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Boletim da USP desqualifica vítimas da ditadura, ex-preso político repele


21/03/2012 - 11h04

Ivan Seixas: Não se pode calar as vozes dissidentes na USP com carteiradas

por Conceição Lemes

Em 3 de outubro de 2011, nós denunciamos aqui: USP homenageia vítimas da “Revolução de 1964″?

Como num verdadeiro abracadabra, essa placa apareceu na Cidade Universitária no final do ano passado. Mais precisamente na Praça do Relógio, em frente ao anfiteatro, ao lado do bloco A do CRUSP. Ela anunciava que ali estava começava a ser feito um Monumento em Homenagem a Mortos e Cassados na Revolução de 1964.

Alunos, professores e funcionários administrativos da USP ficaram sem entender. Nem mesmo professores que trabalham com direitos humanos tinham ciência do que realmente se tratava.  Não se tem ideia do que simbolizará nem como será o seu desenho.

“Se o monumento é para as vítimas da ‘revolução’, então ele não é da esquerda, e sim de eventuais torturadores que morreram, como o Fleury [delegado Sérgio Paranhos Fleury]”, questionou na época, ao Viomundo, o professor Lincoln Secco, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

A cientista social Maria Fernanda Pinto observou: “Como instituições de Direitos Humanos propõem um monumento aos que foram mortos pela ditadura com esse nome de ‘Revolução de 64’? Revolução de 64 é a pauta da direita. Para nós, foi um golpe militar-civil. E por que pontuar 1964? É como se os 20 anos da ditadura não tivessem existido. Só que existiram e muitos tombaram”.

“O que todos nós esperamos é que haja um monumento em memória das vítimas do Golpe de 64 nanossa universidade”, salientou então o professor Lincoln Secco. “Proporcionalmente, a USP foi uma das instituições que mais perderam alunos e professores assassinados.”

A  reportagem do Viomundo foi postada no dia 3 de outubro  às 16h40. Nas horas seguintes a placa foi pichada.

“Quando eu passei por lá à noite, já estava escrito golpe”, contou Alana Marquesini, 23 anos, estudante de Ciências Políticas da USP. “Aí, escrevi ‘ditadura!’. Voltei hoje  e acrescentei ‘massacre’.”

“Escrevi ditadura e massacre, porque  me agrediu muito como cidadã, brasileira, estudante de Ciências Políticas”, prossegue Alana, que viu a placa pela primeira vez na terça-feira da semana passada. “Fiquei indignada e fui levando outras amigas. Só quando as pessoas viam é que se davam conta do absurdo. Um erro crasso. ”

A ministra Maria do Rosário, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, indignada, detonou:  Essa placa na USP é um absurdo.

Em seguida, a sua assessoria de imprensa nos enviou por e-mail a sua posição: Farei contato com o reitor para mudar imediatamente a inscrição na placa”.

A Petrobras, também por e-mail, informou que o nome do projeto que patrocina era outro.

No dia 4 de outubro à tarde, a Reitoria da USP, por meio da sua assessoria de imprensa, nos enviou por e-mail, o seguinte esclarecimento:

“Houve um erro na inscrição da placa. O nome correto é: Monumento em Homenagem aos Mortos e Cassados no Regime Militar. Trata-se de um projeto do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. A correção da placa será feita o mais breve possível.

Por favor, peço a gentileza de que inclua este esclarecimento em sua matéria, pois o NEV é um grupo de pesquisa reconhecimento nacional e internacionalmente e não pode ser exposto dessa forma por um erro na placa da obra”.

Criado em 1987, o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEVUSP) tem como um dos seus coordenadores o professor Sérgio Adorno. O professor Paulo Sérgio Pinheiro, especialista em direitos humanos, também integra o núcleo, onde atua como pesquisador associado.

Foi ele quem nos endereçou em 6 de outubro, através da assessoria de imprensa do NEV, uma nota de esclarecimento intitulada Memorial aos Membros da Comunidade USPVítimas do Regime da Ditadura Militar – 1964/1985 da qual destacamos dois trechos abaixo ( íntegra pode ser lida aqui):

Em 2010, o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV/USP) teve a iniciativa de propor à Reitoria da Universidade de São Paulo a construção de um Memorial em homenagem aos membros da comunidade USP que foram perseguidos durante o regime autoritário que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. A Reitoria manifestou apoio ao projeto, inclusive comprometendo-se a ceder a área em terreno da Universidade.

