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Kenarik Boujikian: Cardozo não se porta à altura de um ministro de Estado

21 de maio de 2013 às 16h43

Ministra Gleisi Hoffmann:”Concordo que ela [a Funai] não tem critérios claros para fazer a mediação de conflitos [entre índios e agricultores], pelo envolvimento do órgão com a questão”. E a Embrapa e o Ministério da Agricultura não têm envolvimento direto com o agronegócio e os ruralistas?

por Conceição Lemes 

O governo da presidenta Dilma está em débito com os povos indígenas.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem está subordinada a Fundação Nacional do Índio (Funai), ilustra a situação.  Ele diz que o Ministério da Justiça cuida dos indígenas e a Funai não será esvaziada.

“Se cuidasse, não teríamos em 2011 apenas duas demarcações de terras indígenas”, rebate a desembargadora Kenarik Boujikian, desembargadora no Tribunal de Justiça de São Paulo e cofundadora da Associação Juízes para  a Democracia (AJD). “É o menor número da última década.”

Em 4 dezembro do ano passado, os dois lados se encontraram em Brasília, na Câmara dos Deputados.

Cardozo participava de audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Representantes de povos indígenas, na Comissão de Direitos Humanos. Em seguida, estes iriam entregar ao Executivo, Legislativo e Judiciário uma petição com 20 mil assinaturas, pedindo o cumprimento da Constituição Federal e  respeito a seus costumes, línguas, crenças, tradições e terras.

Antes que entrassem na sala, Cardozo saiu com esta:

Eu me recordo que é da tradição os ministros da Justiça dizerem que tratam da toga à tanga. E é verdade. Já, já, nós teremos aí a questão indígena que pertence ao Ministério da Justiça, a Funai.

 Confira a fala nos primeiros 45 segundos

“Ao se referir, em tom jocoso, aos povos indígenas como os de ‘tanga’, José Eduardo Cardozo revela preconceito e não se porta à altura de um ministro de Estado”, critica Kenarik. “O ministro não teve coragem de dizer isso na frente dos indígenas. Se o fizesse, o colocariam no devido lugar. Eles foram exigir o que está na Constituição, não foram pedir nenhum favor. Essa fala mostra por que a demarcação das terras indígenas não avança.”

Aliás, a demarcação pode se complicar. A Funai, segundo os funcionários, está em processo de sucateamento e desmonte.

No dia 8 de maio, a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann, compareceu à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, para “prestar esclarecimentos acerca de identificação e demarcação de terras indígenas no Brasil”.

Após ouvir deputados ruralistas chamarem a Funai de criminosa, vigarista, fraudulenta, incompetente, desonesta, Gleisi disse que há falhas no processo de demarcação de terras, colocando sob suspeição a competência da instituição naquilo que é sua atribuição. Durante a audiência,  repetiu várias vezes que a Funai é o órgão protetor dos índios.

“É errado dizer que a Funai é criminosa, mas concordo que ela não tem critérios claros para fazer a mediação de conflitos [entre índios e agricultores], pelo envolvimento do órgão com a questão [com os indígenas]”, afirmou a ministra durante a audiência convocada pela bancada ruralista. “Estamos construindo com vários órgãos do governo, em especial com a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], um sistema de informação para prevenção e gestão de conflito. Para tomar decisões em relação à demarcação de terras, vamos ouvir e considerar nos estudos, além da funai, o Ministério da Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério das Cidades, entre outros órgãos.”

“Queremos um mapa cartográfico sobre a ocupação do território. Queremos saber qual a produtividade na área, por quanto tempo os produtores tomaram crédito do governo, há quanto tempo há presença indígena porque os processos estão mais tensos agora sobre áreas antropizadas”, declarou Gleisi, candidata ao governo do Paraná nas eleições de 2014, primeiro Estado a ter as demarcações suspensas após parecer da Embrapa.

