VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


“Internação forçada de usuário de crack não deve ser generalizada”
Denúncias

“Internação forçada de usuário de crack não deve ser generalizada”


04/01/2013 - 21h34

da Redação da Rede Brasil Atual

 São Paulo – A internação involuntária ou compulsória de dependentes de crack – política anunciada nesta semana pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) – é medida excepcional que deve ser aplicada apenas em casos específicos. A opinião é do presidente da Associação Juízes pela Democracia José Henrique Rodrigues Torres, para quem as ações como essa, quando generalizadas, serve mais para satisfazer uma parte da opinião pública do que resolver o problema.

Torres ressalta que ainda não está claro qual será o alcance do novo programa anunciado por Alckmin. “Precisamos saber exatamente qual é a medida, porque é possível que esteja sendo anunciado um início de uma série de providências, eu não sei exatamente o que o governo está pretendendo. O que temos de questionar é a política utilizada como solução destes problemas.”

Para que a internação seja feita de maneira legal e socialmente responsável, Torres ressalta a importância de procedimentos a serem tomados, como a avaliação psiquiátrica caso a caso, além um viés menos generalista e simplista em relação aos usuários de drogas.

A Associação Juízes para Democracia defende que a internação seja feita em casos absolutamente específicos. “A internação compulsória determinada pelo juiz, ou a involuntária determinada por necessidades psiquiátricas, são internações que devem ocorrer em casos absolutamente necessários e específicos. Não é uma medida genérica que se possa tomar como medida de solução para um problema geral.”

Centro Legal

Comparando ao anúncio de ontem do governador, Torres lembra da Operação Centro Legal, iniciada em 2009 para combater o tráfico e o uso de drogas na região central de São Paulo, que desde janeiro do ano passado, segundo ele, só funcionou para afastar o problema do crack – já que grande parte dos usuários migraram do centro para outras regiões da cidade.

Para ele, iniciativas como esta tem grande repercussão na sociedade. “Medidas repressivas, de afastamento dos problemas, são medidas que aparentemente tem uma repercussão política favorável. É um discurso que coloca a iniciativa como forte, prática, que irá resolver todos os problemas, muitas vezes acompanhado de uma boa intenção “salvadora”, de salvar aqueles drogados que estão na rua. Isso gera uma aparência de boa política. Mas não há uma política pública séria e comprometida com os direitos das pessoas, com o tratamento de saúde, como exige a questão.”

Como solução, condutas de longo prazo com investimento e assistência social são consideradas mais adequadas por Torres. “É um problema antigo que exige procedimentos longos, muita paciência, muita tolerância, muito investimento e assistência psicológica e social. Há uma abordagem multidisciplinar que deve ser feita e isso não se dá do dia para a noite. Enquanto investirmos nestas medidas salvadoras, imediatistas e repressivas, infelizmente o problema não será resolvido.”

Ouça a entrevista de José Henrique Torres à repórter Lúcia Rodrigues.

Leia também:

Do que morreu dr. Marcelo, o jovem médico que trabalhava na Cracolândia?

Wálter Maierovitch: São Paulo usa o crack para segregar os pobres

Não à política “de dor e sofrimento” na Cracolândia

Fátima Oliveira: A polêmica da internação compulsória

Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


11 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Internação compulsória começa na cracolândia; debate sobre eficácia continua « Viomundo – O que você não vê na mídia

21 de janeiro de 2013 às 11h28

[…] “Internação forçada de usuário de crack não deve ser generalizada” […]

Responder

Jose Mario HRP

06 de janeiro de 2013 às 06h28

São Paulo nas mãos de bandidos!

