VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Lino Bocchini: Editoriais de Estadão e Folha pediram violência da PM


14/06/2013 - 02h49

 Seis repórteres do grupo Folha foram feridos por estilhaços de bala de borracha da PM, entre os quais Giuliana Vallone  (foto: Diego Zanchetta/Estadão), via blog Feridos no protesto

Jornalistas são presos e feridos em protestos de SP

O repórter Piero Locatelli, de CartaCapital, foi detido e depois solto. Seis jornalistas da Folha ficaram feridos. De forma irresponsável, Estadão e Folha incitaram a violência da PM em editorial

por Lino Bocchini, em CartaCapital

publicado 13/06/2013 23:08, última modificação 14/06/2013 00:05

Durante o quarto protesto por conta do aumento da tarifa de ônibus hoje em São Paulo, seis repórteres do grupo Folha foram alvejados à queima-roupa por um policial da Rota, na rua Augusta, em São Paulo. A bala era de borracha, mas os estilhaços feriram 6 profissionais. Dois deles, nos olhos. Essa foi apenas uma das dezenas de cenas de violência protagonizadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo nesta quinta-feira na capital paulista.

As prisões, muitas com indícios de arbitrariedade, contam-se às dezenas. Poucas horas antes, pela manhã, os dois maiores jornais do Estado chegavam às bancas e às casas dos assinantes com editoriais defendendo uma ação mais dura da PM. O Estadão incitou a violência dos policiais claramente. A Folha, por sua vez, colocou a desocupação da avenida Paulista como ponto de honra, desde o título. Ambos foram atendidos:

“Chegou a hora do basta”, O Estado de S. Paulo:

“A PM agiu com moderação, ao contrário do que disseram os manifestantes, que a acusaram de truculência para justificar os seus atos de vandalismo (…) A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna – e isso depende do rigor das autoridades (…) De Paris, onde se encontra para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Espera-se que ele passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade.”

“Retomar a Paulista”, Folha de S. Paulo:

“É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista (…) No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei”.

 Leia também:

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



24 comentários

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"Quadrilha" que a polícia do Cabral arranjou inclui até professor de ioga; Pedro Serrano diz que, juridicamente, é Estado de exceção - Viomundo - O que você não vê na mídia

08 de agosto de 2013 às 21h39

[…] Os dois jornais, diga-se, deram uma guinada de 180 graus na cobertura depois de pregar a repressão policial (aqui e aqui). […]

Responder

Quando a Folha incitou Alckmin a bater no "grupelho" - Viomundo - O que você não vê na mídia

16 de junho de 2013 às 10h19

[…] Lino Bocchini: Editoriais de Estadão e Folha pediram violência da PM […]

Responder

Bacellar

14 de junho de 2013 às 13h40

E industrial lá liga pra peão?

Responder

Daniela Xavier

14 de junho de 2013 às 13h13

Azenha, a insatisfação do povo por causa de um transporte caro, lotado, atrasado e engarrafado, é legítima. Mas notei uma particularidade nestas manifestações que correm o país: Ninguém mais percebeu que, na sua maioria, as capitais afetadas são as administradas pelo pt ou aliados? Aqui em Manaus, o prefeito é Arthur Neto do PSDB. Em março ou abril, a passagem aumentou de 2,75 para 3 reais e ninguém reclamou. Na semana passada, ás vésperas dos aumentos do Rio, São Paulo e Porto Alegre, o Arthur mandou as empresas daqui “abaixarem” as tarifas para 2,90 e tem anunciado sistematicamente na tv, a “bondade” da prefeitura. Cadê Salvador, do oposicionista ACMnetinho, do DEM; Vitória, com prefeito do tucano PSDB; Recife, e Belo Horizonte, do PSB do aspirante à presidente Eduardo Campos? Não teve aumento? Ninguém quebrou o pau por lá também? Curitiba, do Gustavo Fruet, do PDT com governador Beto Richa do PSDB, teve manifestação, mas sem violência. E aí? Vcs estão deixando alguma coisa de fora. Já teve o tomate, o boato do bolsa família, e agora, as passagens. Isto é articulação política: Guerra de guerrilha para 2014.

