VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Immanuel Wallerstein: “O capitalismo chegou ao fim da linha”


18/10/2011 - 19h29

do site Outras Palavras, sugestão do sgeral/MST

A entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a enxergar melhor o período tormentoso que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.

Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes.

Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”

É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.

As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT. A transcrição e a tradução para o português são iniciativas do sítio Outras Palavras, 15-10-2011.

Eis a entrevista.

Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora?

Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando.

Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?

Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.

Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?

Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir dois  pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.

Qual a sua visão?

Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema.

Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico?

Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas.

Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?

Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas.

Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída?

Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.

O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?

A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico.

Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século 21?

Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século 19. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século 19. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século 19; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século 20.

Do século 21, agora.

É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século 20, eu sinto que sou um produto do século 20. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento.

Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes?

Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século 20. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.

Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?

Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.

Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?

Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.

É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo?

É o que vemos há 500 anos.

Leia também:

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54 comentários

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Bonifa

21 de outubro de 2011 às 11h43

É quase certo que uma espécie de fascismo abrangente tentará se impor no mundo contando com dois braços muito fortes: o braço militar e o braço do controle da informação. Os poderes armados esmagando resistências fecundas e o poder midiático controlando o pensamento das pessoas. Mas este fascismo abrangente será preponderante apenas em alguns casos e algumas geografias, onde aí mesmo estará sofrendo a pressão constante de novas forças democráticas. Destas novas forças democráticas dependerá o futuro da Humanidade e o futuro do Planeta e isso não é pouca inspiração. O próprio instinto coletivo de sobrevivência se imporá e ditará as condições universais de novos contrato sociais que consolidarão condições fundadas em todos os avanços que se foram construindo pouco a pouco sobre a justiça social, o tema central da igualdade e os cuidados na preservação planetária. Tanto o capitalismo selvagem como seus primos fascistas estão condenados pelo futuro. O grande sonho grego de democracia, sobre o qual Virgílio por vezes se mostrou desesperançado, terminará por mostrar-se vitorioso, inaugurando uma nova era para a Humanidade.

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Saul Leblon: Grécia, o banco ou a vida | Viomundo - O que você não vê na mídia

20 de outubro de 2011 às 13h55

[…] Immanuel Wallerstein: “O capitalismo chegou ao fim da linha”   […]

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Sargon

20 de outubro de 2011 às 12h12

1 9 6 8 – A Revolução Inesperada
“Havia um ar estranho: a revolução inesperada arrastara o adversário, tudo era permitido, a felicidade coletiva era desenfreada.” – Antonio Negri.

“1968” foi também uma reação extremada, juvenil, às pressões de mais de vinte anos de Guerra Fria. Uma rejeição aos processos de manipulação da opinião pública por meio dos mass-midia que atuavam como “aparelhos ideológicos” incutindo os valores do capitalismo, e, simultaneamente, um repúdio “ao socialismo real”, ao marxismo oficial, ortodoxo, vigente no leste Europeu, e entre os PCs europeus ocidentais, vistos como ultrapassados.

Assemelhou-se aquele ano aloucado a um calidoscópio, para qualquer lado que se girasse novas formas e novas expressões vinha a luz. Foi uma espécie de fissão nuclear espontânea que abalou as instituições e regimes. Uma revolução que não se socorreu de tiros e bombas, mas da pichação, das pedradas, das reuniões de massa, do autofalante e de muita irreverência. Tudo o que parecia sólido desmanchou-se no ar.

Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/196

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Regina Braga

19 de outubro de 2011 às 21h41

Como diria mãe Joana…Um dia a casa cai…Foi tanta a ganância,violência,injustiça,desigualdade,mentiras,etc…que o capital não suporta nem ajustes.Até os dinossauros políticos,vão ter que se adaptar…A conservadora Marine Le Pen,está acenando para o Putin,quer tirar a França da OTAN,etc…Também, pode ser ,que ela só esteja gostando da campanha do Putin…Enfim, conflitos só podem produzir grandes mudanças.