A ministra anunciou ainda que até o final deste semestre será definido um novo marco regulatório para os processos de demarcações das terras indígenas.

Era tudo o que os ruralistas queriam ouvir.

Dois dias depois, o ministro José Eduardo Cardozo reafirmou a decisão.

Em nota, a Comissão Pastoral da Terra repudiou a fala de Gleisi Hoffman: “afronta a Constituição”, representa a “submissão aos interesses do agronegócio” e “acaba por legitimar toda a violência empreendida contra os povos originários no país”.

Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o governo cede à pressão dos ruralistas: “A raposa no galinheiro”.

“A Embrapa e o Ministério da Agricultura – com atuações direcionadas para o fortalecimento do agronegócio – têm legitimidade para isso [demarcação de terras]?”, questiona o Cimi. “Quem vai ser a instituição que vai analisar as contribuições de todos os órgãos e dar a palavra final sobre a demarcação da terra?.”

Em tempos de Comissão Nacional da Verdade (CNV), impossível não lembrar aqui do Relatório Figueiredo, desaparecido até o final do ano passado.

Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP, foi quem o achou. Desde 2012, ele investiga os crimes cometidos contra os índios na ditadura.

“Fui ao Museu do Índio, no Rio de Janeiro, pesquisar nos seus arquivos uma cópia do filme Arara, de Jesco Puttkamer. Queria denunciar uma cena escabrosíssima sobre tortura, que prova a existência no país de escolas militares que ensinavam essa prática na época da ditadura”, conta Zelic ao Viomundo. “No meio da busca, funcionários do Museu me chamaram para mostrar 50 caixas de documentos que receberam em 2008. Ao abrir uma delas, descobri o Relatório Figueiredo. Durante muito tempo, achou-se que ele havia sido destruído num incêndio criminoso no antigo Serviço de Proteção ao Índio, subordinado ao Ministério da Agricultura. Felizmente, não foi.”

“Embora todos os arquivos dessa caixa tenham sido inventariados em 2010, a relação do conteúdo com tão importante Relatório não foi estabelecida à época”, diz Zelic. “Mas, ao abri-la, de cara, identifiquei a assinatura de Jader de Figueiredo Correia logo nas primeiras páginas. A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) solicitou então oficialmente uma cópia digital de toda a documentação. Auditamos. Era mesmo o Relatório Figueiredo. Foi emocionante.”

Parêntese: A imagem a que se refere Zelic é esta abaixo. Sugere que os indígenas eram ensinados a torturar durante a ditadura. Esta cena é da cerimônia de formatura da primeira turma da guarda indígena, em Belo Horizonte (MG), em 1970. Fechado parêntese.

Prossegue a nossa entrevista com Zelic.

Viomundo – Afinal, o que é o Relatório Figueiredo?

Marcelo Zelic – É um documento oficial produzido pelo Estado brasileiro entre novembro de 1967 e março de 1968. Ele é resultado de uma Comissão de Investigação do Ministério do Interior (CIMI), que foi presidida pelo procurador federal Jader de Figueiredo Correia. Daí se chamar Relatório Figueiredo.  É um dos principais documentos sobre as violações de direitos indígenas no Brasil tanto em relação aos direitos humanos quanto às usurpações patrimoniais e territoriais.

Viomundo – O que motivou essa investigação?

Marcelo Zelic – Em 1963, ainda no governo do ex-presidente João Goulart, teve início no Congresso Nacional uma CPI para apurar denúncias contra o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), que era um órgão do Ministério da Agricultura.

“O índio, razão de ser do SPI, tornou-se vítima de verdadeiros celerados que lhe impuseram regime de escravidão e lhe negam um mínimo de condições compatíveis com a dignidade da pessoa humana”, diz o Relatório Figueiredo. “O Serviço de Proteção ao Índio se degenerou a ponto de persegui-los até o extermínio.”

