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Diário da Resistência


Estados Unidos imprimem dinheiro e o mundo paga a conta
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Estados Unidos imprimem dinheiro e o mundo paga a conta


14/12/2012 - 19h12

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por Luiz Carlos Azenha

Richard Duncan é autor do livro The Dollar Crisis, lançado em 2003, que anteviu a crise financeira global deflagrada em 2008 com a implosão do banco de investimentos Lehman Brothers nos Estados Unidos. Em entrevista à revista New Left Review, ele define o capitalismo em que vivemos como a era do “creditismo” e prevê que qualquer regulamentação do sistema financeiro resultará num colapso econômico global, por revelar as falcatruas nas quais o sistema hoje se sustenta. Ele identifica a origem da crise atual na decisão dos Estados Unidos de abandonar o padrão-ouro, que exigia que o país tivesse depositados 25 centavos em ouro para cada dólar impresso pelo Tesouro.

Outros trechos:

[A primeira parte está aqui]

[A segunda parte está aqui]

NLR: Quais foram os objetivos do governo dos Estados Unidos ao lidar com a crise? Como você avaliaria as políticas até agora?

Richard Duncan: O objetivo da política do governo dos Estados Unidos tem sido a de perpetuar a expansão do crédito para evitar um colapso. Até agora os Estados Unidos conseguiram mais ou menos sustentar o nível total de dívida no mercado de crédito. Conseguiram isso acumulando um déficit de U$ 5 trilhões, o qual provavelmente não teriam conseguido financiar se o Banco Central [Federal Reserve] não tivesse imprimido U$ 2 trilhões para injetar na economia. Inicialmente, em 2007 e 2008, o resgate do setor financeiro e o estímulo de U$ 787 bilhões foram financiados com a venda de papéis do governo. Mas aquela rodada inicial de ajuda ao setor financeiro já tinha custado U$ 1 trilhão — cerca de U$ 544 bilhões em empréstimos aos bancos norte-americanos, U$ 118 bilhões ao Bear Stearns e [seguradora] AIG e U$ 333 bilhões à agência de financiamento de papéis comerciais. Então o Banco Central começou sua política de ‘quantitative easing’ em novembro de 2008. Naturalmente, QE é um eufemismo para criação de dinheiro do nada: a ‘quantidade’ se refere ao dinheiro em existência, o ‘easing’ significa criar mais — ‘facilitar’ as condições de liquidez.

A primeira rodada, QE1, foi usada principalmente para dar alívio aos bancos e outras instituições que estavam carregadas de papéis podres do mercado imobiliário. O programa foi ampliado em março de 2009, de U$ 600 bilhões para mais de U$ 1,75 trilhão, para durar até março de 2010. Assim que acabou, a economia dos Estados Unidos entrou numa fase ruim no verão de 2010. Em agosto de 2010 Bernanke já estava falando em outra rodada, a QE2, que foi anunciada formalmente em novembro, para continuar até junho de 2011. Daquela vez o Banco Central imprimiu U$ 600 bilhões, que usou para comprar de volta papéis do governo, financiando assim o déficit do orçamento. Com algumas diferenças, o mesmo caminho foi seguido pelo Banco Central Europeu e pelo Banco da Inglaterra, mas em escala menor.

Dada a natureza do debate sobre o déficit de orçamento dos Estados Unidos, é importante enfatizar qual seria a alternativa se o governo não tivesse se envolvido. O crédito total teria começa a se contrair em 2008, quando o setor privado não teria mais condições de pagar os juros de sua dívida e o tipo de espiral dívida-deflação descrita por Irving Fisher teria acontecido. A economia dos Estados Unidos teria mergulhado em uma nova Grande Depressão e, com ela, o resto do mundo.

[…]

Desde 2011, eu diria que os custos do QE se tornaram maiores que os benefícios, que tem dado retorno cada vez menor. O ‘quantitative easing’ criou inflação no preço dos alimentos, o que é muito danoso para 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia. Li que os preços globais dos alimentos subiram 60% durante QE2 e este foi um dos fatores que levaram à Primavera Árabe. O aumento nos preços do petróleo foi muito negativa para a economia dos Estados Unidos; a queda do consumo nos Estados Unidos em 2011 se deveu ao aumento nos preços da comida e do petróleo. Voltamos à velha teoria sobre a quantidade de dinheiro em circulação: se você aumentar a quantidade de dinheiro, os preços sobem. Até agora, isso teve pequeno impacto no preço das manufaturas, por causa do grande efeito deflacionário da globalização e a redução de 95% no custo marginal do trabalho que ela representou.

Então, não vemos inflação nos produtos industrializados. Mas os preços dos alimentos aumentaram em todo lugar. Se o preço em dólar dos alimentos sobe — se o preço do arroz em dólar sobe — o preço do arroz aumenta em todo o mundo; caso contrário, o produto seria vendido no mercado dolarizado. Se o preço do arroz nos Estados Unidos aumenta, também aumenta na Tailândia. E quando o Banco Central dos Estados Unidos imprime dinheiro, o preço da comida sobe. Esta é a grande desvantagem, o grande problema real do QE — caso contrário, seria uma coisa boa: imprima dinheiro, faça o preço das ações subir na bolsa e todo mundo ficará rico e feliz. Mas existe também este impacto, de criar inflação no preço dos alimentos.

