VIOMUNDO

Diário da Resistência


Opinião do blog

O falso dilema entre proteger os pobres e pagar bons salários a servidores


15/08/2012 - 18h46

por Luiz Carlos Azenha

Outro dia saiu na capa do Estadão que a greve dos servidores públicos federais era uma greve de elite. Senti-me transportado à eleição presidencial de 1989, quando Fernando Collor encarnou o “caçador dos marajás”. Os marajás, obviamente, representavam o Estado brasileiro. Ao demolir os marajás, demolia-se um estado perdulário, nababesco, apodrecido. Mas, que estado tão poderoso era este, quando a Polícia Federal ainda nem tinha chegado ao Acre? Quando a rede pública de educação nem tinha chegado às fronteiras do país? Quando o SUS ainda engatinhava?

[Para informação dos mais jovens, Fernando Collor, com apoio devastador da mídia, derrotou Lula no segundo turno da primeira eleição presidencial direta depois da ditadura militar]

Obviamente, a caça aos marajás serviu à primeira encarnação do neoliberalismo no Brasil. Apeado Collor, o projeto frutificou sob Fernando Henrique Cardoso. O ataque aos marajás foi a peça pioneira na criação de um biombo simbólico, sob a qual se escondeu a vasta privatização do patrimônio público, cujo principal crime foi a venda da Companhia Vale do Rio Doce.

É natural que o Estadão continue defendendo, hoje, as mesmas teses que defendia há mais de 20 anos. O jornal é declaradamente conservador e muitas vezes elogiado justamente pela consistência.

O que de fato chama a atenção é a narrativa adotada pelo Palácio do Planalto, nos últimos dias, no que é interpretado — não sei se corretamente — como um recado da presidente Dilma aos servidores públicos federais em greve.

Tem dito a presidente que cabe a ela zelar, prioritariamente, pelos brasileiros que não têm estabilidade de emprego.

Infere-se que exista, portanto, uma competição entre os interesses dos que não dispõem de estabilidade de emprego e os interesses dos que dispõem de estabilidade.

Na minha opinião, é um falso dilema.

A estabilidade de emprego dos funcionários públicos não é, ao que eu saiba, resultado de uma concessão do governo Dilma.

Ela está escrita na lei. A estabilidade, na verdade, existe justamente para garantir que os funcionários públicos não fiquem reféns de humores políticos e partidários.

Portanto, é obrigação constitucional da presidente da República zelar pelos subordinados que dispõem de estabilidade de emprego no exercício de suas obrigações funcionais.

Que ela priorize os brasileiros que não dispõem de estabilidade, é justo e desejável.

Porém, essa prioridade não precisa ser dada às custas daqueles que dispõem de estabilidade de emprego, ou seja, do funcionalismo público.

O Estado não tem existência física, a não ser nos prédios da Esplanada dos Ministérios. Ele se materializa, entre outras coisas, nos serviços prestados pelos funcionários públicos ao povo, ou seja, àqueles que Dilma diz priorizar, os que não têm estabilidade de emprego.

Portanto, não há nada de errado em Dilma priorizar ao mesmo tempo os funcionários públicos e os que não dispõem de estabilidade no emprego. Afinal, ao valorizar os funcionários públicos estará, ainda que indiretamente, valorizando também os que recebem os serviços essenciais prestados pelos servidores do Estado.

Seria muito mais honesto que o governo dissesse claramente que enfrenta limitações orçamentárias que o impedem de dar os aumentos pretendidos pelos servidores, ao invés de jogar uns contra outros, criando a versão do século 21 do discurso de caça aos marajás.

A não ser que o objetivo seja, ainda que de forma torta ou tênue, retomar o discurso do Estado balofo, perdulário e incapaz — o discurso do neoliberalismo light.

