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CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia


26/05/2012 - 15h27

Política| 24/05/2012 | Copyleft

CPMI convocou jornalista. Mas não era Policarpo…

Nesta quinta (24), a cadeira destinada aos depoentes da CPMI do Cachoeira abrigou um jornalista, mas nenhum parlamentar ou órgão de imprensa reclamou. O jornalista era o ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Jairo Martins de Souza, acusado de integrar a quadrilha do contraventor. Seu advogado afirmou que ele abastecia a mídia com informações de interesse do contraventor.

Najla Passos e Vinicius Mansur, na Carta Maior

Brasília – Nesta quinta (24), a cadeira destinada aos depoentes da CPMI do Cachoeira abrigou um jornalista formado pela Faculdade Icesp, de Brasília, registrado na Delegacia Regional do Trabalho sob o número 6704/15/147-DF. Não houve nenhum protesto, por parte dos parlamentares ou da mídia tradicional, em função de um membro desta categoria profissional ter sido convocado. Nem mesmo daqueles que afirmavam, reiteradamente, que jornalistas seriam impedidos de depor por força de lei.

O jornalista não era o diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Junior, que manteve relações sistemáticas com Cachoeira nos últimos anos, conforme revelam as escutas telefônicas realizadas com autorização judicial pela Polícia Federal (PF). Mas sim o ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Jairo Martins de Souza, preso em janeiro, durante a Operação Mote Carlo, sob a acusação de integrar a quadrilha do contraventor. Mais especificamente, de atuar como um dos dois “espiões” do crime organizado. O outro seria o colega que se sentou ao lado dele na CPMI, o sargento da Aeronáutica Idalberto Marias de Araújo, o Dadá.

A dupla reivindicou o direito constitucional de permanecer calada, tal como o fez o chefe deles na terça (22). Mas o advogado dos dois, Leonardo Gagno, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que o trabalho deles consistia em levantar informações para abastecer a imprensa. Segundo o advogado, “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios. O Cachoeira é um negociante habilidoso. Penso que usava isso como arma de negociação”. 

O fato do jornalista Jairo ter sido convocado para depor coloca por terra o argumento utilizado sistematicamente pela oposição de que jornalista é impedido de ser convocado por CPIs e reforça as denúncias de que Cachoeira era fonte preferencial de órgãos da mídia tradicional tidos como dos mais influentes. Mas ainda é cedo para saber se o jornalista Policarpo será merecedor do mesmo tratamento.

Jairo e Policarpo se conhecem. Ao que tudo indica, trocavam informações com frequência. Ambos, inclusive, já depuseram antes no parlamento, sobre questões que envolviam Carlinhos Cachoeira e a imprensa. Jairo, na CPI dos Correios, em 2005. Policarpo, no Conselho de Ética da Câmara, no mesmo ano. 

Jairo afirmou aos deputados que havia “facilitado” o acesso de Policarpo à gravação clandestina do diretor dos Correios, Maurício Marinho, no momento em que este recebia propina.

O fato marcou o início do escândalo batizado posteriormente de “mensalão”. 

Já Policarpo ajudou Cachoeira a comprovar que era vítima de chantagem pelo deputado André Luiz, que acabou cassado. O caso havia sido publicado pela revista Veja, com exclusividade, pouco mais de três meses antes.



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29 comentários

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CPI não vota convocação de jornalista da Veja « Viomundo – O que você não vê na mídia

14 de agosto de 2012 às 17h39

[…] CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia […]

Responder

Jefferson diz que não vendeu voto e acusa Lula de ser o mandante de tudo « Viomundo – O que você não vê na mídia

13 de agosto de 2012 às 18h51

[…] CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia […]

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Leandro Fortes: Globo tenta salvar Policarpo Jr. com matéria plagiada de CartaCapital « Viomundo – O que você não vê na mídia

13 de agosto de 2012 às 13h47

[…] CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia […]

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Collor volta a atacar no Senado « Viomundo – O que você não vê na mídia

10 de agosto de 2012 às 15h02

[…] CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia […]

Responder

ricardo silveira

10 de agosto de 2012 às 14h39

Continuo achando que bandido é bandido e jornalista é jornalista. E tem bandido que vai à CPMI e tem bandido que não vai. Esses da grande mídia golpista não vão e, se forem, serão devidamente protegidos por alguns parlamentares da CPMI que lá estão para protegê-los.