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13 comentários

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Alexis Tsipras: Alemanha abandonaria euro sem Atenas « Viomundo – O que você não vê na mídia

28 de dezembro de 2012 às 15h07

[…] Richard Duncan: Estados Unidos imprimem dinheiro e o mundo paga a conta […]

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Richard Duncan: O esquema Ponzi de U$ 50 trilhões vai desabar? « Viomundo – O que você não vê na mídia

25 de dezembro de 2012 às 21h07

[…] Richard Duncan: Estados Unidos imprimem dinheiro e o mundo paga a conta […]

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Rodolfo Machado

20 de dezembro de 2012 às 14h17

Mundo pós-EUA nasceu em Phnom Penh

http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/12/mundo-pos-eua-nasceu-em-phnom-penh.html

27/11/2012, Spengler, Asia Times Online
“Post-US world born in Phnom Penh”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

David P. Goldman
(Spengler)
É sintomático, da condição nacional em que estão os EUA, que a maior humilhação jamais sofrida pelo país como nação, e por um presidente dos EUA pessoalmente, tenha passado praticamente sem qualquer comentário, semana passada. Refiro-me ao anúncio, dia 20 de novembro, em reunião que acontecia em Phnom Penh, de que 14 nações asiáticas, nas quais vive metade da população do planeta, estão formando uma Parceria Econômica Regional Ampla [orig. Regional Comprehensive Economic Partnership], que exclui os EUA.

O presidente Barack Obama participou da reunião para vender uma Parceria Trans-Pacífico com base nos EUA que excluiria a China. Não vendeu. A parceria liderada pelos americanos virou festa para a qual nenhum convidado apareceu.

Regional Comprehensive Economic Partnership (Geografia)

Diferente disso, a Associação de Nações do Sudeste Asiático [orig. Association of Southeast Asian Nations] “mais” China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, formará um clube que deixa de fora os EUA. Com 3 bilhões de asiáticos cada dia mais prósperos, desvanece-se o interesse pela contribuição possível de 300 milhões de norte-americanos – especialmente quando os americanos cada vez menos assumem os riscos de novas tecnologias. Da grande força econômica dos EUA, a saber, de sua capacidade para inovar, existe principalmente a lembrança, com a crise econômica já entrando no quarto ano, desde 2008.

Regional Comprehensive Economic Partnership (países membros)

Questão deixada de lado na campanha eleitoral, a iniciativa da Parceria Trans-Pacífico foi objeto de muita agitação no circuito político. Salon.com exaltava, dia 23/10:

Esse acordo é parte nuclear do movimento de “pivô” na direção da Ásia e ocupou inúmeros think tanks e políticos em Washington, mas permaneceu encoberto pelo alarido e alvoroço da eleição. Mas mais que qualquer outra política, as tendências que a Parceria Trans-Pacífico representa podem reestruturar as relações exteriores dos EUA e, potencialmente, a própria economia.

De fato, essa visão grandiosa, de mudança de jogo, só mobilizou aquela gente triste, estranha, que agita a política nos intestinos do governo Obama. A importância relativa dos EUA está sumindo.

Para pôr esses temas em contexto: as exportações dos países asiáticos cresceram mais de 20% a partir do pico de antes da crise econômica de 2008; enquanto as exportações europeias caíram mais de 20%. As exportações norte-americanas cresceram só marginalmente (cerca de 4%) a partir do pico pré-2008.

Prova 1: Exportações da Ásia, Europa e EUA

As exportações da China para a Ásia, por sua vez, cresceram 50% a partir do pico pré-crise; as exportações para os EUA cresceram cerca de 15%. Em US$90 bilhões, as exportações da China para a Ásia são três vezes o que o país exporta para os EUA.

Depois de meses e ousadas (além de completamente erradas) previsões de que a economia chinesa teria pouso turbulento, é hoje evidente que a China não terá pouso algum, nem turbulento, nem não turbulento. O consumo doméstico, como as exportações para a Ásia estão ambos próximos de 20% acima dos níveis do ano passado, compensando a fragilidade de alguns mercados de exportação e do setor de construção. Estagnadas estão, isso sim, as exportações para a moribunda economia dos EUA.

Prova 2: Exportações da China para a Ásia vs EUA

Source: Bloomberg

Em 2002, a China importou cinco vezes mais da Ásia do que dos EUA. Hoje, importa 10 vezes mais da Ásia, que dos EUA.

Prova 3: Importações chinesas dos EUA e da Ásia

Source: Bloomberg

Seguindo padrões comerciais, as moedas asiáticas começaram a ser negociadas em termos mais próximos do renminbi chinês, que do dólar norte-americano. Arvind Subramanian e Martin Kessler escreveram, em outubro de 2012, em estudo para o Peterson Institute:

O crescimento de um país para a dominância econômica tende a ser acompanhado por sua moeda tornar-se um ponto de referência, com outras moedas acompanhando-a, implícita ou explicitamente. Para uma amostra de economias de mercado emergentes, mostramos que, nos últimos dois anos, o renminbi (RMB/yuan) tornou-se crescentemente moeda de referência, o que definimos como aquela que mostra alto grau de comovimento com outras moedas.

No Leste da Ásia já há um bloco renminbi, porque o renminbi tornou-se moeda dominante de referência, eclipsando o dólar, o que é desenvolvimento histórico. Nessa região, sete moedas, dentre 10, comovimentam-se mais próximas do renminbi do que do dólar, com o valor médio do comovimento com o renminbi sendo 40% maior do que com o dólar. Descobrimos que comovimentos com uma moeda de referência, especialmente para o renmimbi, estão associados com integração comercial.

Extraímos algumas lições das prospectivas para o bloco do renminbi de mover-se além da Ásia, baseadas numa comparação entre a situação de hoje do bloco renminbi e a do yen japonês no início dos anos 1990s. Se o comércio fosse a única força, um bloco renminbi mais global pode emergir em meados dos anos 2030s, mas reformas complementares do setor financeiro e externo podem acelerar consideravelmente o processo.

Tudo isso é bem conhecido e está exaustivamente discutido. A questão é o quê os EUA farão sobre isso, se é que farão alguma coisa.