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    Elvys

    14 de junho de 2013 às 14h19

    Daniela, permita-me discordar: Distrito Federal/Brasília, governada por Agnelo Queiroz (PT), tem alguma manifestação? O metrô por lá é pequeno e até onde me lembro, a frota de ônibus era deploravel, sendo uma das maiores empresas controladas pelo famigerado Joaquim Roriz. E na região metropolitana de São Paulo, onde temos vários prefeitos do PT? Vou citar somente a maior das cidades, depois da Capital, Guarulhos, você tem notícias de algum movimento? Também tenho uma pulga atrás da orelha com todo o movimento, a forma como está organizado, sem pelo menos uma planfetagem e não consegui identificar nenhuma estratégia para conscientizar realmente a população sobre as tarifas e a qualidade do transporte público de São Paulo.
    Antes que falem alguma coisa: não concordo com o que PM paulista fez. E para os manifestantes ficarem muito atentos: a PM lidou com eles da mesma forma que lida com torcidas organizadas (aquelas mais violentas), principalmente depois das fotos com o soldado sangrando e acuado na Praça da Sé. Boa sorte para todos nós.

Julio Silveira

14 de junho de 2013 às 12h12

Eles pedem por que sabem muito bem que a cidadania sequer reconhece o significado da palavra. Que são bem amarrados com as palavras, escritas e ditas, diariamente por uma ordem que limita o pensamento. O egoísmo prevalente e covarde vai além que impedir que a vitima se rebele, faz dele o infrator quando reclama. A maldade que vejo nisso tudo é que percebo a intenção de fazerem todos carneiros, esquecem que somos humanos. Querem ter o direito de escolher a res e ainda quando e onde a pegarão, para leva-la ao abatedouro.

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Jose Mario HRP

14 de junho de 2013 às 12h05 Responder

Jose Mario HRP

14 de junho de 2013 às 11h52

Andando em más companhias!
Haddad voce já era!

Responder

    Valdeci Elias

    14 de junho de 2013 às 16h40

    Na Democracia, é assim . Pessoas com ideias diferentes, tem que conviver juntas. Já na ditadura …

Marinho

14 de junho de 2013 às 11h16

Esses dois jornalões são também alcunhados de PIG. Por que será?

Responder

    Fernando César Amaral

    14 de junho de 2013 às 12h00

    São alcunhados de PIG, pois apesar de seus repórteres terem apanhado da PM eles continuam mentindo e ocultado as ações covardes desta polícia, pelo simples fato da PM ser do governo do Alckimin.

abolicionista

14 de junho de 2013 às 11h13

Alguns números que ajudam a entender como chegamos a esse ponto:

Cai verba de inteligência policial no orçamento de São Paulo para 2013
Publicado em 7 de dezembro de 2012 às 12:53 pm · Adicionar comentário
Previsão da proposta do governo Alckmin para o ano que vem cai 62,7% para a área encarregada de investigações da Polícia Civil

Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual

Fonte:
http://revistaforum.com.br/spressosp/2012/12/cai-verba-de-inteligencia-policial-no-orcamento-de-sao-paulo-para-2013/

O governo de São Paulo prevê a destinação, em 2013, de R$ 238,9 milhões à ação “inteligência policial”, dentro do programa Modernização da Segurança Pública. O orçamento contradiz, na prática, as recentes promessas do governador Geraldo Alckmin de concentração de esforços nessa área. Os recursos correspondem a apenas um terço do volume destinado para este ano, de R$ 361,3 milhões. A redução foi constatada na Proposta Orçamentária para 2013, enviada pelo Executivo à Assembleia Legislativa.

