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Wálter Maierovitch: São Paulo usa o crack para segregar os pobres


16/01/2012 - 18h13

por Wálter Maierovitch

O fenômeno representado pelas drogas ilícitas é complexo. Desde o fracasso do proibicionismo, convencionado na sede nova-iorquina das Nações Unidas em 1961, vários países, preocupados com os direitos humanos e com a possibilidade de colocar a segurança pública na rota da civilidade, buscaram políticas próprias a fim de:

(1) contrastar a oferta pelo combate à economia das organizações criminais, (2) reduzir danos e riscos causados pelo consumo, (3) tratar sem crueldade os dependentes químicos, (4) eliminar os confinamentos territoriais, a exemplo das cracolândias, e (5) promover a reinserção social. A dimensão desse fenômeno foi mostrada na sexta-feira 6 pelos pesquisadores da University of New South Wales, na Austrália. Em um mundo com 7 bilhões de habitantes, uma pessoa em cada 20 consome habitualmente alguma droga proibida pela ONU. Temos um mínimo de 149 milhões de usuários e um máximo de 271 milhões. Por ano, as drogas ilícitas matam 250 mil pessoas.

A maconha é a droga proibida mais usada no mundo, consumida entre 125 milhões e 203 milhões de habitantes. A propósito de escolhas políticas, a Holanda admitiu, em 1968, para cortar o vínculo entre o traficante e o usuário, a venda de maconha em coffee shops. No primeiro dia de 2012, e com a volta dos conservadores ao poder, proibiu-se a venda ao turista estrangeiro. Segundo os economistas, haverá perda anual de 10 bilhões de euros, afetando o produto interno bruto holandês.

Na Suíça, não deram certo os espaços abertos para livre consumo. Dado o grande número de extracomunitários, que fizeram dos parques residências permanentes, com aumento de roubos, furtos e violência física, ocorreu uma correção de rota: desde 1995 o país fornece aos usuários drogas em locais fechados, com assistência médica.

Sobre extinção de áreas de confinamento, em Frankfurt foram implantadas as narcossalas em 1994, ou melhor, salas secretas para uso com apoio sociossanitário. Conforme apontei neste espaço em artigo intitulado “Cracolândia, a hora das narcossalas”, houve em Frankfurt e em outras oito cidades alemãs recuperações, reduções de uso e volta ao trabalho e às famílias. O sucesso levou, na Alemanha, as federações da Indústria e do Comércio a investirem 1 milhão de euros no projeto de narcossalas.

A política exitosa de Frankfurt foi copiada na Espanha. Nas grandes cidades dos EUA, aumentou o número de postos de saúde que ofertam metadona, droga substitutiva, para dependentes de heroína controlarem as crises de abstinência. Sobre as narcossalas, a Nobel de Medicina Françoise Barre Sinoussi luta pela implantação, em Paris, do modelo de Frankfurt.

As narcossalas foram fundamentais para o resgate social dos dependentes, antes empurrados para áreas urbanas degradadas, depois transformadas em confinamentos. Na capital paulista, a região central da Luz foi, por duas vezes, território de confinamento de prostitutas, ou seja, área onde os governos fizeram vista grossa para a exploração e o desfrutamento sexual de seres humanos.

Nos anos 1950, as prostitutas foram obrigadas a migrar da Luz para o bairro do Bom Retiro. Passados alguns anos, a prostituição e o rufianismo voltaram à Luz, em um confinamento chamado de Boca do Lixo. Nos anos 90, a Boca do Lixo cedeu lugar à Cracolândia. Um quadrilátero onde habitam ao menos 400 dependentes químicos e, diariamente, 1.664 usuários compram crack de pessoas a serviço de uma rede de abastecimento que as polícias estaduais nunca incomodaram.

Na Itália, conforme atestado pela ONU, a comunidade terapêutica denominada San Patrignano (Rimini), que acolhe 1,6 mil jovens, consegue recuperar 7 entre 10 que passam voluntariamente (não se aceita internação compulsória) pelos seus programas. San Patrignano é um centro de acolhimento sem discriminações ideológica, social e religiosa. É gratuito e não são aceitas verbas governamentais. Como empresa produtiva, banca as despesas.

