VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Ricardo Antunes: Para onde vão as nossas universidades


06/08/2012 - 10h35

Para onde vão as nossas universidades

O ProUni fortaleceu faculdades de fachada. Já as federais, agora produtivistas, não têm nem prédios. Mas vozes privatistas, “de mercado”, criticam a greve

por Ricardo Antunes*, na Folha, reproduzido no Conteúdo Livre

A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas.

O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos -muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.

O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados.
Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como “instituições do ensino superior”, carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.

Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas -uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas-, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni.

De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.

Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada.

Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.

Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais.

Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada.
Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de “receber sem trabalhar”. “Esquecem” algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?

Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como “descanso remunerado”, argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988.

Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em “universidades corporativas”, uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.

Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?

*RICARDO ANTUNES, 59, é professor titular de sociologia na Unicamp e autor de “O Continente do Labor” (Boitempo)

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63 comentários

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Marco Roxo

09 de agosto de 2012 às 10h27

Concordo plenamente com o Sr. Everaldo Fernandez. Quem não concorda com a classe média radicalizada, que faz greve com salário no bolso pois é estável e o governo é impedido de cortar ponto pela Justiça Federal (fala sério!!!) é pelego. Participei do movimento sindical na década de 1980/90, fui petroleiro, vi a Refinaria Duque de Caxias ser invadida pelo exército, cem companheiros serem demitidos, bancamos todos no período de inatividade com descontos assistenciais para o fundo de greve, tive todas às vezes meu ponto cortado na Caixa Econômica por greve, perdi promoções, licença prêmios, férias etc por participar de movimentos paredistas. Pedi demissão do banco, fiz mestrado, doutorado e sou docente da Universidade Federal Fluminense. Nunca vi na vida nada semelhante a uma greve no serviço público. As assembléias têm cerca de 50 docentes, a greve não se dá por questões salariais mas para disputar um projeto de Estado com o governo (ver comunicado ANDES em http://www.andes.org.br). Somos estáveis, um professor DE ganha cerca de R$ 5.700, líquidos e se você perguntar a um professor da rede pública dos estados e municípios se eles topam ganhar isso para dar aulas em galpões posso imaginar a resposta. Na UFF acabaram de construir dois prédios por força da expansão do REUNI, nos quais todas as salas têm ar condicionado, desktop, datashow e cortinas para inibir a luz do sol durante o dia, sala ambientada para os professores ficarem antes das aulas e internet. Mesmo assim, o REUNI é visto como sinônimo de “precarização” e os professores reclamam de salas “lotadas” em lugares nos quais cabem 70 alunos em boas condições de conforto. Há um medo renitente do ingresso de alunos de escola pública, da “perda de qualidade” etc. No fundo, acho que preferem a universidade vazia e sempre destinada a classe média. Portanto, não consigo entender as queixas de quem acabou de ingressar na IFES por concurso público aberto por força do REUNI e banco de equivalências, medidas do governo Lula visando a manutenção de quadros nas universidades públicas. Como eu sou professor por força dessas medidas, me posicionei contra a greve, pois não costumo cuspir no prato que como e nem promover debates com visões unilaterais e distorcidas do quadro confuso que vivemos.

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Bruce Guimarães

07 de agosto de 2012 às 10h59

A mesma conversa fiada de sempre. Se der o aumento que eles querem voltam a trabalhar. E se cortar o ponto, voltam mais rápido ainda. Vão trabalhar meu camarada, vão fazer pesquisa, vão orientar alunos. Não se contrói um país melhor cruzando os braços. E outra coisa, você não ganham tão mal assim…

Responder

ccbregamim

06 de agosto de 2012 às 23h27

o prouni botou 700 mil jovens da escola pública na universidade
hoje.

Responder

    João César

    07 de agosto de 2012 às 21h00

    Quem diz que o professor Antunes é contra o REUNI em seu texto, ou não consegue interpretar um texto ou é muito mal intencionado. Esta greve, que tem o apoio da sociedade, é pela melhoria das condições de trabalho nos campi e cursos criados pelo REUNI. Quem está aqui criticando a greve, ou é pelego ligado ao PROIFES ou é a favor do desvio de verbas públicas para as fabriquetas de diplomas sem pesquisa do PROUNI. Deveriam se envergonhar. Mas sei que estes pelegos e privatistas não têm honra nem caráter e se vendem em prol de seus interesses individuais!
    Universidade não é só aula de quadro e giz (como acontece na maioria absoluta das faculdades privadas!). Universidade é ensino e pesquisa. Por isso as universidades públicas federais e algumas estaduais são referência e loci de qualidade!

