VIOMUNDO

Diário da Resistência


Você escreve

John Kozy: A depravação da América


30/10/2011 - 10h44

A cultura dos Estados Unidos foi inundada por um tsunami de mentiras. O marketing se tornou a atividade predominante da cultura. É uma coisa seguida por pessoas de negócios, políticos e pela mídia. O dinheiro é tudo o que importa. Foi-se o tempo em que a ética protestante definia o caráter dos EUA. Ela foi usada pelos sociólogos como fator responsável pelo sucesso do capitalismo na Europa do Norte e nos EUA, mas a ética protestante e o capitalismo se tornaram incompatíveis. A “América” está se tornando uma região de depravação raramente superada pelas piores nações da história. O artigo é de John Kozy.

por John Kozy, em Global Research, via Carta Maior

Foi-se o tempo em que a ética protestante definia o caráter dos Estados Unidos. Ela foi usada como fator responsável pelo sucesso do capitalismo na Europa do Norte e na América, pelos sociólogos, mas a ética protestante e o capitalismo são incompatíveis, e o capitalismo, em última análise, faz com que a ética protestante seja abandonada.

Há um novo ethos que emergiu, e as elites governamentais não o entendem. Trata-se do ethos da “grande oportunidade”, do “prêmio”, da “próxima grande ideia”. A marcha lenta e deliberada em direção ao sucesso é hoje uma condenação do destino. Junto à próxima grande ideia comercial está o novo modelo do “sonho americano”. Tudo o que importa é o dinheiro. Dada essa atitude, poucos na América expressam preocupações morais. A riqueza é só o que se tem em vista; vale inclusive nos destruir para alcançá-la. E se não chegamos lá ainda, certamente em breve chegaremos.

Eu suspeito que a maior parte das pessoas gostaria de acreditar que sociedades, não importa as bases de suas origens, tornam-se melhores com o tempo. Infelizmente a história desmente essa noção; frequentemente as sociedades se tornam piores com o tempo. Os Estados Unidos da América não é exceção. O país não foi benigno em sua origem e agora declina, tornando-se uma região de depravação raramente superada pelas piores nações da história.

Embora seja impossível encontrar números que provem que a moralidade na América declinou, evidências cotidianas estão onde quer que se veja. Quase todo mundo pode citar situações nas quais o bem estar das pessoas foi sacrificado pelo bem das instituições públicas ou privadas, mas parece impossível citar um só exemplo de instituição pública ou privada que tenha sido sacrificada em nome do povo.

Se a moralidade tem a ver com o modo como as pessoas são tratadas, pode-se perguntar legitimamente onde a moralidade desempenha um papel no que está se passando nos EUA? A resposta parece ser: “Em lugar nenhum!” Então, o que tem aconteceu nos EUA para se ter a atual epidemia de afirmações de que a moralidade na América colapsou?

Bem, a cultura mudou drasticamente nos últimos cinquenta anos. Foi isso o que aconteceu. Houve um tempo em que a “América”, o “caráter americano”, era definido em termos do que se chamava de Ética Protestante. O sociólogo Max Weber atribuiu o sucesso do capitalismo a isso. Infelizmente, Max foi negligente; ele estava errado, completamente errado. O capitalismo e a ética protestante são inconsistentes entre si. Nenhum dos dois pode ser responsável pelo outro.

A ética protestante (ou puritana) está baseada na noção de que o trabalho duro e a ascese são duas consequências importantes para ser eleito pela graça da cristandade. Se uma pessoa trabalha duro e é frugal, ele ou ela é considerado como digno de ser salvo. Esses atributos benéficos, acreditava-se, fizeram dos estadunidenses o povo mais trabalhador do que os de quaisquer outras sociedades (mesmo que as sociedades protestantes europeias fossem consideradas parecidas e as católicas do sul da Europa fossem consideradas preguiçosas).