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Zilda

19 de outubro de 2011 às 17h10

Alguém em sã consciência e minimamente informado pode acreditar nisso? Não creio que a divulgação desses delírios contribuam para a discussão do que está realmente acontecendo.

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Nelson

19 de outubro de 2011 às 16h41

Repito o comentário que postei no Diário Gauche.
A entrevista é muito instrutiva, principalmente pelas duas últimas respostas de Wallerstein.

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Gustavo Pamplona

19 de outubro de 2011 às 12h00

É o fim do mundo! Galera… 2012 tá aí! hahhahahah

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    cronopio

    19 de outubro de 2011 às 22h06

    Não, é o advento do Pamplonismo! rsrss

José Ruiz

19 de outubro de 2011 às 09h47

O fim do capitalismo? Enfim o socialismo? Não creio… pelo menos não nesse século… acredito em uma "reforma" do capitalismo no sentido da criação de uma sociedade "mais justa", aumento da presença do estado e domínio das decisões políticas sobre as decisões de mercado (um quase equilíbrio, um contraponto ao pensamento neoliberal). Vejo o aumento da participação social através da democratização dos meios de comunicação (internet), uma maior preocupação com o meio ambiente e desenvolvimento tecnológico voltado para soluções sustentáveis.. o sistema financeiro vai desaparecer dos nossos olhos e incorporar em nossas vidas, ou seja, serão criadas maneiras mais sutis de exploração financeira.. se investirmos na educação e nos aproximarmos da democracia direta, talvez entremos na ante-sala do socialismo puro… caso contrário, vamos para o capitalismo mais selvagem..

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    Mário SF Aives

    20 de outubro de 2011 às 11h52

    É. Tem razão, José. É uma hipótese, e parece que só a democracia direta pode nos redimir e salvar.

Renato

19 de outubro de 2011 às 07h45

Prefiro a meritocracia do capitalismo do que me ralar todo de estudar e tirar 10 e dividir a minha nota para um aluno que não se esforça.

Responder

    M.S. Romares

    19 de outubro de 2011 às 13h22

    Mamãe!!! Mais um tontinho que caiu do caminhão. Meritocracia do capitalismo?? Deve ser assim: quem tem maior capital, tem mais mérito.
    Azenha, seria muito pedir pra voce colocar um mata-burro em seu blog?

    Roger_Agnus

    20 de outubro de 2011 às 00h08

    Pois é, olha só a meritocracia do capitalismo do Renato:

    Caso 1: Nasço na Gávea, filho de pai Engenheiro e Empresario do ramo de construção civil, mãe Arquiteta, Renda familiar mensal bruta de R$ 50 mil (entre declarado e não declarado). Aos 25 anos sou formado pela PUC, com pos graduação pela FGV, ganhei um Civic de presente e sou funcionário da empresa de meu pai. Falo 2 idiomas além do inglês. Mérito?

    Caso 2: Nasço em Austin-RJ, filho de pai beberrão que se escafedeu e mãe lavadeira de roupa, estudo em escola publica, concluo o 2o Grau, Trabalho para pagar meus estudos, não passo na UERJ porque nao tenho como pagar cursinho, meu 2o Grau é fraco, recuso oferta do tráfico da região e me mudo para outro bairro, consigo uma bolsa do Pró-Uni, concluo meu curso superior e minha renda mensal passa a R$ 1.500,00, com esforço compro um Gol G4 financiado. MÉRITO! DUPLO MÉRITO, ou melhor, MÉRITO AO CUBO, considerando que sou 1 em 20 filhos de lavadeiras que terá esse destino, nesse sistema sensacional em que lavadeiras dão a luz lavadeiras, ad eternum, cada vez mais pobres, em beneficio dos ricos, cada vez mais ricos…

    Caso 3 – Somos 3 em 20 filhos de lavadeiras. Viramos bandidos desse sistema e vitimas desse ambiente. 2 de nós assaltam o filho de lavadeira do Caso2 e matamos o cara na ação. O único que restou morre ao tentar assaltar o filho do empresário do Caso1, já que o Civic é blindado e os seguranças do garoto frustraram a parada. O Globo mostrará toda a barbárie dos 2 assassinatos culpando o Governo.