Leia também:

FHC apoia Dilma no jogo duro contra grevistas

Maria Godói Faria: Mídia reforça preconceito contra servidores

Folha pede ao governo que resista aos servidores

Servidores dizem no STF que decreto de Dilma é inconstitucional

Agência Brasil destaca prejuízo causado pelas greves

Policial Maisa: Sobre a greve da PF

César Augusto Brod: “O PT patrão não aprendeu com sua própria história”

Ricardo Antunes: Para onde vão as nossas universidades

Brizola Neto nega falta de ousadia do governo, se vê como mediador de greve e descarta reforma da CLT





36 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Paulo Paim: “Em 20 anos, não houve interesse de governo algum em aprovar o direito de greve dos servidores. Por que agora?” « Viomundo – O que você não vê na mídia

05 de setembro de 2012 às 10h17

[…] O falso dilema entre proteger os pobres e pagar bons salários a servidores […]

Responder

Ricardo

24 de agosto de 2012 às 20h32

Parabéns, Azenha. Falou tudo.

Coerente, conciso, claro.

Ainda temos jornalistas independentes e inteligentes.

cordiais saudações

Ricardo

Responder

marcio

21 de agosto de 2012 às 10h18

O senhor se considera de esquerda, mas defende o que há de mais fina-flor do atraso e do corporativismo nesta nação: o sindicatos dos marajás no Brasil afora, que tanto lutam para que seus salários não sejam divulgados…

Responder

marcio

21 de agosto de 2012 às 10h16

No papel tudo é muito bonito, mas não há dinheiro para priorizar as duas coisas. convenhamos, os marajás já vem sendo priorizados desde 1500. Chegou a vez de aumentar a renda do sofrido trabalhador privado brasileiro!

Responder

ana

18 de agosto de 2012 às 20h35

Lamento profundamente ler, neste blog que considerava crítico, a defesa de uma das formas clássicas de parasitismo social, que é o burguês de classe média, que tem salário e estabilidade muito superior à maioria absoluta da população brasileira;população que, ironicamente, paga esse salário e essa estabilidade, sem ter direito sequer a um atendimento minimamente “bem educado”.
Sou servidora pública e, infelizmente, não vejo espírito público na prática cotidiana de boa parte (maioria mesmo!) dos colegas, que consideram inclusive, uma afronta, a simples exigência de assiduidade ou pontualidade no serviço. Destaco ainda, o desprezo que esses burgueses tem pela clientela que “atendem”.
Qualquer pessoa que precisa desses serviços sabe disso, é fato. Daí a facilidade com que os discursos neoliberais desmontaram boa parte da estrutura estatal. A mídia faz seu trabalho sujo, mas esse é fácil demais, pois os funcionários públicos fortalecem bastante a insatisfação, com sua indiferença e seu descompromisso. Basta filmar o dia a dia de qualquer instituição pública e poderemos confirmar o que relato.
Participei de movimentos grevistas, onde somente uma minoria expressavam real desejo de melhoria dos serviços prestados. A prática constante das greves já fez com que colegas programassem, cinicamente, férias prolongadas. Como servidora pública, desejo que o controle social da qualidade do serviço público seja implementado, antes que essa “classe mediazinha” que historicamente se apropriou dos cargos públicos e que ignoram sua função pública, afunde em definitivo, uma proposta de Estado que zele pelos que mais precisam.
Negar que haja interesse privado dos movimentos grevistas, voltados exclusivamente para aumentar privilégios e salários, não ajuda em nada a melhoria dos serviços públicos. Não é um falso dilema, pois os trabalhadores pobres do Brasil não têm obrigação de bancar milhares de pessoas que não estão nem um pouco preocupadas com o atendimento que prestam, mas com o carrinho novo e com a viagem para o exterior que querem contar para os amigos.

Responder

    Eliana Azevedo

    19 de agosto de 2012 às 08h37

    Ana,
    Com todo respeito….vc é uma pessoa politica e socialmente iletrada. Abraços!