……

Para viabilizar esta homenagem o NEV/USP, com apoio da Reitoria, associou-se à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, à FUSP e à Petrobrás. Esse consórcio forneceu os fundos necessários à obra física do Memorial (sic).

……

Como a nota de esclarecimento era insuficiente para colocar certos pingos nos is, solicitamos mais esclarecimentos ao professor Paulo Sérgio Pinheiro e ao NEV. Apesar de vários e-mails (a ambos) e telefonemas (à assessoria de imprensa do Núcleo), eles não responderam as nossas perguntas.

Aliás, num e-mail que o professor Paulo Sérgio enviou disse:

Conceição,
espeto que vs ajudem a salvrbo mmorial depois da controversia  se conta que nunca na Usp e a primeira vez que um reitor faz um homenagem aos cassados,mortos e presos professores,alunos e funcipnaros da Usp 21 anos depois do fim d ditadura…” (sic)

Eu repliquei: “Como ajudar a salvar o memorial, se a Reitoria, o NEV e o senhor me sonegam as informações necessárias para esclarecer definitivamente essa história?”

Quase cinco meses depois, o Memorial às Vítimas da ditadura na USP está de volta ao debate. É um dos pontos abordados no Manifesto pela Democratização da USP:

Nós, perseguidos pelo regime militar, parentes dos companheiros assassinados durante esses anos sombrios e defensores dos princípios por eles almejados assinamos este manifesto como forma de recusa ao monumento que está sendo construído em homenagem às chamadas “vítimas de 64” na Praça do Relógio, Cidade Universitária, São Paulo.

Um monumento na USP já deveria há muito estar erguido. É justo, necessário, e precisa ser feito. Porém, não aceitamos receber essa homenagem de uma reitoria que reatualiza o caráter autoritário e antidemocrático das estruturas de poder da USP, reiterando dispositivos e práticas forjadas durante a ditadura militar, tais como perseguições políticas, intimidações pessoais e recurso ao aparato militar como mediador de conflitos sociais. Ao fazer isso, essa reitoria despreza a memória dos que foram perseguidos e punidos pelo Estado brasileiro e pela Universidade de São Paulo por defenderem a democratização radical de ambos.

Monumento e manifesto constam também do USP Destaques 56. Na matéria  “A Democracia na USP”, o boletim da Assessoria de Imprensa da Reitoria, chama os signatários de autointitulados “perseguidos pelo regime militar, parentes de companheiros assassinados… e defensores os princípios por eles almejados”.

Entre os chamados autointitulados “perseguidos pelo regime militar, parentes de companheiros assassinados…”, estão várias vítimas uspianas e não uspianas da ditadura, como  Criméia Alice Schmidt de Almeida, Edson Teles, Janaína Teles, Maria Amélia de Almeida Teles, Takao Amano, Ivan Seixas, Leonel Itaussu, Benjamin Abdala Junior, Emília Viotti da Costa, José Damião de Lima Trindade, Maurice Politi, Wolfgang Leo Maar.

Há familiares que assinaram em nome de pessoas assassinadas pela ditadura: André Grabois, Bento Prado Jr, Caio Prado Jr, Helenira Resende de Souza Nazareth, Heleny T. F. Guariba, Luiz Eduardo Merlino, Zuzu Angel.

Há vários professores da USP, como Marilena Chauí, João Adolfo Hansen, Fábio Konder Comparato, Luiz Costa Lima, Ismail Xavier, Paulo Eduardo Arantes, Nabil Bonduki.

Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – São Paulo (Condepe-SP) e uma das vítimas da ditadura, também assina.  Embora o Manifesto pela Democratização da USP lide com questões específicas da universidade e Ivan não tenha ligação com elas, ele foi um dos primeiros signatários. Daí a nossa entrevista:

Viomundo – Por que você assinou o Manifesto?

Ivan Seixas – Assinei, porque acho justa e legítima a preocupação da comunidade uspiana com a transparência e o resgate histórico. Não acho correto o uso da expressão “autointitulados perseguidos…” que está na nota da administração da USP. Creio que devem ter a palavra não apenas os autointitulados democratas, mas todos os preocupados com temas relevantes para a vida do país. Afinal, a vida acadêmica é muito relevante para o Brasil.

