VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Você escreve

Submarino nuclear brasileiro fica pronto em 2021


13/12/2012 - 13h46

Submarino vira modelo de parceria tecnológica entre França e Brasil

por Assis Moreira, no Valor Econômico, reproduzido em 10.12.12 no DefesaNet

FRANÇA – No enorme e altamente protegido estaleiro da empresa francesa Direction des Constructions Navales et Services (DCNS), em Cherbourg, a “Cité de la Mer” (cidade do mar), a 360 quilômetros de Paris, a mistura de português e francês tornou-se comum.

Aqui está tomando corpo o maior contrato militar internacional do Brasil: o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), estimado em R$ 15 bilhões (€ 6,7 bilhões) – superior em R$ 4 bilhões à licitação de 36 caças militares que continua indefinida e da qual todo mundo fala.

Desta vez, os brasileiros não estão só comprando, e sim procurando fazer. Equipes de técnicos e engenheiros brasileiros se revezam por etapas no estaleiro francês, vestindo um uniforme verde com a bandeira nacional.

O contrato entre a Marinha brasileira e o consórcio Bahia de Sepetiba (formado pela francesa DCNS e a brasileira Odebrecht) implica a construção conjunta de cinco submarinos, incluindo um submarino nuclear de ataque.

Na visita da presidente Dilma Rousseff a Paris, amanhã e quarta-feira (11 e 12/12), a ênfase da parceria estratégica na inovação terá como modelo precisamente o caso dos submarinos, considerado inédito tanto para a França como para o Brasil. Com a parceria, a França ganha escala e dinamismo, e o Brasil acelera sua capacitação tecnológica.

A expectativa é que a cooperação na área de submarinos estimulará a indústria brasileira de defesa, inclusive com investimentos de grupos franceses no Brasil. Analistas notam também a importância do financiamento externo. Dos € 6,7 bilhões, cerca de € 4,3 bilhões são crédito francês em 20 anos, o que ajudou a Marinha a não ter o projeto paralisado.

Depois de EUA, França, Rússia e China, somente duas nações têm no futuro previsível condições de ingressar no clube dos submarinos nucleares: Brasil e Índia. E, entre essas potências, só a França considera o Brasil como parceiro privilegiado, com quem a cooperação não tem limites, afirma o embaixador brasileiro em Paris, José Maurício Bustani.

O ministro da Defesa francês, o socialista Jean-Yves Le Drian, tem repetido que o acordo “é exemplo de uma parceria exemplar com transferência de tecnologia nunca atingida até agora”. E propõe adotar cooperação sem restrição também para vender os caças Rafale.

Ministério da Defesa francês propõe adotar cooperação sem restrição também na venda dos caças Rafale

A França teve de superar pressões de outros parceiros para compartilhar tecnologia de alta sensibilidade. Uma fonte nota que pela primeira vez Paris passou a “linha vermelha” na área nuclear, apesar de o Brasil não ter assinado protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

Os franceses detêm todo o leque das indústrias de soberania, como espacial, defesa, nuclear, Aeronáutica e construção naval. Mas sua condição é de potência média, enfrentando cada vez mais dificuldades para garantir sozinha as economias de escala necessárias para continuar na vanguarda tecnológica e industrial.

A analista Helene Masson constata, na revista “Géoéconomie”, de Paris, que os grandes grupos industriais de defesa estão privilegiando relações de parceria e divisão de riscos financeiros e tecnológicos. A transferência de tecnologia tornou-se um critério-chave e que se impõe nas compras de equipamentos de defesa. Hoje, Índia, Brasil, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos são países particularmente agressivos para obter transferência de tecnologia, segundo Masson.

Os franceses procuram mostrar que o Brasil é mais do que um grande cliente de equipamentos, e sim um parceiro estratégico para dividir o custo da inovação tecnológica. Os dois governos querem estimular joint ventures para competir juntos no mercado internacional contra rivais dos Estados Unidos e da China.

Além disso, o Brasil tem um programa bilionário, estimado em pelo menos R$ 200 bilhões, de reaparelhamento das Forças Armadas nos próximos 20 anos. Os franceses querem ser escolhidos não só na venda dos caças (FX2), como na de porta-aviões (Pronae), navios de superfície (Prosuper), vigilância e controle marítimo (Sisgaaz). Outro interesse é o programa de grande satélite geoestacionário de telecomunicações (SBG), que vai pilotar toda a banda larga e ser usado em parte da defesa brasileira.