Para Alcmin, polícia militar é prioridade. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Segundo a proposta, a distribuição das verbas orçamentárias confirma que a prioridade continua sendo a área militar. Enquanto a ação inteligência tem uma previsão de R$ 143,8 milhões para a unidade Polícia Militar, serão destinados apenas R$ 59,1 milhões à Polícia Civil. Portanto, repressão tem prioridade em relação a investigação. Para as duas polícias, o quesito “inteligência” terá menos recursos no ano que vem. Mas a queda na área civil é consideravelmente maior: enquanto para a PM as verbas caem 13% (de R$ 165,3 para R$ 143,8 milhões), o montante destacado à inteligência da Polícia Civil cai 62,7% (de R$ 158,6 para R$ 59,1 milhões).

“A se confirmarem os prognósticos de orçamento, será a continuidade do equívoco cujos resultados estamos vendo. Não se pode falar de inteligência sem falar de investigação”, diz a a presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), Marilda Pansonato Pinheiro. “Sempre houve uma predileção pela Polícia Militar. Mas retirando-se as atribuições da Polícia Civil, já que a sociedade é civil, será um retrocesso e a sociedade tem de estar atenta. O civil vai ser levado e interrogado nos quartéis?”, questiona.

Para a delegada, a situação desmotiva o policial civil do estado, cuja autoestima já anda baixa por questões salariais. O salário inicial de um delegado em São Paulo é o terceiro pior do país, à frente apenas de Santa Catarina e Minas Gerais. Com tudo isso, avalia Marilda Pansonato, “a situação em São Paulo ficará cada vez mais catastrófica, se é que é possível. É uma guerra civil. Morrem inocentes civis. Qual qualificativo pode se dar à situação?”.

Polícia desmotivada
A desmotivação é ainda maior entre os investigadores do que entre delegados. O presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo, João Batista Rebouças da Silva Neto, diz que a situação da categoria é mais grave do que faz supor a precariedade técnica e de equipamentos. “O primeiro investimento que tem de ser feito é no policial, no homem que está com autoestima baixa, principalmente no caso de investigadores e escrivães”, diz. Para chegar a delegado o candidato precisa ser bacharel em Direito. De investigadores, segundo a Lei Complementar estadual 1.067, de 2008, é exigida graduação de nível superior em qualquer curso. “Precisamos ter ensino superior, mas nosso salário é inferior ao do ensino médio”, protesta.

Rebouças atribui à precariedade da situação dos policiais o baixo índice de esclarecimento de crimes: apenas 4% dos denunciados. “A crise de segurança pública em São Paulo não vai mudar se não houver um plano eficiente para o setor. O crime se organiza, a polícia não”, avalia. Segundo ele, o desvio de função na rotina dos investigadores é alarmante. “Hoje o investigador faz de tudo, menos investigar. Outro dia, um colega precisou levar seu próprio computador de casa para poder trabalhar, fazer boletim de ocorrência”, conta. “No interior é ainda pior.”

Maximino Fernandes Filho, ex-comandante da Guarda Civil Metropolitana da capital e ex-secretário de Defesa Social de Diadema, conta que, “ainda hoje, simples investigações de impressões digitais deixadas no local de um crime, por exemplo, continuam sendo feitas manualmente, com fichas”.

Segundo Marilda Pansonato, toda a situação faz com que o delegado não permaneça em São Paulo. Ela conta que, de 200 delegados que começaram a trabalhar há cerca de dez dias, 25 já saíram da instituição. “Mais de 10% dos que começaram a trabalhar na semana passada”, diz a presidenta da Adpesp. “Se esse orçamento se confirmar, de que inteligência o governador está falando?”

A associação dos delegados paulistas fará amanhã (7) uma assembleia geral para definir ações a partir de janeiro. O sindicato dos investigadores também já planeja movimentos por valorização da carreira.