    Excelente sistema esse, o capitalista!
    Muito justo!
    No que funciona, é mérito dos empresários e do poder financeiro.
    No que desanda, é culpa do governo!

    Renato

    20 de outubro de 2011 às 11h25

    Romares, ai eu chego a minha questão, qual é o motivo de eu ter maior capital?
    Acúmulo = Poupança.
    Poupança = Receita > Despesa. Equação simples.
    Essa é meritocracia. Que eu comentei.

    cronopio

    19 de outubro de 2011 às 22h05

    Esta é, de longe, a maior asneira que postaram nessa matéria. Vou anotar no caderninho! rs

    Bonifa

    21 de outubro de 2011 às 12h05

    Você prefere mesmo é a merenda: Um belo Big Mac.

Luiz Fortaleza

19 de outubro de 2011 às 01h02

Sinceramente, eu estou me especializando em Marx, Wallerstein não o é e deve ter lido Marx na aparência. Ele não leu Marx ontologicamente, leu Marx epistemologicamente, baseado num puro gnosiologismo. Essa visão historicista de que Marx é limitado no tempo é o típico do pensamento pós-moderno, isto é, pensamento fragmentado, a-dialético. Pois se ele lesse o pensamento de Marx a partir de seu método próprio de análise, dialético-materialista-histórico, ele não diria tais besteiras das teses direitonas de que Marx é determinista e que sua visão é presa a uma economia do século XIX. Pelo contrário, toda a crise financeira que está ocorrendo hoje do capitalismo, a crise da circulação do dinheiro está lá no O Capital previsto, tá lá nos Grundrisse ocultado, e neste último até mais forte que no O Capital, pq supera algumas colocações feitas neste último. Claro que Marx errou em algumas previsões e mesmo vivo se corrigiu ou Engels o fez por ele depois da morte de Marx. Mészáros, Postone, Robert Kurz já fazem uma leitura menos epistemológica de Marx e coloca algumas questões universais presentes no pensamento de Marx ainda não superadas pelo tempo. Mas fico por aqui senão me estendo muito.

Responder

    Lucas

    19 de outubro de 2011 às 09h58

    Marx não é Jesus Cristo!!! Pare de ser religioso!!

    Esse culto divino a Marx não faz bem à esquerda moderna. É claro que devemos nos basear no pensamento dialético marxista, porém não copiá-lo enquanto bíblia. Citar Marx não garante que ninguém está certo.

    Marcar o quão temporalmente restrito estava Marx não é ser contra ele, porém melhorar a sua leitura. Falar que Marx é datado não é ser pós-moderno, caso contrário Marc Bloch, Le Goff, Collingwood, entre outros, seriam todos pós-modernos avant le lettre.