Responder

Urbano

05 de janeiro de 2013 às 12h57

Alguma especificidade da força a todo custo nos tunganos é artigo raro e de alto luxo, pois a força bruta neles, tanto tangível quanto intangível, é mais comum do que areia na praia. Quando um dos éticos (segundo o currículo explicitado por ele mesmo) deles pede encarecidamente que o regime assassino volte… Vai ver que todos os comunistas possíveis e imaginados por eles naquela época devem estar voltando, inclusive dos túmulos em forma de zumbi, para atacar de novo o eterno projeto de democracia existente. Há imbecil pra tudo…

Responder

Gerson Carneiro

05 de janeiro de 2013 às 11h50

Mais notícias de São Paulo:

Geraldo Alckmin insinua que o PT contratou o McGiver para sabotar o trem em São Paulo. Jornal Nacional dá aquela força para corroborar a farsa do governador mas a CTPM desmente os dois.

RT @UsuarioCPTM: CPTM não cita sabotagem em relatório oficial http://usuariodacptm.wordpress.com/2013/01/05/cptm_nao_cita_sabotagem/

Quando eu parar meu fiéti Uno 93 em uma ladeira vou colocar um cabo de vassoura para ele não descer.


Alckmin anuncia a “sabotagem”.


PT contratou McGiver.

“fica vermelho, cabra sem-vergonha!”

Responder

Não força

05 de janeiro de 2013 às 11h46

E depois de esconder o usuário durante meses dando sossega leão e porrada, entregam de volta às ruas. O abuso de drogas continuará aumentando na mesma proporção ou maior do crescimento populacional e do descaso para com quem não tem onde morar. Se eu estivesse jogado na rua em meio a ratos, com 15 anos, sem pai nem mãe, 99% de chance d’eu passar a usar álcool, cigarro, cola, crack, o que aparecesse na frente.

Crack é pauta de políticos não preparados, tampouco conhecedores do tema drogas, que nada têm a dizer. Falam, falam, falam e nunca dizem nada. Aproveitam-se então da epidemia de ódio que acometeu a população para posar sob holofotes. Os mesmos políticos latifundiários que são na verdade os causadores da tragédia habitacional, sendo esta última a causa principal do abuso de drogas. Em última análise, os mesmos de sempre, os mesmos que como Demóstenes posam de ‘moralistas’, estupram mentes humanas até o limite e depois se dizem perplexos e consternados.

Faço minhas as palavras de Zeca Pagodinho (sobre a situação em Caxias): nojo dessa gente bandida.

Que tal o HSBC construir COMPULSORIAMENTE casas para população de rua? Ou então, interna 400 e no dia seguinte surgem 800 novos dependentes e fica tudo ótimo pros politicús continuarem explorando a tragédia.

Afinal, quem é do sv público sabe que o capitalismo forja monstrinhos adeptos do quanto pior melhor. Profissionais inseguros e sem comprometimento com nada, a não ser com sua conta corrente, burrocratizam e torcem pelos passos de tartaruga em nome do que, em suas cabeças adoentadas pelo sistema, significa manutenção de empregos e cabides.

Política é uma coisa. O quê fizeram da política é outra completamente diferente. Entulham-se pessoas em situação subhumana, degradante, nas favelas durante décadas, gerações, e, então institui-se a guerra ao previsível abuso de drogas. Tá feita a cortina de fumaça pra trouxa.

Grita ‘pega, ladrão’ numa dessas intermináveis e chatas audiências sobre drogas que não nunca trazem nada de novo…não fica um, meu irmão.

De terça a quinta eles comparecem, quando comparecem, pra, como diz Romário, não fazem p**** nenhuma. Há 25 anos não tem o Congresso a dignidade de regulamentar a revisão anual dos salários do sv público. E ano que findou, sequer votaram orçamento. Quem interna esses caras?

Responder

Jose Mario HRP

05 de janeiro de 2013 às 08h17

PSDB é isto:

Responder

Ana Cruzzeli

05 de janeiro de 2013 às 06h46

Concordo com a associação dos juizes, tanto é verdade que se alguém cometer algum delito por influencia de algum entorpecente é de bom juizo ser levado a um sanatório e não a um presidio aí sim o juiz tem essa prerrogativa auxiliado por um laudo psiquiátrico ( juiz não é médico) de internação

Pelo que se lê por aí não é isso que o Alckmin pretende, então deve-se desenhar para o beato que acha que estamos na era da palmatória: Se esses cidadãos forem coagidos, oh governador, o senhor pode e será responsabilizado.