A ideia da existência de autointitulados democratas leva à autoritária e arrogante premissa de que os adversários não têm o direito de falar. Nunca é demais lembrar que autointitulados democratas se calaram (ou aplaudiram, mesmo!), em 1964, quando houve o assalto ao poder e foi implantada a ditadura que infelicitou o país por 21 longos anos. Nesses anos terríveis, as universidades perderam sua autonomia, a PM e as outras polícias da ditadura invadiram a USP e outras universidades, foram implantadas as DSIs (Divisão de Segurança e Informação), estudantes foram perseguidos e proibidos de estudar, professores foram demitidos e proibidos de trabalhar.

Os autointitulados democratas venderam a Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, as Diretas Já! e a exigência por punição aos torturadores.

Neste momento delicado da vida nacional, não podemos dar a ninguém o direito de tentar calar as vozes dissidentes com carteiradas, poderes burocráticos ou autoproclamações autoritárias.

Assinei, portanto, o manifesto não apenas por causa da construção do monumento às vítimas da ditadura na USP.

Viomundo — O que acha de o boletim da Reitoria da USP ter desqualificado os que assinaram o manifesto?

Ivan Seixas – Aos 16 anos de idade, fui capturado com meu pai, o operário mecânico Joaquim Alencar de Seixas. Fomos torturados juntos, e ele foi assassinado sob torturas no DOI/CODI- II Exército. Fiquei em poder dos torturadores por quase seis anos seguidos.

Minha mãe e duas irmãs também foram capturadas e permaneceram em poder da ditadura, autointitulada democrática, por um ano e meio, sem qualquer acusação. Uma de minhas irmãs sofreu violências sexuais. Minha casa foi saqueada pelo militares.

Há, portanto, entre os que assinam o manifesto gente que foi perseguida pela ditadura e é parente de assassinados pela ditadura. Desqualificar os signatários é tentar calar a voz de adversário não é coisa de verdadeiros democratas.

Viomundo – Considerando o clima de perseguição existente na USP nos últimos tempos, você acha que os uspianos vítimas da ditadura gostariam de ter seus nomes ligados à atual administração?

Ivan Seixas – Assim como a história não pertence a quem quer que seja, os memoriais em homenagem às vítimas da ditadura também não pertencem às administrações. Esse memorial é da comunidade uspiana e assim deve ser encarado. O alunado, o professorado e os funcionários devem se apropriar dele como pertencente à comunidade uspiana.

Viomundo — Por sugestão do professor Fábio Konder Comparato, os organizadores do Manifesto junto a outras entidades e grupos irão propor a instalação de uma Comissão da Verdade na USP. Ela terá o papel de apurar os excessos, delações e perseguições ocorridos durante o regime militar, com a conivência ou participação direta de membros da comunidade universitária da época.  O que acha de uma Comissão da Verdade para a USP, já que foi uma das universidades mais atingidas pela ditadura?

Ivan Seixas – A rigor, todas as universidades devem instalar Comissões da Verdade, pois as arbitrariedades cometidas dentro delas nunca foram apuradas. Do mesmo modo, sindicatos e associações de classe também devem fazê-lo, pois os olhos e braços da ditadura estiveram presentes em todos os lugares e seus reflexos e herdeiros ainda estão entre nós.

A USP teve um grande número de pessoas atingidas pelo decreto 477, muita gente foi presa dentro do campus e os registros de mortes de uspianos, alunos (as) e professores (as) nos obriga a exigir a instalação de uma Comissão da Verdade.

Leia também:

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32 comentários

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Luiz Leduino: “Polícia Militar não combina com educação, universidade. Nunca dará certo” « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de junho de 2012 às 18h05

[…] Boletim da USP desqualifica vítimas da ditadura, ex-preso político repele […]

Responder

Por uma Comissão da Verdade da USP. Participe! « Viomundo – O que você não vê na mídia

07 de junho de 2012 às 15h16

[…] Boletim da USP desqualifica vítimas da ditadura, ex-preso político repele […]

Responder

Gustavo Pamplona

22 de março de 2012 às 15h59

Interessante… qual de vocês dois deletou meu comentário?

Eu não ligo para isto mesmo… já me vetaram e já deletaram outros no passado… quando eu mostro a verdade nua e crua vocês dois não conseguem suportar, não é mesmo? hahahahaha

Queridos… a tal presidenta aí que foi "barbaremente torturada" (falou isto centenas de vezes na campanha presidencial) na tal ditabranda, a "correção de rumo" que eu tinha apontado já que o país estava caminhando para o comunismo.

Na primeira oportunidade que ela teve ela beijou a mão dos que cederam os carros aos torturadores da ditabranda. Esqueceram da ida dela a festa da Folha ano passado?