    Reinaldo

    20 de agosto de 2012 às 09h00

    Faz o seguinte: entrega seu cargo. Ou você vai endossar o sistema de castas teoricamente dominado por uma classe médio boçal?… Concordo, com você quando diz que o serviço público não é adequadamente prestado nas repartições públicas, mas isso não se resolve com redução do poder de consumo do salário dos servidores e nem com essas pseudocapacitações que são oferecidas pelo estado.
    No que diz respeito à questão salarial, porque o governo não apresenta uma indexação do salário dos servidores públicos a determinado índice assim como foi feito com o piso nacional da educação para professores? Assim, a gente não precisaria fazer greve todo ano, basta calcular. Mas o governo PTista fazendo isso acabaria com um dos principais argumentos dos sindicatos para angariar servidores: aumento salarial. Você acha que o PT e os partidos de esquerda querem isso? Perder esses fiéis eleitores e defensores do pseudossocialismo brasileiro… Os sindicatos, sim, que representam uma verdadeira massa parasitária sugando do estado para fazer negociatas com o governo durante as eleições em troca de capital político.
    Por fim, como explicar a diferença que existe hoje entre cargos dos três poderes e até dentro de um mesmo poder? Um Assistente Administrativo tem as mesmas atribuições em todos os três poderes, então porque uns percebem o dobro que outros? Porque os servidores do executivo tem de receber auxílio-refeição menor do que servidores de outros poderes ou mesmo de determinadas repartições? Servidores de determinado poder tem o estomago mais refinado que outros é?… não é uma questão de picuinha entre poderes, mas um questão lógica: se são iguais as atribuições, como explicar as diferenças na remuneração?… Quem quiser se aventurar a explicar…
    Essa greve foi construída no governo Lula, está sendo procrastinada pelo governo Dilma e vai sobrar para o próximo governo, pois o governo continua aumentado os salários das categorias que dão menor impacto orçamentário e nutrindo a distorção que existe entre cargos de mesmo nível. Nos vemos em 2016 para uma nova greve geral federal.

    marcio

    21 de agosto de 2012 às 10h21

    Análise perfeita!! São poucos servidores públicos, como nós, que conseguem se distanciar da análise corporativista, atrasada, parcial, que cercam sindicatos e servidores públicos Brasil afora, reconhecendo nos privilégios públicos o que há de mais atrasado na sociedade brasileira, que paga, por impostos escorchantes, privilégios injustificáveis! Arrocho já!!

    paulo roberto

    23 de agosto de 2012 às 22h04

    Muito bem colocado, Ana.

    Max

    13 de setembro de 2012 às 14h50

    Muito bem, colega. Infelizmente o homem sempre irá defender o que lhe defende, custe o que custar, mesmo às custas da desgraça dos outros (farinha pouca meu angu primeiro). Mas essa é a lei da natureza. Mulheres bonitas casam com homens ricos para garantir um futuro promisso dos filhos assim como a macaca acasala com o líder do bando para que seus filhos nasçam fortes e saudáveis, ambos inconscientemente. Estamos fadados a contar horas dentro desse sistema alienante do “mais valia”.

Alisson

17 de agosto de 2012 às 16h53

Mais uma vez, parabéns pela imparcialidade nas suas publicações.

Responder

    Max

    13 de setembro de 2012 às 14h52

    Imparcialidade??? Queimem o Aurélio, pelo amor de deus.

