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Mauricio Dias: Infraero contesta relatório que embasou decisão sobre privatização


24/10/2011 - 10h08

por Mauricio Dias, em CartaCapital

Uma reação grevista contra a privatização de aeroportos, nos dias 20 e 21, inicialmente de pequena expressão política, mobilizou funcionários da Infraero nos três primeiros terminais, Guarulhos, Brasília e Viracopos, marcados para a privatização.

O movimento pode ter um conteúdo corporativista. Tem também o colorido de uma reação política a uma decisão política do governo. Mas é, inegavelmente, marcado igualmente por preocupações concretas com o que parece ser, desde o início, um jogo de cartas marcadas. Essa denúncia está embutida na manifestação formal do conselho de administração da Infraero em relação ao relatório da McKinsey & Company, sobre o setor de Transporte Aéreo do Brasil, ao falar a respeito dos operadores e investidores em infraestrutura que foram ouvidos e que, afinal, sustentou a decisão sobre a privatização.

O colunista teve acesso ao documento e selecionou alguns trechos:

“A seleção feita pela consultora não resiste à análise técnica; constou apenas de grupos interessados na privatização dos aeroportos lucrativos da Infraero”.

Diz a contestação da Infraero que a consultora “Não recorreu à experiência de grandes operadores europeus e americanos” talvez “porque sejam controlados pelo Poder Público”. E dá exemplos: Fraport, de Frankfurt, Aena, de Madri e Barcelona, além do JFK, de Nova York, entre outros.

Não por acaso, portanto, a McKinsey atesta a eficiência da Infraero: “De fato, o Brasil possui boa cobertura de infraestrutura e de malha aérea e, comparado aos padrões internacionais, o País não apresenta déficit de intensidade de utilização do modal…”.

O documento faz referência ao crescimento vertiginoso do setor aéreo (tabela) e constata que o mercado brasileiro “ainda é incipiente”, mas, segundo a Infraero, “deixa de criticar a redução do número de localidades atendidas pelas empresas aéreas”, que caiu de 189, em 1999, para 130, em 2010.

O relatório transita pela necessidade de investimentos, que, diante das restrições da crise internacional, pode ter empurrado mais rapidamente a presidenta Dilma para a decisão privatista:

“Mantido o crescimento histórico da demanda, o País teria de adicionar até 200 milhões de passageiros/ano em capacidade até 2030, ou seja, seria necessário construir infraestrutura comparável a, aproximadamente, nove aeroportos de Guarulhos no período”.

Nas condições atuais, diz o documento, a Infraero necessitaria de transferências do Tesouro para realizar os investimentos planejados: cerca de 2 bilhões de reais por ano, nos próximos

cinco anos. Na sequência, a McKinsey ataca o desempenho comercial da Infraero. A empresa retruca:

“A consultora afirma que as receitas comerciais flutuam entre 20% e 25% do total de suas receitas operacionais, sendo inferior à media mundial, que seria de 40%. Constata-se que ela computou (…) aquelas oriundas das atividades de armazenagem e capatazia e de navegação aérea, que, geralmente, não fazem parte dos negócios sob administração da maioria dos aeroportos do mundo”.

Subtraídos esses valores da Receita Operacional, a participação das receitas comerciais da Infraero alcança 45% (tabela), porcentual dentro da média mundial.

Nos comentários, a Infraero conclui que “a parcialidade” do estudo da empresa McKinsey compromete a utilização dele “como referencial para a tomada de decisão quanto ao modelo institucional do setor”. Foi inútil.

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15 comentários

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alexandre

26 de outubro de 2011 às 22h39

meus caros, 3 bilhões do BNDES são fichinha frente aos 5.2 bilhões próprios da INFRAERO que já estão alocados.
Eu vou repetir. 5.2 bilhões da própria infraero.

Responder

Jason_Kay

24 de outubro de 2011 às 19h24

"Governo prepara pacote de isenção fiscal para telecomunicações"

LEILA COIMBRA
DO RIO

O governo vai enviar ao Congresso Nacional nos próximos 15 dias uma MP (medida provisória) prevendo um pacote de isenção tributária para o setor de telecomunicações.

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) disse nesta segunda-feira que dentre os impostos que serão reduzidos estão o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), PIS e COFINS. O objetivo, segundo o ele, é elevar os investimentos do setor.

"A isenção vai vigorar até 2016 e achamos que as empresas vão antecipar seus planos de investimento até porque o mercado está forte e demandante".

Ele calculou que o corte poderá chegar a 25% em alguns produtos, e que dentre os itens beneficiados com a queda do PIS e Cofins estarão, rádios, modens, construção de torres, dutos, fibra ótica e outros. Já a isenção de IPI valeria para a construção de redes, estações e subestações.

Bernardo disse que com a o pacote fiscal os investimentos do setor poderão voltar ao patamar atingido logo após a privatização, no fim dos anos 1990. Hoje, segundo ele, as empresas aplicam perto de R$ 17 bilhões e a meta é atingir R$25 bilhões de investimento ao ano.

"O faturamento no primeiro semestre das empresas foi de mais de R$ 100 bilhões e elas devem fechar o ano com um a arrecadação recorde", disse o ministro.

"Bernardo disse que com a o pacote fiscal os investimentos do setor poderão voltar ao patamar atingido logo após a privatização, no fim dos anos 1990."

"Bernardo disse que com a o pacote fiscal os investimentos do setor poderão voltar ao patamar atingido logo após a privatização, no fim dos anos 1990."
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/995763-gover

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

O Bernardinho diz (em nome do governo) que está elevando os investimentos do setor a níveis próximos aos anos pós-privatização.