Vocês estão perdendo tempo com isto.. isto é como o nazismo na Alemanha hoje… é passado morto e enterrado.

—-
Desde Jun/2007 mostrando a verdade no "Vi o Mundo"! ;-)

Responder

    Conceição Lemes

    22 de março de 2012 às 16h06

    Eu deletei, Gustavo. Vc tem todo o direito de discordar, de zombar da memória de mortos, perseguidos pela ditadura e seus familiares, nao. abs

    Aline C Pavia

    22 de março de 2012 às 19h29

    Eu estive na Alemanha e conversei com pessoas de lá. Mui delicadamente perguntei algo sobre o nazismo e o Holocausto. Os alemães sentem profunda vergonha e culpa pelo que houve no passado. Morto e enterrado, Pamplona? Vá a Berlim e visite o Museu do Holocausto. Converse com as pessoas sobre como se sentiram ao saber que um borra-botas qualquer havia roubado a placa do portão de Auschwitz, o trabalho liberta. Pamplona, suas palavras não só refletem uma pessoa alienada: refletem uma pessoa sem compromisso com a verdade dos fatos e que torce a realidade à sua maneira, a seu bel-prazer, graças a uma desconexão profunda da realidade, do sofrimento alheio, da memória coletiva e das vicissitudes por quais tantos passaram.

    Aline C Pavia

    22 de março de 2012 às 19h30

    Vivemos 21 anos de ditadura militar, com mortos, perseguidos, exilados, "desaparecidos" e torturados. Apenas uma geração depois, uns poucos como você, muito incomodados com esses gritos silenciosos desses milhares de vítimas da direita golpista que você defende, esses corpos não-enterrados, essas lágrimas que não estiam, e o próprio povo brasileiro que está mudando de cara, de sotaque, de mãos, de classe social, e de endereço na geografia e no mapa, agora querem não só jogar uma pá de cal em cima do que vocês julgam ser apenas um "corretivo necessário" à investida comunista (dizendo amém a um discurso american way of life tão estúpido quanto absurdo, como vemos hoje à luz da operação Condor e do quanto fomos capachos da dita maior economia do planeta); mas querem também jurar por Deus do céu que a ditadura nem sequer existiu, Dilma não foi torturada – aqueles choques na vagina eram invenção da cabeça dela – Herzog realmente deu um pulinho da cadeira dali pra baixo, e DOPS e DOI-CODI eram dois bons butecos de SP onde se bebia uma boa cerveja e se ouvia boa música no fim de noite. Harry Shibata era o bartender e Romeu Tuma o maître… Ficamos assim entendidos?

    Gustavo Pamplona

    22 de março de 2012 às 19h55

    Vou te mandar um e-mail aí! É o mesmo que uso aqui, se quiser responder… fique a vontade, ok? ;-)

    Mateus_Beatle

    22 de março de 2012 às 20h44

    A saber, diversos generais do nazismo foram julgados por tribunais.
    Aqui no nosso país, os generais fazem festa – com traje a rigor – para comemorarem o fato de terem praticado terrorismo de estado.

    É aquela velha história, se alguém da tua família tivesse sido barbaramente torturada, você não ficaria fazendo gracejozinhos.

    Além do mais, o padim pade cerra também ADORA falar que teve de se exiliar (fugiu) por conta da ditaDURA, mas, isto, me parece, que você se esqueceu, não?

    Gerhard Erich Boehme

    06 de abril de 2012 às 19h02

    Se não tivéssemos a intervenção dos militares em 1964 o que teríamos então? Democracia? Isso é uma ilusão acadêmica ou um sonho durante a puberdade.

    Devemos interpretar os anos 60 segundo a realidade da época. O Muro de Berlin, onde perdi dois de meus primos que buscavam a liberdade, foi construído em 1961. O mundo estava dividido, o socialismo mostrava seu fracasso e sua tirania. Nações eram dividias, milhões foram mortos, inúmeras nações estavam em guerra civil. Tivemos diásporas, paredóns, prisões e execuções.

    Saber interpretar a data de 31 de março de 1964 é e deve ser um resgate histórico, principalmente o de se entender um período conturbado da história da humanidade, de um mundo dividido, com nações sendo divididas, passando por conflitos internos, com a redução significativa de suas populações.