Renata

17 de agosto de 2012 às 13h33

O problema é que essa “guerra” entre categorias de trabalhadores não é idéia só do governo. Vejo o movimento sindical querendo me convencer (eu, servidora do judiciário) a ir pra greve porque um determinado cargo ligado a limpeza urbana hoje está ganhando a metade do que ganha um técnico do judiciário, como se isso fosse absurdo (não sei quanto ganha o pessoal da limpeza, mas o salário base de técnico é 4k). Isso é motivo de festa e não deveria ser argumentação para entrar na greve. Que bom que o profissional da limpeza urbana está sendo mais valorizado! Além do mais, não acho 4k para um cargo de nível médio pouco, de jeito nenhum. Já fui da iniciativa privada e um recém formado tinha certa dificuldade para ganhar isso. Sei porque eu era responsável pela seleção dos contratados em uma multinacional que atuava no Brasil. A greve quer o aumento de salário com um argumento muito fraco pra mim que é o seguinte(trocando em miúdos): todo mundo tá ganhando, então quero a minha parte. Já ouvi do movimento sindical que o sindicato apoiou o governo em troca do reajuste, e que quem tiver apoiando o reajuste o sindicato está apoiando, podendo ser até algum parlamentar do DEM. Já ouvi isso da boca de muito servidor. Eu acho absurdo isso, escolher o governante pelo bem que faz ao meu bolso e não ao país. Nesse caso, a ideologia está ligada só ao meu salário e pronto! E essa história de estarmos sem aumento não é explicada pra todo mundo direitinho, não existe aumento naquele classe, mas todo servidor público muda anualmente de categoria por progressão na carreira, tendo sim um aumento, ainda que pequeno, todos os anos. Enfim, acho que em algumas poucas categorias, a greve é justa. Mas para a maior parte, os argumentos estão difíceis de convencer.

Responder

Paulo Kliass: A pressa de Dilma e os riscos de mais privatização « Viomundo – O que você não vê na mídia

17 de agosto de 2012 às 13h12

[…] O falso dilema entre proteger os pobres e pagar bons salários a servidores […]

Responder

Pitagoras

16 de agosto de 2012 às 20h54

Como sempre, BRAVO, Azenha!

Responder

Maria Izabel Noronha: Os professores são mesmo despreparados? « Viomundo – O que você não vê na mídia

16 de agosto de 2012 às 16h12

[…] O falso dilema entre proteger os pobres e pagar bons salários a servidores […]

Responder

Sousandrade

16 de agosto de 2012 às 00h54

O discurso orçamentário não cola. Como – sem corar de vergonha (se ainda tiver…) ou sem rir descaradamente msm – afirmar falta de recursos se aprovou LOA2012 com quase 50% da gastos com pgmento de juros…realmente é difícil, do pto de vsta ético ou msm lógico-político afirmar isso claramente pra justificar arrocho salarial de 6 anos, 30% de perda inflacionária. Não teria 70% de aprovação que aguentasse…Hje participei de passeata na cd da boa vista/recife contra essa postura do gov. Dilma. Como se permitir afundar 30, 40% e ficar calado…?

Responder

    marcio

    21 de agosto de 2012 às 10h23

    Qual é a sua alternativa?Decretar moratória? Não me faça rir!

Joelson Dantas

15 de agosto de 2012 às 23h45

Caro Azenha, sua abordagem foi muito feliz. A presidente Dilma esta deslumbrada com os pseudoelogios da mídia golpista. Simplesmente estão, com sucesso, desestabilizando uma de suas importantes bases.
Sou Policial Rodoviário Federal, ingressei na PRF em 2006 e desde lá o salário inicial é o mesmo. O efetivo dimiinuiu bastante. Vários postos estão fechando e outros tem apenas 01 policial por dia. Enfim, as condições de trabalho estão péssimas. E, para piorar o quadro, vão acabar com a aposentadoria especial de todos os policiais federais. Ou seja, não haverá nenhum atrativo interessante para ingressar e permanecer na corporação. Diferentemente de outras atividades, nós oferecemos nosso maior bem (a vida) como ferramenta de trabalho.
Para quem não conhece outras atribuições nossas, segundo o próprio ministério da justiça, somos a polícia que mais apreende drogas no país (apenas 8.900 policias). No entanto, os postos fronteiriços são compostos por quantidades insuficientes de servidores. Nosso órgão não dá despesa ao governo, pois arrecada-se muito com as autuações e, consequentemente, com a redução dos acidentes; os quais, segundo o IPEA, custam quase meio milhão de reais ao erário, quando se tem vítimas fatais. Em 2007 (a última estatística que tive acesso) conseguimos prender 10% de todos os foragidos do país. Lembram do assassino do cartunista Glauco Ayala? Fomos nós quem o predemos. Não fizemos mais que nossa obrigação. Agora indago: quantos foragiso poderiam ser detidos, quantas drogas poderiam ter sido interceptadas, quantas acidentes seriam evitados se tivessemos condições adequadas de trabalho?
Sobre o reajuste, pedimos apenas a correção da inflação, afinal, a própria constituição federal (art. 37, inciso X) nos dá esse direito. O salário mínimo sobe anualmente, com este, vem o seguro automotivo, escola, universidade, água, luz, telefone, aluguel… Uma gama de fatores que minam nosso poder de compra. Só queremos manter o que já temos.
Detalhe, o governo lula nos tirou o adicional noturno…
Reitero os parabéns a você Azenha! Esse espaço é um dos poucos isentos nessa blogosfera.

