VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Leandro Fortes: Sobre a capa de CartaCapital


10/08/2012 - 11h51

O TRISTE FIM DE POLICARPO JR.

Por Leandro Fortes

Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.

A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.

A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detecdado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.

Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono  da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente, por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição undenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.

No mais, CartaCapital, já nas bancas.

E, definitivamente, nem veja as outras.

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Venício Lima: Por que não?

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



36 comentários

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FrancoAtirador

12 de agosto de 2012 às 17h17

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PF investiga bilhete premiado da loteria dos EUA comprado por Cachoeira

Autor(es): Chico de Gois
O Globo – 12/08/2012

PF suspeita que Cachoeira lavou dinheiro com bilhete premiado

Um documento encontrado pela Po­lícia Federal na Operação Monte Carlo indica que o bicheiro Carlinhos Cachoeira teria comprado um bilhete premiado da loteria federal dos Esta­dos Unidos.
A portadora do bilhete milionário seria uma brasileira resi­dente em Massachusetts.
A PF ainda investiga a informação, que, se for verdadeira, aponta a existência de um novo esquema de lavagem de di­nheiro do contraventor.

Brasileira que mora nos EUA teria vendido talão de loteria americana

BRASÍLIA . Um documento encontrado no computador que foi apreendido na casa de Gleyb Ferreira da Cruz pela Polícia Federal, durante a Operação Monte Carlo, levanta suspeitas de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira pode ter comprado um bilhete premiado da loteria federal dos Estados Unidos, no valor de US$ 1 milhão, pagando US$ 400 mil a menos. Para a Polícia Federal, se a informação for verdadeira – na conclusão do relatório, os agentes sugerem o aprofundamento das investigações -, crescem os indícios de que há um esquema de lavagem de dinheiro.
Gleyb, homem de confiança de Cachoeira, é apontado como um dos laranjas da quadrilha do contraventor.

O documento analisado pela PF estava arquivado em um DVD com o título “instrumento de transferência e entrega de crédito”.

O contrato, de 3 de dezembro de 2009, cita Cachoeira como comprador do bilhete número 11, série 32057080-11, da Mass Lotery, custodiado perante o Bank of America, na cidade de Framighan, em Massachusetts.

O intermediador do contrato teria sido Gleyb que, pela transação, teria recebido US$ 100 mil.
A portadora do bilhete seria Eusa Clementino, brasileira residente em Framighan.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/8/12/pf-investiga-bilhete-premiado-de-cachoeira

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FrancoAtirador

11 de agosto de 2012 às 18h06

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Zé Brasil

11 de agosto de 2012 às 16h51

Só para não deixar cair no esquecimento: -por onde anda escondida a Dona Judith Brito, a diretora da ANJ, aquela que intitulou a imprensa como o principal partido de oposição do Pais uma vez que os partidos constituídos oficialmente não davam conta do recado para arrebentar com o Governo Lula e o Governo Dilma?

O mantra deles sempre foi a ladroagem, corrupção, aparelhamento e outras patranhas que lentamente estão sendo desmontados e a opinião pública está vendo quem de fato andou mentindo e prevaricando. O velho provérbio árabe nos lembra: – Os nossos males estão nos outros. Realmente, eles estão na oposição piguenta deste País.

Ela anda muda feito um peixe e na minha opinião ela teria o dever moral de se pronunciar sobre este assunto condenado-o veementemente ou coonestando-o: -e, a ele, quem sabe, prestando até sua solidariedade, posto que jornalistas desta jaez nele envolvidos, são os soldados de sua última trincheira, bastiões da ética e da moralidade, não é verdade?

Será que teremos algum Jornalista não cooptado, com brios profissionais suficientes, para confrontá-la sobre esta conduta deplorável da imprensa omisiada ao crime organizado e entrevistá-la sobre este assunto?

Seria bom perguntá-la se oposição política se faz com ardis de bandidadgem de pé de morro?