Responder

Leandro Fortes: Sobre a capa de CartaCapital « Viomundo – O que você não vê na mídia

10 de agosto de 2012 às 12h04

[…] CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia […]

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Paulo Teixeira: Chegou a hora de convocar diretor da Veja « Viomundo – O que você não vê na mídia

31 de julho de 2012 às 01h23

[…] CPI já convocou jornalista. E ele abastecia a mídia […]

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flavio

29 de maio de 2012 às 14h19

P.Q.P….de onde surgiu este GIL ROCHA????

Responder

Taques

27 de maio de 2012 às 19h31

Como Carlinhos Cachoeira conseguiu 15 milhões de reais para pagar o consultor de Lula, o advogado Márcio Thomaz Bastos?

Para os progressistas o jornalista Policarpo cometeu um crime pois recebia informacões de um contraventor.

Quem recebe 15 milhões de reais de um contraventor é o quê?

Responder

    Alex Gonçalves

    27 de maio de 2012 às 23h05

    “Como Carlinhos Cachoeira conseguiu 15 milhões de reais(?)”

    Você tem certeza mesmo que quer fazer trolagem com uma pergunta tão estúpida de entrada?

alício

27 de maio de 2012 às 15h20

Ah, se os norte-americanos souberem da existência do GIL ROCHA buscá-lo para análise, será dessecado e comprovarão a existência de vida fora da terra.

Responder

alício

27 de maio de 2012 às 15h15

DESCOBRIU-SE ESSA SEMANA QUE MARTE TEM CONDICÃO DE TER VIDA VIDA HUMANA. ESSE GIL ROCHA DEVE TER CAÍDO DE MARTE HÁ POUCO TEMPO. DEIXE-O EM PAZ, É O PRIMEIRO EXTRATERRESTE VINDO DO PLANETA psdb/dem/pps. A fila anda, estamos na terra!

Responder

Fabio Passos

27 de maio de 2012 às 12h29

Correto.

A CPI já ouviu um “jornalista” da quadrilha de carlinhos cachoeira: jairo martins de souza.
Por que a dificuldade em ouvir outros “jornalistas” envolvidos com carlinhos cachoeira: policrápula jr e rupert civita?

Só metade da quadrilha pode ir a CPI e acabar em cana por seus crimes?
Trabalhar na #VejaBandida é álibi prá ser bandido?

Responder

Abrao

26 de maio de 2012 às 21h08

Acredito que o desespero da veja em procurar por todos os meios sair da berlinda, indica um final melancolico pra essa revistinha. Seu problema maior nem sao as gravaçoes que certamente virao a tona… É a força que a internet demonstra hoje atraves dos blogs e midias sociais. Essa noticia do Gilmar x Lula em outros tempos reverbaria e hoje já está liquidada em poucas horas.

Responder

    Fabio Passos

    27 de maio de 2012 às 12h30

    A internet está dando uma sova no PIG.
    Hoje apenas imbecis ainda defendem a #VejaBandida. rsrs

nonato barboza

26 de maio de 2012 às 20h13

O Gil Rocha, O Policarpo é tão inocente que a chamada grande mídia resolveu blindá-lo? Ora, um inocente não precisa temer nada. Vai ver que a dupla Cachoeira/Policarpo, na visão míope do Gil, deveria ser condecorada. Só falta explicar essas cinco capas “frias” da Veja, ignorando completamente as estripulias do Cachoeira e sua quadrilha “brilhante”, a começar pelo senador Demóstenes, o inocente, o homem mais probo, o mosqueteiro de Goiânia.