O procurador Jader de Figueiredo verificou que a CPI do SPI  havia debruçado sobre um período curto – anos 1962/1963 – e apenas parte da Amazônia e do antigo Estado de Mato Grosso. Decidiu então ampliar a investigação de modo que pudesse percorrer as várias regiões do país.

No início dos trabalhos, um incêndio criminoso atingiu a sede do SPI no Ministério da Agricultura, queimando quase a totalidade da documentação ali reunida. Essa foi uma das razões pelas quais as investigações passaram a priorizar as visitas às regiões em busca de depoimentos e documentos.

Viomundo — Quais as principais revelações do Relatório?

Marcelo Zelic — O Relatório Figueiredo aponta nove tipos de crimes. Eu vou destacar apenas os relacionados aos direitos humanos: assassinatos de índios  — individuais e de tribos; prostituição de índias; sevícias (torturas); trabalho escravo; usurpação do trabalho do índio; apropriação e desvio de recursos oriundos do patrimônio indígena; e dilapidação do patrimônio indígena.

Neste último item, incluem-se: venda de gado, madeira, castanhas e outros produtos de atividade extrativista, artesanato indígena, veículos, doação criminosa de terras..

Diz Jader de Figueiredo Correia em seu Relatório, “citaremos, entre outros as chacinas do Maranhão, (índios Canelas) onde fazendeiros liquidaram toda uma nação, sem que o SPI opusesse qualquer ação. O episódio da extinção da tribo localizada em Itabuna, na Bahia, a serem verdadeiras as acusações, é gravíssimo. Jamais foram apuradas as denúncias de que foi inoculado o vírus da varíola nos infelizes indígenas para que se pudessem distribuir suas terras entre figurões do Governo. Mais recentemente os Cintas-Largas, em Mato Grosso, teriam sido exterminados por dinamite atirada de avião e extricnina adicionada ao açúcar enquanto os mateiros os caçam a tiros de “pi-ri-pi-pi (metralhadora). Os criminosos continuam impunes…”

Viomundo Essas ações aconteceram antes ou durante a ditadura?

Marcelo Zelic — O Relatório Figueiredo apresenta casos do começo dos anos 1960 até 1968. O golpe militar aprofundou a situação de vulnerabilidade dos indígenas brasileiros e elevou a ocorrência de violações de direitos.

Por exemplo, o major aviador Luis Vinhas Neves, nomeado pelo general Castelo Branco como diretor do SPI, é apontado como responsável do extermínio de duas aldeias Pataxós na Bahia, para beneficiar políticos de expressão nacional à época. Em função dessas investigações, o SPI foi extinto.

Viomundo – Essas violências foram cometidas pelos próprios funcionários do SPI?

Marcelo Zelic —  Por eles, mas também por fazendeiros. O SPI fazia vista grossa aos crimes cometidos contra os povos indígenas.

Viomundo – Além da extinção do SPI, teve outros desdobramentos?

Marcelo Zelic – Sim, tanto no Legislativo federal como no Judiciário. Só que as ações acabaram abortadas pela edição do AI-5, em 1968. Os crimes praticados pela ditadura a partir da criação da Funai ainda estão em estudos. Sobre esse período ainda pesa um silêncio profundo.

Viomundo — Essas questões serão tratadas na Comissão Nacional da Verdade?

Marcelo Zelic — Cópia do Relatório Figueiredo e dos autos do processo com mais de  7 mil páginas foi enviada à Comissão e hoje faz parte do estudo que ela realiza.

Cabe-nos estudar e sistematizar todas as denúncias contidas nesse documento. Pelo menos 33 pessoas citadas (várias funcionárias do SPI) tiveram envolvimento com violações graves de direitos humanos, que acabaram acobertadas pelo regime militar. Essas denúncias nunca foram apuradas nem os processos judiciais concluídos.

Viomundo -- Semana passada a ministra Gleisi  Hoffmann disse que a demarcação de terras indígenas serão tratadas não apenas pela Funai, mas também pela Embrapa, Ministério da Agricultura, entre outras instituições. O que acha disso?

