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Graziano: Falta de água é o maior entrave ao crescimento da produção de alimentos


28/10/2011 - 13h48

BBC Brasil, via Agência Brasil

Brasília – O futuro diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, disse que a necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará a busca por recursos naturais, principalmente pela água. Graziano assume o posto no primeiro semestre de 2012.

“A água se tornou o maior entrave à expansão da produção [de comida], especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana”, disse Graziano, que atualmente é diretor da FAO para a América Latina e foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela implementação do Programa Fome Zero.

Segundo Graziano, apesar da pressão sobre os recursos naturais, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos.

“Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos”, disse o futuro diretor-geral da FAO. “Desperdiçamos muita comida hoje não só na produção, mas também no transporte e no consumo”. Segundo Graziano, enquanto a comida é mal aproveitada em nações ricas, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome em países emergentes.

“Precisamos assegurar que esse 1 bilhão de pessoas sejam alimentadas, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles.”

Graziano ressaltou ainda que que programas de transferência de renda, como o Bolsa Família no Brasil, atendem cerca de 120 milhões de pessoas na América Latina, ajudando a combater os índices de fome na região. Para ele, o ideal é ampliar essas ações para outros países afetados pela falta de alimentos, especialmente na África.

O futuro diretor-geral da FAO disse também que o estímulo à produção de alimentos tradicionais ajuda a diversificar a fonte de alimentos. “Hoje caminhamos para ter poucos produtos responsáveis pela alimentação de quase 7 bilhões de pessoas. Precisamos diversificar essa fonte, criar maior variabilidade.”

Segundo ele, a prioridade dada a alimentos cotados em mercados internacionais tem feito com que a América Latina, por exemplo, venha perdendo a capacidade de produzir feijão – um alimento tradicional altamente nutritivo, produzido a um custo baixo.

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6 comentários

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Roberto Locatelli

28 de outubro de 2011 às 19h24

Julio, já que você perguntou, vou dar alguns dados que incomodam. Esses dados são do blog do vereador Claudio Ponciano:
http://claudioponciano.blogspot.com/2010/03/sao-n
____________
O Brasil é o maior "exportador” de água virtual do mundo – John Anthony Allan

IHU On-Line – O senhor pode explicar o conceito de “água virtual”? Como fazer o cálculo de quanto cada produto consume de água?

John Anthony Allan – Os alimentos e outras commodities necessitam de água para serem produzidos. As commodities alimentícias possuem um teor de água particularmente grande. Por exemplo, as seguintes quantidades de água são necessárias para produzir 1 quilo de:

Trigo: 1.300 litros
Milho: 900
Arroz: 3.400
Carne de frango: 3.900
Carne de porco: 4.800
Carne de ovelha: 6.100
Carne de gado: 15.500
Algodão: 11.000

Ou a seguinte quantidade de litros de água é necessária para produzir 1 unidade dos seguintes produtos:

Um litro de leite: 1.000 litros
Uma xícara de chá: 30
Uma xícara de café: 140
Uma folha de papel: 10
Uma fatia de pão: 40
Uma maçã: 70
Uma camiseta: 2.700

A água embutida nisso é chamada de água virtual.
__________

Fiz um comentário sobre essa notícia:

Prezado Vereador.

Fiz uma outra conta:

A cada minuto que ficamos no chuveiro, gastamos, em média, 7 litros d'água.

Se a pessoa A toma banhos de 5 minutos diários mas, por outro lado, consome 400 gramas de carne bovina por dia (200 g no almoço e 200 g no jantar), ele consumirá, por ano, cerca de 2.300.000 litros (mais de 2 milhões de litros!!)

Se a pessoa B não consome carne bovina mas deixa seu chuveiro aberto 10 horas por dia (!!) todos os dias do ano, gastará 1.500.000 litros, ou seja, pouco mais do que a metade da pessoa A.

Conclusão: o consumo de carne bovina é tão insustentável que ele perde até quando o comparamos com 10 horas de chuveiro aberto por dia!!

Responder

Roberto Locatelli

28 de outubro de 2011 às 18h03

O Tea Party (a extrema-direita dos EUA) diz que aquecimento global não existe, que é invenção de comunistas.

A China "comunista" (?) diz que aquecimento global não existe, que é invenção de capitalistas.

Enquanto isso, o ser humano está torrando todos os recursos do Planeta. A conta vai chegar, baby.

Responder

fernandoeudonatelo

28 de outubro de 2011 às 16h00

Depois da eclosão da crise financeira global de 2008, especuladores retiraram seus recursos de ativos de altíssimo risco e apostaram nos papéis de commodities (especialmente em mercado futuro), puxando as cotações para cima. O índice de preços de alimentos da FAO, marcava 234 pontos em junho passado, 39% acima do registrado no mesmo mês de 2010.

Outro ponto importantíssimo, seria o levantamento de fundos para um programa de recuperação mundial em infra-estrutura de abastecimento e irrigação agrícola, direcionados para os países com situação mais grave.

Na rede de distribuição rural, projetos como mercados em aldeias e supermercados de produtos agrícolas, com a criação de corredores de escoamento.
Acontece, que a maioria desses Estados têm dificuldade de manter até políticas públicas relativamente simples, como coleta de lixo, pois a esscasez do financiamento levou a uma falência institucional.

Responder

julio

28 de outubro de 2011 às 15h44

existe algum estudo, que estabeleça uma relação entre a produção da pecuária de corte e a produção de grãos em função da área necessária para ambas atividades? Hoje tomamos um banho diário de sangue por causa da pecuária de corte. Será que não seria mais interessante plantar? Mais saudável, em todos os sentidos.

Responder

ZePovinho

28 de outubro de 2011 às 15h41

Na chamada de página,Azenha,está que ele assume em 2112.Erro de digitação pois é 2012.

Responder

    Conceição Lemes

    28 de outubro de 2011 às 16h42

    Obrigadíssima, ZePovinho. Acabei de corrigir. abs


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