Responder

    Gil Rocha

    27 de maio de 2012 às 06h00

    Pois é, mas onde estão as gravações?
    Capas frias?
    Sei, de tão frias os denunciados deixaram
    os cargos e estão fazendo o que?
    Algum deles processando a revista?
    Porque eu realmente não sei, talvez possa
    me informar quantos dos denunciados estão
    processando a revista por calúnia, difamação,
    falsas acusações, provas plantadas e etc.

    abolicionista

    31 de maio de 2012 às 12h48

    Então vá se informar.rs

    abolicionista

    31 de maio de 2012 às 13h18

    Em ligação telefônica no dia 9 daquele mês, às 22:59, Cachoeira diz ao senador Demóstenes Torres (então do DEM, hoje sem partido):
    “É o seguinte: eu vou lá no Policarpo amanhã, que ele me ligou de novo, aí na hora que eu chegar eu te procuro.”
    No dia 27 de abril, Cachoeira anunciou outro encontro com o jornalista. Em uma ligação interceptada às 07:22, o inquérito da PF relata: “Carlinhos diz que vai almoçar com a prefeita de Valparaíso e com Policarpo da revista Veja”. Às 09:02, o contraventor avisa a Demóstenes de novo almoço com Policarpo, desta vez acompanhados da prefeita de Valparaíso (GO). “Eu vou almoçar com o Policarpo aí. Se terminar o almoço e você estiver lá no apartamento eu passo lá”, disse Cachoeira ao senador, que respondeu: “Ok… o Policarpo me ligou, tava procurando um trem aí. Queria que eu olhasse pra ele algumas coisas. Pediu até pra eu ligar para ele mais tarde, não quis falar pelo telefone”.
    Em ligação do dia 8 de maio, às 19:58, Cachoeira diz ao diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, que Demóstenes vai trabalhar nos bastidores do Senado para abafar a reportagem.
    No dia 9, às 23:07, Cláudio pergunta ao bicheiro se ele irá “no almoço com aquele Policarpo” no dia seguinte. Cachoeira responde: “Ah o Policarpo eu encontro com ele em vinte minutos lá no prédio, é rapidinho”.
    No dia 10, às 14:43, Cachoeira relata a Cláudio a conversa que teve com Policarpo sobre a reportagem. A conversa, entretanto, não é detalhada pelo inquérito da PF ao qual a reportagem de Carta Maior teve acesso.
    No dia 11, às 09:59, Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela PF como braço de direito de Cachoeira, conta ao bicheiro que conversou com repórter da Veja, Hugo Marques, que lhe revelou que o alvo de sua reportagem era “Zé Dirceu e não a Delta”.
    O quarto encontro foi com Cláudio Abreu. No dia 29 de junho de 2011, às 19:43, Cláudio disse a Cachoeira que esteve com Policarpo e passou informações sobre licitação da BR 280. As informações foram parar na reportagem “O mensalão do PR”, publicada na edição 2224 da revista Veja e que deu origem as demissões no Ministério dos Transportes.
    No dia 7 de julho, às 09:12, Cláudio conta a Cachoeira que “o JR quer falar” com ele. Cláudio: “…to tomando um café aqui, eu, Heraldo e o Dadá, esperando ele.”
    Cachoeira: “Que que é JR?”
    Cláudio: “PJ, né amigo.”
    Cachoeira: “PJ?”
    Cláudio: “Pole.”
    Cachoeira: “O que?”.
    Cláudio: “Engraçado lá, Carlinhos. Policarpo, porra.”
    No dia 26 de julho de 2011, Policarpo perguntou a Cachoeira, em telefonema às 19:07, como fazer para levantar umas ligações entre o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) e “gente da Conab”. Seis dias antes, a Veja publicou a reportagem “Quiproquó no PMDB”, denunciando o então diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, por desvio de dinheiro público. Juca neto pediu demissão um dia depois.
    No dia 28, às 17:19, uma ligação interceptada pela PF entre Jairo Martins, o araponga de Cachoeira, e uma pessoa identificada apenas como “Editora Abril” é sucintamente resumida pela palavra “encontro”.
    No dia 29, às 20:56, Jairo adianta a um homem chamado Paulo Abreu que a edição de Veja do final de semana “baterá na Conab”, como aconteceu através da reportagem “Dinheiro por fora”. A reportagem traz informações sobre a relação da empresa favorecida pela Conab e o financiamento de campanha de Jovair e de outros políticos de Goiás.
    Nos documentos apurados por Carta Maior ainda consta uma ligação telefônica entre Demóstenes e Cachoeira, no dia 18 de agosto de 2011, às 09:34, na qual o senador relata que um repórter da Veja chamado Gustavo está atrás de um “Evangivaldo” e pergunta: “Tem alguma coisa contra esse homem?”. Cachoeira responde: “vou ver aqui e já te falo”. O presidente da Conab na ocasião se chamava Evangevaldo Moreira dos Santos. Ele permaneceu no cargo até 17 de fevereiro deste ano. Em sua carta de demissão, encaminhada à presidente no dia 10, o ex-funcionário disse que “tem sido usado como instrumento de adversários políticos que vislumbram as eleições municipais” em Goiânia.
    Se quiser, eu continuo… E aí, ainda não acredita que isso mereça ser investigado?