    Miguel

    22 de março de 2012 às 22h07

    troll covarde e mesquinho. excelente definicao arrumaram pra voce mais abaixo

    abolicionista

    09 de junho de 2012 às 01h36

    Sua ignorância é ainda maior que sua arrogância. Tenho nojo de gente como você!

sabiá

22 de março de 2012 às 14h18

Querida Conceição Lemos: é possível que ambos governo de SP e reitoria da USP cometam o mesmo "engano" ao referirem ao golpe militar usando da mesma falácia? Lembram do episodio em que o site do governo paulista fez a mesma 'lambança'? http://ruifalcao.com.br/site-do-governo-de-sp-cha

De qualquer forma, eu como estudante da USP acho que está mais do que na hora da criação de um museu em homenagem a esse episodio importantissimo da historia brasileira. A falta de reconhecimento de que houve um golpe de estado pela maioria da populacao e por politicos e policias além da falta de memoria civica não conscientiza para os problemas que enfretamos hoje como consequencia dessa parte da historia bras que permanece ambivante e obscura. Museu do golpe de 64 já!

Responder

trombeta

22 de março de 2012 às 13h07

Tem coisas que só acontecem em São Paulo.

Responder

Aline C Pavia

22 de março de 2012 às 09h12

O pescoço do Vladimir Herzog estava bem "corrigido" na foto. O carro do Rubens Paiva também foi bem "corrigido". Outras "correções" no DOPS e no DOI-CODI foram muito boas também. Inclusive podemos aplicar sua teoria ao Holocausto. Não foram deportações, trens sem volta e câmaras de gás; foi apenas a "Ocupação" da Tríplice Aliança. Seis milhões de judeus foram "corrigidos". O que eles tinham que fazer na Alemanha, não é mesmo? Mecenas, comerciantes de cristais e jóias, escritores, pintores, banqueiros, músicos? Uma afronta realmente. Parabéns Gustavo! Vamos então abolir o nome "tortura"? Vamos usar "corretivo", "admoestação", ou "lembrete físico". Acho que fica mais apropriado. Leve sua tese à ONU, OEA e à Convenção de Haia, veja o que eles acham disso por lá.

Responder

renato

22 de março de 2012 às 08h21

Independentemente do regime: torturadores, opressores, bandidos,ladrôes,politicos corruptos, corrompidos, sequestradores,estrupadores, todos aqueles que trazem dor ao proximo, DEVEM pagar pelos seus crimes, nem que falte apenas um dia de vida para eles.
Agora para os professores, os pensadores, os motivadores de sociedades, para as pessoas que pensem sempre no coletivo, pessoas que ergam bandeiras contra o mal, e os estudantes do país PARABENS ( só larguem da maconha , não dê change para vagabundo), Quem esta trabalhando não tem tempo para divagar…. Que nem eu. ( e qualquer sociedade serve, desde que não exista os elementos acima citados), e que não exista um poder paralelo fora do país tentando dominar minha casa..
. Viva meu presidente, que naquela época lutava por algo que acreditava…e nem por isto transformou nossa bandeira em vermelho azul e branco, e encheu de estrelinhas.
Cadeia para os vagabundos que ainda estão por aí, que sentiram o gosto de sangue, e tenho certeza que continuam aprontando na calada da noite, quando penduram seus pijamas. Quem foi psicopata sempre será.

Responder

Julio Silveira

22 de março de 2012 às 08h13

Vai o autoritarismo ficam os autoritários, enquanto não lhes cortarmos as asas.

Responder

Mauro A. Silva

22 de março de 2012 às 04h02

Apoiamos a idéia de uma Comissão da Verdade na USP.
Sugerimos também que se faça uma Comissão da Verdade nas Escolas Públicas do ensino básico, pois muits direções foram formada no regime militar que vigorou até 1988. Muitas destas "direções escolares" permanecem tuando até hoje nas escolas públicas.

Mauro Alves da Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública http://movimentocoep.ning.com/

Responder

marciafer55

22 de março de 2012 às 00h21

Gustavão, vamos combinar o seguinte? Fica lá lendo o Reinaldão que é mais a sua praia…

Responder

Rogério Leonardo

21 de março de 2012 às 23h43

Você é um ser patético.

Não tem o menor respeito pela dor e com certeza não conhece como eu, pessoas que perderam entes queridos para o que você considera apenas como uma "correção de rumo".

Graças a luta destas pessoas que um verme covarde como você pode destilar estas baboseiras aqui no site.

Troll covarde e mesquinho.