Para acabar com uma Cracolândia, e sem um único posto de apoio médico-assistencial no local, a dupla Alckmin-Kassab, governador e prefeito, partiram para ações policialescas. Mais uma vez, assistiu-se à Polícia Militar atuando violentamente, sem conseguir expulsar os visíveis e expostos vendedores de crack.

A dupla busca a tortura físico-psicológica. Inventaram um novo tipo de pau de arara. Procuram, com o fim da oferta, provocar um quadro torturante e dramático de abstinência nos dependentes químicos. E, pelo sofrimento e desespero, os dependentes, na visão de Alckmin e Kassab, iriam buscar tratamento oficial. Esse torturante plano só é integrado no rótulo. A meta é “limpar o território” com ações militarizadas e empurrar para a periferia distante os “indesejados”.

Pano rápido. Nesse cenário desumano, que já dura mais de uma semana, percebe-se o sepulcral silêncio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que buscou no tema das drogas um palanque para se mostrar vivo politicamente. O silêncio de FHC é a prova provada da atuação farsante, própria de oportunistas.

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35 comentários

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Juiz alerta: Internação forçada de usuário de crack não deve ser generalizada « Viomundo – O que você não vê na mídia

04 de janeiro de 2013 às 21h58

[…] Wálter Maierovitch: São Paulo usa o crack para segregar os pobres […]

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angelo

11 de maio de 2012 às 17h32

“(…) Um funcionário, dois militantes do movimento e um lavador de carros foram detidos pelos policiais durante a apreensão. “O único que saiu algemado foi um rapaz que é lavador de carros, é negro, e tinha acabado de comprar uma camisa e fazia panfletagem do material na rua onde vigia os carros” (…)

http://coletivodar.org/2012/05/alo-stf-materiais-de-divulgacao-da-marcha-da-maconha-sao-apreendidos-em-loja-de-bh/

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PM de Pernambuco reprime estudantes | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de janeiro de 2012 às 17h15

[…] Wálter Maierovitch: São Paulo usa o crack para segregar os pobres […]

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warner vanderlei

18 de janeiro de 2012 às 07h10

Na rua não podem ficar, aqui na zona norte os farois estao cheios de noias pedintes, em estado deploravel de saude. A policia deve impedir que partam sobre nos como zumbis, e ao governo cabe a assistencia social. Aos intelectuais chega de conversa fiada e vamos por a mão na massa.
O que mais temos são engenheiros de obras prontas. Algumas entidades e voluntarios dão comida e assistencia aos dependentes. O problema não vai acabar. A coprrupção e indolencia do poder publico conspira para o sucesso dos traficantes.

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Marcus

17 de janeiro de 2012 às 20h31

"Dor e Sofrimento !". Ouvi isso diversas vezes ao longo das últimas semanas . O Governador , o Chefe de Policia , o PIG . Aonde isso nos remete ? Alckmin Opus Dei,. Dor e Sofrimento . Klu KLux Klan , Dor e Sofrimento . Pelourinho , Dor e Sofrimento . Delegado Sergio Paranhos Fleury , Dor e Sofrimento . Plinio Salgado , Dor e Sofrimento . Bombas de Fragmentação, Dor e Sofrimento . J. Edgar Hoover e os Panteras Negras, Dor e Sofrimento . Coitada da Cidade de Sao Paulo. Continua Governada por Eugenistas com "Pega Rapaz" . Salve a Periferia.

Responder

Claudio

17 de janeiro de 2012 às 15h42

São covardes!!!!
O pior disto é que o Ministério Público Federal e Ministério da Justiça não fazem nada!!