Marcelo

06 de agosto de 2012 às 23h00

O que significa universidade produtivista?
Conversa doida essa, sou professor federal hoje, mas passei metade de minha em empresa privada e acho que prouzir é o normal.
Se vocÊ não produz, pra que vc serve?
Deve ser por isso que estou tentanto firmar convênios com outras instituições de ensino e a minha unidade, e todo me olha torto por ser produtivista demais!
Como é mesmo – não venham mexer no meu queijo.

Responder

    João

    07 de agosto de 2012 às 03h10

    “Não venham mexer no meu queijo”? Usas esta frase e ainda tens a coragem de chamar o texto do professor Antunes de “conversa doida”? Percebe-se claramente pelo seu discurso que vieste de uma faculdadezinha privada! Se fosse um professor sério, não farias uso de livreco de autoajuda para ilustrar teu discurso pífio, mas recorrerias a Popper, Latour, Boaventura etc. A produção científica não é igual a produção de quinquilharias a serem vendidas por mascates! Entendes a diferença?

    Nelson

    07 de agosto de 2012 às 10h13

    Disse-o bem, meu caro João.

    Marcelo

    08 de agosto de 2012 às 12h48

    Adorei, suscitei a raiva.
    Costumo falar que o que constrói é o ódio não o amor.

    Sou professor federal concursado tomei posse em 2008, só para situar.
    De lá pra cá passei no doutorado também, de onde abdico de horas de sono, feriados, férias e fins de semana.

    Não sou contra a greve, elas são importantes ferramentas do trabalhador. Eu só tenho medo quando nós usamos ferramentas de forma errada, afinal de contas quantos já não martelaram o próprio dedo, ou pior o dedo de segura o prego?

    Continue assim, só o ódio constrói!

    Professor de Ensino Básico técnico e Tecnológico – D3

    João

    09 de agosto de 2012 às 18h27

    “Martelar o próprio dedo”? Putz! O cara só sabe pensar em termos de frases de efeito de autoajuda! É o tal negócio: tem gente que sia da empresa privada, mas a privada não sai de dentro dela!
    E o cara ficu todo alegrinho porque comentaram o post dele! Deve ter até printado! kkkkkk

    João

    07 de agosto de 2012 às 03h12

    Antes que me esqueça: “produtivista” não é o mesmo que “produtiva”.

    everaldo

    07 de agosto de 2012 às 12h01

    Mais um que descobriu a pólvora …

    João César

    08 de agosto de 2012 às 04h06

    E vc só sabe dizer isto? Não consegue articular ideias a ponto de desenvolver um argumento minimamente complexo? Pelo visto vc também é leitor de livrecos de autoajuda e de revista de fofocas!

Antonio

06 de agosto de 2012 às 22h38

Penso que há muito tempo a universidade pública deveria ser paga.
Não é justo que um cidadão se forme em medicina e no dia seguinte à colação de grau possa cobrar por uma consulta.
Formou-se em uma universidade sustentada com impostos e o que ele devolve à sociedade que contribuiu para sua formação?
Todos deveriam pagar o curso na universidade pública, caso não desejem pagar que prestem serviços ao governo, digamos por um ou dois anos.
Os melhores classificados em cada área escolheriam onde trabalhar, os demais seriam designados para áreas carentes. Uma pequena ajuda de custo poderia e deveria ser paga durante este tempo.
Pensem!
Grupos formados por: médico, odontólogo, engenheiro, enfermeira, professor, psicólogo, agrônomo, biólogo, administrador, economista, advogado, enfim por todas as carreiras. Conforme a região ou necessidades do local, mais de um profissional de alguma área específica com maior carência.
Trabalhando com seriedade, levando novos conceitos, nova disposição ao interior, introduzindo novas técnicas aos municípios esquecidos que custam muito a toda sociedade.
Em quanto tempo resgatariamos o Brasil esquecido?
Um planejamento sério e alguns controles, com pouca coisa o governo poderia colocar isto em prática.
Além de levar progresso aos municípios os formando teriam seu aprimoramento profissional e também teriam noção do Brasil que a maioria não conhece.

Responder

    BerNardo

    07 de agosto de 2012 às 01h30

    Pressupondo desta maneira que o médico, o engenheiro,oprofessor antes de entrar na universidade nao pagava impostos para sustenta-lá, ou deixa de pagar quando entra na universidade? E… Assim sendo foi “escolhido” a prestar tais serviços, já quena tua concepção eles sao privilegiados de ‘nao pagarem impostos’ e tambem nao passaram por um rigoroso critério de seleção chamado vestibular? Que alias qualquer um pode submeter-se e, por mérito, entrar lá? Afinal, a universidade nao visa gerar profissionais de qualidade para enriquecer o quadro cientifico nacional no tripé de graduação, pesquisa e extensão?