Responder

jaime

15 de agosto de 2012 às 23h42

Caro Azenha, parabéns e obrigado pelo texto (acho que único com esse viés, na mídia eletrônica e impressa). Se alguma coisa poderia ser acrescentada é que, na minha opinião, não existe um país realmente avançado sem serviços públicos de qualidade. Temos vários exemplos, desde os países nórdicos, até alguns europeus onde o funcionalismo público tem uma carreira mais ou menos independente do governo de plantão, ou seja, não há ingerência política. Aqui é o contrário. O funcionalismo tem sido visto como um peso para o Estado e para a sociedade, sendo acusado eleitoreiramente de todas as mazelas desse Estado. Na verdade, é exatamente pela falta de valorização do funcionalismo que surgem as universidades privadas, os planos de saúde privados, as empresas de vigilância privadas, as concessionárias de rodovias, ou seja, todo aquele “empreendedorismo” jabuticaba que se resume em assumir aquilo que o Estado construiu e entrega de bandeja.
De um governo de direita não se esperaria mesmo qualquer valorização do funcionário público – o interesse é exatamente que não funcione, como argumento para as privatizações de toda a espécie e para o florescimento da “iniciativa” privada em todos os setores. Mas de um governo de esquerda esperávamos outra coisa. Mesmo ao discurso mais simples, esse da estabilidade / não estabilidade, vários argumentos poderiam ser levantados em contraponto, como por exemplo, a inexistência do FGTS, a demissão por qualquer motivo inscrito na Lei 8666 – estabilidade não é uma blindagem contra a improbidade -, o desleixo(demissões ocorrem em grande número, conforme a própria mídia divulga, quando é de seu interesse), as avaliações periódicas, a contribuição maior para uma aposentadoria que está longe de ser integral, etc, etc.
Além disso, dada a grande procura por concursos públicos, o Estado tem à disposição uma mão de obra altamente capaz, entretanto, não há realmente uma formação, um acompanhamento, uma valorização do servidor. Principalmente um gerenciamento eficaz faz muita falta. Uma ouvidoria que contemplasse a opinião do cidadão quanto ao serviço que está sendo prestado, isso entre outras tantas medidas que poderiam ser tomadas.
O Estado brasileiro oscila entre a má vontade franca e aberta da direita que vê no serviço público um empecilho à expansão dos negócios privados e o oportunismo da esquerda que dá continuidade a esse discurso economicista e não enxerga a não ser seu interesse eleitoreiro e continuísta. É bastante desalentador verificar que essa oportunidade de tornar o país orgulhoso dos seus serviços públicos, como o serviço de saúde da Inglaterra, por exemplo, apesar de toda a sua decadência em tantos setores, está passando e sendo perdida por uma Gestora que só vê números, números e números (e votos, votos e votos). Acho que diversos votos serão perdidos.

Responder

Fabio Passos

15 de agosto de 2012 às 23h37

neoliberalismo com rosto humano escreveu Chossudovsky durante Lula 1. Referia-se a terceirização da gestão macroeconômica para a banca via BC, escalpelando os brasileiros, enquanto instituia políticas de resgate social como o Bolsa Família.

