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Emir Sader: A crise de credibilidade da velha mídia


27/07/2012 - 18h36

Jornais e revistas da velha mídia brasileira fazem reformas gráficas, cobram páginas na internet, dão brindes, mas ficam longe dos principais problemas que os têm levado a essa crise irreversível.

O problema central da decadência da velha mídia é a falta de credibilidade. Não apenas porque tem sistematicamente apostado editorialmente nos candidatos derrotados, como se fossem órgãos dos partidos opositores, mas também porque nem sequer tem, nas suas páginas, o mínimo de pluralismo, que permita aos leitores confrontar pontos de vista distintos.

São os mesmos colunistas, com pontos de vista muito similares, que povoam as chatíssimas páginas da mídia brasileira. (O mesmo acontece no rádio e na tv privados.)

A impressão que dão é que seus pontos de vista – nos editorais e nos artigos, muito similares entre si – é que seus argumentos são tão frágeis, que têm medo de se ver confrontados com perspectivas diferentes. Escudam-se então no monopólio dos seus argumentos, como se ainda estivéssemos nos tempos em que ocupavam totalmente o espectro da formação de opinião pública e contavam com governos que concordavam em tudo com eles.

Não haverá recuperação dessa velha mídia, que caminha inexoravelmente para a intranscendência, até porque os jovens não leem mais jornais, usam a internet. A velha mídia oscila entre tentar desqualificar as mídia virtuais ou concorrer com elas.Nenhum dos dois caminhos dá certo.

Com que moral essa velha mídia – que apoiou o golpe militar, esteve com a ditadura, o Sarney, o Collor e o FHC – vem falar da falta de credibilidade das mídias alternativas? Como querem concorrer, se nas mídias alternativas estão justamente os analistas e as interpretações que eles excluem dos seus espaços?

É uma perda que jornais que já tiveram um papel progressista no passado, tenham se transformado em órgãos de direção política e ideológica de uma oposição conservadora, sem rumo e sem apoio popular. Que tenham se partidarizado tão fortemente, que editorializem toda a publicação, que percam qualquer interesse para o debate democrático e pluralista.

Mas, na verdade, a decadência vem de antes, do momento do golpe de 1964. No momento mais significativo da história brasileira, eles ficaram do lado da ditadura e contra a democracia. E nunca fizeram autocrítica. Seu comportamento hoje – e a decadência irreversível em que estão – é, no fundo resultado da opção que fizeram naquele momento. Aquela opção os colocou do lado das elites, contra o povo, sem condições portanto de se identificar com o mais importante processo de democratização econômica e social que o Brasil vive há uma década.

 Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo.
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10 comentários

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João

16 de agosto de 2012 às 23h20

desconsiderar meu ultimo comentário…

por 3 x carreguei a página e nas 2 primeiras vezes só apareceram 6 comentários…

na ultima vez, vieram os 8 comentários, sendo os 2 últimos, meus…

Responder

João

16 de agosto de 2012 às 23h18

pq meus comentários foram deletados depois de publicados?

qual a regra do blog q eu não respeitei?

Responder

João

16 de agosto de 2012 às 22h37

“Com que moral essa velha mídia – que apoiou o golpe militar, esteve com a ditadura, o Sarney, o Collor e o FHC – vem falar da falta de credibilidade das mídias alternativas?”

mas é feio estar com Sarney, Collor (e incluo Maluf)?

se isso serve para tirar a moral da “velha mídia” deve servir tb para tirar a moral de Lula e do PT, não é?

coerência é tudo!

Responder

João

16 de agosto de 2012 às 22h27

só não entendo uma coisa:

se a “velha mídia” está decadente e com falta de credibilidade (e desde 1964, segundo o texto), pq Emir trabalhou como colunista do jornal O Globo (o mesmo q apoiou a revolução), depois foi comentarista da GloboNews e da Bandeirantes?

Será q Emir Sader só descobriu a decadência e a falta de credibilidade da “velha mídia”, q ele próprio serviu por anos e anos, agora?

Fica difícil de ler um texto desses sem incluir Emir Sader como decadente e sem credibilidade, né?

Responder

FrancoAtirador

28 de julho de 2012 às 15h32

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O BRAÇO MIDIÁTICO DA MÁFIA DO CACHOEIRA SURTOU DE VEZ !!!

ISTO NÃO É MAIS DESESPERO, É ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE !!!