    O produtivismo age em base de pesquisas feitas por outros países e que, no fim das contas faturam com patentes oriundas deste processo. Por que nos nao valorizamos a qualidade para produzir nos mesmos pesquisas e patentes, gerando divisas para os órgãos pesquisadores (federais principalmente) e deixamos esse produtivismo que visa apenas inflar o mercado de profissionais de qualidade duvidosa para o governo estabeler um salário incompatível com o grau de instrução que essa gente tem?

    Voce já foi a alguma universidade? Parece que nao.

    João César

    07 de agosto de 2012 às 03h15

    Tu deste o melhor exemplo da mentalidade privatista a que o professor Antunes se refere!
    Se o problema todo é o indivíduo se formar numa faculdade pública e depois cobrar consultas particulares, então a solução é que ele preste serviços públicos a preços populares!
    Ao defender que a universidade seja paga, tu estás legitimando a função privada, individualista e meramente mercantil do médico!
    Mas nem sei se consegues acompanhar o meu raciocínio!

Gluck

06 de agosto de 2012 às 16h08

Esqueci de falar no texto anterior. Sobre reposição de aulas. A mesma professora que me denunciou porque querer ver a ementa da disciplina, passou 18 meses em Campinas, num doutorado. Quando voltou, perguntamos: “professora, a senhora vai dar aulas nas férias pra tentar recuperar o atraso”? (Só ela dava a disciplina). Ao que ela respondeu:” não meus queridos, agora vou descansar pois estou muito cansada.”. 1 ano e 8 meses fora da Universidade e ela estava muito cansada. Ninguem vai repor nada. Aliás, na primeira semana da greve eles convocaram os alunos para encontrar uma maneira de encerrar o período. Detalhe, tinha 45 dias que o semestre havia começado. E passaram trabalhos e o semestre letivo encerrou.

Responder

    João

    06 de agosto de 2012 às 20h38

    O que tem a ver licença para o doutorado com greve? Está na cara que vc estuda em faculdade particular da esquina – verdadeiras fábricas de diploma! Você nem conhece os tramites de uma universidade pública! Vem com estas historinhas de processar professor na Justiça comum. Ou seja, não sabe que em universidades públicas existem os Conselhos, onde os representantes discentes tem o poder para pedir a abertura de processo administrativo contra os professores. Vc é o exemplo da despolitização e da imbecilização dos alunos de faculdade particular! Hoje, vc defende o governo federal pois foi comprado pelo PROUNI. Amanhã, vc votará no Aecio Neves ou na Katia Abreu porque vc sempre foi um direitista e privatista enrustido!

    jose marcos

    07 de agosto de 2012 às 10h19

    É SR João mais isto aconteceu com minha filah e 2 sobrinhas que estudam em federal. Agora estou impressionado com a grosseria dos comentarios de alguns professores que não sabem argumentar e vem logo com este lugar comum:quem é contra a greve é privativista. Outra coisa Sr João o SR pode ter suas criticas, mais respeite as pessoas que muitas vezes com grande esforço pagam suas faculdades particulares. Pelo que percebo voces são elitistas.

    João César

    07 de agosto de 2012 às 21h04

    Tá mais do que na cara que o PROIFES e os parlamentares do PMDB que defendem as faculdades privadas de esquina estão pondo aqui seus familiares, apadrinhados e funcionários ferrados e mal pagos para defender o sucateamento das IFES e a privatização das mesmas. Os elitistas são justamente aqueles que acham que o povo deve ter acesso a ensino de baixo nível, como aquele que se realiza nas faculdades particulares.

Laerthe

06 de agosto de 2012 às 14h25

Um dado curioso: o autor do artigo é professor de uma universidade estadual de São Paulo e pretende tratar de um problema federal. Honestamente: o que ele sabe do que se passa nas dezenas de universidades federais? Ele já tem bastante problemas em lidar com os governos tucanos de São Paulo que, esses sim, querem privatizar a educação. Deveria se preocupar com suas condições de trabalho lá em São Paulo. O problema é que diferente dos governos Lula e Dilma, quando a coisa esquenta os tucanos botam a polícia para bater. Desses mais de dois meses de greve em que momento os professores federais tiveram seus direitos cerceados ou ameaçados? Aqui em minha universidade federal em São João del-Rei temos sim muitos problemas, mas incomparavelmente muito menores nos últimos dez anos e pode-se afirmar sem sombra de dúvida que a universidade tem se expandido com seriedade e dignidade. Amanhã a sessão regional do Andes em São João del-Rei está propondo um desfile fúnebre com os professores de preto. Patético! É a segunda derrota em negociações trabalhistas e meus colegas de sindicato não aprendem. Infelizmente sou filiado ao Andes, que é o sindicato existente em minha universidade.

