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Cachoeira pagou a escritório de Geraldo Brindeiro


07/08/2012 - 10h21

Vater Campanato/ABr

terça-feira, 7 de agosto de 2012 8:50
Grupo de Cachoeira pagou escritório de Brindeiro

do Diário do Grande ABC

Relatório da Polícia Federal mostra que o escritório de advocacia Morais, Castilho & Brindeiro, do ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, recebeu ao menos R$ 680 mil do grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. O valor consta de planilhas que registram pagamentos apreendidos de Adriano Aprígio de Souza, cunhado de Cachoeira e apontado como seu “laranja” no mercado de jogos.

Os documentos foram recolhidos durante a Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro, na sede do laboratório Vitapan, que está em nome de Aprígio, mas, na prática, pertenceria a Cachoeira. Foram encontrados em meio a papéis sobre a aquisição de cotas da empresa argentina Electro Chance Gaming Suppliers por R$ 3,3 milhões.

As tabelas registram pagamentos mensais à “Brindeiro” em 2009 e 2010. Os repasses foram contabilizados com as referências “RC” (Roberto Coppola, sócio da Electro Chance que tinha negócios com Cachoeira); “EC” (as iniciais da empresa); e “CR”, de “Carlos Ramos”, o Cachoeira.

“Isso também nos remete à necessidade de esclarecer qual a origem dos recursos utilizados nos pagamentos das cotas adquiridas, pois, conforme demonstrado aqui, pelo menos um dos pagamentos a Brindeiro fora feito via esquema utilizado pela organização criminosa”, diz a PF.

A CPI sabia até agora de cinco repasses ao escritório, no total de R$ 161 mil, feitos por Geovani Pereira da Silva, contador de Cachoeira. Ao menos um veio da Alberto e Pantoja – empresa de fachada cujas contas eram operadas por Pereira e serviam, segundo a PF, para mascarar repasses da Delta Construções a políticos.

Em ofício enviado à comissão, a Morais, Castilho & Brindeiro não explicou quanto recebeu no total pelos serviços. Informou à CPI que fez consultoria para a empresa Ocean Development II, sediada nos EUA, sobre a legalidade da reativação de loterias em Goiás e Santa Catarina. O proprietário da empresa é Coppola e foi ele, segundo o ofício, quem tratou com os advogados.

O escritório diz não ter nenhuma relação com Cachoeira ou Aprígio e que manteve contatos apenas com Coppola. Não revelou o valor total da consultoria, argumentando que a ética profissional não o permite. Mas, em nota, informou que os valores excedem a quantia apurada pela PF.

O escritório de advocacia afirmou que a consultoria foi feita continuamente em 2009, 2010 e 2011, mediante pagamentos mensais, com a emissão de notas fiscais por honorários de serviços “efetivamente prestados”. E reiterou que, embora seja sócio, Brindeiro não participa da gestão financeira da empresa.

O ex-procurador-geral, que exerceu o cargo de 1995 a 2003, por indicação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é subprocurador da República. Brindeiro integra o grupo que, por ter entrado na carreira antes da Constituição de 1988, pode advogar. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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10 comentários

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Luc

07 de agosto de 2012 às 13h54

Ao Rodrigo Leme, ao Willian, ao padeiro, ao mecânico, ao contraventor e ao advogado:

“Isso também nos remete à necessidade de esclarecer qual a origem dos recursos utilizados nos pagamentos das cotas adquiridas, pois, conforme demonstrado aqui, pelo menos um dos pagamentos a Brindeiro fora feito via esquema utilizado pela organização criminosa”, diz a PF.

Deixa eu explicar isso tbm, vai que não entendam: PF significa Polícia Federal.

Responder

    Willian

    07 de agosto de 2012 às 15h09

    Obrigado, Luc, jurava que PF era prato feito. Vivendo e aprendendo.

    Só como adendo, parece que está por aí um mensalão da Sky. Segundo fontes, Cachoeira pagava mensalmente valores á operadora ligada à Globo. Procurada, a empresa revelou que tais valores se referem ao pacote Cinema Plus II + Brasileirão 2010 + Pay per View do BBB.

    P.S. É piada, tá?

    Rodrigo Leme

    07 de agosto de 2012 às 16h58

    Hahahahaha, se bobear o Cacheira pagava até as calcinhas da mulher dele via dinheiro do esquema. Se o cara vive do esquema, ele paga as contas com o que?

