VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Manifesto defende reaglutinação de forças no Brasil para enfrentar crise


15/11/2012 - 11h26

Um grupo de forças progressistas e de esquerda está articulando um manifesto de reflexão sobre a crise econômica e política mundial e de reaglutinação de forças no Brasil. A reunião de lançamento desse manifesto deve ocorrer no início de dezembro, no Rio de Janeiro. Entre os apoiadores da iniciativa estão nomes como Luiz Pinguelli Rosa, Marcio Pochmann, João Pedro Stedile, Samuel Pinheiro Guimarães, Carlos Lessa, Moniz Bandeira e Luiz Carlos Bresser Pereira.

por Marco Aurélio Weissheimer, em Carta Maior

Porto Alegre – Um grupo de forças populares, progressistas e de esquerda está articulando um manifesto de reflexão sobre a crise econômica e política mundial e de reaglutinação de forças no Brasil. A reunião de lançamento desse manifesto deve ocorrer no início de dezembro, no Rio de Janeiro. A pauta principal dessa primeira reunião será definir formas e meios de ação a partir de um programa de 11 pontos adotado no texto. Para tanto, será debatida a criação de um movimento em defesa da democracia, do Brasil e da paz. A ideia é que Oscar Niemeyer seja aclamado como presidente de honra desse movimento que tem como integrantes de sua comissão organizadora, Luiz Pinguelli Rosa, Marcio Pochmann, João Pedro Stedile, Samuel Pinheiro Guimarães, Pedro Celestino, Roberto Amaral e Ubirajara Brito.

O manifesto já reúne mais de 150 signatários. Além dos nomes citados acima há outras personalidades de renome nacional como Carlos Lessa, Ennio Candotti, Geraldo Sarno, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Luiz Carlos Bresser Pereira, Manuel Domingos Neto, Mauro Santayana e Pedro Casaldáliga.

O documento parte do diagnóstico de que, em 2012, “o mundo entrou em momento de grave perigo, que ameaça degenerar em guerras e destruições de grande escala”. “O agravamento da crise do capitalismo em escala mundial”, prossegue, “coincide, não por acaso, com iniciativas aventureiras de expansão imperialista no Oriente Médio, mas com alastramento possível a outros continentes”.

As deflagrações decorrentes deste cenário, diz ainda o texto, podem resultar em danos terríveis, inclusive para o Brasil, ressaltando que, aqui, entretanto, se abrem ao mesmo tempo oportunidades de aceleração do desenvolvimento econômico e institucional, que reclamam a mobilização na defesa da democracia, dos interesses nacionais e da paz. E conclui: “É urgente a necessidade de expansão de uma consciência pública de defesa do desenvolvimento soberano e democrático do país – na sua economia, na sua organização política e social, na sua cultura. Quanto maior seja essa consciência, mas forte estará o governo para resistir às agressões da direita e, ao mesmo tempo, maior será a pressão dos movimentos de massa para que suas políticas sejam mais coerentes com os interesses do país e da sociedade”.

Leia a seguir a íntegra do manifesto:

A CRISE MUNDIAL, A DEFESA DO BRASIL E DA PAZ

EM 2012, o mundo entrou em momento de grave perigo, que ameaça degenerar em guerras e destruições de grande escala. O agravamento da crise do capitalismo em escala mundial coincide, não por acaso, com iniciativas aventureiras de expansão imperialista no Oriente Médio, mas com alastramento possível a outros continentes.

Das conflagrações daí decorrentes podem resultar danos terríveis inclusive para o nosso país. Aqui, entretanto, se abrem ao mesmo tempo oportunidades de aceleração do desenvolvimento econômico e institucional. Estas reclamam, para se realizar, a mobilização popular na defesa da democracia, dos interesses nacionais e da paz.

I – NAS ÚLTIMAS DÉCADAS, especialmente após a extinção da União Soviética, uma potente ofensiva de direita abriu caminho para uma aparente vitória definitiva do sistema capitalista liderado pelo imperialismo estadunidense, que se pretendeu globalizado. Essa ofensiva afetou profundamente intelectuais e ativistas dos antigos movimentos e partidos de esquerda. Em grande medida, eles foram absorvidos por duas vertentes que, por caminhos diversos, incorporavam as ideias de vitória capitalista. Não poucos aderiram diretamente à ideologia neoliberal, que atribui ao mercado o poder exclusivo de decidir sobre questões econômicas, sociais e políticas. Outros, também numerosos, inclinaram-se à ideia de vitória do capital, mas o fizeram em diversas construções ideológicas com retórica de esquerda, que aceitam e difundem ideias básicas do neoliberalismo, tais como as do império global, da prevalência inevitável do mercado, da falência do conceito de Estado e, por consequência, do conceito de soberania nacional, do fim da luta política organizada das massas de trabalhadores, da transformação destas em “multidão”, etc.

Essa ofensiva intensificou-se após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. O governo deste país enveredou por uma política de ruptura declarada e prepotente com o regime de respeito à soberania dos Estados e passou a encabeçar um processo de volta às trevas nas relações entre povos e países. Comandado pelo complexo industrial militar, depois de por seu próprio povo sob tutela a ponto de privá-lo de direitos civis básicos – entre os quais o direito ao habeas corpus –, adotou uma diretriz de projetar sua soberania sobre o mundo inteiro e intervir em qualquer país onde, a seu critério, seus interesses o reclamem. Proclamou para si o direito de ignorar fronteiras nacionais e instituições internacionais a fim de empreender em qualquer rincão do planeta ações militares de todo tipo, em grande escala, com invasões e bombardeios, ou em pequena escala, com operações abertas ou encobertas de assassinato em série de civis que os desagradem, ou de sequestrá-los e submetê-los a trato de presas de guerra, sem quaisquer direitos legais.

A ofensiva expansionista dos Estados Unidos e seus aliados, principalmente ex-potências colonialistas da Europa, disfarçada sob bandeiras humanitárias, despertou natural indignação e resistência no mundo e, em primeiro lugar, nos povos agredidos. A progressiva inserção da China no papel de potência mundial, o ressurgimento da Rússia nessa categoria, a afirmação da Alemanha como principal liderança europeia e a emergência de novos atores, como Índia e Brasil, todos buscando o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar, também se contrapõem à expressão da estratégia de poder sem limites dos Estados Unidos.

Sem perder a arrogância, dispondo ainda de grandes reservas de expressão de poder e com um aumento de agressividade similar ao que ocorre com predadores acuados, o governo de Washington vem gradativamente decaindo para uma situação de dificuldade econômica, política e militar, ao mesmo tempo em que cresce a consciência mundial sobre o caráter de rapina do imperialismo estadunidense e sobre a necessidade de resistir a ele.

II – O REPÚDIO À prepotência dos Estados Unidos e a disposição de opor-se a ela, manifestados com força crescente no mundo inteiro, evidenciaram mais uma vez a importância do fator nacional na luta política. Os Estados nacionais, ao invés de desaparecerem, regressaram com força maior à cena. A defesa do interesse nacional diante da dominação ou da agressão externa, que é motor principal da mobilização popular nos movimentos revolucionários desde a luta pela independência nos próprios Estados Unidos, repontando sempre, sob diversas formas, na Revolução Francesa, na Comuna de Paris, na Revolução Russa, na Revolução Chinesa, na Revolução Cubana, volta a mostrar-se fator-chave para que a cidadania se apresente como força transformadora, a fim de levar adiante movimentos que no início apontam para objetivos patrióticos e parciais, mas tendem a avançar para conquistas democráticas de maior alcance social.

Esse ressurgimento do fator nacional no centro da ação política é realidade hoje por toda parte no mundo. É entretanto na América do Sul que ele encontra sua manifestação mais saliente e que mais de perto interessa aos brasileiros.

III – A CONDIÇÃO ISOLADA e pouco relevante da América do Sul no quadro dos grandes conflitos em que se envolveram os Estados Unidos, afinal, deixou este país, que se empenhava em vultosas ações em outros continentes, tolhido para intervir nessa região que ele tradicionalmente considerou seu “quintal”. Num eco à assertiva clássica de que a revolução escolhe o elo mais fraco da corrente para eclodir, isto parece ter contribuído para que os povos sul-americanos percebessem a oportuni-dade de responder às humilhações e infortúnios que durante mais de um século lhe impusera a política imperialista de Washington.