Responder

george

17 de janeiro de 2012 às 12h43

Enquanto a populaçao brasileira, que em sua maioria é representada por politicos religiosos, ligados a igrejas evangélicas e católicas, perde tempo e mantém a proibiçao ao uso de drogas, os traficantes nao perdem!
Há muito tempo já é sabido a eficácia do consumo assistido nas narco salas existentes em outros países, mas aqui no Brasil, a hipocrisia e a mau intenção não permitem nem que se toque nesse assunto.
Pois bem, então toma mais essa na cabeça! As narco salas que poderiam ser mais uma opção de tratamento de dependentes quimicos, agora virou mais uma opção de negócio para o crime organizado:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1031469-ba

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    Silvio I

    17 de janeiro de 2012 às 15h53

    george:
    Passa que muitos de esses que estão junto aos religiosos, são os capôs da farinha.

rafael

17 de janeiro de 2012 às 09h59

Ao menos o governo paulista e paulistanop tomaram uma atitude, junto com o problema clínico há o problema policial que precisa e deve ser combatido.

Responder

    Marcos C. Campos

    17 de janeiro de 2012 às 14h53

    Não tomaram "atitude", espalharam o problema. Assim qualquer um resolve … no cassetete. Quero ver recuperar estas pessoas para viverem uma vida produtiva, isso sim é desafio.
    E ficou na cara que fizeram uma operação atabalhoada para não dar os méritos da solução a uma possível ação que estava sendo preparada pelo Governo Federal.

    Marcos C. Campos

    17 de janeiro de 2012 às 15h05

    Não tomaram "atitude", ao invés, espalharam o problema. Assim qualquer um resolve … no cassetete. Quero ver recuperar estas pessoas para viverem uma vida produtiva, isso sim é desafio.
    E ficou na cara que fizeram uma operação atabalhoada para não dar os méritos da solução a uma possível ação que estava sendo preparada pelo Governo Federal.

Romanelli

17 de janeiro de 2012 às 08h54

o problema é grave, envolve múltiplas soluções, ações e disciplinas ..e pra mim esta havendo, por amos os lados, EXPLORAÇÃO política

Falar que a Alemanha, um país riquíssimo, é exemplo ..e isso se investindo E$ 1 milhão de euros ..oras vá, conta outra ?

Pior é ver que ao invés de se combater com CIÊNCIA e argumento, nos outros dois exemplos quando não dá certo o nobre juiz deixa escapar seu viés político

Penso que grande parte do problema esta aí devido a ausência, POR DÉCADAS, do Estado naquele local (em âmbito FEDERAL, Estadual e Municipal, nas esferas executiva, legislativa e judiciária tb) ..assim como ocorreu com as favelas do Rio, aonde a sua "desação e demagogia" permitiram com que as pessoas ordeiras ficassem refém do Medo e do crime, cercada pela corrupção até suas entranhas

Mais ainda, falar em salas pra o uso de heroína é uma coisa, já pra de cocaína e crack, estas que sobre os indivíduos provocam reação completamente contrário é outra

SIM, sim e sim, parte das ações passa pela limpeza e segurança do local, NÃO só pra população "normal" como para os andarilhos e doentes que já não respondem mais por eles (muito apanham, são estuprados, vivem como animais do mato, roubam e são roubados etc) ..e aqui outro problema, o de ver parte de nossos juízes propor que tratamento, só se voluntário e se o usuário (alienado e ensandecido) pedir ..RIDÍCULO, isso pra mim é a industria da expiação e da justificativa da eterna exploração da miséria isso sim (..aqui, quem não se lembra de TRAFICANTE criticando as UPPs, hein?!)

fora que ainda há de nos perguntarmos, que tipo e a que custo, que garantias de tratamento oferecer, pois, segundo a mídia divulgou, existiriam no país 1 MILHÃO de usuários de crack ..e a R$ 30 mil por paciente (sem garantia contra recaída), faz as contas pra vc ver a dinheriama que precisaríamos ter ..dinheiro aliás que AINDA hoje é negado pra que todos (sóbrios e viciados legais, destes que PAGAM imposto) possam ter em todo território para conseguirem um tratamento adequado aos maus que os alfiege

assim, pra finalizar, Penso que a critica é válida e necessária, mas sem proposição madura e efetiva, desculpe, em não acredito em fadas ..e desnecessário dizer que, evidente que balear e sufocar os coitados não vai ajudar em nada para a solução deste flagelo ..mas que prender os traficantes, ir atrás da grana, se educar com INSISTÊNCIA os mais jovens e se combater o tráfico nas fronteiras ajuda, ahhh, ajuda