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Antônio

11 de agosto de 2012 às 15h10

DESCULPEM O EQUÍVOCO

Desculpem o equívoco, mas a entrevista com FRANKLIN MARTINS está em http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/entrevista-com-franklin-martins

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Antônio

11 de agosto de 2012 às 15h06

A propósito do mensalão, marco regulatório para as telecomunicações e vários outros assuntos, ver EXTRAORDINÁRIA ENTREVISTA com o GRANDE FRANKLIN MARTINS em http://www.advivo.com.br/luisnassif/

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Ferreira

11 de agosto de 2012 às 13h37

O governo tem que aproveitar esta oportunidade para colocar em pratica a ley dos médios, hoje a opinião pública está conhecendo como funciona o PIG, certamente a medida vai ter apoio popular.
Para que isso aconteça a Dilma tem que afastar o Hiberanardo, este ministro é medroso, tem medo do PIG.
O governo tem que trazer de volta o Franklin Martins para o min da comunicação, ele tem coragem para peitar o PIG.

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Messias Franca de Macedo

11 de agosto de 2012 às 13h20

… [O MENTEcapto] Policarpo “da Veja” dos [nefastos, infaustos e famigerados] Civitas “faz corar de vergonha” o verbo chafurdar!…

República Destes Bananas Golpistas, Terroristas de meia-tigela, eterna OPOSIÇÃO AO BRASIL!
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Julio Silveira

11 de agosto de 2012 às 11h19

Discordo de alguns, que respeito por seus ideais, quando trazem para o discurso a demonização de sistemas sem perceber que eles por si só nada significam. Que são apenas expressões utilizadas para forjar a dominância de alguns paises, gerando áreas de influência. Os sistemas existentes defendidos e combatidos nessa luta, as vezes fratricida, tem se comprovado inocuos em diversas situações e vantajosos em outras. O chamado socialismo, assim como o capitalismo, nada mais são do que expresões criadas por artifices a serviço de países, que geram prejuizos graves para muitos e beneficios para poucos. O socialismo por exemplo enquanto sistema politico adotado a forceps, sucumbiu em grande parte dos paises onde se inscreveu como sistema principal de governo, tendo que se mitigar com alguma forma da chamada economia de mercado. Não significou com isso o sucesso do chamado capitalismo, que também é mais uma expressão forjada pelos pensadores ilusionistas. Esse pensado por arquitetos mais inteligentes, que buscaram associa-lá em grande parte a países de ideal democratico, mas não necessariamente prescindindo desse principio. mas geralmente utilizando-os para buscar associação e reforças suas prerrotivas de dominância. Em minha forma isenta de analise, e talvez ignorante, acredito nenhum deles tenha poder de fazer justiça social. Penso como unica forma de possibilitar o encontro dos cidadãos com essa conquista é o aprofundamento dos meios democraticos. Mas me refiro a democracia no sentido lato, não aquela que exclui das decisões diarias o verdeiro interessado, tendo que se submeter a decisões de prepostos, quase nunca voltado para os interesses de seus representados. O aprofundamento da cultura da ética, de forma visceral, da cultura educacional em geral, mas principalmente de pessoas firmemente imbuidas do sentimento pátrio e da consciencia de cidadania, acima de marcas, simbolos e até mesmo idelogias divisionistas, comprovadamente inocuas para atingir o todo dos cidadãos. Acredito que só com ousadias assim provocaremos a evolução da sociedade. Para mim ela só virá da propria conciência de cidadania do da qual fazemos parte.

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«The Decline and Fall of Policarpo Quaresma Jr.» « The New World Lusophone Sousaphone

11 de agosto de 2012 às 10h22

[…] I did get a chance to read the following blog entry by Leandro Fortes, the magazine’s veteran investigative […]

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Roberto Locatelli

11 de agosto de 2012 às 10h17

Como bem colocou o Assalariado, em comentário aqui, a corrupção é endêmica no sistema capitalista. A corrupção FAZ PARTE do capitalismo.

