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Nas omissões sobre o #29M, família Marinho foi a pior, pois destacou Bolsonaro e seus motoqueiros em edição anterior
Opinião do blog

Nas omissões sobre o #29M, família Marinho foi a pior, pois destacou Bolsonaro e seus motoqueiros em edição anterior


30/05/2021 - 16h10

O #M29 sumiu!

Da Redação

O cálculo grosseiro é que ao menos 400 mil brasileiros foram às ruas no chamado #M29, cobrando vacinação, o impeachment de Bolsonaro e o auxílio emergencial de R$ 600, dentre tantas outras pautas.

O Estadão deu, em sua edição impressa, uma pequena nota na primeira página apontando para o risco das aglomerações.

A Folha publicou uma foto da concentração na Paulista, a maior do dia.

O Globo, da família Marinho, fez pior. Quando Jair Bolsonaro reuniu-se com motoqueiros em Brasília, no dia 23 de abril, o diário carioca publicou foto destacada na primeira página.

Hoje, nem citou na capa as manifestações chamadas pela esquerda.

O Jornal Nacional deu cobertura burocrática aos eventos e a Globonews, que praticamente convocava manifestações contra Dilma Rousseff na campanha do impeachment, em 2016, limitou-se a flashes, assim como a CNN Brasil.

As duas emissoras, diga-se, são canais de notícias 24 horas por dia, que deveriam ter compromisso com fatos do dia.

Está claro que o baronato midiático viu com desconfiança as manifestações, que surpreenderam os próprios organizadores.

Qual o motivo?

A rua pode trazer muitas surpresas às oligarquias que controlam o Brasil.

Os movimentos sociais são vistos como caso de polícia, como testemunhamos quando foram às ruas pedir as reformas de base de João Goulart — o que resultou na quartelada de 1964.

A oligarquia midiática sempre trabalhou pelas transições “por cima”, sem povo.

Ela teme que o povo na rua leve a situações como a do Chile, onde as multidões forçaram o governo conservador de Sebastian Piñera a aceitar uma Constituinte, que será majoritariamente escrita por mulheres, feministas, de esquerda.

O controle oligárquico do Brasil jamais será negociado em troca de apear Jair Bolsonaro do poder.

Parte da direita ainda aposta numa terceira via, como a própria Globo já deixou claro, ao anunciar o resultado da pesquisa do Datafolha sem mencionar a grande vantagem de Lula, mas enfatizando o desgaste de Bolsonaro.

Isso aconteceu tanto em comentário na Globonews quanto no próprio JN.

No limite, a oligarquia aceita um acordão envolvendo o ex-presidente Lula, mas desde que ele assuma em 2021 os mesmos compromissos de 2002, ou seja, de não atacar frontalmente os interesses oligárquicos, que hoje se aglutinam em torno do controle do Banco Central — e, portanto, da política econômica — e das privatizações.

Quanto mais a esquerda se organizar e for às ruas para confrontar Bolsonaro, mais a candidatura Lula se tornará palatável para os barões da mídia — desde que o ex-presidente assuma o compromisso de não mexer na essência do interesse das elites.

Se Lula não topar fazê-lo, o baronato midiático vai de Bolsonaro, mesmo que para isso tiver de tapar o nariz.

O momento para os Marinho, portanto, é de “enquadrar” Lula.