Em 1998, elege-se na Venezuela o presidente Hugo Chávez, com uma plataforma antiimperialista e com a intenção de cumprir o prometido. Em 2002, elege-se no Brasil o presidente Lula, que alterou gradativamente a política econômica neoliberal dos governos anteriores para beneficiar a aceleração do desenvolvimento econômico, e adotou uma política de socorro às camadas mais pobres da população, fortalecendo com isso o mercado interno; adotou também uma política externa de autonomia em relação aos Estados Unidos, que permitiu rejeitar o ominoso projeto da ALCA, livrar o Brasil da subordinação ao FMI, privilegiar a aproximação com a América do Sul, com fortalecimento do Mercosul e da Unasul, assim como permitiu expandir as relações do Brasil com países e povos da África, do Oriente Próximo e da Ásia.

Em 2003, elege-se na Argentina o presidente Néstor Kirchner, que enfrentou a banca internacional a fim de livrar seu país de uma dívida externa abusiva e impagável, conseguindo com isso condições para colocar a nação vizinha numa trilha de desenvolvimento sustentado, que hoje prossegue sob a presidência de Cristina Fernandes de Kirchner. As eleições de Evo Morales na Bolívia, Rafael Correia no Equador, Fernando Lugo no Paraguai, José Mujica, no Uruguai, e Ollanta Humala no Peru, deram maior firmeza à tendência de expansão na América do Sul de governos empenhados em alcançar expressão soberana e desenvolvimento pleno, econômico, cultural e social de suas nações.

Essa tendência não é retilínea, nem imbatível. Em cada país, a ela se opõem fortes correntes internas de direita alinhadas com os Estados Unidos, que atuam orquestradas em escala internacional e dominam a mídia, os bancos, setores importantes do empresariado local e agrupamentos militares. Com apoio financeiro, político e militar dos Estados Unidos e de outros países imperialistas menores, assim como de seus órgãos de espionagem e operações encobertas, de ONGs financiadas por empresas e governos imperialistas, de sociedades secretas tipo Opus Dei etc., tais setores de direita empreendem em seus países e na região uma campanha sem trégua através da maioria dos órgãos da grande mídia mercantil. Esta assume caráter de partido político reacionário, cuja finalidade é impedir que se elejam governantes comprometidos com os interesses nacionais e, quando não consegue isto, tentar acuar e tornar refém o governante eleito para, se julgar possível e oportuno, derrubá-lo. É o que se vê na Venezuela, na Bolívia, no Brasil, na Argentina, no Equador, em toda parte. Os golpes de Estado em Honduras e, mais recente, no Paraguai, são inequívocos sinais de alarme nesse sentido.

IV – HÁ NESSE PROCESSO de ascensão nacional e democrática na América do Sul uma singularidade que lhe dá força de sustentação: ele se desenvolve com a rigorosa observância pelos governos das normas do regime de democracia modelo estadunidense, que pressupõe a mídia submetida aos bancos e outros grandes patrocinadores privados e as eleições, sujeitas a campanhas publicitárias de alto custo, subvencionadas por doações de empresas milionárias. A vitória e a permanência de governantes que desagradam à direita, em condições tão adversas, tornou-se possível graças a uma elevação da consciência política das massas populares. Estas aprenderam a descolar-se do discurso das grandes redes midiáticas na hora de escolher candidato e ajuizar governo. Com isso, definhou o poder de empossar e derrubar governos que a mídia dos grandes negócios exibia em décadas passadas.

Criam-se portanto condições novas que favorecem e exigem a recuperação das correntes progressistas e sua intervenção na cena política. No plano internacional, a luta contra a política de guerras sem fim do imperialismo estadunidense e seus associados, que hoje preparam uma agressão de grande escala e consequências imprevisíveis à Síria e ao Irã, é meta que a todos deve unir. Na América do Sul, e no Brasil em particular, impõe-se a luta em defesa dos interesses nacionais, em especial na resistência às tentativas de projeção dos interesses imperialistas de Washington em relação ao petróleo do pré-sal e das Malvinas. Essa projeção já tomou forma concreta com o estabelecimento de novas bases militares estadunidenses na região e com o deslocamento para o Atlântico sul da IV Frota da Marinha dos Estados Unidos. A luta pela preservação e o aprofundamento do regime de-mocrático, da soberania e da coesão dos Estados da região é diretriz que favorecerá a mobilização de forças capaz de vencer as fortes coalizões de direita e assegurar o avanço econômico, político e social de nossos povos e nações.

V – NÃO HÁ RECEITAS PRONTAS nem caminhos traçados para essa luta. As experiências vividas por outros povos, no passado ou no presente, servem de lição e inspiração, mas não servem de modelo. A originalidade e a variedade das soluções que a vida vai gerando nos países sul-americanos são muito fecundas. Em comum, existe entre elas a circunstância de que são encabeçadas por líderes não egressos das classes dominantes, que souberam perceber e potencializar o desejo de mudança das massas populares e o descrédito entre elas daqueles partidos e instituições que conduziam antes a vida política. Essa origem em lideranças pessoais fortes é ao mesmo tempo positiva, porque facilita a participação das grandes massas no processo político, e negativa, porque põe esse processo na dependência das escolhas e limitações pessoais do líder.

Mas a necessidade de recorrer à mobilização popular – uma vez que as forças poderosas que o hostilizam ao mesmo tempo manipulam as grandes empresas de comunicação, as instituições políticas formais e facções militares – induz o líder a estimular a gestação de novas formas de organização de massas do povo trabalhador para o combate político e até para a resistência organizada. Chama a atenção, nesse sentido, especialmente na Venezuela, na Bolívia e no Equador, a ascensão em bairros proletários de associações de moradores que se articulam em torno de conselhos comunitários e, ao mesmo tempo, defendem os interesses imediatos da população local, têm presença ativa na resistência ao golpismo e pressionam em favor do aprofundamento da democracia.

VI – NO BRASIL, os movimentos sociais organizados são ainda débeis. O governo do presidente Lula refletiu essa debilidade. Manteve uma política econômica em que ainda havia espaço para o neoliberalismo, mas adotou medidas de favorecimento ao poder aquisitivo da população pobre e desenvolveu uma política externa de autonomia em relação ao imperialismo estadunidense e defesa da paz. A presidente Dilma mantém nas linhas gerais essa diretriz.

Por sua política de favorecimento aos pobres e à soberania dos povos sul-americanos, o presidente Lula foi alvo de uma incansável campanha hostil da mídia. Para defender-se, ele se apoiou porém, quase exclusivamente, em sua popularidade pessoal. Isso o deixou vulnerável a pressões e prejudicou suas possibilidades de avanço.

A presidente Dilma, diante do agravamento da crise financeira internacional, avança na política econômica, enfrentando a questão do freio dos altíssimos juros à expansão da economia nacional, corrigindo na política de câmbio a valorização excessiva do real e mantendo e ampliando as políticas de inclusão social. No plano externo, embora com mudança de ênfase, persiste de modo geral a afirmação de política não alinhada aos Estados Unidos. A mídia dos grandes negócios busca abrir um cisma entre Dilma e Lula, para que se fragilize o campo popular.

É portanto urgente a necessidade de expansão de uma consciência pública de defesa do desenvolvimento soberano e democrático do país – na sua economia, na sua organização política e social, na sua cultura. Quanto maior seja essa consciência, mais forte estará o governo para resistir às agressões da direita e, ao mesmo tempo, maior será a pressão dos movimentos de massa para que suas políticas sejam mais coerentes com os interesses do país e da sociedade.

Um elenco de propostas nesse sentido deve incluir:

1) a efetiva aceleração do desenvolvimento econômico do país;

2) a subordinação dos sistemas bancário e cambial aos interesses desse desenvolvimento;

3) a posse dos recursos naturais do país e a recuperação das empresas e recursos públicos estratégicos dilapidados;

4) a efetivação de um programa de reforma agrária que penalize o latifún-dio improdutivo e beneficie as propriedades produtivas de pequeno e médio porte;

5) a destinação de maiores verbas às políticas públicas de educação, o fortalecimento do ensino público e a melhor adequação dessas políticas aos interesses do desenvolvimento tecnológico e cultural do país;

6) o reforço aos orçamentos de entidades de saúde pública, a obrigação dos serviços privados de seguridade de ressarcirem gastos dos serviços públicos de saúde com atendimento a segurados dos serviços privados, o fomento à pesquisa de aplicação de novos procedimentos de saúde sanitária básica, preventiva e de tecnologia atual;

7) a mudança da política de repressão policial dirigida contra a população mais pobre, principalmente não branca, por uma política democrática de segurança pública, o fortalecimento da política de não discriminação de gênero;

8) o reforço do controle pelo poder público das concessões de meios de comunicação a grupos privados com vistas ao aprofundamento do regime democrático;

9) o reequipamento das Forças Armadas e a dotação a elas de recursos necessários à eficiente defesa do território nacional, assim como a adequação do conteúdo da formação nas escolas militares à defesa da democracia e dos interesses fundamentais do país;

10) a ampliação e a consolidação da política de unidade com a América do Sul – essencial para a preservação dos governos progressistas na região;e

11) a defesa de uma política externa de respeito à soberania dos Estados, de relações amistosas com todos os povos e de defesa da paz.

