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Elio Gaspari: PM começou a batalha na Maria Antônia


13/06/2013 - 22h24

Repórter Giuliana Vallone, da Folha, atingida por bala de borracha da PM*

A PM começou a batalha na Maria Antônia

por Elio Gaspari, em O Globo

Quem acompanhou a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus ao longo dos dois quilômetros que vão do Teatro Municipal à esquina da Consolação com a rua Maria Antônia pode assegurar: os distúrbios desta quinta-feira começaram às 19h10m, pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns vinte homens da tropa de choque, com suas fardas cinzentas, que, a olho nu, chegaram com esse propósito.

Pelo seguinte: às 17h, quando começou a manifestação, na escadaria do teatro, podia-se pensar que a cena ocorria em Londres. Só uma hora depois, quando a multidão engordou, os manifestantes fecharam o cruzamento da rua Xavier de Toledo. Nesse cenário, havia uns dez policiais.

Nem eles hostilizaram a manifestação, nem foram por ela hostilizados.

Por volta de 18h30m, a passeata foi em direção à Praça da República. Havia uns poucos grupos de PMs guarnecendo agências bancárias, mais nada. Em nenhum momento foram bloqueados. Numa das transversais, uns vinte PMs postaram-se na Consolação, tentando fechá-la, mas deixando uma passagem lateral. Ficaram ali menos de dois minutos e retiraram-se. Esse grupo de policiais subiu a avenida até a Maria Antonia, caminhando no mesmo sentido da passeata. Parecia Londres. Voltaram a fechá-la e, de novo, deixaram uma passagem. Tudo o que alguns manifestantes faziam era gritar: “Você é soldado, você também é explorado” ou “Sem violência”. Alguns deles colavam cartazes brancos com o rosto do prefeito de São Paulo, “Fernando Maldad“.

Num átimo, às 19h10m, surgiu do nada um grupo de uns vinte PMs cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista.

Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio sem disparos, coisa possível em diversos trechos do percurso. Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar rojões e bombas de gás lacrimogênio. Chegara-se a Istambul.

Atiravam não só na direção da avenida, como também na transversal. Eram granadas Condor. Uma delas ficou na rua que em 1968 presenciou a pancadaria conhecida como “Batalha da Maria Antônia”. Alguns deles, sexagenários, não cheiram mais gás (suave em relação ao da época), mas o bouquet de vinhos.

Seguramente a PM queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista. Conseguiu, mas conseguiu que a manifestação se dividisse em duas.

Uma, grande, recuou. Outra, menor, conseguiu subir a Consolação. Eram pessoas perfeitamente identificáveis. A maioria mascarada. Buscaram pedras e também conseguiram o que queriam: uma batalha campal.

Foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos.

*Episódio envolvendo repórter da Folha assim descrito no Estadão:

20h47 – Uma repórter do jornal Folha de S. Paulo foi baleada no olho com uma bala de borracha. Segundo Giuliana Vallone, da TV Folha, ela estava em um estacionamento na Rua Augusta quando uma viatura da Rota se aproximou em baixa velocidade e um PM que estava no banco de trás atirou contra ela. Repórteres do Estado de S. Paulo também presenciaram ações questionáveis da Rota. Dois deles foram alvos de uma ação semelhante, na qual uma viatura se aproximou e disparou bombas de gás lacrimogêneo tentando acertá-los. Não havia conflito e nenhuma concentração de manifestantes na ocasião.

Clique aqui para ver feridos no protesto.

Veja também:

Júlio Delmanto: Não tenho mais estômago para ver Pedrão espancado pela polícia





26 comentários

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Luís Carlos

14 de junho de 2013 às 16h37

A polícia do Sr. Opus Dei.