Gil Rocha

26 de maio de 2012 às 15h53

Mas eu não entendi, estava na CPMI
como jornalista ou como araponga?
E sempre lembrando que, “Policarpo Junior,
que manteve relações sistemáticas com Cachoeira
nos últimos anos, conforme revelam as escutas telefônicas
realizadas com autorização judicial pela Polícia Federal”,
eu acho que só a Carta Maior tem estas “escutas sistemáticas”.
Eu posso estar enganado, mas as escutas até agora são uma ou duas.
E as conversas sistemáticas até agora, não dão nem um minuto.
Eu continuo impressionado com essa luta em convocar o Policarpo na
CPMI.
Mas até que é engraçado.

Responder

    Gilberto Silva

    26 de maio de 2012 às 16h42

    Acho que vc não esta vivendo no mesmo planeta que nós.
    Ou vc se abastece de informações em fontes duvidosas e pigonianas.
    O Policarpo tá teve dezenas de dialogos citados em tudo quanto é blog.
    Agora se vc quer ver alguma coisa na Veja ou na Globo para creditar que é verdade , só lamento.

    Gil Rocha

    26 de maio de 2012 às 17h49

    É mesmo Gilberto?
    Podia colocar os links destes
    blogs aqui.
    Eu prometo que vou acessar todos,
    ouvir estas dezenas de diálogos do
    Policarpo e volto para me desculpar.
    Pode ser?

    Elza

    26 de maio de 2012 às 18h23

    Tenho uma leve impressão que vc é o Fake desse Policarpo. Caracas cara, vc torce tudo. Ñ vou explicar nada, vc q/ queime os neurônios p/ entender.

    José Roberto-Sp

    27 de maio de 2012 às 01h20

    Será que ele tem neurônios?

    abolicionista

    26 de maio de 2012 às 18h35

    Também não tive acesso a essas gravações. De todo modo, li um trecho de uma gravação em que o Cachoeira “pautava” a revista Veja (ele mandava publicar uma matéria). Se isso não basta para colocar em dúvida a integridade do sujeito, não sei em que mundo estou vivendo. Responda sinceramente: você realmente acredita que o Policarpo não mantinha uma relação duvidosa e passível de ser esclarecida com Cachoeira?

    Gil Rocha

    26 de maio de 2012 às 19h15

    Acredito.
    E essa história de “pauta”, se
    não me engano, a conversa não era
    com nenhum jornalista.
    Ou estou enganado?

    Gil Rocha

    26 de maio de 2012 às 19h21

    E tem mais.
    Protógenes nas conversas
    gravadas com o Dadá por exemplo,
    tem muito mais intimidade com o araponga
    do que a única gravação do Policarpo com o
    Cachoeira.
    Protógenes deu uma desculpinha qualquer e
    ficou por isso mesmo.
    Não vi ninguém aqui falando nem cobrando nada dele.