Muitas são as metas a nos desafiarem, cujo alcance requer todo o engenho e toda a força que sejam capazes de unir e mobilizar, com sentido estratégico e espírito transformador, as correntes progressistas em nosso país, sem distinção dos partidos e associações a que estejam filiadas. Povo e governo precisam mobilizar suas reservas de sentimento cívico e patriótico, para que o Brasil possa aproveitar a grande oportunidade que tem hoje de consolidar-se como nação soberana, projetada no cenário mundial e consolidada em seu papel de lastro do processo democrático de reconstrução nacional, pacífico e progressista, que se desenvolve na América do Sul.

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50 comentários

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Antonio Celso Ferreira

17 de novembro de 2012 às 23h46

Enfim, o sinal de que há luz no fim do túnel. Subscrevo o manifesto. Creio que em torno dele será possível aglutinar as forças democráticas e populares. Parabéns.

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Marcelo Branco: Lobbies transformaram o Marco Civil da Internet em adversário da liberdade de expressão « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de novembro de 2012 às 17h44

[…] Manifesto defende reaglutinação de forças no Brasil para enfrentar crise […]

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eduardo souto jorge

16 de novembro de 2012 às 20h29

Eu , nos meus sonhos diarios, so’ desejava isso. Agora, temos que envolver todas as liderancas sindicais. Se os lideres do proletariado nao abracarem esse movimento, nao vai dar em nada.

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FrancoAtirador

16 de novembro de 2012 às 18h57

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Ley de Medios: aproxima-se o “dia D” na Argentina

Martín Sabbatella, da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA), apresentou esta semana o detalhamento da legislação que entra em vigor dia 7 dezembro. A lei estabelece, por exemplo, que nenhum grupo pode ter mais que três concessões em uma mesma cidade. O Grupo Clarín supera essa cota em 37 cidades. Os empresários deverão decidir quais empresas excedentes serão transferidas ou colocadas à venda.

Ailín Bullentin – Página/12, na Carta Maior (Tradução: Marco Aurélio Weissheimer)

Buenos Aires – O titular da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA), Martín Sabbatella, apresentou a lista dos meios de comunicação audiovisuais que supera a cota de mercado ou a multiplicidade de licenças estabelecidas pelo artigo nº 45 da Ley de Medios, entre os quais o grupo Clarín, o grupo Uno, de Daniel Vila, e a Cadeia Três se destacam como os que mais ultrapassaram tais limites; Sabbatella observou que todos os grupos empresariais tem como prazo até 7 de dezembro para apresentar um plano de adequação voluntário a essa norma antes que o organismo que preside proceda “de ofício”.

“Esperamos sinceramente que ninguém deixe de cumprir a lei. Ela é para todos, não há sociedade democrática na qual alguém escolha qual lei deve cumprir ou não”, afirmou Sabbatella, advertindo que de todos os grupos que se encontram fora da norma, “só um se nega a apresentar um plano antes de 7 de dezembro, depois ou em qualquer data”, referindo-se ao Clarín. A atuação de ofício do organismo, segundo explicou, consistirá na licitação das concessões e dos bens envolvidos no funcionamento do grupo excedido. A AFSCA optará por licitar as concessões de menor valor “para não causar um prejuízo econômico ao titular desse grupo”.

Sabbatella pintou um quadro da situação esta semana, diante da tão comentada disputa “7D” (7 de Dezembro) entre o grupo Clarín e o governo federal. Ele procurou desativar uma primeira falácia:

“A lei é para todos. Ela permite garantir a pluralidade, a diversidade e a democratização da palavra e das vozes. Para poder fazer isso, é necessário aplicar esses artigos (o 45 e o 161, bloqueados atualmente pela medida cautelar interposta pelo grupo Clarín) que tratam de enfrentar a tendência monopolista e a concentração midiática, as posições dominantes que geram a competição desleal”, disse ainda o titular do órgão federal,

acrescentando:

“Essa é uma lei antimonopólio que busca impedir que haja um gigante voraz que destrua todo o resto; ela permite que haja pequenos, médios e grandes, mas não gigantes que engulam tudo e todos”.

Íntegra em:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21266

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FrancoAtirador

16 de novembro de 2012 às 16h17

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COMISSÃO DA VERDADE

Historiador diz que Brasil foi protagonista na Operação Condor

Jair Krischke pediu para prestar depoimento de forma pública

e deverá apresentar detalhes da operação montada no Cone Sul

para capturar opositores da ditadura militar

Por Luciana Lima – iG Brasília | 16/11/2012 11:15:29

O historiador Jair Krischke prestará depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV)

no próximo dia 26 deste mês e sustentará que a chamada Operação Condor,

que atuou em países da América do Sul, foi, na verdade, idealizada

e executada principalmente pelo aparelho repressivo brasileiro

durante a ditadura militar.

Krischke exigiu que seu depoimento fosse realizado de forma pública. “Tenho que ter testemunhas do que vou dizer para poder cobrar ações depois”. Ele disse que vai apresentar documentos dos próprios militares que, segundo ele, indicam a articulação e comprovam as operações. “Essa tal de comunidade de informações se transformou em um verdadeiro estado paralelo que agiu na repressão à margem da lei”.

O gaúcho Jair Krischke tem 74 anos e é fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos no Rio Grande do Sul. “O que tenho para mostrar vou comprovar com documentos”, disse. A operação também é conhecida como Carcará foi uma aliança político-militar entre os regimes militares do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

O objetivo era de coordenar ações para eliminar os líderes da resistência às ditaduras desses países. Estima-se que a Operação Condor resultou em mais de 400 mil torturados e 100 mil assassinatos.

Entenda como atuará a Comissão da Verdade

Segundo Krischke, os documentos desmentem a tese de que a Operação Condor foi formalizada em uma reunião em Santiago (Chile) em 1946, para a qual o Brasil enviou dois representantes que sequer assinaram a ata. Esses representantes se declararam depois apenas observadores do Estado brasileiro. “A reunião no Chile aconteceu depois que o Brasil já havia liquidado todo e qualquer grupo de resistência. O que ocorreu em Santiago foi apenas uma oficialização de tudo que já havia ocorrido”, defende.

Comissão da Verdade analisa inquérito sobre morte de Juscelino Kubitschek

Na audiência, Krischke apresentará documentos recolhidos no Brasil, Estados Unidos, Argentina e Uruguai. A ação conjunta foi documentada também pelo governo norte-americano que negou sua participação. Entre vários episódios atribuídos à operação, inclusive o conhecido sequestros dos uruguaios Universindo Rodríguez Díaz e Lilian Celiberti, em 1978, os documentos, segundo Krischke apontam atos repressivos realizados pelo Estado brasileiro inclusive após a Lei da Anistia, promulgada em 28 de agosto de 1979.

Um dos casos refere-se à prisão de dois argentinos no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro no dia 26 de junho de 1980. “Isso foi ação da Operação Condor e está relatada em documentos”, destaca.

Outro caso ocorreu dois meses depois em Porto Alegre com a captura do padre argentino Jorge Oscar Adur e do estudante ítalo-argentino Lorenzo Viñas. Todos foram entregues ao aparelho repressivo do país vizinho. Uma ação na Justiça italiana investiga o desaparecimento do padre e do estudante em um processo no qual Krischke é testemunha.

Arquivos

Espera-se que o depoimento de Krischke também lance luz a questão dos arquivos da ditadura. “Os arquivos não foram destruídos, eles existem e eu vou apontar onde estão”, disse.

“O Rio Grande do Sul, por exemplo, queimou publicamente os arquivos, tudo documentado pela imprensa. Depois eu encontrei dois documentos que eram dessa leva em Montevidéu, Acabei descobrindo que tudo foi microfilmado. A papelada é que foi queimada. Os arquivos ainda existem, estão em Porto Alegre e eu vou indicar onde estão”, disse.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2012-11-16/historiador-diz-que-brasil-foi-protagonista-na-operacao-condor.html

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FrancoAtirador

16 de novembro de 2012 às 15h10

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DOM PEDRO CASALDÁLIGA, GRANDE SER HUMANO !

Entrevista

Por Ana Helena Tavares, do “Quem tem medo da democracia?“ (QTMD?)