    Não seja tão radical assim… quase fundamentalista

    Luiz Fortaleza

    19 de outubro de 2011 às 14h29

    Vc me leu e realmente não entendeu o que eu disse. O primeiro a dizer que não transformasse a teoria marxiana sobre a sociedade burguesa, sobre o movimento do capital, em dogma é o próprio Marx. O que estou dizendo é que essa visão é pós-modernista, fragmentária, que lê Marx apenas parcialmente, na aparência, e não na totalidade de sua obra. Quem quiser entender a estrutura lógica de O Capital de Marx tem que ler Lógica da ciência de Hegel que não é fácil. Isso já dizia o próprio Lênin. Se não leu, não entendeu O Capital. Há outros estudiosos marxistas que pensam o contrário dos intelectuais citados, como Mészáros, Postone, Kurz etc. que fizeram uma outra análise da estrutura do pensamento de Marx. Nada a ver essa comparação de Jesus com Marx. Este discurso da deificação de Marx é o discurso neoliberal. No terceiro tomo de O Capital, Marx vai falar justamente dessa crise de valorização do valor no capitalismo financeiro, ou seja, ele analisa a contradição do capital no modo da circulação do dinheiro, da rotação do capital, em contraposição ao modo de produção do capital, produção da "mais valia" (termo que os economistas burgueses atuais ignoram). É a contradição entre produção e circulação que Marx apreende no movimento do capital; a contradição entre trabalho vivo e trabalho no processo da produção; a contradição entre superprodução e consumo; e assim por diante. Marx descobre leis tendenciais no movimento de O Capital e as explicita claramente em sua obra, como leis específicas de seu movimento. Fundamentalista é quem lê Marx ao pé da letra, lê Marx na aparência de sua análise. Pelo contrário, o que estou dizendo é que Marx já falava dessa possibilidade de crise de rotação do capital, no último tomo de O Capital e nos Grundrisse que foi os rascunhos para escrever O Capital, do qual ele estruturou essa obra, colocando algumas análises e outras não. Leia Roman Rosdolski "Gênese e estrutura de O Capital de Karl Marx", 614 páginas onde ele demonstra como foi estruturado os capítulos de O Capital e a ordem das temáticas e o porquê desta ordem e porque algumas temáticas ficaram de fora do livro, encontrando-as apenas nos Grunsrisse (rascunhos). Marx é complexo, foi um gênio e não confunda com Deus e desmascarou todo o processo de exploração do capital sobre o trabalho. A análise ontológica em Marx diz a respeito do trabalho como entificação da essência humana, ou seja, como uma essência que é constituída historicamente pela ação prática do homem, rompendo com a concepção dos greco-medievais e os iluministas modernos da autoconstrução do ser do homem como produto da pura transcendentalidade (ato e potência) ou da pura ideia ou seja, é a pura consciência que determina o modo de ser do homem. Em outras palavras, o discurso de Marx sobre o capital é universalista, perpassa os tempos históricos, porque é a continuidade na descontinuidade, isto é, a presença de elementos inelimináveis do capital que perpassam suas formas diferentes de acumulação, pois a essência do sistema é a mesma, não muda: o trabalho é a fonte de valor, matando este, o capital se suicida.

    Lucas

    21 de outubro de 2011 às 15h52

    Está certo, fui agressivo desnecessariamente no meu post.
    Infelizmente não vou poder discutir no seu nível intelectual, pois não li tanto assim Marx (apenas a ideologia e boa parte do Capital), e não possuo a sua desenvoltura retórica. Vou apenas tentar passar o meu ponto.

    Está errado o seu julgamento do que é pós-moderno. Embora você saiba muito sobre o marxismo, não parece ser o maior especialista sobre o pós-modernismo (termo muitas vezes não aceito por aqueles que são assim rotulados).

    Nem todos os anti-marxistas são pós-modernos, embora todos os pós-modernos sejam anti-marxistas.

    Wallerstein, caso você já tenha lido algo dele (o da economia-mundo é um clássico de três volumes) propõe uma história do capitalismo, lidando com os conceitos de crise, acumulação, sistema, etc… Todos conceitos que nenhum pós-moderno utilizaria.

    Wallerstein é o que nós chamamos de história de braudeliano. Dessa forma, a sua análise do sistema eclipsa bastante os indivíduos e foca na longuíssima duração. Dessa forma, Wallerstein não trabalha com a ideia de luta de classes, ao menos não do modo marxista.

    Não há burguesia revolucionária na revolução francesa, a revolução russa não muda o mundo… Desde o século XIII estariamos lidando com o capitalismo, um sistema que depende da sua própria expansão para existir (Lenin não falou alguma coisa parecida?).

    Eu, pessoalmente, não concordo com Wallerstein, porém o rótulo de pós-moderno com certeza não cabe a ele.