Marcelo Zelic — Caso se confirme o desmonte das prerrogativas constitucionais  da Funai,  será um enorme retrocesso. Questão indígena tratada por órgãos ligados ao agronegócio não dá certo. O índio sai perdendo. É voltar ao passado. O Relatório Figueiredo é um alerta.

Seria interessante que a ministra Gleisi Hoffmann e o ministro José Eduardo Cardozo lessem-no. O Relatório completo tem mais de 7 mil páginas. Mas existe uma síntese com apenas 68. Foi elaborada pelo próprio procurador Jader de Figueiredo. O Viomundo é o primeiro veículo a publicar a íntegra da síntese do Relatório.

[Gostou? Ajude o Viomundo a denunciar a situação dos awá-guajá no Maranhão, clicando aqui]

Relatório_Figueiredo by Conceição Lemes

O Relatório Figueiredo completo, com mais de 7 mil páginas, pode ser AQUI. Dica do pesquisador Manuel Caleiro. 

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Portaria 303 da AGU afronta os direitos dos povos indígenas

 

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Combate Racismo Ambiental » À Dilma: Desqualificação da Funai repete último governo militar

04/06/2013 - 11h35

[…] um IPM é instaurado para apurar o roubo de terras indígenas, em 1968 o Relatório Figueiredo [leia-o aqui], recentemente localizado, aponta inúmeras violências e esbulhos de suas terras e renda, […]

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À Dilma: Desqualificação da Funai repete último governo militar - Viomundo - O que você não vê na mídia

03/06/2013 - 21h00

[…] um IPM é instaurado para apurar o roubo de terras indígenas, em 1968 o Relatório Figueiredo [leia-o aqui], recentemente localizado, aponta inúmeras violências e esbulhos de suas terras e renda, […]

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J Souza

24/05/2013 - 02h36

O problema do Brasil são os “ratos”, que destróem o antigo e não constróem nada novo.
E o PT, tão avesso às críticas dos movimentos sociais, ao invés de combater os “ratos”, muitas vezes se alia a eles…
Tão “PSDB”…
E, nas eleições, os “sujos” falarão dos “mal lavados”…
Nesse país, o povo não tem para onde correr… Só lhe resta lutar… Se acordar a tempo… Se ainda houver tempo…

Responder

renato

23/05/2013 - 18h19

EM SUMA!
O que fazer com nossos avós.
Já estão enchendo o saco, e o único terreno
que quero entregar a eles e o do Cemitério.
Mas há ainda uma pendenga, não sabemos se terá
dois andares. Afinal dá para colocar duas ossada na
mesma gaveta!
E depois, eles agora querem, andar pela cidade, ir ao
shopping, e ficam gastando o meu dinheiro, deveriam
economizar, para depois ter como pagar seu funeral.
Ficam dizendo, para as visitas, como conquistaram as
suas riquezas, que agora, INVOCARAM, de gastar.
Vê se tem cabimento! O terreno do meu tio – avô, ele quer
ficar com a criação, galinhas, porco, cavalo, vaca, precisamos
internar ele, já não tem forças..Esta todo enrugado!
PAI…!! O QUE? FALA FILHO!!!!….

Responder

Bonifa

23/05/2013 - 12h56

Em um programa de TV sobre índios em terras muito afastadas no estado do Amazonas, observamos a preocupação e o grande interesse do cacique em dispor de um mapa confiável da região pertencente à sua tribo. Segundo ele, o mapa que lhe deram, baseado em dados de satélite, estava não apenas errado em muitos aspectos físicos como também ressaltava pontos que podem ter interesse para os brancos, mas para os índios são pontos de interesse secundário. Por outro lado, os inúmeros pontos de alto interesse para os índios, como áreas de incidência de caça, terras férteis de roças ou plantas de coleta, ou caminhos principais e até aldeias, não constavam do mapa. Ele estava tentando por conta própria colocar no mapa estes pontos.