Responder

    beattrice

    22 de março de 2012 às 12h30

    A dor alheia só é visível a seres HUMANOS.

beattrice

21 de março de 2012 às 23h00

Para quem se pergunta até onde vai essa situação na USP, na UNICAMP e na UNESP,
parece evidente que se trata de uma estratégia em tudo semelhante ao que ocorreu
por exemplo na Tv Cultura, um dia, se isso não tiver uma virada de rumo, vão privatizar as Universidades paulistas, definitivamente, porque as fundações já representam meio caminho andado.

Responder

pperez

21 de março de 2012 às 21h26

E a Petrobras apresentar patrocinio para uma placa com esta conotação!
Ninguem entendeu o que leu ,ou entendeu e concordou?

Responder

João Bravo

21 de março de 2012 às 19h25

Eu morava á alguns quarteirões de onde tenho casa hoje.
Naquele tempo se morria de velhice aos trinta anos.
Criei-me brincando com um amigo, órfão de pai, ele vivia com a mãe e mais 15 irmãos.
Tamanho o número de filhos obrigava-a a numerá-los .
Este meu querido amigo, era o décimo terceiro, assim sendo, era conhecido por todos por Treze.
De família muito pobre, as refeições matinais em sua casa nunca variavam, sempre o desjejum de todos eram dois ou três pratos de angu com leite, já no almoço e janta, arroz,feijão,ovo frito, aipim,menos pedra, porque era ruim de mastigar.
Ele já naquela época destacava-se dos demais garotos, um negro, bonito,forte,alto, e com uma educação aguda.
Quando passávamos pela frente de sua casa, acaso sua mãe estivesse pregando alguns sarrafos em sua velha cerca, era uma evidência de que os irmãos acabaram de resolver mais um dos tantos conflitos familiares.
Crescemos, mas nossa amizade continuou, eu trabalhava como despachante de trânsito, fazendo todo o tipo de trabalho junto a policia civil …ele trabalhando como segurança em uma casa noturna, famosa na cidade.
A imagem do treze à porta da boate era assustadora, quem não o conhecesse impressionava-se, o cara era grande e forte, suas mãos eram verdadeiras raquetes.
Numa destas ocasiões, dois policiais militares à paisana, confiando-se na sorte,tentaram adentrar o recinto sem pagar. Ele então, seguindo ordens que tinha os barrou.
Os PMs, sem gostarem muito, avisaram:
-Amanhã, estaremos de serviço viremos fardados e aí conversaremos, aguarde.
Ele, em sua calma característica, nada respondeu.Na noite seguinte, chegam os PMs fardados, e sem aviso algum, começaram a lhe baterem com cacetetes, provocando-o para que reagisse, no entanto, ele apenas sussurrava:

-Não bato em homem fardado! não bato em homem fardado!

Naquela época você podia tudo, menos encostar em uma farda, fazê-lo era como assinar uma sentença de morte. Mas se estivessem sem farda…

Certo dia, o Treze, em uma de suas folgas, lançava sua tarrafa a beira da lagoa, feliz com o resultado de sua pesca,que por certo tiraria da rotina o seu cardápio, viu que ao longe vinham remando dois homens em sua direção.
Para sua surpresa e satisfação, eram os dois PMs, que fora de serviço, também tiveram a infeliz idéia de pescar.
Mal a canoa deu de proa na areia, os PMs sentiram faltar chão a seus pés.
Não conseguiram ao menos tentar uma fuga a nado.
A coisa decorreu tranqüila, mais ou menos previsível:
o Treze batia,e eles apanhavam, simples assim!.
Na delegacia, já devidamente medicados os PMs,que não puderam acompanhar a condução do Treze,por motivos óbvios, o inspetor de plantão preparava-se para fazer o Boletim de Ocorrência,quando adentra o Delegado e toma ciência dos fatos, presentes e passados.
O delegado encara o Treze, e calmamente lhe diz:

-Você não tem vergonha covarde?…quer dizer então,que o Estado monta uma verdadeira operação de guerra para selecionar estes homens, dá-lhes alojamento,comida, treinamento de defesa pessoal,tiro, gasta uma banana para tornar estes agentes públicos aptos a zelar pela segurança do cidadão e seu patrimônio, e vem você e enche os coitadinhos de porradas,e os larga em trapos num hospital?…você não se envergonha?

O delegado volta-se para os dois PMs e pergunta:

-Vocês vão fazer a ocorrência não é?…não vão engolir uma covardia destas, ou vão deixar barato?

