário de Esportes, é tudo o que a cidade não precisa. Viva a “governabilidade”!

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abolicionista

27 de novembro de 2012 às 12h43

Espero que a medida de resultado, seria uma pena ver o PP, um partido de direita, levar uma secretaria tão importante. Muita gente enxerga isso como uma espécie de punição ao PT, por ter se aliado ao Maluf, outros aproveitam para bater no PT, ou seja, agem como linchadores. É preciso entender, contudo, que um partido é uma instituição democrática representativa, ou seja, é um conjunto de forças. Se todos no Brasil fossem tivessem as mesmas ideias políticas, não precisaríamos de democracia. Aliar-se ao PP pode ter sido, mas nenhuma candidatura séria pode ser postulada sem alianças estratégicas com a direita, quem diz o contrário não conhece o Brasil. Basta lembrar que o maior partido brasileiro ainda é o PMDB. Quando à difusão do conservadorismo no Brasil, consulte-se a longa lista de ilegalidades cometidas por nossa elite com o apoio de grande parte da população.

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Mardones Ferreira

27 de novembro de 2012 às 10h00

É o preço pago por aquele aperto de mão na mansão do Maluf. Ou alguém achava que o PT iria deitar e rolar em |Sampa?!

Se não o faz em Brasília, imagina se o faria em São Paulo.

Bernardo, Cardozo, Mercadante e agora Haddad `as voltas com as engrenagens do governo de coalizão.

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Vinicius Garcia

27 de novembro de 2012 às 09h57

Uma coisa que merece realmente uma reflexão é essa aliança com o PP, feita pela candidatura municipal, não consigo por mais que se esforcem em explicar, ver isso como coisa construtiva, o resultado é esse que vemos, aonde e como será encaixado o PP no governo pelo seu apoio, se em todos os setores eles tem uma conduta que difere a apregoada pelo PT? Vamos ver o que vai dar isso.

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Roberto Locatelli

27 de novembro de 2012 às 08h07

A aliança com o PP de Maluf foi um erro. Ela não era necessária para a vitória de Haddad. E agora ela será um enorme problema para a administração da cidade.

Seja qual for a secretaria que fique com o PP, será um antro de negociatas.

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Rodrigo Lemes

27 de novembro de 2012 às 00h15

Agora é a hora!
Serra prefeito!

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Marcelo de Matos

26 de novembro de 2012 às 23h38

(Parte 3) 5. “O julgamento do mensalão levou ao paroxismo a teatralização de um dos Poderes da República. O excesso midiático intoxica. É um veneno. Se os ministros não se precaverem, eles podem ser vítimas desse excesso midiático no futuro. E com prejuízos à instituição. O ego humano é um monstro perigoso, incontrolável. O mensalão é o maior reality show da história jurídica não do Brasil, mas talvez do planeta”. Lula fez mais uma escolha certa – não dá para subestimar esse cara.

Responder

Marcelo de Matos

26 de novembro de 2012 às 23h37

(Parte 2) Pode nem mesmo ter ganho os votos malufistas, mas funcionou no geral, pois nos ajudou naquilo que mais precisávamos que era tornar o candidato mais conhecido. Nós não ganhamos apenas dois minutos a mais. Deixamos de perder quatro, pois se não pegássemos, o Serra iria pegar”. 2. A presidente Dilma Rousseff será reeleita em 2014 já no primeiro turno – se ocorrer será algo inédito para um petista em disputas pelo Planalto; 3. Sobre o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, faz uma previsão: “Tem tudo para ser presidente da República, em 2022 ou 2026. Antes disso, talvez seja a vez de Eduardo Campos, do PSB”. 4. “Há um processo de desgaste e de deterioração política do PSDB. Viraram uma versão anacrônica da UDN: denuncistas e falsos moralistas. Pode acontecer ao PSDB o que aconteceu ao DEM. O DEM está sendo engolido pelo PSD, de Gilberto Kassab. Se não se renovar, o PSDB pode ser engolido pelo PSB, de Eduardo Campos.”;

Responder

Marcelo de Matos

26 de novembro de 2012 às 23h37

(Parte 1)
http://inacio-a.blogosfera.uol.com.br/2012/10/15/maluf-nao-e-para-amadores/ O Inácio inspirou-se no ditado que diz que política não é para amadores. Querem, após contar com o apoio de Maluf, ignorá-lo? Vê se isso é possível: em política os acordos, mesmo que não escritos, devem ser cumpridos. Maluf foi aliado na eleição? Será aliado no governo. O blog do Fernando Rodrigues traz interessante entrevista com João Santana, o vitorioso marqueteiro do PT. Tem muito blogueiro que não engole João Santana, dando-lhe apelidos de João Mão de Onça e outros. Acontece que naquela trindade de marqueteiros baianos, Nizan Guanaes, Duda Mendonça e João Santana, esse último é o que mais brilha atualmente. Destacamos estas pérolas da sua entrevista: 1. Foi uma decisão acertada a aliança com o PP de Maluf, que no resultado final ajudou mais do que prejudicou.