Na verdade, um levantamento completo da região indígena demarcada, geológico, altimétrico e planimétrico, e um zoneamento de áreas propícias a esta ou aquela cultura econômica, deveria ser fornecido aos índios pelo Governo Federal. Mas não apenas isso. Também deveria ser discutido com eles e especialistas como economistas, geógrafos, sociólogos e outros técnicos, um planejamento integrado de toda a área, abrangendo aspectos de segurança, fontes de energia, ocupação, preservação e sobretudo de exploração econômica sustentável. É isso que precisaria ser feito nas áreas indígenas, este é o caminho certo para promovê-las, e não custaria muito; apenas consciência da dimensão e profundidade do problema, decisão política e gente capacitada.

Responder

claudio

23/05/2013 - 12h07

Eu acho essa discussão um pouco maniqueísta. Esperava desse pessoal do PSOL menos infantilidade e um pouco mais de clareza nos debates.
Será que a Funai tem mesmo competência para decidir sozinha o tamanho e o local das áreas a serem demarcadas? Será que não existem outros interesses por traz disso também?
Claro, defender as minorias soa progressista e politicamente correto, mas até agora não consegui enxergar com clareza essa situação. Então quer dizer que a Funai decide que tal área pertence aos índios e pronto, todo mundo que mora lá tem que sair, mesmo que esteja investindo lá há décadas, é isso? A Funai tem esse poder todo? Não tem contestação. Ah mas tem o relatório Figueiredo.
Esses dias passou no Jornal Nacional uma reportagem sobre jovens índios tocando terror, drogados e bêbados numa cidade do interior, que não consegui identificar , pois peguei no meio. Com toda a reserva quanto à Globo, pois sabemos quais interesses defendem. Mas é um fato, os índios não tem nenhuma assistência da Funai, jovens índios sem estudo, se drogando, completamente perdidos. Então entrevistaram uma funcionária da Funai, que além de desculpas esfarrapadas, não disse coisa com coisa.
Mas e a Funai não existe justamente para cuidar dos índios. Ou eles cuidam das terras dos índios? Alegam que a reserva tem 17 mil hectares. Isso é uma imensidão habitada não só por latifundiários mas por muitos brancos com pequenas propriedades que lutam também contra o assédio dos grandes. Existe o conflito e me parece que a Funai não tem competência para enfrenta-lo sozinha.
Porque a Funai e as organizações indígenas não apresentam projetos de desenvolvimento sustentável nas reservas, como agro florestas e agricultura familiar, por exemplo, em vez de reivindicar terras e mais terras. Parece que a ideologia é mais importante que as pessoas.
Ainda botaram o Paulo Bernardo no meio pra variar.

Responder

Malvina Cruela

23/05/2013 - 10h52

“Não nutro mais respeito pelo grupo dominante do PT. Muito menos pelo governo Dilma”
meu deus do céu..parem as rotativas.. talvez o sol nem nasça amanhã depois dessa declaração apocalíptica!!!!!!!!!!!!!!!!
estamos estupefactos…como o governo vai se sustentar agora??????
salve-se quem puder…já estou correndo para o abrigo antiaéreo que tenho aqui em casa..quem tem juízo faça o mesmo.

Responder

Girolando Mathias

23/05/2013 - 07h59

Nada é tão ruim que o PT não possa piorar.