Responder

    Marcio Arujeira

    06 de agosto de 2012 às 18h22

    Nos últimos 10 anos (de um belo governo petista) tudo tem melhorado, sempre preservando muita dignidade e seriedade. É justamente por ter melhorado tantas coisas que os professores entraram em greve.
    Nossa, ficou algo estranho nesse trecho…

Luís

06 de agosto de 2012 às 14h03

“O ProUni fortaleceu faculdades de fachada.”

Descobriu a América. Mas vai criticar o ProUni para ver o que acontece.

“Já as federais, agora produtivistas, não têm nem prédios. Mas vozes privatistas, “de mercado”, criticam a greve”

Antes fosse só vozes privatistas que criticam a greve. Algumas vozes ditas “progressistas” (a.k.a. governistas) criticam a greve da mesma maneira. Para esse pessoal, greve boa é greve contra governos do PSDB ou do DEM.

Responder

jose marcos

06 de agosto de 2012 às 13h43

Caro Professor Ricardo, seu texto é cheio de lugares comuns, mais só vou comentar um deles que me deu vontade de rir se não fosse a indignação de um pai que ja teve e tem filha estudando em universidade federal. ESTA HISTÓRIA DE REPOR AULAS É MENTIRA, MENTIRA!!!! NÃO ME CHAME DE IDIOTA. AS AULAS QUANDO SÃO RESPOSTAS SÃO FEITAS DA SEGUINTE MANEIRA: VOCES PASSAM 60, 90, 180, ETC DIAS DE GREVE, GANHANDO SEUS SALARIOS E DEPOIS PASSAM 200 MILHÕES DE XEROX, 500 TRABALHOS EM GRUPO E QUANDO MUITO DÃO UMAS 2 0U 3 AULAS A MAIS E DIZEM QUE REPUSERAM AS AULAS, POR FAVOR ME RESPEITE. Outra coisa, caro professor, voces são elitistas, não suportam ter que dar aula para reles alunos, só querem saber de fazer cursos (nada contra desde que não prejudiquem as aulas).Sou totalmente CONTRA o ensino privado, mais voces com esta greve só estão dando munição para os privativistas. Após decadas de abandono quando a coisa começa, mesmo que com erros e timidamente à melhorar, voces fazem esta greve com toda cara de disputa politica, não me canso de repetir, este movimento é hipócrita e tiro no pé.

Responder

    João César

    07 de agosto de 2012 às 03h19

    Aponte os motivos políticos que vc vê por trás desta greve! Não sabe, né? Vc só está repetindo os lugares comuns da direita e dos tucanalhas! O privatista é vc! Entenda que o termo privatista não significa defender as faculdades privadas, mas defender que uma universidade pública seja sucateada em nome do produtivismo que rege as em presas privadas!

    João César

    07 de agosto de 2012 às 03h36

    “200 milhões de xerox, 500 trabalhos em grupo (…)” . Tsc-tsc. É uma imagem tão exagerada que se percebe que o sujeito está querendo fazer valer para todos um caso único que deve ter acontecido com a filha dele. É mias um exemplo da mentalidade privatista, que acha que o aluno tem que ser tutelado a vida inteira como se estivesse numa escolinha privada do tipo “papai pagou, passou! Amigo, se sua filha não estudar, ela não vai passar. A qualidade do ensino da universidade federal existe justamente porque lá o alano não tem moleza. Lá não é fábrica de diplomas não! Se sua filhinha não quer nada com estudos, azar o dela. Vai ser reprovada. E daí vc poe a culpa na reposição de aulas dos professores! Além de privatista, és um derrotista!

    jose marcos

    07 de agosto de 2012 às 10h13

    Caro SR João Cesar, minha filha estuda e sempre, apesar dos professores não quererem saber de dar aulas,sempre tirou boas notas e nunca ficou reprovada, graças a seu esforço individual. Agora o exemplo que eu dei não é só com minha filha, conheço varios alunos bons que confirmam isto. A verdade é que no momentpo em que voces receberem seus aumentos todos este discurso ideologico é abandonado. FICO MUITO PREOCUPADO SE O SR FOR UM PROFESSOR, POIS NÃO SABE LER/INTERPRETAR.ONDE O SR CONCLUIU QUE MINHA FILHA NÃO QUER NADA????EU DISSE ISTO NO TEXTO????OUTRA COISA ALEM DE SER BOA ALUNA MINHA FILHA TRABALHA PARA AJUDAR NAS DESPESAS E SE ELA FIZER GREVE É DEMITIDA OU TEM SEU SALARIO CORTADO.Agora explique para um sujeito ignorante, como eu,como voces conseguem repor 180 dias, por exemplo, de greve????Salvo varias exceçoes, voces , principalemnte os doutores, não dão aula, pois vivem em cursos, congressos,etc, e depois é muito facil falar que os alunos não querem nada. Caro SR João pode me ofender à vontade, mais respeite minha filha. Se o Sr for professor é péssimo na argumentação, pois parte logo para a violencia verbal.