    Em nota relacionada, de onde veio o dinheiro que pagou o Márcio Thomaz Bastos?

    Estranho o timing dessas notícias, não? Ainda mais notícias tão mal verificadas, naquele estilo que acusam uma Veja de usar. A quem serve?

    Carlos Lenin Dias

    07 de agosto de 2012 às 22h40

    Parece-me q,nesse e em outros sítios,choveram críticas ao affair profissional Thomaz Bastas – Cacho…Lamento,doutores,o deboche n encontra eco

José Medeiros

07 de agosto de 2012 às 11h54

O mais interessante de tudo isto é o FHC todo airoso dar declarações de que agora vai, ou seja, aquilo que a tchurma dele, FHC/Serra, não consegue no voto, conseguirá no tapetão dos togados Gilmar e cia: justiça a toque de caixa, digo, de mídia. O tal FHC continua lépido, solto, delirante, fazendo de conta que não tem nada a ver com corrupção.
Quando será que: a compra de votos para a reeleição do plagiário, a privataria desembestada que enriqueceu tucanos de todas as plumagens e entregou o que não lhes pertencia nas mãos sequiosas de corporações sem escrúpulos, a Lista de Furnas, o escãndalo do Sivam, a escandalosa entrega da Vale, a roubalheira da AL de São Paulo, o Roboanel, a cachoeirada dos contratos da Delta na São Paulo do Serra,o escândalo da propinaria Alstom, o mensalão Azeredo/PSDB mineiro, a privataria do patrimônio público paulista, toda esta e outras mais descaradas roubalheiras sairão do armário cúmplice do Partido da Imprensa Golpista – vulgo PIG? E o FHC, a rir a solta, faz de conta que nada sabe, faz de conta que nada viu.

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Bonifa

07 de agosto de 2012 às 11h52

Altas transações mafiosas. Há um aspecto subjacente aos acontecimentos gerados pelo enfrentamento das forças político/criminosas, hoje, sobre o qual carecemos de conhecer. Acreditamos que agora, neste momento, está havendo refrega dentro da Polícia Federal, com setores bem posicionados e prestigiados se contrapondo a tentativas de restauração do prestígio e da eficiência da PF, no que toca ao enfrentamento de crimes de colarinho branco. Depois dos embates em que o chamado setor republicano da PF foi atingido em cheio e muito fragilizado, inclusive com a intervenção externa de políticos poderosos e magistrados que puseram a faca na garganta do presidente para que ele pusesse fim às atividades da chamada “ala republicana” da Polícia Federal, emergem novamente resultados de grande importancia e enorme repercussão no combate ao crime organizado de colarinho branco. Certo que houve apelo a expedientes inteligentes e não costumeiros por parte da, digamos, ala republicana do Ministério Público federal, para que processos como o Monte Carlo prosperassem e passasem sobre as barreiras de uma procuradoria geral que já tinha destinado ao limbo outros processos semelhantes contra o crime de colarinho branco. Este é um embate surdo que ainda não podemos sequer vislumbrar. Até onde as alas nãorepublicanas estarão dispostas a ir para impedir os avanços das alas republicanas? Quem poderia sondar estes aspectos e desvendar tudo aos olhos da verdadeira opinião pública?

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Rodrigo Leme

07 de agosto de 2012 às 11h41

Eu nunca vi contraventor pagar advogado. Essa é uma nova.

Responder

    RicardãoCarioca

    07 de agosto de 2012 às 14h00

    Conhece um contraventor chamado Cachoeira? Seus comentários são patéticos.

Willian

07 de agosto de 2012 às 10h59

Nestas horas, o padeiro, o açougueiro e o mecânico do Cachoeira devem estar pensando: “Tomara que não encontrem meus cheques, meu Deus, tomara!”

Responder

Willian

07 de agosto de 2012 às 10h44

Meu Deus, um escritório de advocacia recebendo dinheiro de bandido? Onde vamos parar? Daqui a pouco teremos, sei lá, médicos recebendo dinheiro de doentes.

P.S. Pode ser só intriga do oposição, mas parece (repito: parece) que Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Lula recebeu R$15.000.000,00 do Cachoeira. Ainda não apareceram provas materiais, só testemunhais do caso. Aguardemos, pois,s em fazer juízo de valor.

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