Os PMs a esta altura, já sem saberem onde colocar suas caras:

-Não delegado, não precisa ocorrência, acho que o susto que o senhor deu nele foi o suficiente.

Responder

    Gustavo Pamplona

    21 de março de 2012 às 22h06

    Quem diria! O João Bravo voltou ao blog! Leitor das antigas do "Vi o Mundo". Seja bem vindo de volta! =D

    —-
    Desde Jun/2007 dando boas vindas a leitores antigos do "Vi o Mundo"! ;-)

David Keijock

21 de março de 2012 às 13h17

É de impressionar o cinismo e a desfaçatez da administração da USP. O reitor Rodas, além de ilegítmo (nunca é demais lembrar que o nome saiu de um colégio eleitorial composto de menos de 1% da comunidade universitária, e ainda por cima foi o segundo da lista) ao chamar, de forma irônica, de autointilados os que assinam o Manifesto pela Democratização da USP, não só desrespeita todos que tombaram ou lutaram contra a infame ditadura militar, mas os que se solidarizam com eles. No fim das contas, o senhor João Grandino Rodas está assumindo o lado da ditatura, o lado daqueles que usurparam o poder, que sequestraram e assassinaram pessoas.
Acredito que o Brasil vive um dos piores momentos de sua história, posto o conservadorismo hoje se manifestar na suas formas mais violentas. Quando a perseguição e criminalização de demandas sociais atingem a principal universidade brasileira, é um bom indicativo do que acontece abaixo dela, com exemplo, lembremos do Pinheirinho.
Também o fato de falarmos da USP, há outro aspecto que é preocupante. Tive o cuidado de ver quem assina o manifesto, senti falta de muita gente lá. Parece que os docentes da USP morreram enquanto intelectuais, e estão apenas preocupados com a própria carreira. Afinal de contas, não é aceitável que um intelectual se cale diante das barbáries que ocorrem na USP, ele, no mínimo, tem que se posicionar publicamente.
A água que esses docentes omissos têm às mãos, não tem nada de purificador ou mera omissão, eles estão enlameando a ideia de universidade e do respeito a coisa pública.
David Kei

Responder

Aline C Pavia

21 de março de 2012 às 12h28

EUNAOSABIA como Uspiano habitué do blog poderia ser o primeiro a comentar.
De que lado você estaria em 1964? Amarrando ou sendo amarrado ao pau-de-arara?

Responder

    EUNAOSABIA

    21 de março de 2012 às 13h54

    O que eu lhe fiz rapaz?? quer me conhecer??? biblioteca de economia amanhã pela manhã, USP. Em sua homenagem estarei com uma camiseta vermelha com a estampa de Stalin no peito e atrás uma foice e martelo.. ..

    Aline C Pavia

    21 de março de 2012 às 21h33

    Sua resposta disse tudo. E não me trate por "rapaz". Sou MULHER com orgulho e honra.

    Julio Silveira

    22 de março de 2012 às 12h08

    Esse Robo não sabe, sequer distinguir sexo. Tenho que rir, mas o farei em silêncio em respeito ao fantasma que acredita estar vivo.

Rodrigo Leme

21 de março de 2012 às 12h07

Acho pertinente a crítica ao uso de "revolução" ao invés de "ditadura".

Agora, vinda de gente que chama ditadura de esquerda de "revolução" é engraçado…

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Jairo_Beraldo

21 de março de 2012 às 12h00

Tenho um amigo, que era "bagunçado", e um dia resolveu mudar de vida. Se habilitou em biologia e hoje é professor da rede pubica. O encontrei há poucas semanas e colocando em dia nossos "avanços", comentou que seu filho faz um curso na USP, que não me lembro agora. Perguntei se ele aprova a ação de democratização na USP, e estupefato escutei dele que, isto era coisa de uns 300 baderneiros que não querem nada com a vida. E me disse que trabalhou e votou no reizinho M.Perigo e que estava amargamente arrependido, e lhe argui se estava em greve, o qual ele me respondeu -"não são grevistas, são baderneiros". Sabe o que eu acho? Tem gente que se esconde na trincheira, enquanto os fortes vão para o front, abrir caminho para estes covardes se darem bem. É nojento, mas é a realidade.