Responder

Jose Mario HRP

17 de janeiro de 2012 às 07h13

Desculpem-me as palavras fortes, mas o povo paulista é o culpado por esses episodios e tantos outros em que os pobres são oprimidos por esses politicos fascistas!
Vem elegendo essa malta por + de 16 anos!
São Paulo na mão de gente que governa de costas para o povo pobre!

Responder

CC.Brega.mim

17 de janeiro de 2012 às 02h13

caem todas as hipocrisias!

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Marcelo de Matos

16 de janeiro de 2012 às 23h12

(parte 2) Nós mesmos que não somos viciados estamos sendo removidos para mais longe. Não vai demorar até que eu me mande aqui das Perdizes. Acho um absurdo pagar R$ 6,50 por uma cerveja na padaria ali da Rua Monte Alegre com a Cândido Espinheira. O custo de vida nos afugenta para a periferia ou para o interior. Para quem paga aluguel a situação é ainda mais insustentável. A culpa não é do Kassab, mas, da especulação imobiliária. Os imóveis no Rio de Janeiro estão mais caros que em Nova Iorque. Em Santos está difícil para a classe média morar. A solução, entretanto, pode não ser mudar para Praia Grande ou Itanhaém. Talvez seja necessário ir para mais longe, como Itariri e Pedro de Toledo. Os grandes centros urbanos vão ficando cada vez mais valorizados e precisam ser reurbanizados. Regiões como os bairros da Barra Funda, Água Branca e Bom Retiro vão sofrer grande transformação urbanística. É claro que os investidores não vão querer saber de moradores de rua na área. O que está em questão (repito) não é o crack, mas, o problema dos moradores de rua.

Responder

Marcelo de Matos

16 de janeiro de 2012 às 23h11

(parte 1) Vamos figurar uma situação fantástica: suponhamos que todos os consumidores de crack resolvessem abandonar a droga, mas, continuassem a morar na rua. Estaria resolvido o problema? Não, porque o problema real são os moradores de rua, não o crack. Isso me faz lembrar um fato que presenciei em Águas de São Pedro. Um turista entrou no quiosque que eu frequentava e pediu uísque. Tomou a garrafa toda e ninguém se importou com isso. Aí ele disse que ia deitar no gramado. Logo chamaram a guarda municipal e a PM. O turista, para não ser levado de camburão para fora da cidade, concordou em ir para o seu hotel. E assim que funciona o problema das drogas. Você pode consumir o que quiser desde que não vá deitar na rua. Resolver o problema dos viciados em crack é muito difícil. Primeiro: não há como vigiar todas as fronteiras marítimas e terrestres; segundo: raros são os casos de recuperação de viciados. De duas uma: preservamos a Cracolândia tal como está ou removemos os viciados para outra área.

Responder

    CC.Brega.mim

    17 de janeiro de 2012 às 02h05

    dois problemas ok?
    pobreza e vício
    a especulação imobiliária
    resolve os dois para os ricos
    joga fora!
    fora pobres e drogados..
    e os ricos invadem todos os lugares

    mas a especulação imobiliária
    não é uma entidade independente
    é um braço da política policial paulistana
    31 dos 32 chefes de subdistritos ops subprefeituras
    são militares da reserva
    se foram torturadores não importa..
    não foram julgados.

    as forças policiais são a única política de nosso prefeito
    e elas abrem o caminho para as empreiteiras..

    mas "não é culpa do Kassab"..