    João César

    07 de agosto de 2012 às 21h08

    Sr. José Marcos, sua filha deve ser muito incapaz, pois a última greve ocorrida nas universidades federias se deu no 2º semestre de 2005! Se ela pegou esta greve, isto significa dizer que ela está na universidade pública há no mínimo 7 anos!
    Ou seja, ou você está mentindo e inventando historietas para deslegitimar os corpos docentes das IFES (reconhecidamente de qualidade), ou sua filha é muito fraquinha e incapaz e está gastando recursos públicos no lugar de outros alunos!

    João César

    08 de agosto de 2012 às 04h04

    Em tempo!
    Jose Marcos: a greve de 2005 teve sue início na última semana de agosto daquele ano e se encerrou na 1a. quinzena de dezembro do mesmo ano. As aulas tiveram seu reinício ainda em dezembro e o semestre letivo se estendeu até o início da 1a quinzena de abril de 2006! Ou seja ao desconhecer este fato e dizer que os dias parados devido a greve não são repostos, o senhor nos demonstras duas possibilidades: ou não sabe fazer contas ou mentiu ao contar sua historieta sobre a sua hipotética filha-aluna medíocre.
    Vc veio aqui ofender uma classe de profissionais honrados, com suas mentiras e suposições esdrúxulas! Vai levar o troco na mesma moeda! Portanto, não venha se vitimizar, pois conheço bem esta estrategia da direitalha a soldo, composta por moleques (sim, a maioria são adolescentes e pós-adolescentes que se passam por pais de família etc) pelegos e privatistas, que atua nos foruns da internet com o objetivo de barrar o avanço das forças progressistas deste país! Não passarão!

Paciente

06 de agosto de 2012 às 13h35

Blá, blá, blá…

Sou professor universitário há mais de vinte anos.

Se der o dinheiro acaba a greve.

Se romper com a esquerda, cai na goela dos privatistas (de fato).

Da quantidade sai a qualidade, visite a história da educação européia, procure pelo “Método Lancaster” e veja se é possível começar a construir palácios pelo telhado…

Responder

    everaldo

    06 de agosto de 2012 às 14h45

    Falou e disse.

    João

    06 de agosto de 2012 às 20h28

    Ou tu estás mentindo e não és professor ou tua greve é de pijamas!
    A greve não é por aumento salarial imediato!

    Marcelo

    06 de agosto de 2012 às 23h04

    Não é pra acabar com a fome no mundo, selar a paz entre judeos e arabes, enfim propor a paz mundial.

    João

    09 de agosto de 2012 às 18h29

    Marcelo, aprenda a pontuar as frases. Ficará mais fácil de entender a sua ironia.

Gluck

06 de agosto de 2012 às 12h56

Até que enfim, alguém que fala a verdade, o verdadeiro motivo da greve: culpar Lula e Dilma. Curiosamente, logo após sair a pesquisa de popularidade do ex-Presidente e da atual. Ou, seja, greve dos professores e julgamento do mensalão ao mesmo tempo têm objetivo: política.
Meus caros, quantas vezes vezes meu professor de História não deu aula alegando reunião na reitoria e numa dessas um colega o viu num Shopping da cidade?!
Outro dizia q não daria aula pois a sala não tinha condições, um outra tinha uma viagem para Salvador e assim, após reprovar um aluno, este entrou na Justiça e provou que o tal professor havia dado apenas 30 por cento das aulas.
Professores pesquisadores? Onde? A TV digital vinda do Japão? Os caças vindos da França? Ou a explosão no Centro de Lançamento de Alcàntara, essa, sim, pesquisa genuínamente brasileira?
Professores aprova ou reprovam alunso por cara…quantos alunos entraram na Justica e até com ação no Supremo contra professores Federais.
Vcs acham que estão falando com imbecis? Que todos os alunos estão ao vosso lado?
Agora, meu caso em particular: uma professora pediu-me um trabalho que eu supunha não constar da ementa da Disciplina. Pedi para ver a ementa e ela disse que tinha mas não me daria. Que eu teria de fazer o que ela estava mandando e que levaria meu caso para a Coordenação do Curso. Detalhe, a LDB manda apresentar a ementa da Disciplina no primeiro dia de aula. Ou seja, ela me denunciou porque pedi para ela cumprir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. E isso é apenas um dos absurdos que sei e presenciei na Univesidade Federal. Acham-se e agem como donos da Disciplina, da sala, dos corredores, do prédio…Tive um professor que em período de greve não participa domovimento. Os outros reclamaram e ele pegou uma máquina fotográfica e foi percorrer as praias. Agora, avisa: “deixa que eles venham encher meu saco que eu mostro fotos de todos eles, supostamente em greve, curtindo sol e água de côco em pleno horário de trabalho, ou de greve”. O José Simão disse algo maravilhoso outro dia sobre isso: “eu pego a greve às 8h e largo às 17h”.