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Jose Luis Tenorio

21 de março de 2012 às 11h50

http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2012/03/2

quarta-feira, 21 de março de 2012

Justiça do Acre condena Globo a indenizar família de sindicalista

A juíza Ivete Tabalipa, da 4ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, condenou a Rede Globo nesta terça-feira (21) ao pagamento de indenização por danos materiais fixados em 0,5% dos lucros auferidos com a minissérie “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, de autoria da novelista acreana Glória Perez, exibida em 55 capítulos, entre janeiro e abril de 2007.

A decisão, publicada na edição do Diário da Justiça do Acre desta quarta, favorece parcialmente a nove herdeiros do sindicalista Wilson de Souza Pinheiro, o Wilsão, assassinado em Brasiléia (AC) na década dos 1980, com três tiros nas costas, no momento em que assistia o noticiário da TV, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia (AC), do qual era presidente.

A magistrada decidiu que o valor da indenização terá que ser apurado em liquidação, devidamente corrigido pelo INPC e acrescido de juros moratórios de 1% ao mês.

Leia mais:

O agrobanditismo: a hora da onça beber água

Família de sindicalista quer indenização de R$ 23 milhões da Globo

Não sendo possível a aferição dos lucros obtidos pela Rede Globo com a minissérie “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, a indenização será arbitrada em liquidação.

– Declaro resolvido o mérito, nos moldes do art. 269, I, do CPC. Face a sucumbência recíproca, condeno as partes ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados no importe de 10% (dez por cento) do valor da indenização, na proporção de 1/3 para a parte ré e 2/3 para os autores, observando quanto a estes a gratuidade judiciária deferida – escreveu na decisão a juíza Ivete Tabalipa.

A ação indenizatória foi ajuizada por Ambrosio de Paiva Pinheiro, Andréia Paiva Pinheiro, Francisca Angelita Paiva Pinheiro, Hiamar de Paiva Pinheiro, Iliana de Paiva Pinheiro, Inêz de Paiva Pinheiro, Iolanda Pinheiro Bartha, Irismar de Paiva Pinheiro e Maria Terezinha de Paiva Pinheiro.

A minissérie retratou momentos históricos do sindicalista Wilson Pinheiro sem a devida autorização dos herdeiros, que reivindicavam a condenação da Rede Globo ao pagamento de indenização pelos danos materiais e morais e pela utilização indevida dos direitos de personalidade de Wilson Pinheiro.

A Rede Globo alegou que retratou a participação do sindicalista Wilson Pinheiro por ser imprescindível para a narrativa do protagonista Chico Mendes na minissérie, ante o envolvimento de ambos na causa dos seringueiros.

Os fatos relacionados ao sindicalista, segundo a Rede Globo, diz respeito exclusivamente a sua vida pública, não tendo, em momento nenhum, retratado fatos de sua vida privada, limitando-se apenas a reproduzir fatos nacionalmente conhecidos e amplamente divulgados. Hiamar, filha de Wilson Pinheiro, chegou a participar da gravação da cena que retratava o velório de seu pai.

O ponto controvertido da ação é a “indenizabilidade”, a título de danos morais e materiais da utilização da imagem de Wilson Pinheiro, sem autorização expressa de seus sucessores.

Embora Wilson Pinheiro fosse pessoa conhecida nacionalmente e os fatos retratados na produção televisiva de natureza pública, em razão de terem sido publicados em diversas revistas, a juíza entendeu que a exploração de sua imagem dependia do consentimento de seus sucessores.

– Não comprovando a ré a autorização dos autores para a exploração da imagem de Wilson Pinheiro, têm os autores direito à indenização em decorrência desse ato ilícito praticado pela ré – escreveu a magistrada na decisão.

Porém, a juíza não reconheceu qualquer menção a cenas que tenham associado a imagem de Wilson Pinheiro a condutas desonrosas ou que sua reputação tenha sido exposta, de forma vexatória ou ofensiva, a comentários ou a palavras que pudessem desabonar a sua conduta ou a de sua família, ou ainda, que pudessem macular a sua honra, profanando a sua memória.

– Assim, não há, de fato, dano moral compensável, pois ausente quaisquer provas da existência do componente psicológico, que evidencie o sofrimento ou a angústia dos autores com a retratação, na obra televisiva, da figura de seu parente.

A família de Wilson Pinheiro pleiteava indenização pelo uso indevido dos direitos da imagem, entretanto, a juíza entendeu que “a causa de pedir desta é idêntica à do dano material pretendido pelos autores, razão pela qual tenho por improcedente tal pedido, uma vez que deferi-lo seria incorrer em bis in idem.”

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