Já esta desastrado e truculento atração da Dilma contra os trabalhadora em greve… é o conhecido neoliberalismo desumano. O mesmo praticado por fhc e sempre elogiado pelo PiG.

Responder

ZePovinho

15 de agosto de 2012 às 23h23

O Adriano Benayon explica muita coisa.

http://www.redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/08/mensalao-e-corrupcao.html

terça-feira, 14 de agosto de 2012
MENSALÃO E CORRUPÇÃO

Adriano Benayon* – 13.08.2012
Texto enviado pelo autor

1. Os principais jornais, revistas e TVs, sempre alinhados com os interesses imperiais, dão grande destaque ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do mensalão, levado adiante nas instâncias do Estado, porque atinge principalmente José Dirceu, um líder centralizador de poder, e tido por ser de esquerda. Além disso, pode abalar a popularidade de Lula

2. Em todo o mundo, os oligarcas estrangeiros e seus agentes e laranjas locais tratam de minar quaisquer lideranças que aspirem a voos próprios e se tornem, assim, menos dependentes dos dinheiros daqueles.

3. O sistema de poder mundial trata de fazer alternar no Executivo partidos que cumpram suas determinações. No Brasil, conquanto tenha como agentes preferenciais o PSDB e aliados, a oligarquia anglo-americana – para dar espaço a Lula – se valera, em 1994, das fraudes que alijaram Brizola do segundo turno.
………………………………………………

23. É de concluir, pois, que a estrutura política é incompatível com o Estado democrático de direito e decorre da estrutura econômica concentrada e desnacionalizada.

24. As normas democráticas da Constituição permaneceram letra morta, como a que limita os juros reais a 12% aa., enquanto as favoráveis aos concentradores são rigorosamente aplicadas e foram acrescidas das reformas de FHC, instituídas conforme as receitas do Consenso de Washington, FMI e Banco Mundial e mantidas e prorrogadas nos governos petistas.

25. Deveria também ser conhecido de todos que a Constituição de 1988 foi fraudada para privilegiar o “serviço da dívida” no Orçamento Federal e realizar descomunal sangria, que já passa de R$ 7 trilhões, esvaziando do País os seus recursos.

26. Ninguém, entre os constituintes, reparou na fraude. Será? Se alguém notou, fingiu que não notou. Nem o relator nem o presidente da Assembléia Constituinte, nem seus assessores, nem líder de partido algum.

27. O estelionato foi cometido através de requerimento de fusão de emendas de redação aos atuais artigos 165/167, inserindo no 166 o dispositivo fraudulentamente acrescentado ao texto aprovado no primeiro turno, ao submetê-lo para aprovação em segundo turno.

28. Na página do requerimento em que o texto foi adulterado, está a rubrica de Nelson Jobim, agora nomeado por Sarney, presidente do Senado, para liderar o grupo de “notáveis” que elabora revisão do pacto federativo. Constituição cidadã? Não, demagogia!

29. A concentração e a desnacionalização da economia intensificaram-se desde 1954, e, desde 1988, esse processo acelerou-se. Daí vem a inviabilidade de ser praticado no País qualquer sistema de governo democrático.
………………………………..

Responder

Bertold

15 de agosto de 2012 às 23h11

Eu rio com o efeito manada desencadeado pelo Azenha, aparentemente convertido em porta-voz do corporativismo público radical. Vai todo mundo na mesma linha e outros aproveitam e expessam seu anti-petismo histórico (ou seria histérico?. Se a Dilma não atender de qualquer jeito as reivindicações por mais e mais da tchurma, a palavra de ordem agora é tachar de neoliberalismo light a posição da Presidenta e enrolar o PT no mesmo pacote, acrescentando uma pitada de “tempero” da incoerência. Fala sério, não tem mídia progressista no Brasil. Só muda a força econômica e política do veículo.