    Ah, e fico feliz que tenhamos um especialista tão grande de Marx acompanhando o blog, deveria participar mais!

ANONYMOUS

19 de outubro de 2011 às 00h34

meus amigos aqui, só comentam ou existe ATITUDE? OS SENHORES ESTÃO FAZENDO SUA PARTE?

Responder

    FrancoAtirador

    19 de outubro de 2011 às 01h09

    .
    .
    ÍH ! MAIS UM TROLL CABO DE VASSOURA P'RA INCOMODAR.
    .
    .

    Lu_Witovisk

    20 de outubro de 2011 às 08h21

    Se cada um, que frequenta o site, comentar em casa, com amigos, disseminar os textos já está fazendo a sua parte. Afinal, o objetivo é ter mais uma fonte de informação… quem sabe assim, mais gente sai da Matrix.

Yes we créu !!!

19 de outubro de 2011 às 00h07

Os americanos sao engracados, mais particularmente os republicanos, cujo candidato a disputar pelo partido a eleicao de 2012 disse esta noite num debate (se dirigindo aos protestos do "Occupy Wall Street"):

"Nao culpe Wall Street. Nao culpe os grandes bancos. Se vc nao tem um emprego e nao eh rico, culpe a si mesmo."

Isso nao eh apenas uma excentricidade, visto que uma imensa parcela dos americanos pensa assim.

Como alguem minimamente razoavel pode achar que uma sociedade dessa tem futuro?

Responder

    Mário SF Aives

    20 de outubro de 2011 às 11h48

    É grande a satisfação em saber que estás de volta, Yes.
    Já, quanto ao futuro, só a resistência dirá. E por resistência não imagino nada muito diferente da que os franceses impuseram à ocupação nazista.

    Yes we créu !!!

    27 de outubro de 2011 às 10h45

    Com certeza, Mario, a resistencia vai vir. E pra ficar.

demetrius

18 de outubro de 2011 às 23h23

Logo depois dos comerciais volta o Domingão do Faustão.

Então quer dizer que comparado a vitória do capitalismo sobre os ideiais que resultaram na Revolução Russa de 1917, onde um imenso esforço pela mudança do sistema não resultou em nada, o capitalismo atual está numa situação bem mais frágil fortalecendo nossos protestos?

Eu também acredito que a hora é agora!

Responder

Glecio_Tavares

18 de outubro de 2011 às 23h22

http://noticias.r7.com/brasil/noticias/governo-of… Pela nota se ve que o psdb pede proteção da PF ao PM acusador.
O PT não deveria fazer o mesmo em relação ao deputado Roque Barbieri?

Responder

Glecio_Tavares

18 de outubro de 2011 às 22h33

O pior de tudo é ver que diversos setores da mídia tentam colocar as marchas teleguiadas como parte da primavera arabe que virou mundial. Por isso volto a insistir que deveriamos nos juntar ao movimento e levantar bandeiras cobrando um judiciário democrático e uma mídia apartidária, ou pelo menos que seja obrigada a se posicionar perante a sociedade. Deveriamos cobrar mais presidios e melhores condições para os presos. Deveriamos levantar bandeiras para que as CPIs da assembléia legislativa fossem constituidas. Será que tomar o apoio do povo teleguiado dos cansados seria tão dificil assim?

Responder

    Glecio_Tavares

    18 de outubro de 2011 às 22h50

    http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/10

    A veja tem objetivo. Civita esta a mando de Murdoch e outros que imaginam migrar para o hemisfério sul quando o império decadente ruir de vez. Olho neles.

EUNAOSABIA

18 de outubro de 2011 às 21h32

Seja o que for, Lula e o PT tem que ficar bem longe disso.

Lula e o PT só produzem coisa ruim, mais o PT do que Lula. Lula pelo menos copiou e colou FHC durante oito anos…. e em se tratando de Lula, ter feito o NADA, já é algo "extraordinário".