Responder

Oliveira B. Ferreira

26 de novembro de 2012 às 22h55

Quantos votos essas lideranças e esses movimentos sociais tem na Câmara de Vereadores ? O Haddad elimina o PP de sua base e quem vai cobrir os votos que vão faltar nos dias de votação importantes para a cidade de São Paulo ?
Esses movimentos são importantes nas suas áreas de atuação, defendendo suas comunidades e seus povos mas deixem o Prefeito governar e descascar seus abacaxis. O povo de São Paulo será muito mais bem servido dessa maneira.

Responder

    Molina

    27 de novembro de 2012 às 15h11

    Olha o puxa-saco aí…

Gil Rocha

26 de novembro de 2012 às 22h21

Isso nem merece comentário.
E muito menos reclamação dos
petistas tão honrados.

Responder

renato

26 de novembro de 2012 às 21h56

Gosto de Chico Cesar!
Acho um cara legal, gosto tambem do resto da lista
Arquitetos do mundo inteiro!E só arquitetos.
Todos altamente interessados no bem estar da população
de São Paulo.Todos embuídos de um amor altruísta pelo
meio Ambiente e inclusão social, todos conhecedores dos
apelos mais sutis da sociedade.
PARABENS!

Responder

ricardo

26 de novembro de 2012 às 21h53

A questão que se coloca aos movimentos sociais e aos acadêmicos é a seguinte: se não a secretaria de habitação, qual o pedaço da prefeitura que o prefeito eleito deve dar para os malufistas roerem?

Responder

Julio Silveira

26 de novembro de 2012 às 20h38

Agora é que a porca torce o rabo.

Responder

Urbano

26 de novembro de 2012 às 20h00

Aliar-se ao paulo maluco foi um erro indelével… Afinal, é demasiadamente incongruente aliar-se ao demônio no intuito de se chegar ao Céu.

Responder

    Rodrigo Falcon

    27 de novembro de 2012 às 13h07

    E quem lhe confessou que o PT quer chegar no céu?
    Permanecemos impenitentes, na caverna de Platão, nos regozijando conforme costume ancestral, com meras imagens da verdade…

edson

26 de novembro de 2012 às 19h49

Dois mil e doze vai entrar para a história como o ano que a direção do BB retaliou e perseguiu os bancários que participaram da greve. E também ficará marcado pela grande disposição de luta e reação do funcionalismo http://www.bancariosdf.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=10486:bb-vamos-enfrentar-o-terror-com-arte&catid=13:banco-do-brasil&Itemid=22

Responder

Miriam

26 de novembro de 2012 às 19h38

Isso não dá para aceitar mesmo.

Responder

Márcia Hirata: Sem o direito à cidade, a cidade não vale a pena « Viomundo – O que você não vê na mídia

26 de novembro de 2012 às 18h38

[…] Movimentos sociais e acadêmicos avisam Haddad: Não querem o PP de Maluf na Habitação […]

Responder

LEANDRO

26 de novembro de 2012 às 18h24

Engraçado….na hora de vender a alma ao diabo por uns minutinhos a mais na tv, valia tudo. Agora o diabo veio cobrar a dívida e o pt tem que pagar. Lembram da histórica foto do lula com ele? Ela não foi de graça.

Responder

Rodrigo Leme

26 de novembro de 2012 às 17h45

Ué, não quiseram apoiar? Os 19 segundos de TV nao seriam determinantes? Agora tomem o toco. Com fatura e tudo…

A vida era mais fácil quando o PT era oposição, né? Tudo era mais colorido, era o “partido que não rouba e não deixa roubar”, aí vem a fada da realpolitik e desmancha o castelo.

Responder

    renato

    26 de novembro de 2012 às 21h50

    Rodrigo, você é muito oportunista!
    Mas não deixa de ter razão!

Willian

26 de novembro de 2012 às 17h27

Parece que tanto o PT quanto o Maluf venderiam a mãe para ganhar as eleições para a prefeitura de São Paulo. A diferença é que o PT não entrega.

Ora, se vendeu, tem que entregar. O Maluf tem fotos para provar.

Responder

    sandro

    26 de novembro de 2012 às 19h16

    É, mas seria mais contundente se fosse um “out-door”,tipo aquele
    com o FHC. Serra prefeito.

Ferdnan

26 de novembro de 2012 às 17h24

Entendo que o maluf não ajudou em nada alem dos minutos do horário eleitoral, então tem que Tomar Cuidado com ele e a turma dele, são CORRUPTOS E COM CERTEZA SURGIRÃO NOVOS AREFES PARA MANCHAR O MANDADO DO HADDAD, POR ISSO ELE TEM QUE IMPEDIR QUE ISSO OCORRA NOVAMENTE.

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