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Opinião ## Classe média experimenta o terror que a PM paulista toca na periferia | Milton Alves

14 de junho de 2013 às 16h35

[…] Elio Gaspari: PM começou a batalha da Maria Antônia […]

Responder

Igor Felippe: "Estamos enfrentando o AI-5 do governador Geraldo Alckmin" - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de junho de 2013 às 14h14

[…] Elio Gaspari: PM começou a batalha na Maria Antônia […]

Responder

Santana

14 de junho de 2013 às 13h16

VÍDEO QUE MOSTRA POLICIAL QUEBRANDO O VIDRO DA PRÓPRIA VIATURA, DURANTE AS MANIFESTAÇÕES EM SÃO PAULO:

http://videos.bol.uol.com.br/#view/policial-quebra-vidro-da-propria-viatura-durante-protesto-0402CD99336CC4A94326&tag/3153|protest

Essa é a polícia do Sr. Geraldo Alckmin.

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Jose Mario HRP

14 de junho de 2013 às 11h54

Heil Hitler!

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Armando do Prado

14 de junho de 2013 às 11h18

Policiais covardes a serviço do chuchu da opus dei. Parece que SP está “primaveril”.

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JBBS

14 de junho de 2013 às 11h18

Mas queriam o quê dessa polícia militar paulista treinada para ser uma GESTAPO??? A GESTAPO paulista atira e bate primeiro, em qualquer um, e nem pergunta depois….

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Narr

14 de junho de 2013 às 11h15

A fama da bala de borracha de não provocar danos físicos sérios acabou quando apareceram os primeiros olhos vazados. Esses PMs bandidos miram no olho de propósito para cegar a vítima.

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AlvaroTadeu

14 de junho de 2013 às 10h45

Se o infeliz morador da região metropolitana de SP pagasse uma única passagem por dia para andar de ônibus, trens, barcos e aviões (Cf. Ottis Reding), o alto preço das passagens poderia ser encarado. Quem mora longe, não tem metrô. Pega um ônibus superlotado que desemboca em alguma estação de metrô com trens atrasados e idem, superlotados. Num só dia, são doze reais. Se for comerciário, com um salário em torno de R$ 1.000,00, 25×12= R$ 300,00. Trezentos reais ou TRINTA por cento do salário só em condução, isso ANTES do reajuste. A revolta da população é plenamente compreensível. O que não é compreensível: quando Kassab aumentou as tarifas em quase 12%, em 2011, por que não houve reação? Por que essa violência toda contra um prefeito que cumpriu o que prometeu, aumentar a tarifa abaixo da inflação? Por que depredaram a sede do PT em São Paulo? Por que os líderes da manifestação são pessoas bem vestidas que jamais pegam ônibus? Por que não houve manifestação diante do Edifício Ruth Cardoso, na Rua Pamplona, pertinho da Avenida Paulista e sede de algum órgão tucano, já que o governador que mandou baixar o porrete é do PSDB? Quem souber a resposta, e-mail para [email protected].

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Flor de IpÊ

14 de junho de 2013 às 10h09

Nas ondas do rádio (da direita):

Repórter:Por que vc está no protesto?
protestador: para dar um mundo melhor para minha filha
Repórter: e o que mais?
Protestador: para ver se o povo na hora de votar pensa em tudo isso.
Repórter: e vc já participou de algum protesto na vida?
Protestador: não. É o meu primeiro.
Flor de Ipê: esse cara aí não sabe nem o que é girondino e jacobino e a mídia dá um tempo a ele que nunca deu ao Lula, mesmo quando ele juntava 400.000 trabalhadores cansados em uma segunda-feira no campinho do ABC.

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Flor de IpÊ

14 de junho de 2013 às 10h05

A folha, que tinha gasto duas páginas falando de violência, sem nenhuma foto pra ilustrar, menos as de pacificos jovens, no primeiro protesto, agora já tem. Zil!!!!

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augusto2

14 de junho de 2013 às 10h01

sugestao ao Embaixador da RPC Republica popular da China:

JA que o navio chines “Arca PACIFICA” com 103 medicos e enfermeiros a bordo realiza uma grande viagem humanitaria por muitos paises de varios continentes (cirurgias, tratamentos, diagnosticos) que sugira a seu governo URGENTEMENTE levar a viagem HUMANITARIA para realizar os mesmos
procedimentos e ajuda em…GAZA>
Isso mesmo: levar o navio para G-A-Z-A.
e anunciar antes que está fazendo isso. E nao esquecer de treinar uns
dos medicos como cinegrafistas.
E se tel aviv nao gostar, que assuma e tome providencias contra o navio.