Responder

    Dilmaluf

    16 de agosto de 2012 às 01h05

    Isso todos são histéricos e o PT é a cara do PSDB. Quem está do lado da Dilma, além de Sarney, Collor e Maluf (que já estavam do Lula), é agora FHC e Veja. Viva os progressistas mensaleiros. E aí Bertold, recebeu seu mensalão hoje?

    Andrea

    16 de agosto de 2012 às 12h35

    Pois é. Tanto faz votar em PSDB e PT. Na verdade sempre estiveram de mãos dadas. E essa estória de esquerda e direita é só pra enganar o povo.

    Eliana Azevedo

    19 de agosto de 2012 às 10h02

    Ah…eu ia escrever um longo texto, baseado em fatos, e estatísticas, etc. Mas com gente como vc, não perco meu tempo não. Por favor, vá auto-fecundar-se!

Bernardino

15 de agosto de 2012 às 23h08

Apoiado THIAGO CArneiro, a D DILMA nao esta preparada para o cargo.È destemperada desde a casa civil e nao sabe dialogar e pior na maior cara dura anuncia privatizaçoes com eufemismo de concessao com financiamento de BNDES ate 80% para os endinheirados.Eu tb quero participar.Que moral tem os petistas safados para jkustificar tal conduta.
Os politicos com raras exceçoes sao refens dos Banqueiros,construtoras e da MIDIA corrupta,manipuladora e antipatriota!!!
O PT esta se queimando como o psdb e PMDB ja se queimaram,depois terems terra Arrasada e um possivel Ditador Pilantra da DIREITA
È a velha Cultura Portuguesa,MALEFICA e Deleteria ao Destino do PAÍS!!

Responder

O_Brasileiro

15 de agosto de 2012 às 23h07

Todo mundo sabia que o governo não tinha de onde tirar mais dinheiro em tempo de estagnação da receita. O resultado dessas greves era previsível. O governo conseguiu diminuir os gastos com juros da dívida, mas não houve aumento de receita. Por isso as “concessões”, para bancar os compromissos que vislumbra não poder cumprir sozinho.
Podemos chorar, espernear, mas o governo não vai deixar a dívida aumentar, pois isso aumentaria o risco-país, o que inevitavelmente aumentaria os juros novamente, criando um círculo vicioso. Queiramos ou não, quem dita as regras é o “mercado”, o sistema, controlado por poucos.
O erro do governo foi não ter dado reajustes de pelo menos 2 a 3% ao ano, como feito anteriormente, e o mais grave, demorou demais nas negociações por parte de um lento, muito lento ministério do Planejamento.
O governo precisa se tornar mais ágil em algumas áreas…

Responder

Leo V

15 de agosto de 2012 às 22h48

O texto vai no sentido de algo que venho dizendo para os amigos: a diferença entre um governo de esquerda e um de direita é que o de esquerda tira dos menos pobres e da classe média para dar para os mais pobres.

Tanto no de esquerda quanto no de direita os ricos, os verdadeiramente ricos, nunca são tocados.

O discursa da Dilma que é o núcleo dessa análise do Azenha mostra uma naturalizaçao desse fato.

Responder

Julio Silveira

15 de agosto de 2012 às 22h40

Fui servidor publico por um tempo. Hoje tenho que me virar na iniciativa privada como autonomo. Mas nem por isso caio na esparrela do discurso contra servidores publicos. Mantenho meus olhos bem abertos. Por que sei que esse é o tipo de discurso chavão. Que tem por objeto criar sentimento de animosidade contra o trabalhador publico, mas vem com dupla finalidade, também enfraquece, principalmente os da trabalhores da iniciativa privada. Por que torna-os instrumentos, a serviço da animosidade maquiavélica. Utilitários do sistema dominante, passando a interferir no impeto de muitos dos próprios trabalhadores em suas buscas por equilibrio na relação capital-trabalho. O enfraquecimento dos trabalhadores em geral é notavel, opõe até os que buscam, de interesses comuns. Fazem as vitimas se solidarizarem conscientes ou não com os predadores. Formam uma cumplicidade incompreensivel, para interesses tão conflitantes e opostos. Não por acaso o Brasil tem, na relação com o mundo, os indices mais vergonhosos de desigualdade. Tendêmos, é pela submissão, o também chamada peleguismo. Lutamos a luta do opressor como soldados. Tornamos a luta dos audazes uma façanha para quem luta. A força propagandistica a ser vencida torna-se um nado em alto mar, lutando contra a maré para sobreviver. Primeiro vencer a resistência, de grande parte dos proprios trabalhadores, corrompidos pelo discurso da maquina, se torna um grande desafio.