Responder

    João

    06 de agosto de 2012 às 20h33

    Tá na cara que vc é um destes aluninhos de faculdade particular! O professor das IFES passou por concurso, com provas de titulação, conhecimento e prova-aula. Ao assumir, ele tem liberdade pedagógica. A ementa se encontra no site da universidade ou na secretaria do curso. Aluno de IFES não é tutelado nem infantilizado como os aluninhos de faculdade particular. ele não recorre, feito um imbecilizado, à Justiça como um indivíduo autônomo. Antes, ele aciona seu Centro Acadêmico, o DCE e seus representantes no Conselho Universitário e abre um processo administrativo contra o tal professsor ! Isto que vc narrou aí é coisa de faculdade particular de esquina, onde vc estuda! Quem que vc acha que engana aqui? Vc deve sre um dos privatistas do texto!

    jose marcos

    07 de agosto de 2012 às 10h30

    A verdade SR João é que se um aluno abrir algum processo ele será perseguido o resto do curso, pois nas universidades federais reina o total corporativismo. Acho que chegou a hora de por ordem na casa, pois os professores fazem na verade o que bem entendem. Conselho universitário!!!!! é piada, ja tive uma experiencia desta. Ja bateu o seu ponto de greve hoje???

    João César

    07 de agosto de 2012 às 21h13

    Sr Jose Marcos se traiu e demonstra que realmente não conhece uma universidades pública! O sr Jose Marcos não tem a mínima noção do que seja um Conselho Universitário nem sabe explanar acerca do seu funcionamento. Não sabe ainda que um professor pode sim ser processado e não perder o emprego, mas ser transferido compulsoriamente para outro campus ou mesmo outra unidade da federação! Mas entendo. Ele deve ter vergonha de nunca ter conseguido passar para uma IFES e tem que gastar seus cobres nas faculdades particulares da esquina, onde deve constantemente ter que burcas a Justiça para poder se matricular com as mensalidades atrasadas!
    Pobre Sr José Marcos, que tem que vir aqui mentir e criar ideias fantasiosas para não perder seus descontos e manter sua vaga numa faculdade particular! Sr. José Marcos, nossa greve é também por pessoas como você!

    João César

    07 de agosto de 2012 às 21h20

    Enquanto o PMDB estiver no governo com o PT, a universidades públicas correm o risco de serem desmanchadas e privatizadas sim! Só não vê que não quer!
    É no mínimo sintomático que esta greve (já histórica e com amplo respaldo na sociedade) aconteça na mesma ocasião em que o Congresso Nacional concedeu as universidades privadas do PROUNI o perdão para uma dívida fiscal conjunta de mais de 12 milhões (quatro vezes mais do que o governo federal chora dizendo que vai ter que gastar com os professores no ano que vem)!
    Precisa dizer quem está contra esta greve? Precisa dizer quem são os privatistas e pelegos? Claro que não Aqui neste fórum eles estão se entregando espontaneamente!

Lu Witovisk

06 de agosto de 2012 às 11h29

Pois é, os comentarios tratando os professores como vagabundos vicejam na internet. Mas esquecem que qualquer trabalhador deve ter condições para realizar seu trabalho. No caso de pesquisadores, as condições “saem mais caro” dependendo da área. É necessário sim melhorar as condições de laboratórios, salas de aula e pq não de salários?
É claro que o salário não é ruim se compararmos às condições de vida da maioria da população, que é obrigada a viver com pouco. Mas quem critica esquece que são muitos anos de dedicação ao estudo e depois espera-se a dedicação exclusiva, que para publicar em periodicos internacionais há custos (senão é da anuidade de algumas sociedades mantenedoras, é da revisão do idioma por um “nativo”, da confecção de imagens de alta qualidade, etc…). A maioria dos pesquisadores muitas vezes paga do bolso material para análises e melhoria das aulas, viagens necessárias a pesquisa e divulgação. Não entendo qual o crime em pedir estruturação de carreira, em pedir que se ganhe um pouco mais para ter mais “sossego mental” para trabalhar (em uma profissão onde não há o botão “desliga”, onde trabalha-se finais de semana, feriados, madrugadas… é diferente de chegar, bater cartão, realizar suas atividades, sair e “acabou por hoje”. Pesquisador normalmente “continua por hoje”)- não esqueçam que pesquisador é gente, e que o trabalho mental precisa deste “sossego”. Numa cidade como Rio de Janeiro, onde os alugueis tornaram-se estratosfericos e está cada dia mais dificil pagar todas as contas E comer, COMO ter cabeça para produzir bem e muito (como exige o sistema?). Não pensem que quem escolhe esta vida é filhinho de papai, pelo menos na Biologia, a maioria é gente ferrada de grana, que se supera a cada dia porque gosta. E aí? crucifica-los, manda-los sair do pais apenas por querer dignidade não é o caminho.

