VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Denúncias

Petrobras: Nome do projeto que patrocina é outro


04/10/2011 - 00h20

‘Repressão na USP: Monumento a Mortos e Cassados’

por Conceição Lemes

Em função da reportagem USP homenageia vítimas da “Revolução de 1964″?, contatei a  Petrobras. A Gerência de Imprensa enviou-me este posicionamento:

A Petrobras possui contrato com a Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP) para o projeto ‘A Repressão na USP: Monumento em Homenagem a Mortos e Cassados’, que prevê a construção de monumento em homenagem às vítimas do regime militar (1964-1985) pertencentes à comunidade da USP. É importante esclarecer que a placa exposta na obra não faz parte das contrapartidas do projeto.

Aparentemente o projeto patrocinado pela Petrobras não é o que consta na placa. Revejam a foto. Ou será que a Petrobras contratou uma coisa e a USP está fazendo outra?

Essa placa me obriga a fazer mais perguntas:

1) Quem é o responsável pela feitura da placa?

2) Como foi contratado o projeto? E a sua execução?

3) Na placa são citadas Petrobras, Scopus, Dezoito Arquitetura e Coordenadoria do Espaço Físico (Coesf). A Petrobras vai financiar o projeto, qual o papel dos demais?

4) Normalmente obras desse porte em órgãos públicos exigem licitação. Será que nessa foi preciso? Que tipo de contrato foi feito?

NaMaria, do NaMariaNews, uma das maiores especialistas em Diário Oficial do Estado de São Paulo, arregaçou as mangas para nos ajudar a desvendar esse mistério. Não encontrou nenhuma ocorrência no DO para essa obra. Pelo menos entre as licitações feitas pela FUSP, Coesf e USP, a menos que tenha um lapso do DO. Mas há outros negócios interessantes.

5) A Petrobras fez o contrato com a Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), que, curiosamente, está fazendo o sistema de semáforos de São Paulo, entre outras obras.  O que a FUSP entende de engenharia de tráfego? A FUSP, segundo NaMariaNews, é a FDE [Fundação para o Desenvolvimento da Educação] da USP e executa projetos de toda natureza.

“O interessante é que a Petrobras é mencionada no site da FUSP como a maior fonte de recursos para projetos da USP”, observa NaMaria. “Foram 87 milhões de reais de 2006 a 2010, sem contar a Petrobras Rede Temática que deu mais de 38 milhões. A terceira é a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos].”

Portanto, a Petrobras tem plena consciência dos projetos que patrocina.

6) Assina como engenheiro responsável pela obra Dirceu Camargo Filho, que aparece na internet como dono da Scopus (CNPJ 49723802/0001-19). Por que o dono é que assina como engenheiro responsável por um monumento?

7) Será que a Scopus vai fazer a obra e a Dezoito Arquitetura o “desenho”?

8) Não há na internet nenhuma referência relevante à Dezoito Arquitetura. Mas numa busca no Facebook encontrei-a aqui. Seu poder de fogo: até o momento 14 pessoas curtiram-na no Facebook. Do seu portfólio constam várias lojas de shopping, como de sandálias de borracha, lingerie, roupas femininas, e restaurante fino.

“O que um escritório de design de boutiques tem a ver com um monumento em homenagem às vítimas da ditadura?”, questiona NaNaMaria, que sem duvidar da comprovada competência da Dezoito, acrescenta. “Será um monumento light, estilo ditabranda?”

9) De acordo com a placa, o monumento ficará em R$ 89 mil. Qual a viagem desse dinheiro? A Petrobras repassou para a FUSP, que repassou para quem? Como a FUSP contratou as empresas executoras? Qual o número do contrato? Quem é o gestor?

Com a palavra o reitor da USP, João Grandino Rodas, e os demais envolvidos na obra.A Petrobras já deu uma resposta.

PS do Viomundo: Alunos e professores, por favor, continuem nos mandando imagens da obra até a sua finalização. É importante acompanharmos este momento histórico.

Para ler, USP homenageia vítimas da “Revolução de 1964″?, clique aqui

E aqui para saber a reação da ministra Maria do Rosário no twiiter

Leia também:

O outro lado da foto do estudante que “atacou” Lula na Bahia

Martin Granovsky: Foi preciso um argentino defender Lula em Paris

Gilson Caroni Filho: A invisibilidade dos “indignados”



Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


18 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Caio Toledo: O marxismo continuará vivo enquanto perdurarem as iniquidades do capitalismo - Viomundo - O que você não vê na mídia

15 de setembro de 2013 às 09h46

[…] Petrobras: Nome do projeto que patrocina é outro […]

Responder

Arquiteto

05 de outubro de 2011 às 16h08

Ok questionar onde e como o dinheiro público é utilizado, inclusive super importante! Mas querer atirar com metralhadora pra todos os lados e ser um "ultra revolucionário" faz o texto perder a credibilidade, como:

"3) Na placa são citadas Petrobras, Scopus, Dezoito Arquitetura e Coordenadoria do Espaço Físico (Coesf). A Petrobras vai financiar o projeto, qual o papel dos demais?"

Esta escrito na placa: Scopus – construtora, Dezoito Arquitetura – projeto executivo, coordenadoria do espaço físico da USP (esse é literal)… para mim esta bem claro.

