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Cíntia Peixoto: O descaso com as bolsas de pós-doutorado


08/09/2011 - 23h30

por Cíntia Peixoto, via e-mail

Gostaria de registrar minha denúncia com relação ao descaso da Secretaria de Ensino Superior (SESU-MEC) e da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] com os pesquisadores.

Como foi relatado no Viomundo, aqui, houve um atraso no pagamento das bolsas de pesquisa e ensino de pesquisadores de Pós-doutorado que recebiam bolsas Capes-Reuni [Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais], devido a falta de entendimento entre Capes e MEC [Ministério da Educação e Cultura] em relação às bolsas.

Como tambem foi relatado pelo Viomundo, aqui, a portaria foi publicada regulando as bolsas a partir de fevereiro, liberando assim os pagamentos atrasados de fevereiro e março, e tornando possível o pagamento em dia desde então.

Mas o que você não perceberam é que o drama não acabou!!!

A portaria foi publicada errada!

Os primeiros editais dessa bolsa foram lançados em 2010,  só na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) 18 pesquisadores(inclusive eu) já tinham projetos de pesquisa desde outubro/2010. Como a portaria só prevê o pagamento a partir de fevereiro, o mês de janeiro não foi pago!!!

E o empurra-empurra está novamente valendo….

Eles prometeram desde maio publicar uma Portaria Retificadora mas até agora nada!!!

A Sesu diz que é com a Capes, a Capes diz que está resolvendo, a pro-reitoria de pós diz que só pode esperar…

Não sei se existem mais pesquisadores no Brasil que tinham iniciado projetos antes de fevereiro, mas se existem estão certamente sem receber o  mês de janeiro.

E para os pagamentos, de todos, de 2012, sairem será necessaria uma nova portaria no começo do ano!

Sendo que a de 2011 nem foi corrigida!

Descaso total com pesquisadores!!!

Conto com o Viomundo pra denunciar a incompetência desses setores.

Obrigada

Cíntia Peixoto
Doutora em Matemática
Pesquisadora do Instituto de Matemática — UFRGS

PS do Viomundo:  Cíntia, eu entrarei hoje em contato com a Capes e a Sesu, pra saber o que têm a dizer e como resolverão essa situação. Pesquisadores que estejam na mesma situação, por favor, relatem nos comentários. Abs, Conceição Lemes

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5 comentários

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Pedro

10 de setembro de 2011 às 17h08

Estou na mesma situação. Não recebi janeiro, não há explicações a não ser uma portaria que não sai nunca. É um absurdo. Minha bolsa começou em novembro do ano passado.

Responder

Miguel

10 de setembro de 2011 às 12h50

Pior do que ter bolsa e não receber, é nem ter bolsa, pouco se fala sobre a falta de bolsas nos programas de pós graduação. A capes libera os bolsista de mestrado e doutorado para trabalharem, em vez de aumentar o valor das bolsas existentes e tentar aumentar o número delas, ou seja, também existe uma desigualdade dentro dos próprios programas, se vc não passar entre os primeiros, ferrou!

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Doutoranda da USP

09 de setembro de 2011 às 23h31

Outro absurdo são as bolsa de doutorado sanduíche, o chamado PDEE. Anuncia-se o Programa Ciência sem Fronteiras, 24,6 mil bolsas para doutorado sanduíche, mudança do programa, mas a realidade é bem outra.

Para a emissão do visto J1, requerido para o período de estágio de doutorado nas universidades americanas, a maioria das universidades americanas solicita a comprovação de pelo menos USD 2000/mês de fundos para que se mantenha no país e cubra as necessidade básicas durante o estágio, enquanto que a bolsa de doutorado sanduíche é de USD 1300/mês + USD 90 para o seguro saúde.

Ou seja, um programa de mentira, porque nem a bolsa é suficiente para a emissão do visto, que consequentemente impede a entrada do aluno de doutorado no país e assim, a realização do próprio estágio.

Se o aluno não contar com fundos próprios e mais ainda, não tiver como provar pelo menos esta diferença em investimentos de alta liquidez de pelo menos USD 610 vezes o número de meses que realizará o doutorado sanduíche , nem o visto para a entrada no país consegue, o que dirá manter-se nos Estados Unidos, pagando moradia, alimentação e transporte.

É importante que a sociedade conheça o que está por trás destas 24,6 mil bolsas de doutorado sanduíche anunciada pelo nosso ministro da Ciência e Tecnologia Aluízo Mercadante: bolsas insuficientes e que não permitem a saída do jovem pesquisador brasileiro para que tenha sua formação complementada.

Doutoranda da USP

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João Luiz cardoso

09 de setembro de 2011 às 23h19

A veneranda Capes não aprende mesmo. As propostas contempladas para estudo de venenos e toxinas no processo 0063/2010 tiveram de tudo, desde fumaças de nepotismo até contemplação de pesquisadores que em trabalhos recentes cometeram graves erros e desatinos, alterando propostas originais e errando nos métodos, até questionamentos corporativos internos daqueles que, com justiça, se sentido prejudicados, recorreram a nova avaliação e, surpreedetemente foram incluídos entre os vitoriosos. É preciso uma revisão técnica do que aconteceu com tanto veneno. (Aqui me desculpo pelo duplo, e real, sentido do que foi anteriormente escrito).
Que se reveja todo o processo de "premiação" nos projetos com as toxinas enviados no final de 2010 feitos pela ínclita entidade.

João Luiz Cardoso
Instituto Butantan Hospital Vital Brazil
( a proposito, sem nenhum projeto em tela)

Responder

caioha

09 de setembro de 2011 às 01h41

Será que irei receber minha bolsa do PIDIB? E os 3,1 Bi que a Educação perdeu? Tempos de crise e muita confusão.Enfim, belo novo mundo.

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