Responder

    Jairo Beraldo

    06 de agosto de 2012 às 11h56

    A violência proveniente de fatores sociais, psicológicos e pedagógicos demonstram o desafio da socialização e do respeito comum que têm faltado nos ambientes escolares. Atualmente, a escola é exigida a repassar conhecimento, é exigida, muitas vezes, a substituir a conduta que deveria ser ensinada pelos pais e, sobretudo, é impulsionada a repetir conhecimento e formar mão-de-obra ao mercado, sem que haja uma profunda preocupação com a formação de cidadãos. Problemas sociais prejudicam a qualidade do ensino e da disposição do docente, e entre estes problemas estão os baixos salários e as más condições de trabalho(muitos profissionais de outras áreas aceitam a incumbência para aumentar o ganho, sem ter o menor preparo para tal, já que instituições que visam lucro, não formação, assim procedem) . Até em regiões bem desenvolvidas de nosso país ocorrem violência contra alunos de maneira até mais especializada (“professores” que são contratados não por qualificação pedagógica, mas por oferecerem campos de estágios à estas instituições, que em todos os atos, parecem dizer que nasceram para mandar, e pelo que vemos, não entendem que o poder depende da legitimidade, não da vaidade). Paulo Freire, costumava advertir os educadores com a seguinte frase: “Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer”. As instituições particulares fazem exatamente o contrário. Desprezam o sujeito, deseducando-o. Concomitantemente, prioriza o objeto, isto é, seu negócio, o prédio iluminado vendedor de diplomas. Daí se revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Alheias a valores e princípios, pautam-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Tratam educação como se fosse mercadoria. Educação é formação, sem viés ideológico, sem interesse econômico e político. Instituições não são pessoas, não devemos fidelidade à elas, devemos ser fiéis apenas aos nossos princípios e à nossa consciência social.

JORGE

06 de agosto de 2012 às 11h23

Azenha.

A história remota e recente do nosso país confirmam o raciocínio do ilustre professor. Parabéns e que a lucidez prevaleça.

O atual governo é vítima desse descaso histórico com a educação, porém, cabe a ele hoje a dificílima tarefa do resgate dessas categorias.

Um exemplo cristalino dessa distorção são as carreiras independentes no Judiciário e MP’s que, por serem os gestores dos seus orçamentos após a Constituição de 1988, trataram de manter os seus salários nas alturas e que os jurisdicionados procurem o Papa.

Assim, data venia, vejo que os professores e demais carreiras do executivo têm razão com sobra. Entretanto, devem bater e assoprar, pois poderiam estar pior nos governos PRIVATISTAS (UDN E DESCENDENTES) e, ainda, um ROMBO DESSA MAGNITUDE NÃO SE COBRE DE UM DIA PARA O OUTRO.

Um abraço.

Responder

    Marcelo

    06 de agosto de 2012 às 23h25

    Gostei da lucidez, e gostaria de acrescentar algumas coisas.

    Infelizmente poucos lembram do que aconteceu com diversas empresas extintas no inicio dos anos 90. Sempre tão eloquentes eram os sindicatos, a gargantear seus aumentos. Nunca ví um lider sindical exigir fim de diretorias incompetentes, funcionários negligentes, erros administrativos que diminuiam o lucro da estatal, ou o pessimo serviço prestado para o zé povinho.

    Se fosse somente pra exigir melhora na qualidade do ensino e da estrutura da educação, não precisava começar por para as aulas.

    Era só manter o ano letivo e ao mesmo tempo chamar a população pra conhecer a estrutura da universidade publica, fazer palestras para dentro e fora da universidade e mostrar, que se o governo (todos?) não cuidar ficaremos sem.

    Era trazer a população pra perto de sí, e não achar que faculdade é pra quem pode (eu já ouvi: stricto senso é pra quem pode não pra quem quer).

    Mas não, é melhor radicalizar e não dar aulas nê?

    Sei lá sabe!