    Marcelo de Matos

    17 de janeiro de 2012 às 12h10

    Caro Brega. Acho que não é mesmo culpa do Kassab. A Defesa Civil, por exemplo, foi criada muito antes do kassab. A meu ver tem muito pouco de defesa, porque não toma muitas medidas preventivas, nem de civil, porque é coordenada pela PM. Desde os tempos da república velha a questão social tem sido um caso de polícia – Desocupa o barraco!; Vamos circular! Nas cidades do interior o pessoal manda recolher os moradores de rua e colocar em um ônibus com passagem para bem longe. Várias cidades turísticas no interior paulista não têm moradores de rua. Respeito a opinião dos que acham isso imoral e querem preservar a Cracolândia onde e como está, isto é, torná-la intocável. É utopia dizer que vão curar todos os viciados e arrumar-lhes emprego e moradia. A grande maioria vai querer continuar na rua consumindo droga. Acho razoável encontrar um local onde eles possam ficar sossegados. As áreas centrais da cidade que estão degradadas podem ser reurbanizadas a um custo mais barato, já que possuem toda infraestrutura. Devemos engessar o processo urbanístico? Nada muda; tudo fica como está?

    CC.Brega.mim

    18 de janeiro de 2012 às 17h35

    "processo urbanístico"?
    belo exemplo de naturalização da política e das relações sociais
    ou seja, tratar ações humanas como se estivessem revestidas
    da mesma inexorabilidade da natureza

    as ações de higienização
    são evitáveis criticáveis combatidas.

Cleverton_Silva

16 de janeiro de 2012 às 22h12

Maierovich está de parabéns pelo artigo. Existem exemplos de políticas públicas de combate às drogas citados por ele que eu nem fazia ideia. A dupla Alckmin/Kassab não surpreende com suas práticas, (des)governam pensando só neles e não conseguiram desencadear uma ação para desconcentrar e tratar as vítimas do crack. O importante para eles: dispersar os viciados para abrir a crackolândia à especulação imobiliária (até aí está "dentro das leis de mercado"), tomando cuidado apenas para que os dispersos não cheguem a Higienópolis, terra onde não deve pisar "gente diferenciada". Mais do mesmo se pode esperar dos ditadores. Para estes, a questão social é caso de polícia.

Responder

ricardo silveira

16 de janeiro de 2012 às 21h43

O FHC é isso mesmo. Mas, a propósito, os governos da Cidade e do Estado fazem o que fazem e o Ministério Público só assiste?

Responder

joão

16 de janeiro de 2012 às 21h31

BBB: estupro ao vivo
não cassa concessão ?

O amor é lindo!

Se o Brasil fosse a Argentina, quem ia ao Projac ter uma conversinha com o Boninho e o Bial – “o amor é lindo !“, disse ele, diante da cena – seriam representantes do Ministro Bernardo e do Zé (clique aqui para saber por que os amigos do Daniel Santas chamam ele de “Zé”).

Do Bernardo, da Comunicação, para estudar a cassação da concessão da Globo para explorar um bem público, o espectro eletro-magnético.

O que diria sobre isso a “Bancada da Globo”, alojada na Comissão de Ciência e Tecnologia, que aprova a renovação de concessões ?

O Zé, da Justiça (?), tinha que ir ao Projac investigar se, de fato, houve, estupro, ao vivo, na tevê brasileira.

Demorou muito: o BBB só podia dar nisso.

Nessa porcaria, como disse o Boni ao Bial.

Agora, se pode ter estupro ao vivo – “não me lembro se fui dormir de shorts, mas acordei sem“- , aí, amigo navegante, pode tudo !

A Globo pode tudo !

O amor é lindo!

Em tempo: clique aqui para ver como a edição do Boninho tentou evitar a cassação da concessão.

Saiu na Folha online:

Polícia e advogados da Globo conversam sobre suposto estupro no “BBB12″

16/01/2012
DO RIO
Policiais da delegacia da Taquara, na zona oeste do Rio, estão neste momento no Projac conversando com o departamento jurídico da Rede Globo.
Segundo o chefe de investigação da 32º DP, o delegado identificado apenas como Maurício foi ao Projac para falar com a BBB Monique e saber se ela foi realmente estuprada pelo modelo Daniel na noite de sábado para domingo.