A direita tenta nos convencer que corrupção é uma anomalia, uma excrescência. Quando, na verdade, é o lubrificante das engrenagens do sistema. Por isso, essa relação Veja / Cachoeira existe. É semelhante à relação do PIG com os demotucanos: troca de favores.

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oziel f. albuquerque

11 de agosto de 2012 às 09h20

Espero que a CPI reaja contra a veja.

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Antônio

11 de agosto de 2012 às 09h04

A RECORD ESTÁ DE PARABÉNS

Produziu um matéria com a matéria acima. Veja o vídeo em http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/08/10/tv-record-flagra-policarpo-e-cachoeira-denovo/

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Leonardo Meireles Câmara

11 de agosto de 2012 às 01h44

Prezado Azenha,

Senti nesse momento um impulso irresistível de prestar um merecida homenagem. Realmente, teu blog é o melhor. Tem os melhores comentarista e não tem tema tabu. Fora isso, a pauta é fantástica. Meu parabéns pra você e a Conceição.

Abs.

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    smilinguido

    11 de agosto de 2012 às 08h40

    Cuidado com esses impulsos irresistíveis Leo; enquanto forem de simples babação de ovo, tudo (mais ou menos) bem…mas isso pode tomar formas mais perigosas

    Julio Silveira

    11 de agosto de 2012 às 10h37

    Se fosse um critica sordida você ficaria mais feliz?

Mancini

11 de agosto de 2012 às 01h18

Azenha, o combativo Novojornal continua denunciando as maracutaias, para não se dizer outra coisa, do desgoverno mineiro, reproduzimos. E mais, novas gravações do jornalista com Cahoeira e o ex-senador foram parar na TV. Incorporamos. http://refazenda2010.blogspot.com

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Antonio

11 de agosto de 2012 às 01h09

Triste para um país que tem como mídia a Globo, Folha, Veja, Estadao pois estao mais para o crime organizado que para o jornalismo informativo ético. Triste para um país ter como ministro do STF, mais uma bomba relógio colocada pelo sr fhc (minúsculo de propósito), Gilmar Mendes que recebeu dinheiro da Lista de Furnas e do mensalao tucano. Triste de um país que tem como vice Michel Temer. Triste de um país que um MPF comandado por Gurgel. Triste para um país que tem os juízes do nosso Poder Judiciário. Só espero ainda viver para ver o fim dessa cambada, como disse F. Collor.

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Antonio

11 de agosto de 2012 às 01h03

Só uma palavra para o Leandro – brilhante! Além disso este Jornalista, com J maiúsculo, é um dos baluartes da ética no jornalismo.

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Diniz

11 de agosto de 2012 às 00h55

A revista Carta Capital desta semana é emblemática e definitiva. Mostra com clareza e com provas (gravaçoes da PF) o pedido de Policarpo Jr. (editor-chefe da Veja) para Cachoeira COMETER UM CRIME. E com mais provas mostra o pedido de Cachoeira para Policarpo Jr. NÃO REVELAR SEUS PRÓPRIOS CRIMES. Com esta espúria relação, Veja se associou e contribuiu para que a quadrilha de Cachoeira ganhasse enorme poder, resultando em enormes assaltos ao patrimônio público. A partir desta revelação bombástica de Carta Capital, não há mais desculpas, ASSINANTES DE VEJA ESTÃO COLABORANDO COM O CRIME ORGANIZADO !!

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Messias Franca de Macedo

11 de agosto de 2012 às 00h42

SOBRE AS [SÓRDIDAS E NEFASTAS] MÃOS (IN)VISÍVEIS DO GOLPISMO/TERRORISMO!

*Metacarpo,
**Carpo,
Falanges midiáticas,
A [indecorosa e golpista] ‘Veja’
Tomou no
Policarpo!
(Algema é pouco!)