Responder

    Lu_Witovisk

    18 de outubro de 2011 às 23h15

    ô Reinaldo Azevedo, pq não te calas? cara, vc é fake!!! como assim, copiou e colou FHC por 8 anos??? fala serio!

    Polengo

    18 de outubro de 2011 às 23h43

    E o que isso tem a ver com o texto?
    Você é paranóico, deve acordar e ver o Lula na parede do quarto, aí abre a geladeira e ele está lá com a barbona, fazendo "BU" pra você…

    Sabem aqueles testes psicotécnicos, psicológicos, que mostram um círculo numa folha branca prum psicopata e ele vê uma mulher pelada?
    Nosso amigo aqui vê o Lula.

    José Ruiz

    19 de outubro de 2011 às 08h53

    artigo interessantíssimo, refletindo uma "preocupação" super atual e gerando um rico debate… aí o cara vem com uma conversinha primária dessas, um monte de chavões padrão Veja, afff… por isso que a "essa direita" não progride (mais) no Brasil (ainda bem)… os caras são ocos… não é à tôa que o DEM agora tá apelando para "mulher maravilha e anão" para conquistar umas cadeiras na câmara de vereadores… os caras não tem proposta… com um chaveco nesse nível, só apelando mesmo..

Jorge Nunes

18 de outubro de 2011 às 21h05

Para mim não é o capitalismo que chegou o fim da linha. E sim o modelo de capitalismo selvagem e sua versão neoliberal.

O capitalismo pode ser amplamente funcional desde que o Estado garanta sua regulamentação e a proteção do cidadão.

O capitalismo europeu ocidental do pós-guerra, antes de ouvir o canto da sereia neoliberal é um bom exemplo.

Responder

    assalariado.

    18 de outubro de 2011 às 22h24

    Jorge Nunes diz: "o capitalismo europeu ocidental pós-guerra, antes de ouvir o canto da sereia neoliberal é um bom exemplo."

    É bom que se diga que, o Estado do bem estar social conseguido pelo povos do 1º mundo, foi e é, as custas da exploração de suas colonias, através de saques as suas riquezas nativas, e pagando salarios miseros, ex: a VW é alemã, lá os assalariados ganham 8x os salarios da colonia Brasilis, nos EUA a GM paga 10x mais do que sua filial do Brasil, etc…

    A natureza do capital é selvagem, simples assim. Seja na versão, monopolista, imperialista, neoliberal, neocolonial, das guerras de conquista, da jornada de trabalho, ritmo de trabalho, mais valia, mais valia absoluta, na concentração de riquezas, nas crises ciclicas, nos monopolios, nos trustes, nos superlucros, nos baixos salários, enfim,…

    Jorge, me diga em que fase de desenvolvimento da história do capitalismo, ele não foi selvagem?

    Saudações Socialistas.

    Jorge Nunes

    19 de outubro de 2011 às 07h32

    Houve tentativas boas de fazer o capitalismo mais decente.
    – Nos EUA antes de transformar as corporações em pessoas físicas e mais a frente com o New Deal, havia conseguindo um equilibro colocando um pouco mais de humanidade no capitalismo. Onde se controlava o capital com impostos e regulamentação (os ricos pagavam até 90% imposto em alguns casos). A crise de 2008 só foi possível devido a anos de políticas de desregulamentação do mercado.

    – As fábricas VW no Brasil que eu saiba era para atender o mercado interno. Mas foi a política brasileira de arrocho salarial da Ditadura Militar que permitiu salários mais baixos em relação aos salários da era JK. No Brasil havia uma perversão capitalista onde se reduziu o mercado interno. O mesmo processo de perversão ocorre hoje nos EUA com a brutal concentração de renda. Mas isso só foi possível com a desregulamentação da economia. Ou seja não foi a Alemanha que implantou no Brasil um regime que reduziu salários. Quando a VW veio para o Brasil o país era uma democracia.