Responder

carlos saraiva e saraiva

22/05/2013 - 17h47

A crítica, a discussão, as contradições e as limitações e ou autolimitações que são colocadas para um governo de esquerda, são justas, necessárias e devem ser feitas. Acho, no entanto que muitas vezes somos pautados, por nossas posições, corporativas, de crença, ou mesmo pessoais, deixando de fazer o verdadeiro embate que é politico-ideológico.Devo dizer , que não vi, nas declarações do M. da Justiça, nem da M. da Casa Civil, nada que desrespeitasse, os povos indígenas e nem intenções contra as demarcações das terras indígenas. Respeitosamente, a desembargadora, pinçou uma frase do Ministro e a desqualificou, seguindo um “senso comum, moralista, politicamento correto”. O Ministro, ao dizer que seu ministério, defende da “toga à tanga”, ofendeu quem? O magistrado não usa toga e o indio não usa a tanga? Convenhamos, dizer que o Ministro não é digno do cargo, por esta colocação, é no mínimo, forçar a barra retórica para fazer o enfrentamento politico. O mesmo nas declarações do CIMI e do representante da Comissão de Justiça e Paz.A necessidade de ampliar, com outros órgãos, como Embrapa e M. da Agricultura, para reavaliar, critérios de demarcação , junto com a FUNAI, me parece justo , e não pode ser dito, que a FUNAI, defende os interesses dos indios e a EMBRAPA e M.Agricultura, os interesses do Agronegócio. Esta colocação maniqueista, envolve um cunho sectário à discussão. Concordo que precisamos, lutar, por uma justiça com os povos indigenas.Concordo , que precisamos, aprofundar a discussão da politica fundiária, avançando na reforma agrária. Concordo, que não podemos ficar refem dos interesses dos latifundiários e em especial, discutir a desnacionalização de nossas terras. Acho, porem que o contraponto, Agronegócio/ Agricultura familiar, me parece equivocado. Acho que os indios, devem ser respeitados, mas não infantilizados e tratados como, por um lado incapazes e por outro , intocáveis.

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Carlos Tautz: A explosão da bomba no Riocentro seria para queima de arquivo? - Viomundo - O que você não vê na mídia

22/05/2013 - 17h24

[…] Kenarik Boujikian: Cardozo não se porta à altura de um ministro de Estado […]

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Juiz: 'Me esforço muito para o noia não me chamar de canalha e mandar eu ...' - Viomundo - O que você não vê na mídia

22/05/2013 - 15h50

[…] Kenarik Boujikian: Cardozo não se porta à altura de um ministro de Estado […]

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Roberto Locatelli

22/05/2013 - 15h22

Espero que, dos grupos mais à esquerda do PT, nasça um novo PT, ou até mesmo um novo partido.

Nosso apoio a Dilma é um apoio crítico. Com Cardozo, Gleisi Hoffman, Helena Chagas e Paulo Bernardo, só apoiamos Dilma porque o outro lado é pior ainda.

Responder

Jotage

22/05/2013 - 13h50

O cruzamento do Cardoso com a Gleisi produziria uma ameba ultra capitalista.

Responder

Marcelo Zelic: O eterno retorno do mesmo - Viomundo - O que você não vê na mídia

22/05/2013 - 10h43

[…] Kenarik Boujikian: Cardozo não se porta à altura de um ministro de Estado […]

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everaldo

22/05/2013 - 10h36

Estão fazendo tempestade em copo dágua, já vi esse filme em 96 quando editaram o Decreto 1775, que os detratores de então hoje defendem ferozmente.

Responder

anac

22/05/2013 - 10h26

Sensacional vídeo de Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito na Bahia em Congresso Internacional sobre drogas, leis, saúde e sociedade pescado no Blog do Saraiva. Imperdível. Começa lendo o texto de sua autoria quando do recolhimento pela policia de drogados nas ruas: Eu quero ter direito ao inferno…
http://saraiva13.blogspot.com….

Responder

Mardones

22/05/2013 - 09h35

Não nutro mais respeito pelo grupo dominante do PT. Muito menos pelo governo Dilma.

Eduardo Cardozo, Paulo Bernardo, Helena Chagas, Gleisi Hoffmann e cia ltda – salvo raríssimas exceções – poderiam estar num governo do PSDB-DEM-PPS que não fariam diferença.

Ano após ano, quem acompanha o governo tem noticiado o tombamento do governo na direção direitista (conservadora).