Onde os EUA têm uma vantagem competitiva? Além da aviação comercial, equipamento de geração de energia e da agricultura, há algumas poucas áreas de real destaque industrial. O gás natural barato ajuda algumas indústrias de baixo valor agregado, como a de fertilizantes, mas os EUA estão ficando para trás no espaço industrial.

Há quatro anos, quando Francesco Sisci e eu propusemos um acordo monetário sino-americano, como âncora para a integração comercial, os EUA ainda dominavam a indústria de usinas nucleares. Com a venda do braço de energia nuclear da Westinghouse à Toshiba, e das joint-ventures da Toshiba com a China para construir usinas nucleares locais, aquela vantagem evaporou.

O problema é que os americanos pararam de investir em indústrias de alta tecnologia e alto valor agregado que produzem manufaturas de que a Ásia carece. Os pedidos de bens de capital de manufaturas estão 38% abaixo do pico de 1999, descontada a inflação. E as alocações de capital de risco em manufatura high tech secaram.

Prova 4: Colapso das alocações de capital de risco para indústrias relacionadas às exportações (Março 2003=100)

Source: National Venture Capital Association

Prova 5: Pedidos de bens de capital norte-americanos quase 40% abaixo do pico de 1999 em termos reais

Source: Bureau of Economic Analysis

Sem inovação e investimento, todos os acordos comerciais que o circuito político em Washington conceba pouco ou nada ajudarão. Nem ajudará, deve-se acrescentar, algum ajuste nas taxas de câmbio.

Difícil imaginar o que o presidente Obama teria em mente ao chegar à Ásia com proposta de uma Parceria Trans-Pacífico desenhada para manter a China ao largo. O que os EUA têm a oferecer aos asiáticos?

Estão tomando emprestados $600 bilhões por ano, do resto do mundo, para financiar uma dívida estatal de $1,2 trilhões, principalmente do Japão (a China foi vendedora líquida de seguros do Tesouro durante o ano passado).
São tomadores de capital, não provedores de capital.
São grande mercado importador, mas o mercado está diminuindo rapidamente, em importância relativa, enquanto o comércio intra-asiático cresce mais rapidamente que o comércio com os EUA.
E a força dos EUA como inovadores e incubadores de empreendedores diminuiu drasticamente desde a crise de 2008, sem agradecimentos ao governo Obama, que impôs dura tarefa aos que pensem em iniciar um negócio, sob a forma de seu programa de assistência à Saúde.

Países participantes da reunião de Phnon Penh (note local da bandeira dos EUA)
Washington pode querer muito “pivotear-se” na direção da Ásia. Em Phnom Penh, contudo, líderes asiáticos, de fato, convidaram Obama a fazer um pivô de 360 graus e voltar para casa.

Responder

Rodolfo Machado

20 de dezembro de 2012 às 10h52

http://www.paulcraigroberts.org/2012/12/17/the-fiscal-cliff-is-a-diversion-the-derivatives-tsunami-and-the-dollar-bubble/

The Fiscal Cliff Is A Diversion: The Derivatives Tsunami and the Dollar Bubble

The “fiscal cliff” is another hoax designed to shift the attention of policymakers, the media, and the attentive public, if any, from huge problems to small ones.

The fiscal cliff is automatic spending cuts and tax increases in order to reduce the deficit by an insignificant amount over ten years if Congress takes no action itself to cut spending and to raise taxes. In other words, the “fiscal cliff” is going to happen either way.

The problem from the standpoint of conventional economics with the fiscal cliff is that it amounts to a double-barrel dose of austerity delivered to a faltering and recessionary economy. Ever since John Maynard Keynes, most economists have understood that austerity is not the answer to recession or depression.

Regardless, the fiscal cliff is about small numbers compared to the Derivatives Tsunami or to bond market and dollar market bubbles.

The fiscal cliff requires that the federal government cut spending by $1.3 trillion over ten years. The Guardian reports that means the federal deficit has to be reduced about $109 billion per year or 3 percent of the current budget. http://www.guardian.co.uk/world/2012/nov/27/fiscal-cliff-explained-spending-cuts-tax-hikes More simply, just divide $1.3 trillion by ten and it comes to $130 billion per year. This can be done by simply taking a three month vacation each year from Washington’s wars.

The Derivatives Tsunami and the bond and dollar bubbles are of a different magnitude.
Last June 5 in “Collapse At Hand” http://www.paulcraigroberts.org/2012/06/05/collapse-at-hand/ I pointed out that according to the Office of the Comptroller of the Currency’s fourth quarter report for 2011, about 95% of the $230 trillion in US derivative exposure was held by four US financial institutions: JP Morgan Chase Bank, Bank of America, Citibank, and Goldman Sachs.

Prior to financial deregulation, essentially the repeal of the Glass-Steagall Act and the non-regulation of derivatives–a joint achievement of the Clinton administration and the Republican Party–Chase, Bank of America, and Citibank were commercial banks that took depositors’ deposits and made loans to businesses and consumers and purchased Treasury bonds with any extra reserves.

With the repeal of Glass-Steagall these honest commercial banks became gambling casinos, like the investment bank, Goldman Sachs, betting not only their own money but also depositors money on uncovered bets on interest rates, currency exchange rates, mortgages, and prices of commodities and equities.

These bets soon exceeded many times not only US GDP but world GDP. Indeed, the gambling bets of JP Morgan Chase Bank alone are equal to world Gross Domestic Product.

According to the first quarter 2012 report from the Comptroller of the Currency, total derivative exposure of US banks has fallen insignificantly from the previous quarter to $227 trillion. The exposure of the 4 US banks accounts for almost of all of the exposure and is many multiples of their assets or of their risk capital.