    João César

    07 de agosto de 2012 às 03h23

    Obtenha a formação necessária, preste concurso público para professor, obtenha a aprovação, tome posse, lecione, se sindicalize e então proponha em assembleia a tua estratégia de movimento político! Se conseguir a aprovação do mesmo, arregace as mangas e mãos a obra! E seja bem vindo, senhor Vladmir Ilicht Ulianov da Silva, vulgo Lenin tupiniquim

Ana Cruzzeli

06 de agosto de 2012 às 11h02

Ninguém nega que as universidade não estejam precarizadas, mas isso acontece há mais de 4 décadas, não se resolve um problema da noite para o dia e a propria materia já diz que nos ultimos anos melhoras aconteceram

O que mais me espanta entre esse movimento grevista é querer resolver um problema de décadas em uma tacada de 30 dias. Expliquem-me essa mágica? Seria como?
-Tirar os emprestimos de estudante nas privadas? Emprestimos não é doação tem que ser devolvido só há casos estratégicos que seria doação: Estudantes de educação e saúde que venham a ocupar cargo publico por dedicação exclusiva para a vida inteira. Isso não é bondade é necessidade estratégica.
-Acabar com a isenção de impostos para as faculdades privadas? Como se a legislação é tão clara? Se der bolsas para estudantes não paga imposto. Na era de FHC a lei já existia e não era cumprida, agora é e basta aderir ao ENEM e ainda há beneficios financeiros outros, mas esses beneficios são igualmente estendidos às universidades federais, por que muitas se recusaram em aderir? Eu me pegunto faz tempo. A culpa é da UNIÃO?

Precarização dos espaços, trabalhar em galpões? O que tem de professor fresco vou te contar.

Tem professores aqui em Brasilia que acusam colegas por gastarem seu proprio dinheiro com suas pesquisas, eu mesmo sofro desse problema. Eu em 1992 comprei meu retroprojetor e em 2005 troquei para projetor digital. Meus colegas acham isso um absurdo, afinal o estado é que tem que pagar. Agora estou montando meu laboratorio particular dizem que eu sou louca demais.
Ainda dizem que um professor de ciencias não pode ser mestre-de-obra( fazer tal cursinho, que horror???) e pegar em cimento, areia e tijolo levantar parede é coisa de gente sei lá o que.
Azenha é muita gente fresca que está com saudades da era fernandiniana que poderiam reclamar e reclamar e não seria questionados.
Eles tem certa razão, mas essa historia de dizer que o governo quer privatizar a educação publica? Não há fatos, só retorica.
Volto a dizer o que a filha médica de Ernesto Guevara sempre diz: Cuba pode se desenvolver com essa nova abertura, mas jamais perder sua solidariedade, e ela dizia que reformar creches pelos voluntários é uma pratica comum na ilha. Ela como médica já pegou muito no batente.

Responder

    Aldo

    07 de agosto de 2012 às 00h35

    Ana, adorei o que você escreveu. Está de parabéns!

    Leonardo Meireles Câmara

    07 de agosto de 2012 às 11h05

    Da noite para o dia evidentemente que não, mas em dez anos SIM. E este é o tempo que o PT está no poder. Basta contar: 2003, 2004, 2005…, 2012.

    Então já teve tempo mais do que suficiente de realizar uma reforma na educação. Se não fez é porque não quis e não quer. O fato concreto é que o PT não tem projeto para a educação brasileira.

    Felizmente os professores mais jovens não comungam desse tolo romantismo petista. Para a educação nacional, o PSDB não presta, o PT também não. O caminho é buscar alternativas politicamente viáveis.

    Minha tolerância com esse discurso também acabou, sou cidadão e não partidário. A SELIC a 8,5 leva bilhões para os cofres dos banqueiros sem nenhuma justificativa racional pra isso. Repito, NENHUMA. A não ser interesses eleitoreiros. Afinal, quem paga a conta do caixa dois de campanha desses partidos?

    Dinheiro para a educação já!

    João César

    07 de agosto de 2012 às 21h17

    Enquanto o PMDB estiver no governo com o PT? Em menos de 10 anos eles acabarão com as universidades públicas, isto sim!
    É no mínimo sintomático que esta greve aconteça na mesma ocasião em que os parlamentares deram as universidades privadas do PROUNI o perdão para uma dívida fiscal conjunta de mais de 12 milhões!
    Precisa dizer quem está contra esta greve? Precisa dizer quem são os privatistas e pelegos? Claro que não Aqui neste fórum eles estão se entregando espontaneamente!

Claudomiro

06 de agosto de 2012 às 11h00

Texto simples e objetivo do Ricardo.
Complementando, entendo que o país precisa planejar a educação em função das características culturais de nosso povo e físicas de nosso território. Há exemplos dessa educação pelo mundo. Isso sim poderia nos consolidar como potência independente e soberana. Claro que implantar isso é confrontar o interesse de quem controla o Brasil. Mas é preciso informar a população do caminho a ser seguido.

Responder

    João César

    07 de agosto de 2012 às 03h37

    Exato! Mas vemos aqui, que há muitos que não dão valor à educação! Querem mias é que as faculdades sejam meros distribuidoras de diplomas!


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