Responder

LEANDRO

15 de agosto de 2012 às 21h48

“Seria muito mais honesto que o governo dissesse claramente que enfrenta limitações orçamentárias que o impedem de dar os aumentos pretendidos pelos servidores, ao invés de jogar uns contra outros, criando a versão do século 21 do discurso de caça aos marajás.”
Essa tática de jogar uns contra os outros tá na cartilha do pt, “dividir para controlar”, lula sempre usou isso, sul contra nordeste, pobres contra ricos, branco contra negros…essa tática é manjada e agora usa contra quem mais o apoiou, o funcionalismo público, jogando esse contra a sociedade. Ou alguém acha que a dilma tá tomando alguma atitude sem consultar o guru?

Responder

josaphat

15 de agosto de 2012 às 21h30

Gente, trabalho para prefeituras do PT há 15 anos.
É assim. Cooptação dos pobres para garantir, aqui sim, estabilidade no poder.
Favorecer os mais pobres, como diz o texto, é justo e necessário para o equilíbrio social brasileiro. Mas sempre precisar arrochar a classe média para impulsionar o proletariado é pura incompetência.
O PT, como sempre digo, não sabe nada de qualidade.

Responder

tiago carneiro

15 de agosto de 2012 às 21h11

FHC de Saias vendeu a administração hospitalar, aeroportos, rodovias, ferrovias.

Ela está no processo de azeitamento dos servidores, jogando a opinião contra eles. ESCREVAM: já já vai sair um RH08 da nossa querida RUSSERRA: PDV para vários tipos de funcionários e privatizacao das nossas universidades.

E o melhor: TUDO TUDO COM O APOIO DO PELEGO PAULO HENRIQUE AMORIM e do pelego segundo: Ministro Brizola neto.

Essa FHC de saias… Cada dia me fazendo feliz por ter feito campanha para ela.

Responder

Palomino

15 de agosto de 2012 às 21h07

É estranho que todas as categorias de servidores públicos federais anunciem greves simultâneas, em tempo de julgamento do mensalão. Algumas categorias, todos sabemos, tem salários bem razoáveis em termos de Brasil, mas reivindicam mais. Seria para aproveitar a ocasião propícia?

Responder

    Márcio Carneiro

    15 de agosto de 2012 às 21h41

    Sou servidor do judiciário federal, e sobre a greve do nossos servidores não tem como colar essa tese. Já que na verdade estamos em estado de greve por pelo menos 3 anos, com um plano de carreira e reajusta congelado no legislativo.

Augusto G. Sperandio

15 de agosto de 2012 às 20h57

Excelente seu posicionamento Azenha. Parabéns. Infelizmente este governo apoiado por todos nós está perpetrando essa sacanagem com os servidores, COM APOSENTADOS DO SISTEMA PETROBRAS, DESCUMPRINDO CONTRATOS TRABALHISTAS DE LONGA DATA, acreditando que isso dará bons resultados. COMO???? DE QUE FORMA???? Bons resultados PRA QUEM????

Por que esse governo não ressuscita os Comitês internos de Combate à Corrupção (treinamento e desenvolvimento de ações envolvendo a responsabilidade dos funcionários) criados pelo Itamar Franco e destituidos por FHC???

Estão pipocando aí as denúncias de obras com acréscimos financeiros fabulosos, atrasos injustificáveis, etc…

Sem ações de fundo o vôo será curto e incerto, mas sobra arrogância, desconsideração e desrespeito.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding