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Cartas de Minas
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Dr. Arnaldo Lichtenstein: “Pistola de choque pode causar arritmia cardíaca e matar, sim”

25 de março de 2012 às 23h57

por Conceição Lemes

O taser é uma pistola cujos “disparos” dão eletrochoque. O objetivo é paralisar possível infrator.

Atualmente existem 700 mil no mundo. No Brasil, chegam a 15 mil. Aqui, está em uso pelas polícias de vários municípios e estados, como Rio de Janeiro, Acre, Bahia e Rio Grande do Sul. Deverá ser utilizada pelas forças de segurança do Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Tanto que governo federal, estados e cidades-sede já confirmaram que vão priorizar o uso desse tipo de armamento em instalações esportivas, estádios e seus arredores.

É a mesma arma que no último domingo, 18 de março, matou o estudante brasileiro Roberto Laudisio Curti, 21 anos, em Sydney, na Austrália.

“Embora seja considerada uma arma não letal, a pistola taser pode matar, sim”, adverte o clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. “Evidentemente uma pessoa com doença cardíaca atingida tem mais risco. Se usa marcapasso, o aparelho pode desregular. Porém, uma pessoa saudável, hígida, não está totalmente livre de risco.”

Carlos Alberto Lungarzo, membro da Anistia Internacional e professor titular aposentado da Unicamp, reforça: “O taser representa um grande perigo, pois a polícia ilude a população com o fato de que ele não é letal. Só que essa ideia embute falácias”.

DA ‘FAMÍLIA” DE BALA DE BORRACHA, GÁS LACRIMÔNEO E SPRAY PIMENTA

O taser integra a categoria das chamadas armas não letais, da fazem parte também o bastão de choque, as balas de borracha, o gás lacrimogêneo e o spray de pimenta.

Parece pistola comum, mas tem uma “bala” diferente. O gatilho aciona um sistema de ar comprimido, que impulsiona o lançamento de dois dardos. Conectados à pistola por fios metálicos, os dardos podem atingir um alvo a quase 11 metros de distância. Os dardos penetram 2,5 cm na pele e transmitem descargas elétricas de até 50 mil volts, porém com baixa corrente. Essas ondas eletromagnéticas atuam no sistema nervoso central e interrompem os sinais que o cérebro emite para o corpo. A pessoa atingida fica, então, paralisada durante alguns segundos. Seus músculos se contraem, ela treme e cai.

O choque pode afetar o corpo de duas maneiras:

* O coração se contrai pelo estímulo elétrico. Se uma carga elétrica cai num determinado ponto desse ciclo cardíaco, ela pode desencadear uma parada cardíaca. É por isso que, numa reversão de arritmia com choque, o desfibrilador tem de estar sincronizado com esse ritmo.

“Daí por que até um choque de tomada pode causar parada cardíaca, independentemente da amperagem ou corrente elétrica”, afirma o doutor Lichtenstein.

* Um choque intenso, como um raio, paralisa os músculos, inclusive o  diafragma, e pode causar parada respiratória. “Lógico que o choque do taser é  mais fraco do que um raio, mas vários disparos seguidos numa mesma pessoa podem, potencialmente, ter esse efeito”, expõe o médico.

“Mas não dá mesmo para garantir a inocuidade do taser?”, alguém talvez cobre.

A resposta é não.

Como no meio de uma briga de torcidas, por exemplo, dá para saber se o alvo tem ou não uma doença cardíaca grave? Impossível!

E se essa pessoa, na queda, bate a cabeça no chão? Ela pode não morrer do choque, mas do tombo.

“Além disso, abusando da idéia de que não é mortal, a polícia nos Estados Unidos, por exemplo, usa o taser com extrema frequencia, sem necessidade e com intensidade maior para atravessar a roupa”, alerta Lungarzo.

FACILIDADE DE TRANSPORTE E USO, SEM DEIXAR MARCAS EVIDENTES, FAVORECE MUITO O ABUSO

Nos EUA, segundo estudo da Anistia Internacional, de 2001 a agosto de 2008, 334 pessoas morreram após serem atingidas por taser.

“Ao contrário do que são retratados, os tasers não são armas ‘não letais’”, diz Angela Wright, pesquisadora da Anistia Internacional lá. “Como são fáceis de transportar e usar, sem deixar marcas significativas, facilitam muito os abusos.”

Um outro estudo da Anistia ns EUA, que inclui informações de 98 autópsias, descobriu que 90% das pessoas que morreram depois atingidas por “tiros” de taser estavam desarmadas e muitas não representavam ameaça grave.

Entre elas, muitas foram submetidas a choques repetidos ou prolongados ou por mais de um policial de cada vez. Em pelo menos seis dos casos, os tasers foram usados ​​em indivíduos com problemas de saúde, como convulsões, inclusive num médico que teve um acidente de carro após sofrer ataque epiléptico. Ainda meio tonto e confuso, começou a andar pelo acostamento. O policial mandou-o parar. Como não obedeceu, recebeu sucessivos “tiros”, por não obedecer a ordem. Policiais também têm usado os tasers em crianças, mulheres grávidas e até mesmo numa mulher com demência.

“As armas de eletrochoque, como os tasers, foram lançadas para o uso geral antes de testes rigorosos e independentes sobre os seus efeitos”, preocupa-se Angela Wright. “Estudos existentes – muitos deles financiados pela indústria – concluíram que o risco dessas armas é geralmente baixo em adultos saudáveis. No entanto, esses estudos são limitados e têm apontado para a necessidade de mais compreensão dos efeitos de tais dispositivos em pessoas vulneráveis, incluindo aquelas sob a influência de drogas estimulantes ou problemas de saúde.”

Não à toa a Anistia Internacional já pediu a todos os países que suspendam o uso dos tasers. Ou, pelo menos, reduzam drasticamente o seu uso.

“O taser deve ser usado apenas imobilizar ou desarmar o agressor, desde que ele esteja armado”, completa Lungarzo. “Não deve ser empregado para imobilizar alguém que foge, mas alguém que ataca.”

PS do Viomundo: Nesse domingo, 25, um homem de 33 anos morreu em Florianópolis (SC) após ser imobilizado pela pistola de choque.

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53 Comentários escrever comentário »

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Reprovo a aprovação das “armas menos-letais” – Anders Bateva

11/03/2017 - 14h53

[…] 334 pessoas. Um médico do Hospital das Clínicas, e professor da Unicamp (Arnaldo Lichtenstein) lembrou das pessoas com doenças cardíacas e marcapassos, mas alerta que mesmo pessoas saudáveis correm […]

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Wellington

25/01/2017 - 22h53

Se uma pessoa for atingida pelo tá ser e estiver segurando uma criança, a criança pode ser afetada?

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Reprovo a aprovação das “armas menos-letais” | Anders Bateva

11/07/2015 - 22h13

[…] 334 pessoas. Um médico do Hospital das Clínicas, e professor da Unicamp (Arnaldo Lichtenstein) lembrou das pessoas com doenças cardíacas e marcapassos, mas alerta que mesmo pessoas saudáveis correm […]

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Zelic: Ministra, até quando barbáries com armas não letais vão continuar? « Viomundo – O que você não vê na mídia

04/03/2013 - 23h04

[…] Dr. Arnaldo Lichtenstein: “Pistola de choque pode causar arritmia cardíaca e matar, sim” […]

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Marcelo Zelic: Em São Paulo, polícia está usando armas não letais contra os movimentos sociais « Viomundo – O que você não vê na mídia

21/08/2012 - 15h03

[…] Dr. Arnaldo Lichtenstein: “Pistola de choque pode causar arritmia cardíaca e matar, sim” […]

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Copa do Mundo não reduziu pobreza por onde passou « Viomundo – O que você não vê na mídia

18/07/2012 - 21h08

[…] Dr. Arnaldo Lichtenstein: “Pistola de choque pode causar arritmia cardíaca e matar, sim” […]

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Messias

09/05/2012 - 17h09

Será que a autora consegue contato com o Dr para saber se existe a possibilidade de utilizar essas armas de choque http://www.aliexpress.com/fm-store/605740/search?SearchText=defibrillator para serem utilizadas como um desfibrilador quando constatado total parada cardíaca?
Obrigado

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Marcelo Zelic: Acordem, ministros Maria do Rosário e Zé Eduardo Cardoso! « Viomundo – O que você não vê na mídia

09/05/2012 - 15h28

[…] Dr. Arnaldo Lichtenstein: “Pistola de choque pode causar arritmia cardíaca e matar, sim” […]

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Tortura Nunca Mais cobra regulamentação de armas menos letais « Jornalismo B Notícias

08/05/2012 - 00h09

[…] seja considerada uma arma não letal, a pistola taser pode matar, sim”, advertiu em matéria publicada no Viomundo o clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor colaborador do Departamento de Clínica Médica […]

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Tortura Nunca Mais cobra regulamentação das armas menos letais : DAR – Desentorpecendo A Razão

07/05/2012 - 01h33

[…] seja considerada uma arma não letal, a pistola taser pode matar, sim”, advertiu em matéria publicada no Viomundo o clínico geral Arnaldo Lichtenstein, do Hospital das Clínicas de São Paulo, professor colaborador do Departamento de Clínica Médica […]

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olhos de lince

27/03/2012 - 23h06

Infelizmente os chamados países" mais avançados",são todos xenófobos, usam de truculência contra migrantes e minorias,porque são preconceituosos e discriminm as pessoas sob todo tipo de pretesto.
Os brasileiros estão entre os rejeitados, sofrem literalmente na pele as agruras e a estupidez da polícia estrangeira,

Responder

    Jotace

    26/04/2012 - 16h48

    Oportuna, corajosa e necessária, a carta enviada à Ministra dos Direitos Humanos. A divulgação do documento, bem como as múltiplas informações coletadas pela Conceição Lemes, servem como uma grande e utilíssima advertência a todos os que lêem a matéria a fim de não cederem – como é o caso de outros países – à pressão do lobby de armas. Aproveito a oportunidade, já que o nosso chanceler parece que não pode cuidar realmente do assunto, solicitar à nossa Ministra dos Direitos Humanos suas distintas providências para evitar o que se passa com os brasileiros que têm o infortúnio de entrar na Espanha. Ler, a propósito, a matéria divulgada ontem dia 24, pelo Estadão e intitulada ‘Barrados na Espanha reclamam de maus-tratos’. Cordialmente, Jotace

macx

27/03/2012 - 14h34

Cadeira elétrica portátil !!!

Responder

lulipe

27/03/2012 - 13h15

O spray de pimenta pode matar;a tonfa pode matar; o cassetete pode matar; o bastão retrátil pode matar; o DCE (dispositivo de condução elétrica) pode matar…Que tal aparelharmos os policiais com caixas de chocolates e rosas para combater o crime???? Esse país se não existisse, mereceria ser inventado…

Responder

beattrice

27/03/2012 - 10h37

Outras "curiosidades", tasers são vendidos no Brasil até no MERCADO LIVRE!
A partir de R$ 40,00.
O uso LEGAL não é restrito às forças de segurança públicas, conforme se lê nesta nota: http://www.dpf.gov.br/agencia/pf-na-midia/jornal/
No exterior o debate sobre o enquadramento dos tasers como armas letais já gera consenso depois de vários acidentes fatais, sobretudo nos EEUU e no Canadá.
O fabricante original é: http://www.taser.com/
Nas opções de idiomas do site, alé do inglês e francês [convencionais] anuncia-se que em breve o site poderá ser acessado em PORTUGUES-BRASIL, a demanda de compra por brasileiros deve ser significativa.
Isto tem que ser regulamentado.

Responder

damastor dagobé

27/03/2012 - 09h34

pronto: mais um "profeta do passado" na área…

Responder

marcosomag

27/03/2012 - 07h33

É muito interessar constatar que no Brasil tudo é tão difícil ao Estado adquirir novidades tecnológicas para a saúde e educação. Mas, quando o assunto é repressão, nossos governantes estão sempre munidos das últimas novidades.

Responder

Gerson Carneiro

26/03/2012 - 20h19

Imaginem um disparo desse em um inocente que use marca passo.

Responder

Gerson Carneiro

26/03/2012 - 20h14

Uma curiosidade: o Brasil pode se tornar o maior exportador de armas não letais (balas de borracha e gás lacrimogêneo).

Atentem para o sadismo: a principal fabricante de arma não letais do Brasil chama-se "CONDOR Tecnologia não Letal".

No Bahrein um bebê de cinco dias de idade morreu sufocado por gás lacrimogêneo fabricado no Brasil.

Responder

    leandro

    27/03/2012 - 07h17

    Tá certo. E qual o armamento não letal que você sugere? No caso de um distúrbio, de uma perseguição a bandidos, o que a polícia deve usar? Bala de borracha não pode, gás não pode, taser não pode.

    abolicionista

    27/03/2012 - 09h13

    Por favor, defina "distúrbio".

    leandro

    27/03/2012 - 09h20

    Vários, brigas de torcida por exemplo.

    beattrice

    27/03/2012 - 10h18

    Esse nome tem alguma relação com a Operação CONDOR?

    Gerson Carneiro

    27/03/2012 - 18h37

    Diretamente penso que não mas acredito que seja uma alusão mal disfarçada.

Gerson Carneiro

26/03/2012 - 20h09

Nesse fim de semana houve uma morte no Paraná. O rapaz foi também alvejado por disparo desse tipo de arma feito por policiais. Mesma situação.

Responder

pperez

26/03/2012 - 19h14

Não sei o que é pior!
O caso do Jean Charlie ou do Roberto.
Arma não letal que mata ou de fogo mesmo o que importa é que ambos foram assassinados covardemente por ingleses e Australianos e não vao acontecer nada mesmo!
Porque o Ministerio da Justiça não se manifesta (ao menos?)

Responder

Jacó do B

26/03/2012 - 17h41

O taser deveria ser usado apenas por policiais do grupo de elite da corporação, pois eles são (?) treinados para agir em situações que exijam controle emocional por parte da polícia. Diferentemente do Detran-DF que comprou para seus Agentes, centenas desses "brinquedos" para "dialogar" com bebum. Viva o Brasil!

Responder

JOSE DANTAS

26/03/2012 - 16h50

O problema é o conceito sobre "legítima defesa": no nosso caso, até ameaça por telefone enseja "legítima defesa"; quando se trata "dos outros", só depois do primeiro tiro.
Um pedaço de pau, um cano de ferro, ou simplesmente uma pedra, as armas preferidas dos nossos "anjinhos", são mais letais do que isso aí, pois podem matar mesmo quem não seja cardíaco, a depender da brutalidade empregada pelo agressor.

Responder

Luca K

26/03/2012 - 15h46

Acho o Taser válido para o caso do policial ser agredido fisicamente. Melhor o Taser do q um tiro de 9mm nesses casos. O problema é q como bem destaca a matéria, os tasers são usados muitas vezes indiscriminadamente em situações em q o policial não corre qualquer risco. Por ex. nos EUA, houve o caso de uma senhora de 72 anos que recebeu disparos de taser. A mulher infrigiu o limite de velocidade e realmente usou de palavrões ao se dirigir ao policial. Mas isso em nada justifica o policial usar um taser contra a senhora. Pô, se um sujeito desse tamanho precisa de um taser pra lidar com uma senhora pequena de 72 anos então tá na profissão errada.
[youtube E1wmpm6v0Yc&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=E1wmpm6v0Yc&feature=related youtube]

Responder

Eduardo Guimarães

26/03/2012 - 15h32

Vou contar uma história. Uma de minhas filhas reside em Sydney. A polícia de lá atua desarmada, só com tasers e cassetetes. É uma polícia que dificilmente comete excessos.Aliás, na Austrália, crimes violentos ocorrem muito pouco. É um dos países mais seguros do planeta.
O problema é que, lá, droga é meio que liberada – ou tolerada. Há salas de uso seguro (postos de saúde em que viciados se drogam sob supervisão médica do Estado), inclusive.
Há muito filhinho de papai que vai para a Austrália com a desculpa de estudar inglês e se atira em uma vida de dissipação e consumo de drogas em baladas, festivais de rock etc.
A Austrália tem cerca de 20 milhões de habitantes. É um país do tamanho do Brasil. Apesar de Sydney ter cerca de 4 milhões de habitantes, a comunidade brasileira é um microverso, quase todo mundo se encontra de vez em quando.
Essa comunidade sabe que o rapaz que morreu havia se metido em um caleidoscópio de uso de drogas e bebidas e que estava fora de controle quando foi arrestado.
Minha filha diz que muita gente sabe, por lá, que mesmo que tenha havido algum excesso da polícia – que dificilmente se excede -, o estado de consciência em que o rapaz estava, as substâncias que ingeriu, devem ter contribuído para sua morte.
Além disso, o dia da morte do rapaz foi no Saint Patrick’s Day, ou Dia de São Patrício, um santo irlandês. Os irlandeses são tidos em Sydney como beberrões, drogados e briguentos. A polícia sempre tem que ser mais dura com eles. Como o brasileiro morto tinha aparência mais européia, o maior rigor com ele pode ter decorrido de terem pensado que era irlandês.
Entendo que é um caso doloroso. Tenho uma filha na Austrália e fiquei preocupado, mas, como ela disse, tendo o Brasil uma polícia que comete tantos abusos deveria se preocupar mais com o que ela faz, porque o caso desse rapaz não é como estão pintando.

Responder

    Gerson Carneiro

    26/03/2012 - 20h07

    Eu tinha visto já essa versão.

    A Polícia daqui também já começou a dizer que o rapaz que morreu no Paraná nesse fim de semana, também atingido por disparo dessa arma feito por policiais, pode ter morrido em virtude de ter consumido cocaína.

    Então é bom ficarmos atentos a essa alegação porque está provado aí na matéria que a arma é sim capaz de causar morte.

    Ademais, é estranho que seis policiais não foram capazes de dominar um rapaz drogado, se é que estava.

    Luca K

    27/03/2012 - 16h41

    Não sei os detalhes do q ocorreu no Paraná. Mas com relação à drogas, dependendo da droga usada, o cidadão fica com uma energia absurda e resistente a dor. No caso abaixo, o policial usou de quase tudo, golpes fortíssimos contra os genitais, cabeçadas q estouraram o nariz do doidão e o cara não parava, continuava indo pra dentro, tentando inclusive pegar a pistola do policial( q aliás, ao contrario de muitos policiais americanos q saõ obesos, estava em ótima forma física). É fácil falar, Gerson.

    [youtube -SJakYMWnnY http://www.youtube.com/watch?v=-SJakYMWnnY youtube]

chicorasia

26/03/2012 - 14h11

E o meu espanto quando vis os seguranças de um shopping daqui de Curitiba portando tasers?

Responder

Fabio SP

26/03/2012 - 12h23

Quem for a favor da velha bala no meio dos cornos…levanta a mão!!!

Responder

    JOSE DANTAS

    26/03/2012 - 16h42

    Dos outros, sim. Aliás, todo mundo pensa assim.

Marduk

26/03/2012 - 12h15

Se depender da anistia internacional a polícia tem que entregar um ramo de flores para os marginais quando estes reagem com armamento de grosso calibre.

Responder

Alberto

26/03/2012 - 12h06

TASER é marca. O nome correto, técnico e em português é DEC – dispositivo eletrônico de controle. Vamos prestigiar mais o idioma pátrio, por favor!

Responder

    abolicionista

    27/03/2012 - 09h21

    KKK, pobre flor do Lácio inculta e bela! KKK

    beattrice

    27/03/2012 - 10h45

    Além da "Taser International" há então outros fabricantes com outra denominação?

Marcelo Fraga

26/03/2012 - 10h57

É bom ressaltar que o termo "arma não-letal" só é usado nos meios de comunicação de massa aqui no Brasil (não sei se também em outros países).

Nos meios e publicações especializados, o termo é "less-lethal", aplicado ao taser, à "bala de borracha", ao gás lacrimogêneo, etc.

Responder

    beattrice

    26/03/2012 - 12h12

    Até porque a inalação de gases pode obviamente ser fatal a pessoas que tenham por exemplo algum problema respiratório.

Rogerio

26/03/2012 - 10h31

Uma pessoa foi morta com essa arma nesse final de semana em Florianópolis… Vai ser mais um assassinato sem consequência para seus autores..

Responder

Andre

26/03/2012 - 10h16

É muito melhor levar uma descarga do TASER que um tiro de 9 mm.

O que é mais fácil matar? Onde estão as estatísticas sobre a letalidade do taser?

Responder

Neto

26/03/2012 - 09h15

“O taser deve ser usado apenas imobilizar ou desarmar o agressor, desde que ele esteja armado”, completa Lungarzo. “Não deve ser empregado para imobilizar alguém que foge, mas alguém que ataca.”

Se alguém ataca, e armado, até parece que um policial usaria o taser contra uma arma de fogo… Ainda mais a uma relativa curta distância (11m), portanto, o taser é inútil até que se prove o contrário. Infelizmente, vidas foram perdidas para provar que a arma é letal. Num lugar sério, pra dizer o mínimo, a proibição seria imediata após a primeira morte e só voltaria após prova em contrário.