Agora onde os comuno-progressistas vão "colocar" aquele papo sem vergonha de que a telebrás foi vendida as preço de banana?

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Cleverton_Silva

24 de outubro de 2011 às 18h59

Dilma e suas primeiras derrapadas! A forte característica dela como técnica a faz tropeçar nas "pedras da política". A (i)lógica neoliberal vai de mal a pior, mas ainda mostra as garras aqui e mundo afora. Está aceso o sinal de alerta. Entregar aeroportos à iniciativa privada = preços de passagens mais altos, concessionárias de bolsos cheios porque não precisaram investir (pois o poder público já o fez). Fácil demais para os espertinhos esse capitalismo tupiniquim!

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Luciano Mendonça

24 de outubro de 2011 às 15h32

Essa consultoria McKinsey desde o tempo de FFHH está "trabalhando" em estatais. Lembro dela na "reestruturação" dos Correios (quando trabalhava lá). Estavam louquinhos pra privatizarem, com o aval do trator Motta. Agora rondam a Infraero. Presidenta Dilma, não caia nesse "canto da sereia".

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    Nelson

    24 de outubro de 2011 às 21h40

    A Dilma não vai cair, Mendonça. Ela já caiu.
    Aliás, nem se trata disso, mas de opção, mesmo. O governo Dilma optou pelas privatizações para garantir maior acúmulo de lucros pelo grande capital privado. Não foi para isso que nos recusamos a votar no "Vampiro brasileiro".

Vlad

24 de outubro de 2011 às 15h04

Ainda bem que os portos não serão privatizados.


Ou serão?

o.O

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José BSB

24 de outubro de 2011 às 14h49

O PT da continuidade a mesma política desonesta iniciada pelo PSDB: privatiza o que dá lucro. Claro que os aeroportos menos rentáveis continuarão sendo administrados pela Infraero. O "filé" do sistema passará as mãos da iniciativa privada que certamente fará os investimentos via BNDES. O banco estatal acaba de "emprestar" R$ 3 bilhoes a VIVO. Ganhos de um grupo privado sendo turbinado com recursos públicos. Este é o livre mercado à brasileira. E não faltam indigentes mentais e penas amestradas que teimam em vomitar teorias acerca da não intervenção do Estado na atividade economica.

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CLAUDIO LUIZ PESSUTI

24 de outubro de 2011 às 14h07

Na verdade , o PT ta mostrando aquilo que sempre foi e nos nos recusamos a ver:um partido de centro, cujo único objetivo e melhorar o nível de renda geral da população, para transformar o Brasil num pais de "classe media", baseado na questionável metodologia do IBGE, e , com isso, manter-se no poder.E e só!Nao entram em "bola dividida", fazem tudo o que o capital quer, TUDO!O objetivo e transformar o Brasil num canteiro de obras, a qualquer custo, e a classe media (de verdade) e que pague a conta!O objetivo deles e tornar os ricos mais ricos, para que as migalhas aumentem de tamanho!E mais nada!So isso ja garante a volta do "companheiro" em 2014…

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eunice

24 de outubro de 2011 às 12h45

O governo gasta sua grana via BNDS com as empresas multinacionais, e por isso não tem dinheiro para investir nos aeroportos, e por isso cai na mão da midia golpista, ou nós é que caimos nas mãos de ambos.

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Luiz

24 de outubro de 2011 às 12h12

Um presidente não sabe de tudo mas se toma decisões sem ouvir as partes, corre o risco de repetir FHC: narcisimo.

Responder

    Maria

    24 de outubro de 2011 às 14h21

    Quem é autoritário, arrogante e sem educação que eu saiba não é FHC não..

    Os idiotas perderam a modéstia.

Guanabara

24 de outubro de 2011 às 12h12

Sinceramente, a Dilma só dá bola fora. Ela continua tentando afagar o PIG, rentistas e demais donos do poder, decepciona quem efetivamente a elegeu e, PIOR, continua sendo espancada pelo PIG, mesmo fazendo omelete na Ana Maria Braga. Essa questão dos aeroportos é a clássica privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. Ela não consegue o apoio que deseja no PIG e vai perdendo cada vez mais a base que a elegeu. Se continuar assim, já duvido que complete os 4 anos do primeiro mandato.

PS: recebo AINDA uma chuva de e-mails racistas e preconceituosos, típicos da campanha do Serra, contra Dilma, PT e cia, baseados nas "denúncias" do PIG em geral, na velha tentativa de moldar o senso comum. Ou seja, a campanha é permanente, e tem gente aí que não pretende esperar até 2014 pra retomar o poder.

Responder

    Vlad

    24 de outubro de 2011 às 15h50

    Dilma só está tocando o plano.
    A idéia vem lá de trás, do tempo que o Chefe da Casa Civil era aquele rapaz simpático que não lembro o nome.

    Aí um fato no meio do caminho: http://tribunadonorte.com.br/noticia/lula-autoriz

Roberto Locatelli

24 de outubro de 2011 às 11h41

O Governo está cedendo gordas fatias do mercado aeroportuário para empresas privadas.

Será que é impressão minha ou o Governo está promovendo privataria nos aeroportos para tentar acalmar o PIG?

Responder

    Julio Silveira

    24 de outubro de 2011 às 15h12

    Será mais uma frouxura, como a inalcançável lei de médios, dentre outras, que muitos patrulheiros ligam a sirene para criticar àqueles que ousam mostrar?


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