    O capitalismo para o bem da humanidade nunca pode ser liberal ou neoliberal. Tem que haver um grau de regulamentação. Tem que ser uma forma de até mesmo de socialismo que permita o acesso a inovação,pois, nunca na URSS iria surgir um iPhone ou os computadores para consumo em massa que temos hoje.

    E o capitalismo fez coisas boas como derrotar o antigo regime e tirar a nobreza do poder. Ele nos tirou da Idade Média derrubando os senhores feudais.

    Hoje no Brasil o capitalismo patrocinado pelo Estado da Era Lula derrotou várias oligarquias, o Nordeste Brasileiro é um exemplo disso. Comparem o interior do Ceará de hoje com o de 10 anos atrás. Olhe o interior da Bahia.

    O capitalismo tem uma força transformadora e revolucionária, a questão é sua regulamentação.

    augusto

    19 de outubro de 2011 às 11h26

    jorge, eu sinto que a força revolucionaria do capitalismo nao vai chegr mais ao homem comum, pobre.
    ' o melhor sistema, método para alocar e fazer render os fatores de produçao escassos, como capital", não ha duvida.
    A prova que ele se destroi por contradiçoes internas está no fato que é no mundo rico, onde ele opera forte ha mais tempo em toda sua amplitude – que está fazendo agua. No mundo emergente
    a gente viu e evitou o grosso da parte destrutiva: a brutal libertadade dos derivativos…
    E no mundo mais, digamos primitivo, como a africa eles tem ESPERANÇA de construi-lo em suas sociedades e inveja das sociedades ricas … até ve-las desmoronar! Sao fatos.

    assalariado.

    19 de outubro de 2011 às 21h15

    Jorge, a lógica do capital é não ter lógica humana. Voce não percebe que o deus mercado não veio para distribuir renda, veio sim e ,esta é a sua logica funcional, distribuir miséria, e concentrar a riqueza prooduzida pela classe assalariada. Um dado concreto, que já estamos careca de saber: o Brasil é a 7ª economia do planeta, no entanto somos o 75º em qualidade de vida. Pois, deveriamos ser em qualidade de vida, também pela "lógica" do capital, termos no Brasil a 7ª qualidade de vida, no entanto,…

    Carlos Rico

    18 de outubro de 2011 às 22h46

    Não existe bom e mau liberalismo.Liberalismo é liberalismo e ponto."O capitalismo europeu ocidental do pós-guerra" foi uma resposta ao avanço soviético e ponto.É impossível conciliar o "capitalismo bom(sic) – o estado de bem-estar social – com o "capitalismo mau".

    O exemplo europeu é muito legal:França,Noruega,Dinamarca etc.Mas esse negócio de tentar conciliar essa recompensa – justíssima,em parte – com o liberalismo,seja em que forma estiver disposto,não dá certo.O que sobra são Estados superendividados(França e Inglaterra têm 4 vezes seu PIB em dívida nesse movimento de conciliação de capitalismo com "socialismo"),e no circuito do capital não é assim que a banda toca.

    Ou bem o capital,ou bem a humanidade.

    Nelson

    19 de outubro de 2011 às 17h02

    Discordo, meu caro Jorge. Creio que o sistema econômico-produtivo em que estamos inseridos chegou, sim, ao fim da linha.
    Obviamente, que um sistema, o qual "respiramos por todos os nossos poros", não vai acabar, sumir, de repente, como qualquer outro que tenha tamanha abrangência sobre a sociedade. Aqueles que sempre lucraram e estão lucrando com tal sistema estão fazendo, e farão, tudo que puderem para não deixá-lo desaparecer por completo. Guerras e genocídios, fazem parte desse menu.
    Ou seja, barbárie crescente é o que podemos vislumbrar para os anos imediatamente vindouros.