Parte 1: “O problema é ter medo do medo”
(http://www.youtube.com/watch?v=8bo_3rUubEY)

Parte 2: “A democracia é uma palavra profanada”
(http://www.youtube.com/watch?v=wMYjns7jsr0)

http://quemtemmedodademocracia.com/2012/10/21/d-pedro-casaldaliga-o-problema-e-ter-medo-do-medo-especial-para-o-qtmd/

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euclides

16 de novembro de 2012 às 08h46

Voltamos à luta. Com este manifesto e signatários, vamos expandir a dicussão e crítica a modo que mundo se configurou nestas últimas décadas: beligerância pura encabeçada pelo irmãos do norte (E.E.U.U.A.
Só faltou uma coisa no manifesto. Uma condenação veemente do bloqueio estadounidense à Cuba, pedindo o fim deste bloqueio e propondo que o mundo não mais aceito esta chantagem.

Responder

spin

16 de novembro de 2012 às 08h16

Estas penas altíssimas tem como objetivo dar a impressão de que os réus cometeram crime gravíssimo, coisa mais grave do os cometidos por Cacciola, que roubou mais de 1,6 bilhoes de reais dos cofres públicos na Era FHC e nenhum tucano comparsa dele(Cacciola) no BC recebeu qualquer punição, nesse pais quem rouba no atacado tá perdoado, pois uma parte da “res furtiva” fica com a imprensa e magistrado. O que Dilma tem que fazer é aproveitar a entrada do PSD na coalizão para pulverizar a verba reservada aos meios de comunicação, investir na blogosfera e nos pequenos meios de comunicação, estes sim poderão, poderão ajudar este país através da desmontagem desse golpe, pois dos 4 magnatas que controlam a comunicação neste pais, e recebem uma boa grana da governo federal, só sai PUM(Pensamento Único da Mídia). ´Não da Globo que sairá uma versão diferente desta do PUM, mas dos meios de comunicação locais, das associações, das rádios comunitárias, dos canais de TV locais, o PT tem que usar estes canais para levar à população a verdade sobre esse julgamento farsesco, não rola esperar qualquer isenção seja, uma notícia mínima que seja isenta saindo num JN. Acorda, Dilma, vc não se elegerá via PUM.

Responder

FrancoAtirador

16 de novembro de 2012 às 03h46

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Duas versões e a imagem editorializada

Por Samuel Lima(*), no blog do Jeso

Dois grandes nomes do jornalismo mundial percebem, pelo mesmo ângulo, uma questão de fundo que atravessa a alma secular do Jornalismo. Cláudio Abramo e Carl Bernstein (da célebre cobertura do “Caso Watergate”) entendem que a missão maior do repórter é apurar a melhor versão da verdade – e publicá-la.

Uso essa referência para discutir três versões da “verdade” professadas pelo jornal Folha de S. Paulo e dois telejornais da TV Globo (Bom Dia Brasil e o Jornal das Dez – da Globo News).
O fato: um mega protesto que reuniu dezenas de milhares de argentinos, contra o governo de Cristina Kirchner, no último dia 8 de novembro (batizado nas redes sociais de “8N”).
No maior jornal diário brasileiro, esse acontecimento que mobilizou multidões na Argentina, ganhou o destaque na capa da edição de 09/11 (http://migre.me/bOlGS), com uma imagem central sobre a seguinte legenda:

MEGAPANELAÇO: Em Buenos Aires, milhares fizeram o maior protesto contra Cristina Kirchner, pedindo mais liberdade de expressão e repudiando um terceiro mandato (Mundo, A26).

Na hierarquia da Folha de S Paulo, os milhares de argentinos que protestaram contra o governo de Cristina Kirchner o fizeram: em primeiro lugar em defesa da suposta “liberdade de expressão” e, em segundo lugar, contra um possível “terceiro mandato”.

Temos aí, no limite, uma meia verdade. Moldando os fatos à visão editorial do diário paulista, o capeiro editorializou a imagem, como se poderá observar comparando o relato de outro repórter (Ariel Palácios, da Globo News) e a própria cobertura da imprensa portenha (no Clarín).

A reportagem de Sylvia Colombo (direto de Buenos Aires), na editoria Mundo (09/11, p. A26) resume a motivação do protesto em três questões, acrescentando à legenda a preocupação com a “segurança”. Contudo, a jornalista da Folha escreve que: (a) O protesto foi organizado por opositores da presidente Cristina Kirchner; (b) os organizadores estimaram em 500 mil o total de participantes – a polícia não divulgou dados; (c) Os participantes do ato eram principalmente de classe média e alta.
A versão da verdade para o Clarín (ed. 09/11), o principal porta-voz da oposição ao governo de Kirchner, traduz-se em outro discurso, com sensíveis diferenças a suposta agenda da mobilização publicada na Folha.

Confira:

La principal destinataria de las protestas fue la presidenta Cristina Kirchner. Las consignas fueron variadas: se vieron carteles rechazando su posible “re-reelección”; pidiendo por el fin de la inseguridad y mejor Justicia; se repetían quejas escritas y verbales contra la corrupción y la inflación, entre otros reclamos (http://migre.me/bOnAz). [Grifos meus]

Nos grifos acima, destacamos as questões: contra a re-reeleição de Cristina, o fim da insegurança (pública), melhor Justiça, contra a corrupção e a inflação. Um rol de motivos de envergadura pública muito mais consistente, inequivocamente, que os dois (no limite três, no texto da reportagem) resumidos pela Folha de S. Paulo.

As duas versões da Globo
Esse lapidar exercício de “publicar a melhor versão da verdade” encontra, em dois telejornais dessa emissora, um exemplo ainda mais visível e contraditório.

O primeiro discurso jornalístico é da repórter Delis Ortiz, correspondente da TV Globo para a região do Mercosul. No Bom Dia Brasil (ed. 09/11), Ortiz começa jurando que o megaprotesto não tinha “organizadores”, era fruto da magia das redes sociais, guiadas talvez pelo deus-mercado, divindade ancestral do deus Tupã:

A razão do protesto era leque de insatisfações: falta de segurança, inflação, corrupção, controles na economia e ameaças à liberdade de expressão. (…) A principal avenida da Capital, a 9 de julho, ficou repleta de gente com panelas, apitos e bandeiras. Valia tudo para mostrar o desgosto com o governo de Cristina Kirchner. (…) Não havia um líder que encarnasse o comando do panelaço. A convocação foi pelas redes sociais. (…) Há um ano [a presidente] tinha mais de 60% e agora está com 28% (http://migre.me/bOoyH). [grifos meus]

Comparemos agora esse relato com o do jornalista argentino Ariel Palácios, que trabalha na mesma emissora, no canal a cabo (Globo News, Jornal das Dez, ed. 08/11):

O “panelaço” desta noite tem dimensões significativas. Centenas de milhares de pessoas estão protestando em todo o País. (…) O leque de protestos é muito amplo, já que os manifestantes reclamam contra a escalada inflacionária – que a presidente Cristina diz que não existe –, dos escândalos de corrupção dos ministros e do vice-presidente, Amado Boudou, também reclamam contra as restrições que o governo Kirchner aplicou sobre o dólar [é a moeda que há quatro décadas que é o principal refúgio financeiro dos argentinos], contra o crescimento da criminalidade e, de quebra, protestam contra os luxos da presidente que há poucos dias ordenou o gasto equivalente a um milhão de reais para reformar um banheiro da Casa Rosada [palácio presidencial]. Os diversos partidos da oposição, tanto da esquerda quanto da direita, preferiram não participar ativamente do “panelaço”. (…) O momento não é exatamente positivo para a presidente Cristina. Uma pesquisa indica que a aprovação popular é de apenas 31,6%; outros 59,3% desaprovam a forma como ela está governando a Argentina.
(http://migre.me/bOq96). [Grifos meus]

No relato de Palácios não há menção alguma a questão da terceira reeleição (bandeira não assumida pelo governo Kirchner), tampouco às possíveis ameaças às liberdades democráticas. O megaprotesto é um sinônimo inequívoco, por supuesto, de vitalidade democrática do povo argentino. Por último, há divergências inclusive na precisão dos números de pesquisas usadas como fontes. Palácios cita dois institutos diferentes de pesquisa sobre a popularidade. Ortiz não faz nenhuma referência à origem do dado com o qual finaliza seu texto.