E o Rui Falcão inicia a nova ‘chantagem eleitoral': o PT precisa levantar a bandeira das reformas tributária, política e a regulação da mídia. k k k

É uma conversa para falso-progressista nenhum botar defeito.

Responder

Jose Mario HRP

22/05/2013 - 08h59

E esse aqui, está a altura de ser presidente do Brasil!
Pó para!

http://web.archive.org/web/20100724092328/http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090228/not_imp331197,0.php

Responder

Luis Fernando

21/05/2013 - 22h00

Não culpem a Dilma. Afinal, esse incompetente é um “ministro dantesco”. O que está por trás dele, são “coisas dantescas”. Se ele sair do ministério, a “bancada dantesca” dará o grito. E dentro dessa bancada, tem gente de apoio ao governo. A demarcação de terras indígenas só não evolui, porque abaixo de terras indígenas tem muita riqueza mineral estratégica que desperta “interesses dantescos”. Infelizmente, temos que aturar certas figuras políticas bem no centro do poder, pois o que os tornam poderosos, são “forças ocultas dantescas”.

Responder

Oliveira

21/05/2013 - 21h37

PF confisca equipamento de jornalista que cobria ocupação indígena.Constrangimento, abuso de autoridade. E aí, Sr. Ministro da Justiça?
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZRlHeOzENvI

Responder

O DOUTRINADOR

21/05/2013 - 21h32

Respeito e considero muito a Presidenta Dilma, MAS QUEM ESCOLHE, NOMEIA E DEMITE MINISTRO AINDA É ELA. Então a culpa È EXCLUSIVAMENTE DA PRESIDENTA DILMA. Como dizia o Ex deputao Mario Juruna: “Se Patrão é BOM, Manda empregado RUIM Embora, Se fica com empregado RUIM, Patrão é PIOR que EMPREGADO”.

Responder

Urbano

21/05/2013 - 21h28

A Blogosfera Progressista sabe disso, ó… faz tempo. Pior, donde se encontra esse, há de cacho do mesmo naipe.

Responder

Jeca Tatu

21/05/2013 - 21h26

Esse tal de Cardozo é um dos tucanos disfarçados dentro do governo petista. Tem mais, o Pimentel, o Aloizio e mais alguns. Se fosse pela cabeça deles,a Dilma não seria a presidenta agora.

Responder

lorivalmagnoni

21/05/2013 - 20h35

HÁ anos desde que que comecei votar sempre procurei candidatos que aos menos tivessem um discurso alinhado com a democracia e o comprometimento com as questões de interesse da maioria. Mercadante, Cardozo,Suplici e Dilma já receberam meu voto. Mas com o desenrolar dos fatos tenho visto que estes escolhidos estão me levando a ficar cada vez mais descrente com os políticos brasileiros, reforçando uma frase dita por velho amigo; “Infeliz o homem que acredita nos políticos” .

Responder

Fábio

21/05/2013 - 20h25

Segundo o Mino Carta, o PT esqueceu os trabalhadores.
O PT aprendeu com o DEM, PSDB.
Envergonho-me de ter sido filiado e militante.

Responder

    Julio Silveira

    21/05/2013 - 20h52

    Não se envergonhe não Fábio, a coisa boa no PT foi você. Infelizmente para a cidadania esses que estão fazendo esse novo PT não tem vergonha.

Gersier

21/05/2013 - 19h52

É, a Presidenta está bem de “ministros”.
Hibernado é um deles.

Responder

Julio Silveira

21/05/2013 - 19h18

O Cardoso deve ser o queridinho de alguem, tem apoio ferrenho do governo, deve ter um padrinhão.

Responder

Francisco

21/05/2013 - 19h09

Se os genocidios indigenas chegarem aos orgãos internacionais teremos uma reavaliação profunda do significado da ditadura brasileira e do combate ao comunismo (comunismo primitivo).