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Leo V

14 de junho de 2013 às 10h16

Quem está acostumado a usar a força atrofia o cérebro, acha que não precisa pensar.

Em Florianópolis o ponto simbólico de “disputa” entre manifestantes e o Poder nos idos de 2004 e 2005 eram as pontes que ligam a Ilha ao Continente.

Em São Paulo o próprio governo está conseguindo tornar a Avenida Paulista nesse ponto de referência. A história se repete.

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abolicionista

14 de junho de 2013 às 09h59

Azenha, Conceição, pessoal do Viomundo, ajudem a divulgar esse vídeo, por favor, ele derruba de uma vez o argumento do vandalismo:

Policial quebra vidro da própria viatura:
http://www.youtube.com/watch?v=kxPNQDFcR0U

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edson silva

14 de junho de 2013 às 08h19

Não se pode esperar desse jornaleco apoiador de ditadura nada menos que isso. É uma vergonha um país dito democrático, não possuir uma regulamentação que iniba a gratuíta incitação ao crime. Código Penal artigo 286: incitar publicamente a prática de crime. Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.
Ou não foi isso que esses “jornais” fizeram?

Responder

Alemao

14 de junho de 2013 às 08h14

Era o que estavam pedindo, um bando de vagabundos tocam o inferno na cidade
e vcs vem culpar os policiais pela violência. O vagabundo pode apedrejar policiais e tacar fogo nas ruas, enquanto que os policiais ficam proibidos de reprimir a violência. Queriam que a polícia oferecesse flores para esses terroristas.

Esse é o mundo delirante em que vivem.

Responder

    abolicionista

    14 de junho de 2013 às 11h00

    Quem é o vândalo aqui?

    Policial quebra vidro da própria viatura:

    http://www.youtube.com/watch?v=kxPNQDFcR0U

    Vai enganar outro, babaca!

    Alemao

    14 de junho de 2013 às 13h59

    Nossa cara! O policial quebrou o vidro da própria viatura! Isso explica tudo, é por isso que os vagabundos estão vandalizando SP.

    Tudo explicado, vc é uma luz!

    robespierre

    14 de junho de 2013 às 18h28

    Por que será que ele fez isso, hein, Poliana Teutônica?

ma.rosa

14 de junho de 2013 às 08h07

Bem diz o velho ditado, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”!! Com a palavra os “JORNALÕES”.Incitamento a violência contra os direitos civis é o que não falta em suas páginas!!!

Responder

Jose Mario HRP

14 de junho de 2013 às 07h07

Na cidade de Santos, cidade em que nasci, milhares de jovens saíram as ruas como em Sampa!
Espalhe essa idéia e vá protestar!

Vamos fazer vergar essa classe carcomida que comanda nosso estado e prefeituras!
Chame os amigos e vamos fazer a diferença!

Responder

    Valdeci Elias

    14 de junho de 2013 às 16h43

    Esses prefeitos foram eleitos. A culpa é da Democracia ???

Jose Mario HRP

14 de junho de 2013 às 06h41

Dezenas de jornalistas presos?
Vá a São Paulo!
Aqui não há liberdade de expressão!
Não precisa ir a Africa para ver jornalistas espancados ou presos , vá a São Paulo!
Quer ver jornalista com bala de borracha no olho e quase cego?
Vá a São Paulo!
Quer ver a meganha bater sem limites , espancando jovens, chutando estomagos e cabeças e explodindo bombas dentro de onibus com populares alheios ao protesto, sem controle e freio?
Vá a Sampa!
Envergonhadamente Jose Mario , um brasileiro que jamais pensou que nosso paiseco caisse tanto!
Vergonha pelo mundo afora!

Responder

FrancoAtirador

14 de junho de 2013 às 03h50

.
.
E agora?

O que os vândalos repórteres

da Folha e do Estadão

vão dizer para seus donos?

!!! FASCISTAS !!! NÃO PASSARÃO !!!
.
.

Responder

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