Novo ator político
O jornal La Nación ouviu alguns intelectuais argentinos logo após o “panelaço” (“El mensaje de las cacerolas, según los intelectuales”). Das inúmeras posições (Acesse todas aqui: http://migre.me/bOCy8), destaco a do cientista político Vicente Palermo:
No hubo sorpresas. Tanto la composición social, una presencia masiva de la clase media sin sectores populares, como las consignas, en general sin agravios ni llamados destituyentes, estuvieron dentro de lo previsto. El Gobierno va a tener serios problemas para contraargumentar. Hay un nuevo sujeto político, diferente, con un comportamiento todavía difícil de prever y con capacidad para incidir en el tablero político.

Palermo reforça o perfil dos participantes (classe média, sem setores populares), mas evidencia com igual peso o fato de que a megamanifestação faz surgir um novo sujeito político, com capacidade de ação sobre o tabuleiro político daquele país.

Volto ao ponto de partida, bebo outra vez na fonte de Cláudio Abramo, quando ele discute (in “A regra do jogo”) a diferença entre interpretação e opinião, travestida de notícia, no discurso jornalístico:

A interpretação não é opinião. Pode se interpretar o desencadeamento, a concatenação dos fatos e o significado de certas coisas. Pode-se dizer: tal fato ocorreu porque antes havia ocorrido isto e amanhã pode ocorrer aquilo. É uma interpretação. A opinião fica um passo além. É quando se diz: isso aconteceu e está errado.

Nos relatos editorializados (na Folha, numa simbiose de texto e imagem), no caso da repórter Delis Ortiz é mais grotesco posto que ela fez sua “passagem” de texto no meio da passeata, fica evidente a tentativa de a mídia ocupar o espaço dos partidos políticos, na tentativa de ditar o debate público.

Ao secundarizar a notícia, a mídia (Folha e TV Globo, neste caso específico) pratica um tipo de jornalismo às avessas, que tenta adequar a realidade ao seu discurso (relato), à revelia dos fatos e do distinto público.

Mas, afinal, pra que serve o Jornalismo? Valho-me de Jack Fuller (apud Kovach e Rosenstiel, in “Os elementos do jornalismo”):

“A meta principal do jornalismo é contar a verdade de forma que as pessoas disponham de informação para sua própria independência”.

Ao enveredar por um caminho oposto, Folha e Globo desservem à sociedade e à democracia, porque tentam impor, a qualquer custo, um ponto de vista particular, de forma ilegítima, sem conexão com os fatos, protagonistas e contextos.

(*) Samuel Lima é santareno, professor adjunto da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB).
Pesquisador do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), é professor-visitante do curso de jornalismo da UFSC.
Escreve regularmente neste blog [do Jeso].

http://www.jesocarneiro.com.br/artigos/panelaco-na-argentina.html#.UKXRl-RJOuk

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Uélintom

15 de novembro de 2012 às 23h26

Mais um manifesto que aponta o dedo para política espansionista estadunidense e se esquece que praticamos, nós, da esquerda, a mesma coisa contra os povos indígenas.
Sim, há que se condenar o belicismo do império norte-americano, chega de tentarem resolver suas crises econômicas com o sangue de outros povos. Mas temos que tomar todo o cuidado para não dizer às centenas de povos indígenas que devem “amar o Brasil”, ou então que “o deixem”. Não podemos querer “desenvolver” o Brasil a qualquer custo, massacrando povos que não têm um Estado e um exército próprios para se defender, que proibimos que tenham seu próprio território, e que submetemos sob o Estado brasileiro como se submetem povos que se rendem ao perder uma guerra. Não queremos que os EUA façam com o mundo exatamente aquilo que não podemos fazer, nós, os brasileiros, com os povos indígenas.
A esquerda não pode mais exigir apenas “desenvolvimento econômico”, mas deve ter a coragem de dizer que o que está podre é tanto o capitalismo quanto os modelos econômicos baseados no industrialismo. Senão, o máximo que se conseguirá é a socilização, entre os mais pobres e seus descendentes, de uma Terra arrasada.

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    Mário SF Alves

    16 de novembro de 2012 às 14h07

    Concordo com este seu alerta público. No entanto, gostaria de ressalvar:

    1- Em se tratando de Brasil – ideologicamente a grande pátria da direita – em lugar de “esquerda” pode usar o termo “conjunto dos inconformados com a realidade/ordem imposta pela direita”. Vai dar no mesmo. Mas, melhora, amplia, a reflexão e não altera o conteúdo;
    2- Assim como a frágil democracia que temos, nosso maior problema é o humilhante subdesenvolvimento que secularmente atormenta a vida neste “imoralmente” rico País. E superar isso não significa destruição ambiental, ou de biodiversidade alguma. Não, mesmo. A não ser que a matriz tecnológica dominante continue sendo a capitalista (selvagem ou não).

    ___________________

    Atenciosamente,
    MSFA.
    ___________________________________________
    “A esquerda não pode mais exigir apenas “desenvolvimento econômico”, mas deve ter a coragem de dizer que o que está podre é tanto o capitalismo quanto os modelos econômicos baseados no industrialismo. Senão, o máximo que se conseguirá é a socilização, entre os mais pobres e seus descendentes, de uma Terra arrasada.”

José Ivan Mayer de Aquino

15 de novembro de 2012 às 21h49

Quando e onde iremos nos encontrar para o lançamento dessa nova versão da Ação da Cidadania pelo Desenvolvimento Equânime e Autônomo. (Betinho no terceiro milênio)

José Ivan Mayer de Aquino
Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida

Responder

sandro

15 de novembro de 2012 às 20h29

Não podemos esquecer que há sim nas forças armadas setores progressistas,
e se o movimento é amplo devemos aglutina-los tambem.Antigos militares saudosos da ditadura geralmente pensam de forma subserviente a Europa
e EUA e certamente vão querer tumultuar. Esses nunca estiveram muito
interessados no Brasil.

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mariazinha

15 de novembro de 2012 às 20h16

Pois é: enterremos as tristezas, enxuguemos as lágrimas, para recomeçar a luta.

Responder

Bertold

15 de novembro de 2012 às 20h09

Nossa, meus olhos brilharam. Taí uma iniciativa política e que tem condições objetivas de se transformar num grande movimento de massas, ilustrado e esclarecido. Era o que eu esperava e defendia há muito tempo. Vamos nessa de alma e corpo. Adelante Brasil.

Responder

Marcus Netto

15 de novembro de 2012 às 20h06

Concordo com a iniciativa do manifesto, mas acho que estamos agindo e olhando para fora e se esquecendo de olhar para dentro. É necessário uma mobilização de massas urgente para barrar os movimentos golpistas que estão sendo urdidos dentro dos Tribunais Superiores testando as hipóteses do Golpe , bem como imprimir uma mudança radical sobre a defesa dos interesses das vítimas dos donos dos meios e da mensagem. O Golpe transpira esgoto por todos os lados . Não podemos cometer os mesmos erros da esquerda no Governo Jango e da Capitulação do PCB ao Getulismo em 1945 . Esta Nota do PT não é suficiente , foi extremamente formal e de utilidade zero. Serviu apenas para aquele sorriso meio zumbi do William Waack no Jornal da Globo . Temos que tomar as Ruas , o Campo e as Fábricas para denunciar esta UDN encastelada no STF e este submissos ao americanismo que controlam os grandes grupos de mídia. A própria despedida do Ayres Britto foi uma demonstração de que o STF está totalmente cooptado e refém das Famiglias mafiosas , salvo raras exceções . Notinhas serão ignoradas como sempre. Este grupelho da Casa Grande e aqueles da Senzala que pensam que serão aceitos um dia na Casa Grande não descansarão . Eles entendem somente a linguagem dos grandes movimentos de massa . Mobilização Interna Já ! Abaixo o Golpe da UDN de Toga. É bom o Stédile botar as barbas de molho pois será condenado pelo Domínio do Fato . Ele qualquer outro que represente ameaças aos projetos e aos lucros desta gente. Este estado de Inação perante ao que está acontecendo chega ser sombrio.

Responder

souza

15 de novembro de 2012 às 20h04

realmente um manifesto com medidas fundamentais para reforçar a soberania brasileira.

Responder

Nisio

15 de novembro de 2012 às 18h57

Considerando a alienação de grande parte da juventude, que aliás foi engendrada nos porões da ditadura e continuada pelo PIG, entendo ser interessante a participação de artistas simpáticos às causas sociais. Certamente esta participação, catalizará a participação de maior contigente da juventude, alem de produzir conscientização.