A Marinha tem cinco submarinos (Tupi, Tamoio, Timbira, Tapajó e Tikuna), inspirados no projeto de submarino alemão tipo 209 e que precisarão ser substituídos gradualmente. Isso ocorre num cenário em que o Brasil pleiteia junto às Nações Unidas estender sua área marítima, atualmente de 3,5 milhões de km2, até os limites de sua plataforma continental. Isso significa superar as 200 milhas náuticas de sua zona econômica exclusiva. Incorporando uma área adicional de 963 mil km2, a área marítima será o equivalente à quase metade do território terrestre.

Essa gigantesca área oceânica tem enormes interesses econômicos, incluindo concentração de minerais estratégicos. Também do subsolo marítimo o Brasil retira a maior parte de seu petróleo e gás. O especialista Eduardo Italo Pesce escreveu que, “apesar de possuir a sexta economia mundial, o Brasil é a mais vulnerável entre as potências emergentes”.

Nesse cenário, o Prosub inclui a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico; a fabricação de um submarino nuclear, cabendo ao Brasil o desenvolvimento do motor a propulsão nuclear e da “ilha nuclear” do estaleiro; fornecimento de torpedos e sistemas de combate; a construção de estaleiro e de base naval em Itaguaí (RJ), com capacidade de operar submarinos convencionais e nucleares.

Significa transferência de tecnologia por décadas, na concepção, projeto, fabricação e manutenção de submarinos convencionais e nucleares.
Parte da equipe de técnicos e engenheiros brasileiros que trabalham na construção do submarino em Cherbourg

Mas os brasileiros não se enganam com a expressão “transferência de tecnologia”. “Você pode transferir equipamentos e dados técnicos, mas tecnologia é capacidade de projetar e de fazer, e isso é adquirido, não transferido”, diz Bustani. “A melhor maneira de transferir tecnologia é projetando e fazendo coisas juntos.”

O chefe das operações pelo lado brasileiro em Cherbourg, o comandante Guilherme Dionísio, que chefiou a construção do último submarino no Brasil, o Tikuna, lançado em 2005, acrescenta: “Transferência de tecnologia é absorção. É preciso ter gente com capacidade de absorver, estudar, fazer perguntas adequadas e saber processar o conhecimento. Senão, será mero espectador. Por isso, muitas vezes a transferência de tecnologia falha.”

A maioria dos brasileiros que trabalha no projeto participou antes na construção dos cinco submarinos atuais da Marinha, diz o comandante Humberto Caldas da Silveira Júnior, chefe do Prosub na França e ex-comandante do submarino Timbira.

Desde agosto de 2010, quando começou a construção do primeiro submarino, em Cherbourg, mais de 220 brasileiros receberam cursos e programas de formação na França. A cooperação e transferência de tecnologia ocorrem através dos projetos de submarinos em Lorient, sistemas de combate em Toulon, sonares em Sophia-Antipolis e torpedos em Saint-Tropez. Cerca de 80 militares e engenheiros foram formados na França e voltaram ao Brasil para treinar pessoal suplementar.

Os cursos de engenharia em Lorient já ajudaram na concepção preliminar do submarino nuclear no Brasil neste ano. Além disso, desenvolve-se o estaleiro naval em Itaguaí, que será inaugurado provavelmente em janeiro.

Cherbourg já era um porto militar importante sob Luís XVI. É hoje conhecido internacionalmente por ter sido o principal objetivo das tropas americanas no desembarque na Normandia, em 1944, no assalto contra os nazistas.

Aqui era o antigo Arsenal da Marinha francesa, que foi privatizado, mas continua com influência do capital estatal. A verificação de acesso é discreta, mas firme. Existe uma preocupação constante com espionagem industrial.

A reportagem do Valor visitou a construção do submarino acompanhado do adido naval brasileiro em Paris, comandante Jorge Machado, e do chefe do Prosub na França, comandante Silveira Júnior, ambos com ampla experiência no acompanhamento dos projetos com os franceses.

A oficina de construção parece uma enorme caixa azul no centro do estaleiro. Lá dentro, o espaço é dividido por uma cortina branca que vai até o teto fechado. De um lado, está o “Espaço Brasil da Marinha brasileira”. Do outro, a construção da próxima classe de submarinos nucleares de ataque franceses, o Barracuda. Ninguém tem direito de atravessar a linha. Os raros visitantes, então, nem pensar.

“Não faça fotos, senão vou preso”, avisa um funcionário francês. A DCNS contratou uma fotógrafa para a visita. Menos para fotografar, na verdade. Nada de foto do que já existe do submarino. A explicação é que um olho especializado vai identificar segredos. No dia seguinte, fotos com o submarino foram encontradas em site da mesma empresa.

Mas aqui só será feita a primeira parte do primeiro submarino, que inclui a proa e a vela, já em fase final. A segunda parte e os outros submarinos vão ser construídos no Brasil. A expectativa é incluir cada vez mais equipamentos brasileiros de firmas que estão se capacitando, podendo criar um importante polo industrial naval em Itaguaí.

O primeiro submarino deve ser lançado em 2017, o segundo, 18 meses depois. E a grande novidade, o submarino nuclear, em 2021.

Técnicos e engenheiros brasileiros discutem animadamente em torno de gráficos e desenhos. Os documentos vêm em inglês e francês. Eles contam com a ajuda de uma tradutora francesa que morou na Bahia. Todos assinaram cláusula de confidencialidade.

Os submarinos brasileiros não serão uma cópia exata do modelo Scorpène, que a França exporta para o mundo todo. A embarcação francesa tem 60 metros e 1.700 toneladas. Já o brasileiro SBR será mais longo, com 71 metros e 1.850 toneladas, incluindo uma seção desenhada por técnicos brasileiros, que dará mais autonomia e raio de ação ao submarino.

A jovem capitão-tenente Luciana Verissimo tem uma tarefa precisa em Cherbourg: aprofundar-se no planejamento da construção de submarino. Como o espaço é muito confinado, é preciso ter clareza sobre a sequência da fabricação. Com 32 anos na Marinha, o engenheiro naval Alberto Dumont Pinto Ferreira chefia a inspeção de material comprado dos franceses.

Solda, pintura, amortecedor. Os mínimos detalhes são estudados e aperfeiçoados. Um aço especial torna a resistência mais elevada e a espessura do submarino mais leve. E isso faz a soldagem mais complicada e exige mais qualificação. Pedro, Galvão, Vagner e outros técnicos dizem que precisam aprender o método francês de construir submarino, e também garantir a rastreabilidade, para saber onde fazer no futuro um reparo de maneira correta.

Numa área cercada por cortinas, os seis tubos de torpedos estão sendo desmontados por brasileiros também como aprendizado. Em outra área, está em preparação o chassi que vai conter equipamentos e será montado sobre calços amortecedores. Isso para o submarino diminuir o nível de ruídos, no desafio de ser o mais discreto possível quando mergulhado.

Área militar restrita combina com sigilo. Mas sabe-se que, com a experiência conjunta na França, o Brasil já teria conseguido a independência no ciclo completo de produção do casco do submarino. Os técnicos também aprenderam a fabricar calotas para os tubos de torpedos, que envolvem processo artesanal, além dos próprios tubos de torpedos. No acordo com a Alemanha, o Brasil recebia os tubos de torpedos prontos.

Nos meios militares, a experiência com os franceses na área do submarino é ainda mais interessante quando se considera o drama de o país não ter seu programa espacial, com satélites, atribuído ao fato de não conseguir sequer comprar peças sensíveis por causa da desconfiança de parceiros.

Para o embaixador Bustani, a parceria de indústrias estratégicas de defesa brasileiras com companhias francesas representa “oportunidade de economizar décadas de trabalho e dezenas de bilhões de reais”, comparada a tentativas de chegar aos mesmos resultados sozinho.

A transferência de tecnologia francesa ocorre também pela aquisição de 50 helicópteros EC-725. A produção está sendo incorporada pela Helibras, filial brasileira da Eurocopter, com crescente aumento de conteúdo nacional. A fábrica de Itajubá está sendo duplicada. O objetivo é criar um segundo polo de competitividade Aeronáutica e exportar helicópteros para a América do Sul.

Em Paris, a visita da presidente Dilma deve começar a examinar, mas provavelmente não decidir, novas frentes de parcerias na indústria de defesa. E outros europeus estão de olho. David Cameron, primeiro-ministro britânico, quando esteve recentemente no Brasil ofereceu tudo que era possível para atrair contratos militares para o BAE Systems, que procura reduzir sua dependência do mercado dos EUA.

Já em Paris, o anfitrião François Hollande tem sinalizado aos brasileiros que considera o Brasil o parceiro mais importante da França entre os emergentes e quer relançar a parceria estratégica sem ficar bloqueado na questão da compra dos aviões de combate.

Leia também:

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



12 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

samuel

16 de fevereiro de 2013 às 23h07

Sera que é tao dificil projetar e construir um charuto onde na maioria esta valvulas e outro artifices,isso os alemâes ja faziam em seculos passados,onde esta os cerebros da nossa ciencia,sera que ainda vamos ser por muito tempo o pais do café e das bananas??

Responder

lulipe

14 de dezembro de 2012 às 00h53

Enquanto isso nada da transposição do Rio São Francisco que, segundo o falastrão, estaria finalizada em 2012.E boa parte dos nordestinos que decidiram a campanha do lula e Dilma vivendo uma das maiores secas da história.A boa notícia é que teremos mais 800 aeroportos…E viva papai-noel!!!

Responder

Lafaiete de Souza Spínola

13 de dezembro de 2012 às 23h39

Parceria com a França tem sentido, desde que tudo não passe, apenas, de um alto processo de treinamento operacional e de manutenção. Isso é válido para qualquer acordo comercial e tecnológico.
O mais importante é termos investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico próprios. Para chegarmos nesse patamar, precisamos, também, de imediato, dar um salto de qualidade na EDUCAÇÃO, investindo, pelo menos, 15% do PIB. Sem isto estaremos, sempre, a procura de socorro tecnológico de um país com uma extensão territorial 16 vezes menor e um terço da nossa população.

A EDUCAÇÃO é o TREM BALA que o Brasil precisa!

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL.

SÃO INACEITÁVEIS AS SEGUINTES AFIRMAÇÕES:

1. É UMA SOBRECARGA O GRANDE NÚMERO DE MATÉRIAS OBRIGATÓRIAS NO CURRÍCULO ESCOLAR.

2. O BRASIL VAI QUEBRAR, CASO HAJA UM SUBSTANCIAL AUMENTO DO INVESTIMENTO PÚBLICO NA EDUCAÇÃO.

A TENDÊNCIA, NO MUNDO:

NA INFOERA, COM O AVANÇO EXPONENCIAL DO HARDWARE EM CONSEQUÊNCIA DA MINIATURIZAÇÃO QUE JÁ ENTROU, FAZ TEMPO, NO NÍVEL ATÔMICO AO LADO DO VASTO USO DA NANOTECNOLOGIA E OS CONSEQUENTES AVANÇOS NAS ÁREAS DO SOFTWARE E DO EXTRAORDINÁRIO DESENVOLVIMENTO DAS COMUNICAÇÕES; PASSA SER MAIS IMPORTANTE O SER HUMANO PENSANTE COM UM AMPLO CONHECIMENTO GERAL QUE PERMITA O SEU DESENVOLVIMENTO, QUANDO ESTIVER FORA DA TRADICIONAL CADEIRA ESCOLAR. O PODER DA WEB PASSA A SER INCOMENSURÁVEL.

DURANTE ESSE INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO, CASO HAJA UMA MOBILIZAÇÃO NACIONAL, ALOCANDO PARTE DE NOSSAS RESERVAS NA CONSTRUÇÃO DESSES CIEPS AMPLIADOS, HAVERIA UM CRESCIMENTO SIGNIFICATIVO DO MERCADO INTERNO, NÃO SÓ NA CONSTRUÇÃO CIVIL. IMAGINO QUÃO PROFUNDO SERIA O RESGATE OU MESMO O DESENVOLVIMENTO DA AUTOESTIMA DO POVO BRASILEIRO. TALVEZ ESTA SERIA UMA DAS CONSEQUÊNCIAS MAIS IMPORTANTES A COLHER! PERGUNTO: QUEM TERIA A CORAGEM DE TENTAR SABOTAR TAL PROJETO QUE IRÁ BENEFICIAR DESDES OS MENOS FAVORECIDOS ATÉ QUASE TODA CLASSE MÉDIA? OS PSICOPATAS TERIAM CERTA DIFICULDADE DE ATUAR, FICARIAM CALADOS. O BRASIL PASSARIA, REALMENTE, A SER UMA NAÇÃO DE VERDADE!

Todos sabemos que a nossa educação é, faz décadas, pífia! O Brasil necessita de uma escola pública, em tempo integral, de qualidade que permita fornecer o básico às nossas crianças, para que elas se encaixem nesse mundo que se descortina.

Observem que poucas foram as escolas a obter um nível de avaliação razoável (IDEB). A maioria, inclusive, orientada para atendimento de áreas específicas, de difícil acesso à maioria dos nossos jovens.
Outra observação é que os piores índices, em geral, foram verificados nas regiões onde predominam altos níveis de violência. Quanto maior índice de violência, tanto menor o IDEB!

Guardo cerca de 1000 testes aplicados, nos últimos 10 anos (redação de pelo menos 15 linhas, matemática e conhecimentos gerais), em jovens entre 18 a 25 anos, todos com secundário completo, muitos já frequentando faculdades particulares. É uma calamidade!

O caminho para resolver os problemas estruturais e amenizar as injustiças sociais do Brasil está, basicamente, atrelado à EDUCAÇÃO. Precisamos, com urgência, investir, pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação. Deve ser disponibilizada escola com tempo integral às nossas crianças, oferecendo, com qualidade: o café da manhã, o almoço, a janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo. Como é uma medida prioritária, inicialmente, faz-se necessária uma mobilização nacional. Podemos, por certo tempo, solicitar o engajamento laico das Igrejas, associações, sindicatos e das nossas Forças Armadas (guerra contra o analfabetismo e o atraso) para essa grande empreitada inicial. Outros investimentos de grande porte, concomitantemente, devem ser realizados; ajudando, inclusive, a movimentar a economia de todo país: a construção civil seria acionada para a construção de escolas de alta qualidade, com quadras esportivas, espaços culturais, áreas de refeição e cozinhas bem equipadas etc. Tudo isso exigindo qualidade, porém sem luxo. Durante o período de mobilização, concomitantemente, o governo deve investir na preparação de professores para atender à grande demanda.

Como esse projeto é de prioridade nacional, os recursos deverão vir, entre outros: de uma nova redistribuição da nossa arrecadação; de uma renegociação da dívida pública, com a inclusão do bolsa família etc.

Observações e consequências previsíveis:

1. O tráfico perderá sua grande fonte de recrutamento, pois todas as crianças estarão, obrigatoriamente, em tempo integral, das 07 às 19 horas, na escola. A segurança pública ficará agradecida. Passam a ser desnecessários tantos investimentos em presídios e efetivo policial. É uma fonte de recursos que migrará para a educação. Mais educação e menos balas perdidas!

2. Inicialmente, para aqueles adolescentes que participam de contravenções graves, podem ser planejadas escolas albergues, dando mais ênfase ao esporte e à cultura.

3. A saúde pública será, também, uma grande beneficiária, pois teremos crianças bem alimentadas, sinônimo de saúde para elas e seus pais. Toda escola deverá ter um posto de saúde. Os pais despreocupados terão mais tempo para seus afazeres. Haverá menos gasto público com acidentes e com viciados em entorpecentes. É mais dinheiro que poderá migrar para a educação.

4. O setor financeiro deve entender que isso levará o país, em médio prazo, a outro nível de bem estar. Será bom para todas as atividades que desejam uma nação economicamente forte. Os bancos irão ter menos gastos com a segurança. Com a educação em constante avanço, poderão aperfeiçoar a automação do setor.

5. Considero que esse projeto, para ter êxito, necessitará de uma coordenação centralizada, inclusive para evitar o privilégio de regiões, ficaria, então, sob a responsabilidade do Ministério da Educação.

6. Os recursos, atualmente, aplicados pelos estados e municípios, na educação, devem ser alocados nesse projeto. Tudo passa para o controle do ME. Para diminuir custos, poderá haver padronização em determinadas atividades. A edição de livros em escala, por exemplo, será necessária.

7. Deve ser criada uma fiscalização, prevista em lei, controlada pela sociedade; com a participação de: pais, professores e sindicatos, com poderes e recursos para denunciar erros, desvios de verba e de rumo etc.
8. Recursos adicionais: os pais devem pagar 5% do salário (entradas) pela mensalidade de cada filho matriculado. A classe média paga, hoje, muito mais em escolas particulares de qualidade duvidosa.

9. O pequeno agricultor terá prioridade no fornecimento dos produtos alimentícios dessas escolas. Surgirá, então, um mercado pujante, nesse vasto Brasil, aumentando nosso mercado interno. Tornando-se uma importante política para manter o homem no campo. A formação de pequenas cooperativas agrícolas deve ser incentivada para permitir a aquisição de maquinário de médio porte para o trato da terra e a armazenagem da colheita. Surgirá, então, um promissor mercado para os fabricantes dessas máquinas. Tudo isso representa um grande incentivo para manter o homem no campo, evitando o inchaço das cidades.

10. A EMBRAPA deverá receber recursos adicionais para dar todo apoio a essa gente do campo, aproveitando para ensinar como praticar uma agricultura sustentável e como cuidar das matas ciliares. As escolas estabelecidas no campo devem ter no currículo aulas teóricas e práticas de como recuperar as áreas degradadas. O governo por intermédio da Embrapa fornecerá mudas e orientação de como proceder. As escolas localizadas dentro do perímetro urbano adotariam a sistemática de, uma vez por mês, participar em conjunto com suas irmãs do campo de mutirões para recuperar áreas degradadas. Isso proporcionaria uma maior integração da cidade com o campo.

11. O Brasil passará a ser um país admirado e respeitado. Deixará de ser o país só das “comodities”, esse anglicismo usado para substituir “produtos primários”. Mesmo no campo da agricultura, teremos uma maior diversidade e qualidade.

12. Passaremos a ter produtos manufaturados, desenvolvidos e produzidos, aqui, com alta tecnologia. Nossa indústria crescerá, em função do mercado interno.

13. O futuro da energia não poderá ficar dependente da contínua destruição de grande parte da nossa AMAZÔNIA. Precisamos desenvolver tecnologias. Pequenas usinas de energia solar, eólicas e hidroelétricas devem proliferar para atender às novas exigências dessas escolas e dos pequenos agricultores. A sobra dessa energia será integrada à rede nacional, evitando os apagões. Alguns projetos de grande porte poderão, talvez, ser adiados. Com mais educação e cultura teremos melhores condições de analisar nossas prioridades e tecnologias aplicáveis. Será o fim das aventuras! Tudo será planejado!

14. A energia nuclear, ainda é cara e perigosa. Devemos pesquisá-la. Não podemos importar tudo a preço de ouro. Temos que investir na pesquisa e desenvolvimento de outras fontes. Com esse projeto de educação haverá proliferação de centros de pesquisa.

15. Outras fontes de energia, como a eólica, a solar e a biomassa poderão aumentar a nossa independência. Sem um projeto de educação, como o proposto, não iremos alcançar os avanços tecnológicos, já existentes.

16. Não é com a devastação da Amazônia que vamos abastecer o mundo com carne. Precisamos desenvolver tecnologia para multiplicar as cabeças de boi por metro quadrado. Um povo educado e culto saberá combinar o desenvolvimento com a preservação ambiental. Ocuparemos a Amazônia, sem devastá-la.

17. Com a devastação de nossas florestas e matas ciliares, seremos as principais vítimas. Os psicopatas, sempre olham o presente; não se importam com o futuro! Estudos bem elaborados confirmam que no meio da sociedade há cerca de 3% dessa praga. Num país com uma população de 190 milhões, temos, assim, 5.7 milhões praticando todo tipo de ato daninho à sociedade; inclusive contra a educação. Quanto mais permissivo o ambiente, mais esses traficantes e corruptos abastecem a lavagem de dinheiro. Com um povo educado essa gente não desaparece, porém o grau de atividade será bem menor.

18. Para alcançarmos tudo isso, possivelmente, necessitaremos de uma nova forma de fazer política: mandato único em todos os níveis, partidos sem caciques, país unitário, lei única, câmara única e, consequentemente, deputados estaduais e vereadores só para a fiscalização. Os incomodados dirão: Que blasfêmia! Quem não dá a devida atenção à educação, deseja o status quo. Surge com uma infinita quantidade de argumentos, aceitáveis pelos psicopatas e por muitos que não se dão conta que estão adotando os argumentos dessa gente.

19. A nossa federação tem sido o berço esplêndido dos caciques, dos modernos coronéis, alojamento de mafiosos, fonte das guerras fiscais e muitas outras mazelas. Dentro desse quadro federativo a educação, praticamente, não terá guarida. Dentro desse quadro surgirão promessas vãs, enganosas, como prometer as famosas cotas, tirando o cobertor de pobres injustiçados para cobrir outros tão pobres. Tudo isso numa manobra de lei, sem propor um projeto que transforme profundamente a nossa educação. Falam em educação sem investimentos pesados. Sabem mobilizar para a copa do mundo, agora, para o trem bala e para outros projetos onde o dinheiro jorra descontroladamente. Para a educação sobra o engodo.

20. Tudo, portanto, por uma educação de nível, para que possamos, pacificamente, revolucionar esse nosso Brasil. As áreas de tecnologia passariam a ter disponibilidade de pessoal com preparo. O individuo seria engrandecido e o país ficaria agradecido.

21. As nossas Forças Armadas, assim, repensariam seus projetos de importação, voltando sua atenção para o desenvolvimento tecnológico próprio. Não temos ameaças de vizinhos. Importar equipamento militar de ponta é dar continuidade à nossa dependência tecnológica. Temos que investir mais em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Se não temos inimigos vizinhos, de nada adianta importar certa quantidade de equipamentos, pois, além de ficarmos sempre dependentes, de nada servirá para enfrentar supostos inimigos que possuem uma força imensamente desproporcional. Portanto, o que necessitamos é investimento pesado na EDUCAÇÃO, pois é de onde sairão, aos milhares, nossos pesquisadores. Pesquisadores que tenham mais apreço e orgulho pelo seu país!

Responder

    H. Back™

    14 de dezembro de 2012 às 11h03

    Sr. Lafaiete de Souza Spínola gostei muito e concordo com tudo que o senhor citou. Isso tudo deveria ter começado há muito tempo atrás, já depois do descobrimento do Brasil. Agora o Brasil terá de queimar etapas. Nenhum país que é potência hoje prescindiu da educação qualificada do seu povo.

LEANDRO

13 de dezembro de 2012 às 16h00

Será fica pronto antes dos 800 aeroportos que a Dilma prometeu ou do trem bala???? O país da piada pronta.

Responder

    João Paulo Ferreira de Assis

    13 de dezembro de 2012 às 22h39

    País da piada pronta era o Brazil do FHC que fez explodir uma plataforma da Petrobras só para vendê-la barato. Vocês são a própria piada, e depois falam dos portugueses, mas onde é mesmo que se tenta derrubar um ex-presidente? Só no Brazil de vocês.

H. Back™

13 de dezembro de 2012 às 15h58

Tudo muito bom; só espero que não ocorra algo parecido com a explosão da base de foguetes de Alcântara-MA, que visivelmente teve interferência externa.

Responder

Adriano

13 de dezembro de 2012 às 15h35

Ok. Muito bom, mas e os caças da FAB? Não dá pra entender essa demora de mais de 20 anos (incluindo o tempo do FHC, que também só enrolou e não decidiu nada, tanto quanto o Lula) pra comprar “meia dúzia” de caças…é ridículo isso.

Responder

Julio Silveira

13 de dezembro de 2012 às 15h24

Pelo FHC e sua turma já tinhamos comprado dos Yankes. Com a tecnologia minima que lhes dessem vantagem militar, por que eles não são bobos, e encontram com facilidade, nos paises que negociam, gente para (aparententemente) assumir esse papel.
Mas, antes, se eles quizessem nos vender.

Responder

Roberto Takata

13 de dezembro de 2012 às 15h15

“Depois de EUA, França, Rússia e China, somente duas nações têm no futuro previsível condições de ingressar no clube dos submarinos nucleares: Brasil e Índia.”<=O Reino Unido não tem?

[]s,

Roberto Takata

Responder

    Bucaneiro

    13 de dezembro de 2012 às 18h57

    Roberto:

    O Reino Unido não apenas tem submarinos nucleares como até hoje foi o único país a utilizá-lo em combate quando, na Guerra das Falklands, o HMS Conqueror afundo o Cruzador argentino ARA General Belgrano. Isso apenas mostra o quão tendenciosa,chapa-branca e por consequência sem credibilidade é a matéria

    Wilson berger

    09 de junho de 2013 às 12h44

    É VERDADE SR.tanaka.A alemanha tambem.Tecnologia eles tem.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.