Responder

    Luís

    17 de janeiro de 2012 às 08h33

    Esse texto é do PHA, acertei?

CLAUDIO LUIZ PESSUTI

16 de janeiro de 2012 às 19h56

"Sao Paulo usa o crack para segregar os pobres" e o titulo do post.No texto do Maierovitch ele não usa esta abordagem de "Sao Paulo".Ele se refere a "dupla Alckmin-Kassab" que "partiram para acoes policialescas".Totalmente erradas diga-se.Mas , como num recente post de Emir Sader se referiu, as palavras tem forca e significado.Da forma como e colocado no titulo, parece que a decisão foi tomada "pelos paulistas".Ora, quem tomou a decisão de fazer isto foi esta duplinha do barulho ai.Alias, se o Henrique Meireles topar ser vice, pode crer, o Lula vai empurrar goela abaixo dos petistas esta aliança com o PSD do Kassab viu…o Paulo Teixeira, deputado federal petista, em recente entrevista , já falou que se for o Meireles, ha grande chance da aliança sair…

Responder

    luiz pinheiro

    16 de janeiro de 2012 às 20h35

    As palavras, como muito bem disse o Emir Sader, tem significado profundo, tem sim conteudo político e ideológico, por isso são usadas e abusadas por quem detem o poder da comunicação. Infelizmente, para os bons cidadãos paulistas – e são muitos, são a grande maioria – o fato é que quem governa São Paulo, quem toma as atitudes em nome de São Paulo, são, lamentavelmente, esse Alkmin e esse Kassab. Portanto, o título do artigo está correto. Para resolver essa terrível situação de São Paulo, o que os paulistas precisam fazer, e com urgência, é libertar-se, é mudar seus governantes, começando agora pela prefeitura, em 2012, elegendo Haddad – se for com Meirelles de vice, me parece uma chapa imbatível, com consistência para levar a cabo uma grande administração, seja na educação, seja nas finanças públicas, seja nas politicas sociais.
    (vai continuar)

    luiz pinheiro

    16 de janeiro de 2012 às 20h36

    (continuando)
    Falar que Lula quer "enfiar Meireles goela abaixo" é apenas um exemplo a mais de mau uso político da palavra. Por que "enfiar goela abaixo"? Se Lula propor, se o PT aceitar, e se o povo eleger, não tem nada de "goela abaixo". É apenas exercício da política, como o Lula já cansou de demonstrar que sabe fazer muito bem. Bom, e o mais importante é que em 2014, virá a eleição estadual, e se a Dilma estiver navegando de vento em popa para a reeleição, nosso querido Lula pode muito bem ser aquele que finalmente vai libertar São Paulo dessa triste, trágica e longa hegemonia elitista tucana.

Rodrigo Leme

16 de janeiro de 2012 às 19h54

Uau, a panfletagem política contra São Paulo tá cada vez mais criativa. Daqui a pouco o navio que tombou na Italia vai ser culpa de um comandante que um dia pisou em SP.

Claro, qdo o PT for eleito aqui no dia seguinte os bravos profgressistas vão pintar o estado / cidade como a Atenas dos tempos modernos. Pois é assim que funciona panfletagem rasteira.

Responder

    El Cid

    17 de janeiro de 2012 às 08h46

    [youtube iiRiflq90ug http://www.youtube.com/watch?v=iiRiflq90ug youtube]

    Rodrigo Leme

    17 de janeiro de 2012 às 09h31

    Vindo do papagaio, é até engraçado. :D

    EUNAOSABIA

    17 de janeiro de 2012 às 11h20

    Foi pior do aquele golpe do Anderson Silva no Belfort, por essa o Patolino na esperava.

    Tomou uma legal mesmo…não passa de um bobalhão metido a bozo…. um coitado mesmo…

    Acho que depois dessa ele não volta..