The Derivatives Tsunami is the result of the handful of fools and corrupt public officials who deregulated the US financial system. Today merely four US banks have derivative exposure equal to 3.3 times world Gross Domestic Product. When I was a US Treasury official, such a possibility would have been considered beyond science fiction.

Hopefully, much of the derivative exposure somehow nets out so that the net exposure, while still larger than many countries’ GDPs, is not in the hundreds of trillions of dollars. Still, the situation is so worrying to the Federal Reserve that after announcing a third round of quantitative easing, that is, printing money to buy bonds–both US Treasuries and the banks’ bad assets–the Fed has just announced that it is doubling its QE 3 purchases.

In other words, the entire economic policy of the United States is dedicated to saving four banks that are too large to fail. The banks are too large to fail only because deregulation permitted financial concentration, as if the Anti-Trust Act did not exist.

The purpose of QE is to keep the prices of debt, which supports the banks’ bets, high. The Federal Reserve claims that the purpose of its massive monetization of debt is to help the economy with low interest rates and increased home sales. But the Fed’s policy is hurting the economy by depriving savers, especially the retired, of interest income, forcing them to draw down their savings. Real interest rates paid on CDs, money market funds, and bonds are lower than the rate of inflation.

Moreover, the money that the Fed is creating in order to bail out the four banks is making holders of dollars, both at home and abroad, nervous. If investors desert the dollar and its exchange value falls, the price of the financial instruments that the Fed’s purchases are supporting will also fall, and interest rates will rise. The only way the Fed could support the dollar would be to raise interest rates. In that event, bond holders would be wiped out, and the interest charges on the government’s debt would explode.

With such a catastrophe following the previous stock and real estate collapses, the remains of people’s wealth would be wiped out. Investors have been deserting equities for “safe” US Treasuries. This is why the Fed can keep bond prices so high that the real interest rate is negative.

The hyped threat of the fiscal cliff is immaterial compared to the threat of the derivatives overhang and the threat to the US dollar and bond market of the Federal Reserve’s commitment to save four US banks.

Once again, the media and its master, the US government, hide the real issues behind a fake one. The fiscal cliff has become the way for the Republicans to save the country from bankruptcy by destroying the social safety net put in place during the 1930s, supplemented by Lyndon Johnson’s “Great Society” in the mid-1960s.

Now that there are no jobs, now that real family incomes have been stagnant or declining for decades, and now that wealth and income have been concentrated in few hands is the time, Republicans say, to destroy the social safety net so that we don’t fall over the fiscal cliff.

In human history, such a policy usually produces revolt and revolution, which is what the US so desperately needs.

Perhaps our stupid and corrupt policymakers are doing us a favor after all.

Responder

    H. Back™

    04 de janeiro de 2013 às 15h09

    “(…) Produces revolt and revolution, which is what the U.S. needs so desperately.”
    Yes, and after its destruction, we have to build everything again, and here they come again steal the remains of the dying and dead.

O Brasil, a China e as commodities « Viomundo – O que você não vê na mídia

18 de dezembro de 2012 às 23h03

[…] Estados Unidos imprimem dinheiro e o mundo paga a conta […]

Responder

Bad Streaming

17 de dezembro de 2012 às 12h43

Isso me lembra uma capa da Veja em que o tio Sam aponta e a revista diz que os EUA salvaram você. Aham, vai vendo.

Acho cretina as análises em que comparam Brasil com EUA em relação a impostos ou valor de produtos importados. Eles tem um deficit pra la de lá de insustentável. Hoje importam com valores baixíssimos commodities imprimindo papel moeda.

A coisa vai apertar quando se concretizarem mercados fora do padrão dólar. Ficar atento quando a China começar a se livrar discretamente dos papéis da dívida americana.

Responder

FrancoAtirador

16 de dezembro de 2012 às 21h51

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AGORA, A EXTREMA-DIREITA VAI SE ESGÜELAR:

Tendência de recuperação de Chávez é positiva, diz ministro em Havana

O quadro de saúde do presidente Hugo Chávez foi revertido e a tendência é positiva, informou neste domingo (16/12) o ministro do Poder Popular para a Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza.

“O país deve ficar tranquilo. A equipe médica do comandante é extraordinária. Aquele processo inicial foi revertido e os momentos de tensão foram superados”, explicou o ministro que acompanha o tratamento de Chávez em Havana.

O presidente está acompanhando as eleições regionais deste domingo e recebe informações minuto a minuto

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/26052/tendencia+de+recuperacao+de+chavez+e+positiva+diz+ministro+em+havana.shtml
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Luis Fernando Veríssimo tem alta após 24 dias de internação

Agência Brasil

Brasília – O escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo, de 76 anos, recebeu alta hoje (14) depois de 24 dias internado.

Segundo o boletim médico, a recuperação clínica de Veríssimo foi favorável e não é mais necessário o tratamento por hemodiálise.

Filho do escritor Érico Veríssimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre e é muito conhecido pelas crônicas e textos de humor publicados em diversos jornais do país.
É também cartunista e tradutor, roteirista de televisão, autor de teatro e músico.

Edição: Nádia Franco

http://www.ebc.com.br/2012/12/luis-fernando-verissimo-tem-alta-apos-24-dias-de-internacao

Responder

H. Back™

15 de dezembro de 2012 às 14h38

Tenho notado que na grande maioria dos massacres causados por menores e jovens, tem um fator comum que provocou essas carnificinas: o da infância turbulenta, seja na escola ou no lar. Então se faz necessário mudar o conceito do que seja uma educação sadia.