*me.ta.car.po
sm (meta2+carpo2) Anat Parte da mão, entre o carpo e os dedos;
**O pulso ou a parte dos membros dianteiros entre o antebraço e o metacarpo

República Destes Bananas Golpistas, terroristas de meia-tigela!
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Marat

10 de agosto de 2012 às 23h40

Leandro Fortes ARRASADOR!
Vamos convocar o Poli, de muitos tentáculos passar pelo polígrafo!

Responder

Fabio Passos

10 de agosto de 2012 às 23h03

Responder

FrancoAtirador

10 de agosto de 2012 às 20h36

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STJ
DECISÃO

Intempestividade de recurso restabelece caráter absoluto da presunção de violência em estupro de menor

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu que os embargos de divergência que questionavam o caráter absoluto da violência presumida em estupro de menores de 14 anos foram apresentados fora do prazo legal.

Assim, no processo em julgamento, volta a valer a decisão anterior da Quinta Turma, afirmando a presunção absoluta da violência.

Com o resultado, o caso deve retornar ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para que seja novamente julgada a apelação do Ministério Público estadual.

O réu havia sido inocentado na primeira instância por atipicidade da conduta, em vista do consentimento das menores com a relação sexual. A apelação do Ministério Público paulista foi negada com a mesma fundamentação.

Em recurso especial, a Quinta Turma determinara o retorno do caso ao TJSP, para que julgasse a apelação observando a impossibilidade de afastamento da presunção de violência em razão de eventual consentimento de menor de 14 anos em manter a relação sexual.

Recurso impertinente

A defesa recorreu com agravo regimental contra o acórdão da Quinta Turma, que foi inadmitido, por ser um tipo de recurso cabível apenas contra decisão individual de relator. A defesa contestou essa decisão com embargos de declaração, que foram também rejeitados.

Na sequência, a defesa apresentou embargos de divergência, apontando interpretação diferente da lei entre a decisão da Quinta Turma e uma outra da Sexta Turma. No final de 2011, a Terceira Seção fez prevalecer o entendimento pela relatividade da presunção de violência nessas hipóteses.

Naquele julgamento, ao interpretar o artigo 224 do Código Penal – revogado em 2009, mas em vigor na época dos fatos –, a Seção definiu que a presunção de violência no crime de estupro quando a vítima é menor tem caráter relativo e pode ser afastada diante da realidade concreta.

O artigo 224 dizia: “Presume-se a violência se a vítima não é maior de catorze anos.” O réu foi acusado de ter tido relações sexuais com três menores, todas de 12 anos, mas as instâncias ordinárias da Justiça paulista o inocentaram com base em provas de que as meninas já se prostituíam desde antes.

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com embargos de declaração contra o resultado do julgamento na Terceira Seção.

De acordo com o ministro Gilson Dipp, tendo em vista que o primeiro recurso apresentado contra a decisão da Quinta Turma (agravo regimental) era manifestamente impertinente, ele não suspendeu nem interrompeu o prazo para interposição de outros recursos.

Prazos

Para o ministro, o julgamento pela Quinta Turma do agravo regimental e dos embargos de declaração nessas condições não reabriu prazos para a oposição de embargos de divergência contra o mérito do recurso especial. Os embargos de declaração opostos contra o julgamento do agravo regimental manifestamente incabível não integrariam o acórdão sobre o mérito do recurso especial.

Como o acórdão do recurso especial foi publicado em 4 de outubro de 2010 e os embargos de divergência só foram apresentados em 3 de maio de 2011, muito depois do prazo legal (vencido em 19 de outubro de 2010), esse recurso foi intempestivo.

A Seção, por maioria, seguiu esse entendimento. Ao julgar os embargos de declaração do MPF, o ministro Dipp observou que a decisão nos embargos de divergência foi omissa quanto à questão do prazo de interposição desse recurso, alegada pelo Ministério Público em suas contrarrazões.