Se um escritório aceita fazer um projeto, é porque este é interessante para ele, tanto como curriculo, visibilidade ou financeiramente. Quantos "likes" no Facebook o escritório tem é uma informação desnecessária. Não indicam a capacidade do mesmo de realizar um bom projeto.

Metade de seu texto me fez ficar abismado, e fez perder a credibilidade. O que importa neste caso são duas coisas: 1) Arrumar o nome da placa, que saiu errado por erro de alguém. 2) Verificar se o uso do dinheiro público esta sendo bem aplicado.

Responder

Ricardo - SP

04 de outubro de 2011 às 13h23

A USP, controlada por tucanos, deve estar hiper recheada de maracutaias.
Se conseguem promover lavagem cerebral em seus formandos(nao todos), tornando-os tucanoides, o que fazem entao com manobras contabeis.

Responder

Gerson Carneiro

04 de outubro de 2011 às 11h06

A tentativa fracassada de golpe no ano de 1932 a elite paulista também chama de "Revolução".

Responder

beattrice

04 de outubro de 2011 às 10h50

O MInc patrocinou o DISNEY ON ICE e a Petrobrás patrocina a griffe da DITABRANDA.
Cada vez mais cada vez.

Responder

beattrice

04 de outubro de 2011 às 10h25

Se alguém, um dia, abrir a caixa preta das fundações da USP e das demais autarquias paulistas [UNICAMP, etc] deve tomar o cuidado de manter-se a salvo.
As movimentações bilionárias que por ali ocorrem e a absoluta falta de transparência na origem e na destinação delas abriga distorções inimagináveis.
Senão vejamos, por que "a Petrobras é mencionada no site da FUSP como a maior fonte de recursos para projetos da USP"? Uma universidade que não nem é federal e que "teoricamente" encontra-se financiada por um projeto de governo "contrário" ao do governo federal???
Em que capítulo contribuir financeira e logisticamente para a engenharia de tráfego de SP,
que sinceramente parece que nem existe,
é responsabilidade legal e orçamentária da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP)???

Responder

Uélintom

04 de outubro de 2011 às 10h11

Pelo know-how da construtora, pelo perfil do reitor da USP e pelo posicionamento político de boa parte do Governo do Estado de SP, acho que o monumento será uma grande surpresa para a Ministra Maria do Rosário e para a Petrobrás: uma LOJINHA DA DITABRANDA, onde serão vendidos bonequinhos de pano dos generais-presidentes, miniaturas de carrinhos puma (desmontáveis, para simular explosão), e kits com pequenos bonequinhos e instrumentos de plástico como martelos, paus-de-arara, fiozinhos para eletrochoque, além, claro, de pequenas kombiznhas, com o logo da Folha.

Responder

ricardo silveira

04 de outubro de 2011 às 10h07

O Governo Federal controla a Petrobrás, logo, os critérios para o financiamento de atividades culturais devem ser relevantes para o interesse público. Pode ser que a Petrobrás esteja levando um passa-moleque, e, se estiver imagino que seja possível alguma ação legal. Todo cuidado com os tucanos é pouco. Mas a Petrobrás também precisa de atenção, até há pouco tempo patrocinava clube de futebol que devia uma fortuna à Previdência.

Responder

Julio Silveira

04 de outubro de 2011 às 09h38

Tenho que concordar com Klaus, vai sobrar pro operário que fez a placa. Tudo porque as pessoas que dizem nada ter a ver com isso, neste festival de desmentidos e indignadas negações não tiveram a parcimonia com os recurso que ninguem nega veio realmente da Petrobrás. Quem avisa amigo é, cuidem para que daqui a pouco não estejam financiando algum grupo de picaretas, se é que já não estão, pois parece que o dinheiro e tanto que não estão dando conta dele na contabilidade e está saindo para o ladrão .

Responder

leo

04 de outubro de 2011 às 09h37

Como se aprova um projeto de uma placa em que não se tem o projeto da placa?

Responder

Klaus

04 de outubro de 2011 às 09h20

Vai sobrar pro cara que fez a placa.

Responder

    GilTeixeira

    04 de outubro de 2011 às 10h27

    Nunca pensei que diria isso:
    Concordo com você!

    beattrice

    04 de outubro de 2011 às 10h49

    Já sobrou, todos desmentindo o desmentido, em ordem alfabética.
    Patético.

    Polengo

    04 de outubro de 2011 às 11h43

    E merecidamente.

Eduardo

04 de outubro de 2011 às 08h41

Se é assim, então a Petrobras deveria retirar o patrocínio, já que a destinação foi outra. Estaria plenamente amparado legalmente.

Responder

    EUNAOSABIA

    04 de outubro de 2011 às 11h20

    Melhor não sugerir nada rapaz, petista quando vê muita bufunfa esconde na cueca.

    Aline C Pavia

    04 de outubro de 2011 às 12h11

    Não me chame de rapaz, sou mulher.
    Antes de me dirigir diretamente a palavra o faça sem anonimato ou pseudônimos.
    A Constituição Federal preserva o livre-direito à manifestação desde que sem anonimato. Ou sua covardia ao não usar nome e sobrenome para ofender outrem é tão grande assim? Termino qualquer briga que vc começar, bebê.

    Roberto Locatelli

    04 de outubro de 2011 às 11h31

    Apoiado! Se o contrato de patrocício foi quebrado, a Petrobras não tem porque continuar patrocinando.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!