Responder

JOSE DANTAS

26/03/2012 - 07h53

Que bom para os policiais se os marginais usassem "tesers", ao invés dos atuais "binquedos", na hora que são perseguidos em fuga usando o carro que acabaram de nos tomar.
Quem se envolve em badernas e brigas de torcidas não deve ter problemas cardíacos graves, ou pelo menos não passa pela cabeça da polícia que possa ter.
Se isso tivesse acontecido aqui no Brasil seria um escândalo e tanto. Como foi lá fora a culpa é da arma, se fosse aqui seria da Dilma, enquanto isso alegam que a polícia ganha pouco para arriscar a própria vida, o que é uma verdade, porém os hipócritas querem que a polícia enfrente o crime armado e organizado de mãos abanando, porque pode acontecer um erro.

Responder

Paulo P.

26/03/2012 - 06h24

Racismo Francês e midiático

Mohamed Merah nasceu na França.

Portanto ele é Francês.

Tornou-se argelino por obra exclusiva dos racistas governantes da França.

Argelino e muçulmano por obra exclusiva da mídia racista.

Mohamed é o suposto assassino de 3 estudantes e um professor de uma escola judaica.

E de dois militares franceses de religião islâmica.

O suposto vai por conta de sua execução.

Poderia ter sido preso e julgado e aí todos saberíamos quem é esse infeliz e o que o levou a cometer, supostamente, os crimes.

Eu sou do tempo em que toda pessoa era inocente até prova em contrário.

Eu sou do tempo em que a mídia tinha alguma credibilidade.

Agora vejam como se comportam os racistas.

“Albert Camus é Francês”.

“Albert Camus é escritor brilhante”.

“Albert Camus é um dos orgulhos da França”.

Mas espera aí.

Se eu nasci no Brasil, sou o que?

Brasileiro, naturalmente.

Mohamed Merah nasceu na França.

Como ele pode ser argelino se nasceu na França?

Albert Camus nasceu na Argélia.

Como ele pode ser Francês se nasceu na Argélia?

Alguém explica?

E por falar em racismo…
http://www.youtube.com/watch?v=Q9vRM0k2TdA&fe
http://blogdobourdoukan.blogspot.com.br/

Responder

    beattrice

    26/03/2012 - 09h42

    Durante a transmissão a TV francesa assegurava que o governo Merkozy pretendia resgatá-lo com vida, claro.

    Valdeci Elias

    26/03/2012 - 12h45

    Aqui no Brasil, nós achamos importante o local em que a pessoa nasce, más muitos paises acreditam ,que
    os genitores são mais importantes que o local de nascimento. Existindo leis, que dizem até , apartir de qual geração seus decendentes adquirem a nascionalidade do país.
    Exemplo, se um casal do Kuwait vim morar no Brasil, nós aceitaremos seu filho como brasileiro, sem problemas. Já se um casal brasileiro for morar no Kuwait, seu filho não vai ser aceito e não vai ter os mesmos diteritos que um cidadão Kuwaitiano.