Responder

FrancoAtirador

15 de dezembro de 2012 às 10h20

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O PARADIGMA DO MILLENIUM: O PAÍS DA LIBERDADE… PARA MATAR…

É ISTO O QUE QUEREM PARA O BRASIL?

14/12/2012
Ataque nos EUA deixa 28 mortos, incluindo 20 crianças em escola

Por Chris Kaufman

NEWTOWN, Estados Unidos, 14 Dez (Reuters) – Um homem fortemente armado abriu fogo contra alunos e funcionários de uma escola primária de Connecticut, nos Estados Unidos, matando pelo menos 26 pessoas, inclusive 20 crianças, nesta sexta-feira, no mais recente de uma série de massacres com armas de fogo no país.

O autor do massacre morreu dentro da Escola Primária Sandy Hook, em Newtown, no Estado de Connecticut, na Costa Leste dos EUA, disse o tenente da polícia local, Paul Vance, em entrevista coletiva.

Vance contou que o homem matou 18 crianças e seis adultos na escola, e duas crianças feridas morreram mais tarde no hospital. Outra pessoa ligada ao suspeito foi encontrada morta numa casa em Newtown, elevando o total de vítimas fatais para 28.

Um dos mortos era a mãe do atirador, uma professora da escola, segundo o The New York Times, citando uma autoridade de segurança. O jornal também disse que o homem se matou no local do crime.

O suposto atirador entrou na escola enquanto as crianças estavam dentro das salas de aula na parte da manhã. Ele portava quatro armas e usava um colete à prova de balas, afirmou a WABC.

Esse é um dos piores massacres armados na história do país. A tragédia, em plena época natalina, foi a segunda desse tipo nesta semana nos Estados Unidos e deve contribuir para a retomada do debate sobre o controle de armas.

Emocionado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso na sala de imprensa da Casa Branca e lamentou a morte de “pequenas crianças lindas com idades entre 5 e 10 anos”.

“Como país, passamos por isso muitas vezes”, disse Obama, descrevendo uma lista de massacres recentes.

“Vamos ter que nos unir e tomar medidas significativas para evitar mais tragédias como essa, independentemente da política”, disse Obama em aparente referência à influência da Associação Nacional de Rifles sobre membros do Congresso.

Obama continua empenhado em tentar renovar a proibição de armas de assalto, disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Testemunhas disseram ter ouvido dezenas de tiros, com alguns afirmando que foram 100. Outra pessoa estava sendo mantida sob custódia da polícia após ser detida num bosque perto da escola vestindo calças de camuflagem, informou a CBS.

CRIANÇAS ENSANGUENTADAS

A Escola Primária Sandy Hook leciona para crianças do jardim da infância à quarta série, com idades de 5 a 10 anos.

“Foi horrível”, disse Brenda Lebinski, mãe de uma aluna da terceira série. “Todo mundo estava histérico – pais, alunos. Havia crianças saindo da escola ensanguentadas. Não sei se foram baleadas, mas estavam ensanguentadas.”

Imagens de TV mostraram carros de polícia e ambulâncias em frente à escola. Pais eram vistos correndo na direção da escola e levando seus filhos embora.

A cidade de Newtown, com população de 27.000 habitantes, está localizada no Condado Fairfield, 70 quilômetros a sudoeste de Hartford e 130 quilômetros a nordeste da Cidade de Nova York.

Os Estados Unidos testemunharam uma série de massacres do tipo nesse ano, o mais recente em Oregon, onde um atirador abriu fogo dentro de um shopping na terça-feira, matando duas pessoas e ele mesmo.

Até agora, o massacre mais violento do ano no país ocorreu em julho durante uma pré-estreia do novo filme do personagem Batman. Na ocasião, um ex-universitário matou 12 pessoas e feriu 58 dentro do cinema no Colorado.

Escolas são cenários frequentes de massacres desse tipo nos Estados Unidos. No pior deles, em 2007, 32 pessoas foram mortas por um ex-aluno na Universidade Virginia Tech.

Num outro caso marcante, em 1999, dois adolescentes assassinaram 12 colegas e uma professora antes de cometerem suicídio na escola de ensino médio Columbine, no Colorado.

(Reportagem adicional de Dan Burns, Chris Francescani, Peter Rudegeair, Ellen Wulfhorst e Erin Geiger Smith)

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE8BD05W20121214?sp=true

Responder

    H. Back™

    15 de dezembro de 2012 às 14h47

    Tenho notado que na grande maioria dos massacres causados por menores e jovens, tem um fator comum que provocou essas carnificinas: o da infância turbulenta, seja na escola ou no lar. Então faz-se necessário mudar o conceito do que seja uma educação sadia, mudando paradigmas sociais, onde o sucesso financeiro vem antes da realização pessoal.

    FrancoAtirador

    15 de dezembro de 2012 às 21h31

    .
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    “Mass Murder” nas escolas: aconteceu…mais uma vez!

    Por Francisco Carlos Teixeira*, na Carta Maior

    As notícias chegadas nas últimas horas ( 14/12/12) nos dão conta de mais um ataque massivo – “mass murder” – de um atirador contra civis inocentes nos Estados Unidos.
    Desta feita o massacre, atingindo crianças, foi em Sandy Hook, Connecticut.
    A imprensa norte-americana, notável por seus meios e equipamentos, transmitiu do local desde cedo e assinalou, com um traço vermelho, que era hora de oferecer solidariedade aos familiares e evitar quaisquer debates políticos sobre.
    A polícia prometeu, por sua vez, “esclarecer todos os fatos”.
    Será isso mesmo?

    CASO DE POLÍCIA, SAÚDE MENTAL E FENÔMENO SOCIAL
    O mais notável no massacre de Sandy Hook, e tristemente notável, é a repetição dos acontecimentos narrados pelas agências internacionais. No caso atual um atirador mata um familiar, possivelmente em casa, e então busca a escola em que ela trabalha – ainda falta apurar detalhes – , e ele mesmo estudara, e inicia um ataque em massa contra os pequenos alunos. O saldo ainda não confirmado aponta para possivelmente mais de trinta pessoas mortas, a maioria crianças. Sandy Hook é uma “elementary school”, sendo seus alunos crianças e pré-adolescentes. O atirador, Adam Lanza, morto no local, tinha 20 anos e estava pesadamente armado com armas automáticas compradas por sua própria mãe.

    Os ataques desse tipo, em especial contra escolas, são repetitivos no caso americano, a ponto de contarmos 177 ataques contra “High Schools” (a partir de 1853) e 111 outros contra “Elementary schools”, incluindo o atual ataque contra Sandy Hook. Alguns destes ataques, como Sandy Hook ou Bath School, em 1927, foram verdadeiros banhos de sangue. Outras, poucos, infelizmente, foram frustrados, deixando feridos e mereceram pouco destaque na mídia. Um bom número atingiu apenas um aluno ou um professor, sendo tratado com forte indiferença. A maioria absoluta deles foi cometida por alunos (e/ou funcionários) que estudavam/trabalhavam na mesma escola atacada e, ainda uma vez, a maioria dos atacantes, bem como de suas vítimas, tinha entre 14-18 anos de idade. Grande parte dos perpetradores deixou relatos – como no caso brasileiro da escola de Realengo (RJ) em 2011-, ou colegas relataram, um perfil solitário, inteligência média-alta, dedicação aos estudos e grande dificuldade de estabelecer e/ou manter relacionamentos. A grande maioria dos adolescentes e jovens sofreu alguma forma de assédio e de exclusão social, algumas vezes publicamente e de forma violenta (ainda uma vez como no caso da escola em Realengo, RJ).

    Neste contexto – como também dos assassinatos de massa na Noruega e na Alemanha – os “especialistas” trataram de construir, rapidamente, análises e perfis “pessoais”, buscando descobrir o que, na personalidade do perpetrador, originou os ataques. Assim, uma “cliniquização” ( ou uma explicação psicologizante ) do atacante – família desfeita, distúrbios mentais, uso de drogas – é imediatamente aventada. Embora, paradoxalmente, os próprios colegas digam que eram “excêntricos” talvez, mas não mais do que boa parte do alunado – e que não mata colegas!

    Assim, a sociedade e suas instituições, em especial as escolas, seriam poupadas de quaisquer responsabilidades na irrupção de um surto psicótico na pessoa do atacante. Em suma, estaríamos verdadeiramente buscando as respostas certas no lugar/pessoas certas? Ou, num movimento rápido de ocultamente do massacre que se passa nas escolas, estaríamos ocultando a dimensão social dos “mass murder” e de seus íntimos imbricamentos com o clima mental e emocional existente nas escolas?

    É comum ouvirmos, e depois de 38 anos de magistério pude, eu mesmo, vivenciar e acompanhar casos seguidos de stress coletivo, cólera, mágoas e ira entre alunos e seus colegas, professores e alunos, bem como professores e seus colegas, funcionários e, até mesmo, pais e professores. Algumas vezes, incluindo o Brasil, com desdobramentos de violência física.

    Não seria o caso de pensarmos a instituição escolar em seu conjunto? E isso seria muito especialmente verdadeiro para o caso norte-americano.

    UM MASSACRE OCULTO
    Desde o ataque de Columbine High School (que não foi nem o primeiro e nem o mais letal dos ataques) até o atual ataque em Sandy Hook, as escolas são palco, alvo e/ou causação de súbitas explosões de raiva e ira. Sabemos todos – e isso não é um apanágio dos Estados Unidos – a escola, mesmo com escolas de ensino básico, e particularmente nas escolas para adolescentes – como as chamadas “High school” norte-americnas – são lugares onde o assédio moral, social (e mesmo sexual) pode ser intenso, cruel e, mesmo, levar a uma aniquilação do próprio eu de indivíduos mais fragilizados por sua aparência física, opção de gênero, timidez ou qualquer outro atributo pessoal correlacionado com uma vaga e cruel categoria de “losers”, os perdedores na “corrida” social pelo sucesso.

    Nem sempre os professores e os profissionais de apoio e orientação – como pedagogos e psicólogos – tem a chance de acompanhar alunos – ou seus parentes – de forma adequada para prever ataques de “mass murder” como os ocorridos. Da mesma forma, não é possível “cliniquizar” todas a sociedade e manter um psicólogo de plantão dentro de cada sala de aula. Assim, tais ataques – malgrado suas particularidades e do seu desenho – não são, e dificilmente poderiam ser, previstos e, logo, prevenidos. Mas, por outro lado, a determinação da polícia de Newtown, Connecticut, em explicar a razão do ataque seja inútil. Poderão explicar, em detalhes, como seu “deu” o ataque. Mas, sua “explicação” escapa a Sandy Hook, em Newtown, Connectcut – há uma razão maior, mas ampla, insidiosa, que paira sobre todo o sistema educacional norte-americano.

    Da mesma forma, nem só escolas são alvos de ataques. Cinemas e shoppings foram alvo de atos de assassinos de massa, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países. No entanto, mesmo nestes casos há um claro elo de ligação: escola, cinema e shopping são locais de reunião de jovens ou, ao menos, há sempre uma maioria de jovens. De certa forma, são continuidades dos grupos de companheirismo que se formam nas escolas. Os ataques representam, mais uma vez reconhecidas as especificidades, um notável acúmulo de frustrações, mágoas e perda que se expressam, então, em violência cega e bruta – em pleno local socialização e entretenimento dos jovens, que o perpetrador pode sentir como recusado a ele mesmo.