Responder

Vlad

15 de novembro de 2012 às 18h52

Sim…e depois desse “manifesto de reflexão”, formarão comissões setoriais e uma agenda de reuniões, debates, audiências públicas, intercaladas com oficinas políticas progressistas e independentes.
Após os trabalhos, que devem estar concluídos no máximo, e impreterivelmente, até 2019 ou 2020, todos se reunirão para a consolidação e revisão das propostas, que serão então submetidas no prazo de 15 dias, prorrogáveis por mais 15 em caso de justificada necessidade, ao Conselho Supremo Progressista e aos Membros Honorários (como Neobresser Pereira) que as avalizarão ou não.

Aí o Conselho Supremo levará o Manifesto Aprovado das Lideranças Aglutinadas (MALA) ao governo (insensível e subserviente) para que este páre de se submeter ao poder econ… ops!!…já somos governo há mais de uma década.

Vixi!!!
Estorna.

Responder

sandro

15 de novembro de 2012 às 18h05

E como colocar isso dentro de uma “linguagem” bem popular?
A participação da população se faz necessária , mesmo por que
os entreguistas de sempre certamente tentarão de tudo para demonizar
esse movimento, distorce-lo etc. Há de haver uma estratégia de divulgação
simples e eficiente.

Responder

sandro

15 de novembro de 2012 às 18h00

O que será que o FHC pensa disso?

Responder

    Pafúncio Brasileiro

    15 de novembro de 2012 às 20h25

    Sandro,
    Nem devemos nos preocupar com o Pavão. Porque a opinião do Pavão só serve para o pessoal não progressista. Agora, acho que ele pode querer “surfar” na onda, aí é que vai desmoralizar a nova iniciativa. Vai rachar a esquerda novamente. Então é bom não incentivarmos nada em relação a ele, pois ele já tem o Estadão e a grande mídia.

Jacó do B

15 de novembro de 2012 às 17h40

“Manifesto defende reaglutinação de forças no Brasil para enfrentar…… o golpe Paraguaio que se avizinha e, também, a crise mundial”. Modestamente gostaria que esta fosse a chamada do post!

Responder

Claudio Machado

15 de novembro de 2012 às 17h35

Desde já apoio e quero ter participação ativa. Me orientem como fazer.

Responder

Marcos W.

15 de novembro de 2012 às 17h30

Viva Cuba! Ou Viva China, levando-se em conta alguns nomes que assinam o documento!

Responder

    sandro

    15 de novembro de 2012 às 18h41

    Viva Olávo de Carvalho!
    Viva Civita!
    Viva Guantanamo!
    Viva….?

Pafúncio Brasileiro

15 de novembro de 2012 às 17h01

Azenha,
Será que “caiu a ficha” do pessoal da esquerda ? Há anos-luz já era para haver um amplo debate e consciência da necessidade disso. Uma, mínima dose de inteligência, já era necessária há muito tempo. Vamos ver se o pessoal “inteligente”, não vai começar a discriminar outros que não eram de esquerda e hoje são.

Responder

Roberto Locatelli

15 de novembro de 2012 às 17h00

Mas que notícia SENSACIONAL!

Excelente iniciativa, poderosos signatários e texto absolutamente assertivo.

O texto, com clareza cristalina, menciona o “…agravamento da crise do capitalismo em escala mundial”. Só essa expressão já mostra a seriedade da iniciativa, pois não se fala em “crise na Europa”, “crise do Euro”, “crise da dívida”, expressões que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) utiliza para impedir que seus leitores / ouvintes / telespectadores compreendam a natureza da crise. A crise é, de fato, DO CAPITALISMO. Ela é, de fato, MUNDIAL.

Outro ponto que merece louvor é o reconhecimento de que só o movimento de massas organizado poderá nos proteger contra a crise.

E mais: os signatários não tecem loas a Obama. Ah, que alívio!!

Que esse movimento ganhe a adesão dos sindicatos e organizações da sociedade!

Responder

Theo

15 de novembro de 2012 às 16h15

E a defesa da natureza? Essa gente esquece que nossa maior riqueza é a nossa biodiversidade. Exército para defender o que?????

Responder

    Nisio

    15 de novembro de 2012 às 18h27

    É por ingenuidade ou por defender interesses estrangeiros mesmo? Amazonia, Pre-Sal, reservas minerais, IV Frota, isto não diz nada?

    Mateus

    15 de novembro de 2012 às 18h45

    A defesa da natureza assim como a defesa a saúde pública, que não foi citado diretamente, vem implícito no texto e no objetivo da reflexão.

Cláudia Barcellos

15 de novembro de 2012 às 16h02

REAGLUTINAÇÃO DE FORÇAS NO BRASIL?

Entre os apoiadores da iniciativa estão nomes como … Luiz Carlos Bresser Pereira.

Então, vamos retroceder no tempo e apresentar, para quem ainda não conhece, os reais motivos que levaram o país ao estado em que se encontra hoje e, numa projeção não muito futurística, imaginar como estará em poucos anos, se não conseguirmos barrar o processo em curso.

Luiz Carlos Bresser Pereira, então Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado, elaborou o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, aprovado pela Câmara da Reforma do Estado em sua reunião de 21 de setembro de 1995 e pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. http://www.bresserpereira.org.br/Documents/MARE/PlanoDiretor/planodiretor.pdf

“… A reforma do Estado deve ser entendida dentro do contexto da redefinição do papel do Estado, que deixa de ser o responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social pela via da produção de bens e serviços, para fortalecer-se na função de promotor e regulador desse desenvolvimento. No plano econômico o Estado é essencialmente um instrumento de transferências de renda, que se torna necessário dada a existência de bens públicos e de economias externas, que limitam a capacidade de alocação de recursos do mercado. Para realizar essa função redistribuidora ou realocadora, o Estado coleta impostos e os destina aos objetivos clássicos de garantia da ordem interna e da segurança externa, aos objetivos sociais de maior justiça ou igualdade, e aos objetivos econômicos de estabilização e desenvolvimento. Para realizar esses dois últimos objetivos, que se tornaram centrais neste século, o Estado tendeu a assumir funções diretas de execução. As distorções e ineficiências que daí resultaram deixaram claro, entretanto, que reformar o Estado significa transferir para o setor privado as atividades que podem ser controladas pelo mercado. Daí a generalização dos processos de privatização de empresas estatais. Neste plano, entretanto, salientaremos um outro processo tão importante quanto, e que no entretanto não está tão claro: a descentralização para o setor público não-estatal da execução de serviços que não envolvem o exercício do poder de Estado, mas devem ser subsidiados pelo Estado, como é o caso dos serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa científica. Chamaremos a esse processo de “publicização”…
… Deste modo o Estado reduz seu papel de executor ou prestador direto de serviços, mantendo-se entretanto no papel de regulador e provedor ou promotor destes, principalmente dos serviços sociais como educação e saúde, que são essenciais para o desenvolvimento, na medida em que envolvem investimento em capital humano; para a democracia, na medida em que promovem cidadãos; e para uma distribuição de renda mais justa, que o mercado é incapaz de garantir, dada a oferta muito superior à demanda de mão-de-obra não-especializada. Como promotor desses serviços o Estado continuará a subsidiá-los, buscando, ao mesmo tempo, o controle social direto e a participação da sociedade.”

O Brasil que temos hoje é o resultado da implantação desse Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. O nível de atendimento dos interesses privados atinge todo o Sistema Único de Saúde, desde as ações e serviços que são contratados, em substituição aos públicos, que são abandonados ou fechados, passando pela força de trabalho contratada por intermédio de processos de terceirização que envolvem empresas privadas ou cooperativas, e atingindo por fim a própria gerência dos serviços públicos, entregue também a empresas privadas, juntamente com os recursos financeiros que são exigidos para o desenvolvimento do processo. Este modelo de gestão ameaça os direitos sociais e o reconhecimento da saúde como direito de todos os brasileiros e DEVER do Estado, bem como contraria a Legislação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Todos os dias, a imprensa denuncia os abusos cometidos pelas chamadas “Organizações Sociais” e o desvio de bilhões dos cofres públicos de municípios e estados. Só há uma saída para resolvermos definitivamente esse problema: o STF. É necessário garantir que a gestão do Sistema Único de Saúde, em todas as esferas de gestão e em todos os serviços, seja 100% pública e estatal, e submetida ao Controle Social. Para tanto, precisamos rejeitar a cessão da gestão de serviços públicos de saúde para as Organizações Sociais (OSs), e solicitar ao Supremo Tribunal Federal que julgue procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 1923/98, de forma a considerar inconstitucional a Lei Federal nº. 9637/98, que estabelece esta forma de terceirização da gestão. Precisamos rejeitar a cessão da gestão de serviços públicos de saúde para as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs). Precisamos rejeitar a proposição das Fundações Estatais de Direito Privado (FEDP), contida no Projeto de Lei nº. 92/2007, e as experiências estaduais/municipais que já utilizam esse modelo de gestão, entendido como uma forma velada de privatização/terceirização do SUS. Rejeitar a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), impedindo a terceirização dos hospitais universitários e de ensino federais. É preciso exigir que todos os hospitais universitários públicos atendam 100% SUS, ampliando a oferta de leitos (AIHS e UTI), de procedimentos e exames de alta complexidade, com fluxos de referência e contra referência bem definidos e articulados com hospitais públicos regionais e microrregionais, além de divulgar em portais de transparência as auditorias realizadas e os recursos destinados às entidades públicas, privadas e filantrópicas.

Responder

    assalariado.

    15 de novembro de 2012 às 18h46

    Cláudia Barcellos, muito boa a sua indicação de leitura. Li também, os nomes que assinam este documento e, percebi um estranho no ninho (Luiz Carlos Bresser Pereira) porém, dei um desconto com respeito aos outros nomes que assinam. Vamos ver.

    Abraços.

marcos morcerf

15 de novembro de 2012 às 15h10

LEI DE REGULAÇÃO DA MIDIA
REFORMA PARTIDARIA
PLC 122 ABRANGENTE IMEDIATAMENTE
FIM DA ISENÇÂO TRIBUTARIA AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS
ESTADO LAICO de FATO

Isto colocado com TODAS as letras sem GENERICOS , eu APOIO .

Responder

Vanda Correa Nunes

15 de novembro de 2012 às 14h59

Eu tb. quero saber como fazer parte desse movimento. Sou idosa, mas em alguma coisa posso ser util, tenho certeza.

Responder

    R Godinho

    15 de novembro de 2012 às 17h56

    Tb quero participar, e acho que, no final das contas, será a geração das Diretas Já que vai ter que sustentar a bandeira, pq essa garotada de hoje está tão alienada que nem sabe o que é bandeira…

assalariado.

15 de novembro de 2012 às 14h42

Este manifesto chegou em boa hora. Da para junta -lo ou, correr em paralelo, ao do post do Altamiro Borges, esta aqui:

https://www.viomundo.com.br/politica/altamiro-borges-chega-de-esperar-a-democratizacao-da-midia-pelo-governo-dilma.html

Visto que, a crise é do capital e não de governos, como nos ensina a imprensa do capital. O povo europeu já percebeu isto e, no dia de ontem deu mostras disto e, ontem (14 /11/ 2012), houve uma luta em 23 nações deste bloco economico entre, os assalariados, aliados politicos, povo explorado das nações contra o capital. Este, “legalmente” como Estado e os seus gerentes da vez, escondidos dentro de Estado de Direito, lançaram sobre as massas, seus arsenais repressivos, tentáculos institucionais para manter lei a ordem das elites parasitas, os donos do capital. Desta vez vieram travestidos de policia, tanques de jatos d’agua, cacetes, …

Será que, de repente este manifesto de reaglutinação que chama as forças progressistas para uma ação concreta, na real, e na sua essencia é, avisar o povo. A começar por este post e as ferramentas de luta dos explorados da nação. Será que poderemos implimi -los e distribuir nas estaçoes de metro, fabricas, empresas, escritórios, … O que fazer?

Abraços.

Responder

Bernardino

15 de novembro de 2012 às 14h40

ESSE MANIFESTO com todos esses PESO_PESADOS da nata intelectual brasieleiras foi a melhor coisa depois das eleiçoes no Brasil.HOMENS nacionalistas,patriotas e honestos.Esse movimento tem que ganhar as ruas,jkuntamente com a regulaçao do MIDIA e ser divulgado em cada padaria e esquina desse pais de norte ao sul de leste a oeste.È uma especie de ultimo dos MOICANOS para vencermos a elite Bandida e a Imprensa Canalha e porca do nosso país,ai sim encostaremos na parede a direitona presente na burgesia no judiciario canalha e na imprensa porca e entreguista do Brasil
É hora de juntarmos forças sindicatos ,partidos politicos,movimentos sociais independentes e ate o governo se vergonha tiver apoiando esse movimento com açoes estrategicas.A hora é essa: VIDA OU MORTE para o futuro do BRASIL.PARAbens aos IDEALIZADORES DO MOVIMENTO e que nao ESMOREÇAM Jamais!!!!!!!!

Responder

ZENILDO GONÇALVES

15 de novembro de 2012 às 14h28

PARABÉNS PELA INICIATIVA! GRANDE IDÉIA, VAI SER BOM PARA O BRASIL E POVO BRASILEIRO! PARABÉNS

Responder

Leandro Ferrari

15 de novembro de 2012 às 14h17

Tudo muito bonito e tal, mas para mim o número “2” (a subordinação dos sistemas bancário e cambial aos interesses desse desenvolvimento) deveria ser o número “1” – há tempos. Vemos na Grécia e outros países da Europa políticas públicas sendo adotadas por exigência de credores estrangeiros, deixando a população à revelia. Vemos pessoas que chegam no ápice da vivência humana se atirando rumo à morte porque perderam toda a dignidade que tinha, perderam para esse poder financeiro sem caráter, desumanizador. Aqui no Brasil não é diferente, macro políticas públicas já vem sendo adotadas há mais de década para atender a credores estrangeiros (FMI), exemplo: superávit primário, que se exporte o máximo possível, não importando se é produto com alto teor de tecnologia ou meros commodities agrícolas. Metade de tudo que é arrecadado vai para pagar uma dívida que ninguém sabe explicar direito de onde veio e o porquê está como está, nunca foi auditada e consome quase metade do orçamento, todas as outras áreas poderiam ter verbas em dobro se não fosse essa “maledetta” dívida!
Aguardem, os bancos já conseguiram reduzir o compulsório, não demora muito e logo conseguirão mais um pouco.

Responder

Maria

15 de novembro de 2012 às 13h42

Apoiado vamos começar….

Responder

Luana

15 de novembro de 2012 às 12h34

Eu vou fazer o contrário disso, Azenha. Não vejo a hora dessa crise começar e o mundo entrar em polvorosa. Estou sendo masoquista, egoísta, torcendo o contrário? Não, apenas creio em profecias e espero que toda esta situação em que se encontra o planeta tenha um fim na minha geração.

Acredito num livro que é considerado tosco e ultrapassado para muita gente, mas que, para mim e outras pessoas, são palavras de vida.

Responder

    sandro

    15 de novembro de 2012 às 13h33

    O capital?

    assalariado.

    15 de novembro de 2012 às 19h50

    Sandro, sim, O CAPITAL, de Karl Marx.

    Este é o livro da vida e da luta de classes. Jesus Cristo, certamente, adotaria este livro como cabeceira de cama. Leitura obrigatória.

    Abraços.

    FrancoAtirador

    16 de novembro de 2012 às 20h43

    .
    .
    Falando em livro:

    “Marighella é um personagem absolutamente atual”

    “O Marighella, goste-se ou não dele, não é um personagem que morreu no passado, é um personagem absolutamente atual. O Brasil está começando a conhecer Marighella, mas enquanto a história dele não for contada nos livros escolares, nos manuais de história, ele vai continuar sendo um maldito.
    Eu não advogo que os livros de história, nas escolas, propagandeiem o Marighella; nem defendo que sejam libelos contrários a ele, mas não contar a história do Marighella seria desonestidade intelectual.

    E é o que se faz hoje, desonestidade intelectual”, diz o jornalista Mário Magalhães, autor de “Marighella – o Guerreiro que Incendiou o Mundo”.

    Por Rodrigo Otávio, na Carta Maior

    Rio de Janeiro – “Esse Jango é frouxo”, ouviu Carlos Augusto Marighella, estudante de então 15 anos, de um cabeludo com pinta de motoqueiro. O cabeludo era Carlos Marighella, seu pai, disfarçado.
    E o encontro se deu em princípios de maio de 1964, em uma padaria nas cercanias do colégio onde o garoto estudava, na Tijuca, no Rio de Janeiro, como narra o livro “Marighella – o Guerreiro que Incendiou o Mundo”, do jornalista Mário Magalhães sobre a vida do ex-deputado comunista, guerrilheiro e fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), morto em 1969 em uma emboscada policial em São Paulo.

    “O Marighella, goste-se ou não dele, não é um personagem que morreu no passado, é um personagem absolutamente atual. Como dizem os partidários de Marighella, ‘Marighella vive’. O Brasil está começando a conhecer Marighella, mas enquanto a história dele não for contada nos livros escolares, nos manuais de história, ele vai continuar sendo um maldito. Eu não advogo que os livros de história, nas escolas, propagandeiem o Marighella; nem defendo que sejam libelos contrários a ele, mas não contar a história do Marighella seria desonestidade intelectual. E é o que se faz hoje, desonestidade intelectual”, diz o autor sobre as motivações que o levaram a escrever a obra de 717 páginas que tenta reverter esse quadro.