O número deste processo não é divulgado em razão de sigilo judicial [por envolver menores à época dos fatos].

http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=106593

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/anulada-decisao-do-stj-sobre-estupro-de-meninas-de-12-anos

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FrancoAtirador

10 de agosto de 2012 às 20h22

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Cresce pressão para convocação de Policarpo à CPMI do Cachoeira

Estudo aponta que Policarpo Júnior, jornalista da Veja, determinava linhas de trabalhos da organização de Carlos Cachoeira, extrapolando a relação jornalista-fonte. Parlamentares cobram a convocação do jornalista, que deverá ser decidida na próxima terça-feira (14). “Este estudo demonstra um envolvimento pessoal de Policarpo com a quadrilha, que foi muito além da relação jornalista-fonte. Ele deve, sim, explicações ao país”, sustenta o deputado Dr. Rosinha (PT-PR).

Por Najla Passos e Vinicius Mansur, na Carta Maior

Brasília – O diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Junior, não apenas usava a organização criminosa liderada por Carlinhos Cachoeira como fonte jornalística, mas também solicitava serviços à quadrilha, que iriam embasar as matérias ditas jornalísticas que a revista publicaria dias depois. É o que mostra um estudo realizado pela assessoria técnica da CPMI do Cachoeira (que envolve técnicos da Policia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas da União (TCU), entre outros), a pedido do deputado Dr. Rosinha (PT-PR).

“Este estudo demonstra um envolvimento pessoal de Policarpo com a quadrilha, que foi muito além da relação jornalista-fonte. Ele deve, sim, explicações ao país”, sustenta.

O deputado protocolou, nesta sexta, (10) novo pedido de convocação do jornalista de Veja. O assunto será discutido pela comissão em reunião administrativa, na próxima terça (14). O primeiro foi apresentado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), mas nem chegou a ser apreciado, por decisão da maioria dos membros.

Com as conclusões do estudo, Dr. Rosinha acredita que a grande resistência que alguns parlamentares tinham à convocação de Policarpo será quebrada.

“Alguns membros, como Miro Teixeira, argumentavam que a convocação de jornalistas atentaria contra a liberdade de expressão, mas o estudo demonstra que estamos tratando de uma pessoa tão envolvida com a quadrilha que chegava a determinar suas linhas de trabalhos. Policarpo precisa explicar se participava da organização criminosa, se a usava para atingir seus interesses ou se era usado por ela”, acrescenta.

O deputado explica que o estudo se baseia na análise das gravações realizadas pela Polícia Federal (PF), que foi autorizada judicialmente a grampear os telefones dos então supostos membros da quadrilha, durante as Operações Vegas e Monte Carlo.
Para surpresa geral, acabaram flagrando várias conversas entre eles, inclusive Cachoeira, com Policarpo de Veja.

Dr. Rosinha conta também que o estudo não apresenta nenhum diálogo novo, que ainda não tenha sido divulgado pela imprensa. Sua originalidade reside no fato de que cruza os diálogos flagrados pelas escutas com o material jornalístico divulgado posteriormente pela revista Veja.

“O cruzamento nos permite dimensionar o envolvimento do Policarpo”, esclarece.

O deputado admite também que, até o momento, as provas não implicam na participação de outros diretores ou da família Civita, proprietária do Grupo Abril, que edita Veja, com o esquema.

“É difícil acreditar que a direção da revista desconhecia o nível da relação de Policarpo com a quadrilha, mas ainda não temos provas definitivas do contrário”, esclarece.

Pressão

A pressão para a convocação de Policarpo Júnior à CPMI do Cachoeira cresce no Congresso Nacional. Na última terça-feira (7), o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (PT-SP), afirmou da tribuna que já passou da hora de convidar o jornalista para esclarecimentos.

“É impressionante a capacidade que este jornalista tem de estar em coisa enrascada. Eu não sei se ele está envolvido ou não, mas tudo que tem enrosco, grampo e arapongagem ele está dentro. E paira uma dúvida, se é como jornalista ou membro do crime organizado”, disse.