7 comentários

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Darcy Brasil

31 de maio de 2021 às 09h32

É bastante claro que a mídia da direita tradicional teme que as manifestações de rua saiam do controle, extrapolando os limites de contestação à condução desastrosa da politica de enfrentamento do coronavírus pelo governo Bolsonaro, para se transformar num movimento de reivindicação de direitos políticos, econômicos e sociais de grande amplitude e profundidade. A mídia da direita tradicional conhece que, no Brasil, a intensificação da presença dos trabalhadores e do povo nas ruas poderá levar à explosão de um movimento de rebelião popular, com consequências mais radicais ainda que as que ocorreram no Chile, em função das peculiaridades da realidade econômica e social existente no Brasil. A mídia tradicional, que abriga parte expressiva dos intelectuais orgânicos que representam os interesses da plutocracia financeira, teme o surgimento de um segundo tipo de “terceira via”, alternativa tanto a Lula quanto a Bolsonaro, representada pelos trabalhadores e o povo mobilizados nas ruas em defesa de seus direitos políticos, econômicos e sociais, debatendo e decidindo suas ações em luta, praticando uma democracia participativa de fato, e dispostos a enfrentarem corajosamente o aparato repressivo do estado, para transformar o Brasil radicalmente. Por isso, compreendo a reação da mídia empresarial, pois revela clarividência analítica, instinto de sobrevivência de classe, capacidade de perceber desdobramentos políticos bastante prováveis, que escapam ao senso comum. Torno meus motivos de otimismo os motivos de preocupação dos intelectuais orgânicos da plutocracia, acreditando que não estarei sendo exagerado quando disser que o 29M pode ter inaugurado uma era de movimentos de rua de grandes proporções em nosso país, similares, em termos quantitativos, àqueles que aconteceram no Chile e nos EUA, mas, em termos qualitativos, em condições de serem bem mais consequentes, capazes de transformar a realidade política, econômica e social radicalmente, derrotando simultaneamente o fascismo e o neoliberalismo de forma consistente, redesenhando as intituições do estado brasileiro para que correspondam aos interesses de classe das forças sociais rebeladas, conquistando “vacinas” eficazes contra as iniquidades econômicas e sociais vigentes em nosso país. Portanto, o comportamento da mídia da direita tradicional é previsível, pois corresponde perfeitamente aos interesses de classe que representa. O que me preocupa é o comportamento dos oportunistas de direita que atuam no âmbito dos partidos de esquerda, nomeadamente o PT, que tendem a desvirtuar um movimento popular histórico, capaz de ultrapassar os estreitos limites da luta institucional, balizados pelas eleições na democracia de fachada burguesa brasileira, transformando-o em um movimento com conteúdo eleitoreiro que visa exclusivamente derrotar Bolsonaro nas eleições marcadas para 2022. As futuras lutas dos trabalhadores e do povo, que se anunciaram no 29M, podem acelerar o tempo histórico entre nós como nunca ocorreu no passado, nem mesmo durante o “Diretas Já”, produzindo, em poucos dias ou em poucos meses, mudanças radicais profundas, obtendo conquistas em benefício dos trabalhadores e do povo que nem dez eleições consecutivas de governos comandados por partidos institucionais da esquerda seriam capazes de obter no seio da democracia de fachada em que vivemos.

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Zé Maria

31 de maio de 2021 às 03h34 Responder

Zé Maria

31 de maio de 2021 às 03h18

Ilustração

https://twitter.com/claudferraz/status/1399047378989043715

Capa do Jornal O Globo, Domingo, 24/05/2021:
(https://pbs.twimg.com/media/E2pqLLmVkAQybXJ?format=jpg)

Capa do Jornal O Globo, Segunda-Feira, 30/05/2021:
(https://pbs.twimg.com/media/E2pqLLmVcAsneLF?format=jpg)

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Zé Maria

31 de maio de 2021 às 01h18

Algum ingênuo da Esquerda acreditou mesmo que a Globo – que está articulando
um Candidato Presidencial do PSDB/Novo
ou Similar – iria dar força para uma
Manifestação de rua do PSoL, do PCdoB
ou do PT, logo no Jornal Nacional ?

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Fernando Carneiro

30 de maio de 2021 às 20h05

Tapar o nariz? Se são parceiros nessa tragédia e frutos da mesma merda, já estão acostumados ao próprio fedor. Globogolpe e Bolsonazi, feitos um para o outro.

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Henrique martins

30 de maio de 2021 às 19h55

https://g1.globo.com/politica/blog/octavio-guedes/post/2021/05/30/bolsonarismo-perde-nas-ruas-e-nas-redes-sociais-mas-repressao-em-recife-e-risco-para-oposicao.ghtml

Quanto mais houver repressão pior será para o ditador de meia tigela. A revolta do povo será infinitamente maior. Podem contar com isso.

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