Alguns de nós afirmam agora que estamos testemunhando o declínio e a queda da ética protestante nas sociedades ocidentais. Como a ética protestante tem uma raiz religiosa, o declínio é frequentemente atribuído a um crescimento do secularismo. Mas isto seria mais facilmente verificável na Europa do que na América, onde o fundamentalismo protestante ainda tem muitos seguidores. Então deve haver alguma outra explicação para o declínio. Mesmo que o crescimento do secularismo tenha levado muita gente a dizer que ele destruiu os valores religiosos juntamente aos valores morais que a religião ensina, há uma outra explicação.

No século XVII, a economia colonial da América era agrária. Trabalho duro e ascese combinam perfeitamente com essa economia. Mas a América não é mais agrária. A economia dos EUA hoje é definida como capitalismo industrial. Economias agrárias raramente produzem mais do que é consumido, mas economias industriais o fazem diariamente. Assim, para se manter a economia industrial funcionando, o consumo deve não apenas ser contínuo, como continuamente crescente.

Eu duvido que haja um leitor que não tenha escutado que 70% da economia dos EUA resulta do consumo. Mas 70% de um é 0,7, ou de dois é 1,4, de três, 2,1, etc. À medida que economia cresce de um a dois pontos do PIB, o consumo deve crescer de 0,7 para 1,4 pontos. Mas o aumento crescente do consumo não é compatível com a ascese. Uma economia industrial requer gente para gastar e gastar, enquanto a ascese requer gente para economizar e economizar. A economia americana destruiu a ética protestante e as perspectivas religiosas nas quais foi fundada. O consumo conspícuo substituiu o trabalho duro e a poupança.

No seu A Riqueza das Nações, Adam Smith afirma que o capitalismo beneficia a todos, desde que cada um aja em benefício dos outros. Agora estão nos dizendo que “economizar mais e cortar gastos pode ser um bom plano para lidar com a recessão. Mas se todo mundo proceder assim isso só vai tornar as coisas piores….aquilo de que a economia mais precisa é de consumidores gastando livremente”. A grande recessão atingiu Adam Smith na sua cabeça, mas o economista admitiria isso. “Um ambiente em que todos e cada um quer economizar não pode levar ao crescimento. A produção necessita ser vendida e para isso você precisa de consumidores”.

Poupar é (presumivelmente) bom para indivíduos, mas ruim para a economia, a qual requer gasto contínuo crescente. Se um economista tivesse dito isso na minha frente, eu teria lhe dito que isso significa claramente que há algo fundamentalmente errado com a natureza da economia, que isso significa que a economia não existe para prover as necessidades das pessoas, mas que as pessoas existem apenas para satisfazer as necessidades da economia. Embora não pareça isso, uma economia assim escraviza o povo a quem diz servir. Então, de fato, o capitalismo industrial perpetrou a escravidão; ele tem reescravizado aqueles que um dia emancipou.

Quando o consumo substituiu a poupança na psique americana, o resto de moralidade afundou junto na depravação. A necessidade de vender requer marketing, o que nada mais é que a mentira das mentiras. Afinal de contas, toda empresa é fundada no que disse o livro de Edward L. Bernays, de 1928: Propaganda. A cultura americana tem sido inundada por um tsunami de mentiras. O marketing se tornou a atividade predominante da cultura. Ninguém pode se isolar disso. É uma coisa seguida por pessoas de negócios, políticos e pela mídia. Ninguém pode ter certeza de estarem lhe contando a verdade a respeito de alguém. Nenhum código moral pode sobreviver numa cultura de desonestidade, e de resto, ninguém pode!

Tendo subvertido a ética protestante, a economia destruiu toda ética que a América um dia promoveu. O país tornou-se uma sociedade sem um etos, uma sociedade sem propósito humano. Os americanos se tornaram cordeiros sacrificáveis para o bem das máquinas. Então, um novo etos emergiu do caos, um etos que a elite governamental desconhece completamente.

Diz-se frequentemente que Washington perdeu o contato com as pessoas que governa, que não entende mais seu próprio povo ou como sua cultura comum funciona. Washington e a elite do país não entendem isso, mas a cultura não valoriza mais o certo sobre o errado ou o trabalho duro e a ascese sobre a preguiça e a extravagância. Hoje os americanos estão buscando a “grande oportunidade”, o “prêmio”, a “próxima grande ideia”. O Sonho Americano foi hoje reduzido ao “acertar em cheio!”. A longa e deliberada estrada para o sucesso é uma condenação. Vejam American Idol, The X-Factor e America’s Got Talent e testemunhe a horda que se apresenta para os auditórios. Essas pessoas, em sua maior parte, não trabalharam duro em nada na vida. Contem o número de pessoas que regularmente apostam na loteria. Esse tipo de aposta não requer trabalho algum. Tudo o que essas pessoas querem é acertar em cheio. E quem é nosso homem de negócios mais exaltado? O empreendedor!

Empreendedores são, na sua maior parte, fogo de palha, mesmo que haja exceções notáveis. O problema com o empreendedorismo, no entanto, é a alta conta em que passou a ser tomado. Mas o único valor ligado a ele é a quantidade de dinheiro que os empreendedores têm feito. Raramente ouvimos alguma coisa a respeito do modo nefasto como esse dinheiro foi feito. Bill Gates e Mark Zuckerberg, por exemplo, dificilmente representam imagens de pessoas com moralidade exemplar, mas na economia sem escrúpulos morais, ninguém se importa; tudo o que importa é o dinheiro.

Dada essa atitude, por que alguém, nessa sociedade, expressaria preocupações morais? Poucos na América o fazem. Assim, enquanto a elite americana fala na necessidade de produzir força de trabalho sustentável para as necessidades de sua indústria, as pessoas não querem nada disso.

A elite frequentemente lastima a falência do sistema educacional americano e tem tentado melhorá-lo sem sucesso, por várias décadas. Mas se alguém presta atenção no atual estado de coisas na América, vê que a maior parte dos empreendedores de sucesso são pessoas que abandonaram faculdades. Como se pode convencer a juventude de que a educação universitária é um empreendimento que vale a pena? Assim como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg mostraram, aprender a desenhar um software não requer graduação universitária. Nem ganhar na loteria ou vencer o American Idol. Fazer parte da Liga Nacional de Futebol pode requerer algum tempo na universidade, mas não a graduação. Todo o empreendedorismo requer uma nova ideia mercantil.

Entretenimento e esportes, loterias e programas de jogos e disputas, produtos de consumo de que as pessoas não tiveram necessidade por milhões de anos são agora as coisas que formam a cultura americana. Mas não são coisas, são lixo; não podem formar a base de uma sociedade humana estável e próspera. Esta é uma cultura governada meramente por um atributo: a riqueza, bem ou mal havida!

A capacidade humana de autoengano é sem limites. Os estadunidenses vêm se enganando com a crença de que a riqueza agregada, a soma total de riquezas, em vez de como ela é distribuída, dá certo. Não importa como foi obtida ou o que foi feito para se obter tal riqueza. A riqueza agregada é a única coisa que se tem em vista; é algo pelo que vale à pena destruir a nós mesmos. E mesmo que não o tenhamos alcançado ainda, em breve certamente o conseguiremos.

A história descreve muitas nações que se tornaram depravadas. Nenhuma delas jamais se reformou. Nenhum garoto bonito pode ser convocado para desfazer a catástrofe do Toque de Midas. O dinheiro, afinal de contas, não é uma coisa de que os humanos precisem para sobreviver, e se o dinheiro não é usado para produzir e distribuir as coisas necessárias, a sobrevivência humana é impossível, não importa o quanto de riqueza seja agregada ou acumulada.

John Kozy é professor aposentado de filosofia e lógica que escreve sobre assuntos econômicos, sociais e políticos. Depois de ter servido na Guerra da Coréia, passou 20 anos como professor universitário e outros 20 trabalhando como escritor. Publicou um livro de lógica formal, artigo acadêmicos. Sua página pessoal é http://www.jkozy.com onde pode ser contatado.

Tradução: Katarina Peixoto

Leia também:

Mauro Santayana: A insurreição americana

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



21 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Gilson Raslan

01 de novembro de 2011 às 14h42

Pelo que se depreende do artigo, tudo leva a crer que a ética protestante foi substituída pela ética (ou falta dela) judaica, tendo em vista que tanto a economia quanto a política norte americana são ditadas pelos judeus.

Responder

CC.Brega.mim

01 de novembro de 2011 às 00h02

a mentira
e a falta de moral
comandam a moraleira

cobra quem não tem
e quem acha que tem
que tem que ter
abraça o inimigo

desconstruir os discursos construídos
é necessário.

Responder

Operante Livre

31 de outubro de 2011 às 21h12

Na ética calvinista a grana testemunhava o divino. Na "ética" atual a divindade está à mercê da grana. É a grana que cria a divindade como mercadoria para gerar mais grana.

Responder

Operante Livre

31 de outubro de 2011 às 21h09

Na ética calvinista havia no resultado do trabalho (enriquecimento) um sinal da benção divina. Hoje, a benção não é divina. Quem elevou-se à categoria de divindade é o resultado do trabalho desumano de uma minoria de desumanos que desconhece valores humanistas, valores estes que não são exclusividade do cristianismo ou de outras religiões, são antropologicamente enraizados e estão em extinção como a fauna e flora.

O trabalho e seus produtos deveriam cumprir a função de fazer transitar entre os humanos as dádivas de suas criações capaz de os manter ligados e vivos, e não a destruição da humanidade como ocorre na atualidade em que raramente vejo ética (o bem comum) nas relações de produção.

Responder

francisco.latorre

31 de outubro de 2011 às 14h20

propaganda.

o inimigo.

..

Responder

Bernardino

31 de outubro de 2011 às 13h37

ESSE TEXTO veio jogar Agua na FERVURA da Dialetica IDEOlogica- COMUNISMO X CAPItalismo.
O Comunismo MORREU:O CApitalismo está com AIDS.SObreviverá? Só o TEMPO dará a RESposta!!!!
Se até LÁ SOBREVIVERMOS.

Responder

FrancoAtirador

31 de outubro de 2011 às 13h33

.
.
COLÔMBIA

Ex-guerrilheiro vence eleições para prefeitura de Bogotá

O ex-candidato à Presidência e ex-senador de esquerda, Gustavo Petro, do independente Partido Progressista, foi eleito prefeito de Bogotá, capital da Colômbia, e tornou-se o primeiro ex-guerrilheiro a ocupar o segundo cargo político mais importante do país.

Responder

    FrancoAtirador

    31 de outubro de 2011 às 13h38

    .
    .
    O novo governante de Bogotá foi integrante do grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril (M-19), que em 1989 entregou suas armas.

    Petro foi o parlamentar que fez a maior oposição ao governo do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).

    Ele também se destacou no Senado pela atuação no caso das denúncias de escutas ilegais realizadas pelo serviço secreto do governo colombiano e dos vínculos de políticos ligados a Uribe com paramilitares.
    .
    .

Caracol

31 de outubro de 2011 às 09h14

Ai, ai… Roma de novo…
Só que agora, Roma é Global.

Responder

damastor dagobé

31 de outubro de 2011 às 08h34

moralidade x economia??? a lógica do autor do artigo me parece mais uma luta de sumô entre essas categorias..ou aquele vale tudo mexicano…ou briga de cegos…por aí

Responder

SILOÉ-RJ

30 de outubro de 2011 às 23h41

NÃO SÓ LÁ COMO CÁ, A ÉTICA NOS MEIOS POLÍTICOS E NA MÍDIA FORAM PRO LIXO HÁ MUITO TEMPO.
Dois exemplos bem característicos disso entre tantos dessa semana, foram:
1º A matéria escandalosamente MENTIROSA sôbre a REITEGRAÇÃO DE POSSE de um terreno no RJ da UNE. no pasquim o globo ENTRE OUTRAS MENTIRAS DESLAVADAS.
2º O cúmulo do cinismo da ONG VIVA RIO, aquela das VASSOURAS que percorreram o BRASIL e que é ligada simbiosamente a rede globo, se posicionar como paladina da ANTI-CORRUPÇÃO, quando ela mesma é indiciada pelo TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO em 16 processos de enriquecimento ilícito, fraude, apropriação indépta, etc…etc… inclusive ligados ao ministério do transporte.
Realmente a capacidade desses seres humanos de querer enriquecer a qualquer custo, realmente é sem limites.