    Luiz Fortaleza

    19 de outubro de 2011 às 17h20

    Isso é o discurso neoliberal da eternização do capitalismo com o se fosse o último sistema da produção final da sociedade. É negar o movimento histórico, é negar o princípio da negatividade, da revolução como uma nova evolução humana. O escravismo antigo, o feudalismo medieval e o capitalismo moderno… um sistema nega o outro e a história humana é assim baseada no princípio da negatividade como uma nova afirmação da história. R- EVOLUCIONAR = NOVA EVOLUÇÃO SOCIAL. Negar isso é ter uma visão estática. Mas todo sistema tem o germe de sua negação.

Roberto Locatelli

18 de outubro de 2011 às 19h48

Ôpa, pera lá, Marx nunca disse que o capitalismo sucumbiria "num ato heroico". Ao contrário, ele previa que, mais cedo ou mais tarde, o sistema sucumbiria a suas próprias contradições.

Cabe a nós não ficar sentados esperando. É preciso preparar a humanidade para um novo sistema mais justo, tenha ele que nome tiver. O que não podemos aceitar mais é que existam pessoas morrendo de fome enquanto uma minoria tem bilhões em sua conta bancária.

Responder

    Carlos Rico

    18 de outubro de 2011 às 22h53

    Marx acreditava nas duas coisas:tanto na auto-degradação do sistema,por suas próprias contradições – materialismo dialético,dialética – quanto num movimento capaz de destruir o sistema capitalista,não obstante ser o filósofo e economista alemão um dos fundadores da Internacional dos Trabalhadores.

    O capitalismo talvez tenha,de fato,chegado no seu "fim",limite,melhor.Seu papel histórico parece ter chegado no seu cume.

    E já vai tarde…

    FrancoAtirador

    18 de outubro de 2011 às 23h05

    Mário SF Aives

    20 de outubro de 2011 às 11h41

    De acordo.

    Bonifa

    21 de outubro de 2011 às 12h04

    De acordo. E tem também o seguinte: Nada foi em vão. Se não existisse a União Soviética nem existiria a Social-Democracia. Nem existiria a NASA e inversão obrigatória de dinheiro do contribuinte americano em projetos sonhadores visando a corrida espacial. Nem existiria a independência de muitas nações africanas. Nem existiria Cuba. O Neoliberalismo viria antes do tempo e não teria adversários à altura, podendo desembocar na mais terrível ditadura mundial. Deus sabe o que está fazendo.

marcio_cr

18 de outubro de 2011 às 19h36

O comunismo morreu em 1989 e o capitalismo em 2011. Então o que teremos agora?

Responder

    Roberto Locatelli

    18 de outubro de 2011 às 21h41

    O que morreu em 1989 foi uma caricatura macabra do socialismo, conhecida como stalinismo. Já foi tarde.

    Silvio de Almeida

    18 de outubro de 2011 às 23h57

    Na verdade, Roberto, o que morreu em 1989 foi uma caricatura macabra do próprio capitalismo que o grande economista francês Charles Bettelheim chamou de "capitalismo de estado". Apenas usava os símbolos, os discursos e falava em nome do socialismo, coisa que nunca foi.

    Roberto Locatelli

    18 de outubro de 2011 às 21h43

    E, não, o capitalismo não morreu em 2011. Apenas mostrou que é um sistema cujo prazo de validade está próximo de vencer.

    assalariado.

    18 de outubro de 2011 às 22h27

    marcio, quem te falou que existiu o comunismo? De onde voce tirou esta idéia?

    Eu não tenho duvidas: Socialismo ou Babarie!

    Saudações Socialistas.

    Gabi

    19 de outubro de 2011 às 10h12

    Ecossocialismo ou Barbarie!

    rodrigo.aft

    19 de outubro de 2011 às 11h31

    Gabi, mto bem lembrado!

    temos recursos finitos e uma "ambição" infinita… tem de haver um meio termo, senão vai todo mundo pro beleléu!!!

    então, vou de ecoanarquismo, pois não tem um estado centralizador como no capitalismo, nem no socialismo.

    (me refiro a Anarquismo histórico, filosófico, não anarquismo como sinônimo — propositalmente distorcido e difundido — de bagunça, desorganização)


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