Coação é crime governador, convencimento NÃO.

Depois do que Alckmin fez em Pinheirinho, ele sim é que deveria ser internado.

Responder

renato

04 de janeiro de 2013 às 21h53

Mas algo deve ser feito!
Criticar quem toma ação para melhorar, não ajuda!
Vi a reportagem e vi que há pessoas envolvidas na
ajuda destes, quer oferecendo banho, corte de cabelo,
etc. Apresentando uma mão amiga, etc.
As coisas que o Estado oferece sempre tem uma face fria.
Mas está lá. Quem abraça pessoas são pessoas.
E aí, as coisas começam a dar certo.
Torço que estas e outras medidas tragam, alento as pessoas
que estão agora fechadas em si, sofrendo horrores que só a
a mente humana pode produzir!
Somente uma consciência coletiva resolverá este assunto.
E quando o assunto voltar a pauta, e só será pauta agora, quando os políticos e a mídia estão de férias para escândalos.
A não ser as enchentes, e o inicio do Carnaval.
Ou alguém já ouviu falar de descoberta de roubo e corrupção no final
de ano quando todo mundo está de férias e não assiste TV.

Responder

    Lucas Gordon

    04 de janeiro de 2013 às 23h03

    Ah Claro, vamos abraçar os usuários de crack, vamos abraçá-los, amarra-los e jogá-los um manicômio, tudo com muito carinho. Este pobre diabo está sofrendo demais, o melhor para ele é o trancafiarmos até que um doutor em jaleco diga que ele é ser humano o suficiente para merecer a liberdade.

    Espero que os PTistas frequentadores aqui tenham a consciência de que o Governo Federal não tem mechido um dedo para fazer as coisas diferentes, apoia efusivamente a política privatista das “Comunidades Terapêuticas”, colocando a saúde pública na mão de seitas religiosas, ignorando os direitos humanos arduamentes conseguidos neste pais no campo da saúde.

    Querem resolver o problema do crack? Por que não oferecendo serviços de saúde que o próprio usuário queira usar, ao invés de enfiar guela abaixo a cura?
    Se quiserem uma política de drogas efetiva e que pense no ser humano como alguém de direitos, comecemos ofertando redução de danos, comecemos capacitando os trabalhadores da saúde a atenderem usuários sem preconceito, comecemos a deixar de estigmatizar o usuário como uma peste, um morto-vivo sem direitos, sem motivos para voltar à uma vida estabilizada. O Geraldo já disse que talvez tenha que usar a PM para efetuar seu plano: quanto mais a saúde para os usuários for igual a polícia, mais desastrosos serão os resultados, mas usos abusivos de drogas, mais inacessibilidade aos serviços básicos terão os usuários, menos eles os buscarão e isso se traduz à piores efeitos das drogas na sociedade.

    Júlio De bem

    05 de janeiro de 2013 às 00h47

    Cara nunca lí tanta besteira reunida. Quantos usuários de crack iniciam tratamente e completam por livre e espontânea vontade?

    Convida um grupo deles pra tomar um café na sua casa. Vá ao banheiro e volte. Se você encontrar uma cadeira, deverá comemorar.

    É um caso de saúde pública sim, e como a droga os tornas completamente dependentes, o Estado tem que tomar a decisão por eles e ponto final. Ficar criticando alternativas que podem dar certo sem propor porcaria nenhuma, a globo também faz.

    Lucas Gordon

    05 de janeiro de 2013 às 17h45

    Julio de Bem, a alternativa está escrita em meu comentário, talvez você esteja doidão de mais no seu Prozac para entender. Por acaso eu já tomei um chazinho sim com usuáriosd de crack, foi no Centro de Redução de Danos É de Lei, no centro de São Paulo, foi uma conversa agradável e ninguém levou nenhum móvel do lugar. Talvez você devesse se portar como um adulto pensante ao invés de regurgitar preconceitos.


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!