Já o senador Fernando Collor (PTB-AL), em discurso nesta sexta-feira (10), no plenário do Senado, disse não ter dúvidas de que Policarpo Júnior pertence à quadrilha e reforçou a tese de Rosinha, afirmando que o jornalista ora recebia encomendas da organização de Cachoeira, ora pedia a eles que grampeassem parlamentares e outras pessoas, “o que servia aos interesses políticos e interesses comerciais dessa verdadeira cambada”, disparou.

Segundo o senador, há uma clara relação de dependência entre a organização criminosa e a revista Veja desde 2004, pelo menos, e já é hora de Policarpo Júnior prestar informações sobre as mais de 100 interceptações telefônicas dele com integrantes da organização criminosa. As razões apontadas são a gama de informações que ele dispõe, em segundo porque já não existiria nenhum sigilo da fonte a ser preservado, uma vez que a relação já é pública e admitida pelo próprio veículo e, em terceiro, porque ele não tem motivos para se calar na CPMI, como outros depoentes convocados tem feito. “Não são os meios [de comunicação] que insistem em afirmar que a CPMI não deseja aprofundar as investigações? Eu desejo aprofundar as investigações”, provocou.

Outro fato que reacendeu a possibilidade de convocação de representantes da revista Veja à CPMI do Cachoeira foi a denúncia feita pelo juiz da 11º Vara Federal de Goiânia, Alderico Rocha Santos.
De acordo com o juiz, a esposa de Cachoeira, Andressa Mendonça, o teria chantageado, em troca de vantagens para seu marido, com a divulgação, na revista Veja, de um dossiê que o comprometeria.

Em sua última edição, a revista Veja se defendeu afirmando, entre outras coisas, não fazer e não divulgar dossiês. “Quem pode acreditar nesta balela?”, questionou Collor da tribuna do Senado.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20700

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Fabio Passos

10 de agosto de 2012 às 19h56

Dr Rosinha é mais uma vez motivo de orgulho para seus eleitores!

Os bandidos policrápula jr e rupert civita vão ter de depor na CPI.

É dever da CPI alertar os leitores mal instruídos desta revista vagabunda que tem sido feitos de palhaços por uma organização criminosa.

Responder

Fredão

10 de agosto de 2012 às 18h51

Que a revista Veja é sórdida nós sabemos (basta lê-la), mas o que queremos ver mesmo é alguém punir os responsáveis pela sordidez. Se o governo que foi vítima dessa publicação nomeou os amigos dela para os mais altos cargos da república, é lógico que não haverá punição. Melhor mesmo é que o PT aprenda a governar com seus quadros ao invés de alugar cargos para seus opositores.

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Roberto Locatelli

10 de agosto de 2012 às 17h18

Agora é que saberemos para que lado vai o PT:

– para a direita, abafando qualquer tentativa de chamar Policarpo (o “Poli”, ou “caneta”, como se referem a ele os outros membros da quadrilha);

– ou para a esquerda, votando favoravelmente à convocação de Policarpo.

Responder

assalariado.

10 de agosto de 2012 às 15h14

Tudo é compreensivel para quem pensa dentro da ciencia e da lógica capitalista. Ou seja, pessoas que pensam individualista, egoista, sempre estão e estarão, nas prateleiras do deus mercado para serem consumidos, comprados pela burguesia capitalista e seus serviçais. Como eles mesmos dizem, cada um tem seu um preço. Para quem tá cooptado por esta ideologia, isso é um prato cheio. Sim, estes são os corruptores da sociedade e do Estado, nunca colocados como a bola da vez para serem desmascarados. Por que será?