    El Cid

    17 de janeiro de 2012 às 23h39

    é vc, "moleque cinquentão" ??? bacana ver a "cumplicidade trollana" !!

    Romanelli

    17 de janeiro de 2012 às 10h04

    acho que um comentário meu não passou ..tudo bem, ao menos aqui tem regra, melhor rescrever doutro jeito

    Eu dizia que depois que nos impuseram a visão de que somos racistas (talvez pra nos parecermos mais com os países "desenvolvidos") ..depois que ANALFABETOS funcionais nos inventaram a cota RACISTA e eugenista, em detrimento duma outra mais que possível SOCIAL e HUMANA ..depois disso tudo, agora vale tudo

    ainda mais quando alguns midiáticos (que não posso revelar o nome sob risco de não ser publicado) diz a toda hora que a culpa de todos os nossos males é do paulista, em especial do preconceituoso paulistano que já deu sua prefeitura pra ser administrada nos ultimas 30 anos por santista, nordestino, burguês, GLS de todas as bandeiras, machistas e feministas, negros, cariocas, carecas e topetudos, e matogrossense tb ..inclusive corruptos

    SIM meu caro Leme, elles conseguiram novamente nos jogar pra debaixo da lata de lixo ..agora sim somos racistas ..e todos contra os paulistas (parece ser este agora o grito de guerra duma PSEUDO esquerda progressista míope e OPORTUNISTA)

Marcelo de Matos

16 de janeiro de 2012 às 19h53

Sou contra a partidarização do tema crack. Maierovitch, reconhecida autoridade em drogas, talvez não fosse tão conhecido se não tivesse sido premiado por FHC com o cargo de Secretário Nacional Antidrogas. Em 23.06.99 declarou à Isto é: “Sou soldado fiel do presidente e vou bater de frente com quem se opuser à política que ele traçou”. Por coincidência (?), ambos são, favoráveis à descriminalização das drogas. Tudo bem, mas, não vamos demonizar a dupla Kassab/Alckmin. O prefeito tem planos de transformar a Barra Funda e áreas adjacentes no palco de novo boom imobiliário. Para isso será necessário um novo arruamento, construção de viadutos e outras obras que deverão ser confiadas à iniciativa privada. A Cracolândia, convenhamos, é um empecilho a esses planos. Devemos pugnar por sua intangibilidade? Conservamos a Cracolândia e abrimos mão da expansão da cidade? Kassab quer realizar uma boa gestão e abrir caminho para novos voos políticos. Pode tornar-se até parceiro do PT – não me parace que seja pior que outros.

Responder

Marcelo de Matos

16 de janeiro de 2012 às 19h15

Procuro expurgar todo resquício de hipocrisia dos textos que escrevo. Como diz o autor, no mundo atual “uma pessoa em cada 20 consome habitualmente alguma droga proibida”. Que fazer? Tentar tratar esse pessoal todo? É utopia acreditar ser possível recuperar tal quantidade de viciados. Até um cara como eu, fissurado em vinho e cerveja, é difícil recuperar. Então, vamos deixá-los fumar seus cachimbinhos? Mas, onde? Desde que o façam em casa está tudo bem? Então, o problema não é consumir crack, mas, fazê-lo em logradouros públicos, comprometendo a imagem dos governantes e seus planos urbanísticos? O autor do post parece reconhecer que é impossível vencer o vício. Então, repito, onde está o mal? O crack só é um problema porque seus consumidores são moradores de rua. Enfeiam a cidade com sua presença? Por que não criar um fumatório onde eles possam aspirar seus cachimbos sem o assédio da polícia? Não sejamos hipócritas. Se é impossível vencer o vício por que tanger os usuários de um canto para outro da cidade?

Responder

José Maia

16 de janeiro de 2012 às 18h50

Frase magistral de Maierovitch sobre a ação na Cracolândia: O silêncio de FHC é a prova provada da atuação farsante, própria de oportunistas.

Isso é o que é.

Responder

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