    Luca K

    26/03/2012 - 14h17

    Ocorre Paulo, q comparar o Brasil com outros países é um erro. Há muitos países, e NÃO apenas na Europa, q julgam a questão da nacionalidade de outra maneira. Esta está ligada a uma questão de sangue. Por isso eu, brasileiro mas neto e bisneto de italianos e alemães, teoricamente posso adquirir cidadania nesses países ao passo que imigrantes q lá vivem às vezes encontram maiores dificuldades. Fique a vontade para ver racismo nisso mas vejo uma lógica na coisa toda. E Albert Camus? Era um Pied-Noir, os pais eram europeus, o sujeito era nascido na Argélia, mas seus elementos constitutivos eram europeus. Não é o caso de – atente para o nome, incluindo o primeiro nome – Mohamed Merah. Merah era cidadão francês sim, mas de origem argelina e seus alvos foram selecionados em função(além de desequilibrado) de sua real identidade como um muçulmano que vê uma agressão ocidental e sionista(que de fato existe mesmo, não por motivo religioso claro) contra o mundo islâmico. Boa parte dos imigrantes na França tem fortes laços com sua cultura de origem. Isto causa inúmeros problemas. Resumindo, não são assimiláveis. A Esquerda no entanto, prefere viver no mundo de Alice no pais da maravilhas, quer mudar o mundo com suas engenharias sociais malucas ignorando a VASTA evidência empírica q mostra por exemplo q o multiculturalismo É UM DESASTRE. Sociedades multiculturais são barris de pólvora, balcanizadas entre grupos étnicos e sectários, presas fáceis de potencias imperialistas como os EUA(os EUA já começam a pagar o preço do multicult eles pro´prios ). Basta olhar para a maioria das nações do Oriente Médio. Há muitos interesses nada nobres por trás da industria do multiculturalismo. Além do mais, a hora dos europeus resistirem ao dilúvio de não europeus entrando em seus países é agora( ou talvez já seja tarde demais) pois se não o fizerem tornar-se-ão minorias em suas terras ancestrais num futuro não tão distante, o q equivalerá a um suicidio nacional. Na França, por ex, já há cerca de 5 milhões de muçulmanos. Isso é agravado pela baixíssima taxa de natalidade européia(comparada as altissimas taxas dos imigrantes). Demografia É TUDO. Lembremos dos índios das Américas. Habitantes autóctones das Américas que hj, em países como EUA, Brasil e Argentina constituem pequenas minorias. No Brasil, mesmo geneticamente, ficam bem atrás dos brancos e mesmo dos negros no mapa do DNA do brasileiro. Perderam a guerra demográfica.

    Rogério Leonardo

    27/03/2012 - 13h02

    Você esqueceu de alguns detalhes que invalidam sua tese xenófoba:

    Como nações que enriqueceram e se desenvolveram invadindo, conquistando e pilhando outras nações podem ter alguma legitimidade para defender a expulsão de imigrantes e o fechamento de suas fronteiras?

    Se formos trabalhar com seu tipo de lógica, deveríamos expulsar os descendentes de ingleses e franceses da América do norte, e os descendentes de espanhóis e portugueses da América do Sul, entregando a terra aos índios.

    Ademais, na realidade, os muçulmanos e outros grupos étnicos de imigrantes sofrem muito mais violência que os europeus e judeus, só que é a violência institucionalizada, promovida pela polícia e grupos xenófobos, são centenas de mortes por ano, porém, sem a repercussão de um atentado.

    Com certeza o multiculturalismo não é o problema e sim a intolerância.

    Ah, e o critério da nacionalidade somente pelo jus sanguinis é claramente xenófobo, pois impede que filhos de imigrantes (mesmo aqueles totalmente adaptados) que nasçam no país tenham reconhecida sua nacionalidade e consequentemente seus direitos de cidadania.

    abolicionista

    27/03/2012 - 09h20

    A França usa um critério medieval e racista para a obtenção da cidadania, simples assim. São xenófobos até o osso, têm medo e morrem de saudades do império. Por isso o governo adota medidas demagógicas como a recente expulsão dos ciganos, medidas que, economicamente, são nulas, mas que angariam a simpatia da pequena burguesia.

beattrice

26/03/2012 - 01h15

Se há risco letal, como parece comprovado, seu uso definitivamente não pode se aplicar a casos em que não esteja justificada a legítima defesa de si ou de outrem, como em qualquer outra arma letal.
Em tempo,
quem fabrica este absurdo?
Quem é o Senhor das Armas "taser" Conceição?

Responder

    Luiz Gubert

    26/03/2012 - 19h08

    Olá Beattrice,
    Dê uma olhada na matéria na Carta Capital de 14 de março de 2012 – http://www.cartacapital.com.br/internacional/pime
    Como cita no texto Cynara Menezes:
    "Para que tanta bala de borracha, tanto gás lacrimogêneo e tanto spray de pimenta? Estariam os governos se armando contra manifestações? Na criticada reintegração de posse da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), até o secretário nacional de Arti-culação Social, Paulo Maldos, foi atingido por uma bala de borracha. Na ocupação da Cracolândia, em São Paulo, também foi noticiado o uso do artefato. O mesmo ocorreu durante a greve dos PMs na Bahia, no mês passado. No carnaval de Salvador, noticiou-se que integrantes da Força Nacional que reforçavam o policiamento iriam utilizar armas “taser”, aquelas dos choques elétricos."

    Luiz Virgulino Gubert Netto

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