Responder

Operante Livre

30 de outubro de 2011 às 21h45

As instituições surgem por motivações que não são as mesmas que as mantêm décadas ou séculos depois.
O acúmulo de grana, mantido pela mentira que mata, permanece como instituição por outras razões e se não for interrompida continuará levando a humanidade para o buraco. Não vejo luz no fim do túnel.

Responder

pap

30 de outubro de 2011 às 19h23

Emerson fittipaldi vai te um troço se ler este texto falando mal dos eua rsss

Responder

Bonifa

30 de outubro de 2011 às 18h50

John Kozi está todo equivocado, o que é um desalento para quem espera que os americanos venham a entender o que está se passando com seu país. Tentou entender Weber mas não conseguiu.O trabalho duro que caracteriza os "eleitos" no puritanismo, nada mais é que o expurgo da compaixão da doutrina cristã, para deixar cada um por sí dentro do individualismo puritano. A compaixão significa fraqueza para quem quer homens simples, dedicados e atentos. A possibilidade que têm os cristãos de entender e perdoar os pecados e os deslizes os deixa fracos e complexos. Tanto o capitalismo quanto o nazismo se beneficiaram muito da ética protestante, e da noção de "eleitos", pessoas que em cada gesto simples do cotidiano devem estar dedicados e atentos para não cometerem o pecado. Isso se chama Cristianismo Positivo, sem a exaltação dos sacrifícios de Jesus em prol da humanidade e sem a reverência de sua crucificação, que denota compaixão, desprendimento em prol dos outros e também mistério e fraqueza. Não pode haver mistério no Cristianismo Positivo porque dele emana o racionalismo que deve reger toda a vida dos "eleitos" e da sociedade. No caso dos "eleitos" nazistas, eles chegaram a defender que Cristo seria um militante anti-judeu ariano e não semita.
Mas todos sabemos que a época vitoriana, onde se expandiu a revolução industrial, o capitalismo e o
puritanismo inglês, foi uma das mais degeneradas, também. A degeneração das elites era entretanto encoberta por hipocrisia, como a americana, e mantida longe do conhecimento do povo. Com o avanço das comunicações e da sociedade de consumo, não há mais possibilidade da ocultação da depravação das elites, políticas ou econômicas ou até religiosas, e nem sequer dos fundamentos éticos do protestantismo, frágeis diante da ciência. O "pecado" da coisificação e da busca pelo dinheiro invadiu todas as instituições, até mesmo as igrejas. E tudo vem à tona com uma rapidez instantânea. Não há como manter a coesão moral. Coesão moral em favor de quê? Do edonismo desenfreado das elites?

Responder

Bonifa

30 de outubro de 2011 às 16h23

A religião, ela mesma injetada de imediatismo materialista, não segura mais os impulsos animalescos que se consubstanciam na busca por dinheiro. Tudo virou mercadoria e tudo pode ser comprado, roubado ou tomado à força bruta. E o humanismo, que poderia substituir a religião, foi esmagado pelo culto extremo da mediocridade intelectual. Não há salvação fora de uma revolução.

Responder

Edmar

30 de outubro de 2011 às 13h35

Lu, tú destes provas de ser mais religiosa do que muito padre pedófilo ou partor midiático que vivem nos ou como se vivessem nos EU. Concordo contigo. Parece que são João viu tudo que disse ter visto, mesmo! Apenas teve que dissimular o que dizia com essa metáfora da "grande prostituta" e tu entendestes direitinho. Não apenas reis, alguns jornalistas(?) também vêm se prostituindo com a "gloriosa vadia", sabe-se agora.