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De Paula

14 de junho de 2013 às 09h52

O propósito claro da mídia, repercutindo os acontecimentos de SP em todos os telejornais, país afora, era enfatizar o descontrole e balburdia do governo petista buscando desgastá-lo eleitoralmente, como já o fizeram antes com a ameaça de apagão, Pibinho, inflação do tomate, boatos do bolsa familia, crise financeira e outros penduricalhos; mas desta feita a coisa saiu do controle e transbordou para os ninhos tucanos. Esqueceram que atiçar os meninos do PSOL, PSTU, PCdoB fica bem mais embaixo.

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Jose Mario HRP

14 de junho de 2013 às 09h04

No El Pais:

¿Qué le pasa a Brasil?
Las manifestaciones callejeras atraen el debate sobre las debilidades del modelo económico brasileño
JUAN ARIAS 13 JUN 2013 – 19:43 CET111
Archivado en: Dilma Rousseff Crisis económica Opinión Brasil Recesión económica Coyuntura económica Sudamérica Latinoamérica América Economía
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¿Qué le está pasando a Brasil? La nación en pujanza, esperanza de los países emergentes, la sexta potencia económica del mundo y fulcro del continente aparece de repente con los pies de barro, con un modelo que tuvo éxito pero que según algunos expertos ya está agotado y con todos los índices rebajados.

A esto se añade que, por primera vez en años, se han producido manifestaciones callejeras con actos vandálicos de autoría desconocida. Los participantes en las protestas se dicen sin partido, pero varios de ellos pertenecen a grupos de izquierda radical. Las autoridades critican, con razón, que en Brasil existe total libertad de expresión, pero no de destruir el patrimonio público. Los manifestantes, convocados a través de redes sociales, acusan por su parte a la policía de actuar con excesiva dureza.

Existe la preocupación por conocer la paternidad de la iniciativa que está llevando a la gente a la calle en protesta contra los servicios públicos y, sobre todo, por conocer si detrás de ellas se esconde alguna mano política en vísperas de las elecciones presidenciales del año próximo.

Una cosa es cierta: Brasil quizás no sea ni la maravilla forjada en los últimos años por la opinión pública mundial, ni tampoco un país que ha caído de repente en crisis, que revelaría mayores fragilidades de las que hasta hoy reconocía.

El país cuenta con una gran pujanza, pese a que atraviesa un momento de bajo crecimiento —sobre todo en la industria—, del aumento de la inflación que, sobre todo, irrita a los más pobres, de un dólar a un alto coste que quita fuerza al real y de un gasto público que sigue creciendo.

Brasil, se podría decir, tiene sus cuentas en regla. Goza de unas reservas envidiables que lo protegen contra posibles nuevas crisis internacionales. Es un país casi un bajo índice de desempleo (un 6,2% en 2012), con prestigio y solvencia internacional, llamado a tener gran protagonismo geopolítico, y con grandes proyectos de obras para mejorar sus infraestructuras.

La propia oposición ha forjado el eslogan de “Brasil está bien, pero puede estar mejor”, lo que indica la voluntad de contribuir a mejorar lo ya conquistado y no de echar fuego sobre “cuanto peor, mejor”.

En ese sentido, la presidenta Dilma Rousseff —que corre el peligro de convertirse, injustamente, en el chivo expiatorio de los problemas actuales— no está quizás acertada cuando critica a los que quieren que Brasil “no acierte”, si es que se refiere a la oposición política, que, más bien, durante los últimos años 10 ha estado aletargada y muda, quizás desarmada ante el crecimiento económico del país y de las conquistas sociales de los gobiernos de Lula y Rousseff.

