Lobby do agronegócio pressiona editoras para substituir ‘agrotóxico’ por ‘defensivo agrícola’ nos livros didáticos

Tempo de leitura: 2 min
Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Professor da USP denuncia lobby do agronegócio para censurar livros didáticos e ocultar consenso científico

Daniel Cara alerta que setor pressiona editoras a substituir ‘agrotóxico’ por ‘defensivo agrícola’ e omitir impactos

Por José Bernardes e Tabitha Ramalho, em BdF

As salas de aula enfrentam uma nova batalha silenciosa, segundo o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Ele revela que editoras de livros didáticos estão sendo pressionadas por lobistas do agronegócio a substituir termos científicos consolidados, como “agrotóxico”, por eufemismos como “defensivo agrícola”.

A investida, que já acontecia no Congresso Nacional, agora foca diretamente no mercado editorial.

“É uma situação alarmante. O consenso científico estabelecido — tão sólido quanto a teoria da evolução — está sendo desconstruído perante o mercado editorial brasileiro, porque o agronegócio precisa defender a absurda ideia de que agrotóxico faz bem”, denuncia Cara no Conexão BdF da rádio Brasil de Fato, que foi relator de um relatório do Ministério da Educação sobre ataques às escolas e coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

A denúncia foi originalmente sistematizada pelas professoras Andressa Pellanda e Marcele Frossá, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, e revela uma escalada na estratégia do setor.

“Esse lobby pulou o Poder Executivo e chegou diretamente à pressão empresarial. É a pressão dos empresários do agronegócio sobre os empresários das editoras”, explica.

Cara lembra que, em 2024, esteve na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, ao lado de comunidades quilombolas, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), denunciando o lançamento de agrotóxicos sobre escolas no campo.

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“Uma crítica como essa não vai poder estar retratada num livro de geografia, biologia ou história? Isso demonstra o espaço e o poder que a extrema direita nunca deixou de disputar”, afirmou.

O professor critica o que chama de “concessões inadequadas” do Ministério da Educação (MEC) ao agronegócio durante o atual governo Lula.

“Pelo peso que o setor tem na economia brasileira, existe uma concessão que considero inadequada e precisa ser revista. Agora eles atuam diretamente nas empresas.”

Para Cara, o ataque à escola e ao conhecimento científico são faces da mesma moeda. “A escola é o principal espaço de sociabilidade dos jovens. É lá que se aprende a conviver com a diferença, a questionar, a duvidar. Por isso é o alvo preferencial.”

Ele adverte que, se a esquerda muitas vezes abandona a disputa pedagógica, a extrema direita nunca a negligencia. “O livro didático é o material curricular efetivo da maioria das escolas brasileiras, graças ao gigante Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Controlá-lo é controlar o que se ensina.”

O professor conclui com um chamado à vigilância. “Vivemos sob alto uso de agrotóxicos e baixíssima soberania alimentar. O que existe de positivo se deve aos movimentos sociais. O consenso científico não é pacífico, precisa ser disputado todos os dias. E a escola é o território central dessa disputa.”

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Zé Maria

Em Tempo

À época, o Juiz Moro mandou prender, Sem Provas,
o então ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no
dia 7 de abril de 2018, fato que impediu Lula de
concorrer à Eleição Presidencial de outubro
daquele ano, havendo sido substituído por
Fernando Haddad na Chapa encabeçada pelo PT,
tendo Manuela D’Ávila como candidata a Vice.
Lula permaneceu ilegalmente preso por 1 ano
e 7 meses e 1 dia (580 dias) até 8 de novembro
de 2019.

[Adendo ao Comentário 12/02/2026 – 22h21]

Zé Maria

“Neoliberalismo Cultural”

Zé Maria

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Os Neoliberais são Experts em Neologismos Eufêmicos.

Tipo substituir ‘Empregados’ por ‘Colaboradores’
e ‘Empresa’ por ‘Parceira’, para suavizar e disfarçar
as Relações Trabalhistas de Hierarquia e Subordinação
dos economicamente Mais Fracos (Empregados)
aos mais fortes (patrões, empregadores…).

Substituir ‘Agrotóxico’ (‘Veneno’), por ‘Defensivo Agrícola’
é outro Eufemismo Capitalista Neoliberal que,
sob um Conceito de Normalidade, faz mal e mata.
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Zé Maria

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https://youtu.be/IDLTAjVoaDI
Palestra realizada pelo Sociólogo e Escritor
JESSÉ SOUZA, no Auditório da FETRAFI/RS,
em 12 de Dezembro de 2018 [*], organizada
pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre.

*[Nessa data Bolsonaro já havia sido Eleito,
mas ainda não tinha assumido a Presidência.
A Lava-Jato estava no auge na Mídia Canalha,
e Lula estava prestes a ser Preso Sem Provas]
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