Coisa de Polpot…

Fico me perguntando o que fará o ministro pateta, a ministra miss e a presidente muda se os indios brasileiros fizerem o óbvio: cansarem desse papo besta de ser “brasileiro”, se aliarem ao narcotráfico e fizerem “uma, duas, três muitas FARCS”.

O PT vai ficar de que lado?

Ou o mais óbvio ainda: negociarem o subsolo com potências e/ou empresários estrangeiros em troca da emancipação politica.

Ainda bem que índio não vota, né…

Responder

Julio Silveira

21/05/2013 - 18h51

É engraçado ver como se portam alguns dos nossos ditos progressistas, decendentes dos colonizadores expropriadores e dilapidadores dos tesouros da terra Brasil. Sequer aceitam os minimos direitos dos verdadeiros merecedores desta terra, os que desde a mais remota antiguidade já estavam por aqui vivendo, sobrevivendo e cuidando deste imenso território por eles chamado de Pindorama. Depois se dizem contra o imperialismo de outros paises mais fortes. Dizem falar em nome da patria, mas só repetem chavões que qualificam os interesses particulares dos exploradores. Sem noção e sem consequência, puro egoismo.

Responder

    Neotupi

    22/05/2013 - 13h56

    Apoiado. Agora, por coerência com seu discurso, nós aqui da tribo queremos a casa em que você mora, pois foi construída em terras originalmente indígenas. Queremos demarcar a cidade de São Paulo como reserva indígena, e os paulistanos descendentes de imigrantes devem pagar royalties à nós índios para continuar explorando a economia paulistana na nossa reserva, e pagar aluguel a nós por morarem em terras que eram nossas.
    Entendeu agora onde há dificuldade em demarcar os limites das reservas?
    De fato há invasores e conflitos recentes em algumas áreas que precisam ser removidos, mas outras áreas reivindicadas que já estão ocupadas pelo homem dito civilizado há décadas ou séculos e nunca foram reivindicadas antes, mas passaram a ser reivindicadas agora, é razoável analisar caso a caso. A discussão não está nas reservas indígenas em si existirem, e sim até onde elas vão.

    Marcio H Silva

    23/05/2013 - 22h26

    Qual a densidade demográfica destas reservas, considerando somente povo indigena?
    Porque no norte do país as ONGs estrangeiras tem acesso irrestrito as reservas indígenas e nem o exercito Brasileiro pode entrar nestas reservas sem autorização judicial?
    Quem e porque levou caciques para Paris a fim de reclamar do Governo Brasileiro?
    Quais interesses tem as ONGs estrangeiras nas reservas indígenas?

Marcio Wilk

21/05/2013 - 18h07

Não adianta demarcar terras, os índios querem o que os brancos tem, a tecnologia da vida moderna, eles vem pras cidades atrás de dinheiro e vida boa, eles não tem dever nenhum, somente direitos. O Exército é que deve cuidar das áreas indíginas!

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    renato

    23/05/2013 - 18h16

    EM SUMA!
    O que fazer com nossos avós.
    Já estão enchendo o saco, e o único terreno
    que quero entregar a eles e o do Cemitério.
    Mas há ainda uma pendenga, não sabemos se terá
    dois andares. Afinal dá para colocar duas ossada na
    mesma gaveta!
    E depois, eles agora querem, andar pela cidade, ir ao
    shopping, e ficam gastando o meu dinheiro, deveriam
    economizar, para depois ter como pagar seu funeral.
    Ficam dizendo, para as visitas, como conquistaram as
    suas riquezas, que agora, INVOCARAM, de gastar.
    Vê se tem cabimento! O terreno do meu tio – avô, ele quer
    ficar com a criação, galinhas, porco, cavalo, vaca, precisamos
    internar ele, já não tem forças..Esta todo enrugado!
    PAI…!! O QUE? FALA FILHO!!!!….

Tomudjin

21/05/2013 - 17h59

De estado de direito, diga-se de passagem.

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