Responder

jaime

30 de outubro de 2011 às 12h38

Em resumo, sistemas políticos ou éticos aparentemente antagônicos a sistemas econômicos em teoria, conviveram até hoje porque no fim, o que conta não são os sistemas em teoria, mas as pessoas que os operacionalizam. Vide o socialismo, em teoria um sistema voltado precipuamente para a solidariedade (não à competição) e que no entanto, tem seus resultados práticos diretamente dependentes de quem o conduz. Na antiga URSS produziu muitos cadáveres, assim como agora os Estados Unidos os estão produzindo seus cadáveres "democráticos e capitalistas" pelo mundo afora.

Responder

jaime

30 de outubro de 2011 às 12h37

Concordo que a ética protestante acabou nos Estados Unidos, mas li em algum lugar que ela foi substituída pela ética do judeu do folclore (da lojinha). Desse ponto de vista, faz sentido. Assim também, quanto à incompatibilidade entre a ética protestante e o capitalismo, não vejo muito sentido, porque se fizermos o paralelo entre o capitalismo e a democracia veremos que nada há mais incompatível. Se considerarmos a democracia do ponto de vista de que é o império da lei, veremos pelo menos duas coisas: na democracia real quem faz as leis é quem tem dinheiro e quem se defende perante a lei, também. Bons advogados custam caro. Portanto, democracia como poder do povo, pelo povo e para o povo, dentro do capitalismo? Depende de qual classe será considerada "o povo".

Responder

    Bonifa

    30 de outubro de 2011 às 16h25

    Mesmo a ética do judeu da lojinha seria algo a se segurar no naufrágio. Até isso não existe mais.

    Bonifa

    30 de outubro de 2011 às 16h46

    A ética protestante e o capitalismo moderno são irmãos gêmeos. Nasceram juntos e um depende do outro, daí ainda ser tão intenso o fingimento do puritanismo americano nas pessoas públicas, a maior de todas as hipocrisias, quase ridículas. A ética puritana protestante, ao contrário do catolicismo que combatia a usura por razões de Estado da Igreja, permitia e estimulava a exploração e a acumulação capitalista. Com a desregulamentação estatal dos mercados e finanças, apenas a ética protestante ficou encarregada de zelar pelo comportamento dos cidadãos e das transações entre os cidadãos. E esta ética, sumamente atrasada em seus impulsos até criacionistas, sucumbiu ao avanço da ciência. Sem o auxílio das regras religiosas, o homem tem que cuidar de sí mesmo a partir de um conjunto de noções humanísticas que impõem regras a serem cumpridas. Mas o cidadão comum, alienado pelo consumismo, sem religião e sem educação que o faça aceitar noções de humaanismo, está desamparado. É pouco mais que um homem selvagem primitivo.

Lu_Witovisk

30 de outubro de 2011 às 11h41

Não sou religiosa, mas não resisti:
"Depois disso vi outro anjo que descia do céu. Tinha grande autoridade, e a terra foi iluminada por seu esplendor.
E ele bradou com voz poderosa: "Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo espírito imundo antro de toda ave impura e detestável,
pois todas as nações beberam do vinho da fúria da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela; à custa do seu luxo excessivo os negociantes da terra se enriqueceram".
Então ouvi outra voz do céu que dizia: "Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam!
Pois os pecados da Babilônia acumularam-se até o céu, e Deus se lembrou dos seus crimes.
Retribuam-lhe na mesma moeda; paguem-lhe em dobro pelo que fez; misturem para ela uma porção dupla no seu próprio cálice.
Façam-lhe sofrer tanto tormento e tanta aflição como a glória e o luxo a que ela se entregou. Em seu coração ela se vangloriava: ‘Estou sentada como rainha; não sou viúva e jamais terei tristeza’. "

Apocalipse 18:1-7

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.