SERÁ QUE A GLOBO VAI REPERCUTIR ESTA PSICOPATIA GRAVE ?!?
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“Plano de fuga” é último tiro de Veja em Dirceu

Brasil247

A revista Veja queimou seu último cartucho dirigido ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, neste fim de semana.
Na derradeira reportagem antes do julgamento, que se inicia na próxima quinta-feira, Dirceu estampa a capa intitulada “réu”, mas cuja foto dá a entender “culpado”.

O texto, assinado por Otávio Cabral, traça um perfil psicológico do ex-ministro e fala do “lado escuro” da sua alma. Insinua, por exemplo, que o principal líder do PT, afora o ex-presidente Lula, talvez tenha sido agente infiltrado da ditadura. Ou eventual traidor de seus companheiros de guerrilha em Cuba.

Sobre o julgamento em si, uma única revelação. Diz o texto que Dirceu estaria cogitando fugir do Brasil, em caso de condenação. Isso mesmo, dar o fora. A única evidência seria uma frase, supostamente dita por ele, num jantar na casa do advogado Ernesto Tizulrinik: “Para quem já viveu o que eu vivi, sair daqui clandestino de novo não custa nada”. Na reportagem, não há quem confirme a frase, mas, enfim, haveria um plano de fuga, em caso de eventual condenação a prisão.

Veja aborda todas as possibilidades imaginadas pelo ex-ministro. Em caso de absolvição, ele cogitaria concorrer ao governo do Distrito Federal, em 2014, impedindo a reeleição de Agnelo Queiroz. Em caso de prisão, ele denunciaria o Brasil à OEA – caso, é claro, não fuja. Mas o cenário mais provável, segundo a revista, seria uma condenação branda, por crimes já prescritos, sem pena de prisão.

Não é, no entanto, o que deseja a revista. Na sua Carta ao Leitor, Eurípedes Alcântara, diretor de Veja, expressa o desejo da Abril: “O que está em jogo é que página da história nossa geração escreveu neste começo de século XXI – uma página que pode nos envergonhar ou da qual nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.”

Em tempo: Dirceu não pretende fugir do País. Acompanhará o julgamento de seu sítio, em Vinhedo (SP), ao lado de advogados.

https://lh6.googleusercontent.com/-Qe_4GTfA8U8/UBPiOv4UxcI/AAAAAAAAbWY/uCrWdgJ1OYI/w497-h373/capa-veja.jpg

http://brasil247.com/pt/247/midiatech/72176/Plano-de-fuga-%C3%A9-%C3%BAltimo-tiro-de-Veja-em-Dirceu.htm

Responder

AlvaroTadeu

28 de julho de 2012 às 15h26

Confirmando o que disse o professor Emir Sader, manchete de um jornalão ontem: SUS demora 16 para atender e paciente morre. Não foi um pronto socorro da prefeitura ou um hospital do estado, “foi o governo federal”. Manchetes desse tipo afrontam até a inteligência mais modesta do país.

Responder

Fabio Passos

27 de julho de 2012 às 20h12

Mas e quem é que ainda aguenta o lixo vagabundo produzido pelo PIG?
Neoudenismo mofado… inútil.

Informação plural e debate estão na rede.

Fiel ao PIG apenas o lixo branco e preconceituoso que foi adestrado e obedece caninamente a “elite” branca, rica e privilegiada. reacionários com baixo QI.

Responder

Roberto Locatelli

27 de julho de 2012 às 19h09

Pois é, os jornais fazem “reforma gráfica”. Globo cria “novos” programas, como o da Fátima e o do Bial.

Mas sequer cogitam em tocar no essencial: abrir o debate com a sociedade sobre o Brasil que queremos.

Pego só um exemplo: o programa do Jô: cópia descarada do Late Show, do David Letterman. Tudo igual. Com a diferença de que o Jô está bem mais à direita.

Eles são lacaios do Tio Sam, numa época de decadência do Tio Sam.

Responder

    Willian

    27 de julho de 2012 às 21h33

    Meu Deus, tanto o Jô quanto o Letterman copiam o Johnny Carson. Letterman nao inventou o late show.

    francisco pereira neto

    28 de julho de 2012 às 15h48

    Uau! Magnífica contribuição Guilherme(com “n”).
    Mas de qualquer forma, não deixa de ser lixo norte-americano.


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