    48 anos depois daquele encontro nas cercanias do colégio Batista, Carlinhos relembra à Carta Maior a convivência com seu pai.

    “A despeito de viver uma vida extremamente atribulada, meu pai era uma pessoa muito alegre, muito bem humorada. Era um pai muito amigo, muito brincalhão, um pai que gostava de correr e nadar comigo na praia, e também de corrigir as provas da escola”, diz ele sobre os tempos de colégio semi-internato, de onde foi expulso por se chamar Marighella.

    Apesar de vítima da direção escolar, Carlinhos guarda boas lembranças da solidariedade dos colegas, e da formação que recebeu do pai, sem a obrigação da militância política. “Nós morávamos em um apartamento pequenininho, mas coberto de livros.
    Ele queria que eu lesse Jorge Amado, e também comprava Julio Verne e tudo mais, uma leitura selecionada. Lembro que ele me deu uns livros de Caryl Chessman, que era um homem condenado à morte nos EUA e que na cadeia começou a escrever livros e fazer uma reflexão sobre a vida e o judiciário americano.
    Pois meu pai me deu esses livros porque ele participava de uma campanha, ele queria incentivar as pessoas a abolir a pena de morte no mundo, e queria me conquistar para isso”, diz ele, que depois se filiou ao Partido Comunista por vontade própria.

    Sobral Pinto
    O encontro com o “motoqueiro” foi uma das últimas vezes que Carlinhos teve uma relação física, pessoal, com Marighella.
    “Meu pai foi preso em 64 e eu tinha 15 anos de idade. Ele ficou cerca de 50 dias na cadeia. Quando saiu, eu fui visitá-lo”, afirma, sobre outra ocasião em que viu o pai.
    Após a visita, Carlinhos tinha uma missão.
    “Recordo que ele pediu para eu contratar Sobral Pinto para impetrar um mandato de segurança ou um habeas corpus. E Sobral Pinto, ao patrocinar essa causa, ele que era um apoiador do golpe militar por razões da igreja católica, percebe que era o momento de denunciar as atrocidades e o risco que o golpe significava para as instituições brasileiras. Isso se deve ao contato que ele teve com meu pai e as razões que meu pai deve ter apresentado a ele”.

    Dali em diante, Carlinhos nunca mais estaria com seu pai.
    “Falei com ele por telefone e carta. De 64 a 69 meu pai se tornou uma pessoa totalmente clandestina e lançou a proposta de luta armada. A partir daí as perseguições chegaram a um limite intolerável, até que ele foi assassinado”.

    Morte
    Em novembro de 69, minuciosamente narrado no livro nos capítulos Tocaia e Post-morte: anatomia de uma farsa, Carlinhos já morava em Salvador, onde reside até hoje como advogado.
    Na época, “o que a família sabia era o que se publicava nos jornais, geralmente ‘Marighella morreu’, ‘Polícia quase encontra Marighella’.
    Enfim, como aquilo quase nunca se confirmava, foi criando na gente a expectativa de que afinal meu pai ia conseguir sair incólume.
    Até que uma noite recebi um jornalista em casa me pedindo que fosse a um jornal identificar fotos que davam notícia da morte de meu pai.
    Fui quase que com enfado, porque para mim era uma repetição mentirosa daquelas notícias”.

    No entanto, lá, deparou-se com a dor.
    “Tinha um telex que recebia notícias do mundo todo. E aí, quando a máquina começou a vomitar aquela notícia, ia compondo, como se fosse um fax, fotos e textos.
    Eu aterrorizado vi que aquela imagem que ia se formando lentamente era efetivamente o rosto de meu pai.
    Foi um choque tremendo, mas ali mesmo eu jurei para mim que era preciso resgatar, provar para todo mundo que meu pai não era aquele facínora, que ele não era digno de morrer daquele jeito”, afirmou ele, sereno, observando o grande número de leitores que fazia fila para comprar o livro e conhecer um pouco mais de Marighela durante o lançamento da obra de Mário Magalhães, na terça-feira (13), na Livraria da Travessa, no Rio.

    Coerência
    Entre os leitores, antigos companheiros, como Carlos Eugenio Paz. O ex-comandante Clemente da ALN preza a coerência que Marighela sempre demonstrou, seja em conversas com um estudante aspirante a revolucionário, seja em sua visão de compromisso com o país. “Era um homem que vivia aquilo que pregava. Um homem com aquela estatura me ouvia, um garoto de 15 para 16 anos. Propunha para a gente uma organização horizontal, onde não tinha chefes. Onde ele, com toda a estatura de líder, abdicava do poder de decidir, nos deixava a iniciativa”, diz Paz sobre a convivência com “Mariga”, ou “Preto”, após o primeiro encontro em 1966, em uma caminhada por um Aterro do Flamengo ainda em construção.

    “Muita gente pergunta se não foi um erro o Marighella ficar no Brasil, ao invés de sair para se preservar. Eu respondo sempre assim: não sei se foi erro ou acerto. Agora, se o Marighella sai do Brasil, ele não seria o Marighella. Porque exatamente a maior qualidade dele era essa. Além de ser um estrategista, um teórico, um homem com ideias na cabeça, ele vivia o que ele pregava; e mais, ia na frente. Ele não pedia a ninguém para fazer um sacrifício que ele também não estivesse fazendo. Marighella nunca me pediu um risco que ele também não estivesse correndo”, afirma.

    Atemporal
    Sem riscos da chuva que caía lá fora, abrigados na elegante livraria de Ipanema, muitos folheavam a obra que ao custo de R$ 57, pouco menos de 10% do salário mínimo brasileiro, evidencia o quanto o país ainda está longe da realidade sonhada pelo biografado. A maioria das opiniões era do importantíssimo resgate histórico que a obra proporciona. Em rodas de conversa, a evolução da ditadura para a democracia consolidada era lembrada, mas a troca da solidariedade pelo individualismo questionada. Na impossibilidade da comparação, a voz negra da Bahia falava mais alto.

    “Tem algumas coisas da atuação humana, pessoal, social e política de meu pai que eu acho que continuam muito importantes.
    A gente precisa difundir valores, valores que sirvam como referência para que a gente tenha orgulho de ser brasileiro e tenha vontade de construir esse Brasil.
    Não é uma questão de ideologia, mas valores humanos.
    Meu pai era patriota, era uma pessoa despojada, que amava o povo brasileiro.
    Era um homem que trabalhava, que tinha coragem de enfrentar a luta por suas ideias.
    É um homem que é efetivamente um exemplo.
    Marighella é uma pessoa com esta marca, uma marca de um homem excepcional, de um homem que será sempre útil em qualquer país, em qualquer geração”, disse Carlos Augusto Marighella.

    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21263

roberto almeida

15 de novembro de 2012 às 12h22

Um ponto deve ser acrescentado nessa pauta: ênfase pelo governo federal de políticas públicas para a diminuição das desigualdades regionais. Diverso do governo do Presidente Lula, o atual governo não está demonstrando a mesma sensibilidade com o Nordeste do Brasil. As obras de transposição do São Francisco estão quase parando. E isto num momento da ocorrência de uma das maiores secas da história da região. As derrotas do PT em Recife e Fortaleza são indícios do que pode acontecer nas próximas eleições. Não se pode exigir de um povo secularmente discriminado lealdade, na hora de decidir, a um projeto de governo que lhe oferece apenas a bolsa família.

Responder

    Matheus CõrôA

    15 de novembro de 2012 às 18h23

    Jovem Azenha e vi o mundo, esse comentário é sensacionall emm…
    Sou baiano, Egenheiro Químico, moro no RJ por completar um ano agora e não é só de bolsa família que nós nordestinos vamos viver não!
    Sou progressita de carterinha, mas o nordeste também mereçe muito mais obras!!
    ALOW Mãe DILMA E PAI LULA, vamos passar a régua com projetos aqui também!!

Tomudjin

15 de novembro de 2012 às 11h50

Qualquer um pode estar morto. Basta que se sinta.

Responder

Orivaldo Guimarães de Paula Filho

15 de novembro de 2012 às 11h37

Como fazemos para apoiar este manifesto?

Responder

    Conceição Lemes

    15 de novembro de 2012 às 12h37

    Orivaldo, vamos contatar os organizadores para saber. abs


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