    Da mesma forma os ataques na Noruega, em 2011, organizado em detalhes por um supremacista branco ou o ataque contra as crianças judias em Toulouse, em 2012, foram atos de terrorismo ideologicamente motivados. Cruéis e brutos tinham uma direção e mostram a face da intolerância de tipo racista e religioso. Os ataques como de Sandy Hook são cruéis e cegos, não visam uma pessoa ou um conjunto de pessoas realmente existentes, concretas. Visam “uma situação” que exaspera, por motivações diversas, o perpetrador.

    O GRANDE MASSACRE DOS INOCENTES
    Também devemos reconhecer que os Estados Unidos não possuem o monopólio do “mass murder” (cabe diferenciar de “serial killer”, que, em regra, agem durante longo tempo escolhendo vítimas a partir de critérios diversos, conforme cada caso). Nos últimos anos assistimos, como já destacamos, a assassinatos em massa na pacata Noruega e na organizada e politicamente correta França. Mesmo no Brasil tivemos tristes episódios de ataques em cinema (São Paulo) e em uma escola (Rio de Janeiro), com um perfil muito próximo dos casos norte-americanos. Nos últimos anos a autoritária China Popular, com seus critérios draconianos de justiça, tem assistido, para perplexidade de suas autoridades, a vários ataques em escolas, com uso de armas brancas ou utensílios de trabalho transformados em armas.

    No entanto, no caso dos Estados Unidos as estatísticas compilados pela Secretaria de Estado de Justiça, reunindo dados completos e pormenorizados dos ataques é, simplesmente, estupeficante. A mais antiga referência a um ataque em escolas norte-americanas data de 1764, antes mesmo da independência do país em 1776. Daí em diante as ocorrências são quase epidêmicas, com o século XIX marcado por ataques sucessivos em 1867, 1868, 1871, 1889, 1891 e 1898, perfazendo neste período pelo menos 19 vítimas infantis. A precisão das armas ainda precária e sua natureza obrigando o recarregamento davam, então, chances aos administradores de deter o atacante.

    Com a chegada das armas automáticas e aquelas de fácil, e rápido, recarregamento, os ataques, e número de vítimas, cresceram. No século XX tais ataques tornaram-se, então, verdadeiramente epidêmicos, ocorrendo massacres nas “Elementary School” nos anos de 1902, 1906, 1907, 1909, 1912, 1919 e culminado no terrível massacre de 1927, quando Andrew Kehoe, após matar a esposa, ataca, com bombas caseiras, a Bath Elementary School, causando 45 mortes, no maior massacre escolar da história dos Estados Unidos. Andrew Keohoe era funcionário da escola de longa data.

    Os anos seguintes assistiram a continuidade dos ataques: 1933, 1940, 1944, 1959, 1960 e 1961, com pelo menos 16 crianças mortas – lembremo-nos que em média a “Elementary school” americana abriga crianças entre 4 e 11 anos de idade. Mas, se juntarmos às estatísticas de ataques às “Elementary school” os ataques havidos contra as “High school”, que recebem adolescentes na faixa de 12-18 anos, em média, os ataques crescem de forma exponencial: são 24 ataques entre 1903 e 1968, com a morte de 27 adolescentes. Ainda uma vez a qualidade das armas e a prontidão de inspetores e funcionários faz com que a maioria dos ataques tenha em média 1-2 mortos, evitando o caráter cataclísmico do “bombardeamento” de Bath School em 1927.

    A MASSIFICAÇÃO DO “SCHOOL MASS MURDER”
    A partir dos anos de 1970, contudo, os ataques se multiplicam e as “high school” substituem, apenas parcialmente as “elementary scholl”, como cenário principal dos ataques. Nestes anos temos 7 ataques, com 7 mortes; nos anos de 1980 são 13 ataques, com 15 mortes; nos anos de 1990 já são 60 ataques, com exatos 93 mortes de adolescentes. Entre os ataques da década de 1990 inscreve-se o tristemente célebre ataque de 1999 contra a Columbine High School, no Colorado, matando 15 alunos e professores. Os atiradores, que ensaiaram o massacre repetidas vezes, estavam envoltos – além das condições de frustração e mágoas acumuladas – numa espécie de cultura “dark”, valorizando a morte falsamente “heroica” muito comum nos vídeos games que eles assistiam e verdadeiramente cultuavam, tais como “Dom” e “Wolfstein 3D”. Eric Harris tinha 18 anos e Dylan Klebold 17 anos e relataram, em seus documentos deixados como “memorial” do massacre, casos de “bullying” e exclusão.

    Nos anos 2000 até 2012 foram 68 ataques contra High School, com 74 mortes de estudantes. Nesta lista dolorosa encontramos o massacre de 2005 contra a Red Lake High School, em Minissota, atacada pelo jovem Jeffrey Weise, de 17 anos, que após matar os avós, ataca os colegas na escola. Também está nesta relação o ataque do estudante aos colegas da Virgínia Tech, universidade no estado da Virgínia, e formalmente uma faculdade e não uma “escola”, daí o expurgo dos seus 33 mortos das estatísticas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos no âmbito de “school´s mass murder”.

    Infelizmente os ataques centrados nas “High School” não afastaram o risco das “Elementary school” e no ano de 2010 deram-se 10 ataques, com 31 mortes; em 2011, foram 5 ataques e 16 mortes e em 2012, antes do ataque contra a escola de Sandy Hook (em 14/12/2012), já haviam ocorrido dois ataques, felizmente frustrados.

    Embora este quadro seja verdadeiramente assustador, a mídia americana e influentes políticos – e mesmo especialistas universitários – insistiram, no dia de ontem (quando se deu o ataque, 14/12/2012) que não se deveriam “fazer política com o sofrimento das famílias”. Ora, há alguma coisa muito errada aqui.