    abolicionista

    27 de maio de 2012 às 11h15

    Em ligação telefônica no dia 9 daquele mês, às 22:59, Cachoeira diz ao senador Demóstenes Torres (então do DEM, hoje sem partido):
    “É o seguinte: eu vou lá no Policarpo amanhã, que ele me ligou de novo, aí na hora que eu chegar eu te procuro.”
    No dia 27 de abril, Cachoeira anunciou outro encontro com o jornalista. Em uma ligação interceptada às 07:22, o inquérito da PF relata: “Carlinhos diz que vai almoçar com a prefeita de Valparaíso e com Policarpo da revista Veja”. Às 09:02, o contraventor avisa a Demóstenes de novo almoço com Policarpo, desta vez acompanhados da prefeita de Valparaíso (GO). “Eu vou almoçar com o Policarpo aí. Se terminar o almoço e você estiver lá no apartamento eu passo lá”, disse Cachoeira ao senador, que respondeu: “Ok… o Policarpo me ligou, tava procurando um trem aí. Queria que eu olhasse pra ele algumas coisas. Pediu até pra eu ligar para ele mais tarde, não quis falar pelo telefone”.
    Em ligação do dia 8 de maio, às 19:58, Cachoeira diz ao diretor da construtora Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, que Demóstenes vai trabalhar nos bastidores do Senado para abafar a reportagem.
    No dia 9, às 23:07, Cláudio pergunta ao bicheiro se ele irá “no almoço com aquele Policarpo” no dia seguinte. Cachoeira responde: “Ah o Policarpo eu encontro com ele em vinte minutos lá no prédio, é rapidinho”.
    No dia 10, às 14:43, Cachoeira relata a Cláudio a conversa que teve com Policarpo sobre a reportagem. A conversa, entretanto, não é detalhada pelo inquérito da PF ao qual a reportagem de Carta Maior teve acesso.
    No dia 11, às 09:59, Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, tido pela PF como braço de direito de Cachoeira, conta ao bicheiro que conversou com repórter da Veja, Hugo Marques, que lhe revelou que o alvo de sua reportagem era “Zé Dirceu e não a Delta”.
    O quarto encontro foi com Cláudio Abreu. No dia 29 de junho de 2011, às 19:43, Cláudio disse a Cachoeira que esteve com Policarpo e passou informações sobre licitação da BR 280. As informações foram parar na reportagem “O mensalão do PR”, publicada na edição 2224 da revista Veja e que deu origem as demissões no Ministério dos Transportes.
    No dia 7 de julho, às 09:12, Cláudio conta a Cachoeira que “o JR quer falar” com ele. Cláudio: “…to tomando um café aqui, eu, Heraldo e o Dadá, esperando ele.”
    Cachoeira: “Que que é JR?”
    Cláudio: “PJ, né amigo.”
    Cachoeira: “PJ?”
    Cláudio: “Pole.”
    Cachoeira: “O que?”.
    Cláudio: “Engraçado lá, Carlinhos. Policarpo, porra.”
    No dia 26 de julho de 2011, Policarpo perguntou a Cachoeira, em telefonema às 19:07, como fazer para levantar umas ligações entre o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) e “gente da Conab”. Seis dias antes, a Veja publicou a reportagem “Quiproquó no PMDB”, denunciando o então diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, por desvio de dinheiro público. Juca neto pediu demissão um dia depois.
    No dia 28, às 17:19, uma ligação interceptada pela PF entre Jairo Martins, o araponga de Cachoeira, e uma pessoa identificada apenas como “Editora Abril” é sucintamente resumida pela palavra “encontro”.
    No dia 29, às 20:56, Jairo adianta a um homem chamado Paulo Abreu que a edição de Veja do final de semana “baterá na Conab”, como aconteceu através da reportagem “Dinheiro por fora”. A reportagem traz informações sobre a relação da empresa favorecida pela Conab e o financiamento de campanha de Jovair e de outros políticos de Goiás.
    Nos documentos apurados por Carta Maior ainda consta uma ligação telefônica entre Demóstenes e Cachoeira, no dia 18 de agosto de 2011, às 09:34, na qual o senador relata que um repórter da Veja chamado Gustavo está atrás de um “Evangivaldo” e pergunta: “Tem alguma coisa contra esse homem?”. Cachoeira responde: “vou ver aqui e já te falo”. O presidente da Conab na ocasião se chamava Evangevaldo Moreira dos Santos. Ele permaneceu no cargo até 17 de fevereiro deste ano. Em sua carta de demissão, encaminhada à presidente no dia 10, o ex-funcionário disse que “tem sido usado como instrumento de adversários políticos que vislumbram as eleições municipais” em Goiânia.

    Se quiser, eu continuo… E aí, ainda não acredita que isso mereça ser investigado?

    Marcelo

    27 de maio de 2012 às 18h13

    Para saber se uma visão é real ou ilusória, é preciso questionar se ela é baseado em fatos reais ou é uma distorção de sua realidade, fundamentada apenas em sua crença geradora dessa visão . Tudo o que você percebe só “é” dessa maneira em função do que você acredita e isso limita muito voce .


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