Quem pensa capitalista nunca faz conluio com seu semelhante, faz sim, locupletação, porque possuem a mesma doutrina ideologica, se completam. Nisso não vejo nada demais, estão dentro dos seus princípios filosóficos rasteiros de como ser, um ser. Bobo é aquele quem acredita que um dia estes burgueses vão atuar de forma diferente dentro desta sociedade. É assim tempo inteiro esta locupletação entre midia, oposição Udenista, mais os udnenistas infiltrados e escondidos dentro do governo. A burguesia atua em varias frentes ao mesmo tempo, com varias camisas, dentro do Estado e da sociedade, porém nunca visivel.

Se não perceberam, então comecem a observar. Ou então leiam: Karl Marx, Antonio Gramsci, Rosa Luxemburgo, … Enfim, a biblioteca internética está cheia, sirvam -se.

Saudações Socialistas.

Responder

    Amilcar Faria

    10 de agosto de 2012 às 17h04

    Grande lucidez do comentarista aliada, aparentemente, a grande cegueira (causada por ingenuidade ou militância dogmática).

    Mesmo tendo votado em Lula no primeiro mandato e sendo simpático à causa da melhor distribuição de renda, da melhoria da qualidade de vida dos menos desvalidos de toda sorte, não posso deixar de me sentir ultrajado pelas palavras do “deus” do partido vermelho que se arvorou “o homem mais ético do Brasil”, quando tanta corrupção fez florescer (fingindo desconhecer, dizendo-se traído, mas sem punir os traidores, antes, defendendo-os ao fervor).

    A corrupção dos outros políticos/partidos era previsível, esperada até, mas a dele era imperdoável, traiçoeira, afrontosa a uma ética pregada e explorada para explorar os votos ingênuos e esperançados.

    http://amilcarfaria.blogspot.com.br/2012/07/topicos-para-uma-reforma-politica.html

    Roberto Locatelli

    10 de agosto de 2012 às 18h25

    Amilcar, você é tucano de corpo e alma. Visitei o seu link “Tópicos para uma Reforma Poítica”. E o que encontrei?

    – “Fim da reeleição para cargo majoritário”. “Apenas uma reeleição para cargos legislativos”. Ou seja, a população fica proibida de votar em quem ela quiser. É o sonho da direita sulamericana.

    – “Voto distrital”. Se ele fosse implantado, acabou-se o princípio de que os votos de todos os eleitores são iguais. A direita sonha todos os dias com o voto distrital.

    – “Revogabilidade do mandato”. Ué? Chávez implantou isso na Venezuela e vocês o chamam de “ditador”.

    ____________________
    Quanto ao voto distrital, recomendo a todos baixar uma planilha do Excel que criei para mostrar as graves distorções que ele traria. Coloquei no adrive:
    http://www.adrive.com/public/m7HsGs/voto-distrital.xls

    abolicionista

    10 de agosto de 2012 às 19h25

    “Votei no Lula”? Meu caro, nunca ouviu dizer que a mentira tem pernas curtas?rs

    assalariado.

    10 de agosto de 2012 às 20h00

    Caro Amilcar, os corruptores da sociedade e do Estado constituido estão ligados diretamente (NÃO) a um partido especifico. Os corruptores e seus filhos geneticos, tem ligação direta e umbilical, com a ideologia da burguesia capitalista, e isto implica em dizer que, se voce adotar esta ideologia do modo de produção capitalista, vem junto no mesmo pacote, voce vender sua alma para o capeta. Sim, mais conhecido como o capeta -lismo.

    Abraços.

    Roberto Locatelli

    10 de agosto de 2012 às 17h15

    Assalariado, você tocou num ponto importante: o capitalismo PRECISA desse tipo de gente. Ainda mais nesta fase de degenerescência, o capitalismo PRECISA de gente desonesta para conseguir uma sobrevida.

    assalariado.

    10 de agosto de 2012 às 20h40

    Caro Locatelli, obrigado pela sugestão do link.

    Saudações Socialistas.

O TRISTE FIM DE POLICARPO JR. « andradetalis

10 de agosto de 2012 às 15h07

[…] mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar. Leia mais  Like this:LikeBe the first to like […]

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A mídia descontrolada

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