    MASS MURDER E POLÍTICA
    Um dos mais importantes, e progressistas, sociólogos dos Estados Unidos –especializado na análise das contradições, projetos e frustrações do homem comum na sociedade de massas americana – Charles Wright Mills (1916-1962), num pequeno manual de sociologia, tornado um clássico introdutório da disciplina – “A Imaginação Sociológica” -, advertia os colegas sobre a diferença entre um “problema social” e uma “questão social”.

    Wright Mills, num linguagem precisa, insistia que processos que se repetem no conjunto da sociedade e causam enorme dano e dor, mesmo mal-estar social, não podem, de forma alguma, ser atribuídos a motivos ou causas pessoais do tipo preguiça, baixo esforço ou baixa estima, ausência de talento ou incapacidade social ou distúrbios mentais. Bem ao contrário, o quanto de tais “distúrbios” tem origem em processos sociais cruéis e excludentes? Ao seu tempo, Wright Mills combatia o brutal individualismo liberal e o darwinismo social que explicava sucessos e insucessos das pessoas, num a sociedade altamente competitiva, exclusivamente através da “garra” e vontade de vencer de cada um. Colocando-se na contramão dos mitos americanos do “self made men” e da ideia de que todos vencem, se trabalham o suficiente para isso, na América, Mills vislumbrava uma sociedade já atingida por frustrações e pelo mal-estar que podia rapidamente expressar-se em repentinas explosões de ira.

    A divisão popular da sociedade entre “pessoas de sucesso” e “losers”, os perdedores, já se expressa, assim, nos primeiros anos de vida e nas primeiras escolhas de jovens adolescentes, em especial num clima de competição – muitas vezes, vezes demais, desleal e cruel – no interior da própria escola. Eleições e concursos frequentes, mobilizações em torno de competições e torneios, o incentivo a mostrar um perfil de vencedor e de celebridade “popular” criam, no conjunto da sociedade, mas em especial na escola, um clima de verdadeira guerra social. O romance, de terror note-se bem, de Stephen King, chamado “Carrie, a estranha”, ambientado numa “high school”, de 1974, consagrou, de forma alegórica, o clima exacerbado e cruel de exclusão das diferenças no sistema educacional norte-americano, a cegueira de mestres e funcionários e o clima de linchamento moral. Quando tais pessoas tem acesso fácil e livre – como Adam Lanza – a um arsenal de armas automáticas são dadas as condições básicas para o desastre.

    Mills, com sua delicadeza incisava – bem ao contrário de Stephen King – afirmava: aquilo que se repete e atinge amplas camadas sociais não é um problema “pessoal” e, sim, uma questão social.

    A teimosia dos políticos, e dos especialistas americanos, em não discutir a livre venda de armas, a segurança nas escolas e programas de educação que valorizem o trabalho social, os objetivos de equipe e que diminuam as “guerras” entre grupos de “losers” e de “populars” nas escolas é, claramente, parte causal dos massacres.

    O recuo, durante a campanha eleitoral de 2012, do Presidente Obama em colocar com clareza a questão da livre venda e porte de armas automáticas – algumas com capacidade de luta em campos de guerra total -mostra uma tremenda e indesculpável rendição perante os mitos da direita conservadora e reacionária norte-americana. Além, é claro, do lucrativo negócio de armas.

    LOBBIES E MITOS DA DIREITA
    Para a direita mais reacionária norte-americana, como se expressa, por exemplo, no grupo denominado “Tea Party” – núcleo duro do reacionarismo republicano – as armas, sua livre venda e posse, são uma garantia de liberdade. Voltam-se, todo o tempo, e de forma totalmente inadequada, para uma apropriação ideológica das guerras de Independência dos Estados Unidos, quando milícias de fazendeiros pegavam suas armas, atacavam repentinamente os britânicos – os “Minutmen” – e então retornavam às suas atividades rotineiras de bons fazendeiros. Assim, manter suas armas, treinar pré-adolescentes em tiro – incluindo a caça – seria manter, pura e simplesmente, a tradição dos “Pais Fundadores” da Nação.

    Nem a história foi assim – já que George Washington montou exército profissional regular e os colonos americanos receberam forte auxílio do exército real francês – como, é claro, os Estados Unidos de 2012 não são as Treze Colônias de 1776. Talvez resida aqui a melhor definição de fundamentalismo: apegar-se, de forma peremptória, a um traço, narrativa ou fato do passado como uma verdade imutável. Além disso, numa cultura fortemente dividida entre noções de o que é bom e justo e aquilo que é o mal, a frustração e fragilidade identitária apegam-se em armas como muletas psicológicas. Para muitos jovens a arma é um prolongamento, capacitante e potente, de suas próprias fraquezas, substituindo sentimentos de impotência pelo poder absoluto de vida e morte.

    Cabe agora às autoridades norte-americanas olhar em perspectiva: examinar esta imensa lista de mortes – em especial de crianças e adolescentes – e se perguntar se estamos, verdadeiramente, em face de atiradores “com problemas pessoais” ou em face de uma “questão social”.

    Discutir a política de venda e posse de armas, melhorar a segurança das escolas – como os mesmos conservadores não duvidam em “securitizar” os bancos onde guardam seus bens – e, acima de tudo, rever os parâmetros pedagógicos que criaram uma escola competitivamente extremada, individualista e voltada para a geração contínua de “celebridades” é uma ação que se impõe com urgência.

    E que as tragédias alheias, que já nos tocaram, sirvam também de lição para nós brasileiros.

    *Francisco Carlos Teixeira é Professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21415


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