Quizás, más que a la oposición, la mandataria se haya querido referir a los que podrían estar influyendo en la opinión pública para salir a protestar en un país donde también la calle ha estado en silencio, y que solo se había manifestado multitudinariamente en marchas promovidas por evangélicos; homosexuales y defensores de la legalización de las drogas.

Ni siquiera contra la grave corrupción política o contra la impunidad que condena a los pobres dejando siempre absueltos a los poderosos, Brasil se ha echado últimamente a la calle. Aquí, al revés de otros lugares del planeta, no han existido los “indignados”.

Condenadas sin ambages las acciones violentas de los nuevos manifestantes para protestar contra lo que consideran servicios públicos deficientes y caros, hay sociólogos que prefieren ver en estas nuevas e inéditas manifestaciones una señal de madurez ciudadana, de toma de conciencia de la gente que desea ser también protagonista y partícipes del crecimiento de Brasil y forjadores de un futuro menos injusto y más democráticamente participativo.

Ojalá sea eso.

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edson silva

14 de junho de 2013 às 08h22

Engraçado! A população apanhando da PM são vândalos e hoje apenas os policiais foram truculentos?

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Tiao

14 de junho de 2013 às 07h55

Policia Militar é o Capitão do Mato da era moderna.

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Lino Bocchini: Editoriais de Estadão e Folha incitaram a violência da PM - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de junho de 2013 às 03h00

[…] Elio Gaspari: PM começou a batalha na Maria Antônia […]

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    De Paula

    14 de junho de 2013 às 10h09

    Êles atiçaram a meninada e agora estão tentando apagar o fogo, com gasolina.

Classe média experimenta o terror que a PM paulista toca na periferia - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de junho de 2013 às 02h37

[…] Elio Gaspari: PM começou a batalha da Maria Antônia […]

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Piero Locatelli: Em São Paulo, "porte de vinagre" dá cadeia - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de junho de 2013 às 02h15

[…] Elio Gaspari: PM começou a batalha na Maria Antônia […]

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Edgar Rocha

13 de junho de 2013 às 23h37

“Repórteres do Estado também presenciaram ações questionáveis da Rota.” Questionáveis? Nem assim a imprensa Pig larga o eufemismo respeitoso diante da máfia policial. Nem quando os agridem. Maior prova de que os meios de opressão (disse opressão, não repressão, já que esta última, em tese, é o meio em que o Estado coíbe o ato opressivo)da época da ditadura não só permanecem, como se sofisticaram, a ponto de a própria imprensa abrir mão de sua força a evitar o conflito direto. Sabem que vai sobrar bala – e de verdade – pra quem abrir a boca. Até quando vão se negar o direito de cumprir suas competências? Dirijo-me aos jornalistas,obviamente. As empresas, historicamente nunca cumpriram as expectativas da sociedade.

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jaime

13 de junho de 2013 às 23h35

“Se não têm pão, que comam brioches” – se não têm ônibus, que vão de helicóptero.
Quem são esses manifestantes, afinal? Apenas povo, ou seja, aqueles trouxas que votam. A senzala, entende?

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Fabio Passos

13 de junho de 2013 às 23h06

O PiG sempre apoiou e incentivou a violencia policial em SP.
globo, fsp, veja e estadao aticaram o psdb a atacar os manifestantes que ousam demandar cobranca de impostos da ricaiada branquela para subsidiar transporte digno para a populacao pobre.

O covardao do otavinho “ditabranda” frias e cumplice dos pulica que atiraram na reporter.

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Sergio

13 de junho de 2013 às 22h50

Caro Azenha,

postei esse palpite duas horas antes da encrenca.

Acho que deve ter alguma serventia. Agradeço a apreciação.

Abs.

opalpiteiro…

http://opalpiteiro.blogspot.com.br/2013/06/res-publica-para-alem-da-lata-de-lixo.html

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Rodrigo Vianna: A baderna é da polícia! - Viomundo - O que você não vê na mídia

13 de junho de 2013 às 22h43

[…] Elio Gaspari: PM começou o confronto na Maria Antônia […]

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